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terça-feira, 6 de setembro de 2022

Rio Grande do Norte poderá ter 3,1 mil vagas de concurso em 2023, segundo a LDO

 

Foto REPRODUÇÃO

De acordo com um levantamento feito pela TRIBUNA DO NORTE, com base na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), estão previstas 3.146 vagas para 2023 no âmbito dos órgãos e secretarias estaduais. As maiores oportunidades podem ser disponibilizadas para as áreas da Saúde, com previsão de 1,2 mil vagas, e da Segurança. Segundo a Lei, a meta anual para 2023 prevê 1 mil vagas para a Polícia Militar e 942 para a Polícia Civil. 

Outras oportunidades constam no texto da LDO, que foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) no último dia 24 e traz previsão de certame para preenchimento de duas vagas na Fundação Universidade do Estado do RN (Fuern). A Secretaria Estadual de Tributação (SET),  o Tribunal de Justiça e a Assembleia Legislativa também aparecem na Lei de Diretrizes Orçamentárias, com planejamento de abertura de concurso para preencher uma vaga, cada.

O número de vagas previstas na LDO foi confirmado pelo secretário estadual de Tributação, Carlos Eduardo Xavier. No entanto, ele preferiu não detalhar informações sobre possíveis cargos. A Secretaria de Estado da Administração (Sead) também foi procurada e informou que a  LDO traz um “levantamento primário das necessidades”, mas que “tudo depende da Lei de Responsabilidade Fiscal [LRF]”.

A pasta afirmou ainda que são esperados concursos para o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) e Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária do Rio Grande do Norte (Idiarn), Educação, dentre outros. A Secretaria, contudo, não deu detalhes sobre a previsão de vagas e frisou, mais uma vez, que será mantida a observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. 

Questionada se o Estado tem condições de ofertar a abertura das vagas, em razão, justamente da Lei de Responsabilidade Fiscal, a Sead não respondeu e frisou que o assunto está no âmbito da Secretaria de Estado do Planejamento e das Finanças (Seplan).

O Relatório de Gestão Fiscal (RGF), da Secretaria do Tesouro Nacional aponta que, nos primeiros quatro meses deste ano, o Rio Grande do Norte estourou o limite máximo de gastos com pessoal, que é de 49%. As despesas entre janeiro e abril de 2022 no RN somaram R$ 6,72 bilhões, o equivalente a 52,10% em relação à Receita Corrente Líquida do Estado.

No último quadrimestre de 2021, as despesas também superaram permitido e ficaram em 54,57% (no segundo quadrimestre de 2019 chegou a 65%). Os índices indicam uma dificuldade do Estado de obedecer o limite de gastos com pessoal. Procurada para esclarecer se os números irão afetar a oferta de vagas previstas em concursos no ano que vem, a Seplan não respondeu.

Planejamento da LDO

O planejamento descrito na Lei de Diretrizes Orçamentárias do Estado não traz uma especificação clara sobre os cargos a serem ofertados. Em alguns casos, não há nenhuma menção à função que poderá ser disponibilizada em certame. É o que ocorre com as vagas para a Polícia Militar, Polícia Civil, Saúde, Tribunal de Justiça do RN e Assembleia Legislativa.

Em relação à  SET, a LDO traz a previsão de vaga para “suprir as necessidades de reposição do quadro de auditores fiscais e do quadro de técnicos administrativos”. Para a Fundação Universidade do Estado do RN (Fuern), a LDO prevê duas vagas (uma para professor e uma para técnico administrativo). 

A Secretaria de Estado da Administração (Sead) disse que as oportunidades, no caso da Saúde, serão disponibilizadas a depender da necessidade de pessoal. Para a Educação, serão ofertadas vagas para professores e técnicos administrativos.

UFRN também fará concurso em 2023

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) lançou edital para concurso público para o preenchimento de 103 vagas mais cadastro reserva para cargos de níveis médio, técnico e superior. As inscrições ocorrem a partir de 17 de outubro e custam entre R$ 80 e R$ 150. A previsão é que as provas ocorram entre os dias 8 e 15 de janeiro de 2023. 

Pelo edital, ficou definido que os cargos vão variar entre R$ 1.945,07 a R$ 4.180,66, dependendo dos cargos. As oportunidades são para funções com 20h e 40h. Além dos salários, também é prevista a concessão de auxílio-alimentação de R$ 458 (para quem atua por 40h) e R$ 229 (20h).

Para o concurso, estão previstas provas objetiva, discursiva e prática, para determinadas funções. O edital aponta que a prova discursiva será uma redação, que "exigirá que o candidato produza um texto explicativo/expositivo ou argumentativo, em prosa, segundo o padrão culto da língua portuguesa escrita, com base em uma situação comunicativa determinada", enquanto as provas objetivas terão conhecimentos específicos da função, além de língua portuguesa e legislação. Para a prova prática, serão cobrados os conhecimentos específicos da função. A etapa tem o objetivo de avaliar habilidades do candidato para que este possa desenvolver atividades compatíveis com a função.

Previsão de vagas para 2023 no RN

Fonte: Lei de Diretrizes Orçamentárias 2023 (LDO)

Saúde: 1,2 mil

Polícia Militar: 1 mil

Polícia Civil: 942

Fundação Universidade do Estado do RN: 2

Secretaria Estadual de Tributação: 1

Tribunal de Justiça: 1

Assembleia Legislativa: 1


Fonte: POTIGUAR NOTÍCIAS

STF inicia na sexta (9) julgamento virtual sobre suspensão do piso da enfermagem - Escrito por: Redação CUT | Editado por: Marize Muniz

Decisão do ministro Barroso de suspender aplicação da medida será analisada no plenário virtual da Corte.

O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia na próxima sexta-feira (9) o julgamento virtual que vai decidir se o Plenário confirma ou não a decisão do ministro Luís Roberto Barroso de suspender o pagamento do piso salarial da enfermagem, aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente da República, decisão que revoltou a categoria. 


Leia mais: Enfermeiros podem fazer greve geral contra decisão do STF de suspender piso salarial.


O caso ficará em julgamento por uma semana, até 16 de setembro. No formato virtual não há debate e os ministros depositam seus votos no sistema eletrônico.


Barroso suspendeu o piso no domingo (4), véspera do início do pagamento do piso para trabalhadores e trabalhadoras da iniciativa privada - servidores só recebem a partir do ano que vem.


O ministro deu 60 dias para que governo federal, Estados, Distrito Federal e entidades do setor prestem informações sobre impacto financeiro, riscos de demissões e possível redução na qualidade do serviço prestado. Ele entendeu ser mais adequado que o piso não entre em vigor antes dos esclarecimentos determinados porque viu risco de piora na prestação do serviço de saúde, principalmente nos hospitais públicos, Santas Casas e hospitais ligados ao SUS (Sistema Único de Saúde).


Conforme a decisão, Barroso, que é o relator do caso, poderá reavaliar a decisão depois de receber as informações. A decisão liminar do ministro foi dada em ação movida pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços (CNSaúde).


O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) afirmou que vai ao STF nesta terça-feira (6) tratar “dos caminhos e das soluções” para efetivar o piso da enfermagem.


O senador disse não ter dúvidas de que o “real desejo” dos Três Poderes é fazer valer a lei federal e simultaneamente “preservar o equilíbrio financeiro do sistema de saúde e entes federados”.


Longa tramitação


Apesar de aprovado na Câmara e no Senado, depois de longa tramitação,  o Projeto de Lei (PL) nº 14.434 demorou para ser sancionado pelo presidente porque não indicava a fonte dos recursos, o que gerou insegurança jurídica. Isso porque, a Lei de Responsabilidade Fiscal determina que projetos que criam despesas obrigatórias sejam acompanhados da indicação da origem dos recursos para bancar a proposta.


Para resolver o problema, foi aprovada a PEC nº 11/2022 e, finalmente, no início de agosto o presidente sancionou a lei.


4 PLs para facilitar pagamento do piso


Apesar de tudo isso, com lei e PEC aprovadas, Barroso barrou o pagamento e, no Congresso, há discussões em torno de quatro projetos para facilitar o pagamento do piso.


O primeiro e com maior aceitação é a legalização dos jogos de azar, já aprovado na Câmara com a previsão de destinar um percentual para a saúde.


Há também a possibilidade de usar recursos dos royalties do petróleo e da mineração, além da desoneração das folhas de pagamento da área da saúde, o que abriria caminho para os hospitais privados e as santas casas.


Sobre o piso salarial


A lei do piso salarial da enfermagem estabelece uma remuneração mínima de R$ 4.750 para enfermeiros e enfermeiras, de R$ 3.325 para técnicos e técnicas de enfermagem, e de R$ 2.375 para auxiliares de enfermagem e parteiras. Entrou em vigor em 5 de agosto.


O piso é o menor salário que determinada categoria profissional pode receber pela sua jornada de trabalho e é sempre superior ao salário mínimo nacional (ou estadual, se houver). Caso o piso da categoria seja inferior ao mínimo no Estado, vale o salário mínimo estadual porque ele é mais benéfico ao trabalhador


2,6 milhões de trabalhadores esperam o piso

Segundo o Conselho Federal de Enfermagem (Confen), são mais de 2,6 milhões de trabalhadores ativos no Brasil nos quatro segmentos da enfermagem, sendo 642 mil enfermeiros, 1,5 milhão de técnicos, 440 mil auxiliares e 440 parteiras. A entidade alerta que o profissional pode ter registro em mais de um segmento.


Centrais divulgam nota contra decisão de Barroso


Em nota, as centrais CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CSB pediram sensibilidade social ao STF.


"É importante ressaltar que a lei foi aprovada no Congresso e sancionada parcialmente pela presidência da República e é resultado de amplo debate e fruto de um consenso da sociedade para a valorização de uma categoria profissional essencial, que esteve à frente do combate à pandemia", diz trecho da nota.  


O posicionamento conjunto das centrais reforça os atos que estão sendo convocados por entidades da enfermagem para sexta-feira (9) na porta de hospitais e casas de saúde em defesa do novo piso da categoria.


Fonte: CUT NACIONAL

Convocação Assembleia 08-09-2022

  

ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

     C O N V O C A Ç Ã O

A Diretoria da Associação dos Docentes da UERN – ADUERN/Seção Sindical do ANDES/SN, no uso de suas atribuições legais e regimentais, CONVOCA todos os seus associados/associadas para participarem da Assembleia Geral Extraordinária, que será realizada presencialmente na área de lazer Professor Francisco Morais Filho e de forma híbrida nos campi CAPF e CAN,  no dia 08 de setembro de 2022, quinta-feira,  em primeira convocação, com 20% do número de sindicalizados, às 08:30 horas, em segunda convocação com 10% do número de sindicalizados, às 08:45 horas, ou, em terceira e última convocação, com qualquer quórum, às 09:00 horas, oportunidade em que serão apreciados os seguintes pontos de pauta:

  1. a) Informes;
  2. b) Escolhas de Delegado e observador, para CONAD-ANDES-SN, em Brasília;

 Mossoró (RN),  05 de setembro de 2022

Prof. Raimundo Nonato do Vale Neto

 Presidente


Fonte: Assessoria de Comunicação - ADUERN

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Coleção Memória das Lutas Populares no RN - Hélio Xavier de Vasconcelos, PRESENTE, SEMPRE!

 

Hélio Xavier de Vasconcelos

Cursou Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Norte na turma de 1961. Presidiu a Seccional Potiguar de primeiro de fevereiro de 1993 a primeiro de fevereiro de 1995. Durante sua gestão recebeu a medalha “Djalma Marinho” e fez questão de dividi-la com a própria OAB/RN.

Apresentação - Hélio Xavier de Vasconcelos - Volume XII

Hélio Xavier de Vasconcelos
Prefácio de Moacyr de Góes

Diz Godard em seu último filme¹:

Não existe resistência sem memória.

Este livro de, e em homenagem a, Hélio Vasconcelos é uma consolidação de memórias, consequentemente, matéria-prima para a continuidade da luta da resistência política, atributo de nossa geração, dele e minha. À lição de Godard eu acrescento: que esta memória seja de qualidade para poder servir à resistência. E isso vai ser encontrado neste livro, sendo a primeira dessas qualidades a coerência de uma vida.

1 - POLÍTICA E COERÊNCIA – Dos papéis aqui editados, vou tomar duas datas: 21 de março de 1959 e 01 de fevereiro de 1993. A primeira é a de seu discurso quando da instalação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e a segunda sua falta quando assumiu a presidência da OAB/RN.

a) – Em 1959 diz Hélio Vasconcelos:

Sejamos heroicamente fiéis ao nosso destino. O Péguy católico e o Péguy socialista – ambos possuíam sobre o destino, a mesma doutrina, “um homem é responsável por certo destino. Possui esse destino, mas também é possuído por ele. Não é possível dissolidarizar-se dele.” Tomemos para nós, geração necessariamente poética e inquieta. A lição do escritor francês; liguemos o nosso destino ao destino do nosso povo. Sirvamos na Universidade ao nosso próprio destino.

b) – Em 1993 diz Hélio Vasconcelos:

Escolhi dois colegas advogados para neles sintetizar a nossa gratidão. Refiro-me às pessoas de Carlos Antônio Varela Barca, nosso ex-presidente, valoroso, combativo, inteligente, probo, grande defensor das públicas liberdades; o outro, Luiz Ignácio Maranhão Filho, advogado dos humildes, patriota convicto, estudioso dos problemas brasileiros, digno e forte, bárbara e covardemente trucidado nos porões da ditadura. Um cristão, o outro socialista, ambos com os mesmos sentimentos, os mesmos sonhos, as mesmas esperanças. A eles e tantos outros que se foram a nossa homenagem (...).

Entre as duas datas, 34 anos se passaram: um tempo com dias claros de alegria, outros dias com o peso de chumbo do sofrimento; tempos de trabalho, de criação e recriação e, principalmente, de coerência e esperança. Ao curso de sua vida, Hélio procurou valorizar os humanismos cristão e marxista, como demonstram os dois discursos, aproximando-os, politicamente.

Desde o movimento estudantil, é visível o crescimento político de Hélio. Muito terá contribuído para isso sua aproximação de Luiz Maranhão. Repetia-se, aqui, um comum fenômeno brasileiro: inúmeros intelectuais cresceram na escola do Partido Comunista Brasileiro (PCB), nas oito últimas décadas do século 20. Ali era o locus de encontro com o pensamento teórico marxista-leninista e, com o Partido na clandestinidade, a práxis se fazia através de alianças políticas no campo burguês, oscilando a opção como pêndulo nos apoios aos partidos tradicionais. Desta prática vão nascer, em Hélio, traços profundos de amizade às lideranças de Dinarte Mariz e Djalma Marinho. Isso, todavia, não o impede de reiterar sua vocação de esquerda e apoiar a administração do Prefeito Djalma Maranhão (1960-64).

Acredito que será a partir do Centro de Cultura Popular de Natal (CCP da UNE), de 1962 a 64, que Hélio vai se tornar mais visível no campo político potiguar, com luz própria. Ali ele vai liderar uma aliança marxista e cristãos de esquerda e passar a influenciar um movimento ascendente de jovens, dentro e fora da Universidade. Este CCP, falando pelo PCB e pela AP (Ação Popular), vai ser um importante aliado da Campanha De Pé no Chão Também se Aprende a Ler, dirigida pelo Prefeito Djalma Maranhão. Datam desse tempo a realização de vários eventos comuns, desenvolvidos em Natal, principalmente nas áreas dos sindicatos de trabalhadores e dos Comitês Nacionalistas que, criados em 1960, funcionaram alguns até o Golpe de Estado de 1964. No campo cultural, lembro que estivemos lentos na encenação teatral de um novo julgamento de Tiradentes e na realização de um congresso de cultura popular que contou com a colaboração de vários intelectuais oriundos de diversos Estados brasileiros e que se encerrou na praça pública, numa passeata de Primeiro de Maio, celebrando nossa visão utópica de uma aliança operário-estudantil-camponesa. Tempos de sonhos. Também, tempos de lutas pelas Reformas de Base do Governo Jango, quando vários manifestos políticos da esquerda nacionalista foram redigidos a quatro mãos - as dele e as minhas – nas salas da Prefeitura de Natal que, no dia do Golpe, se autodenominou, com muito orgulho nosso, o QG da Legalidade e da Resistência.

Depois, vieram as prisões de 1964; o auto-exílio no Rio de Janeiro; o desemprego; a ansiedade do político perseguido. Mais tarde, a vida que segue: o reingresso no mundo do trabalho, primeiro, vendendo colchões no subúrbio carioca do Vila da Penha, depois já na FUNABEM (1966), exercendo o ofício de advogado; o casamento com Hilda, o nascimento das filhas Inah, Zilda e Gabriela; a volta para Natal; a anistia; a retomada da vida pública: Procurador do Poder Legislativo; Secretário de Estado de Educação e Cultura (1983-87); Presidência da OAB/RN (1993-95). Ele que, em 1959, como estudante, fizera a convocação sirvamos na Universidade ao nosso próprio destino, nos anos 80 volta à UFRN e funda a disciplina Direito da Criança e do Adolescente e nela leciona até a aposentadoria.

Ai está o nosso primeiro e principal destaque neste Prefácio: a coerência de um homem.

2 - O ADMINISTRADOR – O segundo aspecto que quero ressaltar é a sua qualidade de administrador, também coerente aos seus paradigmas políticos. Vou utilizar as datas de 1987 e 1995, e isto é os discursos de transmissão de cargos exercidos por Hélio, o primeiro de Secretário de Estado de Educação e Cultura do Rio Grande do Norte e o segundo de seu mandato de presidente da OAB/RN.

Na SEEC ele foi formulador de uma política educacional que denominou de Escola Aberta e Democrática. Chamo atenção para a data na qual iniciou o seu trabalho: novembro de 1983. Esta é a época em que já estava exaurida a Ditadura, mas o Estado de Direito ainda não havia surgido. Esta transição é um período de imensas dificuldades, mas Hélio não tem medo. Vai trabalhar com o espólio recebido que é uma educação pública em pedaços. Quando, depois de 3 anos, 3 meses e quinze dias entrega o cargo ao seu sucessor, pode dizer em seu discurso que a proposta da Escola Aberta e Democrática é o locus no qual Direção, Professores, Especialistas, Estudantes, Funcionários e a própria comunidade convivessem e participassem integralmente para que a instituição funcionasse bem. Escola que fosse o local aberto às discussões sobre os problemas educacionais e aqueles outros comuns à própria comunidade.

Dirá que esta escola sonhada não será uma concessão de Estado, de Governo, e sim uma conquista de responsabilidade de todos. E de forma lúcida declara: sabíamos também que a Escola Aberta e Democrática não seria alcançada isoladamente, mas, e tão somente, quando a própria sociedade brasileira conquistasse a democratização global do país.

Além dessa construção democrática, outros resultados são importantes: o aumento de 19,49% de acesso à rede escolar: a realização do primeiro Concurso Público para o Magistério Potiguar: a implantação do Estatuto do Magistério, a modernização dos serviços da Secretaria, etc. Quanto à prestação de contas, Hélio é minucioso em informar cada tostão recebido e cada tostão aplicado. A transparência é uma de duas qualidades administrativas.

E mais uma vez, coerente e fiel aos seus postulados políticos, dirá de forma clara as limitações brasileiras no campo das escolas: Sabemos quão difícil e penoso é fazer-se educação em um país em que o sistema econômico seja capitalista.

O segundo discurso, o de 1995 quando transmite o cargo de Presidente da OAB/RN, é tambémuma detalhada prestação de contas. Suas palavras ficarão para a história das lutas para dotar Natal de um Fórum Judiciário. Hélio quer somente um lugar digno, acessível, onde trabalhem Advogados, Juízes, representantes do Ministério Público, serventuários da Justiça e funcionem as Varas Cíveis e respectivos cartórios. Esta seria uma ferramenta para alavancar a solução de um dos mais graves problemas – nas suas palavras: a morosidade da Justiça no Brasil (...) (é) uma das mais perversas formas de injustiça que, atingindo a todos, violenta e massacra, sobretudo, os mais fracos. Mais uma vez é a visão política da questão e, mais uma vez, a coerência do gesto. No biênio da gestão Hélio Vasconcelos, a Defensoria Pública, as Procuradorias do Estado e do Município de Natal contaram com o seu apoio e a própria OAB/RN prestou assistência judiciária gratuita a 3.344 pessoas carentes. Finalmente, seguindo a tradição da OAB brasileira, a entidade potiguar foi além da legítima defesa corporativa e exerceu o mandato que lhe é inerente de defesa do estado de direito, da democracia e da luta pelos direitos humanos.

3 - O HOMEM – Felizes aqueles que convivem com Hélio Vasconcelos. Por mais que se estude, academicamente, o seu pensamento, através de seus escritos, a formação de um perfil dele fica a dever à atmosfera que ele cria pela palavra oral, pelo gesto, pela conversa jogada fora, pela cumplicidade conspiratória, pelo alto astral, pelas anedotas, sempre contadas (e vale a pena ouvi-las várias vezes) pelo humor fino, pela risada solta (tão solta que as vezes é acompanhada de uma batida de sola do pé no chão). Daí a importância dos depoimentos acolhidos neste livro — eles desvelam o olhar do outro, dos amigos, sobre o nosso herói. Digo mais, por experiência própria: uma cervejada com Hélio e Omar Pimenta, quando a noite ainda é uma criança, é uma festa — da qual Paris perde!

De seu humor, Hélio não abre mão nos momentos mais solenes e também nos mais tensos (aqui poderia contar dezenas de causos se houvessem espaço e tempo suficientes). Lembro o setembro de 1992, quando o Professor Otto de Brito Guerra recebeu da OAB o título de Benemérito e Hélio foi o orador. Lá para as tantas, o discípulo se permiteinvadir a intimidade do mestre para contar uma história de seu próprio filho, Luiz Guerra. E conta que Luiz chegando em casa pela alta madrugada, vindo de uma farra homérica, liga o som em toda altura e desperta Dr. Otto que vem à sala admoestá-lo. E diz; meu filho, se você continuar assim vai terminar sendo um ébrio contumaz. Ao que Luiz retrucou: com Tomaz não, com Hélio. E conclui o orador: com esta afirmação caía por terra o restinho de credibilidade do pobre Hélio perante o Mestre. Dá para imaginar o riso discreto do Dr. Otto e a risada geral do auditório.

Uma vez já contei em um livro meu (Sem Paisagem – Memórias da Prisão)² uma boutade de Hélio. Conto, novamente. No final de junho ou início de julho de 1964 houve um grande movimento de transferência de presos políticos pelos quarteis da Cidade. Assim, um dia, chega Hélio ao Quartel de Polícia onde me encontrava, vindo ele do R.O. Abraços, risos, alegria de reencontro. E o importante: ele trazia debaixo do braço um vade-mecum. Era uma época em que a imprensa metralhava diariamente que os presos políticos estavam enquadrados na Lei de Segurança Nacional. Aí, eu tomei o livro de suas mãos e pedi:

- Hélio, é possível eu ser enquadrado em algum artigo da Lei de Segurança Nacional? Veja.

Aí ele, sem abrir o vade-mecum, estalou uma risada, respondendo:

- Em todos, mestre, em todos os artigos!

Foi quando eu me dei conta da realidade: o preso político estava na cadeia por crime de opinião, o que não é uma questão jurídica. Chocado de início, terminamos rindo juntos.

Quando se fala em Hélio Vasconcelos, o difícil é parar. Mesmo assim, eu tenho que colocar um ponto final. Direi, então, como meus netos Bruno e Mateus que, ao falar de alguém que admiram e gostam, eles dizem: ele é um cara legal, sinistro e irado. Acho que isso é o reconhecimento ao carisma de alguém. Isso vai para Hélio que, quando jovem (antes de Hilda, por favor me entendam), também foi um grande mulherengo. E as mulheres diziam que ele tinha borogodó. Sobre isso não posso passar recibo.

Rio de Janeiro, 05 de novembro de 2011.

Moacyr de Góes

Notas de rodapé:

1 - Jornal O Globo. Rio. 28-X-2001. In entrevista de Luiz Fernando de Carvalho, diretor do filme “Lavoura Arcaica”.

2 - GOÉS. Moacyr de. Sem paisagem – Memórias da Prisão. Edição Europa. Rio, 1989.

Natal – Fundação José Augusto - FJA

Por Fundação José Augusto - FJA 

O prédio da Fundação José Augusto, em Natal, foi tombado por sua importância cultural para o Estado do Rio Grande do Norte.

Governo do Rio Grande do Norte
FJA – Fundação José Augusto
Nome Atribuído: Fundação Jose Augusto
Localização: R. Jundiaí, n° 641 – Tirol – Natal-RN
Data de Tombamento: 07/12/2004

Descrição: Criada no governo Aluísio Alves, pelo Decreto-lei nº 2.885, de 8 de abril de 1963, a Fundação José Augusto nasceu como instituição cultural e também como instituição de ensino superior. Chegou a abrigar três cursos: Jornalismo, Filosofia e Sociologia. Com o crescimento das universidades públicas, notadamente da UFRN, a FJA desvinculou-se da educação formal e concentrou suas atividades na gestão da cultura e na administração de vários equipamentos culturais. A instituição é o órgão, no âmbito do Governo do Estado, responsável por desenvolver, incentivar, apoiar, difundir, estimular e documentar as atividades culturais. Compete a esta o processo de tombamento do patrimônio histórico e arquitetônico e também do patrimônio cultural imaterial.
Fonte: Site da instituição.

Histórico do município: Tudo começou com as Capitanias Hereditárias quando o Rei de Portugal Dom João III, em 1530, dividiu o Brasil em lotes. As terras que hoje compreendem ao Rio Grande do Norte couberam a João de Barros e Aires da Cunha. A primeira expedição portuguesa aconteceu cinco anos depois com o objetivo de colonizar as terras. Antes disso, os franceses já aportavam por aqui para contrabandear o pau-brasil. E esse foi o principal motivo do fracasso da primeira tentativa de colonização. Os índios potiguares ajudavam os franceses a combater os colonizadores, impedindo, a fixação dos portugueses em terras potiguares.

Passados 62 anos, em 25 de dezembro de 1597, uma nova expedição portuguesa, desta vez comandada por Mascarenhas Homem e Jerônimo de Albuquerque, chegou para expulsar os franceses e reconquistar a capitania. Como estratégia de defesa, contra o ataque dos índios e dos corsários franceses, doze dias depois os portugueses começam a construir um forte que foi chamado de Fortaleza dos Reis Magos, por ter sido iniciada no dia dos Santos Reis. O forte foi projetado pelo Padre Gaspar de Samperes, o mesmo arquiteto que projetou a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação.

Concluído o forte, logo se formou um povoado que, segundo alguns historiadores, foi chamado de Cidade dos Reis. Depois, Cidade do Natal. O nome da cidade é explicado em duas versões: refere-se ao dia que a esquadra entrou na barra do Potengi ou a data da demarcação do sítio, realizada por Jerônimo de Albuquerque no dia 25 de dezembro de 1599.

Com o domínio holandês, em 1633, a rotina do povoado foi totalmente mudada. Durante 21 anos, o forte passou a se chamar Forte de Kenlen e Natal Nova Amsterdã. Com a saída dos holandeses, a cidade volta à normalidade. Nos primeiros 100 anos de sua existência, Natal apresentou crescimento lento. Porém, no final do século XIX, a cidade já possuía uma população de mais de 16 mil habitantes.

Fonte: Prefeitura Municipal.
Com FJA