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sábado, 13 de maio de 2023

CPC-RN (Centro Potiguar de Cultura) PREPARA-SE PARA MAIS UMA NOITE DAS HOMENAGENS NOS SEUS 14 ANOS DE EXISTÊNCIA !

  Imagem: DANDARA, SIMBÓLO DE RESISTÊNCIA!!!

O Centro  Potiguar de Cultura - CPC-RN se prepara para os suas 14 anos de fundação - lutas e conquistas !

O evento já é tradição, momento em que a entidade promove a NOITE DAS HOMENAGENS, cujo e único OBJETIVO é o de agraciar artistas, grupos de danças, cantores/as, entre outros.

A direção estuda a possibilidade de se fazer a nível regionais, ou seja por regiões, pois para o CPC-RN desta forma atingirá mais grupos culturais, individuais, entre outros.

Brevemente haverá reuniões visando justamente discutir essa importante mudança!

Brevemente após a realização desta reunião o CPC-RN divulgará ás datas, ás cidades que serão beneficiadas pelo evento!

Aguardem!

EDUARDO Henrique Félix de VASCONCELOS

Presidente

Lei Áurea: por que o movimento negro não comemora o 13 de maio

Data é dia de reflexão sobre uma falsa abolição que relegou à população negra a perpetuação do racismo estrutural na sociedade até os dias de hoje.

A data oficial da abolição da escravidão no Brasil, o 13 de Maio, é uma data que, para a população negra, não é um dia de comemoração. Ao contrário, é uma data de reflexão sobre uma medida tomada, à época, levando em consideração interesses capitalistas e que, na prática, não trouxe liberdade aos negros e negras e sim, perpetuou o racismo estrutural existente na sociedade.

Lideranças dos movimentos sindical e negro, explicam que ao assinar a Lei Áurea, em 1888, a Princesa Izabel não editou nenhuma medida para garantir uma sobrevivência digna para os negros e negras sequestrados no continente africano, escravizados durante anos.

“Eles foram ‘libertados’, mas jogados nas ruas com somente a roupa do corpo e nada mais. Isso contribuiu com a perpetuação do racismo”, diz a secretaria de Combate ao Racismo da CUT, Anatalina Lourenço.

Para o secretário de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Almir Aguiar, “o 13 de Maio não é uma data a ser comemorada, foi um fato histórico que omitiu a luta do povo negro contra a escravidão, e até os dias atuais a historiografia tem omitido o nosso legado”.

Almir lembrou que a Lei Áurea tinha somente dois artigos, sem qualquer proposta de política pública. “Isso fez com que o preconceito, o racismo, o feminicídio, o genocídio do povo negro e a falta de inclusão no mercado de trabalho mais qualificado se tornassem uma realidade cruel até os dias de hoje. Mas a nossa luta por uma sociedade inclusiva e sem racismo é permanente”, completou.

Contexto histórico da Lei Áurea – a ascensão do capitalismo

A abolição libertou escravizados, mas não trouxe nenhuma reparação pelos quase 300 anos anteriores de escravidão. À época já havia um movimento de libertação pelos próprios escravos, com as lutas dos quilombos pela liberdade e, em especial, pelas mulheres escravizadas que, pelo trabalho forçado, compravam a liberdade de seus filhos e companheiros.

Anatalina Lourenço, em entrevista ao Portal CUT em 2022, explicou que o capitalismo estava em ascensão no mesmo período e esse foi um fator preponderante para a Lei Áurea. À época, chegavam os primeiros imigrantes italianos, portugueses e espanhóis, uma mão-de-obra branca que agradava à elite e favorecia o capitalismo.

Este fato, por si só, explica o branqueamento do mercado de trabalho, que perdura até os dias atuais. Os dados do IBGE mostram que entre os 9,5 milhões de desempregados no Brasil, no 3° trimestre de 2022, 65% eram prestos ou pardos.

Quando a Lei Áurea foi assinada, havia ainda uma cobrança da sociedade e de abolicionistas e até mesmo da polícia que se rebelou tomando a atitude de não mais ‘caçar’ os escravos fugitivos. Por isso, e em acordo com os latifundiários que exigiam que a propriedade das terras não sofresse qualquer consequência, a Lei foi assinada e os negros foram libertos.

Mas, no dia seguinte, diz Anatalina, o sentimento daquela população foi de ‘o que nós vamos fazer agora?’.

Eles não tinham emprego, não tinham comida, não tinham casa para morar, estavam jogados à própria sorte e nenhuma ação do governo protegeu essas pessoas- Anatalina Lourenço


Os homens ficaram à margem da sociedade e tiveram de recorrer a furtos para poderem comer, já que eram hostilizados pela sociedade branca. Daí vem o termo “marginal”, estigmatizado até os dias de hoje e, geralmente usado para se referir a negros.

Já as mulheres continuaram a ‘prestar serviços domésticos para suas senhoras’, porém com uma singela remuneração. Como o racismo perdurou ao longo dos tempos, a profissão, hoje conhecida como ‘empregada doméstica’, é ocupada, na grande maioria, por mulheres negras.

Herança da escravidão no mercado de trabalho

A dirigente da CUT reforça que o chamado fim da escravidão foi uma abolição inacabada.  “Os escravizados não tiveram direito a nada e, portanto, tiveram de viver à margem da sociedade. Eles foram marginalizados a tal ponto que hoje, 72% da população negra é pobre”, ela afirma.

Dados sobre do mercado de trabalho e indicadores sociais confirmam a realidade da população negra hoje no Brasil. Em 2022, quando a pandemia já dava sinais de enfraquecimento, segundo os indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC), realizada pelo IBGE, entre os segundos trimestres de 2019 e 2022, houve elevação da informalidade, da subocupação e queda dos rendimentos e os efeitos sentidos mais intensamente pelo homem e pela mulher negra.

·        Entre as mulheres negras, 53,3% estavam ocupadas ou desempregadas em 2019. O número caiu para 52,3% em 2022.

·        Entre os homens negros, as taxas ficaram semelhantes nos dois períodos –72,9%, no segundo trimestre de 2019, e 72,6%, em 2022.

“São os que estão nos trabalhados com menor remuneração, maior vulnerabilidade, piores condições – os trabalhos mais precarizados”, diz Anatalina, ressaltando que tal realidade é resultado de uma mentalidade escravocrata que ainda permanece no inconsciente coletivo da sociedade.

Outra prova dessa herança da escravidão são os casos de condições degradantes, extremas, a que trabalhadores são submetidos ainda hoje. “O trabalho análogo ainda acontece e não causa grandes comoções”, observa a dirigente.

Reportagem feita pelo Brasil de Fato mostra que de um total de cerca de 500 trabalhadores resgatados por auditores fiscais do trabalho em condições análogas à escravidão, nas lavouras de cana-de-açúcar em 2022, 84% eram negros.

Mas os números são ainda mais alarmantes. No total do país, segundo informações do Ministério do Trabalho e Emprego, em todos os setores, no ano passado foram resgatadas 2.575 pessoas nessas condições, sendo 83% negros e negras.

Saiba o que é racismo estrutural e como ele se organiza no Brasil

Racismo

Não somente os números e dados acerca de questões sociais e no mercado de trabalho, mas também o preconceito tem sido escancarado no cotidiano. Entre outros, dois casos emblemáticos ganharam a atenção da mídia nos últimos dias e geraram reação na sociedade.

Os mais recentes envolvem o deputado estadual pelo PT do Paraná, Renato Freitas que, mais uma vez foi alvo de racismo. Desta vez, ele foi abordado pela Polícia Federal (PF), dentro de um avião pouco antes da decolagem no aeroporto de Foz do Iguaçu (PR), cidade em que ele foi a convite do Ministério dos Povos Indígenas, com destino a Londrina. Os policiais entraram na aeronave e o retiraram da cabine para que ele fosse revistado, mesmo já tendo passado pela inspeção na máquina de Raio X.

Leia Mais: Deputado estadual Renato Freitas (PT) é retirado de avião para ser revistado pela PF

Ainda no início de maio, a professora Samantha Vitena foi expulsa de um voo por se recusar a despachar sua mochila, onde guardava seu notebook, fato que provavelmente não aconteceria se a professora não fosse negra.

O advogado de defesa Fernando Santos ingressará com uma ação judicial em discriminação racial contra a Gol Linhas Aéreas. A Polícia Federal também investiga o caso.

Por todo este contexto, tanto Anatalina Lourenço quanto Almir Aguiar pontuam que não há nada para comemorar neste dia.

“É um dia de aprofundar o debate demonstrar para as pessoas que o racismo estrutura de forma negativa a sociedade e uma data que não marca a luta da população negra, mas uma data de denúncia de  que estamos em situação precária e precisamos mudar”, dizem os dirigentes.

Fonte: CUT NACIONAL

13 de Maio – Abolição sem Emancipação não é Liberdade

 

 Todo Caveirão tem um pouco de Navio Negreiro

Há 135 anos atrás, um decreto da Princesa Regente, Isabel, a Lei Áurea, decretava extinta a escravidão no Brasil. Um decreto que tem, obviamente, uma importância e significado histórico, mas que por si só, em termos práticos, consistiu numa abolição incompleta. O ato de “generosidade” da princesa branca não reflete o que foi a luta abolicionista e nem garantiu dignidade aos negros libertos.

A lei Áurea libertou cerca de 700 mil escravos que ainda existiam no Brasil em 1888 e proibiu a escravidão no país, no entanto não foi acompanhada de medidas de integração e garantia de direitos para os negros libertos na sociedade brasileira. Depois da lei Áurea, o Estado abandonou os negros e negras à mercê da própria sorte, sem teto para viver, sem ter o que comer, forçando-os a subir os morros, originando as favelas e não os incluindo em um projeto de nação. O dia seguinte à abolição não foi de festa, foi de luta. Lua pela sobrevivência.

E hoje o que temos ainda é essa luta! É nas favelas que o caveirão enviado pelo Estado leva o terror e o medo para a população negra. São os negros que são confundidos por reconhecimento fotográfico e encarcerados em massa por um sistema judiciário extremamente racista, por uma polícia assassina, e por um estado com a marca da omissão em suas pautas!

Nesse 13 de maio, a CTB ergue os punhos com o movimento negro e saúda os verdadeiros heróis da luta abolicionista. Saúda Luís Gama, ex-escravo que virou advogado e libertou mais de 500 negros e dedicou a vida para lutar pelo abolicionismo! Saúda André Rebouças, o engenheiro que defendeu doação de terra aos libertos! Saúda Adelina, a charuteira espiã que atuava os movimentos abolicionistas do Maranhão. Saúda Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, e toda luta abolicionista do Ceará!

Artigo: CTB-RJ

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Projeto “Mulher Viver com Dignidade” tem sua primeira edição realizada pela Defensoria Pública do RN

Foto: Divulgação/DPE-RN

A Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Norte (DPE/RN) irá promover a primeira edição do ano de 2023 do projeto “Mulher Viver com Dignidade” e o destino escolhido foi a cidade de Parnamirim. A ação irá acontecer no sábado, 13 de maio de 2023, das 8h às 16h, no Espaço LEAN, Estr. Cajupiranga, 1489, Liberdade, com atendimento e orientação jurídica, além de diversos serviços sociais e de saúde.

Durante o evento, será ofertada orientação jurídica e social, exames de audiometria, testes rápidos de saúde, atendimento médico e odontológico, avaliação fisioterapêutica, oficinas de costura, corte de cabelo, recreações e apresentações culturais. Durante a ação, o ITEP irá distribuir fichas de atendimento para emissão de RG gratuito na Central do Cidadão de Parnamirim.

A programação havia sido inicialmente prevista para o mês de março, como forma de celebrar o mês das mulheres, mas foi adiada devido à crise da segurança pública pela qual passou o Rio Grande do Norte. O projeto “Mulher Viver com Dignidade” conta com o apoio da Associação de Apoio às Mulheres de Parnamirim (AMPAR) e da Coletiva Nísia Floresta.

Fonte: Ascom/DPE-RN


Práticas sustentáveis aliadas ao turismo ganha espaço na 9ª Femptur que acontece em Natal

 Foto: Divulgação/G7 Comunicação

Para além da tendência, a 9ª Femptur - Feira dos Municípios e Produtos Turísticos do RN traz ao público, nesta edição, o “Espaço Femptur Sustentabilidade”, para tratar sobre a importância das práticas sustentáveis junto ao setor turístico. A Feira, já consolidada no calendário de eventos do Rio Grande do Norte, será realizada nos dias 12 e 13 de maio, no Centro de Convenções de Natal, das 14h às 22h, com programação totalmente gratuita.

Especialista em reunir em um só lugar, as novidades, conceitos e soluções quando o assunto são viagens, passeios, gastronomia, cultura, artesanato e negócios, a Femptur também segue conectada com as práticas ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança) e, consequentemente, com o bem-estar da sociedade como um todo. Este ano, em parceria com a empresa Bioma Soluções Ambientais, através do Espaço Femptur Sustentabilidade, vai oferecer ao público, informações sobre as aplicações sustentáveis; oficinas voltadas ao tema, além de sorteios e brindes. “Estamos trazendo uma proposta inovadora para o evento, na qual faremos a destinação correta de todo o material reciclável e também a gestão do resíduo orgânico produzido no local. Vamos realizar, por meio de um equipamento biodigestor, a gestão desses resíduos, resultando na produção de gás e biofertilizante, proporcionando ao visitante uma experiência única e transformadora, pois estamos falando aqui de um tipo de resíduo que representa em torno de 54% de tudo que produzimos”, esclarece Marcelo Dantas, CEO da Bioma Soluções Ambientais.

 

Compõem o Espaço Femptur Sustentabilidade, a empresa Bioma Soluções Ambientais (gestão de resíduos orgânicos - Biodigestores); a Sollido RN (gestão de resíduos recicláveis secos); a Minhocário Berg (gestão de resíduos orgânicos – Compostagem e Vermicompostagem); a Arte de Noelma (gestão de resíduos de papéis – Reciclagem e papel semente) e a PRESERVE PIPA (apresentação de boas práticas de gestão e compras sustentáveis no ramo da hotelaria).

“As empresas e instituições que adotam as práticas ESG, tendem a alcançar outros patamares competitivos, melhores índices de satisfação, bom posicionamento da marca, acesso às linhas de crédito verde e muitas outras vantagens. Dessa forma, a Femptur buscará um alinhamento constante às questões relacionadas ao tema da sustentabilidade”, ressalta Gustavo Porpino, diretor da Argus Eventos e entusiasta da temática ESG.

Assunto ainda novo para muitos, mas já debatido em grandes eventos, marcas e negócios, as práticas ESG têm alcançado espaços importantes por tratar, de forma conjunta, questões ambientais, sociais e de governança, entre elas: redução na emissão de poluentes e alternativas sustentáveis; boas práticas de embalagens, cuidado e descarte de plásticos e outros materiais; aderência aos direitos trabalhistas; valorização da saúde e segurança no ambiente de trabalho; apoio à diversidade e inclusão; posicionamento em causas e projetos sociais; comportamento e política institucional relacionados às práticas anticorrupção, lavagem de dinheiro e trabalho escravo;  valores, postura moral e ética nos negócios; adoção de políticas para o controle dos processos e muitas outras. Esses e outros assuntos estarão em exposição durante a Femptur.

Programação da 9ª Femptur

Com entrada gratuita, este ano o evento traz mais comodidade ao visitante: o credenciamento prévio através do Sympla https://www.sympla.com.br/evento/feira-dos-municipios-e-produtos-turisticos-do-rn-9-femptur/1976465?fbclid=PAAaaAVJe2eo2Xwn4mdwMlOWaRiBnmfazqooPv_-rM2fDTGVVPoi_1b4P-fp0.

São mais de 40 municípios expositores de todas as regiões do Rio Grande do Norte, divulgando a sua hospitalidade, inovações, charme e capacidade de receber turistas do mundo inteiro. Na programação, 20 apresentações culturais, 20 shows musicais, espaço gastronômico e agricultura familiar.

Entre as novidades está a criação do Palco do Músico Potiguar, espaço aberto aos artistas com foco na valorização musical, com capacidade para 3 músicos por vez e apresentações de até 30 minutos. No total, são 20 vagas, sendo 10 por dia. Nesta edição também haverá o “Troféu Femptur de Melhor Estande”, dividido em três modalidades: Ambientação, Originalidade e Interatividade. Desta forma, os municípios expositores poderão concorrer nas categorias citadas e receber troféu de 1º, 2º e 3º lugar. O 1º lugar em Originalidade ganhará uma visita técnica do projeto “Lugares de Charme” para um diagnóstico de potencial turístico.

A 9ª Femptur tem o apoio do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, através do Governo Cidadão e Grupo Banco Mundial, Prefeitura do Natal, SEBRAE, Senac RN, Banco do Nordeste, ABIH-RN, SERHS Natal Grand Hotel e Datashow Brasil. A realização é da Argus Evento.

Fonte: G7 Comunicação

Com Potiguar Notícias

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Impactos e legalidade da cobrança de água bruta pelo governo são discutidos na AL - Fonte: Assembleia Legislativa do RN

 

Impactos e legalidade da cobrança de água bruta pelo governo são discutidos na AL

Crédito da(s) Foto(s): João Gilberto

A Assembleia Legislativa promoveu, através do mandato da deputada Cristiane Dantas (SDD), audiência pública, na tarde desta quarta-feira (10), para discutir os impactos, a legalidade e os possíveis prejuízos à sociedade, em virtude da possibilidade de cobrança da água bruta por parte do Governo do Estado. O encontro contou com a presença de autoridades do Poder Público municipal e estadual, além de representantes de entidades públicas e privadas ligadas aos setores afetados com a possível medida, como Agricultura, Pecuária, Carcinicultura e Indústrias da água mineral e da cana de açúcar.

Cristiane Dantas iniciou seu discurso deixando claro que é contra a proposta de iniciativa do governo estadual. “É preciso dar transparência a um assunto que afeta a vida de toda a população. Esse é um dos grandes objetivos desta audiência pública. E por que mais transparência? Porque a proposta de taxação, por meio da minuta de um decreto da governadora Fátima Bezerra, até o momento não foi apresentada para ser discutida com a sociedade, com esta Casa e, especialmente, com os segmentos diretamente afetados pela iniciativa”, enfatizou.

A parlamentar ilustrou a proposta com o exemplo de um produtor rural no município de Serra Negra do Norte.  “Esse pequeno produtor, tem 12 hectares de terra e faz cultivo de macaxeira, milho e feijão. Sua plantação é irrigada com poço escavado e instalado com recursos próprios, porque lá a distribuição de água pela Caern não chega. Pois bem, pela minuta do decreto, ele vai ter de pagar pelo uso da água do poço das suas terras. Ou ele paga essa conta ou não vai poder utilizar essa água da qual o Estado vai passar a se apropriar”, recriminou.

Segundo Cristiane, essa mesma situação se aplica à produção agrícola da fruticultura irrigada, do plantio de cana de açúcar, do beneficiamento do couro, das cerâmicas, da mineração e das fontes de água mineral. 

“Para as indústrias, que têm a água como insumo essencial, a cobrança da minuta é de $0,45 (quarenta e cinco centavos) por metro cúbico de água. É uma conta pesada, que inviabiliza a agricultura, os produtores e a pequena indústria do nosso Estado”, repudiou a parlamentar. 

Ainda de acordo com a deputada, 93% do território do RN é situado no semiárido, e a realidade é a escassez de água. “Vivenciamos isso nos últimos oito anos com diversos municípios em estado de calamidade por falta d’água. Foi o caso de Luiz Gomes, localizado na tromba do elefante. E onde estava o Governo do Estado nessa crise? Qual foi a água ofertada para a população? Esse município foi abastecido por carros-pipa custeados pelo Governo Federal. E agora o Estado vai querer cobrar por uma água de um poço que não escavou nem instalou; por uma água que a Caern não distribui. Isso é um massacre para toda população. Essa é uma medida que vai inviabilizar negócios, a vida do pequeno agricultor e produtor e até a maior indústria”, detalhou.

Finalizando seu discurso, Cristiane Dantas frisou que é preciso trazer luz sobre os impactos, os prejuízos e a legalidade da referida proposta de decreto. “Por enquanto, ela tem sido recusada nas reuniões dos conselhos deliberativos, exatamente pela falta de discussão pública. E, por último, eu quero destacar que, da minha parte, além da iniciativa desta audiência pública, já manifesto que faremos os encaminhamentos legais que forem necessários para combater essa proposta abusiva de taxação do uso da água”, concluiu. 

Em seguida, o secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Paulo Lopes Varella Neto, fez uma explanação detalhada sobre a situação do abastecimento de água por todo o Estado, enaltecendo o potencial de desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Além disso, ele falou sobre o histórico e a legislação envolvendo a cobrança da distribuição da água no Brasil.

“A água se tornou um bem de domínio público a partir da Constituição de 1988, que determinou a criação de uma Política de Recursos Hídricos. Então, foi criada a Lei Nacional das Águas, em 8 de janeiro de 1997. Essa lei explica que a água é dotada de valor econômico e institui que ela deve ser cobrada para dar sustentabilidade financeira e eficiência econômica, incentivando a racionalização”, explicou.

O secretário disse também que a questão do decreto de cobrança da água bruta “não é uma iniciativa do governo, mas de todo um sistema”.  “Esta Casa aprovou a própria Lei 6.908, em 1996, e é essa legislação que cria os instrumentos de gestão e cobrança. Nós queremos fazer o decreto mais democrático possível. Estamos indo conversar, setor por setor. Já fomos na Fiern, Fecomércio e muitas outras entidades. Não queremos impor nada. O decreto ainda está em construção e ele vai sair quando a sociedade fechá-lo”, garantiu.

Ainda de acordo com o secretário estadual, a cobrança servirá para que as barragens sejam mais bem conservadas e para que sejam feitos mais investimentos na área produtiva. “Esses recursos irão financiar estudos, projetos, programas de incentivo; irão custear atividades administrativas e obras hídricas, como criação e manutenção de barragens e poços. Nós temos um grande potencial na mão, só precisamos fazer um debate sério. Não passa na nossa cabeça prejudicar nenhuma população mais vulnerável. O Ceará, por exemplo, já cobra desde 1996. A Paraíba já está bem avançada nessa prática também. Pernambuco está começando o processo agora”, argumentou.

Também presente ao evento, o deputado estadual Gustavo Carvalho (PSDB) se posicionou contrário à intenção do Governo do Estado. “Eu serei extremamente técnico aqui, pensando no viés do desenvolvimento, mas também não posso deixar de falar o que está na minha consciência. A água é realmente essencial ao desenvolvimento. Reflitam: o nosso Estado tem um grande potencial, sendo o maior produtor e exportador de sal, um grande produtor de frutas, tem força na carcinicultura. E por que a referência aqui foi a Paraíba? Porque lá tem se buscado ajudar o empreendedor, diferente do que é feito aqui. Nós deveríamos buscar o desenvolvimento de forma justa, taxando os gigantes e esquecendo os pequenos”, iniciou.

Continuando sua fala, o parlamentar pleiteou ao governo estadual que siga o Estatuto das Águas.  “Essa legislação se baseia nos pilares de servir a dessedentação humana, animal e a irrigação agrícola. Por que o governo não cuida disso? Ele quer taxar a água salobra como se fosse recurso hídrico. Isso tudo é questão de gerência. Então, eu peço aos assessores e deputados governistas que tentem fazer o Governo do Estado entender que este não é o momento de realizar essa medida, porque o resultado seria a perda de competitividade e inúmeros prejuízos para o RN como um todo”, concluiu.

Na sequência, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern), José Vieira, destacou que, ao longo dos anos, o setor vem diminuindo cada vez mais no Estado. “Há 10 anos, nós tínhamos 87 mil produtores rurais, e hoje esse número é de apenas 63 mil produtores, a grande maioria de moradores. O governo diz que quem produz e quem gera emprego devem ser cobrados. É assim que ele está tratando o setor produtivo. Se a professora Fátima, que é de origem popular, tomar mesmo essa atitude, ela vai ser conhecida como a ‘cobradora da água’. E isso é muito triste, porque em vez de estarmos discutindo desenvolvimento, programas e projetos, estamos aqui apelando para que o setor produtivo não seja mais taxado”, lamentou. 

O presidente da Faern criticou as situações e os valores que poderão ser cobrados com a instituição da medida, bem como a falta de atenção ao desperdício da própria Caern.

“A gente vai ser cobrado por água salobra, que não é utilizada. Por água de poço, no período do inverno, em 25%; já no período de seca, esse valor será de 50%. Ou seja, em vez de ajudar, num momento mais difícil, o governo vai atrapalhar. E eu acho engraçado que ninguém discute o desperdício da Caern, que chega a 48%. Isso ninguém discute. O Estado, antes de nos cobrar, precisa primeiro fazer o dever de casa. E a população é que vai pagar a conta. Então, isso tudo nos preocupa bastante”, destacou.

Segundo Hermano Neto, presidente da Associação dos Plantadores de Cana do RN (Asplan), a possível taxação da água irá inviabilizar principalmente as agroindústrias do Estado.  “E vale salientar que a irrigação da cana é extremamente sazonal, ou seja, não é feita o ano inteiro. Mas, mesmo assim, iremos pagar por isso. E, para deixar claro, o nosso setor da cana de açúcar não foi procurado em momento nenhum, mesmo sendo talvez o setor que mais gere emprego no Estado”, criticou.

Já a presidente da ONG Navima, Rosimeire Dantas, contou que, no ano passado, a minuta do decreto foi levada para ser discutida com os Comitês de Bacia Hidrográfica e, na ocasião, o seu grupo decidiu por ser contrário à proposta. 

“Se a gente for observar, nem todas as bacias estão contempladas com seus respectivos comitês, então começa daí a grande deficiência do Estado, porque nem todos têm representação. Então, como você quer partir para uma cobrança dessa, sem a participação de todos os envolvidos? Por isso, o Comitê do Pitimbu discutiu e chegou à conclusão de que a cobrança, neste momento, é inviável e vai afetar demais o setor produtivo”, opinou.

Por fim, o secretário estadual da Agricultura, da Pecuária e da Pesca, Guilherme Saldanha, disse que o referido assunto começou a se tornar público desde dezembro do ano passado. “Esse tema é muito delicado para o governo estadual, pois quem recomendou a cobrança foram dois órgãos: primeiro, o Tribunal de Contas da União, o qual afirmou que só aprovaria a transposição do São Francisco para quem aplicasse a cobrança de água. E, segundo, da própria ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), através de resolução, sob o mesmo argumento. Então, a cobrança da água é necessária por lei, sob risco de a governadora ser acusada de improbidade”, ressaltou. 

Ainda segundo o secretário, a preocupação é, principalmente, discutir com todos os setores interessados.  “Isso é extremamente necessário, pois esse tema é muito polêmico, nós sabemos disso. Ele pode causar um impacto, por exemplo, na fruticultura, se ele não for bem conduzido. Nossas grandes empresas podem acabar quebrando ou indo para estados vizinhos. E isso é muito ruim. São vários empregos que são gerados aqui no Estado. Além disso, a medida pode causar impactos enormes na Caern e nas prefeituras. Portanto, nada será feito de maneira impositiva, sem dialogar com todos os setores, devido à importância da questão”, garantiu.  

Também estiveram presentes ao debate as deputadas Isolda Dantas (PT) e Divaneide Basílio (PT), além dos deputados Coronel Azevedo (PL), Luiz Eduardo (SDD) e Tomba Farias (PSDB).

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NOVAS TECNOLOGIAS - Desigualdade no acesso à internet impacta qualidade da educação

 FOTO: LÚCIO BERNARDO JR./AGÊNCIA BRASÍLIA

Pesquisa divulgada no último dia 3 pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic) mostra que menos da metade (44%) dos jovens e adolescentes entre 9 e 17 anos têm acesso à internet na escola.

Os dados escancaram mais uma forma de discriminação social no país capaz de interferir na formação de alunos/as e gerar desequilíbrio na concorrência para o acesso à universidade e ao mercado de trabalho. O recorte social já deixa clara essa diferença. Entre pessoas da mesma idade nas classes A e B, o percentual dos que navegam na rede sobe para 56%.

A qualidade da conexão é outro fator problemático. Enquanto que para 39% das crianças e adolescentes das classes D e E a conexão é considerada ruim, para a mesma faixa etária nas classes A e B, o percentual cai para 18%. Além disso, 22% das mais pobres disseram que a falta de créditos no celular impede o acesso sempre, enquanto 25% apontaram que isso ocorre eventualmente.

A pesquisa reforça uma situação já alarmante no país. Segundo o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que avaliou 79 países, em 2018, quando o assunto é educação, o Brasil é uma das cinco economias mais desiguais do mundo.

Em determinadas áreas, o diagnóstico é ainda pior: o Brasil é o terceiro país mais desigual em ciência e leitura. O estudo aponta que estudantes de maior poder aquisitivo tiveram um resultado de 100 pontos a mais do que os  mais pobres, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Com isso, o avanço do digital na educação, ao invés de incluir, torna-se uma nova forma de exclusão, como ressalta a secretária de Assuntos Educacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Guelda Andrade. Para ela, o levantamento do Cetic descortina problemas estruturais na sala de aula. 

“A pesquisa mostra o que a CNTE já tem denunciado: a desigualdade no acesso à educação pública. A internet faz parte da organização curricular da escola pública. Quando não se tem acesso na escola e nem em casa, isso aprofunda a desigualdade social, porque irá afetar a disputa por uma vaga de emprego ou na faculdade, por exemplo. Não são dadas condições de acesso iguais para todos e isso é o Estado quem deve prover”, ressalta. 

REALIDADES DISCREPANTES

De acordo com o levantamento do Cetic, 74% dos internautas com 16 anos ou mais das classes D e E acessam a internet exclusivamente pelo telefone celular, enquanto apenas 11% dos usuários das classes A e B mantêm o mesmo hábito. Para o segundo grupo, o uso de computador é o recurso principal (66%); e apenas 11% utilizam essas ferramentas na classe E. 

Guelda aponta como isso impactou aqueles que estão na base da pirâmide econômica, especialmente durante a pandemia de Covid-19. 

“No ápice da crise, vimos essa desigualdade crescer, com muitas crianças disputando, em casa, um celular para assistir aula, porque não tinham acesso ao computador, e lutando pela própria internet, porque muitas famílias dependem de dados móveis para se conectar”, avalia.

De acordo com o Pisa, se entre os usuários das classes A e B o principal motivo para não acompanhar as aulas no auge da infecção era não conseguir ou não gostar de estudar à distância (43%), para alunos/as das classes D e E, o problema foi a necessidade de buscar um emprego (63%).

A dirigente da CNTE afirma que muitos dos problemas têm raiz em questões transversais como a fome e a violência doméstica. Por isso, indica que é preciso pensar políticas intersetoriais para dar conta dos desafios. Porém, para ela, é fundamental que existam políticas públicas para o setor capazes de dar conta de demandas imediatas.

“Estamos às vésperas da construção de um novo Plano Nacional de Educação e precisamos que seja um programa exequível, com fontes de financiamento para que consigamos avançar na ampliação de vagas e na manutenção dos estudantes na sala de aula, inclusive com a oferta de estrutura, com laboratório, internet e biblioteca. Isso só é alcançado com financiamento público e participação social”, contextualiza Guelda.

DESIGUALDADE TENDE A AUMENTAR

Em entrevista ao jornal O Globo, a chefe de pesquisa do Centro de Pesquisa e Inovação Educacional da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Tracey Burns, avalia que a desigualdade educacional vai aumentar entre os países e dentro deles.

“Existem três fatores para analisarmos o impacto do aprendizado digital: quem tem acesso? Se você tem acesso, quem tem as habilidades para usar? E quem tem pais que podem ajudar as crianças com as tarefas feitas apenas em casa? Nós já sabemos por  resultados do Pisa que crianças entre países e dentro dos países que menos têm acesso são as que menos têm as habilidades e as que menos têm pais que podem ajudá-las se tiverem problemas. Estou muito preocupada com esse aumento da desigualdade”, afirmou.

ENSINO DOMICILIAR

Com a desigualdade no acesso à internet, projetos como a regulamentação do ensino domiciliar agravam ainda mais o cenário.

Em nota técnica enviada à CNTE, o professor e diretor de pesquisa e avaliação do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC), Romualdo Portela, e a professora da Faculdade de Educação da Unicamp, Luciane Barbosa, destacam que o homeschooling não é uma política educacional para todos e não contribui para o enfrentamento ou a redução das desigualdades.

A nota diz que a regulamentação da educação em casa pode prejudicar a educação pública de maneira indireta, já que dissemina um discurso generalizado e intencional de crise da escola pública para desmoralizar o que é público e valorizar o que é privado. Além disso, representa retrocessos à carreira e à profissionalização docente com a precarização das condições de trabalho dos profissionais da educação.

“A educação pública pode ser afetada de maneira direta ao promover a desvalorização da profissão docente e transferir recursos públicos e esforços que deveriam estar concentrados na melhoria dos sistemas educacionais para uma parcela restrita da população”, aponta trecho do documento.

Fonte: CNTE

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