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domingo, 6 de outubro de 2019

Não é a queimada, estúpido. É Jair Messias Bolsonaro!

J. Carlos de Assis*
                O escândalo que move governos e populações de vários países europeus contra o Brasil não é apenas  por causa das queimadas na Amazônia. É por causa da iniciativa impertinente de Jair Bolsonaro de tentar esconder dados científicos de desmatamento na região amazônica mediante a demissão do diretor do INPE, Ricardo Galvão.  Antes disso as intenções malévolas do Presidente já haviam surgido com sua tentativa de se apossar do dinheiro noruguês e alemão do Fundo Amazônico para “indenizar” grileiros da floresta.
                Se o país não estivesse tão estonteado e intimidado pela sequência de ações agressivas de Bolsoaro, as reações aos crimes ambientais do Governo teriam explodido aqui dentro. Mas elas começam a explodir, agora, felizmente, animadas pelo que acontece além fronteiras. A acusação às ONGs de serem responsáveis pelo incêndio é próprio de um provocador boçal, sem postura de presidente, com claros problemas psicológicos que denunciam, como disse em artigo anterior, a ausência de um superego.
                É que Bolsonaro não tem limites. Ele faz declarações pessoais e pela internet como se estivesse numa conversa de botequim com outros tenentes expulsos do Exército. Sua insistência em afirmar que é presidente, portanto que manda em todos e em tudo, denuncia uma deformação mental de quem não tem a menor noção do que é ser presidente da República. Nessa crise deflagrada internacionalmente a floresta é apenas um detalhe. Incêndios ocasionais em florestas acontecem no mundo todo. O centro da questão é um presidente que não tem consciência de que está pondo em risco um bem comum da humanidade.
                Desculpem-me os amigos desenvolvimentistas que acham que a prioridade não é o meio ambiente, mas o desenvolvimento, pois somos um país ainda muito pobre. O corolário disso é dizer que os países ricos destruíram seu meio-ambiente para se desenvolver. Isso não passa de uma patacoada. No padrão civilizatório e econômico atual, é perfeitamente possível fazer da luta pelo meio-ambiente um instrumento de desenvolvimento. Aliás, temos feito isso muito bem. O problema maior é o desmatamento que antecipa queimadas.
                Nos séculos de desenvolvimento europeu e norte-americano que implicou desmatamentos não havia alternativas para a madeira como meio de construção. Hoje a tecnologia resolve isso. Claro, meter no chão árvores centenárias da Amazônia é mais barato, mas uma freada no aquecimento global paga a diferença. E embora a Amazônia não seja o pulmão do mundo, como alegado pelo presidente francês, ela tem uma contribuição fundamental ao regime das chuvas e de proteção da camada de ozônio na América do Sul.
                Mesmo que a floresta não desse contribuição alguma ao equilíbrio ambiental, o desmatamento indiscutivelmente é uma tragédia para o meio ambiente, como ficou claro com as últimas chuvas de cinzas no país. Isso diz respeito a nós, brasileiros, e somos nós que temos o dever para conosco mesmos e com a humanidade de ir para a rua denunciar a degradação do nosso meio-ambiente. Notem, Bolsonaro estava insinuando sair do Acordo de Paris. Ninguém aqui o seguraria, pois é um obstinado, como disse, sem limites.
                Internamente, os únicos que poderiam segurá-lo e contestar suas patacoadas seriam os militares. Contudo, os militares parecem catatônicos, com um tremendo complexo de culpa por o terem inventado e depois cercado de reservistas quatro estrelas nos Ministérios, para desonra das Forças Armadas. Portanto, com os civis intimidados e os militares confortáveis em seus postos de governo, resta-nos a ajuda externa. Que venha. Obviamente, ninguém deve ter medo de intervenção. Basta um bom  boicote de exportações, que o pessoal do agro, majoritariamente eleitor de Bolsonaro, tratará de trazê-lo para o bom caminho.
*Jornalista, professor e economista
Fonte: Portal da CTB

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