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domingo, 3 de março de 2019

Miguel Proença toma posse como presidente da Funarte

Ministro da Cidadania Osmar Terra e Presidente da Funarte Miguel Proenca_Posse_26.02.2019

O ministro da Cidadania, Osmar Terra (esq.), e o presidente da Funarte, Miguel Proença - 26/02/19 - Foto Funarte

Pianista renomado, que foi diretor de instituições artísticas e secretário de Cultura do Rio de Janeiro, foi empossado pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, no dia 26 de fevereiro.

O novo presidente da Fundação Nacional de Artes – Funarte, Miguel Proença, foi empossado nesta terça-feira, 26 de fevereiro, pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, na sede do Ministério, em Brasília. A solenidade contou com a presença do secretário especial da Cultura, Henrique Medeiros Pires.
Com novas ideias para a instituição, o pianista – com 55 anos de carreira, de renome internacional e premiado pela Unesco – foi diretor artístico do Teatro do SESI – RS e secretário Municipal de Cultura do Rio de Janeiro; e dirigiu a Sala Cecília Meirelles e a Escola de Música Villa-Lobos.
Selecionar e unir pessoas para atingir todo o país
A principal estratégia de Proença é espalhar ações da Fundação por todas as regiões do País, por meio de parcerias com agentes culturais de várias áreas artísticas. “Pretendo criar uma grande corrente de participação, incluindo na equipe realizadores que produziram experiências artísticas vitoriosas em suas regiões. Eles trabalharão nas representações da Funarte ou em suas cidades de origem.
Para o gestor, esse plano tem condições de levar a Funarte a todo o Brasil – presença essa que faz parte da missão da entidade. “Nesse programa, a Fundação deve ser, antes de tudo, uma fonte geradora de novas possibilidades para essas programações de sucesso. Deve ter um papel de direção artística”. Proença cita alguns dos futuros colaboradores: “A diretora do Teatro da Paz, em Belém do Pará, Glória Caputo; Maria das Graças Neves, em Vitória (ES) – que sempre foi uma grande animadora cultural; Em São Paulo, Lilian Barreto, que foi diretora do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e da Sala Cecília Meireles e idealizadora do Concurso Internacional de Piano do Bndes, entre outros nomes”. A ideia é que haja um excelente produtor como diretor artístico da Funarte, em cada região do país, em todos os estados onde for possível. “Promoveremos uma grande união de todos esses animadores culturais e isso será muito importante”, anuncia o presidente.
“Sou um inquieto que, essencialmente, trabalha com impulso criativo”, diz o presidente. Empolgado, ele já pediu que um dos pianos da Funarte seja colocado em seu gabinete. “Quero tocar depois do trabalho e, com isso, já criar um ambiente de arte na própria sede da instituição”, comenta.
Ações mais direcionadas ao público – especialmente a jovens
Essa presença nacional da Fundação deve ter como foco essencial o público. “Ele é meu alvo e sempre foi. Isso me guia. É importante formá-lo, conquistá-lo e mantê-lo”, define. Nesse sentido, seus planos também incluem ações educativas para crianças e jovens – como concertos didáticos e visitas guiadas a mostras de artes plásticas e audiovisuais – entre outras. “Nelas, os jovens vão aprender tudo sobre o que vão ver”, destaca Proença, citando sua experiência nos concertos didáticos que instituiu na Sala Cecília Meireles (que, segundo tanto emocionaram crianças e adolescentes).
“Pretendo fazer o projeto Cine Paradiso – Guerra ao Tablet, ou algo assim, com os mais belos filmes para jovens, para aproximá-los da arte, afastando-os um pouco do excesso de uso dos celulares e outros dispositivos digitais”, acrescenta. Ele planeja, ainda, que a Funarte desenvolva propostas com grupos de arte de comunidades carentes. O objetivo é a inclusão social e a qualificação de artistas com grandes talentos. “Já fizemos isso na Sala Cecília Meireles, unindo música erudita e popular”, reforça.
Ideias para atividades musicais, cênicas e de artes visuais
“Na música, quero que o Brasil não fique mais de costas para os outros países da América Latina. Os músicos vão muito para a Europa. Onde está nossa América, que tem tantos talentos? Quero que a Funarte faça essa união, a partir da XXIII Bienal de Música Brasileira Contemporânea [2019], com apresentações especiais, com obras de compositores e intérpretes de outros países” propõe o presidente.
Para o circo, ele indica o desenvolvimento de novas expressões, tais como “pole dance” – destacando talentos nacionais das artes circenses. Quer desenvolver a relação destas com linguagens derivadas da “commedia dell’arte” – que, é claro, também contempla o teatro; e interação com o balé, em espetáculos mistos. “Pretendo que a Funarte resgate a magia do circo e também ajude a renová-lo”, afirma.
No teatro, Proença deseja que o Dulcina, no Rio comece a apresentar peças clássicas e a resgatar sucessos, como Gota D’Água (numa homenagem a Bibi Ferreira). “Quero transformar esse teatro – já um símbolo da Funarte – num espaço com muitas possibilidades; deixá-lo muito popular e, ao mesmo tempo, nobre”. Quanto às outras salas da instituição, quero que haja nelas muitos e variados espetáculos”. Pretende apresentar, por exemplo, pequenas óperas, semelhantes às da Pocket Opera (EUA), com árias destacadas. “A produção de ópera é cara. Mas esse formato permite difundir essa arte para quem não a conhece, com um investimento viável”, explica o dirigente –  inspirado na recente viagem que fez à Alemanha, de onde pensa em trazer bons cantores, com a parceria de uma grande escola de ópera.
Peças de ballet e obras que revivam teatro de revista estão também entre os projetos para os teatros da Funarte. “A programação será planejada conforme cada espaço”, completa. Nos menores, o dirigente quer que haja pautas “bem didáticas”. Para os adultos, quer implantar, em parceira com o musicólogo e pesquisador Ricardo Cravo Albin o “Recordando”, projeto que resgata a memória de grandes cantores – no qual já homenageou Braguinha, entre outros nomes.
Nas artes visuais, a ideia é identificar espaços para parcerias em exposições da Funarte, com obras de qualidade. “Já estamos localizando algumas galerias. Nelas, a Fundação deve promover visitas guiadas para estudantes de todos os níveis escolares, com apoio de monitores capacitados.
O presidente pretende ainda que a Funarte estimule a população a ouvir música e dançar, em logradouros públicos de várias cidades do país, tocando gravações de obras populares ao ar livre – de ritmos típicos locais, como maracatu (PE), carimbó (PA), samba (RJ) e muitos outros – no projeto Trabalhou, dançou.
Sobre o quadro geral de contenção de despesas do País, Proença reconhece que a verba da Funarte hoje é pequena; e que, em princípio, deverá adequar seus propósitos a essa realidade; “Mas vou ver o que posso fazer quanto a isso” avalia. Diz, porém, que em 2019 a entidade vai executar o que já está programado em seu orçamento.
A carreira de Miguel Proença
Nascido em Quaraí (RS), em 1939, Miguel Angelo Oronoz Proença é doutor pela Escola Superior de Música de Hannover. Lecionou no Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e ocupou o cargo de professor convidado da Universidade de Música de Karlsruhe (Alemanha). Como pianista de concerto de repertório amplo, atuou como camerista e solista, em todo o Brasil e em vários países estrangeiros.
Nos anos 1970, coordenou a Sala Funarte. Em 1979, participou de uma caravana de música erudita e popular do Projeto Pixinguinha, da Fundação, ao lado da soprano Maria Lúcia Lucia Godoy e do sexteto Viva Voz, com repertório nacional de concerto e popular. Gravou diversos discos, incluindo a coletânea Piano Brasileiro (2005) – prêmio Patrimônio da Música Brasileira da Unesco (ONU) –, e o CD Tango, gravado com Bibi Ferreira (2006). Gravou peças Villa Lobos, de cuja obra para piano é considerado um dos maiores intérpretes, e de Alberto Nepomuceno, entre outros compositores. Organizou e foi o protagonista da série de turnês Piano Brasil, que levou música erudita a 150 municípios de todos as unidades da Federação e a países como Itália, França, Espanha e Macedônia. Em 2015, tornou-se Cidadão Honorário do Rio de Janeiro, onde mora. Integrou o júri de diversas competições internacionais em países como Japão, Portugal, França, Itália e Espanha. Integra o Hall da Fama da Steinway & Sons (Hamburgo, Alemanha), juntamente com os maiores pianistas de todos os tempos.
Sempre atuou em projetos artísticos, educacionais e de formação de público. De 1995 a 1998, em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Capes (MEC), proporcionou a centenas de estudantes brasileiros bolsas de estudo, na Europa, Rússia, Japão e Brasil. Na década de 1980, foi diretor da Escola de Música Villa-Lobos, no Rio, e, entre 83 e 88, secretário de Cultura do município. Nesse ano e em 89, foi escolhido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como o melhor pianista do ano. Dirigiu a Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, de 2017 até janeiro de 2019.
Em 1991, foi instituído comendador da Ordem do Rio Branco (Governo Federal), por suas atividades no cenário musical brasileiro. Executou a partitura de piano da trilha sonora do filme Villa-Lobos – uma vida de paixão (2000), dirigido por Zelito Viana. Em 2003, fez recitais na França, Itália, Japão, Alemanha, e Eslovênia. No ano seguinte, integrou o júri do 5th International Tchaikovsky Competition, no Japão, e do Concurso Internacional de Piano Vianna da Motta, em Portugal.
Jornais de vários países enaltecem seu trabalho musical, tais como o La Marseillaise (Marseille, França) –  “…ama seu piano e transfere esse sentimento ao seu público…um grande instrumentista” –, o Daily Telegraph (Londres, Inglaterra) – “A sonoridade de Miguel Proença tem vida…” – e o The New York Times (EUA), em texto de H. Schonberg: “Domínio técnico e belíssima sonoridade…”
Fonte: FUNARTE

Guia de segurança para LGBTs no Carnaval

Foto: Mídia NINJA
Carnaval 2019 tá aí né mores, e a gente ainda precisa falar o óbvio.
Mas não vamos deixar de dizer. Por isso, a Mídia NINJA faz esse chamado para uma campanha de conscientização para erradicar a LGBTfobia.
As pessoas LGBts são mais vulneráveis em festas de Carnaval. Exerça sua empatia, seja aliada dessas pessoas e não se esqueça: proteja os seus e suas amigues!
Então vamos todes, lésbicas, homens e mulheres trans, gays, bissexuais, não-bináries, juntes por um carnaval seguro para as gay, as bis, as trans e as sapatão. 🎉
Não esqueça de compartilhar esse guia com todes.

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Fonte: MÍDIA NINJA

SENTIDO - Escolas militares, um modelo excludente de educação

Escolas militares disciplina
Só neste ano, no Distrito Federal, quatro escolas públicas passaram a ser geridas pela Polícia Militar
por Clara Assunção, da RBA 
Destaque em testes mascara a impossibilidade de contemplar todos os estudantes, além de outros problemas. “Não é uma boa escola a que pressupõe uma obediência cega”, afirma pesquisador da USP.
São Paulo — Todos os dias, até as 7h15, o estudante *Enzo precisa apertar o passo se quiser entrar no Centro Educacional (CED) 07 de Ceilândia, em Brasília. Do contrário, terá de aguardar até o segundo horário da aula enquanto escuta do "senhor tenente, sargento ou sub-comandante" uma série de advertências para que o horário não seja mais descumprido, caso contrário será impedido de entrar na escola.
A rotina com horários mais rígidos não é a única mudança a acompanhar o aluno de 18 anos que cursa o terceiro ano do ensino médio público. Desde o início do ano letivo, em fevereiro deste ano, a escola passou a ser gerida pela Polícia Militar, medida tomada pelo governo de Ibaneis Rocha (MDB).
Há ainda mais três colégios localizados em regiões que circundam o Plano Piloto, área central da capital federal, que compartilham desse novo modelo de gestão cívico-militar.
"Já estou há quatro anos nessa escola, vi de tudo. Para mim, a mudança foi boa", avalia Enzo, que em três meses terá de mudar o corte de cabelo para "máquina dois embaixo e quatro em cima", além de não poder usar mais brincos ou piercings e ter de vestir a típica farda militar. "Para manter o padrão", ressalta o estudante.
Ainda assim, a ideia de tornar todos "iguais" no quesito aparência não parece agradar ao conjunto de estudantes. No lugar de cabelos soltos ou qualquer penteado que queira, a estudante *Valentina, de 16 anos, que cursa o nono ano do ensino fundamental, terá de adotar o "coque", usar saia abaixo do joelho com a blusa para dentro, uma boina, sem fazer uso de brincos ou deixar as unhas crescerem.
"Tudo mudou", lamenta Valentina, quase um mês após a transferência. "E tem ainda a continência. Para mim, é algo desnecessário. Tem que ficar em pé, repetindo as mesmas coisas e reduzindo uns 40 minutos do tempo das aulas", acrescenta. A escola, no entanto, nega que a prática apontada por Valentina dure mais do que 15 minutos.
O principal argumento usado para apoiar o modelo se baseia na disciplina. A adequação do cotidiano escolar aos parâmetros militares ganha sentido para pais e alunos por criar a sensação de que, a partir dela, não ocorrerão transgressões.
Mas, no geral, a estudante do nono ano analisa que o que ocorre dentro dessa dinâmica é a privação da liberdade dos alunos. "Não estou falando que não precisa ter regras, ser algo bagunçado, mas não precisa disso tudo", diz.
MARCELO CAMARGO/EBC
Escola cívico-militar DF
Aluno do CED 7 Ceilândia (DF) havia novo modelo como positivo. Por outro lado, outra estudante cita privação
A opinião de Valentina encontra respaldo também na análise do docente da Faculdade de Educação e pesquisador no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), José Sérgio Fonseca de Carvalho. "É perfeitamente possível imaginar que as nossas escolas necessitam de mais disciplina, sim, mas uma disciplina para o estudo e não para a obediência", adverte o professor.
O culto à autoridade e a utilização de regras para reduzir as individualidades de cada aluno criam, na visão de Carvalho, uma espécie de "formatação social" que contém ainda o incentivo de "conformação à ordem estabelecida", de acordo com o professor.
"Não é uma boa escola esta que pressupõe uma obediência cega. Na escola tem de haver a busca pelas razões, a obsessão crítica. É assim que funciona a ciência, a democracia e, em certo sentido, é assim que funciona a escola, não o aparato militar que zela, por exemplo, para que cada um permaneça no seu lugar", destaca Carvalho.
Mesmo aprovando o modelo cívico-militar, Enzo confirma em parte a análise do docente. "A gente tem que obedecer algumas ordens. Aqueles alunos que não estiverem de acordo em obedecer podem pedir a transferência para outra escola", afirma o estudante.
Essa foi a saída encontrada pelo jovem *Miguel, de 18 anos. Nos últimos anos, a rotina de estudos do também aluno do CED 07 Ceilândia era toda cumprida no horário do matutino. Com a gestão militar, o estudante, que cursa o segundo ano do ensino médio, optou por ser transferido para o noturno, período em que a escola é gerida de forma regular.
"Que eu saiba, os policiais têm que fazer a segurança, não ficar dando ordem em ninguém", argumenta Miguel.
Mesmo com as críticas e controvérsias, o modelo é defendido pelo governo federal, que pretende incentivar a expansão dessas escolas por meio do Ministério da Educação.
Nova gestão, velhos problemas
Enzo, Valentina e Miguel são todos moradores de Ceilândia do Norte, bairro da região administrativa de Ceilândia, no Distrito Federal. O local não tem fama apenas pela recente gestão militar na escola da região, ou por abrigar boa parte da população do Distrito Federal, mas também por apresentar índices de criminalidade e violência que pesaram para que o CED 7 fossem escolhido pela polícia.
Estar sob uma nova gestão, no entanto, não impede que problemas anteriores continuem a ocorrer. De acordo com o estudante Enzo, sempre foi comum a ausência de professores no início do ano letivo com a reposição posterior, já com o semestre em andamento.
Quase um mês após o começo deste ano na escola, o estudante conta ainda não ter um professor de Geografia. Procurada, a instituição confirmou que há carência de um docente que ocupe 20 horas semanais. Já no noturno, falta ainda um professor para lecionar Filosofia, quando não, os alunos têm "aula vaga" porque o docente faltou, segundo Valentina.
Ao não contemplar problemas anteriores comuns a outros estabelecimentos de ensino público, o modelo militar pode criar dúvidas quanto ao argumento de que esse tipo de ensino consiga maiores êxitos nos vestibulares.
Na prática, o discurso já é contestado. Reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, com base nos resultados do Enem 2017, mostra que os institutos federais públicos têm resultados melhores que os das escolas militarizadas, sem apresentar a mesma rigidez nos métodos.
VALTER CAMPANATO/EBC
Militarização na educação
'A gente não precisa que todo mundo seja soldado, mas todos nós precisamos ser cidadãos', afirma José Sérgio








No entanto, o destaque nos testes padronizados de mensuração de aprendizagem alcançados por instituições federais ou militares mascaram todo um modelo que, na verdade, é excludente, ao não contemplar a totalidade de estudantes. Ambos fazem algum tipo de seleção, seja ela por meio de provas, sorteios ou pela forma com que vão lidando com alunos que não conseguem se adaptar ao nível exigido, muitas vezes os reprovando ou expulsando.
"Um ponto é que essas escolas sempre foram a escola pública da elite", explica o professor e pesquisador da USP. "Fica um grupo muito seleto e relativamente homogêneo, que não é a realidade da maior parte das escolas, por isso o desempenho final desses alunos tende a ser maior".
As condições socioeconômicas e o grau de escolaridade dos pais também são dois agentes que podem indicar uma tendência de desempenho nos estudantes, ainda mais quando o papel da escola está reduzido à performance nos vestibulares, ao contrário dos pilares que a fundaram.
"A questão é como a nossa escola pode ser uma boa escola para todos. O sentido próprio da escola é intelectual, de convivência numa sociedade plural, da criação da palavra como um elemento de mediação. Essa é a herança que a nossa geração tem que deixar para a próxima", ressalta Carvalho. 
Enzo, que no final deste ano prestará o Enem para buscar uma vaga em um curso universitário de Administração, afirma esperar que na escola esteja sendo educado para ser um "cidadão". Mas, para o professor Sérgio Fonseca, o incentivo ao ensino militar pode justamente colocar esse objetivo em xeque. "A razão pela qual ele (ensino militar) é rejeitado sobretudo na França, no século 19, é pela incapacidade que tinha de acolher a totalidade da população", observa.  "A gente não precisa que todo mundo seja soldado, mas todos nós precisamos ser cidadãos."
(*) Os nomes dos estudantes foram omitidos a pedido deles  

Carnaval como forma de protesto político

“Eu quero é botar meu bloco na rua. Gingar, pra dar e vender.” Quando Sérgio Sampaio compôs essa música, em 1976, com alto teor político embutido, não imaginou que quarenta e três anos depois o Carnaval se tornaria, ele mesmo, um ato político.
Por Alexandre Putti, na CartaCapital:
Essa transformação da festa popular não surgiu agora. O Carnaval de rua vem ganhando força – não necessariamente política – nos últimos anos, principalmente nas grandes capitais. Em São Paulo, por exemplo, o aumento foi de mais de 60% em relação ao ano passado. Maior crescimento comparado com outras cidades.
Essa alta ocorreu ao mesmo tempo em que o Brasil entrou em uma crise política. Passou da crise para o embate e do embate para um quase circo. Nada mais justo, então, que a festa mais famosa do País ganhasse um viés ideológico – que o presidente não nos ouça.
Transformar luta em festa é algo recorrente na nossa história. Quando analisamos a trajetória do samba, do jazz, do rap e do funk, por exemplo, vemos que esses ritmos vieram da resistência nas periferias, a qual as pessoas cantavam e dançavam para terem suas vozes ouvidas.
Assim nasceu a Batekoo, uma festa que traz toda a cultura negra das periferias para as pistas. O projeto nasceu em 2015 na cidade de Salvador. O sucesso foi tanto que logo se expandiu para diversas cidades, chegando a São Paulo e no Rio de Janeiro no mesmo ano.
O produtor e um dos idealizadores do evento, Artur Santoro, conta que a ideia surgiu de uma ausência: a falta de festas negros LGBTs, que tivessem uma proposta interseccional contemplando corpos negros.
A Batekoo virou bloco e esse é o terceiro ano consecutivo que eles vão para as ruas, porém, é o primeiro ano que conseguem um patrocínio. “Nos dois primeiros anos do bloco, tivemos que custeá-lo com o nosso próprio dinheiro. Esse é o primeiro que realizamos com apoio financeiro da Skol”, conta Artur.
“Uma das maiores dificuldades é arranjar apoio financeiro de marcas para concretizar seu bloco. Infelizmente, muitos blocos são cancelados por conta dessa falta de orçamento”, afirma. O bloco da Batekoo acontece dia 09 de março, no Rio.
Ninguém solta a mão de ninguém
Artur sentiu um aumento em relações aos blocos que utilizam seu tema em forma de protesto. No Rio, esse crescimento acontece de uma forma mais tímida, mas quando falamos de Escolas de Samba, a cidade maravilhosa lidera. No ano passado, a Paraíso do Tuiuti denunciou o golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff e os ataques aos direitos trabalhistas.
A escola levou para a Marquês de Sapucaí um vampiro com uma faixa presidencial, representando o ex-presidente Michel Temer. A Beija-Flor deu um recado claro contra os corruptos, a intolerância e a violência. A Mangueira não usou sutilezas para criticar o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, que apareceu na avenida representado como um boneco de Judas.
Neste ano as críticas continuam na avenida. Veremos enredos criticando a política, a ganância, denunciando a intolerância religiosa e muitas laranjas – afinal, é a cor do atual governo.
Voltando para os blocos em forma de protesto, São Paulo é a cidade que lidera nesse tipo de folia. Só na capital paulista serão 17 arrastões com temas sobre feminismo, luta LGBT, visibilidade negra e muito mais.
Além desses, que carregam a militância em seu tema, existem vários outros que acabam abraçando todas as lutas e se transformam em um espaço diverso de pessoas e ideias. “O momento que o país vive agora exige mais posicionamento, mais autenticidade e mais compromisso social”, conclui Artur Santoro.
Arrastão dos blocos na cidade da garoa
O ano era 2016 e o impeachment da então presidenta Dilma estava sendo discutido no Congresso Nacional. Trinta blocos da cidade de São Paulo resolveram se unir para protestarem contra o afastamento da petista.
Esse encontro deu início ao Arrastão dos Blocos e hoje eles abraçam todas as causas. É o que nos conta a organizadora Lira Alli, que além de fazer parte da produção do Arrastão, promove também o bloco Vai Quem Qué.
Cabem nessa junção de folia com protesto os blocos feministas, comunistas, LGBTQ+, negros e de todos que trazem assuntos sobre a conjuntura nacional e também questões políticas do Carnaval na cidade de São Paulo.
“Desfilaremos e ocuparemos as ruas da cidade de São Paulo num Carnaval defendendo a liberdade, a alegria e a democracia. Traga seu instrumento, sua voz, seu corpo e venha brincar com a gente”, dizem os organizadores.
Esse ano, o desfile do Arrastão dos Blocos acontece no último dia do Carnaval, na noite da terça-feira 5. O local não é divulgado, apenas no boca a boca.
Toda menina baiana
O aumento dos blocos de rua nas principais cidades do Brasil é um fato, algo que pode ser contabilizado pelas inscrições nas prefeituras. Não há como contabilizar se houve um crescimento de blocos que utilizam a folia em forma de protesto, mas eles estão por aí, saindo às ruas para arrebatar foliões que querem se divertir e manifestar em favor de uma causa.
É o caso do Trio Respeita As Minas, bloco de Salvador idealizado em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres da cidade. Esse é o primeiro ano que o bloco chega ao Circuito Barra Ondina, principal ponto da capital baiana.
O trio sai nesta sexta-feira 01 de março. A música ficará por conta da cantora Larissa Luz, ao lado de Luedji Luna e Xênia França, no projeto Aya Bass, uma celebração do talento, da força e das vozes de mulheres negras.
Salvador está passando por uma grande transição carnavalesca. O modelo dos grandes camarotes e blocos gigantes, que acabam gerando uma segregação de classe muito forte, está em crise. É o que conta a jornalista Mônica Santana. A baiana assessora alguns blocos da cidade, incluindo o Respeita as Minas, e luta para conseguir mais visibilidade para esses movimentos. “O Carnaval de rua com blocos independentes está cada vez mais ganhando fôlego. Eles acontecem, mas ainda fora do circuito principal”, avalia Mônica.
A divulgação desses blocos também é algo que ainda não acontece como nos outros que desfilam nas avenidas principais. A jornalista conta que só quem é da cidade fica sabendo desses encontros e isso acaba perdendo força.
Por mais que Salvador tenha um bloco feminista ligado à prefeitura, a cidade ainda está longe de ser referência para blocos que carregam uma luta em seu tema. É o que nos conta Adrielle Coutinho. Ela é produtora de eventos e tentou levar o bloco da Batekoo para a capital baiana e acabou não conseguindo por falta de incentivo e patrocínio.
“Não conseguimos porque é uma questão extremamente burocrática aqui em Salvador, caso não tenha apoio de uma grande marca. Tratamos diretamente com o jovem negro e periférico, aqui até pra considerar algo precisa ser higienizado”, conta Adrielle.
Além do Respeita as Minas, Salvador conta com outros blocos que fogem da ótica comercial e trazem questionamentos. É o caso do Ilê aye, Cortejo afro, A Mudança do Garcia, A Mulherada, Filhos de Gandhy só para citar alguns, mas são blocos antigos, que lutam para sobreviver. “O que existe não é um crescimento e sim uma renovação”, conclui a baiana.
As caravanas
O Carnaval sempre foi um motivo para incentivar o turismo pelo país. Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife entre outras cidades são os principais destinos escolhidos para o feriado. E o motivo dessa procura sempre foi quem tem a melhor folia. Nada mais justo.
Com o aumento da festa em forma de protesto, existem foliões que estão definindo seus destinos baseados na militância dos blocos. É o caso da publicitária Marina Sansão, que mora em Piracicaba e decidiu passar o Carnaval em São Paulo para poder participar dos blocos feministas.
“O Carnaval sempre foi um ambiente de muito assédio e não muito seguro para as mulheres. Quando estamos juntas, curtindo a folia, mas também lutando por nossos direitos, eu consigo me sentir segura”, conta.
Com 26 anos de idade, essa é a primeira vez que ela vai passar o feriado na terra da garoa. “Nos últimos carnavais eu fui para o Rio de Janeiro, e agora escolhi São Paulo para conhecer de perto esses blocos”. O bloco que Marina mais quer participar é o Pagu, que aposta na união e na resistência feminina e desfila na cidade no dia 5 de março, na Praça da República.
Assédio é crime

O Carnaval de 2019 é o primeiro após a importunação sexual ter se tornado crime. A Lei 13.718/18 estará em vigor e se alguém praticar atos libidinosos – de cunho sexual, como toques inapropriados ou encoxadas – sem consentimento da vítima pode ter pena de um a cinco anos de prisão.
Se passar por algum tipo de situação de assédio, discriminação ou violência, procure um ponto de apoio da prefeitura e denuncie.
Fonte: CartaCapital

E assim, em janeiro de 2019, foi extinto o Ministério da Cultura


#RIPMINC

POR AFONSO BORGES

No dia dois de janeiro de 2019, voltamos ao ano de 1982,onde um grupo de artistas, políticos e intelectuais, entre eles, José Aparecido de Oliveira, Fernanda Montenegro, Ângela Gutierrez e Celso Furtado, esquadrinharam os motivos para se fundar o Ministério da Cultura. O principal deles: é parte integrante do processo civilizatório.


Não há justificativa plausível para a fusão do MinC com quaisquer outra Pasta de Estado. Em primeiro lugar, não cabe a alegação de Economicidade, porque hoje, o Ministério gasta, em matéria de custeio,  quase nada do orçamento da União. Ele já é, portanto, por si só, super econômico. Sem falar nos habituais contingenciamentos, que reduziram o seu orçamento a menos da metade. Sua estrutura administrativa já é, por força de reestruturações passadas, a menor de todos os seus pares. Não há como, do ponto de vista estrutural, diminuir setores ou cargos. Ao contrário, o MinC necessita da contratação de técnicos  para atualizar seu passivo, principalmente, no setor de prestação de Contas.

Nesta hora, é fundamental conhecer o passado, para se entender o futuro. A Cultura brasileira compartilhou a Pasta da Educação de 1953 a 1985. A decisão de separar a área foi estruturada em sólidos alicerces jurídicos e constitucionais – não foi uma uma aventura. Celso Furtado, José Aparecido de Oliveira e outros importantes intelectuais corroboraram a tese da necessidade estrutural da criação de um Ministério em separado, dada a complexidade do setor; dada a importância identitária do setor;  dada a importância econômica e fiscal para a Economia brasileira e, principalmente, dada a sua imensa diversidade, composta na gama de temas inerentes a ele.
No mundo moderno, o Ministério da Cultura tem papel holístico decisivo junto às outras esferas de Governo e assim atua de forma exemplar. O músico e ex-Ministro Gilberto Gil trouxe à mesa a questão da tridimensionalidade da Cultura, entendida nas dimensões econômica, social e simbólica.  Montado este tripé, o desenho do protagonismo da Cultura é visível e imprescindível.

Senão, vejamos – é crucial na segurança pública e na violência urbana, agindo em mediação de conflitos e na educação de menores infratores; fundamental na Educação, nos projetos de literatura e incentivo ao hábito da leitura, além da atuação de aéreas como teatro, cinema e dança como linguagens indissociáveis da esfera educacional; no meio ambiente, a cultura indígena é indissociável do patrimônio imaterial e de identidade do País. Além disso, os parques nacionais, museus a céu aberto e outras ações que se misturam com a área cultural são parte integrante do dia a dia dos cidadãos; é fonte permanente de recursos para o País no setor do Cinema, hoje, uma verdadeira indústria; e o Turismo é parte inseparável da Cultura – basta lembrar que o Patrimônio Histórico Brasileiro está sob o guarda-chuva institucional do MinC.

A formalização de um Ministério dedicado exclusivamente à Cultura não foi um acidente de percurso. Ela  veio para atender à demanda da enorme diversidade desta área. A Cultura já viveu décadas acoplada à Educação e foi necessária a separação por razões muito bem fundamentados. Entre elas, o alegado para este retrocesso: economia. Não se faz economia ao juntar estas áreas. Ao contrário – se faz economia ao incentivar este setor que é hoje, um dos que mais cresce, gera empregos e impostos. A Economia Criativa da Cultura devolve à sociedade, em termos de impostos, negócios e empregos, cerca de 2,64% do PIB, ou seja,  R$ 10,5 bilhões de impostos federais diretos, 1 milhão de empregos formais e 9,1% de taxa média anual de crescimento no período 2012/2016, segundo dados oficiais. Para que todos entendam mais claramente: os eventos aprovados na Lei Rouanet e patrocinados por empresas são um investimento que devolvem à sociedade recursos na ordem de 1 para 150 reais. É muita coisa!

Por fim, há o assunto da identidade do brasileiro e a diversidade da nossa cultura. Identidade é a impressão digital de um povo. E a arte e a cultura, a alma. Uma alma que ama a música, o teatro, a literatura, a dança, o circo, a ópera, o congado, artes plásticas e tantas outras manifestações. E um Ministério da Cultura as representa.

Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com
Adaptado em 03/03/2019 pelo Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN

CONTAGEM REGRESSIVA - FALTAM 05 DIAS PARA O SEMINÁRIO "COMO FICA A CULTURA BRASILEIRA SEM O MINISTÉRIO DA CULTURA (MINC)?" DIA 29/03 NO IFRN DE SANTA CRUZ/RN - CONFIRA A PROGRAMAÇÃO!!!

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Imagem do Google

"Prego batido!" - Confirmado o local do próximo Seminário de Cultura do CPC/RN, será dia 29 de março do ano em curso no Auditório do IFRN de Santa Cruz, capital da Região do Trairi Potiguar.

Serão aproximadamente 100 (cem) inscrições entre estudantes, artistas culturais, sindicalistas e convidados/debatedores..

Não haverá cobrança de taxas e todos terão DIREITO a Certificados com carga horária de 8 (oito) horas.


PROGRAMAÇÃO