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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Teatro, dança e circo – Estão abertas as inscrições para quem quiser encenar espetáculos na rede de teatros da Secretaria de Estado de Cultura

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Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro (SEC/RJ) está com inscrições abertas para a seleção de projetos para a programação dos teatros da rede estadual, com vistas ao primeiro semestre de 2018. Os candidatos poderão se inscrever através no portal Local para inscrição e para leitura do edital: http://www.cultura.rj.gov.br/funarj-inscricao-pautas/, preenchendo os formulários, disponíveis até o dia 15/10. Podem ser inscritos espetáculos de artes cênicas em geral, como teatro, dança e circo. E também serão selecionados espetáculos de música para compor a programação semanal dos teatros Armando Gonzaga e Arthur Azevedo. Dez por cento da lotação de cada teatro são destinados à formação de plateia e oferecidos a organizações sociais.

Esta é a quarta edição de seleção pública para composição da programação desses espaços, mantendo-se o objetivo de colaborar com a política de transparência e democratização do acesso de artistas e produtores aos equipamentos públicos do estado. Tem-se também como meta, criar um banco estadual de artistas e grupos através do cadastramento de dados e difundir o fazer das mais diversas artes em espaços cênicos.

Nesta chamada pública serão selecionados espetáculos inéditos ou estreados. O edital será aberto a pessoas jurídicas (produtoras, associações de classe, cooperativas, entidades, grupos ou coletivos de artistas, entre outros) e pessoas físicas, que tenham trabalho comprovado na área de artes cênicas, há pelo menos um ano. A seleção é feita por uma comissão mista, que conta com técnicos da SEC e da Funarj, além de pessoas da sociedade civil com especialização na área cultural. 

Os critérios se baseiam na relevância artística, adequação da proposta ao espaço cênico, estratégias de ampliação de divulgação, formação de plateia e acessibilidade (valor de ingressos).

Cronograma:
Inscrições – de 21/09/2017 a 15/10/2017
Período de Triagem – de 16/10/2017 a 19/10/2017
Publicação de Triagem – 20/10
Recurso (documentos)- 23/10
Publicação dos habilitados – 27/10/2017
Período de Avaliação – de 27/10/2017 a 14/11/2017
Reunião de comissão – 20 e 21/11/2017
Publicação do resultado – 27/11/2017
Reunião com os selecionados – 04 e 05 dez/2017
-> Local para inscrição e para leitura do edital: http://www.cultura.rj.gov.br/funarj-inscricao-pautas/
Mais informações para a imprensa:
Assessoria de Comunicação Social
Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro
Tel: (21) 2216-8500

Ramais: 264 e 317

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

28 frases de Verissimo sobre o Brasil num novo livro que mostra seu gênio. Por Celso Vicenzi

Verissimo (Foto: Igor Sperotto)
POR CELSO VICENZI, jornalista
Por trás do olhar doce de menino que nunca envelheceu, Luis Fernando Verissimo tem se revelado um observador incisivo e crítico contumaz da mediocridade e dos desmandos que aqui continuam a reinar mesmo depois de extinta a monarquia.
Criador de personagens que entraram para a história, como a Velhinha de Taubaté, o detetive Ed Mort e o Analista de Bagé, é autor de dezenas de livros que desnudam a alma brasileira e transformam os mais áridos temas em motivo de humor e fina ironia. Afinal, no Brasil, tudo acaba em tragicomédia, na vida pública ou privada.
Marcelo Dunlop, que desde os 10 anos coleciona crônicas desse portoalegrense e brasileiro que é internacional até na paixão pelo futebol, reuniu centenas delas, organizadas por verbetes em ordem alfabética, de A a Z, de Abacaxi a Zodíaco, no livro “Ver!ssimas – frases, reflexões e sacadas sobre quase tudo”, da editora Objetiva.
Sobre quase tudo que vem acontecendo no Brasil, principalmente. Verissimo e suas Ver!ssimas são a mais elegante tradução de um país que está perdendo a elegância e o bom humor.
ANTECEDENTES
A corrupção é muito antiga no Brasil. As contas que o Cabral trocou com os índios já não fechavam.

BRASIL
No Brasil o fundo do poço é apenas uma etapa.

CLASSES
O Brasil é formado por uma classe dominante e uma classe ludibriada.

CONSTITUIÇÃO
Nossa Constituição é como “A Voz do Brasil”: a maioria não liga.

CORRUPTORES
Brasil, esse estranho país de corruptos sem corruptores.

DEMOCRACIA
Toda a história da democracia no Brasil é a história da educação da nossa elite na arte de não mudar nada, ou só mudar o suficiente para não perder o controle.

ELITES
O Brasil é governado por minoria esmagadora.

EXPLICAÇÕES
O político brasileiro, uma vez eleito, se sente a salvo em outro país, o Brasil oficial, que não deve nada ao Brasil de verdade, muito menos explicações.

FALCATRUAS
Nossa alma amazônica não se satisfaz com pequenas falcatruas, queremos pororocas de sujeira, dilúvios de canalhice.

GENERAIS
Há algumas décadas instituímos no país a democracia condicional. Qualquer um podia ser presidente da República, desde que tivesse quatro estrelas. O que restringia a escolha a generais e hotéis.

HIPOCRISIA
No Brasil parece não haver escolha entre ser bobo e ser cínico.

IDEOLOGIAS
É só você decidir se é de meia esquerda, um quarto de esquerda, três quartos de esquerda, direita dissimulada, direita responsável ou direita Gengis Khan, e há um partido pronto para você no Brasil.

IGUALDADE
Todo brasileiro é igual perante a lei, contanto que não seja pé de chinelo, porque aí é culpado mesmo.

IMPREVISÍVEL
O Brasil não é mais um país imprevisível. É um país tristemente previsível.

INDEPENDÊNCIA
Todos deviam ser donos do seu nariz, mas infelizmente isto não acontece. Num país como o Brasil o sonho do nariz próprio continua inalcançável para a maioria.

INTRIGA
A intriga é a única indústria de Brasília.

JEITINHO
Nós brasileiros somos, paradoxalmente, a raça do jeito pra tudo e a raça que não tem jeito mesmo.

JORNAL
Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data.

MEMÓRIA
Até hoje, ninguém que confiou na falta de memória do Brasil se arrependeu.

MUDANÇAS
As nossas elites não mudaram muito desde dom João VI. Vamos lhes dar mais um pouco de tempo.

NOTÍCIAS
Um dia é da notícia, o outro é do desmentido.

OURO
Numa hipotética modalidade de corrupção sem barreiras, o Brasil levaria o ouro, a prata e o bronze – para a Suíça.

PACIÊNCIA
No Brasil, as classes inferiores cumprem seu papel e dão às elites repetidos exemplos de bom senso, honestidade e, principalmente, contenção e paciência. Quando a paciência acaba – como na questão das invasões de terra –, não falta quem se sinta ultrajado, como se os pobres estivessem, irresponsavelmente, esquecendo as regras da etiqueta.

PARTIDOS
Houve um tempo em que três letras definiam um homem. Alguém dizia “Eu sou PTB” e você sabia com quem estava falando. “Eu sou UDN”. Você sabia com quem estava falando. E saía de perto. Hoje trocam de partido, fazem alianças estranhas… Conseguiram que as letras não signifiquem mais nada. Uns FDP.

PMDB
O partido que transformou “heterogeneidade” em palavrão.

PRIVILÉGIOS
Confundir ordem e normalidade com seus próprios privilégios é um velho hábito de qualquer casta dominante.

SALVADORES DA PÁTRIA
Do próximo que se apresentar como nosso salvador, vamos exigir prova de mãe virgem e no mínimo três milagres – em cartório!

TAXISTAS
O Brasil vai mal porque as únicas pessoas que sabem como governá-lo estão dirigindo táxis, em vez de no governo. Os motoristas de táxi  têm a solução para todos os problemas do país ou – dependendo do tamanho da corrida – do mundo. Um dia, quando estivermos na iminência do caos terminal (pode ser amanhã), uma revolução popular colocará os homens certos nos lugares certos. Os motoristas de táxi, os dentistas e os barbeiros assumirão o poder, colocarão em prática suas teorias e resolverão todos os nossos problemas.

Ver!ssimas frases, reflexões e sacadas sobre quase tudo / Luis Fernando Verissimo : organização Marcelo Dunlop : seleção de ilustrações Fernanda Verissimo e Fraga – 1ª ed. – Rio de Janeiro : Editora Objetiva. 2016.
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POLÍTICA - Nunca um governo tomou tanto
 de quem não tem nada. Por Wadih Damous

Por
 Diario do Centro do Mundo

A frase-título desse artigo foi proferida por uma faxineira desempregada brasileira ouvida em uma reportagem do jornal francês Libération sobre os estragos sociais causados pelo ultraneoliberalismo pós-golpe no Brasil, citada pela revista CartaCapital desta semana.
Ela, a exemplo de dezenas de milhões de mulheres e homens espalhados Brasil afora, diz sentir saudades de Lula. A desgraça dos barões da mídia, do mercado financeiro e das grandes corporações capitalistas que sustentam Temer é que o povo tem discernimento. O sofrimento atroz que lhe é imposto hoje remete a um passado recente, no qual ele tinha dignidade, emprego e aumento real do salário mínimo todos os anos.

É por isso que Lula acende a esperança no coração justamente dos que mais precisam do Estado, embora o ex-presidente tenha larga aceitação também na banda progressista dos estratos médios da sociedade. Em que pese se constitua num fenômeno político intrincado e complexo, a teimosa liderança de Lula em todas as pesquisas, a despeito do massacre midiático diário que sofre, tem a ver também com o dia a dia do povo, com sua realidade cotidiana.

Basta uma caminhada pelos centros urbanos do país para se obter um retrato em preto e branco da deterioração das condições de vida dos integrantes da parte baixa da pirâmide social. O aumento da pobreza e da miséria salta aos olhos ante o número de moradores de rua, de pedintes, de vendedores ambulantes e de pessoas que simplesmente perambulam pelas ruas tomadas pelo desalento.
E, enquanto o regime democrático não for reconquistado e um referendo revocatório convocado para anular de fio a pavio a obra antipopular e antinacional dos golpistas, a tendência desse cenário é piorar. Sim porque a partir de 1º de novembro entra em vigor a reforma trabalhista, que liquidou mais de 100 artigos da CLT e provocará mais empobrecimento.
A volta do país ao mapa da fome é tida como certa, depois de ter saído em 2014. Os pobres estão sendo arrancados a fórceps do orçamento. A aprovação da PEC 55, que congelou por 20 anos os gastos sociais, a reforma trabalhista, a forte ameaça da reforma da previdência, os cortes no Bolsa Família e no Mais Médicos, o fim do programa Farmácia Popular, da política de valorização do salário mínimo, a venda a preço de banana de estatais estratégicas, a redução do investimento público a patamares alarmantes e a  destruição pela Lava Jato do setor de petróleo e gás traçam um horizonte sombrio marcada pela penalização dos menos favorecidos.
Os 13 milhões de desempregados e os índices de violência na estratosfera completam o quadro tenebroso. Levantamentos recentes indicam que uma quantidade considerável da população sairia do país caso tivesse condições. No Rio, 78% dos cariocas, por temerem a violência, pensam em se mudar do estado.
Contudo, os governos de Lula e Dilma mostraram que esse país pode dar certo. O Brasil virou centro das atenções mundiais, visto como um país que superava suas dificuldades e seguia um caminho de prosperidade .A autoestima das pessoas estava elevada, havia otimismo em relação ao presente e fé no futuro. O desânimo, portanto, é um péssimo conselheiro. Mas a mobilização popular e a luta são as condições essenciais para que tenhamos o nosso Brasil de volta.
.x.x.x.
Wadih Damous – deputado federal e ex-presidente da OAB
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‘Rá-Tim-Bum, o Castelo’ fica até fevereiro no Memorial

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Ingressos para a terceira temporada começam a ser vendidos na terça, dia 26/9, em www.ratimbumocastelo.com.br e na bilheteria do Memorial
Sucesso e líder de público no Brasil em 2017, a exposição ”Rá-Tim-Bum, O Castelo” foi novamente prorrogada e poderá ser visitada até o dia 4 de fevereiro de 2018. O projeto é uma realização da Fundação Memorial da América Latina e do Governo do Estado de São Paulo, em parceria com a TV Cultura e a Caselúdico.
“A decisão de prorrogar mais uma vez a exposição – explica Irineu Ferraz, presidente do Memorial da América Latina – levou em conta o grande número de pedidos que chegam todos os dias por nossas redes sociais. A prorrogação também atende aos interesses de muitos fãs do seriado que moram fora da capital e querem aproveitar a semana do Dia das Crianças e as férias escolares do final de ano para vir a São Paulo”.
A terceira temporada chega com uma novidade. Quem conta é o diretor Felipe Pinheiro. “Teremos um novo cenário dentro da exposição: um grande mural para que as pessoas extravasem suas  emoções, deixem seu autógrafo, façam selfies e, assim, eternizem o momento da visita”.
Público – Embora não haja, no Brasil, dados atualizados em relação à frequência de público em eventos artísticos e museológicos, “Rá-Tim-Bum, o Castelo” está entre as mais visitadas do mundo. De 31 de março, quando foi inaugurada, até 30 de setembro – fim da primeira prorrogação – 570 mil pessoas terão visitado a exposição. A este número, somam-se ainda 20 mil visitas com ingressos gratuitos, cedidos para escolas públicas, além de entidades filantrópicas e assistenciais.
De acordo com levantamento feito a partir de informações da revista britânica The Art Newspaper – que mapeia o público de museus -, esses números colocam o projeto entre os top 5 mais visitados em todo o mundo.
Em 2016, o Memorial da América Latina estabeleceu seu recorde histórico de público, com mais de 2,2 milhões de visitantes. Parcela significativa dessa marca coube ao evento em que o Memorial recriou a Vila do Chaves, em parceria com o SBT, visto por mais de 250 mil fãs do seriado mexicano.

Serviço

Rá-Tim-Bum, o Castelo – Terceira Temporada

Data: De 1/10/2017 a 4/2/2018

Visitações: Terça a sexta-feira, das 9h às 21h | sábados, domingos e feriados, das 9h às 22h
Ingressos: R$ 20 (meia-entrada, R$ 10,00)
Bilheterias (Vendas a partir de 26/9): Memorial e www.ratimbumocastelo.com.br
Funcionamento da bilheteria do Memorial: terça a sexta-feira, das 9h às 18h | sábados, domingos e feriados, das 10h às 20h.

Estacionamentos: portões 4, 8 e 15 (pagos)
Recomenda-se transporte público até o Terminal Barra Funda
Acesso: portões 8, 9 e 12
Classificação livre

Tropicália emergiu como voz contra ditadura e ecoa até os dias atuai

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O movimento da Tropicália começou e terminou durante a ditadura, mas sua influência não morreu: seus debates mudaram o rumo da história brasileira
A década de 1960, sobretudo no Brasil, foi um momento histórico decisivo: a ascensão das forças militares ao poder pelo  golpe de 1964 representou a tomada do governo pelos setores conservadores da sociedade. Concomitantemente movimentos sociais eclodiam por todo o mundo reivindicando liberdade e a mudança dos paradigmas capitalistas e imperialistas que eram dominantes. Se por um lado os governos tentavam sufocar e reprimir vozes contrárias, aqueles que lutavam por seus ideais prometiam gritar para serem ouvidos – e no caso da Tropicália cantar, ensurdecer a repressão com suas guitarras distorcidas, desnortear os conservadores com suas roupas absurdas e cabelos volumosos.
Tropicália foi grito de resistência contra ditadura e seus questionamentos perduram até hoje na cultura brasileira

Contra-ataque

Em 1967, apenas três anos após o golpe que retirou João Goulart do poder central do Brasil, emergiu na Bahia o movimento da Tropicália , capitaneado pelos músicos Caetano Veloso , Gilberto Gil, Gal Costa, Nara Leão, Tom Zé e Os Mutantes. Apesar de expressarem sua inconformidade por meio da música , a Tropicália tem um forte componente político intrínseco em sua expressividade, portanto, é impossível dissocia-la do contexto ditadorial da política do Brasil.
Na visão do pesquisador Cláudio Coelho o golpe regido pelas forças de direita representava mais do que apenas o controle político do país, mas toda uma série de outros aspectos que incluíam valores culturais e comportamentais da época que passaram a confluir com os ideais da direita. “[A Tropicália] era uma reação que tinha sim característica política […] mas era também uma reação contra o conservadorismo cultural”, ressalta.
De fato, a forma com que o grupo se posicionava provocou fortes reações naqueles que ocupavam o poder e tornaram-se um dos alvos atingidos pela repressão. Não é acaso que o final da Tropicália coincida com o Ato Institucional número 5 (AI-5), que legalizou a censura e a possibilidade de que qualquer um fosse preso sem que houvesse um habeas corpus . Esse foi o pretexto para que Caetano Veloso e Gilberto Gil fossem presos e em seguida exilados na Inglaterra, sinalizando o fim do movimento. “Foi algo quase suicida, mas foi um ato extremamente corajoso. [Porém] pagaram um preço alto por isso”, reflete Cláudio.

Terra de ninguém

Mesmo sendo clara a filiação do grupo contra a ditadura militar, sua credencial política é algo incerto: ao mesmo tempo em que lutavam contra o regime, não se associavam diretamente às forças de esquerda. Com uma ideologia definida apenas como “vanguardista”, setores da esquerda eram fortes críticos do movimento tropicalista – a historiadora Heloísa Buarque de Hollanda defende essa cisão, pois, de fato, houve reações contrárias ao movimento por parte desse segmento. Nessa perspectiva, eles conseguiam desagradar “gregos e troianos” no Brasil, sendo uma incógnita desse sentido.
Por outro lado, como aponta o pesquisador Cláudio, havia intersecção entre as propostas da esquerda e da Tropicália. “A ideia de guerrilha era muito valorizada inclusive, se não tanto uma guerrilha política, mas talvez uma guerrilha cultural”, explica. A estética absurda e provocativa que adotam era uma espécie de “guerrilha” simbólica para ele, pois gerava estranheza e choques com aquilo que era dominante, assim como a guerrilha política, por trás de suas atitudes havia uma motivação transformadora.

Ponte global

Tropicália virou tema de pesquisas por seu caráter globalizado anos após seu término e é um marco da cultura brasileira
Reprodução

Tropicália virou tema de pesquisas por seu caráter globalizado anos após seu término e é um marco da cultura brasileira
Mesmo sendo visto como um movimento genuinamente brasileiro, a Tropicália tinha grande influencia externa vinda de outros países. Em um artigo, Heloísa Buarque de Hollanda comenta a efervescência cultural do período da década de 60 como um impulso global que esquentou os motores de produções culturais que passaram a questionar políticas dominantes. Foi um momento em que brotavam expressões críticas ao status quo que regia a sociedade ao redor de todo o globo e, nesse sentido, a Tropicália faz parte desse conjunto que ações que promoviam a transformação através de suas atitudes.
Outra questão que, inclusive lhes causou problemas com os “puristas culturais” que valorizavam a expressão das raízes nacionais na música, foram influência diretas de artistas de outros países. O rock estava vivendo seu auge e foi incorporado ao estilo da Tropicália – guitarras distorcidas e outros elementos do estilo entraram como assinaturas das composições do movimento que soavam com estranheza para os artistas nacionais.
Cláudio aponta que o conceito por trás do tropicalismo explica o fato de terem buscado fontes de todo o mundo para criar sua identidade. “A tropicália dizia que a gente num podia enxergar o Brasil apenas como um país atrasado do ponto de vista cultural”. Assim, escorada na ideia da antropofagia do movimento modernista da década de 1920, o grupo passou a consumir influências dos mais variados formatos para moldar aquilo que posteriormente viria a ser lido como uma vanguarda do período.

Reverberações

Na época a Tropicália fez barulho – e muito. Contudo, mesmo após chegar ao fim em 1968 o movimento plantou suas raízes tanto na cultura brasileira , quanto na internacional, quando passou a ser objeto de análise de estudiosos estrangeiros que começaram a descobrir movimentos que iam além do eixo europeu. O pesquisador indica que após a década de 1990 o tropicalismo passou, pelo menos dentro de círculos mais intelectuais, a ser pauta frequente por suas características ligadas à globalização – idealizadas em um momento em que isso ainda estava longe de ser discutido.
No cenário brasileiro para ele o movimento também perdurou, sendo fundamental para a mudança de paradigmas que até então eram vigentes quando se trata de debates que envolvem transformações sociais. Para Cláudio é importante notar que as críticas comportamentais feitas pela Tropicália passaram a ser cada vez mais incorporadas no discurso político do País, pois, apesar de não serem criadores desses conceitos, foram eles que conseguiram trazer essa dimensão à tona por aqui.
“É uma herança, é algo que veio dessa época e desse movimento. nesse aspecto acho que ele foi um movimento vitorioso”, explica sobre os resultados obtidos pela Tropicália no longo prazo. E, de fato, atualmente quando se olha para a retomada conversadora nas esferas do poder público, questões de grupos identitários que dizem respeito ao comportamento são indiscutivelmente uma das mais relevantes.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Palestras sobre prevenção ao câncer de mama marcam o outubro rosa das mulheres do SINAI-RN

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Durante o mês de outubro, período destinado mundialmente à prevenção do câncer de mama, O SINAI promove para suas categorias, em Natal e em suas regionais, atividades de esclarecimento e prevenção ao câncer de mama.
Cada ano vem aumentando a adesão ao movimento mundial "Outubro Rosa", que visa chamar atenção, diretamente, para a realidade atual do câncer de mama e a importância do diagnóstico precoce.
Acompanhe o calendário de atividades criado pela direção da mulher trabalhadora do SINAI em Natal no interior, para o período:
Natal
17/10
Atividade: Palestra com o grupo "Despertar", da Liga Riograndense Contra o Câncer
Hora: 14h
Tema: Relatos sobre a experiência com o câncer e ensinar como fazer o autoexame das mamas.
Encerramento: 16h, com a dançaterapia do grupo "Despertar".
Mossoró
1ª semana 09 à 13/10
Atividade: Oficinas de decoração
09/10 EMATER, IDIARN E IPERN
10/10 CEDUC MOSSORÓ CIAD
11/10 CEDUC Santa Delmira, escritório da regional da FUNDAC e DETRAN.
2ª semana - 16 à 21/10
Atividade: Festa do Servidor Público
Data: 21/10/2017
Hora: a partir das 12h
Programação:
Almoço;
Apresentação cultural;
Música ao vivo.
3ª semana - 23 à 26/10
Atividade: Palestras sobre o câncer de mama
Data: 24/10
Hora: 14h
Atividade: Oficinas de nutrição, fisioterapia e estética
Data: 26/10
Hora: às 13h, no auditório do SINAI
Caicó
26/10
Atividade: Palestra sobre o câncer de mama
Data: 26/10
Hora: 15h, no Dom Wagner (Rua Largo Dom Manoel Tavares, 58)
Cronograma da palestra: Recepção com entrega de camiseta temática, palestra e lanche.
Pauta da palestra: Tipos de câncer que mais acometem as mulheres, como identificar, causas, consequências, prevenção, autoexame e dinâmica de grupo.
Fonte: SINAI/RN

CULTURA: Quem são os censores da internet?

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Um petista e um Pauzinho do Dantas

O autor da emenda que institui a censura à internet é o notável deputado Áureo do partido Solidariedade do Rio.
O suposto partido Solidariedade é uma propriedade particular do Pauzinho do Dantas.
Não precisa desenhar, não é isso, amigo navegante.
O autor da suposta reforma política, onde se encaixou a emenda do Deputado Áureo que institui a censura à internet é um deputado do PT de São Paulo, Vicente Cândido.
Nem Deus e o Padre Cícero protegem o PT de São Paulo!
O deputado Vicente Cândido não só incorporou a emenda do Deputado Áureo, como a benzeu, como disse o Fernando Brito"o deputado petista Vicente Cândido, sobrenome apropriado, diz que não vê problemas se for 'bem aplicada, com lisura e com decência'."
É um cândido, de fato!
Os blogueiros de todo o país devem emoldurar esse meme aí de cima e dirigir aos dois generais os impropérios que eles dois nos dirigem.
PHA
Gal. Cândido (E) e Gal. Áureo (D)

Fonte: CONVERSA AFIADA

Jovens ocupam posto da PM em Luziânia e o transformam em espaço cultural

A cidade está na 5ª posição entre as piores do Brasil para os jovens e é considerada a 21ª mais violenta do país,

Por Evelin Mendes
Luziânia é um município do estado de Goiás que fica no entorno do Distrito Federal; na região, de acordo com o Atlas da Violência, 9 a cada 10 jovens assassinados são negros. A cidade está na 5ª posição entre as piores do Brasil para os jovens e é considerada a 21ª mais violenta do país. Ainda de acordo com o Diagnóstico dos Homicídios no Brasil, a cidade não conta com nenhum Ponto de Cultura. Diante desta realidade, jovens do Coletivo VAMOS juntamente com o projeto 1000 Jovens Para Mudar a Política de Goiás do Brasil ocuparam um posto policial desativado no Parque Sol Nascente, bairro da periferia de Luziânia e o transformaram em uma ocupação cultural, o primeiro Ponto de Cultura da cidade.
De acordo com o jovem Gabriel Eduardo, um dos líderes do movimento, a ocupação tem como objetivo promover o acesso à cultura e educação para toda a comunidade, especialmente para a juventude periférica que tem pouco ou quase nenhum acesso a estes direitos fundamentais.
“A nossa ocupação nasce com o objetivo de resistir ao atual modelo capitalista das cidades que faz com que direitos fundamentais como a cultura, sejam transformados em mercadoria, colocando os equipamentos culturais sempre mais próximos dos bairros mais nobres e fazendo com que as periferias se tornem lugares cada vez mais hostis para o convívio social. Para nós essa lógica deve ser invertida e por isso a ocupação é localizada na periferia. Ao mesmo tempo, o fato de ocupar um posto da polícia militar desativado para nós também é muito simbólico, pois o atual modelo de segurança pública não leva em conta a preservação da vida saudável para a juventude da juventude da periferia.” diz.
A Ocupação Cultural leva o nome de Denniel Santos, um jovem brutalmente assassinado na área central de Luziânia, e é financiada pelo Fundo de Arte e Cultura de Goiás, por meio do Edital de Fomento à Juventude – 2016 e tem apoio institucional da Secretaria de Governo de Luziânia.
Sobre o funcionamento do espaço, Gabriel diz que será multi-uso e a condução será de forma horizontal e autogestionada, onde cada morador ajudará da forma que puder, visando o bem da comunidade com a promoção da educação e da cultura, objetivando principalmente a retirada dos jovens da situação de vulnerabilidade que a região oferece.
Foto: Divulgação
REVISTA FÓRUM

PICADO PELA MOSCA AZUL DO PODER, ELE VIROU 'BOLSONARO PAZ & AMOR'. VEJAM COMO ELE ERA ANTES DO ENGANA-TROUXAS.

Por Bernardo Mello Franco

BOLSONARO SEM RETOQUES

Jair Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos para divulgar sua candidatura a presidente. Em segundo lugar nas pesquisas, o deputado tenta suavizar o discurso para parecer menos radical. É um bom momento para ouvir o que ele dizia antes de sonhar com o Planalto.

Em 1999, o capitão reformado expôs suas ideias no programaCâmera Aberta, na Bandeirantes [vide abaixo]. Em 35 minutos, ele defendeu a ditadura e a tortura, pregou o fechamento do Congresso e disse que o Brasil precisava de uma guerra civil, mesmo que isso provocasse a morte de inocentes.

A entrevista mostra um Bolsonaro sem retoques. À vontade, ele se gaba de sonegar impostos e estimula os telespectadores a fazerem o mesmo. "Conselho meu e eu faço. Eu sonego tudo que for possível", afirma. Depois, diz que a democracia é uma "porcaria" e conta o que faria se chegasse ao poder: "Daria golpe no mesmo dia. Não funciona".
A máscara não lhe assenta bem. Vai tirá-la após a eleição?

O deputado afirma que Chico Lopes, ex-presidente do Banco Central, merecia ser torturado em pleno Senado. "Dá porrada no Chico Lopes. Eu até sou favorável a CPI, no caso do Chico Lopes, tivesse pau de arara lá. Ele merecia isso: pau de arara. Funciona. Eu sou favorável à tortura."

Mais adiante, Bolsonaro defende o fuzilamento do presidente Fernando Henrique e revela desprezo pelas eleições diretas: "Através do voto, você não vai mudar nada neste país. Nada, absolutamente nada. Você só vai mudar, infelizmente, quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que o regime militar não fez. Matando 30 mil, e começando por FHC".

O apresentador Jair Marchesini ainda ensaia conter o deputado. Ele insiste: "Matando. Se vai [sic] morrer alguns inocentes, tudo bem. Tudo quanto é guerra, morre inocente".

Bolsonaro não era um jovem desavisado ao dar essas declarações. Tinha 44 anos e exercia o terceiro mandato de deputado —hoje está no sétimo. Era filiado ao PPB (atual PP), o partido de Paulo Maluf.

Márcia Tiburi contesta “inquisidores”: “Arte é algo que faz bem”

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Marcia Tiburi
Em vídeo gravado para os Jornalistas Livres, ela faz uma sugestão: “”Eu gostaria de sugerir que nesse momento em que o Brasil é levado à histeria política e ao caos, que as pessoas pudessem voltar a si e buscar uma abordagem mais razoável sobre esses assuntos que são todos tão complexos.”
Segundo Márcia, a postura que a postura que “muitas pessoas vêm tendo em relação às artes não é apenas a falta de conhecimento. É uma postura antiética, imoral e que mística a má fé…Há toda uma onda de violência cintra as artes que nuca fizeram mal a ninguem Arte é algo que faz bem, melhora a sensibilidade, a inteligência e desse modo melhora tb o agir no mundo”.
Delírio de uns levou outros à morte

A onda moralista que começou com a censura à exposição Queermuseu, no Rio Grande do Sul, causou a apreensão pela polícia do quadro Pedofilia da exposição Cadafalso de autoria da artista mineira Alessandra Cunha, a Ropre. Desde junho no Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul (Marco), a exposição ganhou censura de 18 anos. A censura partiu de alguns deputados locais.

“O título (da obra) era “Pedofilia”. Qual foi o raciocínio que os deputados do Mato Grosso do Sul (que pediram o confisco de obra da exposição “Cadafalso”, da artista Alessandra Cunha, em Campo Grande) tiveram? Eles viram o título e, por indução, entenderam que a obra era pedofilia, que ao invés de questionar, ela incitava. Na verdade, se vocês virem a pintura, é até uma obra ingênua, que remete à solidão e ao abandono da criança quando se encontra numa situação de abuso…”, comentou Márcia.
Segundo ela, “A imaginação doentia dos inquisidores do Século XV que descreviam relações sexuais entre bruxas e demônios (“Martelo das Feiticeiras” – tratado escrito por inquisidores da época), ofereceu fundamentos para incriminar e matar pessoas inocentes, ou seja, o delírio de uns, prejudicou outros até a morte…”
Fabricação de mitos

Márcia lembrou que aqueles que “querem aparecer”, sejam políticos e os “ativistas” tem usado a “velha tática da mistificação”. “O que é a mistificação? É a criação de uma verdade que em seu todo é falsa mas que move as emoções das pessoas em um nível impressionante. O apelo ao moralismo é, em geral, usado por pessoas e instituições sem ética alguma… Podemos fabricar mitos a qualquer hora, mas isso é errado do ponto de vista ético”.

De acordo com Márcia, a sociedade precisa estar atenta e não “comprar ideias prontas”. “A televisão vem vendendo opiniões baratas junto com movimentos que brincam com a nossa ingenuidade. Não sejamos os otários que compram ideias prontas só por que parecem baratas ou fáceis de digerir. Fiquemos atentos, a nossa alma vale muito e tem muita gente, desde sempre, tentando capturá-la…”
Do Portal Vermelho com informações dos Jornalistas Livres