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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Lutar como uma garota: RETROSPECTIVA DAS OCUPAÇÕES ESTUDANTIS!

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"Liberdade pra dentro da cabeça!" - Estudantes

Protagonistas em muitas ocupações de escola em 2016, estudantes contam como a experiência mudou seu entorno e seu olhar sobre o mundo.

Vila Nitro Operária, Zona Leste de São Paulo, 14 de maio de 2016. Leticia Garcia, de 16 anos, caminha até um grupo de garotos reunidos no pátio da escola estadual Dario de Queiroz: “As meninas estão limpando os espaços da escola que todos nós usamos durante estes dias de ocupação. Não acho justo que apenas nós tenhamos que fazer isso”. Para surpresa da garota, os colegas não interromperam nem questionaram, apenas balançaram a cabeça em concordância e subiram para dividir a tarefa.
Pode parecer uma divisão óbvia de afazeres, mas, por saber como costuma acontecer no dia a dia dentro e fora da escola, Letícia lembra da situação com carinho e orgulho. Ela é presidenta do grêmio do Dario e tem consciência de que muita coisa mudou por ali além das obras de concreto conseguidas pelos estudantes, como a que reconstruiu o muro da escola. “Duas mulheres como liderança na ocupação, uma ocupação construtiva e democrática. Acabamos nos mostrando capazes de ocupar espaços de decisão, assim como toda mulher é capaz de ser, caso queira”.
A participação ativa de garotas em todos os tipos de atividades do movimento estudantil tem chamado atenção de quem luta por uma sociedade mais justa e igualitária. “Na minha época, participar do movimento nos dava pela primeira vez uma perspectiva além de casar e ter filhos. Mas, ainda assim, a gente tinha papéis coadjuvantes: secretárias, ajudantes”, comenta Camila Silveira, que tem 32 anos e hoje é responsável pelas políticas públicas para mulheres no estado do Ceará. “Fico muito feliz de ver as meninas nos cargos de comando. O movimento social continua puxando as mudanças na sociedade.”
Claudiane Lopes, do Movimento Olga Benário, também aponta para o fenômeno: “O movimento mostra para a sociedade que não basta para mulheres poderem participar. Elas podem comandar também”.
Estudantes da E.E. Dário de Queiroz, na Zona Leste de São Paulo
Estudantes da E.E. Dário de Queiroz, na Zona Leste de São Paulo

“Me tornei uma pessoa menos individualista e tive a maior aula de cidadania da vida. A ocupação mudou o olhar das pessoas sobre meu colégio, que, por ser periférico, nunca tinha sido bem visto. Outras gerações vão poder usufruir disso.”
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Crystina Sulliver
Colégio estadual Frentino Sackser
Marechal Cândido Rondon (PR)

“Não me sinto uma líder, mas acabei sendo, neste processo. Sempre pensei em mudar as coisas, mas não sabia como. A ocupação trouxe oportunidade. Cresci, aprendi e reconheci muito mais o poder de uma mulher”
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Larissa Shakur, 16 anos
Escola estadual Doutor João Ernesto Faggin
Vila Clara, São Paulo (SP)

Coisa de menino e coisa de menina

“A gente dividia as tarefas por sorteio ou pelas vontades e gostos de cada um, não tinham coisas de meninas e coisas de menino lá na ocupa”, lembra Bruna Helena, que é vice-Ubes em Minas Gerais e ajudou na construção da mobilização no Colégio Estadual Central, em Belo Horizonte.
No começo da ocupa da Escola Sizenando Pechincha Filho, em Serra, Espírito Santo, só os homens cuidavam da segurança. Depois, todas as atividades passaram a ser mescladas, conta Iza Fernandes, de 16 anos.
Quatro meses depois, Iza diz que a harmonia se mantém: “Os meninos passaram a conviver com as meninas e, assim, a se entender mais também. Na verdade, muita gente que estudava no mesmo período nem se conhecia antes”.
Histórias parecidas de integração vêm de todos os cantos do País. “Justamente pela nossa ocupação ser liderada por meninas, todos viram que as minas tem capacidade. Os meninos aprenderam a tratar as meninas com o maior respeito”, diz Crystina Sulliver, liderança do colégio estadual Frentino Sacker, de Marechal Cândido Rondon, no Paraná.
Além dos exemplos práticos, muitas escolas tiveram oportunidade para conversar sobre questões de gênero. “Eu me tornei feminista ao desenvolver as ideias durante atividades com convidados. Eu já tinha pensamentos e atitudes, mas não sabia que era um movimento tão grande!” relata Larissa Shakur, da Zona Sul de São Paulo.
Por estas e por outras, Monica Ribeiro, que é coordenadora do Observatório do Ensino Médio, acredita que as ocupações são experiências ricas para se pensar em um novo modelo de educação: “Aprendemos muito com elas. Eu destacaria pelo menos duas coisas: uma é a experiência de autogestão e de gestão democrática da escola. Em segundo lugar, as experiências formativas, que associaram aulas em sentido mais convencional com outras formas como oficinas, rodas de conversa etc… Também a definição dos assuntos inovou. Essa experiência, se quisermos levar minimamente a sério uma mudança no ensino médio, não poderá deixar de ser levada em conta”. (Leia mais)
“Tinha acabado de chegar do Rio e trazia esta ideia das ocupações. Foi uma experiência que mudou minha vida. Nós, estudantes, passamos a interagir, conviver e nos entender.”
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Iza Fernandes, 16 anos
Escola estadual Sizenando Pechincha Filho
Serra (ES)

“Foi uma experiência de constante aprendizado e evolução, a gente aprende muito convivendo em coletivo.”
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Bruna Helena
Colégio Estadual Central
Belo Horizonte (MG)

Resultados

Na Escola Dario de Queiroz, onde este texto começa, algumas mudanças são evidentes. Os estudantes garantiram uma verba de 100 mil reais para reformar um prédio ameaçado (desde que Letícia entrou na escola, o laboratório e a biblioteca estavam interditados) e reconstruir um muro caído, que agora, de pé, vai ganhar pintura de artistas locais organizados pelo grêmio.
Mas outras alterações, mais simbólicas, podem ser notadas pelos mais atentos. “Aprendemos que, quando nos unimos, não mudamos apenas a nossa vida, mas dos colegas, dos trabalhadores, dos futuros estudantes da escola”, resume Letícia.
“Aumentou o sentimento de pertencimento à escola, de carinho ao espaço e ao próximo. Conheci muita gente durante a mobilização. Foi criada esta interação entre nós, de respeito e cuidado.”
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Leticia Garcia, 16 anos
Escola estadual Dario de Queiroz
São Miguel Paulista, São Paulo (SP)
“Nossa ocupação era vista como ‘feminista’ por ter em sua maioria mulheres à frente. Nós ocupamos, resistimos, lutamos e batemos de frente com quem queria criminalizar o movimento. Com certeza mudou a relação entre as minas da escola e os garotos. Espero que a mudança seja progressiva, sempre em frente.”
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Mariana Benigno
Centro de Ensino Médio 304
Samambaia, Brasília (DF)
Fonte: UBES

quarta-feira, 5 de abril de 2017

DIA 28 DE ABRIL, VAMOS PARAR O BRASIL | Contra as reformas da Previdência e trabalhista e contra a terceirização

“Dia 28 de abril, vamos parar o Brasil”. Com esta formulação as Centrais Sindicais decidiram por unanimidade os próximos passos da mobilização nacional unificada contra as reformas da Previdência e trabalhista e contra a terceirização.

Todo o mês de abril será dedicado a protestos, atos, paralisações e atividades que culminarão com uma Greve Geral no País no dia 28.

Confira o chamado do dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Luiz Carlos Prates, o Mancha:

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Um Encontro Nacional dos Trabalhadores do Transporte, no próximo 6 de abril em São Paulo, organizará a paralisação do setor. Outras categorias também devem realizar encontros para organizar sua participação.

Este 31 de março também será incorporado, com comando conjunto, no calendário de luta das Centrais Sindicais, com panfletagens e mobilizações, servindo para preparar o 28 de abril com suas bandeiras unificadas.

A decisão foi aprovada na tarde desta segunda-feira (27) pela CSP-Conlutas, CTB, CUT, UGT, Força Sindical, Intersindical, CSB, CGTB e Nova Central.

Essa greve será construída em cada local de trabalho, em cada escola, universidade, nos bairros e também pelos movimentos sociais e pela juventude.

De acordo com o dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Luiz Carlos Prates, o Mancha, a decisão é fundamental. “Foi muito importante a marcação do dia 28 contras reformas e a terceirização e a CSP-Conlutas vai lutar com todas suas forças e organizar pela base uma verdadeira Greve Geral neste dia”.



Veja abaixo a nota oficial assinada pelas Centrais Sindicais:

Dia 28 de abril
Vamos parar o Brasil

As centrais sindicais conclamam seus sindicatos filiados para, no dia 28, convocar os trabalhadores a paralisarem suas atividades, como alerta ao governo de que a sociedade e a classe trabalhadora não aceitarão as propostas de reformas da Previdência, Trabalhista e o projeto de Terceirização aprovado pela Câmara, que o governo Temer quer impor ao País.

Em nossa opinião, trata-se do desmonte da Previdência Pública e da retirada dos direitos trabalhistas garantidos pela CLT.

Por isso, conclamamos todos, neste dia, a demonstrarem o seu descontentamento, ajudando a paralisar o Brasil.

São Paulo, 27 de março de 2017.
Adilson Araújo
Presidente da CTB


Antonio Neto
Presidente da CSB


Edson Carneiro (Índio)
Secretário Geral Intersindical


José Calixto Ramos
Presidente da Nova Central


Luiz Carlos Prates (Mancha)
Secretaria Executiva da CSP-Conlutas


Paulo Pereira da Silva (Paulinho)
Presidente da Força Sindical


Ricardo Patah
Presidente da UGT


Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira)
Presidente da CGTB 


Vagner Freitas
Presidente da CUT

Fonte: CSP/CONLUTAS

“PEC 55 vai limitar o direito à educação”, alerta secretário da CNTE

Gilmar Ferreira participou de debate do 65º CONEG e falou ao site da UNE sobre os impactos do pacote de maldades de Temer na implementação do PNE

“Tem dinheiro pra banqueiro, mas não tem pra educação’’. O grito de guerra tão usado pelos estudantes sempre prenunciou os impactos que uma política de favorecimento ao capital, como a PEC 55, pode causar em setores estratégicos para o desenvolvimento nacional. Na manhã deste sábado (18), segundo dia do 65º CONEG, o assunto foi discutido junto ao secretário de Assuntos Educacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Gilmar Ferreira, e outros convidados.
Antes do debate, GIlmar falou ao site da UNE sobre as consequências da imposição de um teto para se investir na educação.
‘’Estamos diante de um grande desastre em termos de políticas de financiamento da educação. Infelizmente, a iniciativa privada será a saída para muitos estudantes, pois neste cenário de falta de recursos a escola pública acaba por perder sua força’’, disse.
Leia a entrevista completa abaixo:

QUAIS OS IMPACTOS DA PEC 55 NO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO?

Auditório da Zumbi dos Palmares ficou lotado para a mesa sobre a PEC 55 e os impactos no PNE

Nós temos um viés de limite de investimento no país para os próximos vinte anos e na educação nós temos uma demanda crescente, ou seja, a PEC 55  vai afetar diretamente a educação, porque ela vai limitar os investimentos causando a exclusão da maior parte da população de projetos educacionais necessários. A PEC vai limitar o direito à educação. Nós vamos ter menos recursos e, consequentemente, um PNE inviabilizado do ponto de vista do financiamento público. Um dos elementos que também está colocado como consequência é de que a iniciativa privada vai acabar sendo a grande alternativa. Então, é um desastre, estamos diante de um grande desastre em termos de políticas de financiamento da educação. Infelizmente, a iniciativa privada será a saída para muitos estudantes, pois neste cenário de falta de recursos a escola pública acaba por perder sua força.

A PEC 55 É UMA ESTRATÉGIA DO GOVERNO PARA EMPURRAR OS ESTUDANTES PARA A INICIATIVA PRIVADA?

Gilmar, da CNTE, na mesa sobre os impactos da PEC 55 na educação


Com certeza. Nós estamos numa escalada em que o atual governo está atendendo aos pré-requisitos das grandes corporações financeiras, não só nacionais como mundiais. Portanto, é um governo que não tem liberdade, ele só age para o mercado e ele tem que fazer esse serviço sujo que é aprovar as reformas para favorecer justamente a iniciativa privada. Então, nesse sentido, o governo vai fazer as reformas porque ele não tem outra saída, não tem legitimidade popular. A única força que ele tem é a força de quem o obriga a fazer: a própria iniciativa privada.

VOCÊ ACREDITA QUE NÓS TEMOS CONDIÇÕES DE BARRAR ESSA PEC?

Temos. Não há nenhum processo que não tenha chances de ser revertido. A condição principal que nós temos hoje é o movimento na rua. Se nós não ganharmos as ruas, não ganharmos praças, não ocuparmos as escolas, as universidades, se a gente não continuar nessa disputa de projeto aí sim nós teremos muita dificuldade. A própria CNTE chamou uma greve geral nacional, mas todos os movimentos tem que seguir nessa luta, não só na educação básica, mas no ensino superior, nos outros segmentos da classe trabalhadora, porque nós não temos só o retrocesso da PEC 55, nós temos a reforma da previdência, nós temos a reforma do ensino médio que já foi aprovada, nós temos outras reformas que estão vindo por aí do ponto de vista de limitar tudo  aquilo que conhecemos como direitos sociais.

PELA SUA EXPERIÊNCIA NA ÁREA DA EDUCAÇÃO, VOCÊ ACREDITA QUE OS INVESTIMENTOS QUE TEMOS HOJE JÁ SÃO SUFICIENTES?

De forma alguma. Na CNTE nós temos apontado desde a luta das Conferências Nacionais de Educação de que é preciso mais e novos recursos para a educação. A demanda que nós temos hoje são melhorar as condições de aprendizagem, melhorar as condições de contratação de pessoal – que precisa ser efetivo, precisa passar pelo concurso e precisa ter uma política de formação continuada – e as melhorias das condições de infraestrutura das nossas escolas. Precisamos de mais, melhores e novos recursos.
Estudantes de todo o Brasil participam do 65º CONEG da UNE em São Paulo
Fonte: UNE

terça-feira, 4 de abril de 2017

VII EEC - PROMOÇÃO CPC/RN - DIA 29 DE ABRIL - IFRN - CURRAIS NOVOS-RN


Depoimento: “Não há paz sem justiça social”

Seu dedo apertou o gatilho: o sonho acabou

Professor da Escola Municipal Daniel Piza, onde garota morreu ao ser atingida por bala perdida, desabafa: "Não há sossego possível com esta omissão estrutural e esta política de extermínio." 
* Por Alcidesio Júnior, professor da Escola Municipal Jornalista Daniel Piza, no seu perfil no Facebook
Hoje foi executada com três tiros, pela Polícia Militar, um na cabeça, um na nuca e outro nas costas, uma menina de 13 anos. Dentro da escola, em aula. Não é a primeira e não será a última. Morreu com black na cabeça, camisa e bermuda do uniforme da prefeitura do Rio de Janeiro, e um tênis rosa. Sem mochila ou celular, pois estava indo beber água. Jogava vôlei, ganhou por isso uma bolsa para ir para um colégio particular como aluna atleta, como diversos outros alunos do colégio conseguiram. Fruto de um trabalho maravilhoso dos professores de Educação Física, a menina começou a ter sonhos. O colégio foi o melhor da CRE, venceu jogos e campeonatos contra colégios particulares, trouxe 9 medalhas das 10 modalidades que participou no ano passado. Foi o destaque. Ela era da equipe. Mas, morreu.
Com ela morreu seus sonhos e a esperança de diversas outras crianças, que experimentaram hoje o ódio e o desejo de vingança pela covardia sofrida. Todo trabalho de 6 anos do colégio na comunidade, todo o trabalho de 3 anos da equipe de Educação Física e Direção, toda credibilidade que tinham, morreram ali.
Eu sairia às 16h20, estava com a turma de 6 Ano. Ouvi três tiros de pistola. Coloquei todos sentados e em silêncio em local seguro. Ouvi mais rajadas de fuzil. Gritos. Controlando a turma, boatos vinham, diziam: menina baleada. Disse a turma que iria averiguar e eles esperassem. Concordaram. Um funcionário, pai de aluna, que veio três vezes a turma pra ver a filha e pedir que não saísse dali, estava no corredor. Perguntei a ele o que realmente havia acontecido, ele pegou no meu braço e disse: quer ver o que aconteceu? Olhe ali embaixo. Vi o corpo e a poça de sangue. Morta. Voltei a turma. Confirmei o boato. Vi ainda na quadra o professor de E.F. com os outros alunos abrigados e abaixados. Na primeira pausa do tiroteio, que não acabou durante toda a tarde e noite, os alunos foram liberados para casa. Mas a troca de tiros, não parou. Alunos, pais, familiares, curiosos, vizinhos e bandidos queriam ver o corpo, entrar na escola. Uma multidão que nunca vi ali, e sempre se renovava. Uma multidão. Muita dor, revolta, desespero, ajuda… gás de pimenta, coquetel molotov, tiros, fogos, gritos…muitos gritos. Muita gente desesperada, muita gente desmaiando. O inferno. Fogo na rua, barricadas, ônibus e carros queimados. Tiros. Execução sumária. Revolta. Justa revolta. E nós, professores e funcionários, ali. Muito ódio. Justo ódio. E ela, morta.
Esta política de “combate às drogas” mata. Morre policial, morre traficante, morre inocente. Lucrando com ela, uma minoria de Políticos e “Empresários” da “boa sociedade”, que fornecem armas e drogas para os dois lados. Vendem a ideia de que vivemos em uma “guerra” para atuarem livremente. Encontram eco nos discursos conservadores que dizem que “bandido bom é bandido morto”, que “favelado é criminoso”, que “direitos humanos só servem pra proteger bandidos”, que a “polícia deve ser justiceira contra bandidos”… Se você defende isso, parabéns!, seu desejo foi realizado: seu dedo ajudou a puxar o gatilho do fuzil que matou Maria. Ela virará estatística: mais uma preta, pobre e favelada que morreu. Junto com ela o humano deste ser. Nesta lógica do olho por olho, ficamos todos cegos.
O ódio classista, o ódio contra a favela, o ódio contra o pobre, voltará. A favela dará o retorno. A indiferença, o descaso, o descompromisso com ela, terá volta. Não terá controle. Não há paz sem justiça social. Não há sossego possível, com esta omissão estrutural e esta política de extermínio. Ou mudamos tudo, ou nada mudará.
A família gritava: “a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro matou minha irmã “; “a favelada que estuda, tá aqui morta, enquanto isso, aquela criminosa foi solta pra cuidar do filho dela”; “queria ver se fosse na Zona Sul, se isso aconteceria, se as pessoas seriam tratadas assim”. O que dizer? Justo. Muito justo e lúcido.
Muitas coisas me doeram hoje: a menina que morreu; a dor de cada membro da família que chegava – cada grito de desespero era uma nova morte; o desespero e perplexidade dos alunos vendo o corpo, deitados no chão, e não sabendo o que fazer; a insensibilidade dos policiais militares que, nem ao lado do corpo da criança, pararam de rir, zombar e atiçar a dor da população; o despreparo e, ao mesmo tempo, o amor e empatia dos professores e funcionários para lidar e ajudar na situação; a impotência diante desta estrutura asfixiante e imobilizante. Mas nada se comparou a dor sentida ao ler a mensagem que recebi do professor que mudou o colégio com sua nova forma de organizar a Educação Física, dando esperança a dezenas de alunos-atletas, que até então eram apenas “péssimos alunos” ou “projeto de marginais”: “Obrigado, Júnior. Mas a minha pergunta é: do que adiantou eu ajudar ela a sonhar?”
Rio de Janeiro, 30 de março de 2017
- Fonte: UBES

domingo, 2 de abril de 2017

Mulheres vítimas de racismo cobram que setores da sociedade pensem sobre seus lugares de privilégio


Por Alessandra Dantas - colaboradora da Revista Fórum
Ser mulher é um risco e, quando se é negra, se torna ainda mais perigoso. Nesta reportagem especial, vítimas de diversas discriminações refletem a respeito da importância da denúncia e alertam sobre como a legitimação social tem contribuído para a violação de direitos de pessoas negras
Estes são relatos de três pessoas que, recentemente, sofreram uma série de discriminações em Belo Horizonte por serem mulheres negras. A estudante e cantora de 18 anos Marcela Carvalho, conhecida como Madu, foi presa injustamente no dia 14 de fevereiro, acusada de ter participado de um incêndio em ônibus na capital mineira.
Madu ficou detida por quatro dias e teve que pagar fiança de R$ 937,00. O valor foi arrecadado por movimentos sociais que se mobilizaram para ajudá-la. Há mais de um mês, a jovem usa tornozeleira eletrônica e permanece em prisão domiciliar. Nesta terça-feira (28), foi realizado o julgamento do habeas corpus para a revogação da prisão e retirada do dispositivo de monitoramento.
O pedido foi negado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, apesar de Madu reunir todos os requisitos legais exigidos para responder ao inquérito em liberdade, de acordo com o advogado da estudante, Thales Viote. Madu tem bons antecedentes, ocupação lícita e residência fixa. Ainda segundo a defesa, o inquérito que investiga a autoria do incêndio está em tramitação na Delegacia de Organizações Criminosas.
A moradora da Ocupação Eliana Silva foi acolhida na Casa de Referência da Mulher Tina Martins e está há mais de um mês sem frequentar a escola. Foi presa no primeiro dia letivo do ano. “Estava muito feliz. Depois da escola, fui para a casa de uma amiga. Na volta, enquanto esperava o ônibus, uma senhora me pediu ajuda para avisar quando o dela chegasse. Ela estava com a perna ferida e sozinha. Então, me ofereci para levá-la à UPA. Fiquei um tempo lá, mas tive que ir embora porque tinha aula no outro dia. No ônibus de volta para a casa, uns adolescentes entraram e falaram para todos descerem. Eu saí correndo e eles incendiaram o veículo”, relata Madu Carvalho. A estudante afirma que foi vítima de racismo e que vai processar o Estado.
Apesar da situação que tem vivido, Madu faz planos para o futuro. Um deles é o de se tornar cantora e compositora de sucesso. Todas as letras que escreve são histórias da realidade. “Eu canto todos os estilos. Eu gosto é de cantar”, afirma. Outro desejo é o de ajudar mulheres presas: “Gostaria de fazer eventos musicais para elas”.
Madu Carvalho (Foto: Alessandra Dantas/ Rede Fórum de Jornalismo)
Outro caso que ganhou repercussão na capital ocorreu no dia 1º de março, quando a ativista do movimento negro Vanessa Beco foi detida durante a concentração do bloco Arrasta, no Morro das Pedras, região Oeste de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Militar, ela não quis se identificar durante a abordagem, o que caracterizaria como desobediência. Porém, de acordo com a vítima, os agentes da PM agiram de forma equivocada. “Uma das várias discriminações foi a de me levar detida por desobediência com o argumento de que eu não queria me identificar, mas, desde o início, a gente se identificou”, explica Vanessa.
Por meio de nota, as advogadas Ana Paula Freitas, Mariana Septímio e Jozeli Rosa, da Rede de Advogadas Populares, que atua no caso, informaram que “o procedimento criminal contra Vanessa Beco parte da percepção de que as polícias, historicamente, se encontram completamente despreparadas para atuar com respeito à dignidade da pessoa humana junto às comunidades de favelas e a população negra, na promoção da cultura, por meio do carnaval de rua de Belo Horizonte, tendo em vista que, ao serem indagadas de forma legítima pela sua abordagem violenta e arbitrária, acusam injustamente Vanessa de praticar delito de desobediência”.
“Mais um caso de racismo institucional praticado pelas polícias, bem como pelo Poder Judiciário e seus aparatos repressivos. No dia 23 de março aconteceu audiência em que representante do Ministério Público insistiu em oferecer transação penal, mesmo sabendo de representação aberta de ofício pelo Ouvidor de Polícias do Estado de MG, pela responsabilização por abuso de autoridade por parte dos policiais militares e civis, o que coloca em questionamento a veracidade do relatório apresentado pelo delegado”, diz o comunicado.
Vanessa Beco (Foto: Alessandra Dantas/ Rede Fórum de Jornalismo)
Vanessa acrescenta que a situação em que foi detida mostra um viés de machismo e autoritarismo dos policiais. “Para além de ser uma pessoa favelada e negra, era também uma mulher se posicionando diante deles. É muito importante que as pessoas deem conta de se rever, de descer do pedestal, de pensar nos seus lugares de privilégio”, observa.
O caso mais recente que ganhou notoriedade em BH ocorreu no dia 20 de março. Ao embarcar em um ônibus, a cabeleireira afro Taciana Cristina sentiu alguém puxando o seu cabelo. Quando olhou para trás levou um tapa no rosto. “Eu perguntei por que ele tinha feito aquilo e ele disse ‘eu não gostei do seu cabelo, sua macaca!’”. O agressor é advogado, tem 70 anos e se chama Walter Roberto do Amaral. “Um homem queria bater nele. Eu impedi, porque violência gera violência” , ressalta.
Por duas vezes, Amaral tentou pegar um táxi e fugir, mas foi impedido pela vítima e por testemunhas. Na delegacia, após a cabeleireira prestar queixa e o agressor ser ouvido, o delegado definiu o delito cometido como injúria racial. Após pagar fiança de R$ 1.000, Walter Roberto do Amaral foi liberado.
Mobilizada para atuar neste novo caso, a Rede de Advogadas Populares informou, em nota, que entende que “o delito deveria ser enquadrado como racismo e não meramente no tipo penal de injúria racial, posto que existem indícios suficientes de que Walter Roberto do Amaral, ao proferir xingamentos, agrediu todo o povo negro e não somente Taciana Cristina e violentou de forma direta física e psicológica, a partir de sua crença de superioridade racial branca e da impunidade ao se apresentar como advogado.
“O pagamento da fiança arbitrada pelo delegado não encerra o caso, que já é objeto de investigação em inquérito policial e será encaminhada (para a OAB) representação via Comissão de Ética e Disciplina, a fim de responsabilização do autor do fato, por violação do Código de Ética e Disciplina”, prosseguiu.
A reportagem entrou em contato com o escritório de Walter Roberto do Amaral e solicitou uma entrevista com ele ou com seu advogado. Porém, uma funcionária afirmou que ele não irá se pronunciar sobre o delito cometido.
Gilberto da Silva Pereira (Foto: Alessandra Dantas/ Rede Fórum de Jornalismo)
Pela legislação, a injúria racial está prevista no artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal, que estabelece o delito como ofensa que atinja a subjetividade da pessoa utilizando elementos como cor, raça, etnia e religião. A pena é de 1 a 3 anos de prisão ou pagamento de fiança. “Quando se xinga uma pessoa de macaca, de crioulo, se coloca como injúria racial. Dependendo das circunstâncias, mesmo sendo detida em flagrante, a pessoa pode ser liberada e responder em liberdade”, detalha o Presidente da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da OAB/MG, Gilberto da Silva Pereira.
Já o racismo tem uma lei específica, a 7.716/1989, e é estabelecido quando se atinge uma coletividade. É um crime que não tem fiança, não prescreve e a pena é muito maior do que a por injúria racial. “A gente tem o entendimento, e a própria Comissão de Promoção da Igualdade Racial da OAB/MG estuda isso, que há necessidade de mudanças nessas tipificações porque quando você atinge uma pessoa de uma etnia qualificando ela como um ser inferior, você automaticamente está atingindo uma coletividade porque ela não é a única pessoa negra do mundo”, destaca.
“Então, a gente tem que lutar pela igualdade do racismo com a injúria racial. Quando vier essa mudança, teremos uma redução nos casos porque pessoas que covardemente cometem esses crimes de injúria racial, que na verdade é racismo, geralmente são pessoas com patamar mais elevado na sociedade. Elas têm condições de pagar fiança e estão certas da impunidade”, argumenta Silva.
Gilberto da Silva está desde agosto de 2016 na presidência da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da OAB-MG. O repúdio ao racismo e campanhas de conscientização são algumas das medidas da instituição contra as discriminações recorrentes. A última campanha lançada no estado pela Comissão foi “Mostre o Cartão Vermelho para o Racismo” em outubro do ano passado.
Violência invisível
A violência contra pessoas negras em nosso país ocorre todos os dias e muitas vezes é invisível. A diferença dos casos de Vanessa Beco, Madu Carvalho e Taciana Cristina é que tiveram visibilidade. Vanessa é ativista do feminismo negro, do movimento negro e da cultura hip hop. Ela lembra que o povo negro tem sofrido cotidianamente várias violências. “Essa sociedade tem assinado embaixo de situações como o nosso genocídio, que tem sido denunciado, a gente tem um extermínio específico, o da juventude negra. São números alarmantes, diários, mensais, anuais e a sociedade não toma uma postura sobre isso, então ela está fazendo uma opção por nos matar, por nos desumanizar”, enfatiza.
As consequências psicológicas para quem sofre racismo são intensas. Taciana Cristina, por exemplo, conseguiu dormir somente quatro dias após a agressão. “Eu cochilava e sonhava por trinta minutos, acordava e depois custava a pegar no sono de novo. Você fica com medo de dormir, daquele sonho voltar e lembrar de tudo novamente”.
A cabeleireira recebeu apoio, além da família, do Instituto Todo Black é Power, onde trabalha, de membros do bloco Angola Janga e, principalmente, de outras mulheres negras. “Muitas disseram que o tapa não foi apenas na minha cara, foi na delas também, que o advogado racista ofendeu elas também. Logo, eu pensei: meu Deus, como sou amada!”.
Foto de capa: Taciana Cristina (Alessandra Dantas/ Rede Fórum de Jornalismo)

 Fonte: REVISTA FÓRUM

50 mil na Paulista: rumo ao abril vermelho e greve geral

Com menos de 10% de aprovação, governo ilegítimo recebe recado de trabalhadores e estudantes nesta sexta (31): o povo não aceitará reformas e retrocessos.
“A maior greve geral que este País já viu nos últimos tempos” foi anunciada por trabalhadores e estudantes nas ruas de todas as regiões do Brasil neste 31 de março. No mesmo dia em que uma pesquisa Ibope divulgou aumento da reprovação do governo Temer para 55%, milhares de brasileiros deram demonstração de resistência e esperança, contra a “reforma” da previdência, o desmonte das leis trabalhistas e a terceirização.
Em São Paulo, diversas categorias anunciaram greve, lotaram a avenida Paulista, junto com estudantes, e caminharam até a República, no começo da noite. Lideranças de movimentos sociais, integrantes das frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular ressaltaram que o calor das ruas, que se mantém desde 8 de março, só irá crescer, em um “abril vermelho”, e parar o Brasil, em greve geral de 28 de abril.
Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), subiu o tom: “O jogo no Brasil começou a virar no dia 8 de março e uma pesquisa já mostra que maioria do povo percebeu o que representam os ataques do governo ilegítimo. Hoje é mais um passo importante. Se esse recado que estamos dando não for entendido, mesmo com a greve geral, e resolverem votar a reforma da previdência, vamos ter que invadir o Congresso Nacional”.
Com gente de todas as idades, o ato uniu força e esperança. “A juventude já pode sonhar com um futuro diferente, por isso não aceitará os retrocessos e estará ao lado dos trabalhadores”, garantiu Carina Vitral, presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Emerson Santos “Catatau”, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), disse que os jovens do Ensino Médio já se articulam em todo o Brasil para a greve geral do dia 28: “Só com a esperança vamos mudar os rumos deste País”.
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Foto: Amanda Macedo/UBES

Foto: Mídia Ninja
Foto: Mídia Ninja


Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça

O significado histórico do dia 31 de março e importância da democracia também foram lembrados. Fabíola Loguercio, diretora da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), citou o golpe de Estado que começou em 31 de março de 2014 e do estudante Edson Luís, morto pela repressão militar da ditadura em 28 de março de 1968:
“Edson Luís continua presente nas nossas memórias. Aqui se respira luta e não aceitaremos um projeto que não foi aprovado nas urnas!”.

Se empurrar o Temer cai

Gabriel Nascimento, diretor da Associação Nacional de Pós-Graduandos, ressaltou a vitória da entidade nesta quinta (30) no Congresso: “Mobilizados, conseguimos que o Congresso rejeitasse projeto para cobrança na pós-graduação pública. Vamos continuar unidos”.
Para Rogério Nunes, secretário da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), “o governo ilegítimo já começa a perder força no Congresso e falta só um empurrão da classe trabalhadora”. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, tem a mesma perspectiva: “Vamos derrubar o Temer ainda este ano!”.
Ele avisou ainda que os trabalhadores não esquecerão dos congressistas que apoiam retirada de direitos e que eles não se elegerão em 2018: “Querem vender aposentadoria no banco, e não que seja uma regra do estado. Colocaremos suas fotos em postes por todo o País”.
Por Cristiane Tada e Natália Pesciotta, de São Paulo
Foto: Amanda Macedo/UBES
Foto: Amanda Macedo/UBES

- Fonte: UBES

Perto de completar 80 anos de vida, UNE lança logo comemorativo

Entidade alcança marca octogenária no próximo dia 11 de agosto de 2017
por Renata Bars.
Jovem, conectada e renovada, a União Nacional dos Estudantes completa 80 anos de vida no próximo 11 de agosto. São caminhos longos de uma história de combatividade, coragem e vitórias. Para comemorar, foi lançado durante o 65º Conselho Nacional de Entidades Gerais, em São Paulo, no último dia 19 de março, um logotipo especial de forma a simbolizar a incrível idade octogenária da entidade.
”Pegamos o mapa do Brasil, que é o principal elemento do logo da UNE, e reinventamos os traços com referência em um objeto essencial da educação: um lápis”, explica o designer Vinicius Costa, da Contra Regras, que assina a criação do logo.
Segundo ele, esta foi uma forma ”simples e objetiva de usar o Brasil e a educação para compor esta homenagem aos 80 anos da UNE.”
Para a presidenta da UNE Carina Vitral, estar à frente de uma entidade com quase 80 anos de luta pela educação é muito especial. ”Tenho muito orgulho de fazer parte da UNE e desta importante história, somando na luta  ao lado dos estudantes brasileiros”, disse.

80 ANOS E MUITA LUTA

Baixe o logo em versões PNG e PDF 
A trajetória da UNE foi marcada, desde o início, por muitas lutas. Seus primeiros anos acompanharam a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), nos quais os estudantes brasileiros opuseram-se fortemente ao nazi-fascismo de Adolf Hitler. O período da ditadura militar (1964-1985) também foi de grande resistência para a entidade. O movimento estudantil teve ainda grande importância em capítulos da nossa história como o Diretas Já e o Fora Collor. Na luta que se seguiu contra o neoliberalismo e as privatizações, a UNE foi protagonista.
No século 21, a principal luta da entidade e do movimento estudantil tornou-se a melhoria da qualidade da educação pública no país. Atuou contra o golpe político ocorrido em 2016 e, atualmente, se posiciona contra os retrocessos do governo ilegítimo de Michel Temer.
Você pode conhecer mais sobre a história da UNE aqui.
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Fonte: UNE