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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

130 anos pós abolição no mercado de trabalho as desigualdades entre Negros e Brancos ainda persistem e são profundas

"IBGE: Salário de brancos é 80% maior que de pretos e pardos" - 
Trabalhador branco ganha quase o dobro do negro no Brasil

A ideia de que há condições para que o negro possa aproveitar as linhas de capilaridade social para ascender, por meio da adoção explícita das formas de conduta e de etiqueta dos brancos bem‐sucedidos, não passa de uma falácia, a dita democracia racial.

A campanha que culminou com a abolição da escravidão, em 13 de maio de 1888, foi a primeira manifestação coletiva a mobilizar pessoas e a encontrar adeptos em todas as camadas sociais brasileiras. No entanto, após a assinatura da Lei Áurea, não houve uma orientação destinada a integrar os negros às novas regras de uma sociedade baseada no trabalho assalariado.

Esta é uma história de tragédias, descaso, preconceitos, injustiças e dor. Uma chaga que o Brasil carrega até os dias de hoje.

No mundo do trabalho, no país, tendo como base agora o trabalho assalariado, não houve a inserção do negro na sociedade. Foi mantida toda a lógica de exclusão existente, sendo os negros responsáveis por posições subalternas, no setor de subsistência e em atividades mal remuneradas, o que mais tarde se denominou como setor informal.

Nas palavras do professor Darcy Ribeiro: “Ou bem há democracia para todos, ou não há democracia para ninguém, porque à opressão do negro condenado à dignidade de lutador da liberdade corresponde o opróbio do branco posto no papel de opressor dentro de sua própria sociedade”

Segundo os dados do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) pelo Sistema PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), os negros eram maioria na População Economicamente Ativa – PEA, nas regiões analisadas: Fortaleza (83,0%), Recife (77,7%) e Salvador (92,4%). Em São Paulo eram 38,4%, e, em Porto Alegre, ficava em apenas 13,3%. Apesar desse número expressivo, independentemente do peso relativo da população negra, a proporção de negros desempregados é sempre superior a de negros ocupados.

Constatou-se também que as formas de inserção dos trabalhadores negros ocupados ainda são marcadas pela precariedade. Mesmo com o crescimento do emprego mais formalizado, a participação relativa dos negros é maior nas ocupações nas quais prevalece a ausência da proteção previdenciária e, em geral, os direitos trabalhistas são desrespeitados.

Examinando os indicadores do mercado de trabalho, observa-se que, em alguns aspectos, as desigualdades raciais e a discriminação de gênero se cruzam e se potencializam. A situação da mulher negra evidencia essa dupla discriminação. O trabalho de negros (as) e de mulheres é menos valorizado social e economicamente.

A remuneração média de trabalhadores brancos foi 90,7% maior que a de pretos e pardos em setembro, último dado disponível, aponta estudo do economista Marcelo Paixão baseado na Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, que reúne dados sobre as seis maiores regiões metropolitanas do País. Desde o início da crise econômica global, o auge da desigualdade entre os dois grupos no mercado de trabalho tinha sido registrado em fevereiro, quando a renda dos brancos era 102% superior. 


Os segmentos com menor participação do (a) trabalhador (a) negro (a) são o Aeroespacial, com 12,4%, seguido pelo Automotivo, com 23,8%. Destacando-se que as condições de trabalho nesses dois últimos são inversas aos dois primeiros: eles apresentam os maiores salários e os menores índices de rotatividade do ramo metalúrgico.

Dada a inserção em segmentos mais precários, observa-se que a remuneração média de 2014 do (a) metalúrgico (a) negro (a) é menor do que a do (a) não negro (a): aqueles recebem 71,7% da remuneração deste último.

Ao olhar essa distribuição também por gênero, as desigualdades são ampliadas. Adotando como 100% a remuneração média do homem não negro. Em 2014, a mulher não negra recebe 72,3% da remuneração do primeiro. Já o homem negro recebe 71,6% e, por último, a mulher negra recebe 50,5%, metade da remuneração do homem não negro.

Mesmo quando metalúrgicos (as) negros (as) e não negros (as) ocupam o mesmo cargo, na mesma jornada de trabalho, a diferença persiste. Das 15 maiores ocupações observadas, em todas elas a 
remuneração dos (as) negros (as) é menor que a dos não negros (as). Na ocupação na qual está a maior parte dos metalúrgicos (as), Alimentadores de linha de produção, os negros recebem 74,2% da remuneração do não negro.

O Brasil Finalizou 2017:   Os trabalhadores brancos ganham salários médios 82% superiores aos rendimentos dos pretos, conforme dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)

O Brasil iniciou e encerrou 2017 com 12,3 milhões de pessoas desempregadas, sendo que a participação dos pardos foi de 54,7% (portanto, mais da metade), dos brancos de 35,6% e a dos pretos de 11%.

Já entre os brasileiros empregados no final de 2017, o contingente de ocupados era de 90,3 milhões de pessoas — 41,7 milhões que se declararam brancos (46,2%), 39,6 milhões pardos (43,9%) e 8,1 milhões de cor preta (8,9%).

"Nos negros somos hoje guaze 55% da população brasileira, mas não tem a mesma presença no mercado"
Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

Fonte:www.sbt.com.br/decom.ufsm.br/.../2017/01/18/

Calendário de eventos turísticos reúne mais de 900 atrações em 2018

09  de julho  2017   - Press Trip -Grupo São Gererê durante apresentação no Arraial de Belo Horizonte. Foto: Roberto Castro/MTur
09 de julho 2017 – Press Trip -Grupo São Gererê durante apresentação no Arraial de Belo Horizonte. Foto: Roberto Castro/MTur
Calendário Nacional de Eventos completa três anos de existência com 936 eventos já cadastrados em 21 estados e no Distrito Federal. A ferramenta foi criada para reunir, na Internet, os principais eventos turísticos realizados em território nacional e ajudar a divulgar destinos turísticos a visitantes brasileiros e estrangeiros.
Segundo levantamento do Ministério do Turismo, a maioria dos eventos foi classificada na categoria artístico/cultural/folclórico (355), seguida de religioso (223), esportivo (86), festejos juninos (67) e gastronômico (56).
Em 2017, foram registrados mais de 1,4 mil eventos, um crescimento de 60% em relação ao ano anterior, 886. Os números comprovam um maior engajamento dos organizadores de eventos e secretarias de turismo de estados e municípios.
“O Calendário de Eventos do ministério está disponível o ano todo, basta que o promotor de eventos ou gestor envie as informações para serem validadas pela área técnica e incluídas no site. Por entender que ele pode ser um importante indutor do turismo regional, recomendamos sua constante atualização”, disse o ministro do Turismo, Marx Beltrão.
Novos eventos
Para inscrever uma festa no Calendário, o promotor deve entrar no site e cadastrar os dados do solicitante e do evento. Então, é só clicar em “submeter”, no canto direito da página, e aguardar a análise, aprovação e divulgação da equipe técnica do ministério. Se aprovado, o evento é incluído no Calendário e fica disponível para milhares de pessoas.
O cadastro de novos eventos é aberto o ano todo, 24 horas por dia, durante os sete dias da semana. Em caso de dúvidas, confira mais informações no Manual de Preenchimento.

A praça é dos poetas: estátua de Gregório de Matos é inaugurada

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Foi inaugurada ainda a exposição Gregórios, que retrata as várias facetas do poeta e da Salvador em que ele viveu, uma cidade com 30 mil habitantes e casas de taipa
“Agora já temos esse diálogo: Castro Alves e Gregório de Matos.” A frase, de Fernando Guerreiro, presidente da fundação que leva o nome do poeta, foi dita na inauguração da estátua de Gregório. A homenagem acontece no ano em que a fundação completa 30 anos. 
Localizada na frente do Teatro Gregório de Matos, a estátua do Boca do Inferno fica quase em frente ao busto do poeta Castro Alves. Tanto quanto o colega mais jovem, Matos é um dos grandes nomes da poesia baiana e brasileira. Mas pelo conteúdo satírico, erótico e antirreligioso de algumas de suas poesias, o artista foi por muito tempo negligenciado. “No final do século XIX, chegou a ser chamado de tarado e deliquente”, revela o jornalista, cineasta e escritor Raul Moreira.
Vanguardista, Gregório desafiou a sociedade da época e os poderosos e fez inimizades com governadores e com a Igreja.  “Nesse momento em que a cultura começa a ser satanizada novamente, é importante reforçar que a arte é livre. Trazer Gregório reafirma o compromisso da prefeitura com a liberdade”, comentou Guerreiro.

A escultura é em tamanho real e foi feita em fibra de vidro pelo artista plástico baiano Tati Moreno. “Agora você pode até brigar com ele que ele te responde do outro lado”, disse aos risos a jornalista Nilza Vaz, 56 anos, presente na inauguração. É que quem se aproximar da escultura terá a grata surpresa de escutar trechos das poesias de Matos declamadas na voz do ator Jackson Costa. “Gregório é extremamente necessário hoje. Ele é ácido, toca naquilo que estamos vivendo, como a corrupção”, disse o enfermeiro Handerson Santos, 32.
Versos como “Que anda a Justiça na praça: Bastarda, vendida, injusta”, “Neste mundo é mais rico o que mais rapa”, “Busco uma freira, que me desentupa a via, que o desuso às vezes tapa”, certamente foram incômodos aos poderosos e contrariaram a moral e os bons costumes, não só do século XVII, época em que o baiano viveu, mas também de séculos seguintes. Quem passar pela estátua vai poder ouvir versos do “Boca de Brasa” e até uma risada sarcástica.
Foi inaugurada ainda a exposição Gregórios, que retrata as várias facetas do poeta e da Salvador em que ele viveu, uma cidade com 30 mil habitantes e casas de taipa. Este foi o último trabalho assinado pelo artista plástico e cenógrafo Joãozito Lanussi, falecido em 15 de outubro de 2017. A pesquisa é do jornalista Raul Moreira. Ontem também foi encenada a peça “Boca a Boca: um solo para Gregório”, um recital de poesias em formato de show de rock. Para este ano, estão previstos ainda quatro outros espetáculos celebrando o poeta.
“Gregório simbolizou a nossa literatura, é um nome cada vez mais reconhecido. Na verdade, é uma homenagem à cultura de Salvador, não só essa estátua, mas também homenageando os 30 anos da fundação (autarquia da prefeitura), que desenvolve toda a política cultural da nossa cidade. Homenagear Gregório é homenagear a todos aqueles que contribuíram com a nossa cultura”, disse ACM Neto, na inauguração.
O prefeito lembrou a reabertura, na sua gestão, do próprio Teatro Gregório de Mattos, uma das obras icônicas de Lina Bo Bardi, e também a recuperação do Espaço Cultural da Barroquinha.
Ele disse ainda que a praça Castro Alves, onde se concentram o Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha, o Espaço Cultural da Barroquinha e o Teatro Gregório de Matos, serão integrados. A intervenção faz parte da requalificação da Avenida Sete, cuja licitação deverá ser lançada nos próximos meses.
Mais homenagens
A partir da próxima quinta-feira (11), tem início o projeto Quintas Gregorianas, realizado no Teatro que leva o nome do artista e que trará debates e leituras da obra do poeta. No final de fevereiro ou início de março, será lançado um edital para premiar projetos que dialoguem com a linguagem, a contemporaneidade e a ousadia do poeta barroco. Serão R$ 2, 2 milhões destinados a iniciativas como livros e documentários.
Fonte: BRASIL CULTURA

sábado, 6 de janeiro de 2018

CARLOS HEITOR CONY (1926-2018): GRANDE ESCRITOR! MAS NÃO TINHA A TÊMPERA DOS IMPRESCINDÍVEIS E ABDICOU DOS IDEAIS.


Carlos Heitor Cony morreu no final da noite desta 6ª feira (5), aos 91 nos, em decorrência da falência de múltiplos órgãos.
Cony-vente com Adolpho Bloch na Manchete

Se eu seguisse a norma geralmente adotada nos círculos dos intelectuais e das celebridades, resumida numa conhecida máxima latina de Quilão (De mortuis nil nisi bene, algo como Não se deve falar dos mortos senão benevolamente), esqueceria que cheguei a admirar muito a obra de Cony mas depois me decepcionei na mesma medida com certas posturas por ele adotadas a partir da década de 1970.

Pensei, pensei e não consegui me inspirar para escrever algo mais benevolente, confesso. Ele, para mim, já não passava ultimamente de mais um afeto que se encerrou; e, como tal, uma página virada.

Então, decidi apenas reproduzir o artigo no qual fiz em 2009 um balanço nada benevolente, mas sincero, da trajetória do Cony: O ato: Cony sepultou os ideais. O fato: agora apóia até censura! 

Na verdade, tal texto já equivaleu a uma espécie de necrológio precoce. Nada de muito importante sucedeu, desde ele, que me fizesse reconsiderar os juízos que emiti então. [E até a fonte de seus escritos mais ambiciosos secou, pois, daí em diante, Cony se limitou a escrever as crônicas publicadas na imprensa, algumas inspiradas, a maioria repetitiva.]

Infelizmente, a chama que o inflamou um dia foi consumida pelos desencantos que se sucedem na vida dos brasileiros mais sensíveis e idealistas. Foi guerreiro um dia, mas morreu como um idoso melancólico, disfarçando o amargor com o brilho intelectual.

Foi, claro, um dos melhores escritores brasileiros de todos os tempos. E, como ser humano, merece respeito principalmente pelos anos que viveu perigosamente, assumindo os riscos de navegar contra a corrente. 

Constatou, no entendo, que não possuía a têmpera dos imprescindíveis a que aludiu Brecht. Então, conformou-se em ser apenas outro privilegiado desfrutando seus privilégios, a ponto de envergar sem pudor o fardão da torre de marfim, com a atenuante de haver conquistado sua posição graças a real talento e não por herança ou velhacarias.
...decerto se envergonharia deste aqui...
O ATO: CONY SEPULTOU OS IDEAIS. O FATO: AGORA APÓIA ATÉ CENSURA!
Pete Townshend, o guitarrista e compositor das músicas do The Who, produziu em 1965 uma canção-manifesto, My Generation, que trazia um verso fortíssimo: "Prefiro morrer antes de envelhecer".

Só que ele não morreu, envelheceu. E se tornou o oposto dos jovens rebeldes de outrora, capaz de proferir verdadeiras catilinárias contra os downloads gratuitos do MP3 e até de rasgar seda para o então presidente George W. Bush: "Bush se esforça para dar uma vida digna ao povo dos Estados Unidos, e não tenho o direito de dizer como ele deve dirigir o país".

Daí o sarcástico cala-boca que levou de Kurt Cobain, do Nirvana: "Prefiro morrer antes de virar Pete Townshend".
...e respectiva turma.
Como tenho duas filha que amo demais e quero ver crescerem, não irei ao ponto de afirmar que prefiro morrer antes de virar Carlos Heitor Cony. Não se brinca com essas coisas.

Mas, a minha decepção com Cony deve equivaler à de Cobain com Townshend.

Antes mesmo de aderir ao marxismo, eu já o admirava. Tive uma fase existencialista, lá pelos 14 anos, e o Cony era o escritor que, no Brasil, seguia os passos de meus ídolos Jean-Paul Sartre e Albert Camus.

Li muita coisa da sua fase despolitizada e gostei, principalmente, de Antes, o Verão e Informação ao Crucificado.

E ele mudou de postura a partir do golpe de 1964.

Até então sua matéria-prima era a impossibilidade de realização plena dos indivíduos de classe média na sociedade burguesa, focada no plano pessoal.

A partir daí ele tomou lugar na trincheira dos que lutavam diretamente contra a burguesia e seus cães de guarda, os militares.

Mas, não foi uma opção tão ideológica assim, pelo menos de acordo com o que ele mesmo afirmou.

Antonio Calhado: Outra decepção
Disse que, como benjamim de uma extraordinária redação do Correio da Manhã (RJ), na qual pontificavam grandes jornalistas de esquerda como Otto Maria Carpeaux, Paulo Francis, Antonio Callado, Jânio de Freitas, Sérgio Augusto, Márcio Moreira Alves e Hermano Alves, sentia-se desobrigado de abordar temas políticos, pois havia quem o fizesse melhor do que ele.

Com a quartelada, entretanto, essas figurinhas carimbadas não puderam dar sequência ao seu trabalho costumeiro, pois se tornaram alvos prioritários de prisões, intimidações e todo tipo de cerceamento.

Cony teria entrado nesse vácuo, substituindo-as na missão de denunciar a nudez do rei. Como tinha prestígio literário (seu livro de estréia, O Ventre, foi sucesso de crítica e de vendas) e reputação de apolítico, os milicos acabaram engolindo seus arroubos de indignação. Devem ter pensado que a fase seria passageira.
OPÇÃO PELA LUTA ARMADA
 
Cony-vente com Adolpho Bloch na Machete

Mas Cony perseverou. Depois desses artigos combativos que escreveu no pós-golpe e reuniu no livro O Ato e o Fato, faria a opção pela luta armada.

Cheguei a vê-lo discursar numa manifestação estudantil aqui em São Paulo, em meados de 1968, quando afirmou que a vitória contra o arbítrio não seria conquistada nas cidades. Apontava-nos, implicitamente, o caminho da guerrilha rural.

Esta guinada foi expressa em seu livro de 1967, Pessach, a Travessia. O personagem principal é uma óbvia projeção dele mesmo: um escritor de meia idade, em crise existencial, que envolve-se casualmente com um grupo guerrilheiro.

O que ele quer mesmo é sair dessa fria. Mas, no final, mortos os combatentes, ele tem a chance de transpor a fronteira e pôr-se a salvo. Prefere empunhar a arma de um deles e permanecer no Brasil para dar sequência à sua luta.

A travessia pessoal do Cony, infelizmente, não foi tão altaneira. Algumas prisões (sem maus tratos, claro, pois era vip) e o desemprego quebraram sua espinha.

Ainda fez um último grande romance, o melhor de sua carreira: Pilatos (escrito em 1972 e publicado dois anos depois). Mostra, com jeitão de pesadelo, um Brasil desumanizado, em que as pessoas são movidas apenas por apetites e ambições, sem nenhum sentimento nobre.

Era, claro, o Brasil do milagre econômico.
Pilatos sinalizou o fim do bom combate de Cony
CURVANDO-SE À EVIDÊNCIA DOS FATOS
 

E Cony deixou evidenciados seus sentimentos ao derivar o título destes versos do Samba Erudito, de Paulo Vanzolini: "Aí me curvei/ Ante a força dos fatos/ Lavei minhas mãos/ Como Pôncio Pilatos".

Ou seja, se é nessa pocilga que vocês optaram por viver, voltando as costas a quem combatia por um Brasil melhor, então chafurdem à vontade. Não tenho nada a ver com isso.

O desencanto com o País e as mágoas por não encontrar companheiros de esquerda que o socorressem quando ficou na rua da amargura tiveram, como resultado, uma nova travessia, desta vez negativa, de Cony. Tornou-se, ele próprio, um homem sem ideais.

Pediu emprego a Adolfo Bloch que, talvez em nome da ascendência judaica comum, o acolheu muito bem em sua editora.
De vez em quando, uma frase contundente Fogo fátuo?
Mas, o diabo sempre exige algo de quem lhe vende a alma: além de cuidar de uma revista, Cony era obrigado a redigir, como ghost writer, os editoriais arquirreacionários de Bloch, fazendo apologia da ditadura. Seus colegas de redação, pelas costas, referiam-se a ele como Cony-vente.

No ano 2000 ingressou na Academia Brasileira de Letras, que decerto lhe provocaria náuseas em 1958, quando iniciou a carreira.

Em 2004, embora seja profissional muito bem pago como jornalista e escritor, fez questão de obter reparação de ex-preso político.

Pior: foi duplamente favorecido, passando à frente de quem estava mofando há anos na fila e recebendo uma pensão mensal (e respectiva indenização retroativa) extremamente exagerada, segundo os próprios critérios do programa. Tratamento vip, de novo!
"CERTOS SETORES
DA IMPRENSA"


E chegamos aos dias de hoje, quando não só defende fervorosamente seu colega de Academia, José Sarney, do clamor público pela justa punição dos delitos em que foi flagrado, como chega a apoiar a censura de jornais!

Isto mesmo, está na sua coluna desta 5ª feira [20/08/2009] na Folha de S. Paulo:
Ele foi grande um dia, mas teve final melancólico 
"Acho exagerado o fervor de certos setores da imprensa em reclamar de processos ou de sentenças da Justiça, considerando violação de uma liberdade a qual todos têm direito, desde que não fira direito de terceiros.

Afinal, a imprensa não é uma vestal inatacável, acima de qualquer valor da sociedade. Ela está sujeita ao Estado de Direito, que dá liberdade a qualquer cidadão, jornalista ou não. O fato de um juiz aceitar um processo não é uma violação
"
Ou seja, um juiz ligado a José Sarney proíbe um jornal de noticiar um inquérito envolvendo falcatruas da família Sarney e a única coisa que Cony encontrou para criticar foi... a solidariedade que O Estado de S. Paulo está recebendo de "certos setores da imprensa"!


Pensando bem, eu não preciso mesmo dizer que preferiria morrer antes de virar Carlos Heitor Cony. Por um motivo simples: nem que viva 100 anos decairei tanto.

Fonte: naufrago-da-utopia.blogspot.com.br

Toque do editor

Carlos Heitor Cony morre aos 91 anos

Cony
O jornalista e escritor Carlos Heitor Cony morreu na noite desta sexta-feira (5), aos 91 anos, de falência de múltiplos órgãos. Ele estava internado no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, que confirmou o horário da morte às 23h10. Ocupante da cadeira de número três Academia Brasileira de Letras (ABL) desde maio 2000, Cony era comentarista da rádio CBN e colunista da Folha de S.Paulo.
Segundo a assessoria de imprensa da ABL, o escritor será cremado no Memorial do Carmo, no Rio, na tarde da próxima terça-feira (9).
Publicou 17 romances, mas sua obra também se divide em contos, crônicas, ensaios e peças de teatro. A estreia na literatura aconteceu com “O Ventre”, de 1958, seguido de “A Verdade de Cada Dia” e “Tijolo de Segurança”. Também foi o autor de “Quase Memória”, que vendeu mais de 400 mil cópias, e “O Piano e a Orquestra”, obras que renderam a ele o Prêmio Jabuti.
Fonte: Brasil Cultura

Arquivo Nacional completa 180 anos; saiba como a instituição preserva a História do Brasil

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Arquivo Nacional
Mais de 55 km de documentos textuais, cerca de 2 milhões de fotografias e negativos fotográficos, 75 mil mapas e plantas, 7 mil discos e 2 mil fitas áudio magnéticas, 90 mil filmes e 12 mil fitas vídeo magnéticas, de natureza pública e privada. Imaginar todo esse acervo é difícil, mas ele existe e faz parte do Arquivo Nacional, que nesta terça-feira (2) completa 180 anos.  
Embora tenha sido criado apenas em 1838, como Arquivo Público do Império, a instituição guarda documentos que datam o século XVI. No início, a intenção era guardar os documentos públicos, mas ao longo de quase 200 anos de história, o Arquivo Nacional se tornou a principal instituição arquivista do País, tendo um papel relevante na preservação da memória nacional.  
Por meio do Sistema de Informações do Arquivo Nacional (Sian), é possível pesquisar leis, decretos e portarias que organizaram a estrutura e o funcionamento de órgãos da administração central e da administração pública federal nos séculos XIX e XX, respectivamente.
Qualquer pessoa também pode pesquisar por livros, folhetos, mapas, plantas, desenhos, fotografias, filmes, discos, papéis e objetos que contam, de alguma forma, a História do Brasil. Para isso, basta fazer um cadastro no site. 
Além da importância histórica, o Arquivo Nacional tem papel de destaque no cumprimento da Lei de Acesso à Informação, já que pelos arquivos é possível saber como se dá a atividade de políticas públicas em áreas como a saúde, educação, cultura e economia. 
180 anos 
Em comemoração aos 180 anos da instituição, o ano de 2018 contará com uma série de exposições, seminários, publicações, entre outros eventos. O selo comemorativo já foi lançado e foi construído a partir de formas geométricas que compõem a fachada do prédio histórico da sede do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro.  
Fonte: Governo do Brasil, com informações do Arquivo Nacional 

Costa-Gravas assina manifesto em defesa de Lula e a democracia Divulgação

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Uma das obras emblemáticas de Costa-Gravas denuncia as ditaduras na América do Sul nas décadas de 60 e 70. Trata-se de Estado Sítio, o filme ambientado no Uruguai que narra a luta dos Tupamaros pela democracia.
O cineasta assinou o manifesto a pedido do ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa, Celso Amorim. Em uma mensagem, disse saber “da situação exata do Brasil sobre o golpe de Estado muito sofisticado”.
Disse ainda estar a disposição para defender o retorno a normalidade no país.”Por favor, não hesite em me procurar novamente se precisar de mais alguma coisa, para Lula, para um Brasil democrático”.
Do Portal Vermelho, com Brasil247