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Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

sábado, 13 de maio de 2017

Mexeu com uma, mexeu com todas?

Protesto
Estariam as atrizes enganadas?
Mulheres não são uma categoria única. Partem de diferentes pontos. Entender essas diferenças é essencial.
É preciso resistir à tentação das fórmulas simples, diria Simone de Beauvoir. Quando falamos em opressão de gênero, mais ainda.
Ultimamente, temos acompanhado importantes mobilizações acerca de opressões que atingem as mulheres. Acredito que quanto mais se falar no tema, mais contribui na conscientização dos seres humanos e numa maior transformação de mentalidade. Fazendo jus ao conselho de Beauvoir, questiono, porém: é possível falar em unidade das mulheres? É possível ainda insistir numa suposta universalidade da categoria mulheres?
Como as feministas negras historicamente têm nos ensinado, é necessário nomear as opressões, entender que mulheres partem de diferentes pontos de partida e que existem variadas possibilidades de ser mulher. Entender essas diferenças é essencial para o prosseguimento da luta feminista. Mas quando dizemos “mexeu com uma, mexeu com todas”, estamos de fato nos referindo a todas ou à categoria que se pretende universal?
Para além disso, se faz importante questionar os modos pelos quais as identidades são colocadas. bell hooks (a intelectual prefere que se escreva assim, em minúsculo) aponta para a necessidade de se transpor uma identidade vitimada para uma identidade de resistência militante.  
Em “Recusando a ser uma vítima: obrigação e responsabilidade”, a pesquisadora diz: “Quando meu livro Feminist Theory: From Margin to Center foi publicado em 1984, eu encorajava as mulheres engajadas no movimento feminista a evitar o manto da vitimização na nossa busca para chamar a atenção pública a respeito da necessidade de acabar com o sexismo, exploração e opressões sexistas. Criticando uma cisão de irmandade fundamentada em vitimização compartilhada, eu encorajava as mulheres a se unirem pelas bases da solidariedade política”.
A pesquisadora prossegue: “Parecia irônico para mim que as mulheres brancas que mais falavam sobre serem vítimas eram as mais privilegiadas e tinham mais poder do que a vasta maioria das mulheres em nossa sociedade. Vinda de comunidades feministas no Sul segregacionista, eu nunca tinha escutado das mulheres negras sua vitimização.
Enfrentando a dureza, a destruição causada por falta e privação econômica, a injustiça cruel do apartheid racial, eu vivia em um mundo em que as mulheres ganhavam força no compartilhamento de saber e recursos, e não porque se juntavam na base de serem vítimas. Nós nos identificávamos mais pela experiência da resistência e triunfo do que pela natureza da nossa vitimização”.
Embora sejamos vítimas de uma estrutura opressora, hooks nos invoca a pensar em estratégias para além de um discurso que imobiliza. Fora isso, ela alerta para o uso desse discurso como forma de mulheres brancas pleitearem direitos dentro do mundo masculino branco e não para a construção da transformação real.
Para pensarmos um novo projeto – e feminismo é pensar novos modelos para além de pleitear políticas identitárias –, precisamos buscar e entender de modo mais profundo a raiz das opressões de gênero, classe e raça.
Enquanto as forças estiverem em prol somente de um grupo de mulheres, adiaremos cada vez mais a luta por uma transformação fundamental. 
Fonte: Carta Capital

SOCIEDADE - LITERATURA: Conceição Evaristo: “Nossa fala estilhaça a máscara do silêncio

A escritora Conceição Evaristo
Richner Allan/Divulgação
Homenageada pela Ocupação no Itaú Cultural, vencedora do Jabuti fala sobre a resistências das escritoras negras e da importância da quebra do silêncio.
Conceição Evaristo, escritora mineira, vencedora do Jabuti em 2004 com o livro Olhos d’água está sendo homenageada com a “Ocupação Conceição Evaristo”, no Itaú Cultural.
A mostra reúne textos, áudios, vídeos e fotos que contam a trajetória da escritora. Os objetos permanecerão no espaço até o dia 18 de junho. Na entrevista, Conceição fala sobre a dificuldade encontrada pelas escritoras negras para publicar suas obras, a resistência e a importância da quebra do silêncio.

CartaCapital: Como você descobriu  que queria ser escritora?

Conceição Evaristo: Na escola. Na quarta série primária eu ganhei um prêmio de literatura com uma redação cujo tema era “por que eu me orgulho de ser brasileira?”. Eu sempre escrevi, falava sobre minha festa de aniversário, a fazenda onde passei as minhas férias. E eu fico pensando que ficcionalizar aquela época me permitiu sonhar. E, entre escrever e publicar, é aí que marca o tempo, a diferença. Eu só publiquei a primeira vez 1990, nos “Cadernos Negros”, organizado pela Quilombhoje [coletivo cultural e editora]. Meu livro ficou guardado por 20 anos e minha publicação individual foi só em 2003.

Conceição Evaristo em sua primeira comunhão
Infância: Conceição Evaristo durante sua primeira comunhão, em 1954


Essa longa espera tem muito a ver com esse imaginário que se faz da mulher negra, que a mulher negra samba muito bem, dança, canta, cozinha, faz o sexo gostoso, cuida do corpo do outro, da casa da madame, dos filhos da madame. Mas reconhecer que as mulheres negras são intelectuais em vários campos do pensamento, produzem artes em várias modalidades, o imaginário brasileiro pelo racismo não concebe. Para uma mulher negra ser escritora, é preciso fazer muito carnaval primeiro.

CC: A que você atribui essa demora em publicar?

CE: Tudo para as mulheres negras chega de uma forma mais tardia, no sentido de alcançar tudo o que nos é de direito. É difícil para nós chegar nesses lugares. E eu fiquei pensando esses dias, quando foi que Clementina de Jesus aparece? Com mais de 60 anos. E a Jovelina Pérola Negra? A própria Ivone de Lara, quando ela vai ter mais visibilidade na mídia? E olha que estamos falando de produtos culturais que, entre aspas, "são mais democráticos".  E a literatura, que é uma área mais do homem branco, apesar do primeiro romance ser de Maria Firmina dos Reis, uma mulher negra, as mulheres negras vão chegar muito mais tarde.


CC: Como foi pra você esse processo de publicar? Como lidou com isso?

CE: Eu tenho dito, Djamila, que as feministas brancas usam uma máxima quando elas falam que escrever é um ato político. Para nós mulheres negras, escrever e publicar é um ato político. Por causa da minha primeira publicação, Ponciá Vivencio, fiquei um ano no vermelho para pagar a editora Mazza, em 2003. Eu paguei a primeira e segunda edição e, anos depois, esse livro foi para o vestibular da Universidade Federal de Minas Gerais. A partir daí a editora assumiu sozinha. Becos da Memória, outro livro meu, a editora assumiu sozinha. Com outros livros, eu dividi os custos. Então esse processo de publicação infelizmente ainda hoje é necessário. Eu tenho dito para as mulheres negras que a gente precisa encontrar formas coletivas de publicar. Publicar é um ato político para nós e precisamos jogar isso na cara de quem está aí para confrontar.

CC: Não devemos desistir?

CE: Precisamos mostrar as nossas narrativas, temos que disputar. E eu preciso falar que os meus primeiros leitores foram pessoas do movimento social negro. Cada leitor e cada leitora levava pra sala de aula, pra academia. Então hoje, se eu chego nesse espaço da Ocupação [Itaú], é um espaço que foi construído a partir da leitura dos meus pares. Eu cheguei onde cheguei hoje por conta desse nosso trabalho de formiguinha que a gente sabe fazer muito bem.

Aquela imagem de escrava Anastácia (aponta pra ela), eu tenho dito muito que a gente sabe falar pelos orifícios da máscara e às vezes a gente fala com tanta potência que a máscara é estilhaçada. E eu acho que o estilhaçamento é o símbolo nosso, porque a nossa fala força a máscara. Porque todo nosso processo pra eu chegar aqui, foi preciso colocar o bloco na rua e esse bloco a gente não põe sozinha. Ninguém estuda autoria negra sem falar do Quilombhoje.

CC: Como foi pra você receber o prêmio Jabuti por “Olhos d’ água?

CE: Foi um momento muito feliz, mas ao mesmo tempo foi um prêmio da solidão. Eu desejei muito reconhecer ali os meus pares. E você vê que a literatura ainda é um espaço de interdição. A literatura como sistema, porque o texto é uma coisa, mas o sistema literário é formado por editoras, por críticos, pela mídia, pelas bibliotecas, livrarias, prêmios.

Nós podemos contar nos dedos os números de escritores negros que receberam o prêmio Jabuti. Um crítico literário pode dar visibilidade ao seu texto ao mesmo tempo que pode acabar com você como fizeram muitas vezes com a Carolina Maria de Jesus e continua se repetindo. O sistema literário está nas mãos das pessoas brancas. Por isso a importância das editoras que dão espaço para a autoria negra.
A escritora Carolina Maria de Jesus
A escritora Carolina Maria de Jesus, autora de 'Quarto de Despejo'

CC: Quais são suas expectativas para a Flip desse ano?

CE: Estou animada, fui convidada para essa edição. Não só eu, tem outros escritores negros e de países africanos. E a nossa presença na Flip se dá muito por conta do texto de Giovana Xavier (professora da UFRJ) o “Arraiá da Branquidade”. Esse trabalho nosso de enfrentamento tem de ser coletivo. Porque se eu não tenho esse texto da Giovana amparando minha voz, o resultado poderia ter sido menor. Mas acho importante a gente estar lá também como leitores e leitoras que somos.

CC: Que dicas você daria para as mulheres mais jovens que sonham em ser escritoras?

CE: A primeira dica que dou é dizer que a literatura é a arte da palavra. O bom musicista treina por horas, escuta música. Eu acredito inclusive naquele sujeito que é autodidata, que estuda muito também. Eu acredito que a gente precisa ter esse cuidado de que estamos produzindo arte. Você está lidando com a palavra e se a gente quer se colocar como alguém que está produzindo literatura, precisamos ter consciência daquilo que estamos produzindo. Não pode divagar: o primeiro exercício é escrever, depois a gente vê como publica. Mas vamos escrever primeiro e não cair na ilusão de que a literatura vai nos acolher logo. É um exercício de escrita e de militância.


CC: Tem uma frase sua que diz “a nossa escrevivência não pode ser lida como 'canções para ninar os da casa grande', mas sim para incomodá-los em seus sonhos injustos”. Poderia explicar?

CE: O nosso enfrentamento é necessário, mas é preciso sabedoria. Às vezes a gente coloca a cara para bater e o outro só quer te desconcertar. Mas é a idade que vai dando isso pra gente. Que te permite avaliar o inimigo, deixar o inimigo se distrair, deixar o inimigo esbravejar e aí a você chega. Agora, essa história de amor, eu acho muito complicado porque me lembra algo cristão. Justamente por sermos todos irmãos é que eu quero tudo o que você pode ter. O irmão pressupõe partilha, então cadê o meu? Então é preciso enfrentar com cuidado, senão você se machuca e o “irmão” ainda leva tudo o que é seu.

CC:Como está sendo pra você ter a Ocupação Conceição Evaristo?

CE: Olha, a ficha ainda está caindo, mas é muito bom perceber que o seu texto cai na emoção do outro, mexe com o outro. E é muito meus textos fazerem sentido na vida das pessoas. Mas mais do que isso, eu espero que essa Ocupação ajude a mudar o imaginário das pessoas de colocar as mulheres negras somente em lugares subalternos e submissos. É pensar que as mulheres negras estão produzindo na área da literatura, filosofia, psicologia, medicina. É pensar que todas competências que uma pessoa branca pode ter, as mulheres negras têm. Que essa ocupação sirva para despertar sobre o que outras mulheres negras estão fazendo. 

Fonte: Carta Capital

sexta-feira, 12 de maio de 2017

ADURN PROMOVE PALESTRA/DEBATE HOJE (12) COM O JORNALISTA LUIS NASSIF

Iniciativa: ADURN

Inclusiva ou exclusiva – A educação e o genocídio negro – Por Richard Santos*

foto sala

Há algumas colunas tenho tratado dos caminhos para a emancipação pessoal. Sobre as formas de nos retratarmos frente ao mundo em constante transformação e frente as batalhas para superarmos o alijamento social e a desidentificação que nos é imposta como elementos associados ao capitalismo branco ocidental.
Na coluna passada tratei da decolonialidade no Hip Hop e a importância do feminismo negro para nos constituirmos no movimento sócio cultural com a importância que temos no cenário brasileiro quiçá mundial do tempo presente. Daí que encerro essa tríade emancipatória que teve inicio na coluna cujo tema era os “40 anos de Hip Hop” com a provocação reflexiva sobre a educação que buscamos individualmente, se inclusiva, ou seja, para a nossa inclusão social e do grupo, comunidade que pertencemos, se uma educação e busca de conhecimentos para o compartilhamento de saberes.
Ou se exclusiva, a capitalista, para nosso empoderamento, distinção e ganhos individuais, reforçando a ignorância alheia e que faz nossas comunidades pobres cada vez mais pobres e alguns poucos afortunados intelectuais e culturais cada vez mais distintos de seu meio original, empalados como a fonte e referência de saber e conhecimento dentro de um mundo obtuso e cego para as possibilidades promovidas pela educação e pelo compartilhamento do saber apreendido.
Não irei me alongar nesse papo reto com poucas lidas e muitas críticas colhidas em nosso meio. Essa minha presença e provocação através das palavras escritas tem relação com o alcance que esta coluna tem tido pelo Brasil e o retorno que tenho seja através de contatos pessoais, seja através do correio eletrônico ou dos aplicativos de comunicação digital. Fato é que muitos camaradas têm visto este espaço como uma reprodução da postura burguesa elitista que historicamente caracterizou a educação brasileira e com pouco de realidade das ruas, com muito pouco do corre real, do nosso dia a dia. Foi desse modo que ao ser abordado por membros da Nação Hip Hop durante a 10º Bienal da UNE em Fortaleza, me foi retratado o espaço e fui retratado por alguns. O mano que escreve bonito e não sabe dos nossos corres. No mesmo evento, também fui recepcionado como aquele que tem buscado proporcionar uma visão mais ampla e a frente para o Hip Hop e em especial para a Nação Hip Hop. Dito isso, nenhuma das duas formas de abordagem ou compreensão do que escrevo aqui me representam. Isso sugere apenas que temos sido lidos, temos sido motivos de reflexão e estima o que é o interesse inicial desse espaço.
Ainda mais a frente ou dando um passo atrás, voltando no tempo, me questiono se somos um movimento revolucionário como querem alguns ou apenas um grupo de jovens, e de não tão jovens, fazendo um manifesto cultural e político permanente, porém, desconectado da realidade. Traço esses questionamentos, talvez contraditórios ou inteligíveis para quem lê, pois o que no fundo buscamos é problematizar, ou tentar a problematização do contexto social em que estamos inseridos para além da nossa perspectiva individual da realidade e, sim , a partir de uma tomada de posição frente a realidade mais ampla, aquela identitária, econômica e política que faz sermos os guetizados/favelados e sem futuro que somos ou deveríamos ser, não fosse a rebelião que nos é inerente. Assim, ao compartilhar ideias, estimular o pensamento crítico, fomentar acordos e desacordos diante da proposta política que da base a experiência de ser membro da Nação Hip Hop Brasil, estamos coletivizando nossas leituras, apreendimentos intelectuais e percepções dialéticas da realidade a que fomos inseridos pelo sistema que nos rege e tentamos superar. Estamos socializando visões e perspectivas educacionais ao modo traçado por educadores revolucionários como Paulo Freire, Amilcar Cabral, José Carlos Mariategui e tantos outros, no Brasil, América Latina ou África que se levantaram por uma educação inclusiva e não exclusiva como armas de resistência, emancipação e da luta de seu povo.
Oportunizar nesse espaço a reflexão crítica sobre o mundo e seus acontecimentos, provocar debates sobre nossa situação local, regional ou nacional, correlacionar nossas vivências e experiências com as situações momentâneas que somos confrontados, seja a abordagem policial, a dificuldade no atendimento médico ou a falta de oportunidade educacional para a maioria minorizada é lutar intrinsecamente contra o nosso genocídio, contra o nosso encarceramento, contra a eliminação de nossas formas de vida. É tratar do nosso Bem Viver.
*Por Richard Santos – Doutorando em Ciências Sociais no Departamento de Estudos Latino-americanos – ELA /UNB.. Mestre em comunicação pela Universidade Católica de Brasília. Especialista em História e Cultura no Brasil pela Universidade Gama-Filho. Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Metodista de São Paulo. Membro da Intercom, Sociedade brasileira de estudos interdisciplinares da comunicação. Membro do Observatório Latino-americano da Indústria de Conteúdos Digitais na Universidade Católica de Brasília, diretor da Nação Hip Hop Brasil. Tem como principais objetos de pesquisa, televisão pública, comunicação digital, diversidade étnico-racial, hegemonia e contra hegemonia no contexto das indústrias culturais. 

MAIS UM GOLPE NA EDUCAÇÃO

materia fne destaque

Guilherme Barbosa, diretor de políticas educacionais da UBES, explica por que estudantes devem se preocupar com a dissolução do Fórum Nacional de Educação.
Duas portarias expedidas pelo ministro Mendonça Filho no fim de abril ameaçam gravemente a soberania do Fórum Nacional de Educação (FNE), órgão criado e garantido pelo Plano Nacional da Educação em 2014. A denúncia é do diretor de Políticas Educacionais da UBES, Guilherme Barbosa, que é membro deste Fórum, já que a entidade tem direito a uma das 50 vagas atuais.
Guilherme diz não se impressionar com o desrespeito: “Construir educação pública coletivamente não faz parte do projeto deste governo, que quer organizar um Estado mínimo sem participação popular”. (Confira na entrevista abaixo).
No começo de maio, o Brasil foi pressionado por membros da ONU para cumprir seu Plano Nacional de Educação.

O que mudou?

A coordenação da Conferência Nacional de Educação de 2018 não é mais responsabilidade do Fórum Nacional de Educação, formado por 50 entidades, e sim da própria Secretaria Executiva do Ministério da Educação. A mudança está em decreto de 26 de abril, que  suspendeu a convocação anterior, estabelecida pelo fórum e alterou o calendário.
Outra portaria, do dia seguinte, altera as vagas no FNE, sem que ninguém tenha sido consultado. Várias entidades críticas ao governo atual não têm mais sua participação garantida, como Contee, Fasubra e Proifes-Federação, associações de trabalhadores da Educação. Quem entra no lugar dessas? Mais órgãos ligados ao governo, como o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
O MEC alega que as mudanças “corrigiram distorções claras em medidas adotadas pela gestão Dilma”.
Membros do FNE publicaram nota de repúdio às alterações.

Entrevista com Guilherme Barbosa

guilherme barbosa

Você acredita que o Fórum Nacional de Educação está sendo desrespeitado pelo governo? Por que os estudantes devem se preocupar com isso?

Hoje o governo desorganiza todas as bases institucionais que sustentam o Fórum Nacional de Educação, tanto nos aspectos políticos e simbólicos, como nos aspectos estruturais. Por exemplo, a gente não tem mais garantia de passagens, de estrutura básica necessária para realizar reuniões. E até as decisões do fórum, registradas em atas, estão sendo desrespeitadas.
A ação de revogar a chamada para a Conferência Nacional de Educação do ano passado é muito grave – crava o rompimento do Ministério de Educação com o Fórum Nacional de Educação. É muito preocupante porque o fórum é um espaço importante de diálogo e construção das políticas e sistemas educacionais brasileiros.
Logo em seguida, publicaram um decreto de recomposição do FNE, retirando uma série de entidades da sociedade civil e colocando outros órgãos ligados ao MEC. É um processo de desregulamentação e desestruturação. E é um desrespeito às decisões tomadas em plena no fórum, que é soberano.
Os dois decretos são uma síntese do que o MEC do Michel Temer está fazendo com as estruturas de controle social da educação brasileira. É uma postura intransigente de desrespeito total. Isso não me impressiona, pois temos consciência de que o projeto de organização é um projeto de Estado mínimo, que presa pelo veto à participação popular e social na construção do Estado.

O chamado que o MEC revogou, para a Conferência Nacional de Educação, tinha sido feito pelo Fórum Nacional de Educação? Como era esse chamado revogado?

Era um chamado também decretado pelo Ministério da Educação, em maio de 2016, mas com concordância do Fórum Nacional de Educação. Tinha sido decidido coletivamente.
Na convocação anterior, o MEC deixava claro que respeitaria as decisões do Fórum e garantiria a estrutura física e financeira para esta participação. Agora, não. O MEC deixa claro que vai passar por cima das decisões anteriores, ignorando a soberania do FNE, garantida inclusive pelo Plano Nacional de Educação.

Por que é importante esta Conferência Nacional de Educação (CONAE), que deveria ter o Fórum atuante na organização?

Ela organiza diálogos e a construção da educação brasileira. É parte essencial da formulação dos avanços educacionais, para podermos ter uma política de Estado fortalecida a partir da organização popular. A Conae que organizou, por exemplo, o Plano Nacional de Educação.
.

Como membro do Fórum Nacional de Educação, você sabe qual será o posicionamento agora?

Por conta deste cenário, estamos voltando a organizar um comitê que se reunia antes do fórum ser criado (Comitê Nacional em Defesa da Educação Pública). A ideia é tentar construir uma conferência paralela, a Conferência Nacional Popular de Educação – Conape.
Mas o posicionamento da maioria das entidades e do FNE como um todo é tentar cobrar do MEC a defesa do FNE, um órgão de Estado que deve ser respeitado, porque é garantido por lei, a lei do Plano Nacional de Educação.
Fonte: UBES

quarta-feira, 10 de maio de 2017

24 de maio: vamos ocupar Brasília em defesa dos direitos trabalhistas e da aposentadoria e preparar a Greve Geral de 48 horas

24 de maio: vamos ocupar Brasília em defesa dos direitos trabalhistas e da aposentadoria e preparar a Greve Geral de 48 horas

As Centrais Sindicais, reunidas na tarde desta segunda-feira (8), decidiram marcar a data do #OcupeBrasília no próximo 24 de maio. Apoiadas na disposição de luta dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros, que se refletiu na força da Greve Geral de 28 de abril, a ideia é avançar na mobilização nacional contra as reformas da Previdência e trabalhista e a terceirização.


O objetivo é fazer mais um dia de mobilização que entre para a história do país, com a presença de trabalhadores, movimentos populares e juventude. É necessário dar mais um passo em defesa das nossas bandeiras e reafirmar que esse governo Temer e os políticos corruptos do Congresso Nacional não têm moral para atacar ainda mais os trabalhadores com a retirada de direitos históricos da nossa classe.

“A CSP-Conlutas desde já começará a discutir com suas bases que se a jornada de maio não frear os ataques do governo, vamos fazer uma Greve Geral de 48 horas depois da ocupação de Brasília”, alerta o dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Atnágoras Lopes.

Mas maio não se resumirá ao dia 24. Muitas atividades serão realizadas neste Maio de Luta.

CALENDÁRIO

08 a 12 de maio

– Comitiva permanente de dirigentes sindicais no Congresso Nacional para dialogar com os deputados e senadores sobre os efeitos negativos dessas reformas e também atividades em suas bases eleitorais para que votem contra a retirada de direitos;

– Atividades nas bases sindicais, com panfletagens, assembleias e outras atividades. A CSP-Conlutas desde já vai para as bases defender a continuidade dessa luta por meio de uma Greve Geral de 48 horas.

– Atividades nos aeroportos e nas bases eleitorais dos deputados e senadores para denunciar os que estão votando a favor de acabar com os direitos dos trabalhadores, e continuar esclarecendo a população sobre as reformas do governo Temer.

15 a 19 de maio

– Dia 17: Vigília, no Anexo 2 da Câmara dos Deputados, às 10h. Representantes da classe trabalhadora estarão por todo o dia no Congresso Nacional para pressionar os parlamentares contra a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 287, que acaba com a Previdência Social pública.

– Nesta semana haverá categorias de trabalhadores do campo e da cidade, movimentos sociais e estudantil realizando atividades permanentes na capital federal.

Dia 24 de maio

– O #OcupeBrasília terá caravanas de todo país para realizar uma grande manifestação em Brasília contra a retirada de direitos trabalhistas e previdenciários.

Em todo o mês de maio serão realizadas assembleias de base para continuar o debate sobre a retirada dos direitos e o avanço da organização das lutas unificadas nacionais. “Se a jornada de mobilizações do mês de maio não bastar, as Centrais Sindicais já assumiram o compromisso de organizar uma nova Greve Geral, mais forte do que foi o 28 de abril e nós vamos começar a discutir essa greve com os trabalhadores nas assembleias de base e nos comitês de luta que se formaram recentemente”, reforça Atnágoras.

Estavam na reunião desta segunda-feira (8), a CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular), CTB (Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil),  CUT (Central Única dos Trabalhares), Força Sindical, Intersindical (Central da Classe Trabalhadora), NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores) e UGT (União Geral dos Trabalhadores).

Fonte: CONLUTAS

Frente Brasil Popular: Ocupar Curitiba com muita alegria e resistência

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A Frente Brasil Popular, composta por diversas organizações dos movimentos sociais, sindicais e lideranças políticas, lançou uma nota nesta segunda-feira (8) prestando apoio às manifestações que irão ocorrer em Curitiba (PR) em defesa do ex-presidente Lula, que foi convocado pelo juiz Sérgio Moro a prestar depoimento nesta quarta-feira (10), sobre o caso do triplex no Guarujá (SP).
A presidenta nacional do PCdoB, deputada Luciana Santos (PCdoB-PE), reforça a mobilização. “A Frente Brasil Popular está organizando um dia de vigília democrática e de denúncia contra as perseguições a Lula e a toda esquerda. O PCdoB se soma a essa jornada e convoca sua militância a reforçar as caravanas que estão partindo rumo a Curitiba de diversos lugares do Brasil.”
“As caravanas devem chegar a Curitiba na manhã do dia 10 de maio, quarta-feira, e retornar aos estados de origem na noite do mesmo dia. Todos os custos referentes à viagem (transporte e alimentação) devem ser assumidos pelas próprias caravanas. Fazemos um chamado à militância do partido para se somar a mais essa jornada democrática”, afirma Luciana.
Ela considera que Lula é alvo de um conluio para prejudicá-lo. “Tal fato é parte da campanha de perseguição política comandada pelas forças golpistas, às quais se aliaram parcela do Judiciário”, conclui Luciana Santos.
Leia a íntegra da nota da Frente Brasil Popular:
“Ocupar Curitiba com muita alegria e resistência para defender a democracia e em apoio ao ex-presidente Lula”
A Frente Brasil Popular reafirma a importância política da Jornada de Lutas de Curitiba, e esclarece que manterá todas as mobilizações, caravanas e as atividades previstas na programação.
A Frente Brasil Popular repudia as decisões da Prefeitura e de setores do Judiciário, que, através de medidas antidemocráticas, proibiram a realização do acampamento para receber as caravanas de fora de Curitiba e a montagem de estrutura para os atos previstos para os dias 9 e 10 de maio. Essas medidas são claras evidências da tentativa de restringir o direito à livre manifestação, que foi chamada de forma pacífica e transparente.
Nós ocuparemos as ruas com o povo brasileiro que saiu dos quatro cantos do país com as caravanas. Por isso, conclamamos os movimentos sociais a participarem e mobilizarem para as atividades políticas e culturais que estão mantidas.
#ForaTemer #DiretasJá
#NenhumDireitoaMenos

Frente Brasil Popular 
8 de maio de 2017
Do Portal Vermelho com Frente Brasil Popular

terça-feira, 9 de maio de 2017

O que europeus brancos associam a negros?


Este mapa traz a resposta… e ela é bem desconfortável
Por Tom Stafford*
Este novo mapa mostra o quão facilmente europeus brancos associam negros a ideias negativas.
Desde 2002, centenas de milhares de pessoas em todo o mundo acessaram um site administrado pela Universidade de Harvard chamado Projeto Implícito e fizeram um teste de associação implícita (IAT), uma tarefa de resposta rápida que mede a facilidade com que você pode relacionar itens de categorias diferentes.
Para criar este mapa, usamos dados de uma versão do teste que apresenta rostos brancos ou negros e palavras positivas ou negativas. O resultado mostra a facilidade com a qual nossas mentes automaticamente fazem a ligação entre as categorias – o que psicólogos chamam de “atitude racial implícita”.
Cada país no mapa é colorido de acordo com a pontuação média dos indivíduos daquele local que participaram do teste. As nações com tom mais vermelho possuem uma média de enviesamento mais elevada, os países mais azuis mostram uma média mais baixa, como indica a escala no topo do mapa.
Assim como um mapa similar feito sobre os estados dos EUA, o nosso mapa mostra uma variação na dimensão do viés racial, mas todos os países europeus são racialmente tendenciosos ao comparar negros versus brancos.

Em cada país europeu, as pessoas são mais lentas para associar negros com palavras positivas como “bom” ou “agradável” e mais rápidos para associá-los a conceitos negativos como “mau” ou “maligno”. Mas os respondestes do teste são mais rápidos em ligar negritude e conceitos negativos na República Checa ou na Lituânia do que na Eslovênia, no Reino Unido ou na Irlanda.
Nenhum país obteve uma pontuação média abaixo de zero, o que refletiria associações positivas com a negritude. Na verdade, nenhum deles alcançou uma média sequer próxima de zero, o que indicaria nem associações raciais positivas nem negativas.
Preconceito implícito
Ao todo, temos pontuações para 288.076 europeus brancos, coletadas entre 2002 e 2015, com os tamanhos das amostras de cada país indicadas no lado esquerdo.
Devido ao desenho do teste, é muito difícil controlar deliberadamente a sua pontuação. Diversos indivíduos, incluindo aqueles que possuem crenças não racistas ou mesmo anti-racistas, demonstram um viés positivo implícito no teste. O significado exato de atitudes implícitas e do IAT é controverso, mas acreditamos que eles refletem associações automáticas que possuímos em nossas mentes e que se desenvolvem ao longo de anos de imersão no mundo social.
Embora nós, como indivíduos, possamos não ter convicções racistas, as ideias que associamos à raça podem ser construídas por uma cultura que descreve pessoas de diferentes etnias de formas e maneiras que são consistentemente mais ou menos positivas. Observado assim, o IAT – que na melhor das hipóteses é uma medida fraca da psicologia individual – seria mais útil se as pontuações dos indivíduos forem agregadas para fornecer uma reflexão sobre o mundo social coletivo que habitamos.
Os resultados deste mapa apresentam detalhes para algo já esperado: que na Europa as posições raciais não são neutras. A negritude tem associações negativas para os brancos europeus, e há alguns padrões interessantes em como a força dessas associações negativas varia em todo o continente.
Norte e oeste da Europa possuem, em média, associações anti-negras menos fortes, embora ainda as tenham. À medida em que se move para o sul e o leste, a força das associações negativas tende a crescer, mas não em todos os lugares. Os Balcãs parecem ser uma exceção, comparados aos países vizinhos. Seria esse o resultado de alguma peculiaridade sobre como as pessoas nos Balcãs souberam do Projeto Implícito, ou porque seus preconceitos não são orientados em torno de um eixo branco-negro? Por enquanto, só podemos especular.
Perguntas abertas 
Ao interpretar o mapa há pelo menos duas qualificações importantes a se considerar.
A primeira é que as pontuações só refletem atitudes raciais em uma dimensão: emparelhamento de branco/preto com bondade/maldade. Nossos sentimentos sobre etnicidade possuem diversas outras dimensões que não são capturadas por esta medida.
A segunda é que os dados vêm de europeus que visitam o site do Projeto Implícito dos EUA, que é em inglês. Podemos ter a certeza de que a amostra reflete um subgrupo da população europeia com mais conhecimento da internet do que é típico. Eles também são provavelmente mais jovens e mais cosmopolitas. Esses fatores tendem a subestimar a extensão do racismo implícito em cada país, de modo que os verdadeiros níveis de racismo implícito tendem a ser mais elevados do que os apresentados neste mapa.
Este novo mapa é possível porque o Projeto Implícito libera seus dados por meio do Open Science Framework. Esse site permite que cientistas compartilhem materiais brutos e dados de seus experimentos, autorizando qualquer pessoa a verificar seu funcionamento, ou re-analisar os dados, como fizemos aqui. Creio que ferramentas abertas e métodos de publicação como estes são necessários para tornar a ciência melhor e mais confiável.
*Professor em Psicologia e Ciência Cognitiva na Universidade de Sheffield, no Reino Unido. Pesquisa aprendizagem e tomada de decisão.
Este artigo foi originalmente publicado em The Conversation. Leia o original aqui.
Fonte: Capital Capital

MAIS REGISTRO DO SUCESSO DO VII ENCONTRO ESTADUAL DO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC/RN - IFRN - CURRAIS NOVOS-RN - 06-05-2017

 Presidente do CPC/RN, EDUARDO VASCONCELOS
 Apresentação do Grupo Afroregueiros da Comunidade Quilombola "Boa Vista dos Negros" - Parelhas - RN

 Mesa de debate do VII ENCONTRO ESTADUAL DE CULTURA -PROMOVIDO PELO CPC/RN
 Plenário do IFRN - CURRAIS NOVOS - RN, palco do VII EEC do CPC/RN
Plenário do IFRN
 Ronaldo Gomes da Silva, Presidente da Fundação de Cultura "José Bezerra Gomes" - Currais Novos-RN - falando em nome do prefeito, Odon Jr.
 AFROREGUEIROS - PARELHAS-RN
 AFROREGUEIROS - PARELHAS-RN

Dançarino santacruzense, JUCIANO da SHOW ao lado de uma voluntária da cidade de Canguaretama
 Grupo "SOU MAIS PERCUSSÃO" da E. E. Alberto Maranhão" - Nova Cruz/RN
 Música Popular Brasileira: Eliane, Emerson e Lorena (Alunos da E. E. Cap. Mor Galvão - Currais Novos - RN
Grupo "SOU MAIS PERCUSSÃO" da E. E. Alberto Maranhão" - Nova Cruz/RN

Composição da Mesa Oficial do VII ENCONTRO ESTADUAL DE CULTURA - CPC/RN: Vereadora Tércia Leda (Representando a Câmara Municipal de Currais Novos); Ronaldo Gomes, presidente da Fundação Cultural José Bezerra gomes (representando o prefeito, Odon Júnior), José Alves (presidente da ACEUA - Alexandria), Manoel Euflausino (coordenador do SINTEST/RN), Maria Aparecida Costa/Graça Pereira (Representando o SINAI/RN, Diretor Geral do IFRN - Campus de Currais Novos-RN: Andreilson Oliveira e Eduardo Vasconcelos - CPC/RN.

Cerimonial: Radialista Claudio Pereira de Lima.

Assunto: "Quais as consequências das políticas adotadas pelo Governo Federal na Cultura?"
Após 3 horas de discussão foi aprovado MANIFESTA EM DEFESA DA CULTURA POTIGUAR! Que será enviado aos Governos: Federal, Estadual e Prefeituras.

Nossos agradecimentos aos estabelecimentos escolares: E. E. Capitão Mor Galvão e E. M. Gilson Firmino e o IFRN (Currais Novos); E. M. Nestor Marinho, E. E. Alberto Maranhão, E. E. Djalma Marinho e E. E. Rosa Pignataro.

Apoios Comerciais;  Rádios OURO BRANCO, FM 95 - CURRAIS NOVOS (SERTANEJA), Mega Kilão, Livraria Mina de Ouro, Rede Mais (Venâncio), Hotel D'Almeida e Laticínios SERTÃO SERIDÓ.