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domingo, 13 de maio de 2018

RETROSPECTIVA: Agora que Lula está preso…


por DANIEL ZEN (Bacharel e mestre em Direito, foi Secretário de Estado de Cultura e Secretário Estadual de Educação e Esporte. É deputado estadual, no Acre, pelo PT, Líder do Governo na ALEAC e presidente licenciado do Diretório Regional do PT/AC.)
Agora que Lula está preso e nenhum outro político de larga envergadura está (e nem estará, a exceção do cleptomaníaco do Sérgio Cabral e do psicopata do Eduardo Cunha) a coxinhada vestida de canarinho e seguidora de patos de borracha infláveis (o que tem de pior no universo da direitalha brasileira), que fica buscando argumentos e justificativas para todo tipo de abuso e arbítrio praticado pelos seus, afirmam que Temer, Jucá, Padilha, Aécio, Alckmin, Serra etc só não estão presos porque detém “foro privilegiado”.
Pois bem. Alckmin não mais detém foro privilegiado, pois acaba de renunciar ao cargo de Governador do Estado de São Paulo para se dedicar a uma pretensa pré-candidatura à Presidência da República. Com ele, mais quatro governadores de estado, todos citados em investigações de corrupção, estão sem prerrogativa de foro, pois se encontram igualmente afastados, por conta da legislação eleitoral. E o que aconteceu? Em 11/04/2018 o STJ remeteu investigação sobre Alckmin, no âmbito da Lava-Jato, para a Justiça Eleitoral de São Paulo.
Detalhe: isso ocorre na mesma semana em que Lula é mandado a prisão, de modo semelhante ao que já tinha ocorrido com Serra, que teve processo arquivado, por prescrição, no mesmo dia em que o TRF-4 confirmava a sentença em desfavor de Lula…
Sigamos: FHC não detém foro privilegiado há mais de uma década. Mas, detém a posse (é, no mínimo, usufrutuário) de um apartamento na Avenue Foch, em Paris, que supostamente ganhou de “presente” de empreiteiros e que custa umas 50 vezes mais que o valor do tal triplex do Guarujá, para cuja compra ele teria de acumular o salário de Presidente da República e de professor universitário por uns 200 anos… E não está preso. Aliás, nunca foi sequer investigado, nem julgado, o que dirá condenado…
E não o foi (e nem nunca o será) porque faz parte de uma elite corporativista, que se protege de tudo e de todos: neto de marechal e filho de general do Exército, foi professor universitário. Lula é pobre, nascido e criado pobre. Por ter sentido a dor e o sofrimento da fome e da miséria, foi o que mais fez pelos pobres.
Mas, tem gente que prefere defender aqueles que lhe oprimem do que se libertar dos grilhões que lhe prendem, física e psicologicamente…
Ficam repetindo, igual papagaio, os mantras que são vomitados pela imprensa familiar, tradicional, conservadora e sonegadora de impostos do país, associada às forças dominantes da sociedade, em conluio com parcela viciada do Judiciário, Ministério Público e Polícias.
Ante um absurdo jurídico-midiático, preferem se valer do argumento de autoridade do que da autoridade do argumento: “se você acha que entende mais de direito e de processo penal do que 01 juiz federal, 03 desembargadores federais, 05 ministros do STJ e 06 ministros do STF então corre para o próximo concurso porque você é um gênio perdido do direito brasileiro.” Risível, de tão ridículo…
Afirmam que aplaudem a prisão de Lula  porque defendem punição para todo e qualquer corrupto, independente de partido.
Mas, não entram no mérito dos abusos de autoridade, da carência de provas e das ilegalidades, formais e materiais, cometidas nos processos contra Lula (nem têm capacidade para isso) e não ousam vestir suas “amarelinhas”, bater panelas ou sair às ruas em protesto quando as notícias de corrupção ocorrem em desfavor dos seus.
Querem enganar quem? Biltres, infames, pusilânimes…

Fonte: Mídia Ninja

sábado, 12 de maio de 2018

Chamada de artigos – “Dossiê 80 anos da morte de Lampião: releituras do cangaço”



A memória de Lampião no cenário cultural brasileiro, em especial o nordestino, é o ponto de partida para a revisão da história do cangaço nos 80 anos da morte do dito “Rei do Cangaço”. Nesse contexto, está aberto o prazo de submissão de artigos para o “Dossiê 80 anos da morte de Lampião: releituras do cangaço”.
O prazo final para envio de artigos é 31 de maio. O Dossiê sairá na próxima edição da Revista Ponta de Lança, vinculada ao Grupo de Pesquisa História Popular do Nordeste do Departamento de História e dos Programas de Pós-Graduação em História e Letras da Universidade Federal de Sergipe (UFS).
O professor Me. Vagner Ramos, do Campus da UERN em Assu, é um dos organizadores do Dossiê junto com o Prof. Dr. Fernando Sá (UFS).
A chamada para publicação de artigos traz as seguintes reflexões: O que as novas pesquisas têm a dizer acerca do fenômeno nos 80 anos de morte de Lampião? Como tratam as disputas da memória em torno do cangaço? Quais as formas de lidar, refletir e entender um passado tão complexo?
O dossiê é um convite aberto à comunidade acadêmica e demais pesquisadores/as para problematizar peculiaridades diversas de um passado cercado de contendas de memórias.
Fonte: Portal da UERN

PROJETO DO NOBRE VEREADOR EDSON CAZUZA DE PASSA E FICA/RN ULTRAPASSA AS EXPECTATIVAS... PARABÉNS NOBRE VEREADOR!

 Banda FILARMÔNICA DA COMUNIDADE DO FERNANDO DA PISTA

Vereador EDSON CAZUZA

Mais um dia de Aula da Banda FILARMÔNICA DA COMUNIDADE DO FERNANDO DA PISTA. Um Projeto Sociocultural que está mudando a vida de muitas crianças, adolescentes e jovens do nosso município!

"Nós que fazemos o Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN vem de PÚBLICO parabenizar a belíssima iniciativa do nobre vereador da cidade de Passa e Fica, região do Agreste Potiguar, EDSON CAZUZA! São essas iniciativas que glorificam as atitudes de grandes políticos! Continue assim nobre vereador, EDSON CAZUZA e conte conosco!" - EDUARDO VASCONCELOS - Presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN.

Por EVANDRO BORGES: "CENTO E TRINTA ANOS DA ESCRAVIDÃO

Por Dr. EVANDRO BORGES
Este ano no dia 13 de maio de 2018 completa cento e trinta anos da abolição da escravatura negra, em face da assinatura da Lei Aurea pela Princesa Isabel, que vislumbrava o terceiro reinado, mas, foi uma das causas da queda da monarquia, que as classes dominantes e conservadoras não aceitaram, queriam no mínimo indenização para as “peças”, quando o tráfico negreiro já estava proibido desde 1850.
 
É claro que abolição não se deve apenas a Princesa Isabel, até porque na colônia e monarquia pactuou-se com a escravidão, mesmo com a pressão exercida pela Inglaterra, mas também, é de ressaltar a resistência dos escravos, nas fugas e na formação de quilombos, ao movimento abolicionista, com o ingresso de poetas, escritores, intelectuais, podendo destacar Castro Alves com sua obra “Espumas Flutuantes”.  
 
A cultura da escravidão que precisa ainda, ser combatida, deixou marcas profundas na sociedade brasileira, pois, a abolição não ocorreu acompanhada da reforma agrária como defendia o pernambucano, advogado e deputado do império Joaquim Nabuco, consoante se lê na sua obra clássica da literatura nacional, “O Abolicionismo”, encontrada hoje, apenas em livro de bolso, uma leitura indispensável.
 
As comunidades tradicionais de origem quilombolas, agora estão sendo reconhecidas, na Região Metropolitana de Natal, existem em Macaíba, denominada “Capoeira dos Negros”, em Ceará Mirim o processo de reconhecimento está em estágio adiantado com a Comunidade de Coqueiros encravado nos limites com Extremoz, ensejando políticas públicas específicas em vista à exclusão e ao sofrimento humano.
 
Os seres humanos negros neste país fazem partem de uma franja social de exclusão, residentes na maioria da periferia e nas favelas, na margem da pobreza, sem afirmação de cidadania, analfabetos e sem qualificação profissional, atingidos pelo desemprego, um quadro motivador para as quotas, principalmente para ingressos nas universidades, fato positivo que se deve em muito aos governos Lula/Dilma.
 
Outro pernambucano o sociólogo Gilberto Freire com duas obras espetaculares que precisam ser lidas, para compreensão do Brasil contemporâneo  Casa Grande e Senzala e Sobrados e Mocambos, coloca a cultura da escravidão como instituição, e não somente a falta de liberdade mínima de ir e vir, e do sofrimento físico que eram imposto, que causava todo o processo de subordinação, como também, o tratamento destinado as classes trabalhadoras pela elite.
 
O trabalho análogo ao escravo, hoje, atinge negros e brancos, combatido com toda veemência pelo Ministério Público do Trabalho, pelos Sindicatos e movimentos sociais, atinge de mácula os princípios constitutivos da República previstos no texto constitucional, como o que se refere à dignidade humana, direito essencial para o Estado Democrático de Direito.  

PLANALTO DECIDIU SOBRE A VIDA E A MORTE DE PRESOS POLÍTICOS QUE ESTAVAM SOB A GUARDA DO ESTADO

Matias Spektor revelou a existência do documento
O memorando da CIA traz informações novas sobre a
política de execuções sumárias na segunda
 metade da ditadura militar
O Palácio do Planalto decidiu sobre a vida e a morte de presos políticos sob a guarda do Estado. Ou seja, além da já sabida luta contra os guerrilheiros do Araguaia e outros grupos organizados, o documento implica os presidentes Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo na política de eliminação de oponentes desarmados. 

O documento ainda revela que Geisel, dias depois de assumir o poder, chamou para si a responsabilidade de arbitrar a respeito dessas execuções. Ele iria abrir o regime, mas o faria mantendo viva a caça a subversivos perigosos. Essa transição ocorreria junto com a linha mais dura do regime, e não em detrimento dela.

A fonte primária também estima em 104 o número de execuções sumárias pelo Centro de Informações do Exército durante os 12 meses anteriores ao encontro relatado, no governo Médici. E joga luz sobre o fato de que o general Figueiredo, ao promulgar a Lei da Anistia, estava, na prática, concedendo uma anistia a si próprio. 

Há ainda muito que não sabemos. Como a CIA obteve a informação? Aqui, há três possibilidades: uma escuta secreta, um depoimento direto de um dos quatro participantes ou um relato de segunda mão, dado por um assessor do governo brasileiro de segundo ou terceiro escalão. 

Qual era a avaliação da CIA a respeito da conversa? Isso o memorando não revela. Para responder a essa pergunta, será necessário suspender o sigilo dos trechos ainda tarjados nesse documento, que permanecem fechados à pesquisa pública, ou correr atrás de fontes novas.

Durante mais de 30 anos, a CIA guardou seu segredo a sete chaves. Mas a documentação da época sugere que a agência também manteve a informação sobre essa conversa longe da própria embaixada americana no Brasil. Ao que tudo indica, os diplomatas lá lotados não tinham informação sobre a ligação dos presidentes brasileiros à política de assassinato de opositores. 

Este documento é apenas um de muitos outros que virão a público nos próximos anos, graças à abertura sistemática de fontes secretas nos Estados Unidos sobre aquele período. É lamentável que os documentos brasileiros daquela época tenham sido destruídos, perdidos ou permaneçam escondidos.

"O que sinto nesta ocasião/ o terei de comunicar,/ algo triste vai ocorrer,/
algo horrível nos sucederá./ É a morte que surgirá,/ galopando
na escuridão,/ já sou velho e sei que ela virá"


Postado por (https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/)

CONVOCATÓRIA DO I ENCONTRO NACIONAL DE JUVENTUDE NEGRA E ANTI RACISTA DA UJS

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A história da formação do povo brasileiro é sedimentada em torno de desigualdades construídas a partir da colonização e da escravidão de negras e negros. Um povo escravizado, que nunca aceitou passivamente as correntes impostas pela elite brasileira. E, dos navios negros às cadeias super lotadas, de Zumbi e Dandara à Clovis Moura e Angela Davis, resistem ao racismo estrutural e institucionalizado.
A maioria da população brasileira declara-se negra (preta ou parda). Entre 2012 e 2016, o número de brasileiros que se autodeclaram pretos aumentou 14,9% no país. Uma maioria que configura entre os mais pobres, desempregadas (os), que nunca pode acessar os direitos básicos como educação, saúde, trabalho digno e alijado dos espaços de poder.
Fruto da nossa luta, durante os governos progressistas de Lula e Dilma , conquistamos políticas de ações afirmativas nos concursos públicos, a garantia do ensino da historia e cultura africana e afro-basileira nas escolas, o estatuto da igualdade racial, a criminalização do racismo. Ampliamos 200% a presença de negras e negros nas Universidades com a conquista das cotas raciais.
O golpe em curso no país recolocou no poder as classes dominantes, implementando um projeto anti-popular, entreguista, machista, lgftfóbico e racista, aprofundando as desigualdades e fortalecendo o caráter autoritário do estado. Não será nos marcos de Governo Temer e do capitalismo que retomaremos a agenda de luta anti-racista e desenvolvimentista. A luta do nosso tempo segue sendo por liberdade e democracia.
Mesmo a escravidão chegando ao fim, o sistema capitalista reaproveita algumas de suas características e mecanismos para continuar a explorar, oprimir, marginalizar e matar a população negra. Ampliou-se 54% o índice de violência contra as mulheres negras, hipersexulizadas em todos os meios de comunicação. De acordo com o Atlas da Violência 2017, a população negra corresponde a maioria (78,9%) dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios. É a juventude negra que segue morrendo nas periferias, mas sonha com oportunidades e resiste através da cultura, do funk, do hip-hop, por exemplo.
A luta anti-racista é a base objetiva da luta de classes no Brasil, sendo esta uma luta estruturante para o desenvolvimento nacional. A União da Juventude Socialista desafia-se a enfrentar o racismo, histórica mazela social, dentro e fora da nossa organização, valorizando a questão racial colocando como um desafio central. Construir o socialismo perpassa pela superação do racismo, no Brasil. E, essa deve ser uma luta de toda sociedade. Nesse sentido, convocamos o I Encontro de Juventude Negra e Anti-Racista da UJS – “Negras e Negros no Poder, Construindo um Novo Projeto de Nação!”. Cantemos a esperança de um país onde negras e negros sejam verdadeiramente livres!
Fonte: UJS

"O Maio de 68 foi o Março de 68 para o Brasil", afirma historiadora

Cena da passeata dos Cem Mil que aconteceram após o Maio de 68 francês

O ano marcou uma série de manifestações ao redor do mundo; confira a entrevista com a historiadora Angélica Müller sobre a época no País
O ano era 1968 e o mundo - incluindo o Brasil - passava por diversas mudanças. Na França , o governo de Charles de Gaulle propunha mudanças cada vez mais assertivas geranto uma revolta icônica da população. Se por um lado as medidas liberais e conservadoras se faziam hegemônicas, o movimento estudantil francês buscava lutar contra essa ascensão, reivindicando diversos direitos políticos e sociais. As greves foram constantes e, as reações policiais, mais ainda. O conflito já estava generalizado e ao lado dos operários, os franceses iniciaram uma greve geral durante o mês de Maio de 68.

Wikipedia
Cena da passeata dos Cem Mil que aconteceram após o Maio de 68 francês
Cena da passeata dos Cem Mil que aconteceram após o Maio de 68 francês

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Apesar da efervescência política – e também comportamental e cultural – no país, as mudanças não eram exclusivas da França. Para a professora do instituto de História da UFF e pesquisadora associada do centro de história social do século XX da Universidade de Paris, o Maio de 68 para o Brasil foi o Março de 68. “O meio francês é o mais reconhecido em todas as contestações que existiram, mas na verdade você tem dos Estados Unidos, o Japão, países da África, todos com rebeliões que estão contestando o movimento em voga”, comenta.

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Segundo a pesquisadora, na América Latina o despertar começou com muita influência da revolução cubana, que acabava de acontecer mostrando que havia uma possibilidade de mudanças. Em contrapartida, o Brasil fechava o primeiro ciclo do governo ditatorial de Castelo Branco com crescimento da militarização.
Morte de estudante causou revolta durante o mês de março de 1968 no Brasil
Reprodução
Morte de estudante causou revolta durante o mês de março de 1968 no Brasil.

O ápice, entretanto, veio em Março de 1968 durante uma manifestação estudantil por melhores condições no restaurante Calabouço que teve como fim a morte do estudante Edson Luís. “Tem uma conjuntura muito específica. É bem verdade também que a própria conjunta francesa política pauta o movimento de lá que se tem uma ideia na memória que o movimento francês é muito maior em termos culturais e de comportamento, o que necessariamente não é uma verdade”, explica.

Tempos depois, a passeata dos Cem Mil emergiu no Rio de Janeiro protestando contra a violência policial e, em especial, contra a morte do jovem de 18 anos. Na época, o fotojornalista Evandro Teixeira ganhou destaque pelas suas imagens fazendo registros que até hoje são utilizadas para relembrar o momento no país. Suas peças acabaram servindo de inspiração, inclusive,  para que outras performances artísticas sobressaíssem no país, como Carlos Drummond de Andrade que compôs o poema "Diante das fotos de Evandro Teixeira".
A Tropicália foi um movimento que revolucionou a cultura brasileira. Na música, foi representada por Jorge Ben Jor, Os Mutantes, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Nara Leão
A cultura no Maio de 68 - Divulgação

A Tropicália foi um movimento que revolucionou a cultura brasileira. Na música, foi representada por Jorge Ben Jor, Os Mutantes, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Nara Leão
Nesse âmbito de efervescência cultural, a historiadora relembra que, no ano anterior no Brasil em âmbitos culturais, os festivais de música traziam muita música engajada como a MPB de Chico Buarque e Elis Regina. Entretanto, nem tudo foram flores. “É nesse ano que entra a tropicália. Eles são vaiados porque parte dessa juventude mobilizada do movimento estudantil era bem conservadora em termos comportamentais e estéticos. E quando digo conservadora é homofóbica e machista. Naquela época o feminismo nem era pauta”, comenta.

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Ainda que o Brasil mostrasse uma tendência de se abrir para o novo em termos culturais, algo que para a França já não era uma questão central, essa nova trajetória foi sentida só mais tarde, com influências também de outros movimentos, como o de contracultura dos Estados Unidos. “Certos anos que eles não podem ser reduzidos a um único calendário. O ano de 68 acaba abrindo uma certa agenda política e cultural, mas não se pode reduzir 68 só aos acontecimentos daquele ano, temos que entender o que está antecedendo em conjuntura maior e ver os desdobramentos disso”, comenta.

Ainda que emergiam novas formas de pensamento e de se expressar no País, o fim do ano de 1968 terminou com a instauração do Ato Institucional nº 5 (AI-5), que ficou conhecido por ser o mais severo de todos em que a cultura sofreu uma forte censura do governo. Os reflexos, por sua vez, apareceram nos anos 1970, trazendo como um ícone do momento o festival da gravadora Phonogram

Chico Buarque e Gilberto Gil tiveram o microfone desligado durante apresentação
Reprodução
Chico Buarque e Gilberto Gil tiveram o microfone desligado durante apresentação

Com a música Cálice, que trazia diversas metáforas em que a crítica ao governo ditatorial era praticamente explícito,  Chico Buarque e Gilberto Gil subiram ao palco e tiveram os seus microfones cortados quando iniciaram a executar a canção. “Parte do movimento estudantil ainda estava tentando fazer luta armada, outra parte estava dentro das universidades fazendo luta pacífica e utilizando de ferramentas culturais”, comenta a historiadora.


Influências francesas
Glauber Rocha ficou conhecido pelo
Reprodução
Glauber Rocha ficou conhecido pelo "Cinema Novo" no fim dos anos 1960.

A relação do Brasil com a França, por outro lado, não era de grandes convergências. “Naquela época tínhamos uma estética no Brasil de produção cultural que era muito voltada para valorização do nacional. Temos Glauber Rocha, por exemplo, com o cinema novo em 1968, que vai falar sobre esse país eldorado”, afirma. Este cenário por sua vez explica a reação à contracultura tropicália, que trazia influências externas, e a exaltação do MPB.

Ainda que Caetano Veloso com sua inovação musical ressurge na época com a frase “É proibido proibir”, retirada dos cartazes das manifestações de Maio de 1986 na França, a historiadora defende que, diretamente, o Maio de 68 não influenciou nos acontecimentos culturais no País.

“Dizer que o envolvimento de contestação ocorre por conta de um movimento francês não faz sentido porque temos todas essas especificidades. Entretanto, os eventos acabam conectando-se porque são construídos e reconstruídos em âmbito local”, explica.  “A gente pode pensar que, de certa maneira, aquela época era o início de uma determinada pauta global. 68 é uma tomada de consciência coletiva”, finaliza.

Fonte: http://gente.ig.com.br/cultura/2018-05-10/maio-68-no-brasil.html

sexta-feira, 11 de maio de 2018

A minha geração sabe o que é perder a democracia. Por Ana Maria Magalhães, atriz e cineasta

Ana Maria Magalhães
Publicado na Carta Maior
POR ANA MARIA MAGALHÃES, atriz e cineasta
No Brasil, o movimento de 1968 eclodiu pela confluência das contestações de estudantes e artistas ao regime militar consecutivas ao Golpe de 64. A escalada repressiva iniciada na UnB com demissões e prisões de professores e o envio de tropas militares ao campus se espalhou por outras cidades e culminou no Massacre da Praia Vermelha, em setembro de 1966, quando tropas da PM e do Exército encurralaram e espancaram seiscentos estudantes na Faculdade de Medicina da atual UFRJ.
A partir daí a reorganização do movimento estudantil incorporou às reivindicações da autonomia universitária, ampliação de vagas e extinção da cobrança de anuidades a luta contra a ditadura em sucessivas greves e protestos nas ruas.
Enquanto isto, pelo seu lado, os artistas se uniam em torno de manifestos contra a censura. Inconformados com a imobilidade da oposição e o silêncio da imprensa diante do avanço da ditadura que se fazia passar por democrata, um grupo de intelectuais decidiu denunciá-la perante a conferência da OEA no Rio de Janeiro, logo após a edição do AI-2 que eliminava o voto popular, instituía eleição indireta para a presidência da República, ampliava os poderes do Executivo em detrimento do Legislativo e legitimava a militarização do processo judicial, em novembro de 1965.
Por sugestão de Antonio Callado, o também escritor Carlos Heitor Cony, o poeta Thiago de Mello, os cineastas Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade e Mario Carneiro, o jornalista Marcio Moreira Alves, o diretor teatral Flávio Rangel e o embaixador Jayme Azevedo fizeram o seu protesto pacífico. 
Ao descer do automóvel em frente ao Hotel Gloria, o marechal presidente Castello Branco foi surpreendido por faixas estendidas no meio da rua, vaias e gritos que clamavam por democracia, eleições livres e o célebre Abaixo a ditadura! A prisão dos Oito da OEA atingiu o objetivo de revelar que o país seguia sob regime militar fechado.
Os jornais brasileiros tiveram que noticiar o evento depois do destaque nas primeiras páginas do Washington Post, New York Times e Le Monde, e do manifesto assinado por personalidades como o filósofo Sartre e o cineasta Godard. Desde então, a mobilização de artistas e intelectuais se desenvolveu em torno da politização da luta contra a censura ao teatro, cinema, música e meios de comunicação.
A Constituição de 1967 centralizou a censura que avançou em cortes e proibições às peças teatrais. A ignorância dos censores e os prejuízos econômicos decorrentes levaram setores da classe artística, avessos à participação política, mas esclarecidos, a se juntarem aos protestos contra o regime.
Os artistas formaram uma comissão ampla de representantes do teatro, cinema, música, literatura e artes plásticas para encaminhar o pedido de extinção da censura ao presidente daRepública e órgãos competentes. No morde e assopra, o general Juvêncio Façanha chamou a turma do teatro de debilóide, o cinema de arte de sem – vergonhice, as atrizes Odete Lara e Tônia Carrero de vagabundas, e avisou “ou vocês mudam ou vocês acabam”. 
Enquanto isto, o ministro da Justiça Gama e Silva aparentava disposição ao diálogo com os artistas. Foi assim que se chegou à organização da Campanha Nacional Contra a Censura, em Defesa da Cultura, lançada em janeiro de 1968 na sede da ABI. 
Compareci com Vera Valdez que observou a beleza de Nelson Pereira dos Santos que compunha a mesa. Para mim, que o imaginava sisudo, foi uma grata surpresa vê-lo pela primeira vez. Centenas de artistas assistiram a leitura do manifesto pelo ator Paulo Autran, que convocava a opinião pública a lutar em defesa da arte e da cultura contra a intolerância e a mediocridade de um regime que as encarava como atividade perniciosa e atentatória à segurança nacional.
O caldo engrossou com a aplicação de cortes na montagem de Um bonde chamado desejo, de Tennessee Williams, os quais a atriz Maria Fernanda não aceitou. Nas cinzas do Carnaval de 1968, a classe teatral, liderada por Oduvaldo Vianna Filho, promoveu uma greve que levou o protesto contra a censura às ruas.
Lá estava eu, atriz principiante aos 18 anos, marcando presença, empunhando cartazes e colhendo assinaturas de quem passava defronte às escadarias do Teatro Municipal. Diante do cerco da cavalaria da PM no encerramento da greve de três dias, Tonia Carrero encabeçou as negociações com o ministro Gama e Silva que garantiram o grande final.
Em seu discurso, o diretor Flavio Rangel evocou os soldados que lutaram em campos de Europa na defesa da democracia e determinou que atrizes como Cacilda Becker e Tonia Carrero, que representavam o matriarcado teatral brasileiro, saíssem à frente da passeata até o Monumento dos Pracinhas onde depositamos uma coroa de flores em homenagem aos combatentes.
Resultado de imagem para Eva Todor, Tonia Carreiro, Dina Sfat, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengel
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Daí saiu a foto das atrizes de mãos dadas que hoje equivocadamente se atribui à passeata dos 100 mil.
Em março, ao final da sessão de uma peça no Teatro Opinião da qual eu participava, soubemos da morte do estudante Edson Luís. Parte do elenco acompanhou Vianinha ao velório na Cinelândia. Antes, passamos pelo cemitério onde fizemos uma vaquinha para comprar uma coroa de flores em nome da classe teatral. 
No dia seguinte, a emocionante passeata da Cinelândia até o cemitério São João Batista, em Botafogo, selou a união do movimento estudantil ao dos artistas na resistência à ditadura militar que depois se estendeu a setores da classe média e desembocou na passeata dos 100 mil.
A partir daí a repressão veio com tudo. Oficiais da linha dura forçavam a radicalização à direita. No segundo semestre, em São Paulo, o grupo paramilitar Comando de Caça aos Comunistas, o CCC,  invadiu os camarins do espetáculo dirigido por Zé Celso, Roda Viva, de Chico Buarque, e agrediu fisicamente os participantes, entre eles a atriz Marília Pêra.
Em todos os teatros, os elencos passaram a ler um manifesto de repúdio à ação violenta. Eu estava em cartaz com a peça Juventude em Crise,  no teatro da Praça Cardeal Arcoverde, em Copacabana.
Àquela altura, combinamos revezar os atores na leitura do manifesto para que nenhum de nós ficasse marcado. Mas na noite seguinte à minha leitura, apareceu uma senhora no bastidor e me disse singelamente que eu estava presa e deveria acompanhá-la. Caso contrário, ela seria obrigada a me levar presa no camburão. 
Ocorreu-me a ética profissional de compromisso com o público pela qual aleguei que ela esperasse o final do espetáculo e corri para a coxia. Entrei em cena com a sensação de que ela viria atrás de mim, mas então a minha prisão não seria secreta como ela pretendia.
Quando a vi sentada na plateia respirei aliviada. Assim que saí de cena avisei o que se passava ao Carlos Kroeber, administrador da companhia, que se pendurou ao telefone. Cada vez que o entrevia pela porta da sua sala, ele estava mais esbaforido e com as bochechas avermelhadas. Talvez através de Tonia, que era a produtora, um jovem advogado veio me encontrar na saída do teatro, ao lado do diretor Cecil Thiré com quem eu era casada e da policial.
Técio Lins e Silva insistiu que eu não assinaria a intimação sob o compromisso de posterior depoimento no SOPS, a superintendência federal de ordem política e social.
Na tarde seguinte, encontrei Técio no centro do Rio e depois de receber a sua orientação lá fomos nós para a Praça XV onde o delegado me interrogou e desfilou uma lista de artistas famosos, entre eles Claudio Marzo e Chico Buarque, para saber se os conhecia. De tanto confirmar que sim, decidi negar um, sem me dar conta que era justamente o Carlos Vergara, cenógrafo da peça que eu fazia. Mas o delegado não percebeu. Ao mesmo tempo em que me instava a negar a leitura do manifesto, seu interesse era me ameaçar se houvesse reincidência.
Foi um ano agitado pela militância no meio teatral, leituras e questionamentos políticos entre as posições reformistas e da luta armada e madrugadas febris. Assisti Fome de Amor, de Nelson Pereira dos Santos, que me fez pensar e me tocou a tal  ponto que me estimulou a mudar de vida. Separei-me e decidi retomar os estudos.
Durante a viagem de um mês pelo Brasil como manequim da América Fabril estudava para fazer o vestibular. O ano terminou com a publicação do AI-5, quando eu estava em São Paulo ensaiando Os sete gatinhos, de Nelson Rodrigues, sob a direção de Jô Soares.
Em dia de folga que vim ao Rio, a colega de vestibular que me hospedaria se apavorou a me ver à sua porta como se dissesse “some daqui”. Soube, então, que a minha prisão tinha sido noticiada em publicação clandestina, e, depois, soube que policiais tinham ido ao apartamento da minha família onde prenderam minha irmã e revelaram interesse em me prender também.
Naquela tarde cinzenta caminhei pela praia do Leblon numa tristeza infinita. Se por um lado eu submergi no Rio, tinha o meu nome estampado na porta do teatro em São Paulo. Felizmente as forças policiais das duas cidades não se comunicavam. Vim para as festas de fim de ano em suspenso, e depois para fazer as provas do vestibular.
Mas só voltei a morar na minha cidade ao final da temporada teatral e início das aulas no IFICS, em março de 1969, quando a fúria desencadeada pelo AI-5 amainara. Eles tinham ganhado a parada.
A minha geração e as anteriores que viveram aqueles tristes tempos sabem o que significa a perda do Estado democrático de direito.
Fonte: Diário do Centro do Mundo 0 DCM

Escola sem Partido e a ampliação da violência contra grupos oprimidos. Por Luís Felipe Miguel

Por Diário do Centro do Mundo
PUBLICADO NO FACEBOOK DO AUTOR
O chamado “movimento” Escola Sem Partido, na verdade um lobby dirigido por um único indivíduo, nasceu com pauta predominantemente anticomunista. Seu alvo era a presença, em sala de aula, de discussões sobre as injustiças sociais e de perspectivas críticas ao capitalismo. Em texto que depois tirou de circulação, o chefe do ESP afirmava desejar uma “escola que promova os valores do [Instituto] Millenium” – referindo-se ao “think puddle” (porque “tank” é demais para o calibre intelectual dele) ultraliberal sediado no Rio de Janeiro e financiado alhures.
Mas o ESP só ganhou visibilidade quanto deu uma guinada programática (e pragmática), passando a priorizar a chamada “agenda moral” e aderindo à campanha de desinformação contra o que foi rotulado como “ideologia de gênero” – que é, na verdade, a tentativa de construir, nas escolas e por extensão na sociedade, um ambiente livre de violências e respeitoso da diversidade. Com slogans tão retrógrados quanto “meus filhos, minhas regras”, que nega a ideia de que as crianças tenham direitos, afirma a primazia absoluta da família, recusa expressamente o caráter educativo do espaço escolar e, no fim das contas, inviabiliza a própria noção de ensino público, o que para eles é um ganho.
O avanço de projetos de lei baseados nesta visão de mundo medieval preocupa. O ESP tem priorizado o terrorismo contra professores, julgando que será capaz de intimidá-los. Mas, com o retrocesso vivido no país, a possibilidade de aprovação de uma norma legal restritiva de liberdade de ensinar e aprender já não está afastada.
A campanha contra a discussão sobre gênero é criminosa. Nunca é demais lembrar que o Brasil é líder mundial em feminicídios e assassinatos homofóbicos. Há sangue nas mãos dos religiosos fundamentalistas, dos parlamentares reacionários, dos promotores do “Escola Sem Partido”, de todos aqueles que impedem que se promova o respeito às múltiplas de ser, à diversidade sexual e ao princípio da igual autonomia de mulheres e de homens.
A mobilização política da extrema-direita está provocando, de forma deliberada, a ampliação a violência contra grupos oprimidos. Sempre tivemos, no Brasil, uma combinação perversa entre estruturas sociais que reproduzem a dominação e um discurso difuso marcado pelos preconceitos. Isso contribuía para a naturalização do racismo, do sexismo, da homofobia. Mas hoje, até como reação ao enfrentamento que se começou a fazer dessa situação, racismo, sexismo e homofobia passam a ser reivindicados como identidades militantes. É trágico.

O chamado “movimento” Escola Sem Partido, na verdade um lobby dirigido por um único indivíduo, nasceu com pauta predominantemente anticomunista. Seu alvo era a presença, em sala de aula, de discussões sobre as injustiças sociais e de perspectivas críticas ao capitalismo. Em texto que depois tirou de circulação, o chefe do ESP afirmava desejar uma “escola que promova os valores do [Instituto] Millenium” – referindo-se ao “think puddle” (porque “tank” é demais para o calibre intelectual dele) ultraliberal sediado no Rio de Janeiro e financiado alhures.
Fonte: Diário do Centro do Mundo - DCM

Centro Cultural Cazuza é inaugurado em Vassouras (RJ)

Centro Cultural Cazuza, em Vassouras

“Um museu de grandes novidades”. É assim, como nos versos de O Tempo Não Para, de Cazuza, que se abrirão as portas do novo espaço cultural de Vassouras, no Rio de Janeiro. A antiga Casa de Cultura da cidade, recebe, a partir de agora, o nome do cantor, compositor e poeta brasileiro, e passa a sediar o Centro Cultural Cazuza, após o edifício ser totalmente restaurado, em uma parceria entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Sociedade Viva Cazuza e a Prefeitura Municipal de Vassouras.
Toda a obra durou menos de um ano, envolvendo a restauração da casa principal, a construção de um anexo com elevador, instalação de novos banheiros e paisagismo da área externa. As ações executadas garantiram a acessibilidade do edifício e ainda a implantação de novos usos para os ambientes internos, que agora terão espaço de exposição, salas multimídia, biblioteca e uma ala permanente em homenagem a Cazuza, onde o público poderá conhecer objetos, indumentária, documentos e prêmios do artista. O Iphan foi responsável por custear o projeto para o restauro arquitetônico, contratado pela Prefeitura Municipal e executado com investimentos da Sociedade Viva Cazuza.
A celebração da inauguração do espaço acontece nos dias 11 e 12 de maio, marcando o ano em que Cazuza faria 60 anos e também os 60 anos do tombamento do Conjunto Paisagístico e Urbanístico de Vassouras. Para a solenidade de entrega, estarão presentes a presidente do Iphan, Kátia Bogéa; o diretor do Departamento de Projetos Especiais do Iphan, Robson de Almeida; a superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Mônica da Costa; a presidente da Sociedade Viva Cazuza, Lucinha Araújo; o prefeito Severino Dias, e outras autoridades locais. O primeiro dia contará com apresentação de Sandra de Sá e, no segundo dia, do Bloco Exagerado e Gilberto Gil.
Uma casa cheia de histórias
O edifício que agora abriga o Centro Cultural Cazuza é um antigo casarão de 1845, em estilo neoclássico. Localizada ao redor da Praça Barão de Campo Belo, a principal da cidade, a casa tem grande valor simbólico e integra o conjunto protegido pelo Iphan desde 1958. Já há vários anos funcionava como sede da Secretária de Cultura e Turismo de Vassouras, tendo sido interditada em 2013, por questões estruturais. 
A casa foi residência de importantes nomes da história de Vassouras, a cidade dos Barões de Café, tal qual o genro do Barão de Itambé, Francisco José Teixeira de Souza. Após seu falecimento, em 1871, o prédio foi transformado em sede de diversos clubes e colégios, até ser adquirido pela Prefeitura Municipal, que criou ali uma casa de cultura, até então denominada Centro Cultural Presidente Tancredo Neves, a fim de abrigar manifestações dos diversos segmentos culturais, como a Biblioteca Maurício de Lacerda e o Arquivo Público Municipal.
A família de Cazuza possui uma forte relação com o edifício, pois foi onde Lucinha Araújo, mãe do artista, nasceu. Foi também ali em frente, anos mais tarde, que ela conheceu seu marido, o empresário João Araújo. Para marcar esse vínculo familiar, foi instalado no novo centro cultural o busto de Maria Rangel de Araújo, educadora e fundadora do Colégio de Vassouras e avó de Cazuza.
Investimentos
Vassouras vem recebendo uma série de investimentos do Iphan nos últimos anos. Está em andamento a restauração da Sede da Associação de Paroquianos de Vassouras (Asepava), que recebe investimentos de cerca de R$740 mil. Além disso, outros R$2,8 milhões já foram destinados à elaboração de projetos, sendo que alguns deles serão, como foi o caso do Centro Cultural Cazuza, executados com recursos da iniciativa privada. 
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