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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

O Rio Grande do Norte já teve uma ilha que foi abandonada e inundada - Por Henrique Araujo

Na pequena povoação habitavam gente simples e pobre, pescadores e pequenos atravessadores de especiarias, mas também haviam portugueses com boas condições financeiras, interessados na exploração e no comércio de sal marinho.
Partiam da ilha carregamentos de peixes, couro e sal. Nesse período ocorreram saques por parte de embarcações de corsários, o que até levou os representantes da Coroa a construírem um fortim para defesa, o Forte de Manoel Gonçalves.
Mapa do RN de 1811 onde consta a Ilha de Manoel Gonçalves
Quem fundou essa ilha foram os portugueses Martins Ferreira e seus genros Antônio Joaquim de Souza, Manoel Antônio Fernandes, José Joaquim Fernandes, Manoel Fernandes e o brasileiro João Garcia Valadão, o João da Hora.
Eis que no ano de 1825 as águas do mar do Oceano Atlântico começaram a avançar de uma forma que a população que vivia lá não tinha outro jeito senão abandonar a ilha e procurar abrigo em região próxima.
Mapa do RN onde consta a Ilha de Manoel Gonçalves. Fonte: Lemnisco.
Os moradores partiram em busca de outro local na mesma região, e acabaram se instalando às margens do Oceano Atlântico, num local que oferecia condições para instalações do povoado. A nova localidade se chamou Alagamar, e depois: Macau.
Segundo Câmara Cascudo, Macau, tem este nome em razão das semelhanças geográficas com a pequena cidade chinesa de Macau (ou Macao), na província de Cantão, que foi território português até 1999. Mas há uma controvérsia em realização à origem do nome. Segundo o escritor Getúlio Moura, em seu livro “Um Rio Grande e Macau”, o nome Macau tem origem nas araras vermelhas que habitavam a região, cujo os indígenas chamavam de “Macaw”.
Outros autores dizem que a palavra vem da palavra chinesa “A-ma-gao”, e que significa “Porto de À Má”, a deusa dos navegantes.
Bandeira de Macau (RN)
O fato é que a ilha de Manoel Gonçalves foi a primeira povoação do que hoje é o município de Macau, a 175 quilômetros da capital Natal.
A ilha desaparecida foi tema de um livro do professor, escritor e historiador João Felipe da Trindade, clique aqui pra conferir.
Rio Piranhas-Assu, Foto: Fábio Pinheiro.

Fonte: Curiozzo
No dia 2 de outubro de 1847, de acordo com a Lei nº 158, a cidade se

1% do PIB para a Cultura: Artistas, arqueólogos, bibliotecários e arquivistas se manifestam em Portugal

Centenas de artistas e trabalhadores da área da Cultura se reuniram em Lisboa, Porto e Bragança no dia 10/12, dia Internacional dos Direitos Humanos, para exigir 1% do PIB.


Por Miranda                                                                                                                                            
Centenas de artistas e trabalhadores da área da Cultura se reuniram em Lisboa, Porto e Bragança no dia 10/12, dia Internacional dos Direitos Humanos, para exigir 1% do PIB.
O Orçamento do Estado para 2020 foi apresentado na última segunda-feira na Assembléia da República sem nenhum novo posicionamento ou clareza com relação à Cultura. Pode ser alterado até fevereiro do ano que vem.
Atualmente o montante destinado ao sector não chega a 0,3%. Os projetos contemplados são escolhidos após inscrição em concursos da DGartes, cujo critério de avaliação dentre os projetos considerados elegíveis é pouco claro.
Convocados pela plataforma Cultura em Luta, artistas e trabalhadores da área da conservação foram às ruas. Calculam que com apenas 8,5 milhões de euros teria sido possível contemplar todos os projetos elegíveis apresentados neste ano. 75 projetos elegíveis ficaram de fora. A região do Alentejo, por exemplo, não teve nenhum apoio do governo neste ano e Trás-os-Montes, por sua vez, ficou com zero de recursos na área do teatro. Há também suspeitas de que parte da mísera verba destinada para a Cultura esteja a ser desviada para pagar docentes, mesmo apesar da área da Educação ter uma verba muito maior para existir e, pior, verba esta que sai do Orçamento Obrigatório do Governo e não do Orçamento Discricionário do governo (uma espécie de orçamento para despesas pontuais e esporádicas), como é o caso da Cultura.
Esta também é uma das lutas dos trabalhadores da Cultura: fazer com que a despesa na área seja vista como investimento na formação dos humanos e da memória que compõem este país e, portanto, exigem que o montante destinado à Cultura seja incluído no Orçamento Obrigatório do Estado.
A arte tem uma importante função na constituição dos seres humanos, enquanto estimulante do pensamento crítico e da criatividade, é um meio de dar asas aos sonhos, portanto, tem um papel fundamental. Numa sociedade materialista e num planeta que, mais do que nunca, precisa de criatividade para se reinventar em face a autodestruição, sim, a Arte faz diferença.
Manifesto em Defesa da Cultura:
“CULTURA EM LUTA. 1% do PIB PARA A CULTURA. PARA UM PAÍS DE CULTURA
Nós, gente reunida neste tempo, reunidos neste país nascido há 45 anos, queremos. Queremos lutar pelo direito de todos a toda a Cultura. Exigimos o cumprimento da Constituição da República. Exigimos que o Estado assegure o livre acesso de todos à criação e fruição culturais e assuma a responsabilidade de prover os meios necessários a esse fim. Queremos uma política cultural democrática, que reconheça o primado do direito de todos os cidadãos à criação e à fruição, que reconheça o direito de todos à produção da cultura do seu tempo.

POR UM SERVIÇO PÚBLICO DE CULTURA

Propomos e lutamos pela definição e construção de um serviço público de cultura em todo o território nacional. Um serviço público organizado, equipado com recursos humanos e técnicos e o devido financiamento, assente no levantamento do que existe e do que pode e quer existir, tendo em conta as diferenças, as possibilidades e as carências no território. Um serviço público que organize uma rede de serviços e de bens, que promova e apoie as iniciativas, as organizações e as dinâmicas existentes e que detenha e ponha em movimento os meios e equipamentos necessários ao livre desenvolvimento e dinamização cultural das comunidades e das pessoas. Um serviço público de matriz nacional, orientado para a liberdade e a diversidade, nunca fragmentado ou municipalizado.

TODO O APOIO ÀS ARTES

Afirmamos uma radical recusa desta miséria de política para a criação artística e literária.”

Fonte: Jornalistas Livres

Coca-Colonização da cultura: Como o Natal se americanizou pelo mundo

A hegemonia sociocultural e econômica dos EUA exportou um Papai Noel de roupas vermelhas e uma garrafa de Coca-Cola em mãos como árbitro das celebrações natalinas
por Gabriel Deslandes
O feriado religioso mais popular da cristandade carrega em si próprio uma grande contradição: é durante as celebrações de Natal que ao menos quatro dos sete pecados capitais, condenados pelo cristianismo, são mais venerados – a gula, a luxúria, a avareza e a inveja.
A festividade cristã se tornou uma das datas comerciais mais lucrativas e, embora esse fenômeno não seja essencialmente norte-americano, ele se agudizou à medida que avançava a hegemonia sociocultural e econômica dos EUA, que exportou um Papai Noel de roupas vermelhas e uma garrafa de Coca-Cola em mãos como árbitro das celebrações natalinas em todo o mundo.
Basta estudar a própria construção simbólica do Natal tipicamente norte-americano para constatar que a festividade bebe das mais diversas tradições culturais europeias, trazidas por imigrantes e incorporadas à cultura popular dos EUA. É nesse sentido que o antropólogo britânico Daniel Miller – estudioso formulador da “Teoria do Natal”, por meio da qual expõe descaracterizações na data, trazidas pela obrigação da troca de presentes – identifica uma série de linhas de influências que atravessaram os mares e passaram a operar na celebração do Natal desde meados do século 19.
Segundo Miller, o Natal moderno mistura o corte de árvore da tradição alemã, o preenchimento de meias da tradição holandesa, o envio britânico de cartões natalinos e a manjedoura dos presépios típica dos italianos. Além disso, os dois artistas responsáveis ​​pelas representações visuais mais influentes da figura do Papai Noel tinham fortes antecedentes europeus: no século 19, o cartunista Thomas Nast (nascido na Alemanha em 1840) e, no século 20, o ilustrador publicitário Haddon Sundblom (norte-americano de ascendência sueca e finlandesa).
Entretanto, para o professor de Estudos de Mídia George Mckay, da Universidade de East Anglia, houve nos EUA um elemento fundamental para que todos esses símbolos oriundos de ritos cristãos e pagãos se aglutinassem em um só arquétipo moderno de festejo natalino: o fenômeno do consumo de massa.
O Natal disseminado como ocasião de consumo de massa impulsionou o feriado como “festival global”. Se o Natal contemporâneo, de fato, envolve uma amálgama de costumes, geralmente específicos de nações, regiões ou até aldeias, também está integrado à formação de símbolos e costumes “globais”, isto é, influenciados pelos processos de globalização e americanização. Na própria sequência de “’festivais de consumo” no calendário norte-americano, que inclui o Halloween e o Dia de Ação de Graças, somente o Natal alcança o status de festejo global, tendo como principal figura visual o Papai Noel, um personagem criado nos EUA.
Um discurso recorrente em críticas ao aumento do consumo no Natal é que há uma contradição entre a concepção tradicional da data como festividade cristã e ritual de celebração da família – espaço caracterizado pela afetividade – e o comércio durante a temporada natalina – espaço intrínseco à esfera impessoal do mercado. O “materialismo” vigente no sistema de mercadorias seria a força capaz de destruir o “espírito natalino”, e a oposição imediata a ele seriam certos laços de sociabilidade, em especial a família nuclear.
O ritual de dar presentes no Natal remonta às sociedades pré-industriais. Ele começou na época das 13 Colônias, quando os primeiros norte-americanos mantinham uma antiga “obrigação” de oferecer presentes aos mais pobres. Naquele período, não havia ainda a troca de presentes, mas apenas uma “doação”. Porém, essa tradição futuramente se readequou a um conjunto de práticas e inovações na vida social e comercial ligadas ao desenvolvimento do capitalismo ocidental nas esferas urbanas, tanto doméstica como pública. Ao mesmo tempo, a expansão das lojas de departamentos criou uma experiência de lazer e de estilo de vida consumista, e a publicidade se tornou uma forma dominante de comunicação e persuasão da mídia de massa, baseada, em grande medida, nos novos produtos disponíveis nessas “catedrais do consumo”.
Ainda no século 19, os lojistas norte-americanos perceberam o enorme potencial de impacto do Natal no aumento de suas vendas. O primeiro reconhecimento do aumento sazonal nas vendas e no volume de negócios no período natalino – fenômeno comercial hoje conhecido de todos – aconteceu já em 1867, quando Rowland Hussey Macy, dono da tradicional loja de departamentos Macy’s, estendeu o horário de funcionamento de sua loja em Nova York até meia-noite, fazendo com que, em único dia, atingisse um recorde de vendas superior a US$ 6 mil. Em 1874, a Macy’s inovou ao apresentar na vitrine uma promoção de bonecas importadas no valor de US$ 10 mil, exclusiva para a compra de presentes natalinos, e ao oferecer bônus de Natal a seus funcionários.
O significado social da popularização das lojas de departamentos nos EUA e, mais tarde, na Europa no final do século 19 e início do século 20 ultrapassa a mera ascensão do consumo e do “materialismo”. Era algo inédito que consumidores pudessem entrar gratuitamente em uma grande loja, e a disposição acessível das mercadorias estimulava as compras, mesmo para quem não tivesse condições de comprar. Em outras palavras, as lojas de departamento democratizaram o desejo.
Além disso, foi nessa época que a loja de departamentos Montgomery Ward, em Chicago, criou no imaginário popular outro personagem símbolo do Natal: Rudolph, a rena do nariz vermelho. Em 1939, mais de 2 milhões de cópias da história de Rudolph foram enviadas junto com os catálogos da Montgomery Ward. Uma década depois, a canção homônima cantada por Gene Autry, baseada no personagem da rede de lojas, tornou-se um grande sucesso e continua sendo uma das canções de Natal mais populares da temporada natalina nos EUA, evidenciando a inter-relação entre publicidade e cultura popular. Todavia, nenhum símbolo expõe de forma mais explícita a relação entre a temporada natalina e predominância do jogo das relações mercantis do que a figura do Papai Noel.
A divindade do “materialismo”
Com seu saco de presentes e dotado de toda sorte de poderes mágicos – onisciência, voo, viagem no tempo e mudança de forma –, o personagem do “bom velhinho” foi central na transformação do Natal em um festival global. Sua principal característica como provedor de bens de consumo fez com que alçasse o status de símbolo da abundância material e do prazer hedonista e, por consequência, de “divindade do materialismo”, como diria Daniel Miller. Ele – e não Jesus Cristo – passa a ser a figura central de organização do evento, e o nascimento a ser comemorado não era mais o do aniversariante da data segundo a tradição cristão, mas o de um novo nicho de mercado.
Figura sagrada feita sob medida para um mundo secular, o Papai Noel moderno é fruto da fusão sincrética de vários personagens diferentes trazidos por imigrantes europeus aos EUA. É o que aponta Claude Lévi-Strauss em seu clássico ensaio O Suplício do Papai Noel, de 1952, em que analisa um caso ocorrido no Natal anterior em Dijon, na França, quando católicos e luteranos se uniram para queimar um boneco de Papai Noel em uma fogueira em protesto pela “crescente paganização do dia de Natal” – um episódio que o jornal espanhol El País apelidou de “o último auto de fé da Europa”. Para o antropólogo francês, a variedade de nomes dados ao personagem – Papai Noel, São Nicolau ou Santa Claus – demonstra que ele é resultado de um “fenômeno de convergência e não um protótipo antigo conservado por toda parte”.
Por outro lado, o “bom velhinho” identificado fundamentalmente a partir dos EUA não se assemelha mais com os personagens europeus que o originaram, como São Nicolau (protetor dos marinheiros e comerciantes) ou Knecht Ruprecht (companheiro de São Nicolau, de acordo com o folclore alemão). Ele tem uma personalidade mais apresentável para sua aparição em lojas e residências e distribui presentes e não apenas frutas, nozes e brinquedos caseiros. Com uma aparência paterna não ameaçadora, sua imagem como conhecida hoje surgiu em janeiro de 1863 pelas mãos do cartunista político da revista Harper’s Weekly, Thomas Nast. Em um contexto de Guerra da Secessão nos EUA (1861-1865), o Papai Noel já estava localizado ideologicamente nos desenhos de Nast. Para construir parte do imaginário da União (o Norte) durante a Guerra Civil, a implicação era que as crianças sulistas se perguntariam por que o Papai Noel não as estava visitando.
Um homem estranho, gordo e de bochechas rosadas que invade as casas no meio da noite e frequentemente visita as crianças em seus quartos passou a evocar não um pesadelo, mas um sonho e desejo, e se tornou símbolo de um festival domesticado. Por ironia, a despeito de sua aparência distinta e de sua origem localizada reconhecidamente nos EUA, o Papai Noel não é facilmente identificável como uma figura tipicamente norte-americana – suas roupas, por exemplo, são vermelhas e brancas e não vermelhas e azuis, tais quais as cores da bandeira nacional. Talvez a única exceção a isso seja o primeiro desenho de Nast, de 1863 – um Papai Noel em um acampamento de tropas da União com a bandeira estrelada em seu paletó e calça listrada.
De fato, a americanidade do Papai Noel se tornou mais clara desde os primeiros antecedentes históricos da propaganda para o marketing sazonal de Natal ainda no século 19, quando uma loja na Filadélfia utilizou o personagem para fazer propaganda de suas mercadorias aos transeuntes e recorreu à sua representação visual que se tornaria clássica no século seguinte – alegre, corpulento, com uma barba branca e vestindo roupas felpudas. Pois essa é a imagem incorporada à publicidade da Coca-Cola Company no início da década 1920, quando a marca de bebidas começou a fazer campanhas de Natal nas cores corporativas da empresa em vermelho e branco, a fim de expandir as vendas de refrigerantes no inverno. Foi a campanha da Coca-Cola que tornaria tal representação do Papai Noel consagrada no imaginário coletivo contemporâneo.
A companhia de bebidas utilizou o personagem em sua publicidade sazonal pela primeira vez em 1915 e, mais tarde, quando desenvolveu propagandas de sua água mineral White Rock especialmente para a revista Life entre dezembro de 1923 a 1925. Os anúncios mostravam um Papai Noel em trajes e cenários familiares: roupas de pele vermelhas e brancas, sentado ao lado de uma geladeira, em ambientes domésticos de Natal confortáveis ​​e acolhedores (em geral, em contraste com uma cena de inverno do lado de fora, visível através de uma janela). Em meio à década da Proibição pela Lei Seca (1920-1933), os anúncios popularizaram a White Rock a ponto de seu nome ter virado sinônimo de água com gás e, mais tarde, um código secreto para pedir bebidas alcoólicas misturadas nos bares norte-americanos.
Foi a partir de 1931 que a figura visual do Papai Noel ganharia extrema popularidade com os traços do ilustrador Haddon Sundblom e demarcaria definitivamente a conexão no seio da sociedade norte-americana entre a publicidade natalina e o comércio. Os desenhos coloridos do personagem por Sundblom – impressos não só em revistas, mas também em cartões natalinos – ocupam até hoje um lugar central no imaginário público sobre o que representa o Natal.
Do ponto de vista mercadológico, a sazonalidade das vendas é um ponto nevrálgico para produtos refrigerados, já que há pico de vendas no clima quente (verão) e queda no frio (dezembro é inverno nos EUA). Assim a Coca-Cola soube articular sua estratégia de marketing sazonal de aumento de gastos dos consumidores com a compra de presentes e, para tal, optou por associar sua imagem ao consumismo crescente da época festiva. Por isso, sua campanha inicial foi “Sede não conhece estação”. Inicialmente, os anunciantes apresentaram Papai Noel relaxando de seus trabalhos bebendo o refrigerante; depois, mostraram como as crianças poderiam deixar não mais leite, mas uma Coca-Cola, para o “bom velhinho”; por fim, sugeriram que os presentes entregues pelo Papai Noel eram em troca do próprio refrigerante. Todo esse conjunto de códigos compunham a identidade de uma marca poderosa com reconhecimento transnacional.

A “Coca-Colonização” do mundo

No anúncio de Natal da Coca-Cola de 1943, Papai Noel é mostrado caminhando alegremente pela neve virgem com um pesado saco de presentes sobre um ombro e uma garrafa de Coca-Cola na outra mão. Suas botas cobertas de neve, indicando a longa jornada que peregrina, e o slogan “’Onde quer que eu vá” são a metáfora perfeita da ambiciosa expansão global do plano de negócios da empresa. Por trás dela, na direção em que ele está caminhando, também flutua um globo terrestre, enrolado com uma fita e um rótulo de presente de Natal. No globo, podem ser facilmente identificadas as Américas, a África e a Europa, enquanto o logotipo “Coca-Cola” cobre o território dos EUA no mapa.
Na mesma época, os soldados norte-americanos no front na Europa bebiam garrafas de Coca-Cola fornecidas pelo próprio governo dos EUA como parte dos esforços de guerra. O slogan publicitário de 1945 era: “Sempre que você ouve ‘Coca-Cola’, ouve a voz da América”. Cinco anos depois, as fábricas da companhia já estavam estabelecidas em diversos países da Europa Ocidental, e a capa da revista Time mostrava o mundo bebendo uma garrafa de Coca-Cola. O refrigerante estava rapidamente se tornando a bebida do planeta.
Na Europa do pós-Guerra, a chegada da Coca-Cola provocou oposição em vários países. Em muitos casos, os interesses locais de bebidas tentaram bloquear a entrada do refrigerante americano, como na Bélgica e na Suíça, onde a companhia enfrentou ações judiciais sob a alegação de que continha uma quantidade perigosa de cafeína. Na Dinamarca, as cervejarias conseguiram banir a bebida temporariamente. Na maioria dos casos, os partidos comunistas locais lideraram essa oposição, descrevendo a bebida como uma droga viciante ou mesmo um veneno. Na Itália, o L’Unità, jornal do Partido Comunista, alertou os pais de que a Coca-Cola poderia deixar os cabelos das crianças brancos. Já os comunistas austríacos afirmaram que a nova fábrica de garrafas em Lambach poderia ser facilmente transformada em uma fábrica de bombas atômicas.
Todos esses distúrbios pareceram triviais se comparados com o tamanho da controvérsia de quando a Coca-Cola chegou à França, onde as primeiras garrafas de Coca-Cola foram vendidas aos militares americanos em 1919, após a Primeira Guerra Mundial. Porém, com exceção de alguns cafés famosos que atendiam a turistas americanos, os estabelecimentos franceses raramente serviam a bebida durante os anos 1920 e 1930. Após a Segunda Guerra, a Coca-Cola Export Corporation orquestrou um plano de marketing voltado ao país, com a construção de uma nova fábrica em Marselha. As concessionárias deveriam empregar técnicas americanas de vendas e distribuição, incluindo novos caminhões brilhantes pintados nas cores da empresa, degustação gratuita e recomendações por parte de esportistas e artistas de cinema.
Prontamente, iniciou-se uma fortíssima oposição à penetração da empresa de bebidas na sociedade francesa. A Coca-Cola enfrentou sérios problemas políticos e levantou preocupações generalizadas sobre a “americanização da França”. A expressão “Coca-Colonização” ganhou as páginas da mídia imprensa comercial e de esquerda e, entre 1949 e 1953, travou-se uma batalha que ia desde os círculos comunistas até o governo da 4ª República francesa, passando por industriais e viticultores – todos discutindo sobre cultura e identidade nacionais da França em meio à implantação do Plano Marshall. O jornal comunista L’Humanité se perguntava: “Seremos coca-coca-colonisés?”. O Partido Comunista Francês alertava que a companhia norte-americana diminuiria ainda mais as vendas de vinho e que as reduções tarifárias exigidas pela Coca-Cola piorariam o déficit comercial do país, além de noticiar o boato de que o sistema de distribuição da empresa serviria de fachada para a rede de espionagem dos EUA.
Nesse cenário típico de Guerra Fria, o antiamericanismo liderado pelos comunistas atacou a geladeira como um sintoma do consumo excessivo dos norte-americanos. Para os militantes do Partido Comunista Francês, a Frigidaire, subsidiária norte-americana da marca de eletrodomésticos Electrolux, produzira equipamentos inúteis para a maior parte do ano, exceto por fazer cubos de gelo para coquetéis de uísque. Isso porque, na França, fazia frio o suficiente para pendurar na janela as sobras de cordeiro, e elas se manteriam conservadas de domingo até quarta-feira.
Paralelamente, a geladeira era um item essencial da vida cotidiana norte-americana mesmo durante o inverno. Portanto, o eletrodoméstico era símbolo da esfera doméstica das casas nos EUA, justamente o espaço familiar que servia de ambiente para os anúncios natalinos do Papai Noel da Coca-Cola – retratados com uma lareira crepitante, uma árvore de Natal decorada e uma geladeira contendo garrafas de refrigerante.
Já sacralizado como ícone central das publicidades da Coca-Cola, fica difícil não pensar o Papai Noel, portanto, como um emblema global do modelo de consumo constituinte do American way of life. A diáspora do Papai Noel não é diferente da diáspora da Coca-Cola como uma alegoria da modernidade americana. Nesse sentido, as formas de consumo nos EUA inscreviam em si próprias variadas expressões de poder, prazer e medo. Consistiriam elas uma forma de imperialismo cultural por parte dos EUA? Afinal, o conceito de imperialismo cultural norte-americano diz respeito à própria agressividade com a qual Washington tenta exportar seus bens culturais e ideologias dominantes a outras nações. Essa modalidade de imperialismo não significa controle colonial aberto, mas dependências econômicas e dominação ideológica por influência cultural. A exportação da cultura popular norte-americana é criticada nos países que a recebem por conta de seus supostos efeitos homogeneizadores, que eliminariam peculiaridades locais.
No movimento de americanização, a penetração global das empresas norte-americanas anda de mãos dadas com uma disseminação cultural e ideológica quase unilateral. O marketing da mídia norte-americana, incluindo o cinema hollywoodiano e sua música popular, se integra à presença política, econômica e militar dos EUA em todos os continentes, propagando os costumes e valores norte-americanos, bem como o próprio idioma inglês em todo o mundo. Segundo o professor George Mckay, nesse jogo, a novidade se sobrepõe à tradição e a nostalgia à história, e a mídia de massa e a mercantilização desenfreada nos negam agência em nossas próprias escolhas culturais.
É justamente a esse processo que diferentes sociólogos deram o nome de Disneyzação (Alan Bryman), McDonaldização (George Ritzer) e Walmartização (Neil Wrigley), assim como, é claro, a Coca-Colonização. Todos eles defendem que, nas sociedades contemporâneas, elementos culturais – roupas, música, TV, alimentação, convenções linguísticas e modelos de negócios – aparentemente estão se tornando cada vez mais padronizados. A Coca-Colonização sustenta a perspectiva da homogeneização do mundo, fruto do triunfo do imperialismo cultural sobre as culturas locais rumo a um modelo de consumo mundialmente americanizado.
Cruzando fronteiras com facilidade, os prazeres da América são experimentados pelo mundo inteiro pelo consumo conspícuo de produtos de marcas dos EUA, como os cigarros Marlboro, os tênis Nike, as barras de chocolate Hershey, os jeans Levi e os chicletes Wrigley – comprados pelo simples fato de serem norte-americanos. O regozijo pelo livre acesso a essas marcas – profissionais em apelar e manipular cada vez mais às emoções de seus potenciais consumidores – é acompanhado do consumo cultural do rock ‘n’ roll, jazz, rap, NFL, NBA, HQs, pop art, fast food e LSD, envolvendo os jovens estrangeiros no hedonismo e provocando pânicos morais regulares entre diferentes gerações em torno da última moda pop.
No caso do Velho Mundo, hierarquias culturais e consensos intergeracionais foram bruscamente rompidos no decorrer do século 20. As reações populares ao poder mercadológico desses cânones do capitalismo norte-americano contribuíram para uma corrente de desconfiança dos EUA e de seus prazeres culturais pop entre os mais significativos setores das sociedades europeias. Essa desconfiança atravessa todo o espectro político e ganhou dimensões perigosas durante a Guerra Fria. O medo francês da dominação norte-americana em seu território tem um sentido não só cultural, mas também político e econômico.
Em um cenário em que a Coca-Cola e a iconografia do feriado natalino se desenvolveram quase como irmãos gêmeos nos EUA, a reação à livre invasão cultural das mercadorias e da simbologia norte-americana do Natal mistura crítica políticas e estritamente estéticas. Na Europa, são recorrentes narrativas contrárias à invasão de um Natal americanizado, que exporta consigo árvores de plástico, neve enlatada, Papai Noel de poliéster e canções natalinas gravadas como músicas de elevador. Durante novembro e dezembro de 1991, no Canadá, as pinturas do Papai Noel de Sundblom para as propagandas da Coca-Cola foram exibidas em exposição no Museu Real de Ontário, em Toronto, e rapidamente sofreram um rechaço coletivo de críticos de arte, que repudiaram a “associação do museu com junk food” e a vinculação do “nascimento de Cristo com o Papai Noel, com o consumo”.

Natal, consumismo e americanização?

Porém, afinal de contas, se o Natal se tornou temporada de consumo dentro da lógica do capitalismo norte-americano, o sentido tradicional do feriado religioso teria sido completamente corrompido? O Natal contemporâneo, moldado nas formas do American way of life, seria uma mera “profanação” descaracterizada pelo consumismo, perdendo seu valor originalmente sagrado? Para o sociólogo Michael Schudson, da Universidade de Columbia, a prevalência do costume de dar presentes sugere que as pessoas frequentemente compram coisas não porque são materialistas, mas porque são seres sociais. Portanto, em geral, elas não estariam substituindo os valores familiares tradicionais pelo consumo material, mas, sim, consumindo com o objetivo de preservar os próprios laços afetivos.
Por outro lado, toda a esfera pública vem sendo progressivamente penetrada e dominada por interesses corporativos. Isso significa que as atividades socioculturais se tornaram objetos de importância comercial e levam ao surgimento de “sociedades de outdoors”, em que cada pessoa, instituição ou evento pode se transformar em um portador potencial de mensagens comerciais.
Nessa conjuntura, um arquétipo de Natal foi impulsionado ao máximo com a internacionalização das grandes marcas dos EUA, com a Coca-Cola à frente desse processo incontrolável que a jornalista e ativista canadense Naomi Klein apelidou criticamente de “promessa equalizadora de um globo conectado por logotipos”. Em meio à profusão de comerciais de grandes marcas mostrando locais estranhamente remotos, a representação dominante é de que as fronteiras geográficas e culturais são transcendidas pelas formas de mercadorias.
Além disso, tal “cultura do consumo” comumente é acusada de ofuscar valores imateriais, como a própria religião. De fato, o capitalismo contemporâneo é caracterizado por processos de mercantilização e secularização, transformando todas as práticas culturais daqueles que entram em sua órbita. Ao mesmo tempo, o simbolismo e as práticas rituais que incorporam distinções sagradas e profanas continuam a existir nos processos sociais seculares, e com o “festival global” do Natal não é diferente.
Nesse sentido, a história da própria Coca-Cola e de seu consumo no Natal por meio da figura-chave do Papai Noel em seus anúncios desde os anos 1930 deixa clara a relação entre o “materialismo” e o feriado natalino como parte de uma americanização da cultura popular a nível mundial. Por mais que lutas ideológicas tenham sido travadas no século 20 contra a tomada do feriado religioso pelo consumismo ininterrupto, trata-se de um processo integrado a uma conjuntura muito maior de transnacionalização do capital e de hegemonia política e cultural dos EUA no mundo.
Fonte: Revista Opera

domingo, 22 de dezembro de 2019

Curiosidade sobre a história do Natal

A maioria das versões sobre a procedência da árvore de 

Natal-Pinheiro
Natal indica a Alemanha como seu país de origem. A mais aceita atribui a novidade ao padre Martinho Lutero. Ele montou um pinheiro enfeitado com velas em sua casa, para mostrar às crianças como deveria ser o céu na noite do nascimento de Cristo.

– Outra versão atribui a criação ao anglo-saxão Vilfrido. Ele teria ido pregar o cristianismo na Alemanha e teria usado a figura triangular de um pinheiro para explicar a Santíssima Trindade. A partir de então, a árvore passou a ser reverenciada como uma planta divina.
– A tradição de relacionar árvores a divindidades vem da mitologia grega. As plantas, para o gregos, intermediavam o céu e a terra e simbolizavam a evolução e a elevação do homem. O carvalho homenageava Zeus; a oliveira, a deusa Atena; e a videira, o deus Dionísio. Para os chineses, o pinheiro significa longa vida.
– Já na Roma antiga, existia o costume de pendurar máscaras de Baco em pinheiros para comemorar uma festa chamada de Saturnália, que coincidia com o nosso Natal. Na Europa, durante o século 12, havia a tradição de pendurar um pinheiro no teto das casas, de ponta-cabeça, como símbolo da fé cristã.
– Foram os ingleses quem popularizaram a árvore de Natal. Eles tomaram contato com a tradição por volta de 1850. Quando o príncipe Albert se casou com a rainha Vitória, ela começou a montar árvores majestosas em sua residência de férias na ilha de Wight. A população passou a imitá-los.
Brasil Cultura

MTur qualifica 30 mil profissionais de turismo em 2019

A turma do curso de Técnico em Guia de Turismo de Brazlândia, cidade localizada a 50km de Brasília, teve muito o que comemorar na noite desta terça-feira (17). Após um ano e meio de muito estudo, 22 alunos do Centro de Ensino Médio – CEM 01 se formaram em meio a uma festa repleta de familiares e sensação de dever cumprido. Ao todo foram 30 mil qualificados por meio das diversas iniciativas de capacitação da Pasta.
O curso é ofertado pelo MedioTec, modalidade do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), executado em parceria entre o Ministério do Turismo e o Ministério da Educação. É uma oportunidade para que os alunos do ensino público possam cursar, ao mesmo tempo, um curso técnico. As aulas são ofertadas de forma concomitante para os alunos das redes públicas estaduais e distritais de educação com prioridade para os alunos a partir do 2º ano do ensino médio.
Desde 2018, são disponibilizados para a escolha dos estados e do Distrito Federal 83 cursos dos eixos “Turismo, Hospitalidade e Lazer”; “Gestão e Negócios”; “Informação e Comunicação”; “Produção Alimentícia”; “Produção, Cultura e Design”; e “Desenvolvimento educacional social”, ofertados nas modalidades presencial e a distância.
A coordenadora pedagógica do curso de Técnico em Guia de Turismo, Bruna Rangel, comemorou o engajamento dos alunos e contou que observou um grande amadurecimento principalmente no interesse em potencializar o turismo na região do DF. “Eles vão sair do ensino médio prontos para o mercado de trabalho. Foi um curso bastante proveitoso para todos os estudantes. Notamos uma taxa de evasão extremamente baixa de apenas 18%. Não tivemos estudantes reprovados nem por falta nem por nota. Foi um curso de extremo sucesso”, celebrou a coordenadora.
A recém-formada Iris Oliveira, moradora de Brazlândia, foi a oradora da turma. Diante do público, declamou o juramento e prometeu elevar os níveis da profissão obedecendo os preceitos da ética, da legalidade e da moral. “Escolhi essa profissão porque a minha cidade tem um potencial muito alto no ecoturismo e turismo religioso. A gente precisa de pessoas capacitadas para enriquecer o turismo da cidade e eu estou muito feliz com a minha formatura. Espero acrescentar e ajudar a minha cidade a desenvolver ainda mais o turismo”, comemorou.
A coordenadora-geral de Qualificação do Turismo do MTur, Neuza Portugal, destacou a importância de incentivar a capacitação para o turismo. “É gratificante ver os resultados alcançados com a oferta dos cursos de formação técnica demonstrados pelos alunos que concluíram o curso Técnico em Guia de Turismo. Nos faz acreditar que estamos no caminho certo, considerando que a qualificação profissional exerce um papel preponderante no sentido de incrementar o mercado de trabalho, elevar a qualidade dos serviços prestados aos turistas e contribuir para o desenvolvimento do país por meio do turismo”, ressaltou Portugal.
QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL – O Ministério do Turismo proporciona diversas oportunidades de qualificação baseadas na Política Nacional de Qualificação do Turismo (PNQT). O canal Brasil Braços Abertos é uma delas. Trata-se de um curso de atendimento ao turismo online e gratuito, que aborda temas como atendimento e comunicação. Já o curso Gestor de Turismo, também online e gratuito, é direcionado a gestores públicos e privados de turismo, além de outros cidadãos e profissionais que queiram se qualificar para gestão do turismo. Os dois cursos estão com inscrições abertas. Saiba mais clicando AQUI.
Edição: Lívia Nascimento

RETROSPECTIVA: EM BAÍA FORMOSA/RN, EDUARDO VASCONCELOS ENTREVISTA O SURFISTA ITALO FERREIRA CAMPEÃO BRASILEIRO, RUMO AO MUNDIAL

Eduardo Vasconcelos entrevista Ítalo Ferreira no Chalé em Baía Formosa/RN, em 02 de fevereiro  de 2015


Na última quinta-feira, 02 no Chalemar em Baía Formosa/RN eu tive o prazer de entrevistar o jovem surfista formosense, Italo Ferreira CAMPEÃO BRASILEIRO de 2014, um jovem inteligente, humilde e muito talentoso em cima de um prancha!  Me concedeu 10 minutos do seu precioso tempo e fui logo perguntando qual a sensação de ser CAMPEÃO BRASILEIRO DO SURF antecipado do Circuito Brasileiro de Surf Profissional, após o 3º lugar na 2ª etapa do CIRCUITO em Santa Catarina/SC, que aconteceu em dezembro de 2014 na Prainha.

ITALO FERREIRA: Muito legal, mas estive bastante focado no título e treinei muito, agora já no final de janeiro viajo para São Paulo para treinar depois faço um curso de inglês na Austrália, onde acontecerá o Campeonato Mundial na primeira quinzena de fevereiro. Muito feliz, pois estou entre os 32 melhores surfistas do MUNDO!

ITALO FERREIRA também foi destaque no site da globoesporte.com, (Natal) veja matéria:

Após acesso ao WCT, Ítalo Ferreira festeja título brasileiro profissional

Aos 20 anos, surfista potiguar é campeão por antecipação do Circuito Brasileiro de Surf Profissional, após terceiro lugar na segunda etapa do Circuito Catarinense

Após conquistar o acesso para a elite do Circuito Mundial, o potiguar Ítalo Ferreira comemora mais um feito em 2014. Ele é o novo campeão brasileiro de surf profissional. Aos 20 anos, o surfista de Baía Formosa garantiu o inédito título após o terceiro lugar obtido na segunda etapa do Circuito Catarinense de Surf Profissional, válido pela penúltima prova do Circuito Brasileiro. A competição, vencida pelo pernambucano Luel Felipe, foi encerrada na tarde de quarta-feira, na Prainha, em São Francisco do Sul, em Santa Catarina.

Com a pontuação da terceira colocação na Prainha, Ítalo Ferreira assegurou o título brasileiro por antecipação. No ranking da Associação Brasileira de Surf Profissional (Abrasp), o potiguar soma 5.073 pontos, à frente do baiano Bino Lopes - 3.980 - e do paulista Odirlei Coutinho - 3.945.



Foto divulgação: Basílio Rui

Estou muito feliz. Este ano deu tudo certo e consegui conquistar quase todos os meus objetivos, graças a Deus.  Agora é descansar um pouco e focar na próxima temporada - declarou.


Com o título, Ítalo se iguala a Joca Júnior, até então único potiguar a ser campeão brasileiro profissional, em 1996.

http://globoesporte.globo.com/rn/noticia/2014/12/apos-acesso-ao-wct-italo-ferreira-festeja-titulo-brasileiro-profissional.html

sábado, 21 de dezembro de 2019

Documentário mostra Natal entre os anos 1900 e 1930

Um documentário de 20 minutos criado pelo grupo de pesquisa “Os espaços na Modernidade” da UFRN é uma verdadeira aula de história sobre Natal entre 1900 e 1930.
O filme chama-se “A Província Moderna (Natal, 1900-1930)”, foi originado a partir de um projeto de Extensão da Universidade em 2017, em parceria com o Instituto Federal de Educação (IFRN) e fez sucesso nas redes sociais. Confira a bela produção:
Que a internet tenha mais conteúdos assim! Ah e pra saber mais sobre o filme, incluindo roteiro, exibições e descrição do processo de produção, acesse aqui. E parabéns para todos os envolvidos:
Direção Artemilson Lima e Raimundo Arrais. Texto e coordenação de pesquisa: Raimundo Arrais. Roteiro: Artemilson Lima. Narração: Clotilde Tavares. Montagem: Rodolfo Maia. Trilha sonora: Oswin Lohss. Pesquisa: Thaina Morais; Karine Lima; Gabriel Barreto.
Fonte: Curiozzzo

3 lindas fotos de Mossoró (RN) no século passado

Veja agora 3 fotos que relembram a beleza arquitetônica de Mossoró no século passado, acompanhadas de um pouquinho de história do surgimento da cidade.
Mossoró é a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte, hoje com mais de 300 mil habitantes. No século XVIII, o sargento-mor português Antônio de Souza Machado mudou-se com sua família para as terras onde hoje se situa a cidade, e em meados de 1760, desejou povoar o lugar. Ele foi proprietário da fazenda Santa Luzia e mandou construir uma capela, a capela de Santa Luzia, que foi fundada dia 5 de agosto de 1772, e foi um dos principais marcos do surgimento de Mossoró.
Veja como a cidade tinha uma aparência bonita na época:
Em 1842, o pequeno povoado que lá se encontrava tornou-se uma freguesia. A população na época estava resumida a um quarteirão em frente à capela de Santa Luzia. 10 anos depois a lei n° 246 concedeu autonomia ao povoado, que foi elevado à categoria de vila, desmembrando-se de Assu, cidade que na época se chamava “Princesa”, tornando-se depois um novo município do Rio Grande do Norte. Em 9 de novembro de 1870 a vila de Mossoró foi elevada à categoria de cidade.
Veja um pouco mais de sua arquitetura exuberante:
Tempos depois, o povoado de Mossoró foi experimentando um crescimento, quando a viúva do sargento-mor Antônio de Souza Machado doou terras para o povoamento do município.
Gostou? Então veja também imagens raras de Mossoró (RN) em 1956
Fonte: CURIOZZZO

Impedimento, já!

Jair Bolsonaro (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O professor e advogado membro da Associação de Juristas pela Democracia (ABJD), Marcelo Uchoa, diz que no destempero das declarações proferidas nesta sexta-feira (20), Jair Bolsonaro "agiu de maneira homofóbica e transfóbica" e, mais que isso, cometeu crime de responsabilidade ao atentar contra a Constituição Federal.

Brasil 247 - Não é de hoje que o presidente Jair Bolsonaro vem atentando contra a Constituição em seus princípios fundamentais de proteção à dignidade da pessoa e, naturalmente, contra o decoro exigido ao honroso cargo que ocupa no país. Seu comportamento sabidamente descontrolado, com traços indubitavelmente psicopáticos têm trazido ao país um desconforto internacional, que não apenas lhe prejudica enquanto nação, mas a todos danam, à medida que enlameia o cenário nacional numa perspectiva de incertezas que só pode resultar em prejuízos econômicos gerais e individuais. O fato, porém, de não haver sido interditado mentalmente lá atrás lhe permitiu, por razões múltiplas que não merecem ser destacadas aqui, a galgar postos políticos de relevância e a chegar ao comando da nação. Essa fatídica consequência, por mais que possa não lhe pareça crível (afinal, ao que parece, o presidente se imagina onipotente), não lhe dá salvo-conduto para continuar agindo como se não tivesse responsabilidades com a República. 

Ontem, 20/12, num de seus constantes atritos com a imprensa, questionado sobre fundadas dúvidas acerca de supostas ligações espúrias envolvendo um de seus filhos com um conhecido chefe miliciano, o presidente reagiu com a seguinte frase ao jornalista: “Você tem uma cara de homossexual terrível, nem por isso eu te acuso de ser homossexual. Se bem que não é crime ser homossexual”. Noutra oportunidade, retrucou: “Oh rapaz, pergunta para a tua mãe o comprovante que ela deu para o teu pai, tá certo?”. A quem interessar, vídeos com tais falas estão amplamente divulgadas em matérias na internet.

Pois bem, o que importa para o presente texto não é aferir se o presidente é ou não insano, age ou não como mau-caráter, o objetivo desta reflexão é analisar a reação do presidente Jair Bolsonaro à luz da legislação brasileira. O art. 3º da Constituição Federal expressa que constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil "IV promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação". O art. 5º, por sua vez, diz no caput: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza...". No afã de concretizar tais comandos constitucionais e criminalizar as citadas discriminações por motivos de afronta à dignidade das pessoas o legislador aprovou, em 1989. a Lei n. 7.716, cujo art. 1º estabelecia taxativamente "Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça ou de cor". Mais adiante, tal dispositivo foi alterado pela Lei n. 9.459/97 para esclarecer que a imperatividade do comando deveria estender-se a discriminações por motivos de etnia, religião ou procedência nacional. A redação do art. 1º da Lei 7.716/89 passou a ser: "Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional". 

Injustificadamente, a homofobia e a transfobia não foram incluídas na alteração legal, contudo, diante de uma mora absolutamente injustificada, o Supremo Tribunal Federal do país, reconheceu, em 13 de junho deste ano de 2019, em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) 26 e do Mandado de Injunção (MI) 4733, que a demora da atividade legislativa na criminalização de condutas homofóbicas e transfóbicas prejudicaria a atenção aos direitos fundamentais da comunidade LGBTQ. Com efeito, decidiu o STF que até que o Congresso Nacional promulgue lei específica sobre o tema, condutas homofóbicas e transfóbicas, reais ou supostas, devem se enquadrar nos crimes previstos para o racismo, isto é, segundo as disposições da Lei n. 7.716/89 (que, apenas a título de informe, prevê para a hipótese de discriminação pena de reclusão de dois a cinco anos) e, no caso de homicídio doloso, constituindo circunstância que o qualifique como torpe. Isso porque o racismo transcende a circunstâncias meramente biológicas e de fenótipos específicos, agredindo a dignidade de quem quer que integre grupo social considerado vulnerável. Ressalte-se que, para a Constituição, crimes da espécie são considerados inafiançáveis e imprescritíveis por interpretação comparada do racismo na inteligência do art. 5º, XLII, da Constituição: “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;”. 

Nesse sentido, sendo compreendido que o presidente da República, no destempero das declarações proferidas ontem, agiu de maneira homofóbica e transfóbica, deve ser levado a responder pelas ações penais específicas. E não apenas isso. A Constituição, em seu art. 85, estabelece que "são crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra: (V) a probidade na administração". Já a Lei n. 1.079/50, que trata dos crimes de responsabilidade do Presidente da República e Ministros de Estado, estipula no art. 9 que "são crimes de responsabilidade contra a probidade na administração: 

7- proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo". Portanto, em se considerando não haver agido o presidente de modo compatível com a dignidade do cargo que ocupa ele também terá cometido crime de responsabilidade, o que lhe resultaria a necessidade de abertura imediata de um processo impeachment na Câmara dos Deputados. Afinal, a Constituição também prevê, quando trata da responsabilidade do Presidente da República (Seção III, do Capítulo II, sobre O Poder Executivo): “Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade”.

Espera-se, portanto, que a Câmara dos Deputados, consciente de sua responsabilidade cívica, não silencie diante dos graves fatos acontecidos ontem, pois, sem dúvida alguma, merecem apreciação e devido julgamento, lembrando-se que, a rigor, a Câmara sequer pode escusar-se de analisar tal episódio, afinal, também é norma imperativa, segundo o Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados de 2002 (Resolução no 25, de 2001), a obrigatoriedade categórica de cumprimento do art. 3º, sobre os deveres fundamentais dos deputados, de "II respeitar e cumprir a Constituição, as leis e as normas internas da Casa e do Congresso Nacional". Por isso, impedimento, já!

Fonte: Brasil 247