Cultura significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membros,. ativistas, poetas, escritores, produtores culturais, grupos culturais, violeiros, pensantes e os que admiram e lutam pela cultura potiguar. Cultura! A Cultura, VIVE e Resiste! "Blog do CPC/RN, notícias variadas na BASE DA CULTURA!
O Colégio Imaculada Conceição (CIC) entre os anos 40 e 2010 ficava localizado na Avenida Deodoro, centro de Natal. Elefoi a primeira instituição privada na capitale foi também onde estudei do maternal ao Fundamental; e as lembranças dali são de chorar de tanta saudade.
Sua história começa em 1895, isso mesmo, mais de 120 anos atrás, quando Quatro Irmãs Dorotéias, originárias da Itália, chegaram à cidade, a pedido do Bispo Diocesano Dom Adauto de Mirando Henrique, com o intuito de abrir uma Casa de Educação feminina. Então receberam do governador Alberto Maranhão um prédio na avenida Rio Branco para iniciarem a instalação da casa.
O CIC então foi fundado no dia 22 de fevereiro de 1902, com a realização de uma missa onde foram abertas as matrículas. As aulas tiveram inicio no dia 01 de março num sucesso tão grande que logo se viu a necessidade de ampliação das instalações.
Com o objetivo de adquirir um novo lugar para o colégio, as irmãs Dorotéias venderam o atual e compraram o Sítio Cucuí, localizado na então distante avenida Deodoro, pertencente à um empresário.
Uma foto da fachada mais recente do colégio, que foi fechado em 2012. Foto: Junior Santos.
Eis que, finalmente, no dia 24 de junho de 1906, as alunas, suas famílias, as irmãs de Santa Dorotéia e a população em geral, fizeram uma nova inauguração, em uma procissão onde se cantavam louvores à Imaculada Conceição.
O prédio então foi demolido em 1937 para construção de um espaço que pudesse albergar o crescente número de estudantes. A construção foi realizada pouco a pouco até ser concluída em 1942 com uma bela arquitetura, se tornando o famoso colégio que conhecíamos até 2012. Foi neste ano em que ele foi fechado devido às altas dívidas e a drástica diminuição de alunos.
As instalações do antigo CIC, em Natal. Foto: Kallyna Kelly
Em 2015 as instalações do CIC foram compradas por uma outra instituição privada, que manteve a estrutura original da primeira escola e fornece aulas de ensino básico e superior. A extinção do colégio foi motivo de vários protestos emocionados por parte de ex-alunos, familiares e demais envolvidos com a escola na época.
Nascida em Inhapim, em Minas Gerais, Rosângela Vieira Rocha mora em Brasília, onde milita na literatura. Tem quinze obras publicadas, oito para adultos (sete romances e um livro de contos) e sete infanto-juvenis. Recebeu vários prêmios literários, como o Prêmio Nacional de Literatura Editora UFMG-1988, com o romance "Véspera de lua", e a Bolsa Brasília de Produção Literária 2001, com a novela “Rio das pedras”. Está preparando o lançamento de seu novo romance, “Invisíveis olhos violeta”, deve sair impresso em junho de 2022, pela Editora Ventania. É Mestre em Comunicação, escritora, advogada, jornalista e professora aposentada da FAC/UnB. Colunista da revista digital literária “Germina”, foi membro de várias comissões julgadoras de concursos literários. Participa ativamente do Movimento Feminista Mulherio das Letras. Para falar disso tudo, ela concedeu entrevista ao Potiguar Notícias. Confira:
Você tem mais de dez livros publicados, entre adultos e infanto-juvenis. Existe uma linha, um conceito que esteja em toda a sua obra? Como avalia a sua produção literária?
Tenho catorze livros publicados, e ainda neste semestre devo lançar o 15º, o romance “Invisíveis olhos violeta, em fase de produção na editora Ventania, da Rosa Amanda Strausz. São sete infantojuvenis e oito para adultos. Destes últimos, sete são romances e há um livro de contos, Pupilas Ovais, de 2005. Quanto ao conceito que permearia a minha obra, sempre tenho dificuldade para defini-lo, pois a resposta não é redonda, fechada, formulada, como na academia, por exemplo. Fui professora universitária durante duas décadas, daí a analogia. Mas há pistas, algumas linhas de respostas. Vou me referir primeiro à produção de livros infantis. Em todos, a maioria destinada ao público na faixa de 8-10 anos, existe uma preocupação com fatos contemporâneos, como bullying na escola, racismo e extinção de aves da Mata Atlântica. Eu diria que são livros realistas, assim como os romances e o livro de contos. Só escrevo sobre temas que me mobilizam, angustiam, me fazem refletir e “agir”. Como escritora, minha função é pôr esses temas em discussão, abri-los para o público, oferecer possiblidades de debates. Apresentar o meu olhar sobre eles, que provavelmente despertará novos e diferentes olhares. Nos romances, creio poder afirmar que os temas são atuais e universais, como o luto, por exemplo, trabalhados por mim em dois livros, O indizível sentido do amor e O coração pensa constantemente. Em Invisíveis olhos violeta a protagonista tem setenta anos e a obra trata das possibilidades amorosas que as mulheres idosas têm num país como o Brasil, machista, que privilegia tanto a juventude. No fundo, acho que busco os lugares de fissuras na tessitura social, os buracos, os nós. Todos são livros voltados para a nossa realidade, o contexto social em que vivemos.
Em romances como “Nenhum espelho reflete seu rosto”, você aborda temas delicados como a situação da mulher em relação à manipulação e ao narcisismo perverso. Como foi investigar esses assuntos e qual a recepção que você teve de mulheres que leram a obra?
Sem deixar de lado o tamanho da edição, bem pequeno, o livro foi bastante lido, resenhado e debatido. De modo geral, as mulheres gostaram e algumas se identificaram com a personagem principal, Helen. Recebi muitas mensagens privadas em que algumas relataram suas experiências pessoais com perversos narcisistas. O transtorno de personalidade denominado narcisismo perverso é muito mais comum do que se pensa. Existem mulheres narcisistas, mas estatisticamente em menor número. Foi o livro mais trabalhoso que já escrevi, em matéria de pesquisa. Comecei assistindo a vídeos do Youtube —há excelentes Youtubers que falam sobre o assunto — e depois passei à literatura especializada. Tive de aprender alguns conceitos psicanalíticos para dar conta de elaborar o perfil de Ivan, o vilão da história. Gostei muito da experiência e do resultado, assim como da acolhida dada à obra. Muitos homens leram, também, e isso me gratificou. Sem contar que a história vale como “alerta” para pessoas de todos os gêneros. Helen é joalheira e pude dar vazão também à antiga e grande paixão que sempre nutri por joias e gemas preciosas.
Você é entusiasta do coletivo Mulherio das Letras, já tendo participado de todas as edições nacionais presenciais. Como avalia o Mulherio das Letras e qual a sua importância? E quais os planos para o chamado pós- pandemia?
É verdade, sempre brinco que sou do “núcleo duro” do Coletivo Mulherio das Letras. Participo do Movimento desde o início, por afinidade de ideias e por causa da minha estreita amizade com a escritora Maria Valéria Rezende. É um Coletivo feminista, que nesses poucos anos de existência já mudou a vida de muita gente. Estendeu-se pelo mundo inteiro, o Mulherio das Letras já existe em vários países. Um Movimento realmente próspero e exitoso, que estimulou dezenas, centenas de mulheres a escrever ou a tirar seus manuscritos das gavetas. Sem contar as coletâneas do pessoal do Mulherio. É um caminho sem volta, e é um caminho iluminado. O país precisava de algo assim há décadas, e finalmente ocorreu. Quanto aos planos pós-pandemia, estão sendo feitos aos poucos, na medida em que o controle do coronavírus for se concretizando, o que, espero, não vai demorar.
Na sua opinião, o Mercado Editorial dá às mulheres que escrevem o mesmo espaço que aos homens? Como vê a relação entre mercado editorial e escritoras?
Não, infelizmente o mercado editorial não dá o mesmo espaço. Essa situação vem sendo modificada nos últimos anos, a passos de tartaruga, é bom que se diga. Mas os concursos literários, cuja tendência sempre foi a de premiar mais escritores que escritoras, vêm se movimentando, pois há um número crescente de escritoras premiadas. Ainda se trata de uma modificação lenta, há um longo caminho a ser percorrido e o descompasso vem de muito tempo. O Mulherio das Letras teve e tem um peso sobre essa questão, sem dúvida. Ao propiciar que as mulheres pusessem a “boca no trombone”, o Mulherio deu visibilidade a esse descompasso. Se pensarmos em livros resenhados, por exemplo, os de autoria masculina são em número muito maior. Não me refiro aqui estritamente ao “mercado editorial” e sim à cadeia do livro em todos os seus passos, até chegar às mãos dos leitores. Gostaria de acrescentar que, no meu entendimento, existe também forte preconceito em relação às escritoras mais velhas. Imagino que as editoras consideram mais vantajoso investir em escritores e escritoras jovens, que ainda poderão escrever muitos livros. Percebo, por exemplo, que aos cinquenta anos uma escritora já tende a ser preterida pelas editoras mais importantes. Quanto mais o tempo passa, mais difícil se torna a situação das escritoras idosas, mesmo para as que já obtiveram prêmios literários importantes, como o Jabuti.
Homens leem o que as mulheres escrevem e publicam?
Nos últimos anos, vem aumentando o número de homens que leem obras de autoria feminina. Lentamente, como geralmente são as mudanças culturais, especialmente num país como o Brasil. Nosso trabalho literário está ganhando maior visibilidade e isso provoca certa curiosidade por parte dos leitores do gênero masculino, especialmente dos “homens sensíveis”. Tenho leitores homens e nem todos são escritores, isto é, não leem por “dever de ofício” ou para se manterem atualizados e sim por prazer, por puro deleite. Vale ressaltar que não pretendo diminuir a importância da leitura dos escritores, quero ser lida por meus pares, é claro, mas digo isso apenas para ampliar a questão.
Você publica periodicamente romances. gênero literário que exige mais de quem escreve. Você tem um método ao escrever um romance?
Realmente, produzi bastante nos últimos anos: de 2017 para cá escrevi quatro romances, quase um por ano. É o gênero literário com que mais me identifico, em que me sinto mais à vontade. Acho difícil — para citar a analogia de Cortázar na sua teoria do conto — ganhar o leitor por nocaute, prefiro ganhar por pontos. Sinto-me mais segura na narrativa longa, que dá voltas e é escrita e tecida mais vagarosamente. Gosto muito de fazer pesquisa, hábito adquirido na docência, e no romance esse prazer vem a calhar. Primeiro, leio tudo que posso sobre os temas que vou abordar na história. Leio, releio, geralmente ensaios, literatura especializada, assisto a vídeos, filmes etc. Depois escolho o título, pois só começo a história com o título definitivo. Considero o título a “energia” da história, como ocorre com os arcanos maiores, no tarô. Se não encontro a “energia”, não consigo desenvolver o resto. E adoro títulos, trabalhei muito esse assunto com meus alunos dos cursos de Comunicação. Quanto ao método, não faço planejamento dos capítulos e nem sou rigorosa com horários, como alguns colegas. Há dias que tenho outros compromissos e não escrevo, o que não me provoca nenhum tipo de angústia. Sou professora aposentada, vale ressaltar; meus horários são bastante flexíveis. Tenho grande fragilidade nos dedos das mãos, que inflamam e infeccionam por qualquer dê cá uma palha, algo que venho pesquisando há algum tempo com especialistas, e não posso digitar por muitas horas seguidas. Sem contar as dores causadas pela hérnia cervical. Enfim, questões da idade... Raramente leio ficção quando estou escrevendo, provavelmente por precaução; prefiro livro-reportagem e outras leituras que falam menos às emoções, digamos.
Como avalia as redes sociais para quem escreve literatura? Trazem mais aspectos positivos ou negativos?
Para mim, trazem muito mais aspectos positivos. Algumas redes têm grande potencial para divulgação dos livros, das resenhas e comentários dos leitores. Ainda adotamos no país a divulgação boca-a-boca, a que funciona melhor, a meu ver. E para isso, as redes sociais são fundamentais. Podemos ter conhecimento, também, do trabalho dos colegas, e isso é significativo. Afinal, é o nosso ofício. Além disso, vendo pessoalmente os meus livros, através das redes. São importantíssimas para isso. Creio que o único aspecto menos positivo é o fato de querermos prolongar o número de horas dedicado a elas, mas o controle do tempo, essencial quando estamos escrevendo um romance, depende de cada um.
Quais os seus projetos literários para este ano de 2022?
Este ano pretendo envidar esforços na realização de lançamentos, na divulgação e nas vendas de Invisíveis olhos violeta. Raramente começo uma nova história quando estou na “energia” de outra. Depois de percorrer todos esses passos, aí sim, posso voltar a escrever. O que não impede, é claro, que paralelamente eu pense em outros temas, mas é tudo muito embrionário, ainda. É a fase da alquimia chamada nigredo, a primeira, em que tudo é difuso, disforme, escuro, ainda se encontra submerso, no inconsciente. Para passar ao albedo, a etapa em que incide a luz, leva algum tempo. Gosto muito dessa analogia, pois sempre tive interesse pelos processos alquímicos, que me parecem esclarecedores para várias situações de nossas vidas.
Escritor, já muito atacado no passado sob pretexto de veicular ideias evolucionistas e socialistas, tem mais recentemente sido acusado de racismo. Mas simplesmente banir seus textos das salas de aula e espaços de discussão é renunciar a debater uma obra prenhe de criatividade, inventividade e criticidade.
E Lobato continua “causando”…
Com mais de 70 anos já transcorridos desde a morte de seu criador, os personagens infantis de Monteiro Lobato circulam por leituras polêmicas e atuais dentro e fora da escola. Considerado um divisor de águas na produção literária para crianças, Lobato legou à posteridade textos que, em diferentes situações, suscitaram seu intenso reconhecimento tanto por parte do público leitor, quanto da crítica especializada. Da mesma forma, porém, a polêmica se tornou elemento indissociável desse reconhecimento, o que chega, junto com a ininterrupta edição de seus textos infantis, aos leitores de hoje.
Sobre seus livros para crianças, há pouco mais de uma década, em capítulo intitulado “Monteiro Lobato, um clássico para crianças”, respondíamos à questão: O que há de tão atrativo no Sítio do Picapau Amarelo? Ou, em outras palavras, por que Pedrinho, Narizinho e Emília, principalmente Emília, continuam tão presentes no imaginário infantil brasileiro? Ainda de outro modo: como Lobato fez esta mágica que, embora muitas vezes explicada nos mínimos detalhes pelos mais “maduros”, continua encantando os “menos experientes”? Indagações como essas não têm faltado aos pesquisadores e demais leitores especializados ao longo dos anos. Perguntas impossíveis de serem respondidas em um só texto ou mesmo em muitos outros trabalhos que vêm tentando, no mínimo, tangenciar as mil e uma questões instauradas pela obra de Lobato.
Um escritor publicista
A partir dos anos 1980, foram consolidados estudos sistemáticos sobre a literatura infantil e juvenil brasileira. Nesse contexto, a figura de Lobato se mostra central, trazendo como foco desses trabalhos a discussão de aspectos temáticos relevantes, como aponta Marisa Lajolo em artigo de 1988, “A figura do negro em Monteiro Lobato”, ao abordar Histórias de Tia Nastácia:
As contradições vão se acirrando ao longo do texto lobatiano, que, ao contrário de seus pares, não se limita a reproduzir, em forma de antologia asséptica, as histórias que Tia Nastácia conta. Lobato reproduz a história encenando a situação de narração e recepção, pondo, pois, em confronto o mundo da cultura negra do qual, no caso, Tia Nastácia é legítima porta-voz, e o mundo da modernidade branca, à qual dão voz tanto as crianças como a própria Dona Benta, também ela ouvinte de Tia Nastácia e também ela insatisfeita com as histórias que ouve (…).
Um artigo como esse mostra, ao leitor de hoje, que os estudos sistemáticos sobre a obra de Monteiro Lobato têm sido realizados de forma séria, sem ceder a simples opiniões ou questão de gosto. Por isso mesmo, muitos temas que ocupam o centro de polêmicas em diferentes ambientes sociais ou veículos de comunicação nunca foram desconhecidos daqueles que estudam a obra do escritor.
Assim, em texto mais recente, intitulado “Provocações à longeva Botocúndia: Monteiro Lobato e Urupês”, de 2018, publicado em número da revista Leitura em revista em que se comemorava uma efeméride literária – 70 anos sem Lobato, destacávamos a verve crítica lobatiana. Lembramos, então, que isso foi um dos aspectos que chamou a atenção de José Guilherme Merquior ao atribuir a Lobato a identidade de “publicista” – “um escritor que discute problemas de interesse público, de interesse coletivo”. Acrescenta o autor, ainda, que é esse o perfil que poderíamos relacionar a certo tipo de jornalismo engajado que “não só discute temas de evidente interesse coletivo como o faz dentro de uma linguagem que sistematicamente aspira a uma comunicação com o grande público”.
Amante de boas brigas
A exposição decorrente desta atividade, na qual Lobato via oportunidade para divulgar seus livros, levaria a uma visibilidade cotidiana ou mesmo à imagem pública de alguém que se colocava disponível ao debate, à discussão, à divergência. A partir dos jornais de sua época, Lobato lançaria questionamentos e reflexões contundentes, provocativas, na expectativa de influenciar ações em seu contexto social. Como aponta Sueli Cassal, o envolvimento de Lobato com grandes causas era movido por um desejo utópico de uma nação desenvolvida, muita próxima da situação econômica dos Estados Unidos, o que seria possível mediante a valorização do conhecimento científico.
“Não deixaria por menos uma boa briga”, poderia ser uma expressão para definir Lobato. “Boas brigas” foram as campanhas por necessidades básicas dos brasileiros, como a do saneamento, de 1918, em que acompanhou médicos sanitaristas, colocando-se a serviço da denúncia em uma séria de matérias sobre moléstias (verminoses, na maioria) que atingiam a população paulista de modo vergonhoso. Seu empenho como adido comercial nos anos 1930, para dar ferro ao Brasil, isto é, para incentivar a produção nacional, bem como sua ação tanto como publicista quanto empresário para desenvolver a exploração do petróleo, se refletiam em artigos e livros. A obra infantil não deixaria, evidentemente, de refletir essas experiências, algumas posteriores, outras concomitantes a atividades de editor, empresário, publicista.
O leitor infantil surge, então, como um destinatário de suas expectativas – aliás, como em todo texto, na obra infantil é evidente que se projeta uma ideia de leitor. Um suposto leitor neutro, raso, manipulável não estava na mira dos livros de Lobato. Ao não subestimar seu destinatário criança, o escritor convidava esse leitor infantil a pensar o mundo ao seu redor por meio de um trabalho inventivo e consciente com o texto literário. Os rompantes de contrariedade de diferentes grupos em diferentes momentos iriam atestar, ainda que de modo inusitado, a relevância daquele labor literário ao longo do tempo e das gerações.
Darwinismo e socialismo
Nos anos 1950, uma obra, em particular, se tornaria paradigmática desse tipo de abordagem polêmica e acusatória, realizando uma interpretação bibliográfica de Lobato cujo título encerra, por si só, um entendimento notoriamente avesso para com as lutas por ele travadas no campo econômico: A literatura infantil de Monteiro Lobato ou Comunismo para Crianças, do Padre Sales Brasil.
O autor projeta sobre a obra infantil temas que, de longe, estariam no centro da proposta lobatiana de formação de leitores, como é o caso da ausência de conteúdos religiosos propensos a reafirmar a identidade católica brasileira. Mais do que as ausências, o autor do estudo busca pistas em livros como A chave do tamanho, de 1942, sobre ideologias danosas à moral das crianças. É dessa forma que entende a miniaturização dos personagens como a extinção de classes sociais, isto é, em A chave do tamanho haveria uma propaganda dos benefícios de uma sociedade comunista: “é o seguinte: quando todos os homens chegarem ao mesmo tamanho (nivelamento das classes sociais), então não haverá sobre a terra nem injustiça nem certos preconceitos”.
Capa de A literatura infantil de Monteiro Lobato, obra crítica dos anos 1950
Ao lembrarmos do texto do padre Sales Brasil, percebemos que a fantasia, a inteligência e a criticidade são ignoradas como excepcionais qualidades da obra de Lobato e rebaixadas segundo uma inegável visão obscurantista. Em outro trecho, outra denúncia: “Trata-se, evidentemente, da luta pela vida, segundo Darwin, aplicada ao campo sociológico pela teoria da seleção natural, de Spencer, ambas aproveitadas pela filosofia marxista-leninista e feitas balinhas de doce na literatura infantil de Monteiro Lobato”.
Aos olhos de hoje, a obra do padre Sales Brasil pode parecer um brandir de armas desnecessário, exagerado, até mesmo risível para muitos. Entretanto, a fórmula do “cancelamento” dos anos 1950 mostra-se ainda presente nas primeiras décadas do século 21, agora reportando-se à questão do racismo, que é pauta fundamental e premente, mas que tem sido associada a Lobato, na maioria das vezes, de forma ligeira, rasa, equivocada.
No centro dos debates, tivemos o conto “Negrinha” e a obra Caçadas de Pedrinho, a partir de 2010, como objeto de representação junto ao Conselho Nacional de Educação (CNE) e, também, à Controladoria Geral da União (CGU). O questionamento se debruçava sobre expressões que atentariam contra um item do edital do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), qual seja, a presença de estereótipos ou discriminação nas obras adquiridas pelo programa.
Entre propostas de inserção de notas de rodapé ou mesmo refacção das narrativas, a intensidade dos debates atestou a complexidade do tema, convidando aqueles dedicados aos estudos sobre a obra lobatiana a se manifestarem. Como comentou Marisa Lajolo – em manifestação pública por meio de um artigo intitulado “Quem paga a música escolhe a dança?”, de 2010 – vivenciar debates sobre a literatura e a formação dos leitores na escola equivalia a um reconhecimento público sobre o assunto, bem como da própria obra: “Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, está em pauta e é bom que esteja, pois é um livro maravilhoso”.
Acusações de racismo e debate
O debate, porém, nem sempre tem se dado em campos mais profícuos de ideias, conceitos e ideologias. Ao avocar os escritos lobatianos em artigo publicado na Folha de S. Paulo, em janeiro de 2021, Marcelo Coelho defendeu que “Pode ser chato saber disso, mas Monteiro Lobato era de um racismo delirante”, reeditando aspectos que há muito deveriam ter sido superados frente à qualidade dos debates em torno da obra lobatiana em curso já há mais de uma década, como a busca de “provas” descontextualizadas do pressuposto racismo de Lobato, não apenas em sua obra mas no interior de sua correspondência pessoal.
Felizmente, a réplica não tardou, pois outra pesquisadora de Lobato, Ana Lúcia Brandão, veio a público em defesa do escritor, no mesmo jornal e em data muito próxima, com o artigo “ ‘Racismo delirante’ é tratamento grotesco, Monteiro Lobato merece respeito”. Entre muitos apontamentos, lembra seus leitores de que “Levar ao pé da letra palavras ou frases de uma mensagem pessoal entre amigos, para classificar um deles como “racista” revela uma enorme incompreensão do que significa a crítica literária”.
De alma lavada, o leitor lobatiano pode seguir de braços dados com Lobato. Entretanto, não se trata de vencer uma discussão ou ganhar o pódio da verdade. Como obra literária, os escritos de Lobato comportam questionamentos, dúvidas, discordâncias. Em evento acadêmico recente, em que discutíamos a obra do escritor, chamou nossa atenção uma fala de um aluno de graduação, cujo apontamento sustentava-se por meio da ideia de que Monteiro Lobato não o representava como cidadão, sujeito, pessoa imbuída e reconhecida como portadora de direitos fundamentais.
Caçadas de Pedrinho, de 1939, uma das obras no centro do debate sobre racismo
É importante esclarecer que nenhuma das ponderações desse estudante pode ser considerada irrelevante para a discussão, assim como é possível compreender o tom de agressividade de suas primeiras manifestações, face ao momento em que se dá o eternamente adiado debate sobre o racismo no Brasil. Nem ainda poderíamos discordar de que não só de Lobato se formam leitores!
O que parece um “problema” ou algo a se lamentar, porém, é o fechamento do interlocutor a textos cujas ideias continuam a contribuir para a formação inequívoca de leitores críticos mais autônomos e audaciosos em suas incursões pelo mundo da literatura. A conversa que travamos com aquele aluno, portanto, não mirava uma desqualificação de seu discurso ou certo menosprezo da intelectualidade por um suposto modismo ideológico. Ao contrário do que se poderia supor, as questões às quais nosso interlocutor se apegava com pertinência e propriedade, são essas mesmas questões que convidam à leitura da obra lobatiana, reitere-se.
É neste ponto que encerramos nosso convite irrestrito à leitura da obra infantil de Lobato. As polêmicas atestam, tanto pelo conjunto de argumentos e exposições, quanto pela presença de seus livros nas mãos de crianças do século 21, a vitalidade de suas narrativas. Presença que deve ser lembrada, sobretudo, agora que a obra do autor se encontra em domínio público e surgem inúmeras edições em papel e digitais de seus textos. O reconhecimento da amplitude e da intensidade de muitos temas, assuntos ou fatos presentes em suas histórias permite a discussão também ampla, aberta e, por que não, profunda desses temas, dos mais aos menos polêmicos. Se há, portanto, uma posição a assumir, ela se configura na busca por preservar a leitura de obras marcadas pela criatividade, inventividade e criticidade.
Cancelar Lobato, portanto, é queimar um ramo literário em que aquela tríade – criatividade, inventividade e criticidade – constitui grande probabilidade de servir a consciências imbuídas de utopias ainda tão caras à sociedade de nosso tempo.
Thiago Alves Valente fez doutorado em Literatura na Unesp e é professor de Literatura Brasileira do Centro de Letras, Comunicação e Artes (CLCA), Campus de Cornélio Procópio (CCP) da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) e coordenador do GT Leitura e Literatura Infantil e Juvenil da ANPOLL
Após três dias de discursos e o sétimo dia de guerra, a ONU aprovou por ampla maioria uma resolução contra a invasão russa da Ucrânia. A participação contou com mais de 100 países que se posicionaram com 141 votos a favor, 5 contrários e 35 abstenções.
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, nesta quarta-feira (02), um texto que "deplora nos mais fortes termos" a invasão da Rússia à Ucrânia. A resolução não tem força de lei e revela apenas como a comunidade internacional enxerga a ação.
Foram 141 votos a favor, incluindo o do Brasil. Já Rússia, Belarus, Síria, Coreia do Norte e Eritreia votaram contra, enquanto 35 países se abstiveram, entre eles a China.
Boa parte da comunidade internacional acusa a Rússia de Vladimir Putin de violar o artigo 2 da Carta das Nações Unidas, que pede aos seus membros para não recorrer a ameaças ou à força para solucionar conflitos.
Segundo o governo ucraniano, os ataques russos mataram mais de dois mil civis até o momento. O prefeito de Kiev afirma que tropas se aproximam da capital. A Rússia diz que tomou a cidade de Kherson, com 250 mil pessoas, nas últimas horas; a informação é negada pelas autoridades da Ucrânia.
Leis Aldir Blanc 2 e Paulo Gustavo serão responsáveis pela injeção de quase R$ 7 bilhões para a cultura nos próximos dois anos. Deputados do PCdoB articularam aprovação das matérias.
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (24) o Projeto de Lei 1518/21, conhecido como Lei Aldir Blanc 2, que institui uma política nacional de fomento à cultura com repasses anuais de R$ 3 bilhões da União a estados e municípios para ações no setor.
A proposta, da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), tendo como coautores Renildo Calheiros (PCdoB-PE), Alice Portugal (PCdoB-BA) e outros, beneficia entidades e pessoas físicas e jurídicas que atuem na produção, difusão, promoção, preservação e aquisição de bens, produtos ou serviços artísticos e culturais, incluindo o patrimônio cultural material e imaterial. O substitutivo do relator, deputado Celso Sabino (União-PA), passa a tramitar no Senado Federal.
A Câmara aprovou também o Projeto de Lei Complementar 73/21, que direciona R$ 3,86 bilhões do superávit financeiro do Fundo Nacional de Cultura (FNC) a estados e municípios para fomento de atividades e produtos culturais. A matéria, aprovada na forma do substitutivo do relator, deputado José Guimarães (PT-CE), vai à sanção presidencial.
Incentivos
Segundo Jandira Feghali, a Lei Aldir Blanc funcionará como um Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) da cultura.
“Uma lei que terá um caráter perene, um caráter de Lei de Estado, que irrigará o Sistema Nacional de Cultura, que levará a diversidade, a descentralização, como funcionou a Lei Aldir Blanc I, com muito mais densidade, com muito mais consistência. Contribuíram para esta lei não apenas os gestores estaduais, municipais, mas todos os coletivos culturais brasileiros que têm trabalhado e se mobilizado pela sua aprovação”, afirmou.
Jandira Feghali destaca a importância do apoio à cultura nacional
A parlamentar destacou que a aprovação destas duas leis de incentivo à cultura é o atendimento de uma demanda fundamental. “A cultura brasileira precisa, a cultura brasileira não tem tido do governo federal apoio, não tem tido orçamento, não tem tido políticas culturais, e nós precisamos a partir do Parlamento fazer com que isso aconteça”, frisou.
“Hoje é um dia muito importante para a cultura brasileira”, ressaltou o líder do PCdoB na Câmara, Renildo Calheiros. Ele lembrou que os recursos serão destinados “para socorrer um setor que passa por grandes dificuldades em decorrência da pandemia em nosso país”.
O deputado comemorou a aprovação das leis: “Hoje pode entrar para a história como o dia da cultura para o Brasil. Hoje aprovamos a Lei Paulo Gustavo, que é uma lei emergencial para a cultura; já a Lei Aldir Blanc estabelece um financiamento permanente. É um grande passo para a cultura brasileira, que deve ser festejado”.
A presidente da Comissão de Cultura da Casa, Alice Portugal, também considerou que a data é simbólica para todos que labutam no setor cultural.
“Nós estamos aqui valorizando esses que, de ponta a ponta no Brasil, acompanham este dia, que construíram este dia com as suas mobilizações nas dobras, nas pontas deste país. Eles construíram esta vitória”, afirmou.
Para a deputada, a atuação do Legislativo “tem sido determinante para a manutenção da cultura viva em nosso país”. “Com um orçamento tão baixo para a cultura, e com uma Secretaria que, infelizmente, turbina uma série de contradições, uma má forma na condução das políticas culturais do Brasil, quero dizer que termos aprovado a Lei Aldir Blanc, em 2020, com seus resíduos retirados pelo esforço coletivo desta Casa, em 2021, e agora estarmos aprovando a Lei Paulo Gustavo é da maior importância para a cultura nacional”, disse.
Paulo Gustavo
Conhecido como Lei Paulo Gustavo – em homenagem ao ator, diretor e comediante que faleceu vítima da Covid-19 – o PLP 73/21 destina R$ 3,86 bilhões a estados e municípios, para fomentar a retomada das atividades culturais que foram paralisadas pela pandemia.
Segundo o texto, R$ 2,8 bilhões desse montante serão destinados ao setor audiovisual, no apoio a produções, salas de cinema, cineclubes, mostras, festivais e capacitação profissional.
(Foto: Reprodução)
A execução descentralizada dos recursos repassados poderá ser feita até 31 de dezembro de 2022, mas se houver algum impedimento em razão de ser ano eleitoral, o prazo será automaticamente prorrogado pelo mesmo período no qual não foi possível usar o dinheiro.
O texto também permite aos entes federados excluírem os recursos recebidos da meta de resultado primário, mudando a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Apoio
Os dois projetos são complementares, uma vez que abrangem tanto a criação de uma política permanente de fomento direto e descentralizado à cultura brasileira (Lei Aldir Blanc 2), bem como o caráter emergencial de reparação das perdas que o setor cultural vem sofrendo em razão da pandemia (Lei Paulo Gustavo).
Aprovação foi fruta de ampla atuação parlamentar l Richard Silva/PCdoB na Câmara
Em conjunto, as propostas representam um grande avanço e um investimento de quase R$ 7 bilhões para a cultura, um dos setores mais afetados pela pandemia, nos próximos dois anos.
A vice-líder da Oposição, deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), destacou que os fazedores de cultura foram os setores mais prejudicados pelas restrições impostas pela pandemia.
“Foram os primeiros a encerrar os seus trabalhos, quando começou a pandemia, e até hoje não tiveram esse processo recuperado”, disse.
Para a deputada, as leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo serão instrumentos para “levar cultura ao Brasil inteiro, nas comunidades mais distantes, nos bairros, nas periferias”. “[Elas vão] Promover o cinema, fazer com que os trabalhadores do teatro, aqueles que vivem de shows, que tocam a sua bateria possam poder comprar o seu pão”, acrescentou.
Preferência nacional para os finais de semana ainda é o bom e velho churrasco. Mas preparar essa iguaria nacional pode não ser tão simples assim. Um erro básico na hora de escolher a carne, por exemplo, pode comprometer o sabor e qualidade do prato. Por isso, selecionamos dicas fundamentais para você não errar na hora de fazer seu churrasquinho do semanal. No final da matéria, você pode conferir ainda duas sugestões de receitas – uma para grelha e outra para espeto.
Bom apetite!
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Segredos do churrasco
• Não compre carnes se a gordura estiver de amarelo escuro. Isto é indicação de animal velho, ou seja, carne dura. No caso específico de costela, osso chato e grande é animal velho, enquanto ossos pequenos e arredondados são de novilho. As costelas devem ser compradas em tiras de 8 a 10 cm de largura. Dê preferência as costelas centrais do animal.
• O corte da carne deve ser feito no sentido transversal ao comprimento das fibras do músculo.
• Alguns cortes de carnes precisam de um preparo especial como o cordeiro ou a costela. É importante deixar essas carnes marinando no tempero de um dia para o outro, isso deixa a carne mais tenra e com o tempero mais acentuado.
• Não deixe de separar os tipos de carne na hora de assar, como lingüiça e frango, para que o sabor e tempero de uma não afetem o paladar das outras.
• É importante checar também outro “personagem” do churrasco, o carvão. É bom lembrar que não é aconselhável a sua reutilização. A dica é sempre assar as carnes no em brasa e não com fogo muito alto, pois assim não se corre o risco de sapecá-las ou queimá-las.
• Cuidado com as carnes congeladas! É sempre bom descongelar com antecedência (12 horas) e não colocar na água quente, muito menos no forno de micro-ondas, pois retira totalmente o sabor da carne. Uma boa sugestão para temperar o frango é deixá-lo marinando de um dia para outro numa mistura com shoyo e leite de coco. Dessa maneira, a carne fica macia e com um sabor diferente.
• Antes de ser levada à churrasqueira, a carne deve adaptar-se à temperatura
ambiente. Não se deve levar a carne da geladeira diretamente ao fogo. A carne pode não ficar no ponto ideal.
• Outra dica de marinada para carnes vermelhas é deixá-las no vinho tinto com ingredientes frescos como ervas, pois assim elas ficam macias e dão um toque todo especial. Mas não se deve colocar todas as carnes nesse tempero, senão, todo o churrasco ficará com o mesmo sabor. Um diferencial é fazer costela no bafo. Basta temperar somente com sal grosso e enrolar a costela numa folha de papel celofane e levar direto para a grelha.
• Um segredo para os apaixonados por carnes mal passadas: assim que ela começar a sangrar por por cima, virá-la e deixar assar por alguns minutos. Quando a carne estiver semi-assada é hora de apreciar. Isso faz com que os sucos da carne sejam preservados e não deixa passar do ponto. Para os cortes de carne grandes é sempre bom fatiar e servir logo em seguida para que não queime muito e fique crua no meio.
• Verificar a qualidade das carnes quanto à sua origem e procedência – dar preferência aos produtos com SIF (Serviço de Inspeção Federal).
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Combinações e acompanhamentos
O churrasco apresenta inúmeras possibilidades e combinações que, muitas vezes, são esquecidas. Preparar legumes (batata, berinjela, abobrinha) assados na brasa e temperados com azeite, sal e pimenta do reino branca é uma dica simples e deliciosa que por vezes é deixada de lado.
Alguns itens são importantíssimos para um churrasco de sucesso, como os acompanhamentos: farofas, molhos para acompanhar as carnes, saladas diversas e leves ajudam na digestão. Frutas como abacaxi e banana grelhados na própria churrasqueira com açúcar e canela podem ser servidos como sobremesas ou usados como alternativa para os vegetarianos.
Quantidade de carne
Para se calcular a quantidade de carne para um churrasco, lembre-se que haverá pessoas que consumirão apenas 250 gramas e outras chegarão a consumir até 1 kg de carne. Então, para calcular a quantidade, recomenda-se 400 a 600 gramas de carne para adultos e 300 gramas para cada criança. Mas se você for servir vários tipos de carne, aumente as quantidades por tipo de carne, para não arriscar a falta de carne se todos preferirem consumir um só tipo. Além da carne, os convidados irão consumir também acompanhamentos (pão de alho, saladas, maionese, farofas, arroz, aperitivos, vinagrete.
Grelha ou espeto?
Grelha – Muitos churrasqueiros preferem a grelha, argumentando que assim a carne é assada por inteiro não perde o suco, pois não é furada pelo espeto. Em nossos vizinhos do Mercosul a grelha é utilizada com maior freqüência do que o espeto. A grelha permite que se trabalhe com vários tipos de carnes ao mesmo tempo, além de outros complementos como queijo provolone, pimentão, lingüiças, tomates, cebola, morcilha, etc. A grelha favorece as carnes sem osso, em detrimento das carnes com osso como a costela. Portanto as carnes mais indicadas para a grelha, são: picanha, maminha, assado de tira (tiras muito finas de costela), lingüiças, salsichões, chuleta, fraldinha e o filé mignon.
Quando utilizar a grelha, é interessante ter pinças de metal compridas para virar e manusear a carne. O ideal é evitar o uso daquele garfo comprido de dois dentes, que é bastante comum para carnes – o suco pode sair pelos furos e a carne ficará mais seca e menos macia. A carne deve começar a grelhar na parte mais quente da churrasqueira, tostando-a bem de um lado e depois do outro. Em seguida, colocar a carne numa parte com calor menos intenso, para que ela asse até chegar no ponto desejado. Deve-se perguntar aos convidados qual o ponto de carne que eles desejam, pois esse será um fator fundamental no sucesso do churrasco.
Espeto – A dica é comprar espetos de aço inoxidável. Apesar de mais caros que os comuns são de melhor qualidade. Por não serem rugosos, são mais fáceis de limpar, mais duráveis e não soltam resíduos metálicos na carne. Escolher espetos de comprimento adequado à churrasqueira. Isso importante, pois evitará acidentes de queimaduras na empunhadura do espeto e os espetos não cairão dentro da churrasqueira, o que poderá acontecer se eles forem curtos.
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Melhores carnes para o churrasco
Costela: é a carne mais típica do churrasco. Para os churrasqueiros, churrasco é sinônimo de costela. Antigamente fazia-se churrasco só de costela e de alguns anos para cá é que foram introduzidos outros tipos de carne. Ela só deve ir ao fogo quando estiver bem limpa, isto é: carne à vista de um lado e osso de outro. A costela deve sempre ir às brasas com o lado do osso para baixo. Somente quando esta parte mostrar-se bem assada é que se deve virar o espeto. Serve-se ao ponto.
Alcatra: apresenta pouca gordura, que ainda deve ser retirada, deixando-a perfeitamente limpa. Deve ser cozida ao ponto ou mal passada. Como as outras carnes de primeira, não deve ser fatiada e sim cortada em pedaços grossos para ser levada ao prato. É a maneira de manter o ponto por fora, na casquinha, e a suculência por dentro.
Picanha: é macia e isto se deve por ser uma carne sem músculos e de alto volume sanguíneo, o que lhe marca o sabor característico. Ela deve ser servida em pedaços grossos e no prato é que se vai cortando em pequenos cubos para comer. O ponto certo da picanha é o malpassado.
Contra-file: é macio, tem sabor acentuado, muito suco e dificilmente se erra no ponto. Deve ser servido ao ponto ou mal passado, sob pena de perder o suco e daí o sabor. Para servir, corte em postas de espessura média.
Maminha ou ponta de alcatra: deve ser servida malpassada mas aceita ser servida ao ponto e até bem passada.
Fraldinha: é uma carne muito saborosa, boa de assar mas que não é uma carne popular. Não deve ser passada demais. É uma carne cheia de gorduras e nervos e é preciso ser muito bem limpa para ir até à grelha.
Chuleta: é também uma carne saborosa mas às vezes fica dura ao ser assada. Seu ponto certo é o malpassado. É entremeada de gordura, que a mantém suculenta.
Filé mignon: caracteriza-se por ser uma carne macia e gosto levemente adocicado. Tem presença obrigatória nos melhores restaurantes. Para grelhar deve ser cortado em bifes grossos e servir ao ponto pois a maciez e o sumo se mantém.
Além do churrasco tradicional, usa-se no Brasil outros tipos de carne como as de porco, ovelha, frango e peixe, além da linguiça, coração de galinha etc.
Churrasco com sal grosso
• Deixe as carnes pegarem cor e calor antes de salgar: tire do fogo e espalhe – sem exagero – sal grosso ou médio por toda a carne. A carne salgada bem antes de ser colocada para assar fica dura e seca.
• O lado mais magro da carne deve estar virado para o fogo. Assim, não haverá perda de gordura. As costelas devem ser assados com o osso para baixo. Um bom combustível para o fogo é o osso do animal a ser assado. O melhor fogo é aquele em que se forma uma camada de cinza por cima do braseiro, impedindo a formação de labaredas.
• A labareda jamais deve tocar na carne. Não fique mexendo no fogo. Mexa sempre na carne, levantando, baixando etc. Nada de jogar água sobre a brasa. O ideal, novamente, é levantar a carne. Conforme as labaredas vão diminuindo de tamanho, o assador pode optar em aproximar a
carne da brasa.
• Não vire o saco de carvão direto sobre a grelha quando houver carne assando. Assim, pó e brasa serão levantados. Pegue os pedaços de carvão e com a mão coloque devagar no braseiro. Depois de pronta, a carne deve ser batida para soltar o sal grosso nela impregnada.
Em uma vasilha misture a carne com os temperos e faça bolinhos. Coloque o palito no centro de cada bolinho e, em seguida acomode todos em uma assadeira, de forma que os palitos fiquem sobre as laterais. Levar ao forno para assar por mais ou menos 20 minutos.Em uma frigideira sele os tomates no azeite e, em seguida junte a cebola e a salsa. Coloque em um prato um pouco de molho e um espeto.
Fonte: www.petitchef.com.br
Picanha recheada com bacon
Ingredientes:
– 1 peça de picanha pesando aproximadamente 1,3kg
– Suco de uma laranja grande
– 1 colher de sopa de manteiga sem sal
– 150g de bacon fatiado
– 1 xícara de chá de sal grosso
Modo de Preparo:
Com uma faca fina e bem afiada faça um corte no centro da picanha, sem separar as laterais, formando uma bolsa. Passe o suco de laranja por toda a peça de carne, inclusive dentro da “bolsa”, e deixe descansar durante 4 horas. Depois, arrume as fatias de bacon dentro da bolsa e feche. Unte toda a peça com a manteiga, polvilhe com o sal grosso e pressione com as mãos para que fique integrado à manteiga. Coloque a picanha na grelha da churrasqueira a uma distância de 40cm do braseiro forte e bem formado, durante 20 minutos com a gordura virada para baixo. Depois desse tempo vire a picanha deixando a gordura virada para cima. Quando a carne tomar corpo (inchar), retire da grelha, coloque-a numa bandeja e cubra-a com um pano de prato ainda sem uso e deixe descansar durante 10 minutos. Depois retorne à grelha com a gordura voltada para cima e termine de assá-la durante mais 5 minutinhos até que fique “ao ponto”. Para servir, fatie em lâminas finas como um rosbife.