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sábado, 24 de fevereiro de 2018

Olívia Santana: "Volte pra favela"

 
Foto: Ascom/Setre-BA


O destempero, extravasado como um impulso incontido, revelava o sentimento profundo daquela senhora, acompanhada e apoiada por sua amiga, irritada por estar dividindo com uma negra assumida e resolvida com a sua autoestima, o amplo espaço de um hotel de “elite”, como ela disse. 

Realmente nasci na favela, como a maioria das negras e negros do nosso país. Sou filha de uma doméstica que me criou com amor e admirável esforço, dando-me o pouco, que também era o melhor que ela tinha. 

Senti, cedo, o injusto e desproporcional peso de ser mulher, negra e pobre. Percebi que o estudo e a luta me seriam indispensáveis na peleja da vida. Depois vi que a minha luta era a de outras e outros, semelhantes, negras e negros com histórias que se cruzam, que têm sonhos, apesar de toda a opressão e teimam em buscar um futuro.

É espantoso como o racismo espreita a população negra, interpondo barreiras, a qualquer pretexto e a toda hora, para restringir nossos passos. Age de forma grosseira, como fez a pessoa que me agrediu, no Catussaba. O Racismo forja valores, amalgama a cultura, a estética, se traduz nos critérios estabelecidos, no idioma, nas letras de músicas, nas gracinhas “inocentes”. É absorvido e naturalizado no imaginário coletivo, que legitima lugares hierarquizados, baseados na cor da pele e modulados pelo grau de mestiçagem.

Naquele dia fatídico, em Catussaba, tudo começou quando duas senhoras se dirigiram a mim e uma delas me estendeu a mão, não para cumprimentar, mas para atacar: "saia daqui! Seu lugar é na favela! ", disse e repetiu raivosa. 

Não eram proprietárias do estabelecimento onde estávamos, nem brancas, nem ricas. Porém, agiam na lógica das mentes colonizadas, cultuando valores de uma classe e de um grupo étnico aos quais não pertencem. 

Com sarcasmo e talvez surpresa, uma delas indagou se eu não iria chorar. Um mórbido desejo de conferir se tinha ferido a minha humanidade. 

Naquele momento lembrei-me de Hitler. Ele era o oposto do que idealizava seu trágico delírio de pureza racial. Assemelhava-se mais com os judeus do que com os arianos, e nem alemão era. Distanciava-se dos seres que julgava superiores. A esquizofrenia de seu raciocínio levou ao extermínio de judeus, africanos, homossexuais, comunistas e democratas em geral. 

Mentes deformadas pelo preconceito fixam-se na ideia de que o lugar original dos negros, a favela – antes era a senzala – é o seu lugar de destino, cabendo aos que daí saírem serem lembrados que estão "fora do lugar". 

Estava eu ali na condição de secretária de Estado, a convite da entidade patrocinadora do evento. Mas a lógica discriminatória resiste a aceitar que posições dessa natureza sejam ocupadas por não-brancos ou não-ricos. A pele negra me reservaria, por essa lógica, um lugar de menor valor agregado. E, contudo, ninguém é favelado por obra e graça da natureza. Viver na miséria ou na pobreza é resultado de uma ordem econômica e social injusta, contra a qual deveríamos nos insurgir, em vez de legitimar. 

Há em nosso país uma extrema concentração de riqueza, mais do que há em nações da Europa ou do Norte da América. Seis famílias brasileiras detêm a riqueza de 100 milhões de brasileiros.

Portanto, a maioria dos brasileiros é enxotada para a periferia e uma parte dela cai nas favelas, de onde são recrutadas as trabalhadoras domésticas, os operários da construção civil, os garis da limpeza pública, que tanto contribuem para o bem-estar de todos e das elites. "Favela ê, favela, respeite o povo que vem dela", diz um pagode baiano. Favela não pode ser um xingamento, pois já é um espaço de resistência e reinvenção de humanidades.

Lamentavelmente, um dia depois deste episódio deprimente, morreu no Rio de Janeiro, o jornalista, advogado e ex-deputado constituinte Carlos Alberto de Oliveira. Betinho ou Caó, como era conhecido, foi um baiano que batalhou pela causa antirracista. Foi vice-presidente da União Nacional dos Estudantes, a UNE, em 1963, e era presidente da União dos Estudantes da Bahia, a UEB, quando houve o golpe de 1964. Foi autor da emenda à Constituição que tornou o racismo crime inafiançável e da Lei 7.716/89, que regulamentou a prisão para o crime de preconceito e discriminação de raça ou cor, etnia, religião ou procedência nacional. Caó era negro, e fez história porque conquistou espaços muito além dos que lhe queriam reservar. 

Nestes tempos sombrios, de avanço da intolerância, temos e devemos usar o instrumento legal que Caó nos deixou, para exigir que justiça seja feita e para que a Bahia e o Brasil avancem no sentido civilizatório. 


*Olívia Santana é Secretária Estadual de Trabalho Emprego Renda e Esporte da Bahia.

RAFAELA SILVA: PRETO NÃO PODE ANDAR DE TÁXI QUE DEVE ESTAR ROUBANDO

170 anos do Manifesto, uma obra atual

Divulgação
Cena do filme O Jovem Karl Marx
Cena do filme O Jovem Karl Marx


Após 170 anos, a obra dos comunistas que objetivava expor "abertamente, ao mundo inteiro, seu modo de ver, seus objetivos e suas tendências" continua sendo referência da luta dos trabalhadores por uma nova sociedade, sem servidão e opressão, e referência de objetivo a ser combatido pelas classes dominantes que vivem da exploração dos trabalhadores. Como considerou o primeiro biógrafo de Marx, Franz Mehring, em 1917, "uma obra durável e não um panfleto para ser esquecido tão rapidamente quanto lido".

A busca de unidade dos proletários já era ansiada desde o início dos anos 1840 e estava vinculada, também, à educação dos trabalhadores e seus filhos. Em 1843, Flora Tristan, uma ativista francesa, propôs "a união geral dos operários e operárias, de todo o reino, sem distinção de ofícios. Esta união teria por objetivo construir a classe operária e construir estabelecimentos distribuídos por toda a França. Seriam aí educadas crianças dos dois sexos, dos 6 aos 18 anos, e seriam também recebidos os operários doentes, os feridos e os velhos".

No Manifesto estão muitas formulações e definições que foram posteriormente incorporadas às análises econômicas e sociológicas – socialistas ou não. Nele foram divulgadas pela primeira vez, ou passaram a ser mais conhecidas, proposições como a de que, em cada época histórica, a produção econômica e a estrutura social que dela necessariamente decorre constituem a base da história política e intelectual dessa época; de que a luta de classes é o motor da história, desde a dissolução do regime primitivo da propriedade comum da terra; de que a ideologia de uma época é a ideologia da classe dominante; de que a luta de classes é uma luta política; de que o executivo no Estado moderno não é senão um comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa, de que, na sociedade, tudo que é solido se desmancha no ar etc.

Numa nota à edição de 1888, Engels dá uma sucinta definição das classes fundamentais que se digladiam no capitalismo: "Por burguesia entende-se a classe dos capitalistas modernos, proprietários dos meios de produção social que empregam o trabalho assalariado. Por proletariado, a classe dos assalariados modernos que, não tendo meios próprios de produção, são obrigados a vender sua força de trabalho para sobreviver".

No primeiro prefácio que juntos escreveram após a primeira edição, em 1872, os autores consideram que os princípios gerais expressados no documento conservavam, "em seu conjunto, toda a sua exatidão". Mas que não se deveria "atribuir importância demasiada às medidas revolucionárias propostas no final da seção II". São dez medidas. A décima não era consenso no movimento trabalhista, à época. Inclusive sequer chegou a constar das reivindicações da Associação Internacional dos Trabalhadores (Iª Internacional, fundada em 1864): a responsabilidade do Estado pela educação, proposta pelos belgas, mas rejeitada pelos proletários franceses – que não queriam injunções estatais na formação de seus filhos.

Hoje, ela é pautada em muitas lutas populares: "10. Educação pública e gratuita a todas as crianças; abolição do trabalho das crianças nas fábricas, tal como é praticado hoje. Associação da educação com a produção material etc". 

Desde a publicação do Manifesto, suas críticas ao capitalismo continuam mais atuais que nunca, em tempos de crise climática, subemprego crônico e desigualdade global. A luta pelo socialismo teve e tem muitos avanços e recuos: a Comuna de Paris, as revoluções soviética, chinesa, vietnamita, cubana etc; a ascensão nazi-fascista, a Queda do Muro de Berlim, o avanço neoliberal... 

Ao lado da inevitável luta proletária, ficou comprovada também a inflexibilidade do capitalismo, o aprofundamento da polarização e da desigualdade. Segundo o World Wealth and Income Database (WID, banco de dados coordenado, entre outros, pelo economista francês Thomas Piketty), os afortunados que integram o grupo do 1% mais rico da população mundial têm, juntos, 20% da renda mundial; enquanto os 50% mais pobres ficam com cerca de 9% dos rendimentos do planeta. A parcela abocanhada pelos mais pobres está estagnada neste patamar desde 1980.

Entre os mais ricos, o rendimento aumentou de 16% do total em 1980 para 20% do total. A concentração de renda dentro dos principais países do mundo aumentou. O Brasil é mencionado como um dos locais mais desiguais do mundo — ao lado da Índia, Oriente Médio e África Subsaariana. De acordo com o relatório, essas regiões são “a fronteira da desigualdade” do mundo atual, ou seja, as áreas do planeta onde a concentração de renda é mais extrema.
O Manifesto e obras posteriores de Marx, Engels e dos que adotaram sua metodologia apontam que as amarras às quais estamos submetidos são feitas, e podem ser mudadas, pela humanidade. À época em que seus autores eram vivos, escreveram vários prefácios para novas edições ou traduções do Manifesto do Partido Comunista que surgiam, ampliando em dezenas de milhares de exemplares as possibilidades de acesso dos proletários ao seu conteúdo. Hoje, ele está gratuitamente ao alcance de um clique na internet em praticamente, se não todas, as línguas do mundo.

Proletários de todo o mundo, leiam-no!



*Carlos Pompe é jornalista.

“Uma mulher ao meu lado repetia ‘unglaublich’ (inacreditável)”: como foi a exibição do filme sobre o golpe em Berlim


Antonio Salvador, brasileiro residente em Berlim, narrou em sua página no Facebook como foi a exibição do documentário “O Processo” na capital da Alemanha. 
O filme “O Processo” de Maria Augusta Ramos, sobre o impeachment da Presidenta Dilma, foi ovacionado ontem no Festival de Berlim. Sala lotada. Nem sombra de ingressos, desde segunda-feira.
Percorrendo os corredores sombrios do Congresso Nacional, o filme consegue a proeza de penetrar as dramáticas personagens da História brasileira recente e exibí-las para além de suas personas.
As lentes e, mais propriamente, o olho da diretora souberam captar a fragilidade, o terror, os pensamentos hediondos, o humano, enfim. O resultado é, estética e dramaturgicamente, perfeito.
Em termos históricos, a diretora produziu o documento cinematográfico mais relevante do nosso tempo.
A reação do público foi uma narrativa à parte. Apenas para se ter uma ideia, o alemão não costuma aplaudir. Quando o faz, é discreto e não se demora. Gritos, nem pensar. Ao final das sessões da Berlinale, há em geral um bate-papo rápido com os diretores.
Pois bem. Eu nunca havia presenciado tamanha explosão no Festival. E não apenas ao final do filme, mas também durante. Houve de tudo: gritos, palmas, gargalhadas. Na fileira em que eu estava, só havia alemães.
Eles tem a mania de dar um tapa no ar, quando consideram algo absurdo ou ridículo. Era essa a reação frequente tão logo assomasse na tela a cara de Janaína Paschoal, Aécio, Cunha, Aloysio.
Uma mulher ao meu lado repetia incessantemente “unglaublich…” (inacreditável). Fiquei cismado sobre se as pessoas compreendiam o enredo kafkiano do processo. Ao final, perguntei à mulher e ela evocou os olhos dos julgadores! “Schau mal die Augen!” Só compreendi depois. Com efeito, assim é o cinema… Amplia-se um olho e ele logo contradiz a boca. Assim é a vida.
O estertor de aplausos foi demorado. Os gritos de “bravo!”, idem. Muitos críticos, jornalistas de todo o mundo, gente de cinema.
Salvo engano, foi em 2012 que conheci Maria Augusta. Aqui e acolá nos encontramos. Em comum, o fato de pertencermos à diáspora de artistas brasileiros.
Quando tudo acabou, ela me disse: “Parece que eles entenderam, não?”.
Visivelmente.

Cachaça, a musa maldita

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Por Maurício Ayer*
A cachaça está na história do Brasil há pelo menos quatro séculos e, no entanto, ainda há muito o que aprender sobre ela. Pode-se inverter essa proposição e entender que, se a cachaça participa da vida do povo brasileiro há tanto tempo, é bem possível que ela possa nos ensinar muita coisa sobre nossa cultura, nossa história, nossas subjetividades. Pensando nisso, resolvi me dedicar a pesquisar como a cachaça aparece na literatura brasileira e refletir sobre o que ela revela. Ao mesmo tempo, degustar algumas das melhores cachaças produzidas hoje em dia, com a convicção de que o paladar ensina muito e em um nível que outros sentidos não alcançam.
Certamente, pagamos um preço por não conhecer bem a história da cachaça. Por exemplo, há quem afirme que o Brasil viveu um ciclo econômico da bebida, entre a crise do açúcar após 1654 – quando os holandeses, expulsos de Pernambuco, vão se instalar e produzir açúcar no Caribe – e o início da exploração do ouro em Minas Gerais, já no alvorecer do século 18. Nesse período, a cachaça ajudou muito a segurar economicamente os engenhos, por ser produto muito valorizado nessa era de grandes navegações. Mas quem aprendeu isso na escola? Será que o problema é falar de uma bebida alcoólica para crianças? Mas será que, ao falar de sua cultura e história para as crianças, os italianos e franceses omitem o vinho; os japoneses, o saquê; os escoceses, o whisky?
Será que ainda é um tabu falar seriamente de cachaça? Lembrando que seriedade não é tristeza; falar sério é falar com consistência, procurando fundamentos, dados, análise. E para isso não é preciso deixar de lado a alegria, o afeto, o humor que, fatalmente, participam do universo da cachaça.
Enquanto isso, muitas são as lendas – quando não mentiras deslavadas – a respeito da cachaça. Ao circular, distorcem e falseiam a compreensão sobre nossa cultura. Quem nunca recebeu pelo whatsapp ou Facebook a história de que a cachaça seria uma invenção acidental de escravos, que teriam deixado azedar o melaço da cana e, para fugir do castigo do feitor, tentaram fazer açúcar no tachão assim mesmo? O resultado teria sido produzirem cachaça, que evaporou, condensou nas telhas e pingou lá de cima – por isso, a “pinga” – nas costas desses trabalhadores compulsórios, fazendo arder as feridas abertas em castigos físicos prévios – por isso “aguardente”. Essa bobagem não tem pé nem cabeça, não tem qualquer fundamento histórico nem técnico, restando tão somente um certo substrato ideológico.
Que substrato? O de que cachaça, por ter sido durante um período associada às pessoas miseráveis, seria coisa de escravos, como uma maneira de depreciá-la; também que os escravos criam coisas por acidente – ainda assim geniais, veja só. É certo que os negros escravizados e, depois, trabalhadores livres participaram da evolução da cachaça, mas não é essa a questão: a lenda reafirma a ideia de que as nossas melhores coisas fossem fruto do puro acaso, nós brasileiros seríamos algo assim como geniais incompetentes. Ressoa a velha anedota de que o Brasil surgiu de um erro – suas boas coisas não podem ser fruto de um projeto deliberado, inteligente, criativo, empreendedor, em função de forças históricas que as tornaram possíveis e, até, necessárias.
Rever ponto a ponto essa lenda urbana nos devolve um pouco à lucidez (às vezes é bom, mesmo quando o assunto é giribita). A primeira questão, claro, é que não se cria um destilado assim por acidente, ainda mais quando a tecnologia da destilação era uma coisa dominada pelos europeus e árabes muitos séculos antes de os portugueses toparem com as Américas. Eles mesmos já produziam seus destilados. Tinham a bagaceira, feita a partir da fermentação do bagaço da uva usada para produzir vinho (processo semelhante ao da grappa italiana), e a chamada aguardente vínica, a partir da fermentação de um vinho doce (processo parecido com o do cognac francês).
Um fermentado pode ser descoberto por acaso e depois aprimorado, mas um destilado não. A produção deste requer equipamento especializado: um destilador – um deles é o alambique, por exemplo –, cuja origem remonta à Grécia antiga, mas que permaneceu conhecido entre árabes e alquimistas ao longo da Idade Média. Várias bebidas destiladas foram criadas antes do século 16, como o whisky e a vodca, e são portanto mais antigas que o próprio Brasil. Então, dentre todas as incertezas que temos a respeito da origem da cachaça, podemos excluir uma: a cachaça não foi produzida por acaso, mas sim fruto de um ato intencional e deliberado pelos portugueses, usando alambiques – de barro? de metal? – trazidos em navios da Europa. Sem alambique, o álcool evapora e dispersa no ar. É evidente, não? Mas muita gente propaga a historinha pelas redes sociais.
Aí vêm as lendas sobre as palavras que nomeiam essa bebida. O próprio nome cachaça é de origem controversa. Não se sabe ao certo em que momento surgiu e passou a ser usado para denominar o destilado brasileiro. Há registros, ainda no século 18, de que nomeava a espuma do caldo de cana fermentado, nada muito elogioso… Segundo o antropólogo e folclorista Luiz da Câmara Cascudo, no seu Prelúdio da Cachaça e na História da Alimentação no Brasil, a palavra designava o vinho de borras já no século 16, mas, embora usada em Portugal, tinha origem espanhola e por isso havia alguma resistência a ela, pois soava estrangeirismo.
Vamos ao que diz a historinha mequetrefe, pois ela vai nos levar a um ponto interessante nessa convergência de conhecimento entre literatura brasileira e cachaça. A começar, aguardente: é uma palavra antiquíssima! De origem latina: acqua ardens, a água que queima, a água que contém o fogo – numa mágica fusão de elementos alquímicos opostos. Trago aqui um trecho citado por Câmara Cascudo:
O erudito A. da Silva Mello, [no livro] Alimentação, Instinto, Cultura […] ensina: ‘Os próprios vinhos concentrados, citados por velhos autores gregos, não deviam ser mais ricos em álcool, porque sua maior concentração era obtida à custa de aquecimento, de calor, que fazia evaporar boa parte do álcool, substância muito volátil. Foi somente no século VIII que Marco Graeco conseguiu obter uma bebida concentrada, por ele denominada acqua-ardens, e que provinha da destilação do vinho. Mas tal descoberta deve ter tido pouca repercussão, pois não foi senão pelo século 13 que começou seu uso a se generalizar, então sob o nome de acqua-vitae e espírito de vinho’.
Vitae, “da vida”, substituiu ardens, ou o ardor, o fogo. A “água da vida” seria então a água que traz a chama acesa, capaz de intensificar a vida, animar – dar alma, espírito. Sabe-se que a palavra “whisky” tem esse mesmo significado na origem: água da vida. Então a primeira denominação da cachaça é aguardente, porque já havia a aguardente em Portugal, a bagaceira; cachaça passou a ser a “aguardente da terra”, por oposição à “aguardente do reino” (ou “de fora”).
Pinga é uma palavra muito posterior, também de origem não totalmente identificada como sinônimo de cachaça. Fala-se que deve-se ao fato de, no alambique, o líquido destilado “pinga”. Poderia ser, mas a imagem tampouco é muito precisa, pois no alambique o destilado escorre, não pinga. E não é raro alguém, em conversa de bar, fazer uma distinção de qualidade da seguinte ordem: “Isso é cachaça de verdade, não aquelas coisas que vendem em bar, aquilo lá é pinga”. Nessa oposição, a palavra pinga serve para designar bebidas de produção industrial, que não usam alambique mas sim os chamados destiladores de coluna – ou colunas de destilação. E aí, como é que fica a história de que pinga tem esse nome porque o alambique pinga, se agora a gente chama de pinga justamente aquilo que não é feito em alambique? Tem alguma coisa que não fecha.
Para chegar logo ao ponto, gostaria de trazer um caso literário. Num romance intitulado Maurício ou Os paulistas em São João del Rei, de 1877, do final romantismo brasileiro, o escritor mineiro Bernardo Soares descreve uma cena em que as pessoas entram em uma casa para tomar “uma pinga”:
“– Brucho!?? esta bem?… entrem que está fazendo frio… tomemos uma pinga e conversemos de portas a dentro… hoje em dia os negocios não estão de se facilitar…” (p.180)
A seguir, percebe-se que, ao contrário do que hoje poderíamos supor, a partir de nosso vocabulário de hoje, não é cachaça o que estão tomando, mas sim um “vinho zurrapa”.
“Entrárão os emboabas, que erão quatro, e mar cotando broa fria com vinho zurrapa, conversavão sobre o caso.” (p.181)
“Vinho zurrapa” não seria mais uma denominação de cachaça? Não, é um vinho vagabundo mesmo. Isso se confirma mais adiante no mesmo livro, pois numa expedição na mata um português leva um cantil com “agoardente”.
“– Se ainda temos caminhada como esta, que até aqui temos aguentado, ah! meu bugre velho, furo-te esses olhinhos de vibora! – rosnou outro arrojando aos olhos do bugre um resto de agoardente, que acabava de beber.” (p.267)
Então o que se percebe é que a “pinga” neste livro designa “um copo”, um gole – ou seja, uma quantidade, sem especificar a bebida. Pode-se então supor, como hipótese, que em um período da história se entrava em uma venda para pedir “uma pinga” e que, como a aguardente era o padrão, essa pinga era de cachaça. A “pinga de cachaça” teria evoluído para pinga apenas, querendo dizer cachaça. Como quem diz “vou tomar dois dedinhos”. Pode-se afirmar isso com certeza? Ainda não, mas temos uma boa hipótese. Cabe pesquisar e confirmar.
A citação de Bernardo Guimarães é um exemplo que mostra como a literatura pode ensinar sobre cachaça. Por certo que há muito mais sentidos implicados nos trechos citados. De fato, cada livro propõe muitas descobertas nesse cruzamento entre literatura e cachaça.
Guimarães Rosa, por exemplo. Ao longo de toda a sua obra, a cachaça aparece, por ser “personagem” de uma sociedade, de uma paisagem, seja como parte da hospitalidade do sertanejo, seja como produto que circula entre vaqueiros e tropeiros. Mas aí nos deparamos com uma história como “Meu tio, o Iauaretê”, em que a cachaça tem um papel central. Serve, aliás, para nos fazer repensar simbolicamente o encontro fundador de brancos e índios, que se repete tragicamente no decorrer da história do Brasil – cite-se o episódio emblemático do Anhanguera, o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, que teria queimado aguardente diante dos índios para mostrar-se como um poderoso mago capaz de pôr fogo em água. Mas Guimarães Rosa vai muito além, e cose referências da tradição cultural europeia ao mesmo tempo em que cria uma panela de fermentação e destilação de uma nova língua; ao ponto de ser considerado este texto, segundo Haroldo de Campos, aquele em que o autor mineiro levou mais longe sua experimentação com a linguagem.
Ou se falarmos de Jorge Amado – não falta cachaça no cais do porto da Bahia, ou em Ilhéus ou por toda parte onde ele situou suas histórias, e isso obviamente aparece nos textos. Mas em um livro como A morte e a morte de Quincas Berro D’água, a cachaça assume um papel simbólico totalmente distinto. Ali a aguardente renasce como água da vida, elemento que participa da abertura dos portais entre a vida e a morte, evidentemente não sem evocar a tradição das religiões afrobrasileiras, em que a cachaça é ofertada a Exu, que abre aos homens os caminhos para o plano dos orixás.
É assim que esta pesquisa dos cruzamentos entre Literatura Brasileira e Cachaça está acontecendo há alguns anos – e sem hora para acabar, pois há um universo imenso a ser percorrido. Foram selecionados 11 autores, de maneira até um tanto arbitrária, pois há dezenas de outros e de obras que poderiam ser abordados e que deverão sê-lo no futuro. Esta é, digamos, a primeira temporada de uma longa viagem lítero-cachacística.
Cada região do Brasil produziu grandes autores, o que faz de nossa literatura uma das mais ricas e diversas do mundo. Nesse aspecto, o paralelo com a própria cachaça é evidente. Nenhum destilado do planeta é tão diversificado como a nossa aguardente, fruto dos distintos processos históricos de ocupação do território e de uma relação profícua com a natureza local. Assim, a aguardente que surge nos engenhos de Pernambuco e Bahia no século 17 não é a mesma que se formou pelos caminhos do ouro no século 18, ou mesmo aquela que os tropeiros levaram ao sul do país e que depois adquire novas peculiaridades com a influência de imigrantes italianos e alemães.
Ao longo da história, a cachaça desdobrou-se em uma multiplicidade de estilos, com o uso de dezenas de madeiras de envelhecimento na confecção de seus tonéis, de modo que sua diversidade só tem paralelo no mundo dos fermentados, como o vinho e a cerveja. Ao abordar a literatura de autores tão diferentes quanto José Lins do Rego e Mário de Andrade, Cecília Meireles e Antonio Callado, temos um bom pretexto para conhecer cachaças que possam ser evocadas por essas leituras, e apreciadas em sua especificidade.
É bom lembrar que, nos últimos 30 anos, e com muita intensidade nos anos recentes, a cachaça vem passando por uma verdadeira revolução. Muitas marcas e rótulos novos surgem, aprimorando sua qualidade e inovando na produção, na apresentação e no serviço. Pode-se dizer que hoje a cachaça é muito diferente do que era pouco tempo atrás – está melhor, ainda mais diversa, mais altiva, mais consciente de seus processos.
Aliás, há toda uma cena da coquetelaria brasileira em ebulição, na qual a cachaça vem sendo francamente revalorizada. Além, claro, de sommeliers e sommelières, pesquisadores e pesquisadoras, especialistas de diversas áreas, que têm dado uma contribuição enorme em várias frentes. Então, uma das ideias desses encontros é também que se possa conhecer uma amostra da produção contemporânea de cachaça, entendendo o “contemporâneo” como a convivência entre tradição e inovação, entre produtores consagrados, antigos, e os novos que chegam injetando oxigênio e inventividade nesse universo.
Como serão os encontros? Acho que o trecho a seguir de José Lins do Rego, o primeiro dos autores da série, dá uma ideia do que vamos ter:
Na destilação, como nas farmácias do interior, os moradores se encontravam em conversa. O estribeiro, alguém que viesse em visita ou a negócio, o destilador João Miguel, e a palestra pegava, devagar, no manso, sem uma palavra mais alta, mas com gargalhadas de estrondo. João Miguel era branco, sabia ler e tinha com ele sempre as histórias de Antônio Silvino, lendo para os outros. – José Lins do Rego, Banguê.
Gostaria que os nossos encontros acontecessem como essa reunião informal ao lado do alambique que o escritor paraibano descreveu. Pessoas que se encontram pelo prazer de conversar, compartilhar leituras e histórias, e rir juntas, tudo em torno da cachaça.
Não será preciso ler os romances antes de cada encontro, embora, claro, quem tiver feito essas leituras poderá aproveitar mais. Vamos ler trechos das obras, com destaque para aquelas em que aparece a cachaça, e conversar a respeito para entender esses trechos em perspectiva, saboreando a poética de cada autor, mas também os possíveis desdobramentos simbólicos de cada obra. Para quem ainda não leu, o encontro funciona como uma introdução; para quem já leu, é uma apreciação especial a partir de certa perspectiva.
E vamos degustar cachaças, pelo menos duas que possam evocar conexões com o autor ou a obra em questão, e às vezes mais uma “infiltrada”, trazendo um tempero de outra região, com outras características.
*Este é o primeiro artigo de uma série publicada pelo portal Outras Palavras

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

SINDICATO NACIONAL DOS DOCENTES DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR


MEC pressiona pela implantação da Reforma do Ensino Médio em Institutos Federais
O Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Básica (SEB) e da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (SETEC), convidou nove reitores de Institutos Federais (IFs) para uma reunião na sexta-feira (23), em Brasília (DF), na qual debaterá a implantação da Reforma do Ensino Médio nesses institutos em caráter de projeto piloto.
Servidores Federais se reunirão com Ministério do Planejamento em 2 de março
Após o protocolo da pauta da Campanha Salarial de 2018 dos Servidores Públicos Federais (SPF), o Fórum Nacional das Entidades de Servidores Públicos Federais (Fonasefe) e o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) se preparam para uma reunião com o Ministério do Orçamento, Planejamento e Gestão (Mpog), em 2 de março.
Aberto prazo para envio de artigos para as edições da Universidade e Sociedade
A diretoria do ANDES-SN divulgou, na quarta-feira (21), o prazo para envio de artigos para as edições de nº 62 e a Especial da Revista Universidade e Sociedade (U&S). Os interessados têm até 19 de março de 2018 para encaminhar os textos para as publicações que têm como motes "A Barricada fecha a rua, mas abre o caminho: 50 anos do Maio de 68 e atualidade das lutas sociais" e “130 anos da Abolição da Escravidão no Brasil: Resistência do Povo Negro e a Luta por Reparações”, respectivamente. As edições serão lançadas durante o 63º Conad do Sindicato Nacional, em junho de 2018.
Diretoria do ANDES-SN repudia ataques à liberdade acadêmica e autonomia universitária
Os variados ataques às instituições públicas de ensino superior (Universidades, Institutos Federais e CEFETs) e aos seus professores e professoras têm se intensificado no último período, com o aprofundamento nos cortes de verbas – o que limita a autonomia e o desenvolvimento do tripé ensino-pesquisa-extensão -, a ampliação das denúncias que buscam a desmoralização das Instituições públicas de ensino e as ações que visam desqualificação e perseguir acadêmica e politicamente o corpo docente. Exemplos disso são a perseguição direta ao professor Luis Felipe Miguel, do departamento de Ciências Políticas da UnB, com a manifestação do Ministério da Educação (MEC) de que interviria para cancelar uma disciplina ofertada pelo docente; e o achincalhamento ideológico nas redes sociais à professora Erlenia Sobral do Vale, do curso de Serviço Social, da UECE.
Fundo de solidariedade aos docentes das Estaduais do RJ é avaliado positivamente
Em junho de 2017, conforme deliberação do 36º Congresso do ANDES-SN, o Sindicato Nacional criou um fundo de solidariedade aos docentes das universidades estaduais do Rio de Janeiro por conta do atraso do pagamento de seus salários. Agora, diante da possibilidade da normalização dos pagamentos no mês de março, os docentes fluminenses preparam uma campanha de devolução dos valores e avaliam positivamente a ação.
ANDES-SN reforça chamado para mobilizações em 8 de Março
O ANDES-SN divulgou nesta terça-feira (20) a Circular 31/18 na qual reafirma a importância de participação da categoria docente nas mobilizações do Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras em 8 de março.
Milhares de trabalhadores vão às ruas em defesa da Previdência pública
Sob o tema de "Se colocar pra votar, o Brasil vai parar!", millhares de trabalhadores saíram às ruas do país, na segunda-feira (19), no Dia Nacional de Greves, Paralisações e Mobilizações contra a Reforma da Previdência (PEC 287/16). A mobilização foi convocada pelas centrais sindicais, entre elas a CSP-Conlutas, à qual o ANDES-SN é filiado, e surtiu o efeito esperado. Na tarde de segunda, o governo federal anunciou a desistência de votar a PEC 287.
GTs do ANDES-SN analisam financiamento da educação pública
Os Grupos de Trabalho de Ciência e Tecnologia (GTCT), de Política Educacional (GTPE) e de Verbas (GTVerbas) do ANDES-SN realizaram uma reunião conjunta na sexta-feira (16), em Brasília (DF), para debater o financiamento da educação pública e o desvio do fundo público para as empresas privadas de educação.
Servidores Públicos Federais lançam Campanha Salarial de 2018
O Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) e o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) realizaram uma manifestação em Brasília (DF), na tarde desta segunda-feira (19), em frente ao Ministério do Orçamento, Planejamento e Gestão (Mpog), para lançar sua Campanha Salarial de 2018 e protocolar a pauta de reivindicações. A atividade fez parte do Dia Nacional de Greves, Paralisações e Mobilizações contra a Reforma da Previdência.
Nota da diretoria do ANDES-SN sobre a intervenção militar no Rio de Janeiro
A diretoria do ANDES-SN condena veementemente, e conclama a todo(a)s a lutar contra a intervenção militar decretada pelo ilegítimo governo Temer no estado do Rio de Janeiro, a partir de negociações com o governador Pezão. Com mais essa medida autoritária, que se junta a outras tantas já realizadas, o governo federal transita por um caminho perigoso que aponta na direção da criminalização e da militarização da sociedade, dos movimentos sociais populares e da população pobre e negra.
ANDES-SN reafirma Dia de Greves, Paralisações e Mobilizações em 19/2
Apesar da gravidade da conjuntura política, ocasionada pela intervenção militar no estado do Rio de Janeiro - inédita desde a vigência da Constituição Federal de 1988 - ressaltamos que o Dia Nacional de Greves, Paralisações e Mobilizações
Seções Sindicais
Adufs ganha liminar que suspende processos contra professores na Uefs
O desembargador Raimundo Sérgio Sales, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), deferiu a liminar pedida no Mandado de Segurança impetrado pela diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Feira de Santana (Adufs – Seção Sindical do ANDES-SN). A liminar solicita que até o julgamento do mérito da ação, sejam suspensos todos os Processos Administrativos Disciplinares (PADs) abertos contra os professores da Uefs que trabalham em regime de Dedicação Exclusiva (DE). A decisão do magistrado, que é inicial e provisória, foi proferida nesta semana. Os docentes foram levianamente acusados pela Secretaria da Administração (Saeb) de suposta acumulação indevida de atividade remunerada.
Sindicatos avaliam andamento da greve na Uern
Representantes da Associação dos Docentes da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Aduern – Seção Sindical do ANDES-SN ), do Sindicato dos Técnico-administrativos da Uern (Sintauern) e da reitoria se reuniram na sexta-feira (16) para discutir o andamento do movimento grevista, iniciado pelos docentes em 10 de novembro do ano passado, além de pensar estratégias de ação para os próximos dias.
Outras Lutas
Seminário da Andifes debateu situação do financiamento da Educação e C&T no país
Para debater a situação do financiamento da educação e da ciência e tecnologia no Brasil e o papel do Estado na Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior no Brasil (Andifes), promoveu na quarta-feira (21) um seminário com representantes de instituições públicas. Luis Acosta, 1º vice-presidente do ANDES-SN, participou do evento representando a categoria docente.
Fórum Nacional em Defesa da Embrapa Pública acontece dia 23 em Campinas (SP)
O Fórum Nacional em Defesa da Embrapa pública acontece no próximo dia 23, em Campinas (SP), com o tema “Da Embrapa que temos à Embrapa que queremos”. A iniciativa de realização do evento resulta de uma série de mudanças em andamento na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, que impactam diretamente na atividade desenvolvida e, consequentemente, a população que dela se beneficia. Além disso, os constantes cortes no orçamento da empresa colocam em risco sua própria existência pública.
Em Minas, prefeitura de Uberlândia terceiriza escolas municipais
A Câmara de Vereadores de Uberlândia (MG) aprovou, na semana passada (7), o repasse de mais de R$ 8,8 milhões de recursos para entidades que serão responsáveis por gerir cinco escolas municipais, tanto de ensino infantil quando fundamental, na cidade mineira. As escolas estão situadas nos bairros residenciais Monte Hebron e Pequis, a cerca de 30 quilômetros do centro da cidade, na zona Oeste, e foram construídas e entregues há mais de um ano, pelo governo anterior. Porém, estavam fechadas durante todo este tempo, pelo poder público.
Polícia Militar agride e tortura famílias Kaingang no Rio Grande do Sul
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) denunciou que a Polícia Militar do Rio Grande do Sul agrediu e torturou famílias indígenas do Povo Kaingang no dia 15 de fevereiro em Passo Fundo, norte do estado.
Empresas flagradas com trabalho escravo financiaram 10% dos deputados federais
Pelo menos um em cada dez deputados federais teve sua campanha financiada por empresas flagradas utilizando mão de obra análoga à escrava. Na eleição de 2014, 51 dos 513 parlamentares eleitos receberam R$ 3,5 milhões de empresas que estão ou estiveram presentes nos cadastros de empregadores autuados pelo crime.
Polícia Militar agride e tortura famílias Kaingang no Rio Grande do Sul
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) denunciou que a Polícia Militar do Rio Grande do Sul agrediu e torturou famílias indígenas do Povo Kaingang no dia 15 de fevereiro em Passo Fundo, norte do estado.
Carnaval de 2018 é marcado pelo crescimento de protestos
Realizado às vésperas do início da votação da contrarreforma da Previdência e após a intensificação dos ataques aos direitos sociais e trabalhistas, o carnaval de 2018 ficou marcado pelo crescimento dos protestos, expressos em sambas enredos, fantasias e marchinhas. Enquanto centenas de blocos de rua, em todo o país, agregaram, à diversão, as críticas ao governo de Michel Temer, um forte desfile da escola de samba fluminense Paraíso do Tuiuti sobre a escravidão ganhou atenção internacional.
STF garante direito à prisão domiciliar a mulheres grávidas e mães de crianças
Nessa terça-feira (20), a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal concedeu habeas corpus coletivo para todas as mulheres gestantes, mães de crianças de até 12 anos e, ou, mães de filhos com deficiência, que se encontravam presas provisoriamente, sem condenação. A decisão, por 4 votos a 1, reforça o que já é previsto no Código de Processo Penal Brasileiro e determina que as mulheres nessa condição aguardem julgamento em regime domiciliar.
200 mil vão às ruas de Buenos Aires contra ajuste fiscal
A cidade de Buenos Aires, capital da Argentina, foi tomada por centenas de milhares de manifestantes na tarde de quarta-feira (21), em protesto contra o ajuste fiscal do governo de Mauricio Macri. Os argentinos paralisaram suas atividades de trabalho para criticar as diversas políticas de Macri, entre elas a Reforma Trabalhista aos moldes do projeto de Temer, que está em discussão no Congresso há alguns meses.
Agenda
Março
01 - Reunião unificada Fonasefe e Fonacate, na sede da Condsef, em Brasília (DF).
02 - Reunião do Fonasefe e Fonacate com representantes do Ministério do Planejamento, no Bloco C, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF).
02 - Ato “Pela abertura de negociação da Campanha Salarial dos SPF 2018”, em frente ao Ministério do Planejamento, no Bloco C, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF).
02 - Manifestações nos estados com o tema “Em Defesa dos Serviços Públicos, Contra as Reformas que Retiram Direitos, as Privatizações, pela revogação da EC/95”.
08 - Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras - atos nos estados.
09 a 11 - Reunião da Coordenação Nacional da CSP Conlutas, em São Paulo (SP).
10 e 11 - Reunião do Setor das IFES do ANDES-SN, na Sede do ANDES-SN, em Brasília (DF).
10 - Reunião Conjunta da Comissão da Verdade  e do GTHMD do ANDES-SN, na Sede da Regional São Paulo, em São Paulo (SP).
13 a 17 - Fórum Social Mundial, em Salvador (BA).
16 e 17 - Reunião Ampliada Conedep, na sede do ANDES-SN, em Brasília (DF).

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Pronatec Turismo oferece mais de 200 mil vagas; saiba como se inscrever

cadastro

O Pronatec Turismo Voluntário abriu, na última segunda-feira (19), a pré-matrícula para 24 cursos a distância. Nesta edição, serão 207.375 vagas para maiores de 15 anos. As inscrições devem ser feitas pela internet.
Entre as opções estão cursos de Inglês e Espanhol básico, Língua Brasileira de Sinais (Libras), Mensageiro, Recepcionista, Reciclador, Agente de Microcrédito, Produtor de Cerveja, Auxiliar de Fiscalização Ambiental, entre outros. A carga horária de cada curso varia entre 160h e 300h.

Onde me inscrevo?

Acesse o portal Meu Cadastro e encontre as vagas disponíveis de acordo com o tipo de capacitação e com a sua escolaridade.

Não posso perder o prazo

O interessado deve ficar atento e realizar a pré-matrícula até a segunda-feira 19 de março.

Como validar a matrícula?

A partir de 26 de março, a plataforma estará disponível para validação e início do curso.

Você receberá um certificado!

A Instituição de Ensino tem até 30 dias, após finalização do curso pelo aluno, para emitir o certificado de conclusão.
Fonte: Governo do Brasil, com informações do Ministério do Turismo e do Ministério da Educação.
Fonte: Brasil Cultura

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Ministro da Educação agride a universidade como no tempo da ditadura

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Por Aloizio Mercadante
A decisão do ministro da Educação, Mendonça Filho, do governo golpista de Michel Temer, de acionar órgãos de controle para que seja analisada a legalidade do curso “o golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, em uma disciplina facultativa da Universidade de Brasília (UnB), é uma agressão inédita à autonomia universitária no período democrático. Além de ferir os princípios seculares e internacionalmente reconhecidos da autonomia universitária e da liberdade de cátedra, configurar-se como um ato contra a pluralidade do pensamento.
Lamentavelmente, tal medida faz lembrar o Decreto-Lei nº 477 de 1969, que, durante a ditadura militar, controlou e reprimiu as atividades comunitárias nas universidades. Esse decreto atendeu recomendações do relatório do general Meira Mattos, que previa a punição sumária e a exclusão dos quadros da instituição os estudantes e os professores ou os servidores envolvidos em atos de “contestação do regime” de exceção, vigente na época.
O Decreto-Lei nº477 instituiu, nas universidades federais e no próprio Ministério da Educação, as “Assessorias de Informação”, diretamente vinculadas ao Serviço Nacional de Informações (SNI), com o objetivo de coibir as atividades consideradas “subversivas” ao regime militar. Como é peculiar de regimes autoritários, a história se repete e assim como o golpe de 1964 não aceitava a alcunha de ditadura militar, o governo ilegítimo de Temer parece não saber conviver com o fato ter chegado ao poder por meio de um golpe.
Felizmente, os órgãos de controle responsáveis pela censura de narrativas históricas, como o próprio SNI, o DOPS e o DOI-CODI, foram extintos pela luta de resistência democrática e pelo estado de direito. Entretanto, apesar de lamentável, não é de se estranhar a adoção de uma medida de arbítrio e de intervenção universitária, especialmente, em tempos de um golpe, que instalou um estado de exceção seletivo e que rompeu com o pacto democrático da Constituição 1988, no qual quem vencia as eleições governava e quem perdia aceitava o resultado.
Esta inciativa autoritária do ministro da Educação do governo golpista de Michel Temer é inaceitável, ainda mais se considerarmos o peso simbólico de que ocorre em uma universidade que teve como um de seus fundadores Darcy Ribeiro. Tenho certeza que esta agressão também será amplamente repudiada por intelectuais, por acadêmicos, por educadores, por historiadores e por toda a comunidade universitária.
O ambiente da universidade deve respirar liberdade, respeitar a pluralidade de pensamentos, assegurar espaço para todas as correntes do pensamento e o contraditório. E, por mais que os golpistas tentem, jamais serão capazes de reescrever a história de que deram um golpe jurídico, parlamentar e midiático contra uma presidenta legitimamente eleita, que foi afastada sem crime de responsabilidade, passando por cima de mais de 54 milhões de votos. Este é o preço do golpe, que carregarão ao longo da história e em suas inexpressivas biografias.
*Aloizio Mercadante, ex-ministro da Educação.
Fonte: (Portal Diário do Centro do Mundo, 22/02/2018)

Afrodescendente do Serra tinha R$ 113 milhões na Suíça

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Durante as obras do Robanel. Agachado (E), Paulo Preto. De gravata, o maior dos ladrões (Reprodução)
Da Fel-lha:

Para o maior dos ladrões isso é pouco

Paulo Preto, suspeito de ser operador do PSDB, tinha R$ 113 mi na Suíça


Documentos enviados ao Ministério Público Federal em São Paulo por autoridades da Suíça revelam que o ex-presidente da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, tinha R$ 113 milhões em contas naquele país. 

Paulo Preto é investigado em inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) sob suspeita de ser operador do senador José Serra (PSDB-SP) em desvios de recursos do Rodoanel, obra viária que circunda a capital paulista. Ele comandou a Dersa, responsável pela obra, em governos tucanos, e também é investigado em São Paulo.

(...) o Ministério Público da Suíça compartilhou espontaneamente com procuradores de São Paulo informações sobre a existência de quatro contas no banco suíço Bordier & Cie em nome da offshore panamenha Groupe Nantes S/A, "cujo beneficiário é o investigado Paulo Vieira de Souza". 

Segundo essas informações, "em junho de 2016 as quatro contas bancárias atingiam o saldo conjunto de cerca de 35 milhões de francos suíços, equivalente a R$ 113 milhões, convertidos na cotação atual". (...)
Em tempo: sobre o maior dos ladrões, favor consultar o imperdível ABC do C Af.
Em tempo2: sobre o Paulo Afrodescendente, leia também no Conversa Afiada:
Fonte: CONVERSA AFIADA - Paulo Henrique Amorim

SEC CADASTRA ARTISTAS, TÉCNICOS, PRODUTORES E AGENTES CULTURAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

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O Núcleo de Políticas Culturais da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro está convidando os participantes do setor cultural fluminense a se inscreverem na plataforma digital de cadastro da SEC, que envolve vários setores das linguagens artísticas e culturais.
Ao mesmo tempo em que esse cadastramento possibilitará um melhor conhecimento quantitativo e qualitativo sobre os produtores de cultura e artes no Estado do Rio de Janeiro, os dados recolhidos irão facilitar a organização de encontros e debates. Após a realização do I Fórum Estadual dos Segmentos Artísticos do RJ, em agosto de 2017, a próxima etapa, conforme a Lei Estadual nº 7.035/2015 e o Decreto nº 45.419/2015, é a organização dos Fóruns Setoriais dos Segmentos com participação no Conselho Estadual de Política Cultural do RJ, que envolvem Artes Cênicas (teatro, dança, circo), Literatura, Artes Visuais, Cultura Popular, Audiovisual, Música, e ainda, Museus e Patrimônio.
Para a 4ª Conferência Estadual de Cultura do RJ (4ª CEC RJ), convocada em dezembro de 2017, estão sendo planejadas nove etapas nas regionais fluminenses culminando com a etapa estadual no mês de maio, no Teatro João Caetano. O tema da 4ª CEC RJ será ?A cultura como vetor de desenvolvimento social e econômico no Estado do Rio de Janeiro e no Brasil?, debate no qual o funcionamento dos Fóruns Setoriais e Fóruns Regionais será estratégico.
Para se cadastrar, acesse: https://goo.gl/forms/esSmYZH57GB4GmcS2