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terça-feira, 28 de abril de 2020

Revolução dos Cravos – 25 de abril

Foi o movimento que derrubou o regime salazarista em Portugal, em 1974, de forma a estabelecer as liberdades democráticas promovendo transformações sociais no país. Após o golpe militar de 1926, foi estabelecida uma ditadura no país. No ano de 1932, Antônio de Oliveira Salazar tornou-se primeiro-ministro das finanças e virtual ditador. Salazar instalou um regime inspirado no fascismo italiano. As liberdades de reunião, de organização e de expressão foram suprimidas com a Constituição de 1933.
Portugal manteve-se neutro durante a Segunda Guerra Mundial. A recusa em conceder independência às colônias africanas estimulou movimentos guerrilheiros de libertação em Moçambique, Guiné-Bissau e Angola. Em 1968 Salazar sofreu um derrame cerebral e foi substituído por seu ex-ministro Marcelo Caetano, que prosseguiu com sua política. A decadência econômica e o desgaste com a guerra colonial provocaram descontentamento na população e nas forças armadas. Isso favoreceu a aparição de um movimento contra a ditadura.
No dia 25 de abril de 1974, explode a revolução. A senha para o início do movimento foi dada à meia-noite através de uma emissora de rádio, a senha era uma música proibida pela censura, Grândula Vila Morena, de Zeca Afonso. Os militares fizeram com que Marcelo Caetano fosse deposto, o que resultou na sua fuga para o Brasil. A presidência de Portugal foi assumida pelo general António de Spínola. A população saiu às ruas para comemorar o fim da ditadura e distribuiu cravos, a flor nacional, aos soldados rebeldes em forma de agradecimento.

Grândula Vila Morena


Dia Internacional da Educação 28 de abril

A data serve para incentivar e conscientizar a população sobre a importância da educação, seja escolar, social ou familiar, para a construção de valores essenciais na vida em sociedade e do convívio saudável com outros indivíduos.
Muitas pessoas associam a palavra “educação” com o ambiente escolar, o que não deixa de ser correto, porém não deve ser apenas a escola o único instrumento importante de educação de uma criança ou jovem.
A família é a base da formação educacional de uma pessoa, os pais ou responsáveis devem estar atentos e participar da formação dos valores sociais, éticos e morais do indivíduo.
O dever do Estado é garantir condições para a formação educacional de todos os cidadãos, com qualidade e gratuitamente.
O Brasil ainda enfrenta graves problemas com a qualidade do ensino e educação, no entanto o número de analfabetos caiu bastante nos últimos dez anos, segundo dados do Ministério de Educação e Cultura – MEC.
No Brasil, a educação também é motivo de destaque no dia 25 de agosto, quando se comemora o Dia Nacional da Educação Infantil, a partir da Lei nº Lei 12.602/12, sancionada pela presidente Dilma Rousseff.
Fonte: Portal BRASIL CULTURA

segunda-feira, 27 de abril de 2020

'Encantado, o Brasil em Desencanto' vence festival internacional de cinema

(Foto: Reprodução)
Documentário produzido na França, que retrata o contexto político e social do Brasil desde a eleição de Lula em 2002 até a eleição presidencial de 2018, foi o vencedor da categoria Juri Popular do 7° Brasília International Film Festival.
247 - O filme documentário Encantado, o Brasil em Desencanto foi eleito neste domingo, 26, o vencedor do 7° Brasília International Film Festival - BIFF na categoria Juri Popular. 
O anúncio foi feito pelo diretor do documentário, Felipe Galvon. "Para um filme cujo ponto de vista é o das classes populares — e numa camada mais específica, o da primeira geração de classe popular a estudar no exterior —, é o melhor reconhecimento que poderíamos ter neste momento de alucinação que vivemos", afirmou Galvon em seu Facebook.
Encantado, o Brasil em Desencanto foi produzido na França e retrata o contexto político e social do Brasil desde a eleição de Lula em 2002 até a eleição presidencial de 2018. Co-produzido pelo canal francês Public Sénat e por LaClairière Ouest.
Assista, abaixo, ao trailer do filme e leia o post de Felipe Galvon na íntegra:
PRÊMIO DO JURI POPULAR / PRIX DU JURY POPULAIRE
Fonte: BRASIL 247

ANTROPOLOGIA

Antropologia é um ramo das ciências sociais que estuda o ser humano e a sua origem de maneira abrangente. Por meio de estudos sobre as características físicas, a cultura, a linguagem e as construções do ser humano, o antropólogo vai buscar determinar, com base em grupos sociais específicos, como se formaram os seres humanos a ponto de tornarem-se o que são em suas comunidades.
Conceito de antropologia
A palavra antropologia tem origem no idioma grego, o radical “antropo” vem de antrophos (homem) e “logia” vem de logos (razão ou, em sentido específico, estudo). A antropologia é, ao traduzirmos a palavra ao pé da letra, o estudo do ser humano em seu aspecto mais amplo.
Antropologia estuda as constituições do ser humano em suas origens e de maneira irrestrita.
Antropologia estuda as constituições do ser humano em suas origens e de maneira irrestrita.
A antropologia busca compreender como o ser humano formou-se e tornou-se o que ele é. Portanto, o antropólogo busca as raízes do ser humano estabelecendo (como a história) um estudo do passado para compreender quais foram essas origens. Isso é feito de maneira física ou biológica, social, cultural e até linguística, dependendo de qual vertente da antropologia estudada e de qual método antropológico utilizado.
O que a antropologia estuda?
Os estudos antropológicos buscam compreender como os povos viveram, como os seres humanos formaram-se e como a cultura humana desenvolveu-se. Dessa maneira, o antropólogo busca o trabalho de imersão numa determinada sociedade, a fim de observar e traçar teorias sobre a constituição cultural ou física dos indivíduos daquela sociedade.
Tipos de antropologia
→ Concepção clássica de antropologia estabelecida a partir dos estudos europeus do século XIX e XX
Antropologia biológica ou física: é um estudo da formação do ser humano em seus aspectos físicos. Os antropólogos dessa vertente buscam, junto à biologia, determinar quais fatores levaram os seres humanos a desenvolver determinados atributos físicos em sociedades específicas. Dessa maneira, se um antropólogo está estudando uma aldeia indígena que tem características próprias, ele vai procurar saber quais fatores geográficos e biológicos levaram aquela tribo a desenvolver as suas características peculiares.
Antropologia cultural: é uma vertente mais ampla e busca compreender como se formaram as culturas dos diferentes grupos humanos, tomando cultura como um conjunto de hábitos, costumes, valores, religião, arte, culinária etc.
Antropologia biológica ou física: consiste no mesmo estudo de antropologia biológica ou física da divisão europeia clássica.
Antropologia cultural: consiste no mesmo estudo de antropologia cultural da divisão europeia clássica.
Antropologia linguística: com base nos estudos da linguagem de uma sociedade, determina as origens daquele povo. Um importante antropólogo que deu os impulsos para o reconhecimento desse ramo da antropologia foi o alemão, radicado nos Estados Unidos, Franz Boas. No fim da primeira metade do século XX, o antropólogo belga Claude Lévi-Strauss desenvolveu uma teoria que ficou conhecida como antropologia estruturalista, a qual se baseia na linguagem para determinar as estruturas similares das pessoas dentro de uma cultura. Apesar da importância de Boas, é com Lévi-Strauss que a antropologia passa a identificar na linguagem um objeto central de estudo.
Arqueologia: busca compreender a formação do ser humano com base nos objetos materiais deixados por ele. Nesse sentido, o arqueólogo busca por armas, utensílios culinários, vestimentas, escritos e pinturas e utensílios em geral que possam expressar como os povos antigos viviam, o que permite elaborar teorias sobre o modo de vida e cultura dos seres humanos no passado.
Antropologia e sociologia
A antropologia surgiu como uma ferramenta da sociologia para compreender as diferenças étnicas dos seres humanos. No século XIX, nos estudos de história e geografia contemporâneos, a sociologia e a antropologia surgiram com um objetivo bem específico: servir como meios de auxílio para o capitalismo industrial.
A expansão industrial que a Europa viveu no século XIX colocou uma nova necessidade para a economia europeia: a busca de recursos naturais que serviriam de matéria-prima para a produção. Para satisfazer tal busca, as potências europeias, em especial a Inglaterra, a França e a Alemanha, iniciaram um novo processo de colonização dos países não desenvolvidos situados na África, na Oceania e na Ásia e que possuíam recursos naturais em abundância.
No século XV, durante o colonialismo europeu liderado, principalmente, por Portugal, Espanha e Inglaterra, as justificativas para a dominação das colônias e dos povos que lá viviam e a justificativa da escravidão davam-se pela religião: os europeus nutriam a crença de que eles deveriam colonizar os territórios pagãos e levar o cristianismo a esses lugares, pois isso seria o caminho para a salvação daqueles povos.
Além disso, os europeus acreditavam que havia uma predestinação divina que os permitia dominar povos que, no seu ponto de vista, eram atrasados. Muitos navegantes que participaram desse primeiro movimento de colonização escreveram relatos considerados documentos antropológicos de um período pré-científico, ou seja, de quando a antropologia ainda não era uma ciência bem construída.
No século XIX, a sociedade intelectual europeia não mais acreditava cegamente na religião, pois a ciência tinha tomado nela um lugar de destaque. Nesse momento de intensa colonização, para a obtenção de recursos para a indústria, os europeus tiveram que justificar as suas ações de maneira científica. Para tanto, surge um primeiro movimento da antropologia como parte dos estudos de sociologia que visava analisar e classificar os seres humanos de etnias diferentes.
Os primeiros estudos antropológicos eram extremamente etnocêntricos, ou seja, analisavam as culturas diferentes com base no ponto de vista de uma pessoa imersa na cultura europeia. Com isso, os europeus visavam mostrar que sua cultura e seu desenvolvimento eram superiores aos das demais sociedades, colocando a colonização como um movimento necessário de civilização para aquelas sociedades que, nesse ponto de vista, eram atrasadas.
Assim, a antropologia surge primeiro como uma parte da sociologia e, depois, torna-se uma ciência humana autônoma, relacionada fortemente com a sociologia, mas com suas especificidades. Podemos dizer que a sociologia estuda a sociedade e analisa-a no tempo presente. Já a antropologia estuda o ser humano e analisa-o no passado para entender as suas formações mais primitivas.
Antropologia evolucionista
A antropologia evolucionista foi o primeiro movimento de estudos antropológicos liderado pelo antropólogo e biólogo inglês Edward Burnett Tylor e pelo geógrafo e biólogo Herbert Spencer. Para esses primeiros antropólogos, a teoria da evolução, de Charles Darwin (em alta na sociedade intelectual europeia do século XIX), poderia ser aplicada à formação das sociedades.
Herbert Spencer foi bastante influenciado pelo pensamento de Charles Darwin.
Herbert Spencer foi bastante influenciado pelo pensamento de Charles Darwin.
Herbert Spencer foi bastante influenciado pelo pensamento de Charles Darwin.
Dessa maneira, assim como os animais desenvolveram-se biologicamente, sendo que alguns evoluíram e ficaram mais aptos ao meio, a cultura também tinha evoluído porque alguns seres humanos, supostamente, teriam evoluído mais. Surge aí a noção etnocêntrica de raça, que alegava que algumas “raças humanas” eram superiores a outras.
Também surgem as noções de cultura superior e cultura inferior, sendo que o padrão de medida de tais era o da própria cultura europeia. Com isso, não causou espanto a ideia de que a cultura europeia desenvolvida pelo homem branco era superior e que as culturas desenvolvidas por povos de outras etnias eram inferiores. Para os evolucionistas ou darwinistas sociais, o fato de haver diferentes níveis hierárquicos de desenvolvimento cultural evidenciava a justificação da dominação dos povos “inferiores” pelos povos “superiores”.
Fonte: Portal BRASIL CULTURA

HOJE (27) ÚLTIMO DIA PARA SE INSCREVER! FJA lança o Edital de Emergência para Arte e Cultura do RN


O Governo do Estado, através da Fundação José Augusto (FJA), lançou neste sábado  (18/04) o Edital Público Simplificado  “Tô em casa e Tô na Rede”,  que objetiva fomentar 105 (cento e cinco) iniciativas artístico-culturais a serem desenvolvidas para redes sociais em plataformas digitais com acesso gratuito na Internet.

As inscrições, que começam nesta segunda (20/04) e se estendem até o dia 27 de abril. O Edital está publicado na edição deste sábado no Diário Oficial do Estado e disponibilizado no site oficial da FJA (www.cultura.rn.gov.br). Está destinado um total de recursos no valor de R$ 199.500,00 (cento e noventa e nove mil e quinhentos reais).

O “Tô em casa e Tô na Rede” é direcionado exclusivamente a artistas e/ou agentes culturais residentes e  domiciliados no RN que vivam profissionalmente da atividade artístico-cultural e que não tenham fonte de renda fixa ou vínculo empregatício.

Excepcionalmente, dada a natureza itinerante dos Circos, os artistas desse segmento ficarão dispensados da comprovação de residência fixa.

Um total de  53 premiações serão destinadas à Região Metropolitana de Natal/RN e 52 premiações ao interior do Estado, com valores individuais de  R$ 1.900,00 (hum mil e novecentos reais).

Serão selecionadas iniciativas exclusivamente voltadas para as redes sociais ou plataformas digitais na internet como: Transmissões ao vivo, Vídeos gravados ou Mídias de áudio destinadas para plataformas de Streaming (Podcasts. audiobooks, audioaulas e entrevistas).

Poderão ser inscritos projetos artístico-culturais  de linguagens como música, artes cênicas (Teatro, Dança, Circo e Performance), artes visuais, audiovisual, literatura, repente (incluindo-se cantoria de viola, aboio improvisado e coco embolado), outras expressões da cultura popular, dentre outras.

Os proponentes poderão sugerir para análise da comissão de seleção iniciativas artístico-culturais  como shows, espetáculos, recitais, seminários, oficinas, bate-papos, videoaulas, contação de histórias, leituras dramáticas, intervenções em janelas desde que transmitidas ou gravadas, dentre  outras possibilidades.

“O Edital  Tô em casa e Tô na Rede atende a demanda emergencial de trabalhadores e trabalhadoras da cultura do RN que tiveram suas atividades paralisadas em virtude da pandemia da COVID 19. Consideramos as determinações da governadora Fátima Bezerra, sempre comprometida com a Cultura;  a suspensão dos eventos culturais presenciais; e fundamentalmente o fato de que nossos artistas necessitam garantir sua integridade física e financeira neste momento”, declarou o diretor geral da FJA, Crispiniano Neto.

Acesse o Link direto do Edital Público Simplificado “Tô em casa e Tô na rede”:


INFORMAÇÕES À IMPRENSA:
ASSESSORIA DE IMPRENSA DA FJA
Moisés de Lima – (84) 99959-2632

domingo, 26 de abril de 2020

CORONAVÍRUS Em meio à pandemia, quilombolas do RS denunciam abandono das comunidades

quilombos conaq

Não há pronunciamento dos governos considerando as necessidades de saúde e direitos destes povos - Confederação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas

Carta às autoridades das três esferas de governo traz reivindicações considerando a realidade dos povos tradicionais

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)
A Frente em Defesa dos Territórios Quilombolas do Rio Grande do Sul, ao lado de outras organizações, diante ao grave quadro de pandemia de coronavírus, enviou uma carta às autoridades das três esferas de governo.
O documento denuncia o abandono das comunidades tradicionais diante da situação, apontando que as recomendações internacionais de isolamento e quarentena não são observadas entre suas populações, que seguem nos seus trabalhos normalmente e sem políticas específicas.
“Não há, até a presente data, qualquer planejamento, orientação ou garantias apontadas pelas autoridades que considere a especificidade destas comunidades. Não há pronunciamentos da Fundação Cultural Palmares, INCRA, Ministério da Saúde, Ministério do Planejamento, tampouco, dos órgãos do Estado e do Município de como estão considerando as necessidades de saúde e direitos destes povos”, costa na carta.
No documento, as entidades listam uma série de recomendações aos governos das três esferas. Entre elas: que recursos anunciados para planos de saúde privados sejam revertidos ao SUS para atendimento de comunidades periféricas, apresentação de plano de contingenciamento e estratégias que considerem a vulnerabilidade das comunidades tradicionais e melhoria das condições de trabalho aos profissionais de saúde.
Também apresentam uma série de reivindicações, entre elas: revogação do teto de gastos; reforço do SUS e equipagem dos postos e UBS; ampla testagem, com kits reservados para territórios quilombolas urbanos; dispensa remunerada para trabalhadores; EPI para quem seguir trabalhando; cesta básica e renda básica; regularização do fornecimento de água e energia elétrica nos territórios e anistia das contas de consumo pelo período da pandemia.
Confira o documento:
Carta às Autoridades
Os governos nas três esferas de Estado estão conscientemente utilizando o coronavírus como arma biológica contra a maioria afro-indígena do país.
Nos recusamos a sucumbir!
A Frente em Defesa dos Territórios Quilombolas/RS, junto a outras organizações, diante ao grave quadro de pandemia que estamos passando e as recomendações internacionais de ficarmos em isolamento e quarentena, observa a inviabilidade desta ação para alguns corpos. Constatamos que a maior parte das Comunidades Quilombolas em contexto Urbano é composta por pessoas trabalhadoras da construção civil, da segurança, empregadas domésticas, diaristas, ou que atuam como trabalhadores informais. Estas continuam trabalhando normalmente, ou seja, não está sendo respeitada a quarentena estipulada pelas autoridades. Sendo trabalhadores informais, ou de setores que ignoram algumas condições trabalhistas igualitárias, nenhuma garantia de renda lhes é assegurada. Não há, até a presente data, qualquer planejamento, orientação ou garantias apontadas pelas autoridades que considere a especificidade destas comunidades. Não há pronunciamentos da Fundação Cultural Palmares, INCRA, Ministério da Saúde, Ministério do Planejamento, tampouco, dos órgãos do Estado e do Município de como estão considerando as necessidades de saúde e direitos destes povos. Frisamos que a ausência de pronunciamento se refere, também, às Comunidades Quilombolas em contexto Rural.
Nós por meio desta Carta manifestamos medidas que devem ser adotadas numa política de controle da pandemia, algo contrário a isso é identificado por muitos povos, comunidade científica e outras nações, como genocídio em massa. Reforçando a representação já apresentada ao MPF no RS no dia 18 de março de 2020, manifestamos os seguintes termos:
1º - Que a alocação de recursos no montante de R$ 10 bilhões, anunciada pelo Ministro da Saúde para planos de saúde privado, seja carreada para o SUS. Definindo como prioridade a contenção da pandemia em comunidades periféricas, como Quilombos Urbanos e Rurais, Aldeias, Favelas e Sistema Prisional.
2º - Que os órgãos competentes, Ministério da Saúde, Cidadania, INCRA, Fundação Cultural Palmares, Governo do Estado e Secretarias, entre elas o CODENE no RS, e Governo Municipal e Secretarias e Gabinete do Povo Negro no que se refere à Porto Alegre, apresentem num prazo de 5 dias, o plano de contingenciamento, que considere o quadro específico de vulnerabilidade das Comunidades Tradicionais. Envolvendo estratégias para garantia do acesso à água, energia elétrica e alimentação de qualidade.
3º - Com relação ao quadro dos profissionais de saúde da ponta, é importante frisar a disponibilidade e despojamento dos mesmos ante às péssimas condições às quais são expostos. Portanto, é exigência fundamental e obrigatória o fornecimento de toda estrutura e proteção para que possam desempenhar esta missão. É fundamental a manutenção de todas e todos empregados públicos do IMESF, bem como a chamada de todos e todas concursadas das referidas áreas, combinado com a exigência de EPIs para todos e todas; e que se proceda a ampla testagem.
4º - Não podemos admitir que o isolamento transforme Quilombos, Aldeias, Cadeias, Periferias e Comunidades em campos de morte e extermínio. Entendemos que a ausência de planejamento e compromisso dos órgãos estatais é consciente e visa, justamente, eliminar parte da população considerada como um estorvo para o sistema. Essa é a Necropolítica que está em operação, expressas, por exemplo, nas hipóteses de nos confinar em navios. Ou como em Caxias do Sul, deixar ao confinamento da população em situação de rua, sob a vigilância do Exército no Parque de Exposição da Festa da Uva.
No que se refere ao contexto específico de Porto Alegre, a Frente Quilombola RS está fazendo seu papel orientando às famílias nos territórios sobre a gravidade da situação e os cuidados necessários às questões básicas de contenção. Sugerimos a formação de brigadas de saúde nos territórios para o monitoramento in loco. Por outro lado, no que se refere ao isolamento é necessário que olhemos para a realidade dos territórios e das famílias. Levantamos relatos de irmãos e irmãs que trabalham como domésticas, diaristas, cuidadoras e ou empresas terceirizadas e que estão sendo forçados e forçadas a ir para o trabalho sem o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual. Quando estas pessoas são dispensadas do trabalho ficam sem remuneração. Estamos observando a dispensa das aulas, com o fechamento de escolas sem que se aponte qualquer perspectiva no que se refere à alimentação das crianças. Ou ainda a situação das mulheres indígenas que asseguram a sustentabilidade de suas famílias com a venda de artesanatos no centro de Porto Alegre. Estas famílias estão totalmente desamparadas diante das medidas adotadas de combate à pandemia.
As propostas em nível Federal, defendida pela grande mídia no campo econômico, são de uma bolsa de R$ 200,00 para aqueles da economia informal, de redução de metade do salário com a diminuição da jornada de trabalho, antecipação de parcela do 13º, das férias, FGTS. Ou seja, os trabalhadores ficam pela sorte de suas próprias economias, enquanto há resgates financeiros estratosféricos para a garantia dos imensos lucros dos endinheirados empresários. As medidas, segundo uma "economista" na Globo News, devem ser ampliadas para redução à metade dos salários dos empregados e servidores públicos. Enquanto isso dois milhões de trabalhadores estão na fila para aposentadoria. O Governo Federal divulga a ampliação do Bolsa Família, mas na verdade cortaram 150.000 benefícios no Nordeste.
Nesse sentido é fundamental que nos territórios construamos as Brigadas em defesa de nossas vidas, devemos fortalecer a organização nos territórios, fortalecer os laços comunitários e articulação entre os territórios e pautar a partir de nosso ponto de vista órgãos como a CONAB, INCRA, FUNAI, as SECRETARIAS DE ESTADO, MINISTÉRIO DA SAÚDE, PREFEITURAS, Tribunais Regionais do Trabalho, além da articulação com Sindicatos, como Sindidoméstica, Sindisaúde, SIMPA, SEPERGS, bem como entidades Comunitárias Periféricas no que se refere às condições e garantias fundamentais. Demos um passo importante com a representação, mas como as estratégias do capitalismo ultrapassaram os limites, nós também vamos ir além.
Em tempo, cabe referir que o Ministério da Saúde recebeu uma notificação sobre o prazo de cinco dias para informar ao Ministério Público Federal qual o planejamento da pasta para atender às favelas e periferias das cidades brasileiras no contexto do combate ao novo Coronavírus. O pedido de informações foi feito nesta quinta-feira (19 de março) pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC/MPF). O documento destaca que favelas e periferias espalhadas em diversas cidades do país apresentam alta densidade populacional, casas muito próximas e limitações estruturais para garantir o isolamento adequado em caso de contaminação pelo vírus responsável pela COVID-19. Reforçamos tal requerimento e o ampliamos no que se refere aos Quilombos, Aldeias, População em Situação de Rua e em Privação de Liberdade.
Exigimos e nos comprometemos com combate à Pandemia e às demais mazelas que recaem sobre o nosso Povo!
Reivindicamos:
- Fim da PEC 95/Teto dos Gastos Públicos;
- Incentivo do parque instalado para produção de equipamentos médicos, hospitalares e EPIs;
- Disponibilização e ampliação de leitos de UTI e com ventilação mecânica;
- Equipagem dos Postos e UBS, ampla testagem e reserva de 1000 Kits para os Territórios Quilombolas Urbanos; Manutenção dos empregados e empregadas públicas do IMESF e a chamada de concursados.
- Cesta Básica Mensal incluindo itens de limpeza e higiene durante toda quarentena;
- Renda básica Universal de RS 1.500,00 reais mensais para todos/as os/as trabalhadores/as informais e famílias Quilombolas e Indígenas e População em Situação de Rua e em Privação de Liberdade;
- Dispensa remunerada, sem redução de salários ou qualquer prejuízo aos trabalhadores e trabalhadoras formais e informais, para que as exigências de precaução e combate ao COVID-19 sejam cumpridas;
- Para aqueles e aquelas que se mantiverem trabalhando a obrigatoriedade de fornecimento de EPIs, bem como no que se refere ao transporte a disponibilização suficiente do serviço, evitando a lotação e devidamente higienizados;
- Regularização do fornecimento de água e energia elétrica nos territórios;
- Anistia e não cobrança durante toda a quarentena dos serviços de telefonia e internet, com a manutenção dos mesmos;
- Suspensão de todos os prazos na Justiça Federal e Comum que envolvam despejos e reintegrações de posse que impactem os referidos territórios;
- Ficaremos vivos, vivas e fortes!
Assinam esta Carta:
Quilombo da Família Silva
Quilombo dos Alpes
Quilombo da Família Flores
Quilombo Fidelix
Quilombo dos Machado
Quilombo da Família Lemos
Quilombo Morro Alto
Quilombo Beco dos Colodianos
Ylê de Oxum e Ossanha
Comunidade indígena Tekoa Jata'i Ty em Cantagalo Viamão
Comunidade indígena Tekoa Pindo Mirim em Itapuã Viamão
Conselho Indigenista Missionário- CIMI-Sul
Movimento Nacional da População em Situação de Rua
Utopia e Luta
Alicerce
Amigos da Terra Brasil
Resistência Popular
Repórter Popular
Ocupação Baroneza
Centro de Referência Afro Indígena Baroneza
Frente Quilombola RS

Edição: Marcelo Ferreira

I'MEMÓRIA! UMA HISTÓRIA DE LUTA - VIRGÍLIO GOMES DA SILVA - JONAS - PRESENTE! UM POTIGUAR DE FIBRA E QUE NOS HONRA!

Virgílio Gomes da Silva foi o primeiro desaparecido da ditadura militar. Nasceu no Rio Grande do Norte e foi para São Paulo em busca de melhores condições de vida. Na capital paulista teve inúmeros trabalhos até entrar, em 1957, na empresa Nitroquímica como operário. Lá começou a atuar no movimento sindical, liderando greves. Filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e, depois do golpe militar de 1964, passou uma temporada no Uruguai, retornando pouco tempo depois ao Brasil.
Dissidente do PCB, em 1967, uniu-se à Aliança Libertadora Nacional (ALN), quando viajou para Cuba para fazer treinamento de guerrilha. Conhecido como “Jonas”, chegou a ser o segundo na hierarquia da organização, abaixo apenas de Carlos Marighella. Em setembro de 1969, comandou a ação do sequestro do embaixador americano, Charles Burke Elbrick e logo depois foi preso pela Operação Bandeirante, (Oban), em São Paulo.
No mesmo dia foram detidos pela polícia sua mulher, Ida, e três de seus quatro filhos. A esposa ficou presa por nove meses, permanecendo incomunicável por todo o período. Segundo diversos presos políticos, Virgílio foi morto um dia após seu sequestro. As Forças Armadas jamais admitiram o crime oficialmente.
Em 2004, foram encontrados o laudo e a foto do corpo de Virgílio. Ele tinha escoriações e hematomas nos órgãos internos e afundamento do osso frontal. Em agosto de 2009, o jornal O Globo publicou matéria divulgando um dossiê do Exército que registra o assassinato de Virgílio pela ditadura. De acordo com um documento de 8 de outubro de 1969, o militante reagiu à prisão e morreu em virtude de “ferimentos recebidos”. “Virgílio Gomes da Silva, vulgo Jonas ou Borges, reagiu violentamente desde o momento de sua prisão, vindo a falecer (…) antes mesmo de prestar declarações”. A Comissão Estadual da Verdade de São Paulo realizou uma audiência sobre o caso de Virgílio, com a presença de sua viúva e seus filhos.

LINKS:http://memoriasdaditadura.org.br

Câmara Municipal concede título de Cidadão Paulistano a Virgílio Gomes da Silva

No dia 15 de agosto de 2011, às 19 horas, a Câmara Municipal de São Paulo realizará solenidade de homenagem ao companheiro Virgílio Gomes da Silva. Na solenidade será concedido o título de Cidadão Paulistano ao primeiro desaparecido político da Ditadura Militar. A iniciativa de concessão do título é do vereador  Francisco Chagas (PT).
São Paulo – Virgílio Gomes da Silva, o comandante Jonas, receberá da Câmara dos Vereadores de São Paulo o título de cidadão paulistano. A condecoração, proposta pelo vereador Francisco Chagas (PT), foi aprovada na terça-feira (19) e terá caráter in memorian, já que Virgílio foi assassinado pelos agentes da ditadura em 1969.
Desde então, é dado como desaparecido. Militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), Jonas foi o comandante político do sequestro do embaixador dos Estados Unidos, Charles Elbrick. Dias após o fim da operação, quando retornava do litoral paulista e pretendia mudar-se com a família para Cuba, foi preso e assassinado. 
A história de Virgílio permaneceu um mistério durante mais de trinta anos, apesar dos esforços da família em localizar o corpo. Foi na última década que se encontrou uma ficha do Instituto Médico Legal (IML) que indicava que o corpo do militante do Sindicato dos Químicos havia sido sepultado no Cemitério de Vila Formosa, o maior da América Latina, localizado na zona leste paulistana.
No fim do ano passado, atendendo aos pedidos da família, do sindicato e do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, o Ministério Público Federal conseguiu acordo para que se desse início aos trabalhos de escavação no cemitério. A operação, envolvendo a Polícia Federal, o Instituto Médico Legal e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, encerrou-se no último mês com a retirada de várias ossadas que agora passam por análise de laboratório. Devido à falta de registros nos arquivos e aos longos anos de exposição do material à umidade do solo, no entanto, os peritos admitem que a identificação dos restos mortais correspondentes a Jonas tem pouca possibilidade de êxito.
De toda maneira, o Ministério Público Federal obteve da ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, o compromisso de que seja erguido naquele cemitério um memorial às vítimas da repressão. A intenção é que os parentes tenham, enfim, um lugar para prestar homenagens àqueles que tiveram as vidas abreviadas pela ditadura.
Em dezembro de 2010, o Sindicato dos Químicos rebatizou seu clube de campo, localizado em Arujá, na Grande São Paulo, que passou a se chamar Virgílio Gomes da Silva. Já o título de cidadão paulistano será entregue à família em solenidade a ser agendada.
Mais a respeito de Virgílio Gomes da Silva:
Foto do(a) deputado(a) FRANCISCO CHAGAS
Homenagem feita por outro grande líder sindical e político "paulistano", mas de origens potiguares, FRANCISCO DAS CHAGAS, ex vereador  e ex deputado federal do PT de São Paulo. Natural de Riachuelo/RN.

Vereador Francisco Chagas presta homenagem à vítima da ditadura militar.

Por Haisem Abaki - SP
O vereador Francisco Chagas (PT) concede a Honraria do Título de Cidadão Paulistano “in memorian” a Virgílio Gomes da Silva, o “Jonas”, guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional (ALN).
A homenagem será às19h desta segunda-feira, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo e contará com a presença da viúva Ilda Martins da Silva e autoridades.
Virgílio Gomes da Silva foi operário da indústria química e dirigente do sindicato da categoria em São Paulo. Durante a ditadura militar foi torturado e morreu na prisão em 1969.
Nascido em 15 de agosto de 1933, na cidade de Santa Cruz, no sertão do Rio Grande do Norte, tornou-se ativista sindical de destaque dentro da Empresa Nitro Química, em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo.
No começo da década de 60, passou a militar no PCB. Em 1967, fez treinamento militar em Cuba pela ALN, adotando o codinome de “Jonas”.
Participou do sequestro do embaixador americano no Brasil Charles Elbrick , que obrigou os militares a reconhecerem publicamente a existência da tortura no Brasil. Em troca do embaixador, 15 presos políticos foram libertados, entre eles José Dirceu, Ricardo Zarattini, Wladimir Palmeira e Gregório Bezerra.
Somente em 2004, houve a confirmação da sua morte, através da divulgação de um laudo do IML da época da ditadura.
Seus restos mortais permanecem em local desconhecido.
Fonte: Câmara de Vereadores de São Paulo