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domingo, 3 de junho de 2018

RETROSPECTIVA: Processos de Canonização dos três SERVOS de Deus: DOM VITAL, FREI DAMIÃO E DOM HELDER CÂMARA

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Foto do Google: ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE
Atualmente, a Arquidiocese de Olinda e Recife está à frente de três causas de beatificação, sendo o Frei Jociel Gomes o responsável e postulador. Os três Servos de Deus que merecem todo o empenho arquidiocesano para sensibilizar a Congregação para a Causa dos Santos, em Roma, são Dom Vital, Frei Damião de Bozzano e Dom Helder Câmara.
Conheça o andamento dos processos:
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Dom Vital de Oliveira (1844-1878) – capuchinho, bispo de Olinda de 1871-1878. Seu Processo de Beatificação e Canonização foi aberto oficialmente em 1953 e, depois de um longo tempo estacionado, os trabalhos foram retomados em 1992. A Fase Diocesana foi encerrada aos 04/07/2003 e a documentação enviada ao Vaticano. Em 2012, o Arcebispo entregou a Causa à condução dos capuchinhos. No momento, o Vice-postulador frei Jociel Gomes, OFMCap., está elaborando a  Positio a ser aprovada e entregue às comissões vaticanas a fim de darem seu parecer, cujo resultado deverá ser apresentado ao Santo Padre para que reconheça a prática heróica de suas virtudes e o declare Venerável. Maiores informações: www.domvitaldeoliveira.org
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Frei Damião de Bozzano (1898-1997) – capuchinho, missionário. Seu Processo de Beatificação e Canonização foi aberto em 2003. A Fase Diocesana foi concluída em 2012 e a documentação entregue ao Vaticano. A Positio, redigida pelo Vice-postulador Frei Jociel Gomes, OFMCap., já foi elaborada e aprovada, sendo entregue às comissões vaticanas. Uma recente carta do Cardeal prefeito da Congregação comunicou que a Causa será vista no congresso de 18/02/2018, donde se espera uma resposta das ditas comissões. Maiores informações: www.freidamiaodebozzano.org
 Dom-Helder
Dom Helder Camara (1909-1999) – arcebispo de Olinda e Recife no período de 1964 a 1985, destacou-se pela defesa dos mais pobres, dos direitos humanos e na proposição de novos caminhos para a Igreja.  Com seu dinamismo e habilidade diplomática, Dom Helder Camara foi bispo-auxiliar do Rio de Janeiro, membro atuante do Concílio Vaticano II e um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Dentre os seus principais legados, está a organização de mais de quinhentas comunidades eclesiais de base, fortalecendo a atuação social da Igreja junto aos mais pobres. Defensor dos Direitos Humanos durante o regime militar brasileiro, Dom Helder recebeu a indicação para o prêmio Nobel da Paz em 1972. Conhecido também como “Dom da Paz” e “irmão dos pobres”, possuía notável habilidade com a oratória e reunia multidões nas missas e conferências, atraindo a atenção principalmente da juventude católica.  Seu Processo de Beatificação e Canonização foi aberto aos 03/05/2015. Atualmente, a Causa encontra-se na Fase Diocesana em que o Tribunal eclesiástico está escutando as testemunhas e as comissões histórica e teológica estão preparando seus pareceres e relatórios. Espera-se que, em breve, os trabalhos sejam concluídos na Arquidiocese e o Postulador Frei Jociel Gomes, OFMCap., possa entregar toda documentação ao Vaticano.

Fonte: arquidioceseolindarecife.org

Catedral da Arquidiocese de Olinda e Recife (Sé Metropolitana – Matriz de São Salvador do Mundo)


Catedral da Sé.
Padroeiro da Igreja: Santíssimo Salvador do Mundo
Festa da Transfiguração do Senhor: 06 de agosto


Dedicada a Jesus Cristo como Salvador do Mundo, foi originalmente construída em taipa (barro), no ano de 1540. Depois, passou por reconstruções e reformas, sendo substituída por outro templo em 1584, maior, de alvenaria e com várias capelas secundárias, erguido por iniciativa do Frei Antônio Barreiro, terceiro Bispo do Brasil. Em 1616, foram edificadas a sacristia e dependências anexas por Cristóvão Álvares, e pouco mais tarde, foi elevada à dignidade de Matriz de São Salvador do Mundo. No ano de 1676, com a criação do Bispado de Olinda, a antiga matriz foi elevada à condição de Catedral.
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Devido às diversas intervenções e reformas, a fachada do templo ficou descaracterizada do estilo original. Para corrigir tal situação, entre os anos de 1974 e 1976, a edificação foi restaurada, readquirindo até onde foi possível, suas feições originais de transição entre a Renascença e o Barroco (período maneirista). A iniciativa fez parte do Programa de Restauração das Cidades Históricas do Governo Federal, em conjunto com a Fundação Nacional de Arte de Pernambuco (FUNDARPE).

terraco

Na capela-mor permanecem o trono episcopal e outras cadeiras com fina lavra em jacarandá, e as tumbas dos bispos Dom Mathias de Figueiredo e Mello (em sepultura rasa), Dom Francisco Xavier Aranha e Dom João da Purificação Marques Perdigão (em jazigos nas paredes) e o túmulo de Dom Helder Camara (arcebispo de Olinda e Recife no período de 1964 a 1985).
A Catedral da Sé Metropolitana guarda ainda, em seu terraço, uma das mais encantadoras vistas das cidades-irmãs Olinda e Recife.

Endereço: Alto da Sé, s/n, bairro do Carmo,
CEP 53120-100  Olinda – PE
Telefone: 81-3453-3151

sábado, 2 de junho de 2018

Centro Cultural do Patrimônio - Paço Imperial (CCPPI)

Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial

Tombado pelo Iphan em 1938, o Paço Imperial é, desde que foi restaurado, entre 1982 e 1985, um centro de exposições e eventos, e sede da Biblioteca Paulo Santos. Atuando pela preservação da memória histórica, ao mesmo tempo em que incorpora as inovações da cultura brasileira, é um dos marcos da história cultural do Rio de Janeiro. Desde que se transformou em um espaço aberto às exposições e aos eventos culturais, a linha de atuação adotada mescla - como a sua arquitetura que contrapõe os elementos originais do prédio com os contemporâneos - a arte de Aleijadinho, Joseph Beuys, Maria Clara Machado, John Cage, Rolling Stones, Helio Oiticica e Mestre Valentim.
Formada pelo historiador da arquitetura e do urbanismo, Paulo Santos, a biblioteca que leva seu nome está instalada no primeiro andar do prédio, com um acervo de milhares de obras, a maior parte delas especializadas em arte e arquitetura luso-brasileiras. As demais salas do edifício estão franqueadas às exposições temporárias de artes plásticas, eventos teatrais, concertos musicais clássicos e populares, palestras e seminários. No andar térreo, são oferecidos diversos serviços com o mesmo rigor e qualidade de seus eventos culturais.

Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial

Situado no corredor cultural do Rio de Janeiro, o Paço Imperial é um raro exemplo de monumento histórico que, em diferentes momentos, foi palco de importantes acontecimentos de nossa história. Em 1938, o Paço Imperial foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) / Ministério da Cultura e em 1985, depois de restaurado, tornou-se um centro cultural vinculado ao IPHAN. Mais do que um museu, o Paço Imperial é um espaço voltado para a pesquisa e a produção de conteúdo e para o mapeamento, o incentivo e a difusão de manifestações artísticas e intelectuais. No Paço Imperial, as expressões do mundo atual dialogam com as referências do passado, convidando o visitante a passear pelos tempos. Sua programação diversificada inclui exposições de artes visuais, arquitetura e design, espetáculos de artes cênicas, concertos musicais, seminários e palestras.
Fonte: http://portal.iphan.gov.br

LUGAR DE PRETO E LUGAR DE BRANCO NA SOCIEDADE BRASILEIRA

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Imagem do filme "Será Que Vai Chover?"

Trabalhamos nesse Artigo com as Categorias: Negro/Preto/Branco

Passaram-se mais de 121 anos de abolição da escravidão no Brasil e questiono: Qual o lugar do negro e da negra na sociedade brasileira?

A Lei Áurea foi constituída sem estar alicerçada por uma Política Social que pudesse incluir o Homem negro e a Mulher negra agora como pessoas “livres” na sociedade brasileira e com direitos a educação de qualidade, saúde, moradia, renda e trabalho.

Ações afirmativas, Políticas Sociais desenvolvidas hoje pelo Governo Federal como: o PAC, a bolsa Família e as cotas na Universidade, apresentam-se como uma tentativa de mais um século de atraso, com o objetivo de reparar uma divida Histórica do Governo brasileiro com os Negros e Negras desse país.

Não quero aqui entrar no mérito do valor dessas ações afirmativas e políticas públicas, mas penso que está até certo ponto diminuindo o abismo Social entre o povo negro e os não negros nesse país, entretanto pouco se percebe a diminuição de práticas e ações racistas e preconceituosas. A mais recente dessas práticas foi o episódio que ocorreu num shopping Center em São Paulo, quando um homem negro por está próximo do seu automóvel no estacionamento do shopping, enquanto sua família, esposa e filhos faziam compras, foi brutalmente espancado por seguranças sem que estivesse a menor possibilidade de comprovar que o automóvel era seu: Será que sendo um homem branco teria acontecido tal agressão?

Não cabe aqui nesse momento julgarmos, mais precisamos analisar as práticas existentes em nossa sociedade, uma vez que temos a certeza que vivemos numa sociedade multirracial.

Esse episódio ocorrido em São Paulo é apenas um dos muitos que acontece em todo o país de forma velada e sem que venha a ser divulgado para a sociedade brasileira. Mas o episódio de preconceito e racismo que são tornados públicos como assassinato do compositor negro Gerô que aconteceu em São Luís-MA, cometido por policiais militares de forma hedionda, tortura seguida de morte, foi minimizada pela justiça do Maranhão ao sentenciar os criminosos à pena mínima nesse mês de outubro de 2009.

No inicio desse ano viajei até a região da baixada para acompanhar na qualidade de Diretor Sindical uma Assembléia de Professores que estavam em greve. Após minha participação na referida Assembléia, retornei para São Luis, aproximadamente seis meses depois ao retornar a cidade da referida região fui surpreendido pela coordenadora do Sindicato de Trabalhadores em Educação (SINPROESEMA), que me comunicou que quando da minha passagem na cidade no início do ano, um comerciante da cidade chegou a comentar com ela que: “Nós não somos bestas, ou seja, bobos, você foi até uma cidade próxima e trouxe um preto dizendo que era do sindicato de professores, nós não acreditamos nisso”.

Talvez esse seja um dos episódios velados que me referi anteriormente nesse artigo, que acontece todos os dias em nosso extenso e multirracial país.

Podemos então a partir do comentário do comerciante da baixada maranhense, região que historicamente tem uma grande quantidade de negros e de negras e muitas comunidades remanescentes de quilombos e que durante o apogeu da economia maranhense entre os séculos XVIII e XIX e as grandes produções açucareira, algodoeira e a rizicultura, recebeu grande quantidade de escravos, ou seja, justamente desse lugar que tem uma grande população negra culturalmente enraizada, é que tentaremos traçar um paralelo entre o pensamento dos vigilantes do Shopping Center em São Paulo e o comerciante maranhense. Nos dois casos eram “impossíveis” os atores sociais deixassem de acreditar que os dois negros, o cliente do Shopping e o professor não podiam pertencer aqueles “lugares de branco”. Será que temos espaços definidos para negros e para negras em nossa sociedade? Qual o lugar dos negros? Qual o lugar dos brancos? O que faltou para o professor ser agredido fisicamente por está no espaço delimitado por um etnocentrismo a branco? , Podemos compará a agressão simbólica sofrida pelo professor com a agressão ao homem do Shopping Center?

Esse espaço é construído pelo imaginário social? Esse espaço está politicamente definido? Se não fosse sindicato de professores e sim de outra categoria de trabalhadores, categoria essa instituída socialmente após a abolição como categoria de trabalhadores negros, ou seja, trabalhos exercidos outrora por escravos que agora são “legalmente e politicamente corretos”, estarem sendo exercidos por negros e por negras, livres”.

Observamos a partir dessas impressões que se o preconceito social tende a diminuir a partir de políticas públicas e ações afirmativas, o preconceito racial está bem longe de ser excluído da nossa sociedade em todas as suas camadas.

Podemos também traçar uma ponte entre os espaços, Shopping em São Paulo e baixada maranhense, no primeiro talvez a quantidade de negros seja pequena e no segundo é muito grande, por que então as práticas são tão parecidas?

Estamos aqui mais como o objetivo de levantarmos questões para que possamos repensar nossas práticas nas relações étnicas raciais diárias em nosso país multirracial, verdades absolutas aos nossos questionamentos.

Cabem a nós negros, negras, brasileiros, unirmos pela igualdade. Entendemos que a partir da grande miscigenação desse país, ser negro ou negro no Brasil passa por opção política também.

Carlos Alberto Campelo Costa
Secretário de Políticas Sociais do SINPROESEMA
Membro da UNEGRO-MA (União de Negros e Negras pela igualdade)
Professor de História da rede Estadual e Municipal, São Luis-Maranhão

Publicado em, 01 de Novembro de 2009.

Assis Valente passou a vida esperando a felicidade (e não a encontrou)

Carmem Miranda e Assis Valente
Ele passou 50 anos numa frenética busca pela alegria, sentimento que poucas vezes encontrou. Suas canções se tornaram crônicas cariocas e, principalmente, espaço para a confissão dos dissabores. Teve o prazer do reconhecimento, de se sentir parte de algo. Mas quando perdeu a notoriedade, decidiu encerrar a vida em frente ao mar do Rio de Janeiro. Não pôde ver o sucesso que faria anos depois.
Era fim da tarde de 11 de março de 1958. Mergulhado em dramas pessoais e com um enorme sentimento de solidão, o baiano de 49 anos escreveu, com sofreguidão, uma longa e detalhada carta na qual explicava a bobagem que viria a fazer. “Morro por minha vontade. Estou sentindo apenas a cruel saudade de tudo e de todos.” Assinou o papel e, sentado num banco em frente à Praia do Russel, no Rio, bebeu guaraná com formicida. Morreu minutos depois.
Levara uma vida de abandono, amargura, vaidade e fugaz reconhecimento. Não se conformava com o ostracismo que o mundo havia lhe imposto. Mas não era apenas isso. Para entender o que lhe fez chegar ao suicídio – a derradeira de três tentativas –, é necessário voltar ao começo de tudo.
O menino José de Assis Valente nasceu em 19 de março de 1908 na Bahia. A cidade natal é confusa para os biógrafos. Uns dizem que foi entre Bom Jardim e Patioba. Ele, numa entrevista ao Cine Rádio Jornal, afirmou ser de Campo da Pólvora (“por isso tenho essa pele queimada”).
O certo é que teve uma infância atribulada. Ainda pequeno, foi levado de casa e criado por outro casal, que mudou para Salvador e, pouco depois, para o Rio. Com um detalhe: sem ele, que ficou sozinho na capital baiana.
Virou-se como podia. Profissionalizou-se ainda jovem: especialista em prótese dentária. Mas o que queria era ser artista, a atração principal, receber aplausos. Os primeiros passos foram como orador de circo, improvisando versos de poemas, e desenhista de uma revista soteropolitana.
Entre próteses, desenhos e samba
Em 1928, decidiu mudar para o Rio. Logo empregou-se na oficina de um protético. Mas gostava mesmo era de desenhar, atividade que tomava suas noites e rendia algum dinheiro nas revistas da cidade.
Quando conheceu o compositor Heitor dos Prazeres, também ligado às artes plásticas, a sua história começou a mudar. Heitor se impressionou com a facilidade de o baiano compor versos, sempre intuitivos. Com o decisivo incentivo do amigo, Assis teve o primeiro samba gravado: Tem Francesa no Morro, por Araci Côrtes.
No mesmo ano faria o que considerava a sua melhor canção, criada na noite de Natal de 1932: Boas Festas. Estava sozinho em casa, triste, quando viu a imagem de uma menina com os sapatinhos sobre a cama, esperando o presente de Papai Noel. Foi o suficiente para nascer o clássico natalino – cantado até hoje, ironicamente, como um símbolo de alegria: Anoiteceu, o sino gemeu / E a gente ficou feliz a rezar / Papai Noel, vê se você tem / A felicidade pra você me dar / Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel
Sucesso em Carmen Miranda
Ainda em 1932, Assis assistiu a uma apresentação de Carmen Miranda, jovem cantora que o encantou instantaneamente. Carmen também ficou entusiasmada por aquele baiano cheio de elegância, educado e com um sorriso cativante. Ele passou a compor canções exclusivamente para a Pequena Notável. Foram 24 gravações, quase todas sucessos. Entre elas, E o Mundo Não se Acabou, Recenseamento e a genial Camisa Listrada: Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí / Em vez de tomar chá com torrada ele bebeu Parati
Estava no auge da fama, sentindo-se importante e amado pelo público, quando Carmen, em 1939, decidiu mudar para os Estados Unidos. Foi um baque. Assis sentiu-se traído, abandonado. E, pior: tinha dificuldade de compor para outras cantoras.
Daí em diante a carreira começou a decair. Novos ritmos tocavam nas rádios e sua música passou a ser considerada obsoleta. Não conseguia – e muitas vezes não queria – acompanhar as novidades. Emplacou alguns sucessos, como o clássico Fez Bobagem, de 1942, gravado por Araci de Almeida. Mas sem a mesma repercussão de antes. Também não teve êxito no casamento com Nadyle da Silva Santos, que durou menos de três anos. Com ela teve sua única filha.
Para alguns estudiosos da música brasileira, como Tárik de Souza, o verso “beijei na boca de quem não devia” (entre outros) contido na canção E o Mundo Não se Acabou era uma autorreferência à homossexualidade de Assis Valente, que não tocava no assunto devido ao enorme preconceito da época. “Assis, que levava vida dupla para escapar do preconceito, fez a maioria de suas músicas no feminino exteriorizando uma anima alegre, proibida na vida real”, conta Tárik no livro Tem mais samba (editora 34).
Vendo a fama de longe e com dívidas quase impagáveis, tentou o suicídio duas vezes. Não parou de compor, mas boa parte das criações servia apenas para lotar as gavetas. Poucos queriam gravar um compositor que só estampava as manchetes por tentar se matar. Cada vez mais se afastava das pessoas. Até que, uma semana antes de completar 50 anos, conseguiu dar cabo à vida.
O sucesso que sempre perseguiu viria pouco depois. Não mais na voz de Carmen Miranda, mas pelas sucessivas regravações a partir dos anos 1960 – destaque para os Novos Baianos, que transformaram Brasil Pandeiro num estrondoso sucesso nacional.
Uma das mais regravadas é o samba Alegria, um marco na carreira e, sobretudo, uma das mais elaboradas sínteses de sua existência. Uma vida na qual a dor e o prazer coexistiram numa eterna busca por um sentimento que nunca alcançaria: Esperando a felicidade / Para ver se eu vou melhorar / Vou cantando, fingindo alegria / Para a humanidade não me ver chorar…

A PARANAENSE QUE SALVOU MUITOS JUDEUS


Aracy Guimarães Rosa (1908-2011) foi  esposa do diplomata e escritor Guimarães Rosa. Funcionária do Itamaraty em Hamburgo ajudou inúmeros judeus a fugir do nazismo. Conhecida como “Anjo de Hamburgo”, foi homenageada nos museus do Holocausto de Jerusalém e de Washington.
Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa (1908-2011) nasceu em Rio Negro, Paraná, o dia 5 de dezembro de 1908. Filha de pai brasileiro e mãe alemã, ainda criança foi morar com os pais em São Paulo. Em 1930, casou-se com o alemão Johann Eduard Ludwig Tess, de quem se separou cinco anos depois. Vítima do estigma que marcavam as mulheres separadas, destemida, poliglota e culta, embarcou com o filho de cinco anos em um navio rumo à Alemanha. Instalada na casa de uma tia, passou privações.
Fluente em português, alemão, inglês e francês, em 1936 encontrou trabalho no Itamarati, como chefe da seção de passaportes do consulado brasileiro em Hamburgo. Enquanto se adaptava ao país, assistiu a expulsão dos judeus do funcionalismo público, testemunhou seu banimento das escolas e das universidades e os viu perderem seus direitos e propriedades.
Desafiando o antissemitismo encampado nos bastidores do governo de Getúlio Vargas, que restringiu a entrada de judeus no Brasil, foi responsável pela concessão de vistos em Hamburgo, Aracy passou a omitir dos superiores qualquer informação que identificasse um requerente como judeu. Mesmo correndo sérios riscos se fosse descoberta, ajudou incontáveis famílias de judeus a escapar da morte nos campos de concentração de Adolf Hitler.
Em 1938 Aracy de Carvalho conheceu Guimarães Rosa, que depois se tornaria um dos maiores escritores brasileiros, e havia sido transferido para Hamburgo. Ela se apaixonou por ele, mesmo sabendo da transgressão da chefe da seção de passaporte, lhe deu total apoio. Aracy e Guimarães Rosa foram investigados pelas autoridades do Brasil e da Alemanha.
Em 1942, quando o Brasil rompeu relações diplomáticas com a Alemanha e aliou-se aos Estados Unidos, à Inglaterra e à União Soviética, contra Hitler, o casal foi mantido por 100 dias em um hotel, em poder da Gestapo, até se estabelecer a troca de diplomatas entre os dois países.
De volta ao Brasil, como eram desquitados, só oficializaram a união na Embaixada do México, no Rio de Janeiro, em 1947. O romancista dedicou-lhe “Grande Sertão: Veredas” (1956), obra central na moderna literatura brasileira.
Em 1982, Aracy Guimarães Rosa foi laureada com a mais alta honraria para os “não judeus” que se arriscaram para proteger vítimas do Holocausto – foi declarada “Justa entre as Nações”, pelo governo de Israel. Recebeu homenagens também no Museu do Holocausto de Washington e Jerusalém.
Aracy Guimarães Rosa faleceu na cidade de São Paulo, no dia 3 de março de 2011, em consequência do Mal de Alzheimer.

Turistas refazem “Os Passos de Anchieta” no Espirito Santo



Os Passos de Anchieta é uma trilha de sucesso entre peregrinos que viajam até o Espirito Santo e turistas em busca de natureza e aventura no litoral capixaba. A caminhada se repete quinzenalmente, assim como fazia o padre Anchieta.
Até domingo (3) será realizada a 21ª edição da caminhada oficial. Cada passo é uma nova descoberta para quem revive o caminho percorrido pelo jesuíta. Mais do que uma prática saudável ou que evidencia o fervor religioso, a trilha oferece experiências que reúnem atrativos ecológicos, religiosos, sítios históricos e gastronomia diversificada.
O percurso do primeiro dia sai da Catedral de Vitória e percorre 25 km até a Barra do Jacú, em Vila Velha. Até Setiba, em Guarapari, são 28 km, no segundo dia de peregrinação. No sábado são 24 km até Meaípe, ainda em Guarapari, e no domingo, 23 km até a cidade histórica de Anchieta, onde fica o santuário Nossa Senhora da Assunção, erguido pelo jesuíta em 1597 com ajuda dos índios tupis. A trilha pode ser feita nos dois sentidos. Seguindo a sabedoria indígena, boa parte do trajeto é feito pela praia, nas marés baixas, quando a areia fica solada e facilita a caminhada.
O roteiro reconstitui o trajeto dentro de considerável exatidão histórica e, no sentido inverso, vai da Aldeia de Reritiba (cidade de Anchieta) até a Vila de Nossa Senhora da Vitória (a capital), onde o religioso dirigia o Colégio de São Tiago, atual Palácio Anchieta, sede do governo do Espírito Santo e abrigo simbólico do túmulo de Anchieta. Auxiliado pelos índios temiminós, ele fazia o trajeto de 14 léguas, duas vezes por mês, desde que se recolheu na vila indígena da costa capixaba, onde viveu 10 anos até a morte, em 1597. Ainda no Espírito Santo, além de Reritiba, o padre jesuíta também fundou Guarapari e São Mateus.
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Santuário de Anchieta (ES). Crédito: Vitor Jubini
Ao resgatar as pegadas de Anchieta, o turista se depara com as paisagens que inspiravam o andarilho da catequese na colônia, considerado o primeiro apóstolo do Brasil. O viajante se encontra consigo mesmo nas reflexões que a jornada oferece e descobre outros caminhos: o do coração, para quem tem fé; e o do conhecimento, para os que refazem o trajeto pelo valor histórico e o prazer de ir ao encontro da natureza. Seja qual for o motivo, o resultado ao término da trilha dá a gratificante sensação de vitória e um aprendizado sempre útil na simbólica caminhada da vida.
Anchieta – São José de Anchieta foi proclamado santo em 2014. Nasceu em 1534, em San Cristoban de Laguna, ilha de Tenerife, nas Canárias, arquipélago da costa da África que pertence a Espanha. Aos 14 anos foi para Coimbra, em Portugal, e ingressou na Companhia de Jesus, fundada em 1535 pelo primo, Inácio de Loiola. Anchieta chegou em Salvador, em 1553, aos 19 anos. Depois fundou Niterói (RJ) e o Colégio de Piratininga, que deu origem a São Paulo. Sua ação se estendeu até Pernambuco. Anchieta foi o autor da primeira gramática de tupi-guarani para facilitar o trabalho de evangelização dos índios.
Fonte: BRASIL CULTURA

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Hotel Central visto de dentro – e o Recife visto de cima do Hotel Central

Fotos: Josué Nogueira/Antes que Suma
O Hotel Central, o lindo prédio que um dia foi símbolo de glamour da “sociedade recifense” e que em 2017 passou por restauração, caminha para os 90 anos de fôlego renovado.
Esteve com lotação esgotada no Carnaval e agora tem restaurante modesto, mas honesto, no térreo (com direito a cadeiras no terraço).
E a expectativa de Dona Rosa Nascimento, que toca as panelas de onde saem arrumadinho, peixe ao coco e feijão caseiro, é ocupar os terraços do térreo com programação cultural.
Mas o Hotel Central, localizado na Avenida Manoel Borba, Boa Vista, reaparece no Antes que Suma porque desta vez conseguimos entrar no prédio de oito pisos, sessenta quartos e mais de 1.900 m de área construída.

Vista do Recife

Fomos à cobertura, onde quem ocupa a suíte principal tem acesso aos terraços que permitem uma das vistas mais incríveis do Recife.
Dali pode-se observar trechos da área central do Recife e avistar bairros mais afastados. Na Boa Vista, destacam-se os tetos dos casarões e sobrados – grande parte decadente – e igrejas.
De Santo Antônio, mais ao longe, rumo ao mar, é possível avistar edifícios antigos e “nesgas” do Atlântico. Mais à direita, observa-se Brasília Teimosa e o Pina com seus arranha-céus.
O terraço e seu piso xadrez, em vermelho e xadrez, é uma atração em si. O espaço é perfeito para “compor” fotos com o Recife ao fundo.
De dentro da suíte, pode-se conseguir efeito de “moldura” fotografando através das janelas que dão para o referido terraço.
Percorremos quartos, banheiros e seus azulejos de desenhos delicados, espaços de circulação, elevador, recepção, sala de estar.
Nesta, destacam-se portais e seus vitrais avermelhados, móveis de madeira nobre e enormes telas entalhadas. Tudo nos remete ao século XX, mais precisamente às décadas de 1960 e 1970.
Na recepção, um balcão de madeira e detalhes alcochoados/almofadados é registro do tempo da inauguração, em 1931.
Numa das salas da administração estão relíquias – eletrodomésticos, móveis, aparelhos telefônicos e até fantasias carnavalescas antigas – que serão agrupadas e catalogadas num espaço que funcionará como um memorial do hotel.
Ainda que não esteja preservado exatamente como foi construído – há alterações em revestimentos, pisos e banheiros – o Hotel Central que, externamente é uma “testemunha” da memória do Recife, reúne, no seu interior, elementos preciosos para a sua própria trajetória e para a documentação do modo de vida da cidade ao longo do século passado.
A solicitação de tombamento do prédio, aprovada por unanimidade pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) em novembro de 2017, é muito bem-vinda.
De suas andanças pelas ruas do Recife, o jornalista Josué Nogueira criou o site Antes que Suma: uma forma de documentar o patrimônio arquitetônico e afetivo da cidade. Parte do conteúdo do site também é disponibilizado PorAqui.
Os conteúdos publicados no PorAqui são de autoria de colaboradores eventuais e fixos e não refletem as ideias ou opiniões do PorAqui. Somos uma rede que visa mostrar a pluralidade de bairros, histórias e pessoas.
 em Recife Antigo | Centro | Publicada em  5 de Março de 2018

RETROSPECTIVA: Bairro Recife Antigo guarda memórias preciosas em prédios e casas


O Marco Zero do Recife: a cidade começou no bairro Recife Antigo(foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press)

Projeto de renovação vai fechar o local todos os domingos para que turistas e moradores aproveitem o melhor da região
Nem todo mundo que transita pelo Recife Antigo consegue imaginar que, há cinco séculos, o bairro já dava os primeiros passos. Foi por ali, numa faixa de terra que viria se tornar a Ilha do Recife, em frente à movimentação portuária de navios e marinheiros, que a futura capital surgiu. “O Recife nasceu ali”, afirma Marcus Carvalho, pós-doutor pela École de Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).


O nascimento do bairro (e da cidade, consequentemente) está associado ao funcionamento do Porto do Recife. Entre 1542 e 1831, o tráfico de escravos vindos da África foi o motor da economia açucareira. Enquanto isso, a Rua da Senzala Velha, atual Rua da Guia, e a Rua da Senzala Nova, atual Avenida Marquês de Olinda, foram sendo ocupadas por estrangeiros, prostitutas e comerciantes. “A vocação do lugar sempre foi comercial, nunca residencial. As famílias ricas preferiam morar nas mansões da Ilha de Santo Antônio”, explica Carvalho.

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui.

Fonte: correiobraziliense.com.br - postado em 21/08/2013

No Recife, casarões e prédios abandonados correm risco de desabar

AS PRIMEIRAS BANDAS DE ROCK QUE SURGIRAM EM NATAL

Eu já tinha falado aqui desse vídeo nos 6 vídeos antigos de Natal-RN que você precisa assistir mas esse registro histórico é muito épico e incrível, então tá aqui pra você que ainda não viu um post exclusivo com ele
Fonte: https://curiozzzo.com

ESTE VÍDEO COM FOTOS ANTIGAS DE NATAL VAI RELAXAR VOCÊ HOJE

Trouxemos aqui um compilado de fotos de Natal antigamente que vai deixar você mais leve hoje. Boa viagem!
Se gostou, minha sincera sugestão é que você veja este vídeo inédito da cidade de Natal em 1951
Fontecuriozzzo.com

Quadrilhas juninas lutam pela sobrevivência


Tradição cultural secular trazida diretamente de Lisboa por Dom João VI, as quadrilhas juninas chegaram ao Brasil como uma dança de salão executada apenas pela corte e elite europeia. Uma vez em terras tupiniquins, a “quadrille”, como era conhecida em francês, sofreu grandes transformações e acabou ganhando o nome de quadrilha, numa tentativa dos serviçais de imitar as danças que viam nos bailes promovidos nos casarões da elite. Da corte, a dança se espalhou pelo país e acabou ganhando o povo brasileiro, sendo ainda mais tradicional no nordeste. As quadrilhas então se tornaram uma marca do período junino. O que antes era uma festa popular que não envolvia ensaios orquestrados, figurinos elaborados e competições, virou uma manifestação cultural carregada de profissionalismo.
Os grupos de quadrilhas juninas categorizados como profissionais são formados por diretorias e possuem uma organização administrativa. As pessoas que assumem esses cargos ficam responsáveis por diversos aspectos da produção e da apresentação, como cronogramas de ensaios, escolha de tema, acompanhamento dos custos, entre outras funções. Augusto Reis, um dos diretores da quadrilha Capelinha do Forró, de Salvador, contou ao Bahia Notícias como funciona a organização deles: “Somos oito membros na diretoria, apesar de ter toda a formação jurídica, nós funcionamos realmente como diretório e tudo é decidido através de voto, é uma coisa bem democrática”.
Além dos membros do diretório, outros integrantes da quadrilha também fazem parte do grupo de forma voluntária. A cada um deles, é requisitada uma quantia média de R$ 1 mil para arcar com os custos do figurino e adereços que serão utilizados durante a apresentação. “Claro que essa quantia é dividida em várias parcelas dentro dos muitos meses que a gente já vem fazendo o trabalho”, explica Augusto. Como nem todo mundo que participa tem condições de pagar, o grupo elabora artifícios como bingos, festas e rifas para arrecadar dinheiro e ajudar a custear a quadrilha. “Temos gastos com os figurinos, cenários, equipes de profissionais que são contratados, a banda, custo com o marcador, que é o responsável por animar e puxar a quadrilha, com as pessoas que fazem os adereços e também temos os gastos com os coreógrafos”, pontua Mariete Lima, presidente da quadrilha Forró do ABC, também de Salvador.
A organização das quadrilhas para o São João se iniciam em julho, assim que as apresentações daquele ano são finalizadas. De acordo com o Presidente da Federação Baiana de Quadrilhas Juninas (Febaq), os grupos levam praticamente um ano inteiro “desenvolvendo, criando e projetando” os trabalhos para que possam ser apresentados durante o próximo período junino. Tanto Mariete quanto Augusto se reúnem com suas equipes assim que o mês de junho se encerra. “Por essa questão da temática, elaboração de figurino, questões e elementos coreográficos, a gente já começa a trabalhar logo após o término do ciclo junino do ano anterior, uma média de 11 meses de antecedência mais ou menos é o nosso processo”, conta o diretor. “A gente não para, os outros setores da quadrilha ficam de ‘férias’ e são convocados de acordo com as demandas”, afirma a presidente.

As apresentações realizadas pelas quadrilhas juninas, em um concurso que segue as regras da Febaq, duram 25 minutos. Os participantes têm 15 minutos para arrumar o cenário na quadra e organizar sua banda no palco. Segundo o presidente da federação, alguns grupos, principalmente aqueles do interior, utilizam cds ou pen drives no lugar de uma banda. Após a apresentação, as quadrilhas dispõem de 5 minutos para deixar a quadra e retirar todo o seu material, incluindo os equipamentos de som. Ao todo, os processos de apresentação dos grupos juninos duram 45 minutos. A presidente do Forró do ABC contou ao BN que quando eles realizam alguma apresentação particular, a performance pode chegar a 30 minutos: “Quando terminamos a dança, ainda fazemos brincadeiras com os convidados que estão no evento”.

No que se refere ao investimento necessário para uma apresentação, Mariete relaciona o custo das quadrilhas ao das escolas de samba. “Hoje para você fazer um grande trabalho você não gasta menos de R$ 150 mil porque existe todo uma equipe de contratados que são estritamente profissionais, então você tem gastos em todos os processos, sendo necessário um apoio”, pontua. É justamente no quesito financeiro que reside o maior problema enfrentado pelas quadrilhas atualmente. “Aqui na nossa cidade, nós não temos nenhum recurso e nenhum edital vindo da prefeitura ou do governo que beneficia as quadrilhas juninas, também não temos apoio de nenhum grupo privado”, lamenta a representante do Forró do ABC.
Apesar de ser uma manifestação cultural típica do nordeste, inclusive da Bahia, as quadrilhas juninas vem enfrentando dificuldades no que diz respeito ao apoio dos órgãos públicos. Para ter uma ideia da crise pela qual os grupos estão passando, estima-se que há alguns anos atrás haviam mais de 100 quadrilhas, somente em Salvador, enquanto hoje, apenas quatro delas sobrevivem, por enquanto. “Infelizmente a capelinha está no seu último ano”, revela Augusto. “São 20 anos de luta, tentando batalhar pra colocar esse grupo na rua, mas em 2019 a gente já não vai mais estar fazendo parte desses grupos, por causa de todas essas dificuldades financeiras”, contou. Com o fim da Capelinha, serão apenas três grupos na capital baiana. No entanto, segundo Augusto, pode ser que eles também não resistam, já que enfrentam os mesmos problemas.

Os dois representantes das quadrilhas concordam que falta apoio estatal para que os grupos continuem seus trabalhos. “Para os nossos governantes o Carnaval dura 12 meses do ano, e eles não respeitam a nossa cultura de um modo geral, eu falo principalmente pela cultura junina que é tão rica”, aponta Mariete. Durante a conversa com o BN, a presidente citou iniciativas realizadas por outros estados para incentivar a cultura dos grupos juninos. Em cidades como Fortaleza, Recife e Aracaju, o São João dura 30 dias e as quadrilhas dançam nos aeroportos, ficam nas rodoviárias, nos shoppings, nas ruas. “Existe todo um abraço pelas quadrilhas juninas”, opina Mariete. “O que falta é investimento nessa cultura. Infelizmente as quadrilhas vem ficando pra trás e esse movimento vem morrendo a cada ano que passa”, finaliza Augusto.

Fonte: BRASIL CULTURA

Ex-catadora de papel mantém biblioteca com 22 mil livros em Belo Horizonte


Em 1998, a mineira Vanilda de Jesus Pereira sofreu um derrame cerebral. Impossibilitada de retomar o trabalho de babá, passou a recolher papéis nas ruas. Havia um tipo, porém, que não servia à reciclagem: os livros. Hoje seu acervo reúne cerca de 22 mil títulos, disponíveis na Biblioteca Comunitária Graça Rios, que fundou na Vila Paquetá, em Belo Horizonte.
Desde muito cedo Vanilda manifestava interesse pela literatura, apesar de ter estudado apenas até a sexta série. O pai, analfabeto, achava leitura coisa à toa. Mulher tinha que aprender a cozinhar e a ser boa esposa.
Em 1977, aos 14 anos, a menina foi trabalhar como babá. Certo dia, esqueceu de fazer uma tarefa. A patroa encontrou-a com um livro aberto: “Onde você quer chegar lendo?”, esbravejou. Foi demitida. Com o dinheiro que dispunha, tratou de comprar o livro da discórdia – Escrava Isaura. “Queria terminar de ler a história, uai…”. Quinze dias depois, a prima da ex-patroa a contratou. Além do novo emprego, ganhou passe livre para a biblioteca da casa. “Aqui você pode ler tudo.”
A cada salário, mais livros. Guardava-os embaixo da cama. Com o tempo, o espaço ficou pequeno. Em vez de livrar-se dos títulos, alugou um barraco para abrigá-los. Em 2002 um jornalista descobriu o espaço. Só então Vanilda deu-se conta de que possuía uma biblioteca. Aprendeu a catalogar os livros com a escritora Graça Rios (“Coloquei seu nome na biblioteca para homenageá-la em vida”), e passou a receber doações de outras entidades.
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Vanilda de Jesus, ao centro, no lançamento do livro sobre sua trajetória (foto: divulgação)
O seu trabalho rodou o Brasil por meio de reportagens de televisão. Em 2015, com a ajuda de doações, foi construída a Casa do Grande Coração, um espaço de convivência com aulas de dança de salão, pilates, ioga, violão, artes marciais, atendimento fonoaudiólogo e psicológico, entre outras atividades gratuitas. Também ajudou a criar 12 bibliotecas comunitárias em outros bairros da capital. “Nada foi planejado. Fui fazendo o que era possível”, reforça a ex-catadora de papel, ex-empregada doméstica e ex-babá.
Em 2017, as admiradoras Luana Ferraz e Marcela Gonzaga resolveram escrever um livro sobre a trajetória da mineira. O título vem de uma frase muito falada pela mulher para explicar sua dedicação nas últimas décadas: Ninguém É Feliz Sozinho – Histórias de Vanilda de Jesus. Ela diz se inspirar também em uma sentença de Madre Teresa de Calcutá: “Não tem pobre que não tem o que dar e nem rico que não precise receber”
BRASIL CULTURA