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segunda-feira, 22 de agosto de 2022

ELEIÇÕES 2022: Candidaturas de negros superam proporção de brancos pela primeira vez

Foto: Pablo Alejandro/Agência Câmara

49,49% negros (pretos e pardos somados) e 48,93% brancos. Em eleições gerais é a primeira vez que candidatos negros são maioria, fato já ocorrido em eleições municipais.

Os candidatos negros são os que se declaram pretos e pardos no registro do TSE (Superior Tribunal Eleitoral). Em 2014, o grupo representou 44,24% do total de candidaturas na ocasião. Já em 2018 representaram 46,5% e agora, em 2022, as candidaturas registradas de negros foram de 49,49%, superando pela primeira vez o número de candidatos que se declaram brancos.

A declaração de brancos em 2022, segundo o TSE, ficou em 48,93%. A declaração de raça começou a ser feita em 2014.

Esta é a primeira vez que o número de candidatos negros supera o de candidato brancos em eleições gerais. No entanto isto já ocorreu nas eleições municipais, em 2020, com negros sendo 49,9% dos candidatos e brancos 47,8%.

28 mil candidatos

As eleições desse ano contam com 28.288 candidaturas registradas, queda de 3% em relação as eleições de 2018.

Desse número, 3.919 candidatos se declararam pretos e 9.992 pardos. Neste ano, mais de 9 mil candidaturas são de mulheres.

De acordo com as novas regras eleitorais, os votos dados a candidatos negros para deputado (a) contam em dobro para a divisão do tempo do partido em rádio e TV e para a distribuição do Fundo Eleitoral e Fundo Partidário, assim como a distribuição de recursos aos candidatos negros deve ser proporcional a sua representatividade.

Contudo, é preciso que exista mais controle sobre a declaração de raça junto ao TSE, uma vez que os partidos podem burlar ou utilizar “candidaturas laranjas” para obter vantagens.

Fonte: Vermelho, com informações de G1 e Agência Câmara.

Saiba o que é ‘deepfake’, nova técnica para espalhar mentiras nas eleições - Escrito por: Redação CUT | Editado por: Marize Muniz

Inteligência artificial e equipamentos sofisticados são utilizado para distorcer falas e sons de vídeos, como por exemplo, colocar Renta Vasconcelos em vídeo dizendo que Bolsonaro está à frente das pesquisas.

Os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) estão usando a inteligência artificial para espalhar mentiras, as chamadas fake news, nas redes sociais e confundir a cabeça dos eleitores nas eleições deste ano.

Na semana passada eles espalharam deepfake em grupos de WhattsApp e Telegram usando a imagem da jornalista Renata Vasconcelos, apresentadora do Jornal Nacional, da Rede Globo, para tentar dar credibilidade a mentira de que Bolsonaro estaria a frente nas pesquisas de intenções de voto que são lideradas pelo ex-presidente Lula (PT), segundo todas os institutos de pesquisas do Brasil.

No vídeo, a jornalista parece afirmando que a pesquisa Ipec apontava a liderança de Bolsonaro nas intenções de voto ao Planalto, ultrapassando Lula. Na verdade, o levantamento também mostra Lula com larga vantagem, com tem 44% das intenções de voto, contra 41% de todos os  adversários domados, o que significa que pode vencer no 1º turno. É isso que mostram todas as demais pesquisas, entre elas a da Datafolha, Genial/Quaest, e a nova rodada da FSB divulgada nesta segunda-feira (22) entre outros levantamentos.  

O que é deep fake

De acordo com o site Tecmundo, deepfake é uma técnica que utiliza recursos de inteligência artificial para substituir rostos em vídeos e imagens, imitando a voz e distorcendo o conteúdo das falas originais.

O termo é uma mistura das expressões deep learning e fake e significa o emprego da IA para criar uma situação falsa. Segundo o site, usa-se uma subclassificação de IA para definir algoritmos de podem reconhecer padrões com base em um banco de dados.

Não compartilhe

A fundadora da Agência Lupa, especializada em checar a veracidade de conteúdos que circulam na internet, Cristina Tardáguila, orienta a quem receber a: 1) “não compartilhar; 2) denunciar junto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) (Clique aqui para acessar o sistema de alerta do tribunal).

A Rede Globo, que encomendou a pesquisa original e viu seu principal telejornal ser adulterado, afirmou em nota que notificou o Ipec e fez a denúncia junto ao Sistema de Alerta de Desinformação Contra as Eleições do TSE e também ao Ministério Público Eleitoral (MPE).

Fonte: CUT NACIONAL


Concerto Bicentenário reúne pianista Álvaro Siviero e Orquestra Sinfônica do RN

Foto: Jefferson Pancieri/Divulgação

Tendo como tema a independência do Brasil, o pianista Álvaro Siviero promove o "Concerto Bicentenário", no próximo dia 24 (quarta-feira), às 20h, no Teatro Riachuelo Natal, com o patrocínio do Instituto Riachuelo e parceria da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte – OSRN, sob a batuta do maestro Linus Lerner.

O programa conta com obras de D. Pedro I, incluindo a abertura de O Guarani, ópera escrita por Carlos Gomes, além do célebre Concerto nº 5 para piano e orquestra "Imperador", escrito por Ludwig van Beethoven. "A ópera O Guarani, escrita simultaneamente ao 'O Guarani', de José de Alencar", deu projeção internacional a Carlos Gomes, referenciando a cultura indígena", comenta o Maestro Linus Lerner.

"Esta apresentação será, sem dúvida, uma oportunidade para os potiguares conhecerem um pouco dos dotes musicais de D. Pedro I", comenta o pianista Álvaro Siviero. "Já sobre o Concerto de Beethoven, poucos também sabem que ele foi dedicado ao arquiduque Rudolf, tio da Imperatriz Leopoldina. Será uma noite de resgate musical da história do povo brasileiro", conclui o pianista.

Sobre Álvaro Siviero

Álvaro Siviero, pianista com sólida carreira internacional, acumula passagens por países como Alemanha, Portugal, Itália, Estados Unidos, República Tcheca, Emirados Árabes, Áustria, Polônia, França, Inglaterra, Suíça, Argentina, Chile, África do Sul, Ilhas Maurício, Ilhas Reunião, Holanda, Espanha, Uruguay e Peru, apresentando-se em turnês com a London Festival Orchestra, Budapest Chamber Orchestra, Russian, Virtuosi of Europe, The City of Prague Philharmonic Orchestra, Orquestra Académica de Madrid, Polska Filharmonia Baltycka, Sinfonia Rotterdam, Wiener Kammersymphonie, Cape Town Philharmonic Orchestra, Salzburg Chamber Soloists e I Musici de Montreal, além de ser solista convidado de diversas orquestras brasileiras.

Foi o primeiro e único brasileiro a participar do curso de imersão na obra de Beethoven, na Casa Orfeo-Fondazione Wilhelm Kempff, em Positano. Em 2007, realizou recital particular ao Papa Bento XVI, em Aparecida, São Paulo, quando da visita do Romano Pontífice ao Brasil. Em 2009, foi o artista que representou o país no histórico Encontro Mundial de Artistas, celebrado na Capela Sistina, em Roma.

Já em 2011, em Maiorca (Espanha), realizou o recital oficial de reabertura do verdadeiro local onde Chopin residiu na Cartoixa de Valldemossa. Especializado em multiculturalidade pelo Lesley College (Cambridge), graduado em Física pela Universidade de São Paulo e autor de blog sobre música clássica no jornal O Estado de São Paulo, Siviero recebeu a Comenda da Ordem do Mérito Cultural Carlos Gomes como reconhecimento por sua incansável dedicação à cultura e pelos serviços culturais prestados.

Maestro Linus Lerner

A Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte colabora para a realização deste evento, e retorna ao palco do Teatro Riachuelo para um concerto histórico. Serão mais de 60 músicos em cena sob a regência do Maestro Linus Lerner. Ele, que é conhecido e elogiado pelo carisma e energia apaixonada em suas performances, inspirando artistas e conduzindo o público. Finalizou seu Doutorado em Música e Regência Orquestral da Universidade do Arizona, Mestrados em Música: Regência Orquestral da Universidade Estadual da Flórida e Vocal Performance do Conservatório de Música da Universidade de Cincinnati, é bacharel de Música em direção coral da Universidade Federal do Rio Grande do Sul no Brasil.

Algumas das recentes performances do Maestro Lerner incluem: Berliner Camerata e Orquestra Filarmônica de Leipzig (Alemanha); Ópera de Plovdiv, Orquestra Sinfônica de Sliven, Orquestra Sinfônica de Vidin e Soa Sinfonietta (Bulgária); Orquestra do Conservatório Mussorvksy (Rússia); Orquestra Sinfônica Nacional do Panamá (Panamá); Orquestra da Paz da Coreia (Coreia do Sul); Orquestra do Festival de Música de Fondi e Orquestra Sinfônica de Arezzo (Itália); Orquestra Sinfônica da Antalya (Turquia); Orquestra Sinfônica de Tsingtao, Orquestra Sinfônica de Hunan, Orquestra Sinfônica de Fuzhou e Orquestra Nacional de Cinema e Rádio (China); Orquestra Sinfônica Las Colinas, Orquestra do Festival do Texas e Orquestra Sinfônica do Brooklyn (EUA); Orquestra Filarmônica de Acapulco, Orquestra do Festival da Ópera de San Luis e Orquestra Sinfônica de Michoacán (México); Orquestra do Congresso Nacional (Paraguai); Estúdio da Ópera da Universidade de Pernambuco, Orquestra Sinfônica de Gramado, Orquestra Sinfônica da Universidade de Caxias do Sul e Orquestra Sinfônica de Theatro da Paz (Brasil).

É atualmente diretor artístico e maestro da SASO: Southern Arizona Symphony Orquestra (EUA); OSRN: Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte (Brasil); Festival Internacional de Música "Gramado in Concert" (Brasil); e Festival da Ópera Sín Limites e Competição Internacional de Voz Linus Lerner (México) e atua como condutor do Round Top Festival Hill (EUA).

O Concerto Bicentenário conta com o patrocínio do Instituto Riachuelo numa produção Artesalis Arte e Cultura, com apoio da Rastreauto, Teatro Riachuelo Natal, Mapa Realizações Culturais e Opus Entretenimento.

Ingressos

Os ingressos têm valores de R$ 60 a R$ 80 (inteira). Vendas na bilheteria do Teatro Riachuelo Natal e através do uhuu.com.

Serviço:

CONCERTO BICENTENÁRIO COM ALVARO SIVIERO & OSRN

Quando: 24 de agosto (quarta)

Onde: Teatro Riachuelo Natal

Horário: 20h

Ingressos: A partir de R$ 30

Vendas: Uhuu.com e Bilheteria do Teatro Riachuelo

Fonte: POTIGUAR CULTURA

domingo, 21 de agosto de 2022

SAIBA COMO ASSINAR; "SÓ A VOZ DO POVO MUDARÁ O BRASIL" | Cortes 247


Fonte: http://blogdeumsem-mdia.blogspot.com

Natal tem terceira pior desigualdade de renda no país; herança da base escravocrata, diz economista

  

A Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Norte (DPE/RN) realiza nesta segunda-feira (22) um mutirão para a retificação de registros civis de indígenas. A ação irá permitir a inclusão das informações de origem e etnia no documento e será realizada a partir das 9h, na comunidade Amarelão, zona rural de João Câmara.

A comunidade do Amarelão possui aproximadamente 300 famílias, totalizando 1.100 pessoas, em sua maioria de origem indígena "Mendonça". Durante a ação, defensores e defensoras irão ofertar orientação jurídica para aqueles que desejarem incluir em seu registro civil as informações sobre sua origem e etnia, sendo esta última lançada na condição de sobrenome.

A retificação do registro civil nesses casos é regulamentada por uma Resolução Conjunta Nº 03/2012 - CNJ/CNMP. De acordo com o documento, o indígena já registrado no Serviço de Registro Civil das Pessoas Naturais poderá solicitar, na forma do art. 57 da Lei Nº 6.015/73, pela via judicial, a retificação do seu assento de nascimento, pessoalmente ou por representante legal, para inclusão das informações constantes do art. 2º, "caput" e § 1º.

Fonte: POTIGUAR NOTÍCIAS

Atriz Claudia Jimenez morre aos 63 anos - "LAMENTÁVEL" - CPC-RN

 

Claudia Jimenez . descanse em paz! - CPC-RN

Em 1986, a humorista descobriu um câncer no mediastino, atrás do coração, que a obrigou a fazer sessões de radioterapia. Apesar de curada, o tratamento pode ter afetado os seus tecidos cardíacos, o que obrigou Claudia a fazer pelo menos três cirurgias nos anos seguintes: a primeira em 1999, para colocar cinco pontes de safena; em 2012, para substituir a válvula aórtica por uma sintética; e a última, em 2014, para botar um marca-passo.

A estreia da carreira artística de Claudia Jimenez começou em 1978, na peça “Opera do Malandro”, de Chico Buarque, em que viveu a prostituta Mimi Bibelô. Nos anos 1980, foi levada para a TV Globo, onde trabalhou ao lado de grandes nomes como Jô Soares (na abertura do programa “Viva o Gordo”) e Chico Anysio, em papéis como Pureza, em “Chico City” e Dona Cacilda na “Escolinha do Professor Raimundo”, e de Edileuza.

Em 1996, Claudia deu vida a mais uma personagem que entrou para a história da televisão: a doméstica Edileuza, de “Sai de Baixo”, ao lado de Miguel Falabella.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

sábado, 20 de agosto de 2022

Maioria dos senadores candidatos votou contra interesses dos trabalhadores - Escrito por: Marize Muniz | Editado por: Rosely Rocha

Em fim de mandato, Soraya Thronicke e Simone Tebet, candidatas à presidência votaram 100% e 83,33% contra as pautas. Alexandre Silveira e Temário Mota, que querem voltar para o Senado, votaram 100% contra.

Apesar de ter 27 cadeiras em disputa, apenas 12 dos atuais senadores que estão no fim dos mandatos iniciados em 2015 vão disputar a reeleição para o Senado Federal, o que significa que o índice de renovação será alto. Oito não vão disputar nenhum cargo na eleição deste ano, dois vão disputar a presidência da República, uma a vice, um a governador, uma a vice e os demais tentam uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Este é o momento de o eleitor analisar como cada um desses senadores, em fim de mandato, votaram nas pautas de interesse da classe trabalhadora, alerta a CUT, que orienta: não vote em quem retira direitos da classe trabalhadora.

A reforma da Previdência, que tirou de milhões de trabalhadores e trabalhadoras o direito de um dia se aposentar, é uma das propostas aprovadas pela maioria desses senadores candidatos a algum cargo nas eleições deste ano. Dos 81 senadores, 56 votaram a favor das novas regras que obrigarão alguns a trabalharem até morrer.

Confira aqui como cada um votou para dar maioria e aprovar a reforma da Previdência, elaborada pelo governo de Jair Bolsonaro (PL), em 2019. 

O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) facilitou a análise do eleitor. Para saber quem está contra ou ao lado do trabalhador, basta acessar a plataforma digital do DIAP “Quem foi Quem no Congresso Nacional”.

Vale lembrar que, na maioria das vezes, todos os senadores candidatos à reeleição no Senado ou que buscam ocupar outros cargos votaram contra o trabalhador. 

Confira abaixo como votaram os senadores e senadoras que são candidatos

Candidatas à Presidência da República

- Soraya Thronicke (União Brasil-MS): votou 100% contra os projetos de interesse da classe trabalhadora. Uma das propostas que a senadora votou contra o trabalhador foi a reforma da Previdência.

- Simone Tebet (MDB-MS): votou 83,33% contra os projetos de interesse dos trabalhadores e apenas 16,67% a favor. Também aprovou a reforma da Previdência.

- Mara Gabrilli (PSDB-SP): candidata a vice na chapa de Simone Tebet, votou 50% contra, inclusive congtra o direito à aposentadoria, e 50% a favor.

Os demais presidenciáveis não ocupam cargos de senadores.

Candidatos ao governo estadual

- Fernando Collor de Melo (PTB-AL): votou 66,67% contra os trabalhadores e 33,33% a favor.

Os demais candidatos a governos estaduais não são senadores.

Senadores candidatos à reeleição no Congresso

- Alexandre Silveira (PSD-MG): votou 100% contra as pautas de interesse da classe trabalhadora.

- Telmário Mota (Pros-RR): votou 100% contra.

- Wellington Fagundes (PL-MT): votou 100% contra os trabalhadores.

- Kátia Abreu (PP-TO): votou 83,33% contra os trabalhadores e 16,67% a favor.

- Romário (PL-RJ): votou 83,33% contra e 16,67% a favor.

- Omar Aziz (PSD-AM): votou 83,33% contra e 1667% a favor    

- Roberto Rocha (PTB-MA): votou 80% contra as pautas de interesse dos trabalhadores e 20% a favor.

- Rose de Freitas (MDB-ES): votou 80% contra e 20% a favor dos trabalhadores.

- Davi Alcolumbre (União Brasil-AP): votou 75% contra e 25% a favor

- Otto Alencar (PSD-BA): votou 66,67% contra e 33,33% a favor.

- Dário Berger (PSB-SC): votou 66,67% contra e apenas 33,33% a favor

- Álvaro Dias (Podemos-PR): votou 50% contra e 50% a favor.

Senadores candidatos a uma vaga na Câmara dos Deputados

- Elmano Férrer (PP-PI): votou 100% contra as pautas de interesse de trabalhadores e trabalhadoras.  

- Lasier Martins (Podemos-RS): votou 83,33% contra e 16,67% a favor.

- José Serra (PSDB-SP): votou 80% contra e 20% a favor.

Senadores que não concorrem nas eleições deste ano, mas continuam no cargo até 2026      

- Paulo Paim (PT-RS)

- Paulo Rocha (PT-PA)

- Tasso Jereissati (PSDB-CE

- Reguffe (União Brasil-DF)

- Nilda Gondim (MDB-PB)

- Acir Gurgacz (PDT-RO)

- Maria do Carmo Alves (PP-SE)

- Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE)

- Luiz Carlos do Carmo (PSC-GO)

Fonte> CUT NACIONAL


Natal tem terceira pior desigualdade de renda no país; herança da base escravocrata, diz economista - Por: Layssa Beatriz e Renato Moraes

 Foto: Canindé Soares

A Região Metropolitana (RM) de Natal registrou aumento de renda per capita nos últimos 7 anos, saindo de R$ 1.335 em 2014 para R$ 1.609 em 2021. No entanto, é a RM que registra a terceira maior desigualdade de renda entre 22 regiões pesquisadas, o que significa uma distância cada vez maior entre ricos e pobres.

Os dados fazem parte da 9a edição do Boletim Desigualdades nas Metrópoles (2012-2021).  O estudo foi produzido pelo Observatório das Metrópoles, da PUC-RS, em parceria com a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL).

Cassiano Trovão, doutor e mestre em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp na área de Economia Social e do Trabalho, professor do Departamento de Economia e do Programa de Pós-graduação em Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), diz que o problema é estrutural. “O mercado de trabalho no Rio Grande do Norte é bastante heterogêneo e isso em parte é reflexo de uma estrutura produtiva muito concentrada”, explica. 

“Então você tem, por exemplo, a administração pública muito forte e isso ajuda a elevar a média”, diz Cassiano e acrescenta: “Como isso está concentrado em poucas pessoas, acaba refletindo numa maior desigualdade”.

Para ele, as causas estão associadas à desestruturação do emprego e das raízes históricas da sociedade. “Nosso mercado de trabalho, que é um mercado de trabalho altamente heterogêneo, de baixa remuneração, com elevado nível de informalidade e com elevado nível de desigualdade entre, por exemplo, mulheres e homens, negros e brancos”, explica.

Trata-se de um problema que vem da constituição do Brasil como nação. “A gente é um país que foi fundado sobre a base escravocrata. Então a gente tem algumas heranças que perpetuam e que corroboram essa estrutura desigual do ponto de vista dos rendimentos de trabalho”, diz.

Método de coleta tem base na PNAD

Sobre a distribuição de renda, o estudo toma como método o Coeficiente de Gini, que mede o grau de distribuição de rendimentos entre os indivíduos de uma população, que varia entre zero e um. O valor zero representa a situação de completa igualdade, em que todos teriam a mesma renda, e o valor um representa uma situação de completa desigualdade, em que uma só pessoa deteria toda a renda.

Com base nesse coeficiente, Natal, com índice 0,588, tem a terceira pior distribuição de renda entre regiões metropolitanas, perdendo apenas para Aracaju (0,605) e João Pessoa (0,589). No outro extremo, as metrópoles com menores coeficientes de Gini (menos desigualdade), em ordem decrescente, foram Porto Alegre (0,491), Curitiba (0,488), Vale do Rio Cuiabá (0,485), Florianópolis (0,484) e Teresina (0,479).

Cassiano Trovão faz uma observação sobre os indicadores registrados pelo Boletim Desigualdades nas Metrópoles. “Quando a gente olha para esses indicadores de Gini, principalmente aqueles captados pela PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), estamos falando de uma renda que é, basicamente, a renda do trabalho e a renda da Seguridade Social, que inclui previdência e programas de transferência de renda, como BPC (Benefício de Previdência Continuada do INSS), Bolsa Família, etc”.

No entanto, adverte o economista, a PNAD não capta, por exemplo, a renda do capital de juros, o rendimento de dividendos de lucros. Ou seja, trata-se de um estudo que não é voltado para essa parcela (dos mais ricos) onde a renda é concentrada. Tampouco, consegue abranger o outro extremo, onde estão incluídos os mais pobres e quem está fora do mercado de trabalho.

Além disso, observa Cassiano, “num cenário de desemprego elevado, isso traz uma questão relevante do ponto de vista da desigualdade, porque essas pessoas nem renda têm para ser calculada no índice de Gini. Elas nem fazem parte da estatística de rendimento”.  Ele ressalva outro tipo de desigualdade. “Tem uma desigualdade que é explicada pela renda do trabalho, por exemplo, de aposentadorias de valor muito elevado”, complementa.

Nesse cenário, há mais dados em jogo, avalia. “Se a gente for expandir a ideia de desigualdade de renda, a gente teria que olhar, por exemplo, para dados como a tributação, que no Brasil é altamente regressiva, porque penaliza os mais pobres, uma vez que incidem de forma indireta. Então quem come arroz, seja rico ou pobre, paga a mesma quantidade de imposto e isso traz prejuízos, especialmente, para os mais pobres”.

Segundo Trovão, é preciso citar, ainda, a tributação sobre algumas formas de rendimento, como por exemplo, lucros e dividendos, que é praticamente inexistente no país. “Você tem que falar sobre desigualdade associada à riqueza. Então, a tributação sobre propriedade, ela também é desigual no país. Os ricos conseguem manter seu patrimônio sob formas que pagam muito menos impostos do que os mais pobres, que às vezes nem têm propriedade. Então, esse tipo de desigualdade também é relevante para escapar um pouquinho dessa história só da renda”, critica.

Pandemia e pobreza

Os dois últimos anos da pandemia podem ter contribuído para esse cenário, o que foi observado em nível mundial. Os 10 homens mais ricos do mundo mais que dobraram suas fortunas, de US$ 700 bilhões para US$ 1,5 trilhão – a uma taxa de US$ 15 mil por segundo, ou US$ 1,3 bilhão por dia – durante os dois primeiros anos da pandemia de Covid-19. Por outro lado, a renda de 99% da humanidade caiu e mais de 160 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza, apontou relatório da Oxfam, A Desigualdade Mata, lançado em janeiro de 2022.

Não fosse a intervenção do Estado, a situação seria ainda pior, avalia Cassiano. “O auxílio emergencial, ele contribuiu para reduzir a desigualdade, tem vários estudos mostrando isso, mas você imagina se não tivesse aquele programa emergencial, o que teria acontecido sob o ponto de vista da pobreza e da desigualdade? A gente teria um cenário catastrófico”, diz o economista.

Para efeitos da pesquisa, é considerado pobre aquele que não possui o mínimo necessário para participar adequadamente da vida em sociedade.  Em valores de 2021, conforme o estudo, a linha de pobreza é de aproximadamente R$ 465 e a linha de extrema pobreza é de aproximadamente R$ 160. Ou seja, moradores de domicílios cuja renda per capita se encontra abaixo de tais valores serão classificados como pobres e/ou extremamente pobres.

Ao longo do período de 7 anos, o percentual da população em situação de pobreza aumentou em todas as Regiões Metropolitanas, ultrapassando um terço da população em 2021. No Nordeste, a exceção foram as RM’s de Natal e Fortaleza.  Natal saiu de 1.335 reais em 2014, para 1.609 em 2021.

As Regiões Metropolitanas em que a taxa de pessoas em situação de pobreza foi mais alta, em ordem crescente, nas regiões de Macapá (38,3%), João Pessoa (39,2%), Recife (39,7%), Grande São Luís (40,1%) e Manaus (41,8%). Já as Regiões Metropolitanas em que se registraram as menores taxas de pobreza foram São Paulo (17,8%), Distrito Federal (15,1%), Curitiba (13,1%), Porto Alegre (11,4%) e Florianópolis (9,9%).

Em 2021, as Regiões Metropolitanas com menor rendimento, em ordem crescente, foram Grande São Luís (R$ 938), Manaus (R$ 967), Macapá (R$974), Teresina (R$1.001) e Maceió (R$ 1.042). Já as Regiões Metropolitanas com maiores rendimentos, em ordem crescente, foram Rio de Janeiro (R$1.863), Porto Alegre (R$1.947), São Paulo (R$2.053), Florianópolis (R$2.282) e o Distrito Federal (R$ 2.476).

O estudo abrangeu 22 regiões metropolitanas: Manaus, Belém, Macapá, Grande São Luís, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju, Salvador, Belo Horizonte, Grande Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Vale do Rio Cuiabá e Goiânia, além do Distrito Federal e da Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento da Grande Teresina.

Segundo Trovão, esse cenário reflete características estruturais de distribuição de renda de países que estão em situação de subdesenvolvimento, os chamados países periféricos.

Ele não vê perspectiva de mudança nesse quadro. “Eu não vejo uma diretriz nacional preocupada em melhorar as condições do mercado de trabalho, em retomar políticas de valorização do rendimento da base do mercado de trabalho em âmbito nacional, eu não vejo nenhuma perspectiva de alteração desse cenário”, reforça.

Fonte: Potiguar Notícias

ONTEM (19) TAMBÉM FOI O DIA DO HISTORIADOR!

Em 2009, o presidente da república em exercício, José Alencar, sancionaria a lei que instituiu o Dia do Historiador. A data, 19 de agosto, foi escolhida para homenagear o nascimento de Joaquim Nabuco (1849-1910). Filho do senador Nabuco de Araújo, proveniente de uma família tradicional de Pernambuco, Nabuco encarnava o modelo de homem admirado e invejado na época. Mesmo sem possuir fortuna, o diplomata, político e homem de letras tinha uma formação intelectual sólida, boas maneiras, beleza e estava sempre elegante, em harmonia com as modas que dominavam os salões mais refinados.

Nabuco afirmou: “A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil”. Infelizmente, ele estava certo. Essa frase tem sido bastante lembrada até os dias de hoje quando se discutem questões centrais da nossa sociedade, como racismo, trabalho doméstico, cotas, segurança pública. Amigo de D. Pedro II, Nabuco ficou conhecido pela atuação na campanha abolicionista e seus belos discursos na Câmara dos Deputados. Mas, não apenas por isso. O Correio do Povo, na ocasião de sua morte, informava que ele era considerado “o moço mais belo do Rio de Janeiro, no período de 1864 a1880, constituindo-se um verdadeiro árbitro da elegância e encantando as mulheres com seus dotes excepcionais da sua formosura física e com o deslumbrante prestígio de seu valor intelectual. A sua entrada num teatro ou salão de baile produzia sensação entre as damas, que todas elas o admiravam e muitas delas o amavam…”.

Passou os primeiros anos de vida, entre os canaviais que faziam a riqueza de Pernambuco e os cativos que ali trabalhavam. Desde cedo aprendeu a detestar a escravidão. Era conhecido como “o iôiô que não castigava escravos”.  Entre 1858 e 1870, estudou nas melhores escolas, inclusive o Colégio Pedro II, preparando-se para ir para São Paulo. Queria estudar Direito, nas Arcadas. Datam desta época os primeiros escritos contra a escravidão e sua ligação com o jovem poeta baiano, Castro Alves, autor do célebre poema “Navio Negreiro”. Ali, também conheceu Rui Barbosa e os futuros presidentes Rodrigues Alves e Afonso Pena.

Joaquim Nabuco voltou ao Recife para terminar os estudos e escandalizou a Província ao defender, no tribunal de Olinda, um escravo duplamente homicida: o negro Tomás. O processo fez história, pois Nabuco não mediu palavras: o responsável pelo crime? A violência da própria escravidão! Recife reagia chocada. O ambiente conservador e rígido da cidade, iria transformá-lo num radical.

Um caso amoroso com certa senhora casado foi o estopim para o início da carreira diplomática. Em 1876, seguiu para Washington como adido diplomático. Mas não se adaptou ao jeito americano de viver. De lá, foi para Londres, trabalhar no escritório da legação diplomática brasileira. Nabuco tinha admiração pelas instituições políticas inglesas e a cultura francesa. Em 1878, faleceu seu pai, o famoso senador Nabuco de Araújo e ele voltou ao Brasil. Tinha início a sua carreira política.

Foi eleito em 1878, derrotado em 1881 e reeleito em 1884. A plataforma eleitoral se chocava com os interesses dos senhores de escravos. Sua bandeira: “guerra à escravidão”. A ela se somavam outras ideias como liberdade religiosa e liberalismo. Ligou-se ao abolicionista André Rebouças e junto com outros intelectuais fundou O Abolicionista, folha mensal para a qual colaborava. No meio tempo, voltou à Londres, de onde escreveu um livro-propaganda, O Abolicionismo, onde denunciava as mazelas do sistema. Em 1886, com a volta dos conservadores ao poder, Nabuco não conseguiu se eleger. Afastou-se, então, da vida política e passou a colaborar com o Jornal do Comércio, a convite de Quintino Bocayuva.

Em 1887, ele foi a Roma. Em visita ao Papa Leão XIII, pediu apoio para a causa abolicionista. Nabuco sabia das ligações da princesa Isabel com o papado e achou que esta seria uma boa forma de pressionar a família imperial.  Resposta de Leão XIII: “O que lhe toca, toca também ao coração da Igreja”. De volta ao Brasil, Nabuco ajudou ao chefe do gabinete conservador, João Alfredo de Oliveira, apressar a Abolição.

Em 1889, Joaquim Nabuco casou-se. Afastado da vida política, pode dedicar-se à doméstica. Tinha uma enorme nostalgia dos tempos do Império. A República, frustrou a muitos liberais e ele foi um dos decepcionados. Recusava-se a participar do novo regime político até que foi convidado a defender o Brasil numa disputa diplomática com a Inglaterra. O tema? As fronteiras das Guianas. Embora tenha perdido a questão, se tornou o chefe da legação brasileira em Londres (1900-1905) e depois o primeiro embaixador brasileiro nos EUA (1905-1910). Ali, abraçou e defendeu a causa do “pan-americanismo” – a integração entre as Américas, visando à aliança mais estreita entre Brasil e EUA. Em 1909, registrou: “Não fui feito para velho”.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

LEMBRA? ONTEM DIA 19 FOI O DIA DO ATOR DE TEATRO!

O teatro é uma arte em que um ator, ou conjunto de atores, interpreta uma história ou atividades, com auxílio de dramaturgos, diretores e técnicos, que têm como objetivo apresentar uma situação e despertar sentimentos no público. E é o artista de teatro que tem o papel de fazer com que a platéia alem de se divertir, consiga refletir sobre a peça da melhor maneira possível.

O Ator de Teatro talvez se difere do ator de cinema/televisão pela sua individualidade, afinal, cada ser humano é único. Talvez se sinta amargurado pelo reconhecimento que demora um pouco mais a chegar, principalmente quando estamos falando de atores que atuam no interior, onde nem sempre há a cultura e o hábito de assistir espetáculos teatrais. Mas isso não o torna menor. Torna-o mais especial. O Ator de Teatro sente o calor da plateia, que muitas vezes, é o simples reflexo do próprio calor da sua emoção. A mensagem é passada olho no olho e o retorno positivo ele pode medir pelos aplausos.

A vida de um Ator de Teatro não é fácil, a batalha é grande, onde cada sentido do corpo, alma e coração devem estar sempre preparados para o momento em que as cortinas se abrem e um platéia aguarda o espetáculo que chega para mostrar a vida sob uma nova perspectiva. E no final, quando as luzes se acenderem novamente e os aplausos enfim, cessarem, o Ator de Teatro, sabe que valeu a pena.

O Ator de Teatro faz muito mais do que representar. Ele se entrega. Dá a sua alma em troca da emoção de missão cumprida.

Fonte: Brasil Cultura

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Cristiane Dantas lamenta aumento de feminicídio e defende mais proteção à mulher

O aumento no RN dos casos de feminicídio no primeiro semestre deste ano em relação a 2021 foi o destaque no pronunciamento da deputada Cristiane Dantas (SDD). Durante a sessão plenária desta quinta-feira (18), a parlamentar afirmou que o Agosto Lilás é importante para se intensificar a pauta de combate e proteção à violência contra a mulher. O Agosto Lilás no RN foi efetivado através de lei do mandato da parlamentar, que é autora de 22 leis tratando desta temática.

“Ontem estive em Goianinha, participando do Agosto Lilás e já estivemos em vários eventos e palestras em comemoração aos 16 anos da Lei Maria da Penha, mas infelizmente no RN houve um aumento de 8 para 10 casos comparando com o primeiro semestre do ano passado, por isso que é tão importante tratarmos incansavelmente desta pauta”, reforçou a deputada.

A parlamentar afirmou que é preciso que a sociedade esteja atenta e as mulheres que sofrem a violência procurem ajuda e façam a denúncia. Sobre as leis apresentadas pelo seu mandato, a deputada afirmou: “São leis que vêm colaborando na parte da educação, como é o caso da Maria da Penha na Escola, que educa os adolescentes”, acrescentou Cristiane.

Outro avanço foi a lei que obriga os síndicos a denunciarem os casos de violência nos condomínios. “Nas Câmaras Municipais, Associações e em todos os locais aonde essa temática está sendo discutida, fortalece a participação de  todos em relação à mulher. E é importante que os estabelecimentos também estejam preparados para socorrer toda mulher que surja com um ‘xis’ na mão, para que a ajudem a sair da situação”, reforçou a deputada, em relação ao sinal vermelho em forma da letra ‘xis’ que simboliza um pedido de socorro.

Fonte: Assembleia Legislativo do RN

Novo relatório: Violência contra povos Indígenas - Por Jorge Oliveira

 

Na última quarta-feira (17) o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) lançou a mais recente edição de seu relatório “Violência contra os Povos Indígenas no Brasil”, que é publicado todos os anos e compila dados sobre violações aos direitos dos povos originários de nosso país. Desta vez, o documento trouxe dados de 2021 e revela o que quem acompanha o assunto verifica na prática: o terceiro ano do governo de Jair Bolsonaro representou o agravamento de um cenário que já era muito difícil e violento para os indígenas brasileiros. 

O relatório registrou aumento em 15 dos 19 tipos de violência mapeados pelos técnicos do CIMI. Foram registrados 176 assassinatos de indígenas em 2021 – apenas seis a menos que em 2020, o ano com o maior número de registros deste tipo de crime. Entre 2015 e 2019, a média era de 123 indígenas assassinados por ano. Em 2021 registrou-se também o maior número de suicídios indígenas dos últimos oito anos, com 148 ocorrências.

Fonte: Por Jorge Eduardo Dantas - Greenpeace Brasil 

Adaptado pelo Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN

Bolsonaro não cresceu nada entre os mais pobres com o auxílio | Lula pod...


Fonte: https://blogdeumsem-mdia.blogspot.com

Cientistas da UFRN criam produto para prevenir infecções e aumentar produção de leite

 Foto: Cícero Oliveira - Agecom/UFRN

Um grupo de inventores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) criou uma inovação na área veterinária e farmacêutica: um produto para ser usado na pós-ordenha, capaz de prevenir infecções mamárias em caprinos e bovinos, como a mastite.

Segundo a UFRN, denominado Antisséptico à base de extrato pirolenhoso de eucalipto para uso na pós-ordenha de animais leiteiros, a solução tem componentes naturais, renováveis e que não agridem o ambiente nas fases de produção e utilização. Coordenador do grupo que envolve dez pesquisadores, Alexandre Santos Pimenta explica que a tecnologia tem como princípio ativo o extrato pirolenhoso (EP), um coproduto líquido da produção industrial do carvão vegetal com efeito antibiótico comprovado cientificamente.

“A partir da comprovação dos efeitos bioativos do EP, foram desenvolvidas diferentes formulações, testadas em ensaios microbiológicos contra bactérias causadoras da mastite, primeiro in vitro e depois in vivo, com aplicação tópica das formulações diluídas nos tetos de caprinos e bovinos leiteiros. Os resultados da pesquisa, com processo de produção e produtos patenteados, vem de uma parceria formada há quatro anos. Os resultados de laboratório e de campo comprovaram o efeito antibiótico do produto, apresentando a mesma eficácia em comparação com produto convencional de referência. Além disso, não ocorreu alteração na qualidade do leite, sequer alteração no metabolismo das células dos tetos dos animais, tampouco efeito tóxico às células dos animais”, frisa.

Lenha do eucalipto é a matéria-prima inicial de todo o processo

A mastite é um processo inflamatório da glândula mamária nos animais leiteiros provocada por bactérias patogênicas. Esses micróbios costumam atuar no período da pós-ordenha, momento em que os canais dos tetos dos animais estão abertos e se constituem em porta de entrada para os chamados microrganismos patogênicos, tais como Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli. A inflamação pode provocar sérias perdas na produção dependendo de seu alcance.

Um dos caminhos para inibir a ocorrência de mastites é o uso justamente de antissépticos, como o desenvolvido de forma inédita pelos cientistas da UFRN e da UFERSA. Essas substâncias podem provocar a redução do número de bactérias na pele dos tetos em mais de 90% depois da ordenha. Contudo, de uma forma geral, os microrganismos causadores da mastite vêm adquirindo resistência aos produtos antibióticos usados para o controle da doença, seja pelas limitações de cada antisséptico ou o uso inadequado ou em baixas concentrações de químicos antimicrobianos. Uma outra explicação é a capacidade desses micróbios de formar colônias bacterianas denominadas biofilmes, um tipo de agrupamento com estrutura que confere proteção às condições adversas. De todo modo, a situação leva a uma seleção natural de cepas resistentes, contexto que indica a relevância de utilização de novos produtos para limpeza pós-ordenha.

A invenção

Professor da Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ), Alexandre Pimenta identifica que a invenção desse novo produto, cujo depósito de pedido de patente ocorreu no último mês de junho, refere-se a um processo de produção e purificação de extrato pirolenhoso (EP) em grau farmacêutico, concentração do produto para redução do teor de água e seu posterior uso após diluição em água. O processo parte da carbonização da lenha, passando pela produção dos líquidos pirolenhosos brutos e posterior refino e ultrainfiltração desses líquidos para obtenção do EP grau farmacêutico.

Ele contextualiza que um ponto importante na caminhada aconteceu a partir de uma publicação de 2020, fruto da dissertação de Waleska Nayane Costa Soares, na qual foi feito um trabalho exploratório com extratos pirolenhosos de duas espécies florestais, a jurema-preta e o eucalipto. Nessa pesquisa, os pesquisadores viram a necessidade de ser formulado um produto antisséptico a partir de extratos pirolenhosos e não somente utilizar esses extratos em seu formato original, porque sozinho o extrato não era efetivo. Este segundo passo acontece nos dois anos seguintes.

“Apesar da conexão, no presente pedido de patente, as reivindicações se referem a uma formulação concentrada e aditivada com alguns componentes, além da adição de emulsificantes, ou seja, um produto em que o extrato pirolenhoso foi primeiramente processado e purificado em grau farmacêutico e testado para comprovar a ausência de uma série de contaminantes que o habilitassem a receber esse grau de pureza. A seguir, o EP grau farmacêutico passou por um processo de concentração por evaporação e depois uma aditivação com dois outros componentes. Trata-se, portanto, de uma formulação inteiramente nova. Disso resultou o antisséptico, produto natural derivado de lenha de reflorestamento do eucalipto clonal, viável tecnicamente, um produto com baixo custo de produção e utilização, cujo processo de obtenção não é agressivo ao meio ambiente em nenhuma das suas etapas”, explica o docente do curso de Engenharia Florestal.

O estudo utilizou as instalações do Laboratório de Tecnologia da MaDeira e Energia da Biomassa Florestal, da UFRN, e do Laboratório de Microbiologia Veterinária e Biotecnologia Animal, da UFERSA, e tem uma lista de extensa de participantes: Francisco Marlon Carneiro Feijó, Nilza Dutra Alves, Caio Sergio dos Santos, Tatiane Kelly Barbosa de Azevêdo, Alexsandra Fernandes Pereira, Gil Sander Prospero Gama, Bismarck Alves da Silva e Gabriel Siqueira Andrade, além de Alexandre e Waleska.

O Brasil e o leite

Com mais de 35 bilhões de litros de leite produzidos no ano de 2021, o Brasil está no grupo de maiores produtores de leite do mundo, junto com Estados Unidos, Índia e China. Ao todo, a sua cadeia produtiva engloba cerca de 50 milhões de animais. Dados da Embrapa publicados em 2020 mostravam que, especificamente em relação a vacas ordenhadas, o Brasil detinha o segundo maior rebanho no mundo, atrás apenas da Índia. No mesmo documento, o valor bruto da produção primária de leite atingia quase R$ 35 bilhões, o sétimo maior entre os produtos agropecuários nacionais. Já na indústria de alimentos, esse valor mais do que duplica, com o faturamento líquido dos laticínios atingindo R$ 70,9 bilhões.

Denominado Cadeia produtiva do leite no Brasil: produção primária, o levantamento salienta que os números expressivos demonstram a importância de um setor que vem passando por grande transformação ao longo das últimas duas décadas. Nesse período, a produção de leite aumentou quase 80% utilizando praticamente o mesmo número de vacas ordenhadas, graças à elevação da produtividade do rebanho. No documento, há a afirmação de que, “graças à adoção de novas tecnologias, foi possível um aumento significativo da produtividade dos animais”. No fervilhar de números e em sua magnitude, emerge a relevância para a incorporação de novas tecnologias capazes de provocar grande impacto na melhoria de produtividade e competitividade da produção no campo.

“As infecções causadas por microrganismos sempre são uma preocupação em qualquer área da saúde. A alta incidência da mastite nos rebanhos leiteiros provocam prejuízos de quase R$ 9 bilhões por ano, entre perda de produção, custos para o produtor rural com consultas e medicação e até descarte de animais. A preocupação, portanto, extrapola a área veterinária em si, já que traz prejuízos à indústria pecuária como um todo, e justifica o desenvolvimento de produtos como o nosso”, finaliza Alexandre.

Fonte: UFRN

Com Potiguar Notícias