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quarta-feira, 4 de maio de 2022

“É coisa de preto, né”: fala racista de vereador vaza durante sessão na Câmara de São Paulo

 


Foto: Afonso Braga/CMSP

Uma fala de cunho racista atribuída ao vereador Camilo Cristófaro (PSB) vazou durante uma sessão da Câmara Municipal de São Paulo na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Aplicativos durante a manhã desta terça-feira (3).

Um trecho da fala do vereador passou a circular nas redes sociais. No áudio, é possível ouvir Cristófaro dizendo: “Não lavaram a calçada (…) é coisa de preto, né?”  Ouça.

À CNN, a defesa do vereador respondeu que “por enquanto não irá se manifestar sobre a questão”. Em nota, o presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo, Milton Leite, afirmou que recebe a denúncia com “indignação” e diz que o caso será analisado pela Corregedoria da Câmara.

Racismo no metrô

A polícia de São Paulo vai investigar um caso de racismo que provocou uma grande confusão na noite desta segunda-feira (2) em uma estação de metrô. Segundo a vítima, Welica Ribeiro, uma mulher loira questionou se ela poderia ‘tirar o cabelo’ de perto, caso contrário, poderia ‘passar alguma doença’.

Welica, que é do Rio de Janeiro, estava com o irmão e os pais quando a mulher começou a falar de seu cabelo. Samuel Lopes, uma das testemunhas, estava ao lado de Welica no metrô.

“A mulher falou assim: ‘moça, você podia dar licença e tirar seu cabelo? Você pode passar alguma doença para mim’. Falou com cara de cinismo mesmo”. Assista ao vídeo abaixo.



Fonte: POTIGUAR NOTÍCIAS

Através do Twitter, diretor da OMS faz apelo em favor do direito ao aborto

 Foto: agenciabrasil.ebc.com.br

Por meio de sua conta no Twitter, Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), fez um apelo para que as mulheres tenham direito ao procedimento do aborto. De acordo com o chefe do órgão, “o acesso ao aborto seguro pode salva vidas”.

Apesar de não citar nominalmente, o comentário de Tedros foi suscitado a partir da possibilidade de que a Suprema Corte dos Estados Unidos anule esse direito, que existe desde 1973 no país. “Restringir o acesso ao aborto não reduz o número de procedimentos, apenas leva as mulheres e meninas a realizar procedimentos inseguros. As mulheres devem ter sempre o direito à escolha quando se trata de seu corpo e sua saúde”, ressaltou o dirigente.

Conforme apontado por um site de notícias norte-americano, a maioria dos magistrados, mediante a assinatura de um documento, estariam dispostos a cancelar a decisão Roe vs. Wade de 1973, a qual assegura o direito das mulheres americanas de interromper sua gravidez. Apesar de reconhecer a autenticidade do texto, a Suprema Corte declarou que não se trata de uma decisão definitiva.

Segundo dados da OMS, os abortos inseguros suscitam cerca de 39.000 mortes por ano no mundo e fazem com que milhões de mulheres sejam hospitalizadas por complicações. A maioria dessas mortes acontecem nos países de baixa renda e entre pessoas mais vulneráveis do ponto de vista socioeconômico, sendo mais de 60% na África e 30% na Ásia. 

Por POTIGUAR NOTÍCIAS

Há 85 anos, morria o “poeta da Vila”, Noel Rosa - Portal BRASIL CULTURA

 

No dia 4 de maio se completam 85 anos da morte de Noel Rosa, um dos maiores nomes do samba

Noel Rosa, o poeta da Vila, foi um dos mais importantes compositores da música popular brasileira. Sua obra é vasta, abrange mais de 250 composições, uma frenética produção para um autor morto aos 26 anos de idade.
Foi uma revolução o que a obra de Noel causou à música popular brasileira. Ele começou sua carreira influenciado pelo som nordestino, sucesso no Rio de Janeiro desde o final dos anos 1920. Desse modo suas primeiras músicas eram emboladas (um gênero nordestino). Em seguida ele fez canções sertanejas e finalmente chegando ao samba.

A obra de Noel mostrou um autor que trouxe uma nova profundidade ao samba, unindo melodias marcantes com letras críticas e bem humoradas sobre o cotidiano, política, o jogo do bicho, a pobreza e as dores do amor. Algumas de suas maiores composições incluem “Com Que Roupa?”, “Pierrô Apaixonado”, “Palpite Infeliz”, “Feitiço da Vila”, Último Desejo”, “Conversa de Botequim” e “Feitio de Oração”.

A infância

Noel de Medeiros Rosa nasceu em 11 de dezembro de 1910 no Rio de Janeiro. Ele nasceu de um parto muito difícil e complicado, com a necessidade do uso de fórceps pelo médico obstetra, como medida para salvar as vidas da mãe e do bebê. Segundo relatos foi o fórceps que lhe fraturou e afundou o maxilar inferior, provocando também paralisia parcial do lado direito de seu rosto. Ele fez cirurgias aos seis anos e depois aos doze, mas a ortopedia da época não ajudou e Noel teve que conviver com este defeito em sua face.

Durante toda sua vida viveu na Rua Teodoro da Silva 130, no bairro carioca de Vila Isabel, filho do comerciante Manuel de Medeiros Rosa e da professora Martha de Medeiros Rosa.

Na juventude aprendeu a tocar o bandolim de ouvido. Em seguida passou ao violão e se aos poucos ganhou fama de músico em Vila Isabel. As primeiras apresentações de Noel foram no bar Ponto de Cem Réis, ponto de encontro dos “rapazes folgados” do bairro. Lá Noel conheceu a boemia, fazendo as primeiras serenatas e vivendo suas primeiras aventuras amorosas.

O Bando de Tangarás

Em 1929 Noel se juntou a um grupo que estava se formando, o Bando de Tangarás, que incluía o cantor Almirante (Henrique Foréis Domingues), Carlos Braga (depois conhecido como João de Barro), Henrique Brito e Alvinho (Álvaro Miranda Ribeiro). Em maio desse ano fazem suas primeiras gravações: a embolada “Galo Garnizé” e o cateretê “Anedotas”, ambas compostas por Almirante. E em 27 de junho Noel apresenta suas primeiras composições: a embolada “Minha Viola” e a toada “Festa No Céu”, ambas influenciadas pela moda sertaneja então muito popular.

Naquela época cantar em rádio ou gravar discos não era considerada uma atividade séria, era brincadeira ou coisa de gente excêntrica que queria aparecer. Por causa disso o Bando de Tangarás, para se diferenciar da “gente de rádio” só se apresentava de graça, recusando até o reembolso dos custos de transporte.

No final de 1929 Noel compõe o seu primeiro grande clássico, “Com Que Roupa?”, que ele grava e se torna o seu primeiro disco solo. Foi gravada em 1930 visando o carnaval do ano seguinte. Foi um grande sucesso, vendendo mais de 15.000 discos.

“Agora vou mudar minha conduta,
Eu vou pra luta pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com a força bruta,
Pra poder me reabilitar
Pois esta vida não está sopa e eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?

Agora, eu não ando mais fagueiro,
Pois o dinheiro não é fácil de ganhar
Mesmo eu sendo um cabra trapaceiro,
Não consigo ter nem pra gastar
Eu já corri de vento em popa, mas agora com que roupa?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?

Eu hoje estou pulando como sapo,
Pra ver se escapo desta praga de urubu
Já estou coberto de farrapo, eu vou acabar ficando nu
Meu terno já virou estopa e
Eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou”

 

“Com Que Roupa?” já contém as principais características da obra de Noel. A letra apresenta dilemas humanos, repletos de ironia, humor e sofrimento, numa linguagem coloquial e curta. Noel segue um modelo de sincopas produzida pela turma do morro, do Estácio, distante do formato do maxixe produzido na cidade. Essa canção foi depois regravada por uma infinidade de cantores, desde Aracy de Almeida e Nelson Gonçalves a Gilberto Gil, Zeca Pagodinho e Joyce.

Mesmo com o sucesso solo Noel continuou tocando e gravando com o Bando de Tangarás até 1933. A banda acabou ficando pequena para Noel, já que ele dividia o espaço com composições de Almirante, Braguinha e outros. O grupo deixou um legado de 34 discos de 78 rotações com 63 músicas lançadas pelas gravadoras Odeon, Victor e Parlophon.

Música ou medicina?

Em 1931 Noel entrou na faculdade de medicina. Mas logo ele percebeu que a carreira demandava uma vida de estudos incessantes, que exigiria toda sua atenção. Ele logo concluiu: “eu deveria continuar com o samba, deixando a medicina? Ou devia renunciar ao samba? (…) Colocado a contingência de optar, uma vez que as duas atividades não podiam ser conciliadas, escolhi o samba”. Em 1932 já não frequentava mais as aulas. Mas aproveitou a experiencia para escrever um “samba anatômico”:

“Coração
Grande órgão propulsor
Transformador do sangue venoso em arterial
Coração
Não és sentimental
Mas, entretanto, dizem
Que és o cofre da paixão
Coração
Não estás do lado esquerdo
Nem tampouco do direito

Ficas no centro do peito eis a verdade!
Tu és pro bem-estar do nosso sangue
O que a casa de correção
É para o bem da humanidade”

Só nesse ano de 1931 Noel gravou mais de vinte músicas, de letras exuberantes e inventivas como “Cordiais Saudações”, “Gago Apaixonado” e “Mulata Fuzarqueira”.

A era do rádio

As primeiras emissoras de rádio no Brasil surgiram em setembro de 1923, Rádio Sociedade e em outubro de 1924, Rádio Clube do Brasil. No início dos anos 30 já eram cinco rádios. Em 1932 Noel foi contratado como contra regra na Rádio Philips, no programa de Ademar Casé. Numa pequena sala na Rua Sacadura Cabral comprimiam-se locutor, diretor, equipe técnica, cantores e compositores. Noel também cantava no programa, apesar de sua voz fraca, num tempo em que reinavam os vozeirões de Francisco Alves e Vicente Celestino.

Em 1935 Noel foi para a Rádio Clube do Brasil junto com seu amigo Almirante, fazendo o programa humorístico Conversa de Esquina, montado com piadas copiadas de revistas e almanaques. Fez também uma paródia, “O Barbeiro de Niterói”, baseado na ópera de Rossini. O sucesso do programa o incentivou a compor outras revistas radiofônicas, sempre parodiando composições populares de sucesso.

Parceiros

Noel compôs muitas de suas canções junto com outros parceiros. O mais importante deles foi Oswaldo Gogliano, o Vadico. Vadico era um compositor e pianista de formação erudita que estudou com o maestro Mario Castelnuovo-Tedesco. Conheceu Noel em 1932 por intermédio de Eduardo Souto, nos estúdios da gravadora Odeon. De imediato Noel colocou letras em “Feitio de Oração”, seguida por parcerias notáveis como “Feitiço da Vila”, “Pra que Mentir”, “Conversa de Botequim”, “Cem Mil Réis”, “Só Pode Ser Você” e “Provei”.

Outros colaboradores importantes de Noel foram Lamartine Babo (“Eu queria um Retratinho de Você”), Hervê Cordovil, Heitor dos Prazeres, Rubens Soares (“É Bom Parar”) e Orestes Barbosa (“Positivismo”).

Paixões

Noel teve muitas namoradas e foi amantes de muitas mulheres casadas. Várias delas inspiraram suas músicas. Em 1934 casou-se com Lindaura, uma moça da alta sociedade carioca. O casamento só aconteceu mesmo por pressão da mãe da moça pois na época ela tinha apenas 13 anos. Casou-se grávida, mas perdeu a criança alguns meses após o casamento. O enlace não mudou a vida de Noel. A única coisa que fez foi trocar sua cama de solteiro por uma cama de casal. Continuou morando na Vila Isabel.

Mas a verdadeira paixão do compositor foi uma dançarina de cabaré, Ceci ou Juraci Correia de Araújo. Para ela ele compôs “Dama do Cabaré”. O relacionamento foi bastante conturbado, com muitas brigas. Noel, em um acesso de ciúmes, compôs “Pra que Mentir?”.

Últimos dias

Por causa da depressão causada pela separação de Ceci Noel passou os anos seguintes lutando contra a tuberculose. Apesar de temporadas para se recuperar em Belo Horizonte e Nova Friburgo, Noel viria a falecer no dia 4 de maio de 1937 em sua casa, no bairro de Vila Isabel, cercado por sua inseparável mãe Martha e por Lindaura.

A obra de Noel é uma representação das transformações sociais e culturais que ocorreram no Brasil na década de 30. Foi o compositor que uniu o samba feito no morro com a realidade do “asfalto”, ou da classe média do Rio de Janeiro, um mediador de culturas contrastantes.

Em 2000 foi lançada pela gravadora Velas uma caixa de 14 CDs, “Noel Pela Primeira Vez – 229 Gravações de Noel Rosa Em Suas Versões Originais”,

No bairro de Vila Isabel há uma estátua do músico em uma mesa de botequim e a partitura de “Feitiço da Vila” estampada em uma das calçadas do bairro.

Feitiço da Vila (Noel Rosa/Vadico):

“Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos
Do arvoredo e faz a lua
Nascer mais cedo

Lá, em Vila Isabel
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba
São Paulo dá café
Minas dá leite
E a Vila Isabel dá samba

A vila tem um feitiço sem farofa
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem
Tendo nome de princesa
Transformou o samba
Num feitiço decente
Que prende a gente

O sol da Vila é triste
Samba não assiste
Porque a gente implora
Sol, pelo amor de Deus
Não vem agora
Que as morenas
Vão logo embora

Eu sei por onde passo
Sei tudo o que faço…”

terça-feira, 3 de maio de 2022

Busca por título gera instabilidade no site do TSE; no RN, TRE amplia horário de atendimento

 Foto: Divulgação

O site oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou por uma instabilidade momentânea na tarde desta segunda-feira (2). Alguns serviços online disponíveis no portal chegaram a sair do ar por alguns minutos. Por conta da alta demanda, o TRE-RN anunciou ampliação do horário de atendimento dos cartórios eleitorais.

Segundo o TSE, o problema foi causado pelo alto número de acessos. "As áreas técnicas responsáveis já trabalham para o restabelecimento das páginas e dos sistemas afetados", diz o comunicado. O prazo para a regularização do título de eleitor termina nesta quarta-feira (4), e a maior parte dos serviços pode ser feita pela internet (leia mais).

Rio Grande do Norte

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) anunciou ampliação do horário de atendimento dos Cartórios Eleitorais, boxes de atendimento ao eleitor e eleitora e Postos de Atendimento de todo Estado nesta reta final do fechamento do cadastro eleitoral.

Na terça-feira, 3 de maio, o atendimento presencial em todo o Estado será das 8h às 17h. E no dia 4 de maio, o horário de atendimento ao eleitor será das 8h às 18h, com distribuição de fichas, a partir do início do expediente.

A ampliação do horário de atendimento acontece em razão da instabilidade no sistema ELO, verificada nesta segunda, 02 de maio de 2022, e da elevada demanda de atendimento presencial nos Cartórios Eleitorais.

Fonte: TSE - POTIGUAR NOTÍCIAS

Cartografia influenciou independência do Brasil, mostra exposição no Rio

 

Mapas estão em exibição no Museu Naval da Marinha; curadoria teve participação de professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP

Os mapas eram considerados tesouros nacionais no período das grandes navegações. Os governos que conseguiam ter um desenho cartográfico preciso de territórios ultramarinos tinham o poder sobre a conquista de novas terras. Olhar para a evolução dos mapas das Américas, desde sua invasão no século 16, é observa lentamente a evolução dos conflitos por disputa de terras entre nações, especialmente Espanha e Portugal na América do Sul.

A exposição O Atlântico Sul na Construção do Brasil Independente, em exibição gratuita no Museu Naval da Marinha do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, até o próximo mês de junho, traz uma mostra desses mapas preciosos. Eles foram selecionados a partir de pesquisa realizada pela docente Iris Kantor, do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP; Heloisa Meireles Gesteira, do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), e Maria Dulce de Faria, da Biblioteca Nacional do Brasil.

A exibição conta com cartas náuticas manuscritas inéditas e mapas gravados da coleção cartográfica dos séculos 18 e 19, preservados pela Biblioteca da Marinha do Brasil. “As cartas geográficas confeccionadas entre 1753 e 1822 demonstram que havia uma clara percepção das fronteiras territoriais, tanto continental quanto marítima, dada à acumulação de conhecimentos geográficos reunidos ao longo de mais de décadas de levantamento topográfico desde o Tratado de Madrid de 1750″, disse a professora Iris Kantor sobre a curadoria da exposição.

Iris Kantor, professora do Departamento de História da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e organizadora do evento - Foto: Divulgação / Sintsef Ceara via YouTube
Iris Kantor, professora da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP – Foto: Divulgação / Sintsef Ceara via YouTube

A mostra está organizada em três ambientes. O primeiro deles tem como objetivo apresentar instituições relacionadas à formação científica dos cartógrafos que elaboraram mapas sobre o território brasileiro, incluindo também os instrumentos de medição usados para observações astronômicas durante as expedições.

Exposição “O Atlântico Sul na Cartografia do Brasil Independente” – Fotos: Divulgação/Marinha do Brasil

O segundo ambiente explora uma variedade de mapas náuticos manuscritos confeccionados nas cidades portuárias brasileiras e de Atlas marítimos impressos pelas Marinhas da Inglaterra, França e Espanha, produzidos no contexto das guerras pelo controle dos portos nos três oceanos. A produção desses mapas fez parte de uma estratégia política e comercial que visava transformar a Marinha numa alavanca do desenvolvimento econômico do império português.

“Amérique Méridionale”, publicado em 1748; autor principal: Jean-Baptiste Bourguignon d’Anville (1697-1782) – Acervo Digital da Biblioteca da Marinha do Brasil
“Amérique Meridionale”, publicado em 1785; autor principal: Maurille Antoine Moithey (1732-1805) – Acervo Digital da Biblioteca da Marinha do Brasil
“Plano hydografico da parte principal da bahia do Rio de Janeiro”, publicado em 1801; autor principal: Paulo Dias D’almeida () – Acervo Digital da Biblioteca da Marinha do Brasil

A exposição apresenta pela primeira vez cartas náuticas elaborados por membros da Sociedade Real Marítima e Militar, uma instituição em Lisboa em 1798. “Essa sociedade reunia engenheiros militares e navais, pilotos, astrônomos e matemáticos; e foi reinstalada no Rio de Janeiro em 1808″. A Sociedade funcionou com uma verdadeira academia científica, onde os trabalhos náuticos eram apresentados em sessões públicas, e eram apreciados segundo sua qualidade e acurácia”, explicou a professora Iris.

Já o último ambiente recria a Biblioteca Real dos Guarda-Marinhas, transferida de Portugal para o Brasil em 1808 com a vinda da família real portuguesa. O acervo deu origem à atual Biblioteca da Marinha do Brasil. Uma das atrações da exposição é o curioso Catálogo dos livros no qual se descrevem os itens bibliográficos e mapas do acervo em 1812. Trata-se de um documento manuscrito singularmente raro e essencial para o conhecimento da formação dos cartógrafos e engenheiros navais daquele período.

“O domínio do conhecimento náutico constituiu uma moeda de troca, do meu ponto de vista, no processo de emancipação política e na construção do futuro Estado imperial brasileiro, como se pode atestar pela qualidade das cartas geográficas do Atlântico Sul.  Não por acaso, essa produção coincide com o ápice da deportação de pessoas escravizadas embarcadas nos portos africanos nas primeiras duas décadas do século 19”, afirmou Iris Kantor.

Exposição “O Atlântico Sul na Cartografia do Brasil Independente” – Fotos: Divulgação/Marinha do Brasil

A exposição O Atlântico Sul na Construção do Brasil Independente é realizada pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, com apoio institucional do Abrigo do Marinheiro (AMN) e patrocínio da Associação da Poupança e Empréstimo (Poupex).

Os mapas disponíveis nesta matéria fazem parte do projeto de digitalização de mapas e atlas da “Coleção cartográfica do Brasil de 1700 a 1822” da Marinha. Os documentos estão disponíveis para consulta on-line por meio do link: http://www.redebim.dphdm.mar.mil.br/pergamum/biblioteca/index.php

Do Jornal da USP

Com www.brasilcultura.com.br