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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Ouça “História Hoje”26/09 : Saiba mais sobre o índio guerreiro Ajuricaba, morto há 290 anos

guerreiro Ajuricaba
No dia 26 de Setembro de 1727, Lisboa era comunicada da morte do guerreiro Ajuricaba. Ele era considerado príncipe, líder da tribo dos Manaós, no Amazonas. Tornou-se símbolo da insubmissão dos índios à opressão colonial, e lutou incansavelmente contra a ocupação portuguesa.
Apresentação Adalto Gouveia
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A tribo dos Manaós tinha um acordo com os portugueses, mas um desentendimento entre os líderes da tribo e o colonizador provocou a morte do cacique.
O acordo garantia que índios de outras tribos fossem comercializados como escravos e Ajuricaba, que era filho do cacique morto, não concordava com este comércio.
Ajuricaba, que morava longe da tribo, jurou vingar a morte do pai. Esse índio valente era disputado pelas filhas dos Maiapenas, Tucanos e Barés, mas ele escolheu uma bela cunhatã dos poderosos Titiás.
Seguindo o propósito de vingar a morte do pai, entrou em contato com os holandeses do Suriname, que eram inimigos de Portugal. Em 1723, foi iniciada uma luta de emboscada contra o invasor português, chamando então a atenção do governador do Pará, que pediu ao rei de Portugal apoio para combater a guerrilha.
O rei enviou armas e tropas para a luta contra os guerreiros de Ajuricaba. Mas os portugueses precisaram de reforço. Os colonizadores utilizaram um navio com canhões que dizimava os nativos, mas estes resistiam com suas flechas, zarabatanas e o orgulho de defender a região do julgo português.
Em 1729, o cronista Ribeiro Sampaio relatou que de 300 a 2 mil índios foram presos, inclusive o destemido Ajuricaba, que perdeu seu filho em uma das lutas sangrentas. Preso, ele seria conduzido a Belém para julgamento. Mas, mesmo acorrentado, lançou-se nas águas do Amazonas, para resistir à prisão, liderando outros guerreiros, que conseguiram escapar.
Diz uma antiga lenda indígena que as águas do rio Negro e do Solimões não se misturam até os dias atuais, para marcar onde o cacique Ajuricaba lançou-se para a morte, marcando no encontro dos rios a força da revolta do índio em libertar o seu povo.
Manaós significa Mãe de Deus e deu origem a atual capital do Amazonas, Manaus.
Pesquisa e redação: Beatriz Arcoverde
Sonoplastia: Messias Melo
História Hoje: Programete sobre fatos históricos relacionados às datas do calendário. Vai ao ar pela Rádio Brasil Cultura de segunda a sexta-feira

terça-feira, 26 de setembro de 2017

CNTE participa de audiência pública sobre impactos da reforma da Previdência na educação

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Nesta quarta-feira (27), às 10h30, a secretária de Aposentados e Assuntos Previdenciários da CNTE, Selene Barbosa Michielin, vai participar da audiência pública no Senado que vai debater impactos da reforma da Previdência na educação. O debate será promovido pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). As senadoras Lídice da Mata (PSB-BA) e Fátima Bezerra (PT-RN) são autoras dos requerimentos para a realização da audiência. 
Na avaliação das senadoras, as mudanças na Previdência atingem não apenas os trabalhadores que atuam na iniciativa privada, mas os servidores públicos federais de educação, o que pode alterar a estrutura das universidades e instituições de ensino superior, além dos institutos de educação profissional, científica e tecnológica. Elas consideram que é preciso prever também outros impactos na área da educação. Destacam que, embora a reforma da Previdência não atinja diretamente os estados e municípios, os entes federados terão o prazo de seis meses para fazerem suas reformas, visando à adequação às regras do texto geral que abrange a União.
O portal do Senado vai transmitir a audiência pública em tempo real pelo site: http://www12.senado.leg.br/ecidadania/principalaudiencia

Com informações da Agência Senado.
Fonte: CNTE

SBPC e oito entidades científicas pedem a Temer o descontingenciamento imediato de recursos para C&T

XV Semana de Antropologia da UFRN acontece de 9 a 11 de outubro, evento conta com o apoio do ADURN-Sindicato e PROIFES-Federação

Em carta enviada ao presidente da República nesta segunda-feira, 25, as nove entidades pedem que o governo libere os recursos congelados do MCTIC em 2017 e afirmam que é também indispensável garantir um orçamento adequado para a área em 2018
A SBPC, juntamente a outras oito entidades representativas das comunidades científica, tecnológica e acadêmica brasileiras e dos sistemas estaduais de ciência, tecnologia e inovação enviaram nesta segunda-feira, 25, uma carta ao presidente da República, Michel Temer, pedindo a liberação imediata da verba do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) contingenciada em 2017.
Na carta, as entidades reiteram a gravíssima situação da ciência e tecnologia no País resultante da drástica diminuição das verbas e solicitam ao presidente que, diante da decisão do governo de autorizar a liberação de mais R$ 12,8 bilhões para o orçamento de 2017, em função do aumento da meta de déficit fiscal, libere os recursos contingenciados do MCTIC neste ano.
 “Há necessidade urgente de reversão do cenário de cortes, por meio do descontingenciamento desses recursos para o MCTIC, para possibilitar a recomposição do orçamento anteriormente previsto para 2017. É igualmente indispensável a garantia de um orçamento adequado para a ciência e tecnologia em 2018”, afirmam as nove entidades na carta.
 Além da SBPC, assinam o documento a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem), a Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), o Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa (Confies), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), o Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência e Tecnologia (Consecti), o Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (Fortec) e o Fórum Nacional de Secretários Municipais da Área de Ciência e Tecnologia.
A carta foi encaminhada também aos ministros da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Dyogo Oliveira.
 Confira, neste link, a carta na íntegra.
Jornal da Ciência
C/ ADURN

CPC/RN ENTREGA DIPLOMA DE HONRA AO MÉRITO A ADURN E AO SEU ATUAL PRESIDENTE!


O presidente do CPC/RN, Eduardo Vasconcelos esteve hoje (26) na sede da ADURN para entregar o Diploma de HONRA AO MÉRITO a conceituada instituição e ao presidente, professor Wellington Duarte, que na ocasião se encontrava em reunião com a Reitora Ângela Paiva tratando de assunto do lançamento do Movimento em Defesa da Universidade Pública e de Qualidade. Na ocasião Eduardo Vasconcelos foi recebido pela assessora de comunicação, Jana Sá, filha do nosso saudoso camarada, Glênio Sá.

Para Eduardo Vasconcelos os 2 diplomas é o reconhecimento que o CPC tem para com a ADURN, entidade respeitada e sempre na defesa da nossa UFRN, como o seu representante, Wellington Duarte um incansável lutador pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, uma correta, íntegro e batalhador pelas causas trabalhistas, culturais e educacionais. Faz justo a duas homenagens, Conclui, Eduardo Vasconcelos

CPC/RN GANHA COMO DOAÇÃO 2 COMPUTADORES DO IFRN

Hoje (26), o presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, Eduardo Vasconcelos recebeu das mãos do Diretor do Campus do IFRN - Salgado Filho - Natal, professor José ARNÓBIO de Araújo Filho como doação dois (2) computadores "usados", mas em perfeito estado.

Eduardo Vasconcelos ao nobre professor Arnóbio, sentindo-se muito gratificado e confidenciou que os mesmos serão de grandes utilidades, pois será uma ferramenta importante para registro e documentário das atividades em prol da entidade.

Fascistas ameaçam advogado negro em Blumenau

“Negro, comunista, antifa e macumbeiro, estamos de olho em você”, diz um cartaz colado em um poste na frente da casa do advogado Marco Antônio André, que faz parte da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil, da OAB
Por Redação
O levante nazi-fascista visto nos Estados Unidos recentemente não está muito longe do Brasil. Na semana passada, pichações com suásticas e mensagens racistas foram encontradas no banheiro de uma faculdade em Santa Maria (RS). Neste segunda-feira (25), um advogado negro de Blumenau (SC) se deparou com uma ameaça de fascistas em um cartaz colado em um poste em frente sua residência.
“Negro, comunista, antifa e macumbeiro, estamos de olho em você”, diz o cartaz, que tem ainda uma imagem representativa do movimento racista KKK (Ku Klux Klan), dos Estados Unidos.
Confira, abaixo, o relato do advogado.
Marco Antônio André, que é praticante do Candomblé, revelou a ameaça em uma postagem no seu perfil do Facebook. Membro atuante do NEAB (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros) da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), o advogado não se intimidou e afirmou que continuará lutando “por uma sociedade mais justa e igualitária”.
Ele recebeu inúmeras mensagens de apoio e colegas informaram que denunciaram o caso ao Ministério Público Estadual, que ainda não se pronunciou.
Confira, abaixo, o relato do advogado.
Fonte: REVISTA FÓRUM

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Revelando São Paulo

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O maior e mais importante festival de cultura tradicional paulista volta a acontecer na cidade de São Paulo. O Revelando São Paulo vai ocupar o Parque do Trote, na Vila Guilherme, Zona Norte da Capital, de 29 de novembro a 3 de dezembro. O tema central deste ano é “Festa do Divino”.
A Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo realiza o evento que une uma oportunidade única de contato com a gastronomia e as tradições artísticas de várias regiões do Estado.
“A volta do Revelando São Paulo na capital é um compromisso que assumimos com imensa alegria. Reunir um festival que dialoga com as mais diversas linguagens e diferenças culturais é fazer da cultura o ponto de encontro e convergência”, afirma o secretário da Cultura do estado José Luiz Penna.
O público poderá aproveitar a programação gratuita em 80 espaços de culinária, 100 espaços de artesanato, 12 Ranchos Tropeiros e 200 grupos de cultura popular tradicional, com a participação de representantes de 180 cidades. O Revelando também contará com um espaço dedicado à Festa do Divino, com exposição fotográfica, rodas de conversa e mostra com vestimentas, gastronomia e música.
Esta edição trará mostras de artesanato e de culinária tradicional, além do Espaço Cerâmica e o Espaço Brincadeiras de Todos os Tempos, voltado para o público infantil. No palco, os visitantes vão conferir encontros de violeiros, sanfoneiros, congadas e moçambiques, samba rural, catira e orquestras de viola. As culturas tradicionais estará representada por grupos de Folia de Reis, Dança de São Gonçalo e Dança de Santa Cruz.
O Revelando São Paulo é realizado desde 1997 e faz parte da política do Governo do Estado de preservação e difusão do patrimônio imaterial, bem como dos grupos que o mantém, estimulando pessoas do interior e da capital a conhecerem suas histórias, contadas por meio de suas tradições. Em breve, a programação completa.
SERVIÇO: Revelando São Paulo
Data: 29 de novembro a 03 de dezembro
Horário: Das 9h00 às 21h00
Local: Parque do Trote e Mart Center – Av. Nadir Dias de Figueiredo – Vila Guilherme, São Paulo-SP
Fonte: BRASIL CULTURA

Bibliotecária cria livraria sobre protagonismo feminino negro Divulgação

protagonismo
A bibliotecária Ketty Valêncio, que mora na zona norte de São Paulo, decidiu investir em um negócio e numa causa. Ela acaba de lançar a livraria virtual e itinerante Africanidades, especializada em autoras negras.
Sua intenção é promover o protagonismo das mulheres negras na literatura mundial. Além de títulos de autoras conhecidas como Angela Davis, Alice Walker, Teresa Cárdena e Edwidge Danticat, a livraria tem obras de escritoras independentes, pouco conhecidas e/ou pouco acessadas.
“A ideia de criar a livraria veio da minha própria história de vida. Sentia uma angústia por ser uma mulher negra. Esta angústia foi motivada pela ausência de representatividade negra em todos os espaços de saberes que circulei, isso sem comentar a diminuição de pessoas afrodescendentes como estudantes no decorrer do tempo. Na escola, não aprendemos a literatura negra de homens ou mulheres. Na faculdade, também não. E a literatura reporta ainda mais a realidade que não aprendemos e colocamos a menina como protagonista da própria história ao ser uma criadora”, afirma Ketty, que também é pesquisadora pós-graduada em gênero e diversidade sexual, com um MBA em Bens Culturais: Cultura, Gestão e Economia.
Entre os quase 80 títulos disponíveis na loja, estão obras de Antonieta de Barros, Bell Hooks, Futhi Ntshingila, Jarid Arraes, Maria Firmina, Noémia de Sousa, Virgínia Bicudo, entre outras autoras. Por enquanto, a livraria divide as obras em 11 sessões: Ciências Sociais, feminismo, ficção, não-ficção, obras de referência, quadrinhos, poesia, religião, infanto-juvenil, biografias e artes, tudo voltado à cultura negra.
Para saber como e onde comprar, visite o site de Africanidades:www.livrariafricanidades.com.br.
Fonte: RBA

EM NOVEMBRO FIQUEM LIGADOS! VEM O 8º ENCONTRO ESTADUAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA!

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Em novembro o Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN promoverá seu 8º Encontro Estadual da CONSCIÊNCIA NEGRA! Será dia 19 de novembro! Em Nova Cruz/RN!
Fiquem ligados!

Se eu fosse o juiz e o juiz fosse o réu


(25 perguntas para Moro)
Renan Araujo

1. Qual sua participação no arquivamento na operação do Banestado (contas CC-5)?

2. Por que fez acordo com Youssef, o deixou solto, e fez acordo com ele, novamente, mesmo ele não tendo cumprido o primeiro?

3. Por que condenou Youssef há 100 anos e ele já está solto?

4. Por que Paulo Roberto Costa, Cerveró, Fernando Baiano estão "soltos" e desfrutando de suas furtunas, tendo devolvido apenas parte do dinheiro desviado?

5. Por que Vaccari continua preso, mesmo inocentado?
6. Por que nenhum tucano preso até hoje, apesar de provas e mais provas?

7. Por que condenou Lula em assunto diverso da denuncia do MPF, no caso triplex?

8. Por que condenou Lula sem provas?

9. Por que manteve Dona Marisa no processo, apesar de morta?

10. Por que mantém ocultos à defesa de Lula, documentos que constam no processo e que podem ter sido adulterados?

11. Quem custeia suas viagens ao exterior e como elas são possíveis em dias de trabalho habituais e obrigatórios?

12. Como compatibiliza suas atividades de juiz às de professor da Universidade de Maringá?

13. Qual a relação de sua esposa com a APAE nacional e a história do desvio de dinheiro das emendas parlamentares?

14. Como o dinheiro de Tacla Duran foi parar na conta de sua esposa, mesmo o Sr. afirmando tratar-se de um bandido?

15. Por que o Sr. absolveu Claudia Cunha, mesmo tendo provas?
16. Por que o Sr. absolveu a esposa de Cabral, mesmo tendo provas?

17. Por que divulgou grampos ilegais da Presidenta da República na Rede Globo?

18. Por que o Sr. é o principal palestrante dos eventos da LIDE, empresa pertencente ao corrupto João Dória, prefeito de São Paulo?

19. Por que o Sr. participou de eventos e fez fotos com Aécio, Serra, Temer, Pedro Taques, mesmo sabendo de denuncias de corrupção contra esses políticos tucanos ou peemedebistas?

20. O Sr. ainda procura uma prova contra Lula, ou suas convicções já são suficientes para condená-lo outras vezes?

21. Seu amigo Zocolotto, padrinho de seu casamento, é mesmo uma pessoa honesta?

22. O que o Sr. sente, sabendo que quebrou a industria pesada e de ponta do Brasil e provocou centenas de milhares de desempregados?

23. Gostou do filme "A Lei é para Todos"?

24. A lei é realmente para todos?

25. O Sr. acredita que realmente combate a corrupção?

Por Renan Araujo
Fonte: ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br
Em 25 de setembro de 2017

Flecha contra bala: livro resgata histórias de resistência indígena

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“Somos indígenas e muitos perguntam quem são os indígenas. Nós, indígenas, somos os guardiões da História. Em nossa memória guardamos todas as cores, todos os rumos, todas as palavras e todos os silêncios… Vivemos para que a memória viva não se perca. Nós, indígenas, somos aqueles que, tendo como base a cor da terra que somos, pintamos as primeiras das muitas cores que vivem no mundo. Somos nós, indígenas, que apontamos o tempo do qual viemos, vivendo hoje o nosso passado, para que não se perca e para que não nos percamos.” O trecho da Carta Zapatista, escrita no México, em 2001, abre o livro Histórias da Resistência Indígena – 500 Anos de Luta (Editora Expressão Popular), escrito pelo indigenista e doutor em Ciências Sociais Benedito Prezia.
Com 208 páginas, a obra é dividida em cinco partes: Os primeiros contatos, A conquista portuguesa, Do período pombalino à independência, Do Império brasileiro à 1ª República e As lutas atuais. Com textos curtos e vigorosos, o livro enfoca os mais de 500 anos de resistência dos povos indígenas sob o ponto de vista deles. Se a narrativa começa ‘amistosa’, com a chegada dos portuguesas, aos poucos o clima começa a ficar tenso: os conflitos litorâneos, a conquista do Nordeste, a violência do período bandeirista, as lutas na Amazônia e Centro-Oeste até chegar aos conflitos atuais.
“A conquista da América foi palco de um grande genocídio, talvez o maior da História. Poucos historiadores tiveram a lucidez e a coragem de Tzvetan Todorov, que escreveu que ‘se a palavra genocídio foi alguma vez aplicada com precisão a um caso, então é esse. É um recorde, não somente em termos relativos (uma destruição da ordem de 90% ou mais), mas também absolutos, já que estamos falando de uma diminuição da população [indígena] estimada em 70 milhões de seres humanos. Nenhum dos grandes massacres do século XX pode comparar-se a essa hecatombe'”, destaca o texto de apresentação.
Para o autor, era importante resgatar essas lutas e evidenciar que os indígenas não aceitaram passivamente o genocídio, ao contrário do que diz grande parte dos livros de história: “Desde 1986, quando estava no Conselho Indigenista Missionário (Cimi), procurava descobrir a trajetória de luta desses povos. Fala-se muito em genocídio, como se esses povos tivessem aceitado passivamente a conquista, sendo mortos como formigas. A maior parte dos livros que trata da história indígena enfoca muito sobre os massacres e a escravização indígena, trazendo pouco das lutas de resistência. Fora a Confederação dos Tamoios e da chamada Guerra dos Bárbaros, pouco se conhece. A história real da resistência e da luta desses povos também continua desconhecida. O nome correto e real desses povos, a descrição dos personagens, das datas e dos locais onde os fatos se sucederam são, em geral, ignorados pelos brasileiros”, afirma.
Entre os textos, um deles, Maninha Xukuru-Kariri, Grande Guerreira, traz um recorte de gênero. Prezia destaca a história de Etelvina Santana da Silva, mais conhecida como Maninha Xukuru-Kariri, que sempre acompanhou a luta de seu povo pelo direito à suas terras, em Alagoas. Ela era a única mulher na comissão da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas e Espírito Santo (Apoinme), em 1995, e a primeira que levantou a questão de gênero entre as lideranças. É sua trajetória que encerra o livro que já está à venda nas livrarias e no site da Editora Expressão Popular.
Inspirado pelo formato de Memórias de Fogo, de Eduardo Galeano, Benedito Prezia levou mais de nove anos para fazer este resgate histórico. “Foi um trabalho de garimpagem, pois não é fácil descobrir essas lutas, pois a história é sempre escrita pelo vencedor. Em algumas áreas não consegui encontrar nada mais específico, como foi o caso do Acre. Isso não significa que não houve lutas, mas que elas ou não foram escritas ou que eu não as identifiquei”, aponta Prezia, também autor de Esta Terra Tinha Dono, com co-autoria de Eduardo Hoornaerte, e Brasil Indígena, 500 Anos de Resistência.
Inicialmente, Histórias da Resistência Indígena – 500 Anos de Luta foi pensado para as lideranças indígenas e professores das escolas indígenas, “que precisam conhecer a própria história, pois, muitas vezes, ficam dependentes de publicações oficiais que não têm esse enfoque”, pontua o autor. “Outro público que pensei foi o da militância. Estamos num momento político de refluxo e a gente percebe que muitos jovens, mesmo em nível acadêmico, vivem uma desesperança e têm um desconhecimento muito grande dessa história de luta. Espero também que meu livro possa ser também utilizado no meio acadêmico, embora não seja um livro acadêmico. Os livros acadêmicos geralmente ficam restrito às universidades e aos pesquisadores e não chega ao grande público. Mesmo assim tive a preocupação de colocar sempre as referências e as fontes”.
Fonte: Rede Brasil Atual

Japão deve refletir sobre sua história de invasão, dizem estudiosos

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Tropas japonesas capturaram a Ilha de Hainan da China em 1939 e usaram-na como uma base de operações para a invasão da China e do Sudeste Asiático. O exército japonês também cometeu várias atrocidades na ilha, incluindo assassinatos, estupros e a queima de aldeias.
Sato começou a estudar a história da invasão militar do Japão de seus vizinhos na década de 1970 e gradualmente aprendeu sobre as atrocidades cometidas pelos militares japoneses na ilha de Hainan.
Para saber mais sobre esta parte da história, Sato fundou um grupo civil e juntamente com seus companheiros estudiosos, decidiu visitar a Ilha de Hainan para coletar testemunhos de moradores locais.
“Nós precisamos ir aos lugares onde as atrocidades aconteceram e ouvir os testemunhos das vítimas, porque nosso governo apagou todas as evidências e registros aqui sobre esses crimes de guerra,” disse Sato.
Desde 1998, Sato e os membros de seu grupo civil visitaram a ilha de Hainan mais de 30 vezes e entrevistaram mais de 200 pessoas, principalmente familiares das vítimas das atrocidades japonesas.
Apesar de ficarem chocados com os crimes de guerra cometidos pelo Japão, eles também estão preocupados com a atual situação da maioria dos jovens japoneses hoje em dia, que não têm conhecimento suficiente da história da guerra, devido à iniciativa do governo japonês de apagar a história.
Hidemaru Saito, um membro do grupo de Sato, disse que, para alguns japoneses, a história da guerra é uma história do Japão sofrendo com o bombardeio nuclear e ataques aéreos, e consideram que o país foi uma vítima, e não o agressor.
Sato disse que muitos grupos civis no Japão agora estão tentando falar às gerações mais jovens sobre a verdadeira história “sob pressão do governo, embora os jovens têm muito poucas oportunidades para aprender sobre as verdades históricas, estas oportunidades ainda sim existem.”
Kim Jung-Mi, uma estudiosa coreana que também faz parte do grupo civil de Sato, disse que o Japão tem escondido a verdade histórica sobre a guerra, e as gerações que realmente conhecem a verdade estão envelhecendo.
“Temos que gravar essas memórias na história e passar para as próximas gerações,” disse ela.
“Se eu fosse um chinês, como eu poderia confiar em um Japão que nega o Massacre de Nanjing e o fato de que o Japão invadiu também outros países? (…) O primeiro passo (para construir a confiança mútua) é admitir sua história,” disse Sato.
Fonte: Xinhua

PRESIDENTE DO CPC/RN ENTREGA DIPLOMA DE HONRA AO MÉRITO A SINDICALISTAS E AO PROFESSOR ADILSON GURGEL

 Presidente do CPC/RN, Eduardo Vasconcelos entrega Diploma de HONRA AO MÉRITO ao Presidente da FETARN, Manoel Cândido
 Advogado e assessor jurídico da FETARN, MARCOS GEORGE recebe das mãos do Eduardo Vasconcelos - CPC/RN
 Eduardo Vasconcelos - CPC/RN, entrega aos Coordenadores do SINTE/RN: Rômulo, Simonete e José Teixeira o Diploma ai Mérito
 Eduardo entrega ao Coordenador do SINTE/RN, José Teixeira o Diploma ao Mérito
 Coordenadora do SINTE/RN recebe em nome de FÁTIMA CARDOSO, o Diploma de Honra ao Mérito das mãos de Eduardo Vasconcelos - CPC/RN
 Coordenador Geral do SINTE/RN, Rômulo recebe o Diploma de Honra ao Mérito das mãos de Eduardo Vasconcelos
 Coordenadores do SINTE/RN: Rômulo, Simonete Almeida (Diretora de Organização da Capital) e José Teixeira exibem os Diplomas de Honra ao Mérito do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN
Eduardo Vasconcelos, presidente do CPC/RN entrega Diploma ao Mérito ao advogado, Adilson Gurgel de Castro

Hoje (25), o presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, entregou Diplomas ao Mérito a sindicalistas e ao professor da UFRN, Adilson Gurgel de Castro, ex presidente do Conselho Estadual de Educação - CEE/RN e ex presidente da OAB/RN, Dr. Adilson Gurgel, Dr. Marcos George, assessor da FETARN e Manoel Cândido, presidente da FETARN, que contribuem para os avanços e conquistas nas áreas culturais e educacionais no Estado do Rio Grande do Norte.

Eduardo Vasconcelos, presidente da entidade promotora, em suas palavras enfatizou que, “Aquele momento servira para reconhecer as personalidades, das diversas áreas ali representadas, que contribuíram incisivamente para fomentar as ações desenvolvidas pelo CPC/RN durante estes 7 anos no estado do Rio Grande do Norte e além fronteiras potiguares. Reconhecer quem sempre esteve e estar nas lutas constantes na defesa de direitos e resgate da cultura potiguar, é o reconhecimento dos valores que todos tem. São justas essas singelas homenagens!", concluiu, Eduardo Vasconcelos.


domingo, 24 de setembro de 2017

FRENTE NEGRA BRASILEIRA



Criada em outubro de 1931 na cidade de São Paulo, a Frente Negra Brasileira (FNB) foi uma das primeiras organizações no século XX a exigir igualdade de direitos e participação dos negros na sociedade brasileira. Sob a liderança de Arlindo Veiga dos Santos, José Correia Leite e outros, a organização desenvolvia diversas atividades de caráter político, cultural e educacional para os seus associados. Realizava palestras, seminários, cursos de alfabetização, oficinas de costura e promovia festivais de musica.

Foi um movimento social que ajudou muito nas lutas pelas posições do negro. Existiam diversas entidades negras. Todas essas entidades cuidavam da parte recreativa e social, mas a Frente veio com um programa de luta para conquistar posições para o negro em todos os setores da vida brasileira. Um dos seus departamentos, inclusive, enveredou pela questão política, porque nós chegamos à conclusão de que, para conquistar o que desejávamos, teríamos de lutar no campo político, teríamos de ter um partido que verdadeiramente nos representasse. A consciência que existia na época eu acho que era muito mais forte que a que existe agora. 

Quando o negro sente uma pressão, quando qualquer agrupamento humano sente uma pressão, procura um meio de defesa. A pressão era tão forte que muitos jornais publicavam: “Precisa-se de empregado, mas não queremos de cor". Havia alguns movimentos também no interior, principalmente nos lugares em que os negros não passeavam nos jardins, mas na calçada. Muitas famílias não aceitavam, inclusive, empregadas domésticas negras; começaram a aceitar quando se criou a Frente Negra Brasileira. Chegou-se ao ponto de exigir que essas negras tivessem as carteirinhas da Frente, e dessa forma, muitas entidades

de negros que cuidavam de recreação filiaram-se à Frente Negra. E existiam diversas sociedades em São Paulo e pelo interior afora. Por isso a Frente cresceu muito, cresceu de uma tal maneira que tinha delegação no Rio de Janeiro, na Bahia, no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais , chegado a aproximadamente cem mil integrantes em todo o país.   Em sua sede na rua da Liberdade, n. 196, funcionava o jornal O Menelik, órgão oficial e principal porta-voz da entidade, sucedido pelo O Clarim d’Alvorada, sob a direção de José Correia Leite e Jayme de Aguiar.

Se liga na historia - Dirigida por afro-brasileiros que tinham superado a barreira do analfabetismo e se tornado professores, a Frente teve de lidar com diversas contradições. Seu primeiro Presidente, Arlindo Veiga dos Santos, era patrianovista, isto é, monarquista, e, embora sempre afirmasse que essa sua posição não interferia em seu papel como frentenegrino, as maiores críticas à Frente e muitas das cisões que surgem derivam dessa postura e da linha autoritária que a diretoria teria imprimido à Frente, com a formação, por exemplo, de uma milícia. Logo no seu início, o grupo do jornal Clarim da Alvorada, de José Correia Leite, rompeu com a Frente Negra. Na Revolução de 1932, ela decidiu por se manter neutra, não aderindo à luta empreendida pelos paulistas. No entanto, houve uma cisão e de dentro da Frente saiu um grupo que formou a Legião Negra para lutar ao lado dos paulistas.

A FNB ganhou adeptos em todo o país, inclusive os jovens Abdias Nascimento e Sebastião Rodrigues Alves. Seguindo o propósito de discutir o racismo, promover melhores condições de vida e a união política e social da “gente negra nacional”.
No campo da atuação política, a FNB ressaltava a importância de o negro superar a condição de cabo eleitoral, uma condição subalternizada que reforçava e ajudava a perpetuar a subalternidade de sua inserção na sociedade como um todo. Assim, a FNB incentivava o lançamento de candidaturas políticas negras. A entidade chegou a se organizar como partido político. Logo em seguida, em 1937, o Estado Novo de Getúlio Vargas fechou todos os partidos e as associações políticas, aplicando um duro golpe na Frente Negra Brasileira, que foi obrigada a encerrar suas atividades.

Para conhecer mais sobre a Frente Negra Brasileira, sugerimos a leitura do livro Negros e Política: 1888-1937, do historiador Flávio Gomes, publicado pela Zahar Editora. Além da dissertação de mestrado da historiadora Maria Claudia Cardoso Ferreira, sob o título Representações Sociais e Práticas Políticas do Movimento Negro Paulistano: as trajetórias 
de Correia Leite e Veiga dos Santos (1928-1937)
É importante ressaltar e lembra nossa historia porque quase nunca o protagonismo afro-brasileiro é lembrado de forma positiva ao longo da história. A nós os relatos oficiais geralmente reservam o papel de coadjuvantes nos grandes eventos, especialmente naqueles que ajudam a definir a situação sociopolítica do país. 

Quando não nos dão esse papel, tentam desqualificar nossa luta rotulando-a de diversas maneiras negativas.-Mais lembre-se o protagonismo do negro ao longo da história foi e é muito intenso, grandioso e corajoso em suas diversas formas.

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

Fonte: Historiadora Claudia Vitalino/Unegro Formação

Arte, uma das formas de resistência

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Além de artistas, várias instituições culturais se posicionaram contra as ações do presidente Trump. O MoMA chegou a retirar das paredes quadros do seu acervo permanente e no seu lugar expôs trabalhos de artistas de nações muçulmanas (Irã, Iraque, Síria, Líbia, Somália e Sudão), cujos cidadãos entraram para a lista de barrados. Saíram do quinto andar Picasso, Matisse e Picabia; entraram, quase numa provocação, obras da arquiteta iraquiana Zaha Hadid e do pintor sudanês Ibrahim el-Salahi, entre outros.
Em entrevista, o sociólogo Miguel Chaia comenta que ficou surpreso com o posicionamento do museu. “Por funcionarem dentro da ordem, as instituições tendem a agir como elementos de controle. Normalmente são os artistas e não os museus que protestam. Mas existem momentos de exceção como esse do MoMA”.
Arte e Resistência 
Essa grande quantidade de manifestações trouxe à tona novamente a ideia do lugar da arte como um espaço de resistência. Isso esteve presente em inúmeros momentos da história. Em entrevista à revista, a psicanalista Suely Rolnik afirma que a arte pode ser uma forma de militância e servir como veículo para uma mensagem política.
No entanto, há uma dimensão mais profunda que ­Rolnik chama de potência política da arte. “Na sociedade ocidental capitalista e colonizada, nós perdemos o contato com os conhecimentos tradicionais e com a potência criadora da natureza. Por conta disso, a única atividade humana na qual é possível manter essa germinação é a arte.” Para a psicanalista, a resistência está, portanto, no próprio ato de criação.
Rolnik ressalta que, ainda assim, com a consolidação do neoliberalismo, na década de 1980, o capital começa a se apropriar até mesmo da arte. “Hoje o capital tem uma inserção muito mais sutil e perversa do que anteriormente. Porque ele se alimenta da própria força de criação e nesse sentido a arte levou uma porrada. Quando a comunidade artística se deu conta, começou uma grande movimentação que permanece até hoje.”
Chaia concorda que no momento prevalece um tipo de produção que se aproxima do ativismo. “A relação entre a arte e a política depende do momento histórico. Com a ascensão de Trump e mesmo a de Temer, presenciamos uma politização da arte. Hoje, o artista ganha força como ativista e cidadão que atua no espaço público.”
Para o pesquisador, a diferença é que, em períodos anteriores, as críticas sociais e políticas estavam implícitas nas próprias obras. “Hoje, a resistência está muito mais no ativismo do que nos trabalhos em si. Quando o artista fala ‘Fora Temer’, ele não está produzindo um objeto estético, é um movimento. Há poucas produções que tratam disso.”
Chaia acredita que essa transformação não é boa nem ruim, sendo reflexo de uma nova conjuntura. “Hoje há uma urgência em se expressar, as coisas acontecem muito rápido, não é como no caso de Guernica, de Picasso, que era uma resposta a uma guerra longa.” Ele também cita as redes sociais como importante ferramenta de mobilização, permitindo que as pessoas tomem posições rapidamente. “Mesmo com a ascensão de políticos como Trump, não há censura e ainda há espaço para as pessoas se manifestarem. Antes, a crítica (de artistas) a um contexto político tinha que ser feita na própria obra, não havia outra forma.”
Outro fator apontado pelo pesquisador é a emergência de diversos coletivos de artistas: “não é mais o tempo de uma vanguarda que aponta para uma única direção, são vários grupos que se manifestam”.
Rolnik também comenta essa nova conjuntura: “Desde os anos 1990, o ativismo foi se distanciando da militância tradicional e incorporando novas formas. Isso se dá em vários setores, inclusive na arte. Hoje o ativismo e a arte estão interligados. Já não é mais como nos anos 60, quando de um lado ficava a prática cultural e, do outro, a militância”.
Chaia ainda pontua que é cada vez mais difícil definir o que é a arte ou a política. “São conceitos polissêmicos, não é possível fazer uma definição fechada. E o interessante é que, hoje, assim como a arte se aproxima da política, também acontece o inverso. Doria, por exemplo, está fazendo performances ao se vestir de gari. E, mais ainda, quando ele lança o programa Cidade Linda, há toda uma concepção de estética, do belo, que tem um sentido muito perigoso e autoritário”, afirma.
Fonte: Brasileiros

Rock in Rio 2017 cumpre lei da Identidade Jovem

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Maior festival de música do Brasil, o Rock in Rio aceitou, na atual edição, a ID Jovem, documento que concede o benefício da meia-entrada a pessoas com deficiência e jovens de 15 a 29 anos em situação de carência.
Contida na lei 12.933, a ID Jovem é um documento destinado a jovens pertencentes a famílias com renda mensal de até dois salários mínimos, estudantes ou não.
Para garantir o documento, é necessário baixar o aplicativo ID Jovem no celular e preencher o cadastro. Também é possível solicitar o documento por meio do site da Caixa Econômica Federal.
Lançado no fim do ano passado, o documento já contabiliza 278,1 mil emissões. Para garantir a legitimidade da identidade na entrada de eventos, o programa disponibiliza um aplicativo exclusivo para que a produção do evento valide o código contido no documento.
Fonte: Portal Brasil, com informações da Secretaria Nacional da Juventude

“O velho e o mar”, a redenção literária de Ernest Hemingway

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Por Paulo Henrique Pompermaier
As constatações de que se tratava de um romance muito emocional, estático e sem a precisão estilística característica de Hemingway magoaram o autor, que então se dedicou a escrever sua “obra-prima”. No ano seguinte, junto com os originais de O velho e o mar (1952), ele enviou um bilhete ao seu editor, em que dizia: “Eu sei que isso é o melhor que posso escrever na minha vida toda”.
Hemingway não estava enganado. Publicado há 65 anos, no dia 1º de setembro de 1952, O velho e o mar garantiu o Pulitzer ao autor em 1953 e, no ano seguinte, o Prêmio Nobel de Literatura. “É um consenso crítico que O velho e o mar pode ter sido o ‘canto do cisne’ de Hemingway, sua obra-prima depois de um longo período sem boas recepções”, afirma Daniel Puglia, professor do Departamento de Língua Inglesa da USP.
Último romance do autor publicado em vida, a narrativa é centrada na história de Santiago, um velho pescador cubano. Após 84 dias sem conseguir uma presa, mas instado por um jovem companheiro a continuar tentando, o velho pesca um descomunal peixe Marlim de quase 700 quilos. Depois de horas de luta, Santiago consegue atracar a pesca em seu barco e parte para a costa cubana. Ao chegar em terra, constata que o peixe fora devorado no trajeto, sobrando apenas sua carcaça.
Apesar da brevidade narrativa, a história do velho Santiago tem sido interpretada como uma metáfora do processo artístico do autor e, em última instância, da própria condição humana. “A obra é vista como uma alegoria da dificuldade de alcançar o almejado, o sonho do que seria uma grande obra, reconhecida pelos outros”, afirma Puglia. “Ao mesmo tempo, é uma realização cheia de dor, cheia de pavor, de percalços, do medo de chegar na praia e só encontrar o esqueleto da obra”.
No plano existencial, O velho e o mar seria uma metáfora de uma vida de riscos, de investimentos que, no final, resultam em solidão ao lado de uma carcaça sem valor. Para o tradutor e doutor em linguística pela USP, Caetano Galindo, trata-se de um texto no qual “cabe de fato um mar, um sem fim de possibilidades e sentimentos em torno de uma história simples, direta”. O próprio Hemingway, no entanto, negava essas interpretações alegóricas. “O mar é o mar. O velho é um velho. Todo simbolismo do qual as pessoas falam é besteira”, escreveu em uma carta ao crítico Bernard Berenson.
Independentemente de simbolismo, as relações autobiográficas contidas no livro são latentes: Santiago provavelmente foi inspirado em Gregorio Fuentes, amigo do autor e capitão do seu barco de pesca, Pilar. Como o personagem, o companheiro de pesca do escritor era experiente, magro, tinha olhos azuis e nasceu nas Ilhas Canárias.
Nesse sentido, é possível que O velho e o mar reflita os últimos anos de vida de Hemingway, marcados pela paixão que nutria por Cuba: o autor de O sol também se levanta (1926) mudou-se para uma fazenda a 25km de Havana em 1939, com a terceira esposa, a jornalista e escritora Martha Gellhorn, e os 12 gatos do casal. Escalado para cobrir a Segunda Guerra Mundial, ele passou metade da década de 1940 vivendo na Europa, mas voltou à ilha em 1946, dessa vez com a sua quarta esposa Mary Welsh, também jornalista e escritora.
Lá viveram até 1959, quando a eclosão da Guerra Fria e o rompimento entre Cuba e Estados Unidos obrigaram a família do escritor a se mudar para seu país de origem. Em entrevista ao The New York Times em 1999, o filho do escritor, Patrick Hemingway, relatou que deixar Cuba foi um dos motivos da depressão do pai, que culminou em seu suicídio em 1961.
A influência de Cuba em Hemingway não foi menor que a do escritor na ilha. Seus livros são vendidos em lojas oficiais do governo, seu nome batiza drinks, sua fazenda se tornou um museu e os descendentes do velho Fuentes costumam levar turistas para passear no antigo barco do autor.
Para além dos aspectos biográficos e alegóricos, a obra ainda guarda uma grande atualidade, na opinião do escritor, jornalista e crítico literário José Castello. “O romance trata da solidão – e, apesar da alta tecnologia que nos conecta, nunca estivemos tão sozinhos. Trata de uma luta desesperada. Num tempo de guerras, êxodos forçados e ameaças atômicas, também o desespero exige de nós uma grande abnegação”, afirma. “Trata, enfim, da experiência da derrota, e num país que se desmonta, num mundo que parece prestes a explodir, poucas vezes nos sentimos tão vencidos.”
Fonte: Revista Cult