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Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

domingo, 20 de maio de 2018

Precisamos lutar contra o genocídio indígena com mais vigor!

A cultura autoritária enraizada em nosso país precisa ser enfrentada cotidianamente a partir dos locais de trabalho e cidadania em que atuamos. Aliás, começando por fazer ficar bem claro que a nossa condição de cidadania vem antes da condição de consumidor (nossa vida vai para além e para aquém do mercado). Isto porque a ideologia neoliberal deformou mentes e corações a tal ponto que muitos dos cidadãos não se veem como cidadãos, mas como meros consumidores (ou confundem o conceito de cidadania com o de consumidor) e pensam que a Lei maior que regula sua vida é o Código de Defesa do Consumidor, não a Constituição Federal, o Código Civil e o Código Penal etc., por exemplo.
Triste constatação cotidiana que fazemos até mesmo no interior dos sistemas escolares em que vemos educadores recomendando alunos e pais de alunos procurarem o Procon, ao invés do Ministério Público, ou o Ministério Público do Trabalho, por exemplo. Nada conhecem sobre o ordenamento jurídico brasileiro, nem sobre a hierarquia das instituições civis políticas e judiciárias e, portanto, suas concepções e práticas estão fechadas em um universo por demais estreito de pensamento e ação (por isto mesmo foram apelidados de "coxinhas" porque veem o mundo de modo muito pequeno). 
Entretanto, apesar deste universo pequeno de pensamento, são estes cidadãos (que nem sabem que são cidadãos antes de serem consumidores) os mais perigosos para darem a sustentação social a retrocessos ditatoriais como tivemos no século XX. Eles pouco se importam com os destinos das massas excluídas (para eles, os coxinhas, se elas são excluídas do mercado mais caro, o são apenas e por causa de sua própria incapacidade ou "falta de mérito" pessoal de vencer na vida; portanto, por culpa delas) e nem sonham com um Brasil mais includente (o que fazem é só reclamar de ter que conviver com este povo mais moreno, negro, mestiço, com "cara de pobre" e jeito de andar, se vestir e viver de periféricos; nos aeroportos, nos aviões, nos restaurantes de preços razoáveis, nas universidades federais e em shoppings centers mais elegantes, onde os seguranças de preto vão logo se agitando ao ver adolescentes que moram em favelas e congêneres entrarem).
São supostamente "alienados" e "despolitizados" (eu sempre questionei esta afirmação de que tudo não passa de "falta de consciência política" desta gente, porque não é que falta consciência política e que sejam "despolitizados" - o que há é que revelam, implicitamente, quais posturas políticas acreditam, claro que diametralmente opostas aos ideários de esquerda, quaisquer que sejam eles; ou seja, tem consciência política sim, mas não as nossas). Contudo, em momentos críticos da história são exatamente eles, em grandes números, que saem às ruas para defender golpes anti democráticos e, depois, darem sustentação ideológica, no cotidiano, para regimes de força, para ditaduras, para agressões a minorias e adversários políticos e agressões militares externas a outros povos etc.
É ilusão pensar que somos, por natureza, um povo pacífico. A história brasileira está aí para mostrar que isto não passa de um mito que foi criado não só por Gilberto Freyre, mas pela própria ditadura militar (vejam só o nível de hipocrisia, no momento em que a tortura e a violência política contra os adversários políticos era mais dura, eles, para uso externo e interno, gostavam de incentivar este mito do povo brasileiro pacífico; ou seja, um rebanho manso que podia ir para o matadouro sem fazer greves, sem distúrbios de rua, sem motins etc.).
Tudo bem que grande parte dos movimentos sociais de esquerda e progressistas já percebeu este mito e está elaborando suas mil estratégias e táticas de desconstrução (palavra tão ao gosto dos "pós modernos") e construção de outras maneiras de ser e de conceber o mundo. Mas é preciso distinguir claramente o que vem a ser "esquerda", de modo geral, e "progressista", de modo geral. Portanto, precisamos deixar claro que por esquerda estamos nos referindo a toda uma corrente de opinião cidadã e política, genericamente falando, que defende uma crítica ao capitalismo como sistema (claro que há variações infindáveis nestas críticas que não podem ser consideradas todas como se fossem uma só; mas o que dá unidade a todas elas é que há uma crítica ao sistema capitalista). Por progressista geralmente se fala de movimentos ou pessoas que não estão focados, direta ou indiretamente, na crítica ao próprio sistema capitalista em si mesmo, mas às desigualdades sociais existentes na sociedade capitalista em que se vive e às inúmeras questões relativas a injustiças sociais e civis. Portanto, mesmo com diferenças marcantes entre estas duas grandes correntes, elas se encontram em uma luta comum contra as desigualdades sociais e contra as injustiças existentes na sociedade.
Sendo assim, precisamos falar agora dos avanços dos movimentos sociais negros que tem desempenhado um papel importantíssimo no combate ao racismo, às desigualdades sociais que afetam, principalmente, o contingente populacional negro e pardo e que lutam por direitos específicos que afetam a comunidade negra e parda no Brasil (pelo menos metade, ou mais da metade da população brasileira). Mas é preciso ir adiante e apontar para um movimento social, comparado ao movimento negro brasileiro, bem menos, em termos quantitativos (mas não qualitativo), presente e menos evidente para a sociedade maior brasileira. Ou seja, estamos falando do movimento indigenista.
Comparando-se com a bandeira de luta levantada nos últimos tempos pelos movimentos negros em geral, a do "holocausto da população jovem negra"; podemos dizer, sem exageros metafóricos algum, que, na verdade, holocausto mesmo foi feito contra os povos indígenas brasileiros (exterminados enquanto povos, desde crianças, jovens, mulheres, homens e velhos; não sobrando sequer um deles para contar a história - o que os nazistas não conseguiram fazer com o povo judeu na Europa). Portanto, precisamos agora definir melhor o que se quer dizer com "holocausto." Este é um termo que é associado, primeiramente, à política sistemática de extermínio deliberado do povo judeu (lembrando-se que o critério de definição nazista, pelas leis raciais de Nuremberg, do que seria um judeu estava baseado na seguinte matemática simples: se uma pessoa tivesse pelo menos um avô/avó de origem judaica, ou seja, 25% de seu sangue judaico, mesmo que os outros 75% não o fosse, ela era considerada judia, simples assim; independentemente de que este avô/avó praticasse ou não a religião judaica, mesmo que ele fosse convertido ao cristianismo católico ou protestante ou se declarasse ateu).
Agora é preciso explicar melhor o que vem a ser a palavra "holocausto." Esta é uma palavra religiosa relativa a uma prática típica do judaísmo, quando o templo de Jerusalém ainda estava de pé, até o primeiro século de nossa era (o templo de Jerusalém foi destruído pelos romanos no ano 70 d.C.). Esta palavra designava um tipo específico de sacrifício cruento (ou seja, com derramamento de sangue de animais), feito no templo de Jerusalém, em que a vítima (o animal) era queimada inteira, num altar, como oferta a Deus (e em expiação contra determinados pecados). Mas então nos perguntamos o que esta palavra tem a ver com o extermínio do povo judeu pretendido pelos nazistas nos anos 1930 e 1940? Simples, ao fim do processo de arregimentação da população judaica existente em uma cidade (levadas à força para morarem em guetos apertados, ou seja, bairros, dedicados a concentrar os judeus daquela área geográfica) ocupada pelos nazistas, posteriormente transportada/deportada para campos de concentração (cercados de arame farpado eletrificados) e depois levada destes campos de concentração para outros campos específicos chamados de campos de extermínio (ou "fábricas da morte"), como Auschwitz, este povo, ao chegar de trem, descia dos vagões e era levado a entrar nas câmeras de gás imediatamente (pensando que iam tomar banho, porque era isto que lhes diziam) e morto entre 15 e 20 minutos pelo gás Zyklon B (um inseticida que era despejado, por um soldado alemão, que jogava uma pastilha do gás, através de espécies de chaminés que ficavam acima, no suposto banheiro, onde, embaixo, as pessoas já estavam nuas, esperando "o banho", mas o que caía por meio dos chuveiros, que ficavam abaixo destas chaminés, não era água, mas as pastilhas que, ao entrar em contato com o ar, volatilizavam, transformando-se em gás, e eram inspiradas pelas pessoas, mulheres, crianças, homens, velhinhos e velhinhas). Após a morte pelo gás, no máximo em vinte minutos, os corpos nus eram retirados das câmaras de gás e levados para os fornos crematórios onde eram transformados em cinzas (para não deixarem evidência de que estas pessoas haviam sido exterminadas). Portanto, a fumaça que subia das chaminés dos fornos crematórios, que ficavam ao lado das câmaras de gás, foi interpretada (não se sabe por quem) como o holocausto a Deus de todo um povo (como se Deus é quem quisesse receber esta fumaça como acontecia nos sacrifícios do templo de Jerusalém, mas com animais; por isto mesmo é que os judeus preferem usar outro termo, não o de holocausto, mas o shoah).
As latas com as pastilhas de Zyklon B
Portanto, quando se fala em "holocausto" (genocídio, na verdade), estamos nos referindo a uma política de Estado, sistemática, planejada, dirigida burocraticamente (e documentada em papeis, filmes e fotos), do modo mais industrial possível, com eficiência alemã, cujo objetivo final era o extermínio sistemático do povo judeu (ou, como diziam eufemisticamente, a "solução final do problema judaico"). Mas não é um termo genérico que serve para tudo, porque foi usado para um fim específico: a solução do "problema judaico" (por mais pavoroso que isto nos pareça, é preciso ser objetivo e entender a terminologia e o contexto histórico em que se planejou e se praticou este crime contra a humanidade) e não é a mesma coisa de um massacre limitado a certos estratos de um povo, ou certos estratos sociais de uma raça específica, dentro de uma estrutura de classes sociais qualquer.
Outra palavra que precisamos entender agora, como consequência, é a palavra "genocídio." Portanto, o holocausto também é conhecido como genocídio do povo judeu, feito pelos nazistas (mas, na verdade, foi um genocídio não completamente realizado, porque antes que ele tomasse cabo integralmente, os alemães perderam a guerra). Isto quer dizer que a palavra genocídio quer dizer assassinato de todo um povo (no caso judeu, o processo era sistemático e planejado da maneira mais burocrática, eficiente e organizada possível, dentro da cultura autoritária burocratizante e supostamente eficiente da Alemanha). Isto quer dizer também, por outro lado, que este crime contra a humanidade só se concretiza quando um povo quer deliberadamente assassinar outro povo; por inúmeras razões políticas, geográficas, econômicas, de ódio, raciais etc.
Portanto, ao se falar em "genocídio da juventude negra brasileira", estamos nos referindo mais a uma metáfora do que a um processo literal, como o genocídio dos povos indígenas brasileiros, que foram inteiramente exterminados ao longo destes cinco séculos em que a etnia luso brasileira, incluindo o elemento africano aqui, habita este lado do Atlântico Sul (já que não há um planejamento burocrático e eficientemente concebido para o extermínio de todos os jovens negros brasileiros só poque sejam negros, muito menos para toda a população negra ou parda, porque, neste caso, perderíamos mais da metade da população brasileira; como foi o caso do genocídio que os nazistas quase fizeram com todo o povo judeu, não apenas com os jovens, só porque eles eram judeus - conseguiram alcançar dois terços de seu objetivo antes do fim da Guerra na Europa). Por isto mesmo é que quero chamar atenção para um verdadeiro genocídio, não tão planejado e sistematicamente burocratizado como o dos nazistas em relação aos judeus, praticado ainda hoje, em terras brasileiras e que não recebe a mesma atenção e a mesma repercussão do genocídio parcial da juventude negra (até mesmo os movimentos negros nem se importam muito com ele, como deveriam, em igual media e do mesmo modo que o fazem com o genocídio dos jovens negros de periferia; porque, em relação aos índios, o extermínio significa apagar do mapa povos inteiros, com suas culturas, suas línguas, suas tradições e seus genes).
Estou falando do genocídio de povos indígenas brasileiros inteiros (devíamos chorar, todos os dias, pelos povos indígenas exterminados em em processo de extermínio, enquanto madames estão mais preocupadas com gatinhos abandonados e viras latas de rua). Ele acontece desde o século XVI e está tão naturalizado pelas mentalidades dominantes da etnia luso brasileira (mesmo nos amplos setores afro brasileiros) que nem se dão conta que presenciamos ainda hoje a um genocídio até pior do que o ocorrido com os judeus pelos nazistas (porque os nazistas não conseguiram exterminar todo o povo judeu; mas aqui, no Brasil, povos indígenas inteiros foram e continuam sendo exterminados de forma completa). Se formos alistar aqui todos os povos indígenas exterminados no Brasil pela etnia luso brasileira dominante esta lista seria muito longa, já que pereceram, inteiramente, mais de 800 povos indígenas desde que Cabral veio tocar o Porto Seguro (para os portugueses, porque, para os índios, começou a trajetória do genocídio indígena).
Pior ainda, o genocídio permanece em ação, em pleno século XXI, mas, felizmente, poderemos barrá-lo através de nossos movimentos sociais e políticos que saem na frente na luta contra as injustiças que se praticam no Brasil ainda hoje. Tudo bem que os movimentos negros tenham mais força, porque são muito mais numerosos e organizados do que os movimentos indigenistas, mas estou aqui para chamar e clamar atenção contínua, enquanto viver, para impedirmos não só o genocídio indígena, mas para lutar pela afirmação das etnias indígenas enquanto povos originários, em toda a sua dignidade étnica e histórica para nosso país.
Por isto mesmo, junto com a famosa frase que sintetiza a luta contra o fascismo, digo também, em relação ao extermínio dos povos indígenas brasileiros sobreviventes:

Não passarão!!!!

Alberto Nasiasene

Jaguariúna, 27 de setembro de 2015
Matéria publicada em 17 de setembro de 2015 pelo rotamogiana.com

Licença Creative Commons
Based on a work at www.rotamogiana.com.

Genocídio dos povos indígenas

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Genocídio dos povos indígenas é a destruição genocida das populações indígenas, entendidas como minorias étnicas cujo território foi ocupado pela expansão colonial ou pela formação de um Estado-nação,[Note 1] por um grupo político dominante como uma potência colonial ou um Estado-nação. [1]
Embora o conceito de genocídio fosse formulado por Raphael Lemkin em meados do século XX, os atos de violência genocida contra os grupos indígenas frequentemente ocorreram nas Américas, Austrália, África e Ásia, com a expansão de várias potências coloniais europeias, como os impérios Português, Espanhol e Britânico, e o subsequente estabelecimento de Estados-nação no território indígena. [2] 
De acordo com Lemkin, a colonização foi em si "intrinsecamente genocida". Ele considerou este genocídio como um processo em duas fases, sendo a primeira a destruição do modo de vida das populações indígenas. Na segunda etapa, os recém-chegados impondo seu modo de vida em grupo minoritário.[3][4] 
De acordo com David Maybury-Lewis, formas imperiais e coloniais de genocídio foram encenadas de duas maneiras principais, seja através da remoção deliberada de territórios de seus habitantes originais, a fim de torná-los exploráveis para fins de extração de recursos ou assentamentos coloniais, ou através de alistamento dos povos indígenas como trabalhadores forçados em projetos de extração de recursos coloniais ou imperialistas.[5] 
A designação de acontecimentos específicos como genocida é muitas vezes controverso. [6]
Alguns acadêmicos, entre eles Lemkin, têm argumentado que o genocídio cultural, às vezes chamado de etnocídio, também deve ser reconhecido. Um povo poderia continuar a existir, porém seria impedido de perpetuar sua identidade de grupo pelas proibições contra práticas culturais e religiosas que são a base dessa identidade. 
A acusação de genocídio cultural realizada pelos chineses durante a ocupação do Tibete é um exemplo. [7][8][9]
Fonte: pt.wikipedia.org
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Escravidão no Brasil Colonial - Resumo

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Escravos trabalhando num engenho de açúcar ( Debret)
Resumo da História da escravidão no Brasil, escravos no Brasil Colonial

Resumo

- A escravidão começou no Brasil no século XVI. Os colonos portugueses começaram escravizando os índios, porém a oposição dos religiosos dificultou esta prática. Os colonos partiram para suas colônias na África e trouxeram os negros para trabalharem nos engenhos de açúcar da região Nordeste. 

- Os escravos também trabalharam nas minas de ouro, a partir da segunda metade do século XVIII. 

- Tanto nos engenhos quanto nas minas, os escravos executavam as tarefas mais duras, difíceis e perigosas.

- A maioria dos escravos recebia péssimo tratamento. Comiam alimentos de péssima qualidade, dormiam na senzala (espécie de galpão úmido e escuro) e recebiam castigos físicos.

- O transporte dos africanos para o Brasil era feito em navios negreiros que apresentavam péssimas condições. Muitos morriam durante a viagem.

- Os comerciantes de escravos vendiam os negros como se fossem mercadorias.

- Os escravos não podiam praticar sua religião de origem africana, nem seguir sua cultura. Porém, muitos praticavam a religião de forma escondida.

- As mulheres também foram escravizadas e executavam, principalmente, atividades domésticas. Os filhos de escravos também tinham que trabalhar por volta dos 8 anos de idade.

- Muitos escravos lutaram contra esta situação injusta e desumana. Ocorreram revoltas em muitas fazendas. Muitos escravos também fugiram e formaram quilombos, onde podiam viver de acordo com sua cultura.

- A escravidão só acabou no Brasil no ano de 1888, após a decretação da Lei Áurea.

Bibliografia Indicada:

A força da escravidão - ilegalidade e costume no Brasil Oitocentista
Autor: Chalhoub, Sidney
Editora: Companhia das Letras
Temas: História do Brasil
Fonte: https://www.historiadobrasil.net/escravidao/

O escritor tira o véu dos sonhos do Brasil


O coche funerário branco uma limusine na estrada de areia. Consigo avistá-lo num relance. De longe, bastante longe. As cercas de arame farpado não aprisionam rebanhos, apenas capim. Dois homens silenciosos se recostam no carro. Esperam. O morto seria meu pai? Suspeito ser ele, mas nunca o vejo, escuto apenas gemidos.
Por Ronaldo Correia de Brito*
A casa um terreiro de umbanda, salas grandes, quartos, piso de cimento queimado. A mãe de santo administra a matança das oferendas. Nos fogões de lenha cozinham carnes e vísceras. Dois enfermos num quarto, um deles meu pai. Suspeito que é ele sem nunca me aproximar. Pai, por que você sofre tanto?, não faço a pergunta. A ialorixá dá as costas às labaredas de fogo, vem até mim, põe a mão sobre minha cabeça sem tocá-la. Atravesso um rio coberto de árvores e ramagens, tento fugir à correnteza em meio às pedras. Acordo.
– Pensei que fosse morrer.
– Dá nisso trabalhar à noite.
– Felizmente, era apenas sonho.
– Eu terminaria o livro no capítulo que você me enviou.
– O penúltimo? Escrevi um capítulo final.
– Jogue no meio do romance ou comece um livro novo.
Moncho Rodriguez me aconselha. Durante meses nos encontramos de tarde para um café.
Caminhamos pelas ruas de Casa Forte. Eu me queixo da agonia da escrita, da sinusite crônica, e ele do câncer de bexiga, das cirurgias e da quimioterapia.
– Você tem razão. Mário Hélio comentou que sou arbitrário nos finais. Termino os meus textos como se desse preguiça de continuar escrevendo. Uma síncope.
– Um desmaio.
– Seu Tranca Ruas baixou em mim no sonho.
– Opa! O Diabo.
– Passei anos escrevendo uma novela. Faz tempo isso. Um dia mostrei-a Fernando Monteiro, pedi a opinião dele.
Narro a Moncho, que bebe o café com tanto açúcar que dá enjoo.
– E ele?
– Se fosse você não desperdiçava o argumento numa novela, me disse. Transforme em romance. Precisava entregar um livro novo à Cosac Naify. Pensei: e se eu fizer o contrário, enxugar a narrativa e transformá-la num conto? Publiquei-o com o nome de “Milagre em Juazeiro”, no Livro dos homens. Mas nunca esqueci o conselho.
A primeira romaria ao Juazeiro do Norte, em caminhão pau de arara, eu fiz em 1971, na companhia de Assis Lima. Foi uma experiência marcante, que se repetiu em outros anos, sempre na festa de Finados. Numa das vezes, com Avelina, nos hospedamos em um rancho. A amizade com os devotos do Padre Cícero se continuou além da viagem, em visitas aos sítios onde eles moravam. Do que vi e ouvi nasceu Milagre em Juazeiro, reescrito agora. Mas o embrião de Dora sem véu foi um presente de Dona Cota e Dona Neizinha, duas velhas que moravam na Vila de Nazaré, no Cabo de Santo Agostinho. Uma profunda afeição me ligava a essas mulheres, fantasmas de uma casa em ruínas, com arcas repletas de terracota, porcelanas e cristais bacará, mesas e camas antigas, cadeiras de palhinha e dois penicos de louça. Os santos barrocos haviam sido roubados por negociantes de antiguidades. Dona Cota me confiou a história do pai dela, que se torna o pai de Francisca, a Sherazade em primeira pessoa do romance. As tramas se desenrolam em vários tempos, amarradas como n’As mil e uma noites. Francisca é quem mais fala, dois personagens também assumem a narração e há um capítulo com diálogos, sem narrador.
Dora sem véu é um livro sobre o Brasil e o tempo difícil que atravessamos. Se existe um conceito permeando os vários enredos, até o final surpreendente, é o de que a nossa sociedade se formou no ódio dos ricos pelos pobres. E que se mantém assim. O golpe recente é a prova disso. Não consigo escrever sem pensar o meu país e o meu tempo, na perspectiva da História e do passado, com algumas incursões pelos nossos mitos formadores. Admiro como os russos Dostoiévski, Tchekhóv, Gógol e Babel abordam os conflitos entre a sociedade dominante e os dominados.
Converso sempre com esses autores. Em Dora sem véu alcanço um tom explosivo, ao tratar essas questões agudas. Porém não se trata de um panfleto social, longe disso.
O meu editor Marcelo Ferroni fez leituras rigorosas dos originais. Cheguei a pensar num adiamento de dois anos no prazo de entrega do romance, e que deveria reescrever tudo. Não foi necessário tanto. O livro finalizou-se com um sonho, o penúltimo capítulo assumiu o lugar de último, divulguei título e mês de lançamento, coisa que nunca fiz antes. Acho que andava cansado de viver as agonias dos personagens e queria livrar-me deles.
O parceiro Assis Lima acompanhou de perto a escrita, com paciência e dedicação, e Wellington de Melo foi um importante leitor.
Não é fácil escrever no Brasil de agora. Até bem pouco tempo atrás vivíamos anos de aclamação da nossa literatura no exterior. O país era descoberto novo. Ninguém tinha uma política de incentivo à tradução igual à nossa. Fomos homenageados nas maiores feiras e festivais de literatura do mundo. Os convites para viagens excediam nossa capacidade de aceitar. Tudo isso acabou e mergulhamos de volta em tempos sombrios. Mesmo assim escrevemos. É o que imaginamos saber fazer e ser necessário fazer. Sempre vigilantes ao coche soturno que nos espreita no caminho.
*Ronaldo Correia de Brito é médico e escritor
Fonte: Blog do autor

Chegou a hora da fogueira!

08 de julho 2017 – Press Trip -Grupo São mateus durante apresentação no Arraial de Belo Horizonte. Foto: Roberto Castro/MTur
Inicia hoje a divulgação de festejos juninos espalhados pelo Brasil. Somente no Calendário Nacional de Eventos são cerca de 140 junho é somente uma referência. Na verdade, uma das maiores tradições da cultura brasileira, os festejos juninos, começam em maio e se estendem até julho, movimentando cidades de norte a sul do Brasil. São quermesses de igrejas, arraiás em comunidades, além de pequenos, médios e grandes eventos que geram fluxo turístico, a exemplo do Maior São João do Cerrado, realizado em Brasília, que abriu o calendário nesta sexta-feira (18).
Devido à relevância desses eventos para a cultura e o turismo brasileiro, o Ministério do Turismo vai divulgar em seus canais de comunicação festejos juninos de todo o país.  “Esta é uma temporada de fundamental importância para o turismo brasileiro, pois as festas de São João atraem turistas e, assim, movimentam a economia dos destinos. Nos eventos mais tradicionais existe uma grande mobilização popular que contribui para a muitos empregos em função das festas”, afirma o ministro do Turismo, Vinicius Lummertz.
No Maior São João do Cerrado serão três dias de festa com entrada gratuita no estádio Abadião, na Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal com a maior comunidade nordestina. O clima do Nordeste e das festas juninas está presente nos shows de forró e outras músicas regionais que serão apresentados no palco principal; nas exposições de arte e nos ambientes cenográficos. Claro que não faltará também as comidas típicas da época na praça de alimentação.
Com o pé nas tradições culturais brasileiras ao longo de 12 anos de realização, O Maior São João do Cerrado este ano tem como tema As Rendeiras do Brasil. Justa homenagem às artesãs e a essa arte que preserva técnicas e saberes tradicionais com as tramas de Bilro ou da Terra, Filé, Labirinto, Renascença, Richilieu ou Ponto Cruz. Referências que serão embaladas com shows de artistas como Chambinho do Acordeon, Lucy Alves, Balé Flor do Cerrado, entre outros, até o dia 20 de maio.
“A alegria é a base da cultura popular brasileira. E nada é mais gratificante do que oferecer esse pedaço de Brasil e um pouquinho da alma e da alegria de seu povo para o mundo. Realizar o São João do Cerrado é realizar um sonho! É acreditar na certeza de que podemos construir um mundo melhor e mais alegre”, afirma Edilane Oliveira, idealizadora do evento. Confira a programação clicando aqui. 
CALENDÁRIO – O Maior São do Cerrado é um dos 1.381 festas e eventos de todo o Brasil inscritos em 2018 no Calendário Nacional de Eventos do Ministério do Turismo. Somente de festejos juninos são cerca de 140.
Confira a íntegra do calendário clicando aqui.

sábado, 19 de maio de 2018

NOVA CRUZ/RN: VEREADOR VALDO APRESENTA PROJETO DE RECONHECIMENTO DE UTILIDADE PÚBLICA DO CPC/RN AO PLENÁRIO DA CÂMARA

 Plenário da Câmara, ocasião da leitura do Projeto de Utilidade Pública do CPC/RN

Na última quinta-feira 17/05, o projeto de Utilidade Pública do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN foi lido em plenário da Câmara Municipal e em seguida foi encaminhado as comissões e depois volta rá ao plenário para aprovação ou não do projeto.

O projeto foi apresentado e assinado pelo Vereador e presidente da Casa, Vereador VALDO de Salú!

Para o presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, Eduardo Vasconcelos a solicitação do pleito foi feito pelo CPC/RN ao presidente da CASA, cujo objetivo é reconhecer de fato a existência das ações constantes da entidade, agora é só seguir os transmites para posteriormente solicitar a Assembleia Legislativa do RN e a Câmara dos Deputados os pedidos de Reconhecimentos a nível estadual e nacional respectivamente, bem como os registros nos Conselhos: Municipal, Estadual e Nacional de Assistência Social.  Isso ocorrendo facilitará o CPC/RN a desenvolver projetos em prol da cultura potiguar.

Para Eduardo os primeiros passos já estão sendo dados, agora é aguardar para avançarmos cada vez mais.

CONTAGEM REGRESSIVA! FALTAM 02 DIAS PARA O ENCONTRO DE POLÍTICAS CULTURAIS DO CPC/RN!!!


Contagem REGRESSIVA! Faltam apenas 02 (dois) dias para o ENCONTRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS DO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC/RN! Dia 25 de maio no IFRN de Nova Cruz, Rio Grande do Norte! Debates, trocas de idéias, apresentações culturais, palestras e muito mais!

Momento também para reflexões, análises e a volta das discussões e importância dos nossos irmãos NEGROS E ÍNDIOS, juntamente com suas origens, presença marcante em nossas vidas!

Fiquem ligados!

Dia Internacional de Museus


“Museus e histórias controversas: dizer o indizível em museus” é a tradução oficial para português do tema definido pelo Conselho Internacional de Museus (Icom) para o Dia Internacional de Museus (Museums and contested histories: saying the unspeakable in museums, em inglês).
Cartaz da Semana de Museus 2016
Cartaz da Semana de Museus 2016
Data celebrada anualmente no dia 18 de maio (ontem), o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) adota o mote lançado pelo Icom para realizar a Semana Nacional de Museus – temporada de eventos que, durante sete dias, reúne museus brasileiros com uma vasta programação de atividades.
Em 2016, entre os dias 16 e 22 de maio, 1.236 museus cadastraram 3,7 mil atividades para a 14ª Semana de Museus.
Entre os objetivos do evento estão a valorização dos espaços de memória e cultura no país, a ampliação da relação dos museus com a sociedade, assim como o aumento do público visitante. O impacto socioeconômico da Semana de Museus é medido pelo Ibram a cada nova edição: confira os resultados das pesquisas já realizadas.
Até o final do ano, o Ibram definirá o período de realização da 15ª Semana de Museus, assim como dará início ao processo de inscrições de atividades por parte das instituições interessadas em participar.
Texto: Ascom/Ibram

Bossa nova completa 60 anos: conheça a história do gênero musical


Duas faixas específicas do disco são emblemáticas para a história da bossa nova: Outra Vez, composição de Jobim que já havia sido gravada em 1954, e Chega de Saudade, parceria do maestro com o poeta Vinícius de Moraes, escrita em 1956, mas que, até então, permanecia inédita. “É clássico e definitivo momento de parto [da bossa nova]”, considera o crítico e historiador Ricardo Cravo Albin.
O acompanhamento ao violão feito pelo baiano João Gilberto nas canções trazia, pela primeira vez, a batida do violão que se tornaria característica do estilo. Gilberto inova na forma de cadenciar o ritmo, acentuando os tempos fracos, de forma a realizar uma síntese da batida do samba ao violão.
O professor de violão Alessandro Borges, do Departamento de Música da Universidade de Brasília (UnB), explica a mudança na batida do samba realizada por João Gilberto, que caracteriza a bossa nova.
Em julho de 1958, meses depois de Canção do Amor Demais chegar às lojas, João Gilberto concluiu a gravação de seu próprio disco 78 rotações, contendo de um lado a canção Chega de Saudade, e de outro, Bim Bom, composição própria. Nesse trabalho autoral, em que definitivamente foi consolidado o que seria chamado de bossa nova, aparece outra faceta de João Gilberto: a forma de cantar o samba.
Para Walter Garcia, organizador do livro João Gilberto (Cosac Naify, 2011), dizer que o músico de Juazeiro canta “baixinho”, ou que seu canto se aproxima do modo de falar, é contemplar apenas uma parte desse processo.

“Existe também uma percussividade na forma de cantar de João Gilberto. Alguns pesquisadores apontam que seu canto se aproxima da sonoridade de um instrumento de cordas e da articulação de um saxofone’’, afirma.
Pesquisador da obra de João Gilberto, Garcia sintetizou a complexidade do trabalho do músico baiano como uma “contradição sem conflitos”: “O difícil do João Gilberto é que a obra dele está sempre equilibrando contrastes e antagonismos, embora na aparência seja uma obra que não tem contradição nenhuma. Ela é toda atravessada de contradições, mas elas são apresentadas como se não houvesse o conflito”, disse.
Ausência dos palcos

A bossa nova chega à terceira idade com seu principal ícone fora de atividade há dez anos: a última vez que João Gilberto pisou em um palco foi em 2008, por ocasião das comemorações dos 50 anos do gênero musical. Em São Paulo, os shows ocorreram no Auditório do Ibirapuera e o apresentador foi o crítico musical e amigo pessoal de João, Zuza Homem de Mello.


Foi a última vez que ele esteve na presença do músico, e lamenta sua ausência dos palcos. “É uma grande pena a gente não ter mais o João Gilberto podendo cantar e tocar em público. Certamente ele deve estar cantando e tocando no apartamento onde vive. Mas em público é diferente, ele tem que se preparar para isso. A razão disso [ausência dos palcos] é que ele não está preparado para se apresentar em público. Há que se respeitar João Gilberto”, diz Mello.

João Gilberto está longe dos palcos há dez anos
Houve uma expectativa de que João voltasse aos palcos em novembro de 2011, em uma turnê nacional com o show João Gilberto 80 anos – Uma Vida Bossa Nova. Mas a primeira apresentação que seria realizada na capital paulista foi cancelada por motivos de saúde do músico e a turnê acabou não acontecendo.
João Gilberto foi visto cantando e tocando violão pela última vez em 2015: ele aparece em vídeos postados na rede social Facebook por Claudia Faissol, mãe de Luisa, filha caçula do cantor. João estava de pijama e tocava e cantava Garota de Ipanema ao lado da filha.
Devido a problemas financeiros e de saúde do cantor, a filha dele Bebel Gilberto conseguiu a interdição do músico no último dia 15 de novembro. O processo corre em segredo de justiça na 5ª Vara de Órfãos e Sucessões do Rio de Janeiro.
Ouça algumas canções icônicas da Bossa Nova: 


Férias de julho vão impulsionar turismo e aquecer economia


O Ministério do Turismo fez um levantamento junto a agências e operadoras de viagens, hotelaria e sites de busca na internet que aponta o otimismo do setor com relação às férias escolares de julho. A expectativa é para variáveis como o volume de viagens e ocupação da rede hoteleira em várias cidades. Confira as previsões de entidades representativas do turismo segundo a sondagem do ministério:

Para todos os gostos

Dos 10 destinos mais procurados para as férias de julho são: oito praias da região Nordeste brasileira. “Maceió, Fortaleza e Porto Seguro (BA) lideram no ranking geral”, informa o Ministério do Turismo. Mas nem só de sol e calor vive o turismo nacional. Os dois outros destinos que integram a lista dos mais procurados são Gramado, no Rio Grande do Sul; e Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Ambos são destinos de inverno comumente procurados por visitantes estrangeiros. As informações são da agência de viagens, CVC, que, segundo o ministério, figura como a “maior operadora de turismo da América Latina”.

Casa cheia

As expectativas da rede hoteleira são otimistas sobretudo para o Nordeste e para o Sul: em Maceió, a expectativa de ocupação dos hotéis é de 72%; em Fortaleza, de 82%; em Porto Seguro, chega a 90%; em Gramado, é de 85%; e em Balneário Camboriú, de 65%. As informações são da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih)
Cerca de 65% dos pacotes de viagem (com passagem e hospedagem incluídas) são para destinos nacionais: os mais demandados são Maceió (AL) e Porto de Galinhas (PE). A Associação das Agências de Viagens (Abav), com representação em todos os estados.
Fonte: Governo do Brasil, com informações do Ministério do Turismo