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sábado, 15 de julho de 2017

Apenas homens brancos compõem o comitê de “diversidade” da Coca-Cola

A empresa divulgou uma matéria falando sobre o comitê que criou as latinhas LGBT e frisou a “diversidade” da marca, mas grupo não tem nada de diverso e internet não perdoou. “Podia vir um biscoito também com a latinha”, ironizou uma internauta. Confira as reações 
Por Redação
No mês passado, no Dia Internacional do Orgulho LGBT, a Coca-Cola Brasil lançou uma campanha interna com latinhas de Coca-Cola contendo o refrigerante Fanta e com a frase “Essa Coca é Fanta, e daí?”, ironizando um trocadilho homofóbico difundido há anos na sociedade brasileira.
A campanha foi divulgada na internet e, bem aceita, não demorou muito tempo para viralizar.
Nesta sexta-feira (14), no entanto, a empresa resolveu divulgar uma matéria falando sobre o comitê de “diversidade” da marca, responsável pela criação da campanha: um grupo de seis homens, todos brancos e com a aparência física semelhante. Ou seja, nada diverso.
No texto, a marca explica que o grupo é apenas um dos que formam o comitê de diversidade, que ainda tem outros grupos para fazer ações no âmbito de gênero, raça, geração e pessoas com deficiência. A Coca-Cola adiciona, ainda, que “a ideia agora é atrair mulheres LGBTs e pessoas heterossexuais para o grupo”.
Sem as mulheres outras pessoas representativas para outros segmentos, no entanto, o comitê composto apenas por homens brancos se tornou alvo de inúmeras críticas nas redes sociais.
Confira, abaixo, algumas reações no Twitter
segundo a @CocaCola a diversidade é um macho hétero-branco-cis pic.twitter.com/NCGBzFTxss
num dá pra saber se são heteros por foto, mas é real q essa tentativa de diversidade falhou

 Ver imagem no Twitter

sexta-feira, 14 de julho de 2017

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CARTA ABERTA DA UNEGRO RJ AO PREFEITO MARCELO CRIVELLA


A UNEGRO/RJ ENTIDADE MISTA, QUE TEM EM SUA DIRETRIZ O COMBATE AO RACISMO, INTOLERÂNCIA RELIGIOSA, HOMOFOBIA, ETC.ABRAÇA A LUTA DE COMBATE AO RACISMO A TODOS OS 

POVOS TRADICIONAIS DE MATRIZ AFRICANA E AFRO-BRASILEIRA , EIXO DE NOSSA ANCESTRALIDADE, PARA A LUTA , RESISTÊNCIA E PRESERVAÇÃO DAS CASAS DE AXÉ, PORTANDO-NOS COMO PARCEIROS DE TODOS OS NOSSOS RELIGIOSOS, ADEPTOS, SIMPATIZANTES E CO IRMÃOS, NA LUTA PELO DIREITO A PRÁTICA RELIGIOSA E LIBERDADE DE CULTO, SEM PERSEGUIÇÃO OU INTENÇÃO PENTECOSTAL TRAVESTIDA DE GOVERNO MUNICIPAL , RASGANDO A CONSTITUIÇÃO DE 1988.

É INDICÍVEL O DECRETO 43.219\2017, QUE APÓS A PERMANÊNCIA A  MAIS DE 200 ANOS DE CANDOMBLÉ E CULTURA NEGRA EM TERRITÓRIO BRASILEIRO, DE TODAS AS SUPERAÇÕES E CONQUISTAS SUPERADAS COM DIGNIDADE DO NOSSO POVO, TENDO COMO BALAUSTRE OS ORIXÁS, INKICES E VODUNS, E COMO REFÚGIO E PORTO SEGURO AS CASAS DE AXÉ, VENHA SER DELIMITADO ESPAÇOS, EVENTOS, ATOS, ETC. A PARTIR DA AUTORIZAÇÃO OU LIBERAÇÃO DE UM PREFEITO EVANGÉLICO PENTECOSTAL, QUE VEM DE FORMAS CRUEL E INDIGNA, PERSEGUINDO, PUNINDO E IMPEDINDO NOSSA CULTURA ,( CARNAVAL, PAGODES, SAMBAS, CULTOS RELIGIOSOS DE MATRIZ AFRICANA OU AFRO-BRASILEIRA), NUM BOICOTE TRUCULENTO, RETROCEDENDO TODAS AS NOSSAS CONQUISTAS E AVANÇOS.  

ISTO VAI, MAIS UMA VEZ, CONTRA TODOS OS PRINCÍPIOS E PONTO DA CARTA COMPROMISSO, ASSINADA POR CRIVELLA, EM SALVAGUARDAR, "DAR PROTEÇÃO E APOIO AO QUE É CULTURAL, RELIGIOSO OU SAGRADO DE CADA CIDADÃO, ASSIM COMO A CULTURA POPULAR AFRO-BRASILEIRA: CAPOEIRA, SAMBA, JONGO CULINÁRIA E OUTRAS FORMAS DE EXPRESSÕES CULTURAIS DOS VARIADOS SEGMENTOS RELIGIOSOS E RECONHECER OS DIFERENTES SABERES DAS REPRESENTAÇÕES CULTURAIS, RACIAIS E RELIGIOSAS, BEM COMO COMPREENDER SUAS RAÍZES HISTÓRICAS, DEFENDENDO, DENTRE OUTRAS CONTEXTOS, O ENSINO OBRIGATÓRIO DA HISTÓRIA DA ÁFRICA E DA HISTÓRIA E DAS CULTURAS AFRO-BRASILEIRAS NAS ESCOLAS DAS REDES PÚBLICA E PRIVADA DO PAÍS, À LUZ DA LEI 10.639/03”. 

IRMÃOS VAMOS NOS UNIR E CENTRALIZAR ESSE PREFEITO, DIZENDO A ELE QUE NÃO PRECISAMOS QUE ELE AVALIE, PERMITA OU AUTORIZE A REALIZAÇÃO DE NOSSOS EVENTOS, INTERFIRA QUANDO PROFESSAMOS NOSSA FÉ, NEM MUITO MENOS NOS NOSSOS EVENTOS, POIS ESTAMOS NUM ESTADO LAICO E QUE O QUE ESPERAMOS DELE , É O QUE TODA A POPULAÇÃO DO MUNICÍPIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO ESPERA, UMA SAÚDE SAUDAVEL, POIS A DO NOSSO MUNICÍPIO ESTÁ DOENTE, UMA EDUCAÇÃO ALFABETIZADA POIS ELA ESTÁ ANALFABETA, E MUITA SEGURANÇA POIS A DO MUNICÍPIO EM QUESTÃO ESTÁ INSEGURA E AMEAÇADA.

ABAIXO A DITADURA RELIGIOSA, A PERSEGUIÇÃO AS NOSSAS CASAS DE AXÉ E NOSSOS ADEPTOS.       
LIBERDADE RELIGIOSA JÁ!

NOSSOS  PASSOS VEM DE LONGE E NÃO CABE NUM DECRETO  SR° PREFEITO CRIVELLA!

Não mexa na minha ancestralidade

AGENDA
Sábado,15 de julho às 10:00 - 13:00
Daqui a 3 dias16—28° Ensolarado

  • Terça-feira, 8 de agosto às 19:00 - 21:00
  •  
    Império Serrano
    Avenida Ministro Edgard Romero, 114 - Madureira, 21350-302 Rio de Janeiro

Mais de 100 comunidades quilombolas já foram certificadas em 2017


A Fundação Cultural Palmares (FCP), vinculada ao Ministério da Cultura, certificou 103 comunidades remanescentes dos quilombos, no primeiro semestre deste ano. Desde o início de suas atividades, em 1988, a fundação certificou 2.962 comunidades.
O reconhecimento é o primeiro passo para que elas iniciem o processo de titulação da terra, que deve ser feito junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Cabe à Palmares somente expedir a certidão de autodefinição das comunidades como remanescentes de quilombo e inscrevê-las em um cadastro geral. Para preservá-los, os territórios quilombolas não podem ser desmembrados nem vendidos.
Quilombos
No Brasil, o termo quilombo é utilizado para nomear os locais de refúgio e resistência dos escravos fugidos durante os períodos colonial e imperial.
As comunidades que então se formaram também incluíram, além dos ex-escravos negros, indígenas, mestiços e brancos pobres. O mais famoso deles, o Quilombo do Palmares, foi homenageado ao dar seu nome à FCP, criada para promover e preservar a arte e a cultura afro-brasileira.
Brasil Quilombola
O Programa Brasil Quilombola, lançado em 2004, tem como objetivo consolidar os marcos da política de Estado para as áreas quilombolas, baseada em quatro pilares: acesso à terra; infraestrutura e qualidade de vida; inclusão produtiva e desenvolvimento local; e direitos e Cidadania.
Passo a passo para a titulação
1) Procurar a Fundação Cultural Palmares em busca da certificação, na qual a comunidade se autodeclara remanescente quilombola.
2) Com a certificação da Palmares, o grupo deve procurar o Incra para iniciar o processo de titularização (posse) das terras onde está localizado.
3) Pelo Incra, serão exigidos a elaboração de relatório técnico (RTID), composto de estudo antropológico, levantamento fundiário, memorial descritivo e cadastramento das famílias quilombolas.
4) Com o relatório aprovado, o Incra realiza a indenização dos ocupantes não quilombolas, para que deixem o território.
5) Tendo em mãos o título das terras, os quilombolas poderão ter acesso a programas do governo federal. Neste guia há informações sobre como essas comunidades devem proceder para serem atendidas por esses programas.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Artistas e intelectuais criticam condenação de Lula

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Depois que o juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente Lula, por “corrupção passiva” e “lavagem de dinheiro”, nesta quarta-feira (10), o caso repercutiu o mundo. No Brasil, diversos artistas e intelectuais se pronunciaram sobre o caso. Muitos consideram “perseguição política” para evitar o “retorno de Lula” em 2018, além de acreditar que fere o sistema democrático do país.
Beth Carvalho, Zé Celos, Kleber Mendonça Filho e Silvia Buarque estão entre os artistas que criticaram a ação do juiz Sérgio Moro contra LulaBeth Carvalho, Zé Celos, Kleber Mendonça Filho e Silvia Buarque estão entre os artistas que criticaram a ação do juiz Sérgio Moro contra Lula Em entrevista ao jornal O Globo, vários artistas criticaram a decisão do juiz, entre eles, a cantora Beth Carvalho, conhecida pelo seu posicionamento político alinhado à esquerda. Para ela, a condenação de Lula foi “um absurdo que isso aconteça nesse mesmo momento em que perdemos as conquistas de Getúlio Vargas para os trabalhadores. Lula foi condenado sem provas, não querem que ele seja candidato a presidente, sabem que ele vai ganhar a eleição. O processo foi todo conduzido de forma falsa, todo baseado em mentiras. Tenho certeza de que grande parte do povo está revoltada com isso.”
O cineasta Kleber Mendonça Filho, diretor de filmes como Aquárius e Som ao Redor, vai na mesma linha de Beth, para ele é gravíssimo que o processo tenha se desenvolvido sem provas. “Uma vergonha, mais uma num país que desrespeita cada vez mais a cidadania”.
Já o diretor e fundador do Teatro Oficina, Zé Celso, não titubeia ao afirmar que as motivações de Moro contra Lula são políticas e que o juiz se aproveitou do momento de turbulência no país para executar a ação. “Para realizar seu grande sonho — ou melhor, seu marketing —, Moro decreta a prisão de Lula, justamente quando é julgado o Fora Temer, e a maioria do povo brasileiro quer Diretas Já. O objetivo é comum a toda plutocracia: barrar a candidatura de Lula à presidência do Brasil”.
O cineasta Luiz Carlos Barreto também critica o fato de Moro ter declarado a sentença no dia seguinte à aprovação da Reforma Trabalhista, que já configura um golpe muito duro contra o povo brasileiro. “No dia seguinte em que se aprova a reforma trabalhista, que fez o Brasil regressar à era pré-Revolução Industrial da Inglaterra, condenar sem provas o maior líder popular do país é um complô de agitação para jogar o Brasil numa convulsão social. Voltamos à escravatura. Considero o Moro um terrorista.”
A atriz Silvia Buarque disse estar “estarrecida” por se tratar de uma “condenação política”. “Mas é uma condenação que já estava prevista por conta do golpe que afastou Dilma Rousseff da presidência.”
Do Portal Vermelho, com O Globo

Ao nosso cinema, as migalhas!

No começo de julho, a temporada de lançamentos nos cinemas do Brasil foi marcada pela a estreia de “Homem Aranha de volta ao lar”, “Meu Malvado Favorito 3”, “Mulher Maravilha” e “A múmia”. Somados, estes quatro títulos ocupam quase 75% das salas de cinema.

Por Vandré Fernandes*

Independente da qualidade dos filmes, o que chama a atenção é a força do lançamento. Quase ¼ das salas estão ocupadas pela a história do jovem aracnídeo. Como disputar a venda de ingresso se as estreias brasileiras ganham apenas um horário em alguma sala e muitas vezes fora do horário nobre? Para o cinema brasileiro alcançar voos mais altos não só basta vontade, é preciso decisão política de mudar o status-quo.

Foi tentando resolver tal distorção que a Ancine, no período em que o Brasil gozava de auto-estima, distribuição de renda e desenvolvimento, elaborou um projeto para ampliar o número de salas de cinema para dar vazão à nossa produção cinematográfica. Já que, em tese, quanto mais salas, mais distribuição, mais exibição, mais democracia nas telas.

Porém, isso não é fácil. Os grandes distribuidores e exibidores sempre deram preferência aos blockbusters americanos. Por isso, os grandes complexos localizados nos Shoppings nunca incluíram filmes nacionais, exceto as comédias globais, e mesmo essas em total desequilíbrio. Ou seja, a luta da Ancine de dar alternativa de exibição além dos grandes complexos de exibição é a mesma do pequenino Davi contra o gigante Golias.

A recente SPCine também fez um projeto para distribuir filmes nacionais em circuitos alternativos, como CEU’s, Cinemas de Rua, Associações, entre outros. O motivo é sempre o mesmo, despertar no espectador brasileiro a vontade de assistir filmes com outra linguagem, independentes, e alimentar o (sonho) de ampliar o gosto do público para as nossas produções.

Mas não é fácil competir com uma indústria. Os americanos pensam num filme como calça jeans, celular, computador… Um filme é uma mercadoria.

Se procurarmos na história do Brasil, vamos encontrar inúmeras vezes que o governo americano pressionou o país para inibir qualquer política que valorizava as produções brasileiras em nossas salas de exibição. Teve até um episódio em que um representante norte-americano disse que não mais importaria as nossas laranjas se não aumentássemos as exibições dos filmes americanos.

Ocupação cultural é uma forma inteligente de se colonizar um povo.

Por outro lado, no Brasil temos uma semi-industria, que avançou muito no último período. Nos 14 anos de governo popular, criamos uma produção robusta, mas ainda sem uma visão estratégica de ocupação, ficando muito sobre os ombros da própria Ancine.

E o que acontecerá agora, com um governo sem legitimidade, com um Ministério da Cultura à deriva e uma Ancine que, nesse contexto, está fragilizadas e provavelmente não mais vai poder atuar de forma autônoma?

Bem, como dizia um ancora de tv: as imagens são dramáticas.

Mesmo assim, o cinema brasileiro vive. No mesmo começo de julho estreiou – em pouquíssimas salas – “Os pobres diabos”, de Rosemberg Cariri; “SoudTrack”, da 300 ml; “As aventuras do pequeno Colombo”, de Rodrigo Gava. Além de outras estreias pelo Brasil. E se tudo der certo, eles ficarão em cartaz por míseras duas semanas.

Fazendo uma conta simples, os “primos pobres das salas de cinema no Brasil” – se for mantida a media de 20 expectadores por sessão, em uma sala, por duas semanas – terão levado 280 pessoas aos cinemas. Já o Homem Aranha com 660 salas, 4 horários diferentes, com os mesmos números de pessoas levaria quase 1 milhão. Se ainda contarmos com a forte publicidade para a divulgação do filme, a política americana no cinema, e a dominação cultural que vem de quase um século, esse número passará de 3 milhões.

Ou seja, ou a gente toma uma atitude contra a picada do Aranha, mantendo as políticas e projetos desenvolvidas pela Ancine ou I like American bullshit.

*Vandré Fernandes é cineasta

Site brasileiro ensina jornalistas a proteger fontes e dados pessoais de ataques digitais

Raphael Hernandes (Courtesy)
Metadados? Encriptografia? Backdoor? Navegador Tor? VPN? PGP? Quando o assunto é segurança digital para jornalistas, a quantidade de termos técnicos e siglas pode assustar. Mas ferramentas para garantir a privacidade online podem ser cruciais para a proteção de fontes - e para promover este conhecimento, foi lançado o site Privacidade para Jornalistas.
No site, uma análise de ameaças ajuda a entender quais são as melhores alternativas para combater a vigilância, o hacking e a coleta e retenção de dados dos mais variados adversários, de governos a bisbilhoteiros casuais, passando por corporações e criminosos. A iniciativa é baseada no australiano Privacy for Journalists, projeto da organização sem fins lucrativos CryptoAustralia.
Desde que o jornalista brasileiro Raphael Hernandes lançou a plataforma, no dia 6 de março de 2017, ele tem sido procurado por colegas na redação que precisam de dicas sobre como se proteger em suas apurações. Hernandes é repórter de audiência e dados na Folha de S. Paulo, onde ofereceu um pequeno workshop sobre o assunto. Segundo ele, a questão de privacidade tem despertado interesse entre os colegas.
“Dá pra ver que quem acessa [o site] é interessado. Fica bastante tempo nas páginas e vê várias páginas por visita (média de 6), o que mostra interesse no conteúdo. Tem muita coisa para as quais não nos atentamos no dia a dia, o quão expostos estamos”, disse Hernandes ao Centro Knight.
O site que inspirou Hernandes surgiu da iniciativa pessoal do especialista em segurança da informação Gabor Szathmari, presidente da CryptoAustralia. Ele trabalhou com a Walkley Foundation na CryptoPartySydney, evento para ensinar regras de segurança digital para jornalistas.
“Pensei que, já que teria que desenvolver materiais para o workshop, por que não publicá-los para o benefício de toda a comunidade de jornalistas na Austrália e no mundo? Pesquisei por aí, e mesmo que eu tenha encontrado alguns materiais valiosos online, não achei nenhum tutorial sobre privacidade ou segurança que falasse especificamente da Austrália”, disse Szathmari ao Centro Knight.
A preocupação com a segurança digital não é exclusiva do Brasil. Várias organizações de jornalismo ao redor do mundo têm seções dedicadas à segurança digital. Outras organizações dedicadas à segurança digital, como a Electronic Frontier Foundation, oferecem dicas específicas e guias para jornalistas e suas fontes.
Raphael Hernandes explicou que é importante entender qual proteção usar em cada caso.
“O sigilo das nossas fontes é uma das coisas mais importantes que temos. Se é uma pessoa com que falamos todo dia, não há necessidade de escondê-la, mas talvez a fonte esteja mandando algo sensível e seja importante encriptografar. Não devemos viver em uma paranoia, mas pensar nas nossas fontes e no que elas precisam. É tratar resfriado com remédio de resfriado, não com bala de canhão”, disse.
Segundo Hernandes, a discussão é especialmente relevante no Brasil. No Marco Civil da Internet do país, está prevista a coleta e retenção por um ano de dados de navegação pelos provedores. Até então, é necessária ordem judicial para acessar esses metadados, mas um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados quer retirar este requisito.
Para Hernandes, este cenário deixa uma situação em que jornalistas e indivíduos devem deixar o mínimo de rastros possíveis – o que ele garante que não é uma tarefa difícil.
“De fato, tem coisas que são mais avançadas, como por exemplo configurar o GlobaLeaks (ferramenta segura de troca de arquivos e mensagens). Mas estamos aqui para ajudar. E, tirando isso, a maioria são ferramentas que podemos usar em casa quando quiser. Pode parecer difícil no começo, mas mais porque tem palavras que não usamos todo dia, como back door (softwares que permitem o acesso remoto ao computador)”, disse.
De acordo com Szathmari, as medidas de segurança mais básicas incluem substituir programas de mensagem como o Messenger e o Skype por plataformas encriptografadas, como Sinal e Wire. Em casos mais sigilosos, outras medidas são necessárias. “Deixe seu smartphone em casa se você vai se encontrar com a fonte - ele é uma máquina espiã. Sugiro evitar o computador em geral e tirar a poeira do bom e velho bloquinho caso sejam anotações muito sigilosas”, recomendou.
A preocupação com a segurança digital não é exclusiva do Brasil ou da Austrália. Várias organizações de jornalismo ao redor do mundo, como o Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ), têm seções dedicadas ao assunto. Outras organizações dedicadas à segurança digital, como a Electronic Frontier Foundation, oferecem dicas específicas e guias para jornalistas e suas fontes.
Veja algumas ferramentas básicas de proteção, segundo Raphael Hernandes:
Criptografia de HD e de pen drives - A criptografia coloca uma senha em HDs e dispositivos USB, que protegem fontes e arquivos pessoais caso o equipamento seja perdido ou roubado.
Autenticação em duas etapas - Usada no acesso web de bancos, pode ser configurada em seu e-mail e redes sociais. O login é feito com algo que você sabe (sua senha) e algo que você possui (um código enviado a seu smartphone, por exemplo). Isso evita problemas mesmo se você tiver as senhas comprometidas.
Signal - Aplicativo disponível para smartphones de mensagens criptografadas. Se o celular for interceptado, ninguém consegue entender o que foi escrito por lá.
Sync.com - Sistema de armazenamento em nuvem gratuito. Ele utiliza o protocolo de conhecimento zero, ou seja, armazena as informações mas não sabe o que está sendo armazenado. Via de regra, os sites que usamos comumente analisam os arquivos e passam relatórios para as autoridades. O Sync é criptografado e mais seguro, de uso bem simples.
PGP - Sigla de Pretty Good Privacy (Privacidade Muito Boa). É uma forma de criptografar e-mails. Como uma espécie de baú, mas com duas chaves: uma para trancar e outra para destrancar. Você distribui a chave que tranca o baú, para que as pessoas te mandem arquivos e mensagens. Mas só você tem as chaves para destrancar o conteúdo.
Fonte: https://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-18526-site-brasileiro-ensina-jornalistas-proteger-fontes-e-dados-pessoais-de-ataques-digitai