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domingo, 31 de março de 2019

Atos contra a celebração do golpe de 1964 acontecem em diversas cidades. Confira

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Em resposta as declarações do atual presidente, movimentos populares convocam todos para ir às ruas neste domingo (31), em ato contra a celebração do golpe de 1964.

Em resposta à determinação do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) de que fossem feitas as “devidas” comemorações do golpe militar de 1964, movimentos populares convocam todos para ir às ruas neste domingo (31), em ato contra a celebração do golpe e a sua consequente ditadura militar.
Veja abaixo o calendário dos atos em vários pontos do país.
O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), determinou na última segunda-feira (25), que o Ministério da Defesa deve fazer as comemorações ‘devidas’ do golpe militar de 1964, que no próximo dia 31 de março completa 55 anos.  Bolsonaro, que já havia declarado que a ditadura militar “matou pouco”, fez elogios aos ditadores latino-americanos, como o chileno Augusto Pinocht e o paraguaio Alfredo Strossner.
As comemorações do golpe – que integrantes das Forças Armadas insistem em chamar de revolução – haviam sido suspensas pelos militares brasileiros a pedido da então presidente Dilma Rousseff (PT), presa e torturada pelo regime autoritário que perseguiu e até matou opositores, e perdurou até 1985.
Confira: 
São Paulo: I Caminhada do Silêncio, 16h – Parque Ibirapuera
Brasília: Ato contra a celebração do golpe de 64, 9h – Eixão 108 Norte
Belo Horizonte: Ato contra o Golpe de 64 , 10h na Praça da Liberdade
Balneário Camboriú: Manifestação de Repúdio ao Golpe Militar de 64 , 16h –  Praça Almirante Tamandaré
Curitiba:Ato contra a celebração do golpe de 64, 14h – Praça 19 de Dezembro,
Maringá: Ato contra a celebração do golpe de 64 , 15h – Praça Deputado Renato Celidonio, 14h – Monumento Tortura Nunca Mais,
Recife: Ato contra a celebração do golpe de 64, 14h – Monumento Tortura Nunca Mais
Salvador: Ato contra a celebração do golpe de 64, 9h – Dique do Tororó , 9h – Dique do Tororó.
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Fonte: REVISTA FÓRUM

55 anos do Golpe: dois filmes para entender o legado de Jango - Hoje NÃO TEMOS NADA PARA COMEMORAR E SIM, SAUDADES DAQUELES QUE DERAM A VIDA PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO E POR UM BRASIL MELHOR!" - EDUARDO VASCONCELOS, Radialista e Ativista


Jango conta a trajetória política de João Belchior Marques Goulart, o 24° presidente brasileiro, deposto pelo golpe militar em 1º de abril de 1964. O documentário captura a efervescência da política brasileira durante a década de 1960 e narra os detalhes do golpe.
Produzido em 1984, último ano da ditadura militar, o documentário não conta com diversos fatos que foram descobertos desde então, sobretudo os que envolvem a misteriosa morte do ex-presidente. Gaúcho de São Borja (RS), nascido em 1º de março de 1919, filho de um estancieiro e coronel da Guarda Nacional e de uma dona-de-casa, Jango, como era conhecido, ingressou na carreira política em 1945, por influência de um ilustre amigo da família: Getúlio Vargas.
Dali para que ele se tornasse ministro do Trabalho foram oito anos. De orientação progressista, o nome de Goulart no Ministério ajudava Vargas a lidar com os trabalhadores que, desde a posse de Getúlio Vargas, em 1950, manifestavam-se contra o alto custo de vida.
Como ministro, Jango tomaria uma medida radical que custaria seu cargo: em janeiro de 1954 enfrentou a pressão dos trabalhadores por um reajuste salarial de 100%, e também a rejeição dos empresários. Como o desfecho foram os 100% pleiteados pela classe trabalhadora, Jango sofreu uma forte pressão dos empresários e da imprensa, o que o levou a renunciar ao cargo.
Em 1955 Goulart foi eleito vice-presidente do Brasil, na chapa PTB/PSD, tendo obtido mais votos que o presidente eleito, Juscelino Kubitschek (naquela época, as votações para presidente e vice eram separadas). Na eleição de 1960 ele foi novamente eleito vice-presidente, concorrendo pela chapa que fazia oposição ao eleito, Jânio Quadros.
Só que o Brasil não esperava que o excêntrico Jânio Quadros, pouco tempo depois de assumir a Presidência, renunciasse ao cargo, em agosto de 1961, o que abriu uma das maiores crises políticas de nossa história quando os ministros militares, contrariando a Constituição, vetaram a posse de Jango na Presidência. Diziam que ele encarnava a ameaça comunista.
Começou então, liderada por Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, a Campanha da Legalidade. Brizola, que mobilizou uma cadeia de mais de cem emissoras de rádio para conclamar o povo a sair às ruas em defesa daquilo que estava previsto na Constituição: a posse de Jango.
A crise foi contornada pela adoção do parlamentarismo, com parte do poder presidencial deslocada para um primeiro-ministro. Desta forma Jango assumiu a Presidência em 8 de setembro de 1961, sendo Tancredo Neves seu primeiro-ministro.
Desde o início Jango teve uma atuação peculiar. Sua inclinação progressista acirrava a efervescência política e cultural vivida no Brasil nos primeiros anos da década de 1960.
No famoso Comício da Central do Brasil, no dia 13 de março de 1964, realizado em frente ao Edifício Central do Brasil, no Rio de Janeiro, cerca de 150 mil pessoas ouviram o presidente anunciar uma série de medidas, que instituiriam as reformas de base.
Mas, se por um lado os movimentos sociais e os partidos de esquerda se fortaleciam, por outro, a direita se organizava. E a ultraconservadora Marcha da Família com Deus pela Liberdade tomou as ruas, em 19 de março, manifestando-se contra o governo de Jango. Naqueles dias ocorreu também a revolta dos marinheiros e fuzileiros navais no Rio (28 de março de 1964). Incentivados pelo filme soviético O Encouraçado Potemkin, de Serguei Eisenstein (1925), aqueles trabalhadores lutaram contra os baixos salários e as más condições de trabalho, transformando tais reivindicações trabalhistas em um autêntico ato político.
A assembleia foi chefiada por José Anselmo dos Santos, mais conhecido como Cabo Anselmo, que era (descobriu-se depois) um agente policial infiltrado no movimento social. O fato de Goulart ter se recusado a punir os insubmissos, provocou a indignação dos oficiais da Marinha.
Em 30 de março, em discurso na festa promovida pela Associação dos Sargentos e Suboficiais da Polícia Militar, no Automóvel Clube do Brasil, Jango denunciou a existência de uma forte campanha contra seu governo.
Isto era um fato concreto. Na madrugada do dia seguinte, o general Olímpio Mourão Filho iniciou a movimentação de tropas de Juiz de Fora (Minas Gerais) em direção ao Rio de Janeiro. Foi o início do golpe que derrubou o governo de João Goulart. Leonel Brizola ainda sugeriu que Jango resistisse, mas ele não acatou, para evitar “derramamento de sangue” (uma guerra civil).
João Goulart teve seus direitos políticos cassados após a publicação do Ato Institucional Nº Um (AI-1). Exilado no Uruguai e, mais tarde, na Argentina, onde faleceu em 1976, Jango só voltou para o Brasil em seu funeral. Aclamado pelo povo, seu caixão foi carregado por milhares de pessoas já cansadas do regime repressivo submisso ao FMI dos ditadores.
O filme Jango relata, através de depoimentos e de documentos históricos, como vídeos, áudios e fotos, as atrocidades cometidas pela ditadura até o ano de 1976. Com as informações que poderiam ser obtidas naquela época, o filme é um primoroso e melancólico documento sobre a história do Brasil. Mas o tempo nos mostrou que a ditadura militar, além de anos de chumbo, representou anos de segredos de Estado. E ainda há muito a ser revelado sobre esta história.
II
DOSSIÊ JANGO

Debates e dúvidas sobre a História do Brasil
Dossiê Jango levanta as polêmicas envolvendo a morte do ex-presidente João Goulart e questiona a postura dos governos brasileiros – de 1985 a 2013 –, que não se preocuparam em reaver esta história e honrar o presidente morto ainda no exílio (impedido de voltar ao Brasil).
O filme passa rapidamente pela trajetória política do ex-presidente, mas não se debruça sobre ela como fez Jango, de Silvio Tendler. O foco de Dossiê Jango é o obscurantismo que cerca a morte de João Goulart, em 1976, na Argentina.
A sequência de mortes e perseguições políticas no Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai, no contexto da chamada Operação Condor, instituída pelas ditaduras do chamado Cone Sul (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai), com apoio do governo dos Estados Unidos da América, confere a perspectiva internacional da história.
Nesta linha, o roteiro vai além do senso comum em termos de ditadura militar. Logo no início, a frase provocadora intriga o espectador: “Tudo que pensamos ser verdade um dia muda”. Ele mostra com argumentos lógicos e documentados a articulação entre as ditaduras latino-americanas, fortemente apoiadas e patrocinadas pelo governo estadunidense – que, no contexto da Guerra Fria, visava cooptar territórios políticos, mantendo-os nos arreios de sua ideologia capitalista.
Gravações em áudio do embaixador Lincoln Gordon e do ex-presidente americano John Kennedy, exibidas no filme, comprovam a preocupação dos Estados Unidos com o momento político do País. Em outra passagem, o também ex-presidente Lyndon Johnson revela que seria possível agir no Brasil para instituir a ditadura e assegurar o afastamento de Jango.
Mas o mais interessante é que Dossiê Jango defende que esta não é uma situação que ficou no passado, superada pelo fim da ordem mundial bipolar e pela redemocratização brasileira. Com a afirmação “àqueles que pensam que derrotaram Jango, nós estamos debatendo Jango até hoje”, João Vicente Goulart, o filho do ex-presidente, ilustra como esta é uma ferida aberta na nossa história.
Jango era temido pela elite e pelo regime militar devido às suas ideias progressistas e, sobretudo, à sua grande aceitação popular. Por isto, sua trajetória na política sempre foi marcada por boicotes e tentativas de golpes. Mas, mesmo morto, Jango incomodava. E, pelo visto, ainda incomoda.
Neste momento em que o governo brasileiro demonstrava uma disposição em “acertar contas com o passado” por meio da criação da Comissão Nacional da Verdade, o filme Dossiê Jango surge como um rico instrumento de debate. Um instrumento que, mais do que esclarecer questões, suscita dúvidas pertinentes e profundas sobre a história do Brasil.

sábado, 30 de março de 2019

10 FOTOS DA ASSEN NOS ANOS 90 QUE VÃO MEXER COM SUAS LEMBRANÇAS


Clube ASSEN, fica localizada na Av. Prudente de Morais - Cidade Alta - Natal
Talvez você não saiba mas a ASSEN é sede de uma associação de militares, na realidade sua sigla significa: “Associação dos Subtenentes e Sargentos do Exército em Natal”. Ela se localiza na Av. Prudente de Morais (nº 826), no bairro do Tirol.
Pouco se tem registros na internet sobre a origem da associação, só se sabe que ela foi construída no ano de 1963, tendo como arquiteto Raimundo Costa Gomes e como engenheiro Wilson Miranda, e que já foi palco de muita badalação nos anos 90 em Natal, quem lembra?
O prédio, que já recebeu várias festas e eventos, desperta lembranças em muita gente. Então aqui estão algumas fotos daquela década para ativar suas lembranças nostálgicas:
Primeiro vamos dar uma boa olhada no por fora do prédio entre 1995 e 1999: 
E agora com a fachada na cor verde…
Que depois mudou pra azul piscina
Foto: Tribuna do Norte
E vamos entrando…
 

E mais ali um banco característico…
E aquela escada “símbolo”…

Hoje em dia, apesar de se manter fechado sob vigilância, parece que parte do prédio está em abandono.Moradores do bairro denunciaram um descaso perigoso com a piscina , após um surto de viroses pela região.
Será que a ASSEN volta a bombar como antigamente?
E você? Tem histórias interessantes pra contar dela?
Fonte: Trabalho disciplinar de Mara Camila Azevedo (2001) e OLIVEIRA, Alana. “Memória moderna da minha cidade Natal” (2012) e LIMA, P. Arquitetura no Rio Grande do Norte: uma introdução (2002).
Curiozzzo

3 FOTOS DE DENTRO DO ANTIGO HOTEL REIS MAGOS QUE VOCÊ AINDA NÃO HAVIA VISTO

Resultado de imagem para imagens 3 FOTOS DE DENTRO DO ANTIGO HOTEL REIS MAGOS QUE VOCÊ AINDA NÃO HAVIA VISTO
Imagem do Google
Muito se fala do antigo e grendioso Hotel Internacional dos Reis Magos, considerado um símbolo do turismo potiguar, já que foi o primeiro empreendimento turístico de alto padrão do Rio Grande do Norte.
O hotel, que foi inaugurado em 7 de setembro de 1965, viveu seu auge nos anos 80, agitando a Praia do Meio, em Natal, e impressionando muita gente pelo seu tamanho e sua arquitetura moderna.
Pela internet, já vimos várias fotos dele por fora, como esta:
Ou esta:
Mas você já teve a oportunidade de ver as instalações internas desse antigo patrimônio arquitetônico da cidade? Então aqui estão algumas fotos raras que mostram que ele era a última palavra em luxo e sofisticação na cidade na época, confira:

Recepção


Hotel Reis Magos, recepção, Natal. Arquitetos Waldecy Pinto, Antônio Didier e Renato Torres Acervo Waldecy Pinto [TRIGUEIRO, Edja; et. al. O Hotel Internacional Reis Magos e sua importância histórica]

Hall


Hotel Reis Magos, hall de entrada, Natal. Arquitetos Waldecy Pinto, Antônio Didier e Renato Torres Acervo Waldecy Pinto [TRIGUEIRO, Edja; et. al. O Hotel Internacional Reis Magos e sua importância histórica]

Quarto


Hotel Reis Magos, quarto, Natal. Arquitetos Waldecy Pinto, Antônio Didier e Renato Torres Acervo Waldecy Pinto [TRIGUEIRO, Edja; et. al. O Hotel Internacional Reis Magos e sua importância histórica]

Infelizmente, após passar pelas mãos de várias empresas, ele acumulou dívidas, hoje em dia é mais um lugar abandonado da cidade.
Com imagens e informações de Minha Cidade
Curiozzzo

FECHAMENTO DO MINC é tema de debate em Santa Cruz pelo CPC/RN


 Participantes do Seminário "Como fica a cultura brasileira sem o MINC?"
Presidente do CPC/RN falando da importância do MINC - "É preciso lutar pelo MINISTÉRIO DA CULTURA, foi uma grande conquista do POVO BRASILEIRO em ESPECIAL os ARTISTAS!" - Inicio Eduardo Vasconcelos.

O Centro Potiguar de Cultura – CPC/RN com sede em Nova Cruz realizou mais um seminário de debates sobre temas sociais ligados à cultura, na ultima sexta feira, 29 de Março, no auditório do Istituto Federal –IF, de Santa Cruz, região do Trairí. Desta vez o tema abordado foi: "COMO FICA A CULTURA BRASILEIRA SEM O MINC - (Ministério da Cultura)?.O evento contou com representantes da cultura e da educação e de artistas de Santa Cruz e de Nova Cruz, cidades capitais de suas regiões,
Roda de Conversa: "Seminário - Como Fica a Cultura Brasileira sem o MINC?"
Representantes culturais prestigiando
Diretora da EMATER de Santa Cruz fazendo uma belíssima intervenção sobre o assunto
Presidente do CPC/RN, EDUARDO VASCONCELOS falando da importância de luta em DEFESA DO MINC!
Centro: Robson - Casa de Cultura de Santa Cruz/RN, fazendo boas intervenções sobre o tema
Todos os participantes receberam certificados
O seminário foi dirigido por Eduardo Vasconcelos, diretor da entidade organizadora, e que contou como palestrantes, a diretora do IF anfitrião, Professora , Samira Fernandes Delgado, Robson - Agente de Cultura de Santa Cruz, Edgar Santos que no ato representou o prefeito da cidade, Ivanildo Ferreira Lima Filho, além de Erica Sabino representante da UNOPAR local e do professor Meirison Fernandes, diretor da 7ª Diretoria Regional de Educação e Cultura – DIREC, com sede em Santa Cruz.

Há uma enorme preocupação com as ações que estão sendo exercidas pelo governo federal na gestão de Bolsonaro em relação ao Ministério da Cultura MINC, que sinalizam claramente a iniciativa de fechá-lo e torna-lo membro da pasta do Ministerio da Cidadania, o que “levaria ao retrocesso das conquistas adquridas com o passar das décadas no setor da cultura brasileira”, alertou Robson, representante do Ponto de Cultura de Santa Cruz.

Segundo Eduardo Vasconcelos, do encontro foi elaborado um documento que traz a manifestação contrária ao que vem ocorrendo com o MINC por parte das regiões Agreste e Trairí do estado. Outros seminários serão realizados com o mesmo objetivo em outras regiões cujos documentos neles produzidos serão o esteio do documento de manifesto estadual do Rio Grande do Norte sobre o assunto. Cada estado estará produzindo manifestos semelhantes e que ao final se fundirão em um grande movimento anti fechamento do Ministério da Cultura, pretendido pelo atual governo.
Fotos e Matéria Claudio Lima/Eduardo Vasconcelos
 Seminário/roda de conversa
 Apresentação do Grupo de Capoeira BOA VONTADE de Nova Cruz/RN, fazendo bonito



Após o seminário Delegação de Nova Cruz visita a Santa Rita de Cássia - Santa Cruz/RN
Eduardo Vasconcelos e o cantor/compositor, Diego Ramos

Nosso agradecimento ao IFRN - Campus de Santa Cruz na pessoa de Samira Delgado,nossos agradecimentos também aos sindicatos: SINTE/RN, SINDSAÚDE/RN, SINDICATO DOS PORTUÁRIOS DO RN, SINAI/RN, CUT NACIONAL, a UBES, GRÊMIO DO IFRN - SANTA CRUZ, UNOPAR -  SANTA CRUZ, Aos Gerentes do BB, CEF e BNB, como a Prefeitura de Santa Cruz, Secretaria Municipal de Cultura de Santa Cruz, da Secretaria M. de Educação de Santa Cruz, Câmara Municipal de Santa Cruz, da EMATER Escritório de Santa Cruz, Rádio AM Santa Cruz, O BOTICÁRIO/SANTA CRUZ, CONSELHO M. DE CULTURA/SANTA CRUZ, 7ª DIREC, CASA DE CULTURA/SANTA CRUZ, TEATRO MUNICIPAL CANDINHA BEZERRA, PREFEITURA MUNICIPAL DE NOVA CRUZ, ao STR de STA CRUZ, AO RESTAURANTE POPULAR DE SANTA CRUZ , JM  ART & GRÁFICA - SANTA CRUZ/RN - FONE: (84) 99969 9630/98824 8124, Dr. CABRAL, A COMPANHEIRA DÉBORA, que de forma direta ou indireta ajudaram na concretização deste seminário.

Marcelo Coelho: A vingança do circo contra o cinema

Em 1970, por encomenda da RAI (emissora de TV italiana), Federico Fellini (1920-1993) lançou Os Palhaços (I Clowns), um dos mais belos e tristes tributos do cinema ao circo. Misto de documentário e drama, o filme só estreou no Brasil no final de 2002, ocasião em que recebeu uma crítica à altura do cientista social Marcelo Coelho. Nos marcos do Dia Mundial do Circo (27 de março), o Prosa, Poesia e Arte recupera o texto de Coelho, prestando homenagem às artes circenses – e também a Fellini.
Lançado em 1970, filme de Fellini estreou no Brasil 32 anos depois Lançado em 1970, filme de Fellini estreou no Brasil 32 anos depois
A vingança do circo contra o cinema
Por Marcelo Coelho, na Folha de S.Paulo
Um grupo de pessoas rindo, afirmou o filósofo Theodor Adorno, já não passa de uma paródia, de uma caricatura da humanidade. Escrita por volta de 1945, a frase era uma reação tanto à barbárie nazista quanto aos horrores da indústria do entretenimento, com a qual o teórico marxista era forçado a tomar contato em seu exílio norte-americano.
Os Palhaços, semidocumentário de Federico Fellini rodado na década de 70, só agora estreou em São Paulo. No começo do filme, aquela idéia de Adorno parece ter sido posta de cabeça para baixo. Fellini lembra que, quando criança, tinha muito medo dos palhaços de circo: impressionava-o a semelhança que tinham com algumas personagens reais, os loucos, os tarados, os mendigos de sua cidade natal.
Aqueles tipos ridículos e desgraçados eliminavam qualquer possibilidade de achar divertido um espetáculo de circo. As primeiras cenas do filme reconstituem um picadeiro paupérrimo, em que truques banais e figuras grotescas se alternam diante dos olhos assustados de um menino provinciano.
Reconstituem também algumas imagens da cidade de Rimini, que mais tarde viriam a ser imortalizadas em Amarcord, a obra-prima do diretor. Fellini recria com realismo o ambiente, os lugares, os personagens daquela pequena cidade italiana dos anos 30, enquanto, no circo, as cenas mais implausíveis e as enganações mais baratas se sucedem pateticamente.
No circo, um falso Tarzã agarra bufando um canhão de papel cinzento, enquanto “lá fora”, no filme, uma cidade real, com sua estação de trem, seus cafés e calçadas é mostrada de modo persuasivo para o espectador. Mas é claro que a Rimini de 1930 não existe mais e que o filme nos engana com seu realismo.
À primeira vista, assim, toda a nostalgia de Fellini com relação ao mundo do circo seria um tanto contraditória: lamentando a morte das formas ingênuas de espetáculo, Os Palhaços estaria também contribuindo para enterrá-las. O cinema, afinal, constrói ilusões muito melhores, muito mais fantásticas e convincentes. Se há algo de comovente no circo, é porque com o tempo aprendemos a perceber a miséria de seus prodígios.
O bonito de Os Palhaços, entretanto, é que o filme inteiro vai minando essa conclusão. Fellini transforma o seu documentário numa vingança do circo contra o cinema, denunciando todos os truques “realistas” da linguagem cinematográfica.
O filme se apresenta como um documentário, com o próprio Fellini entrevistando palhaços e especialistas na história do circo. No estilo que, hoje em dia, nos acostumamos a ver nos documentários de Eduardo Coutinho, a equipe de filmagem do diretor aparece explicitamente em cena, insistindo o tempo todo em que, naquele filme, não há ilusão nenhuma, tudo é real, e, portanto, o mundo das ilusões “autênticas” será ainda e sempre o circo.
Mas isso também é falso. Numa outra reviravolta, Fellini deixa entrever que aquela equipe de filmagem, o cameraman, o sonoplasta, até a secretária da produção, nenhum deles é de fato profissional do ramo. Encarregada de datilografar um texto, a secretária rasga o papel; um ajudante gordo dá topadas em todo lugar; o sonoplasta tem uma cara esquisitíssima; as próprias lentes da câmera, filmadas de perto por Fellini, mostram-se feitas de celofane…
Sim, aquilo tudo é uma vasta palhaçada – e o espectador, que se comovia diante da primária e pungente farsa dos cirquinhos de província, não mais capazes de enganar ninguém, termina vendo que foi enganado o tempo todo por artistas de circo “reais”.
O que era uma elegia sobre o circo se transforma, então, em apoteose, num daqueles finais triunfantes que Fellini gosta de fazer. Mas um momento. O filme ainda não acabou. Uma vitória do circo sobre o cinema seria, ela própria, falsa. As deslumbrantes imagens de um cortejo de palhaços, a princípio fúnebre e, depois, carnavalesco, vão ficando mais frenéticas a cada minuto. A cena se prolonga, vai dando vertigem, os clowns vão caindo de cansaço.
Se o filme começava mostrando cenas pungentes, pobres e tristíssimas de um circo mambembe e termina num esplendor de cores, roupas bizarras, marchas frenéticas e serpentinas, nem por isso se deixa de falar da mesma realidade, com a mesma angústia.
Quando vemos aqueles palhaços do início trocando marteladas na cabeça, tentando exercer o ofício de carpinteiros, barbeiros e cozinheiros, entregues à mais convulsiva incompetência, é sem dúvida a vida real -o cotidiano do trabalho manual e da violência física- que está sendo retratada no circo.
O cinema mais lírico, “poético” e “mágico” costuma ocultar com facilidade coisas desse tipo. Mas Fellini escapa das armadilhas do cinema “de arte”. Pois as cenas mais exaltadas e fantasiosas do final do filme são também marcadas pelo ritmo cansativo, mecânico e escravizante daquelas atividades que os palhaços parodiam. Trabalho e sonho se misturam, miséria e magia se alimentam e se destroem mutuamente.
Os Palhaços termina como que pelo esgotamento dos próprios recursos de ilusão e de ironia. E só então, quando ficção e realidade parecem ter rodopiado até morrer, uma perseguindo a outra, o filme subitamente se aquieta e a câmera passeia pela arquibancada escura e vazia. Nesse momento, em que sono, cansaço e noite se abatem sobre a tela, os fantasmas coloridos e irreais do circo podem finalmente aparecer. Só existem, parece dizer Fellini, quando fechamos os olhos.
(Texto originalmente publicado em 8 de janeiro de 2003)
As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Portal Brasil Cultura

quinta-feira, 28 de março de 2019

É AMANHÃ (29)!!! SEMINÁRIO "COMO FICA A CULTURA BRASILEIRA SEM O MINC?" - IFRN DE SANTA CRUZ!!!

Tudo pronto para a realização do Seminário "COMO FICA A CULTURA BRASILEIRA SEM O MINC - (Ministério da Cultura)?

O evento tem como objetivo discutirmos formas de fortalecermos a luta pela volta do MINC - Ministério da Cultura!  Com a "extinção" do MINC quem perde é a população brasileira, perde também o artista de um modo geral, ameaça os valores religiosos, artísticos, as políticas públicas para a cultura, os conselhos e correndo sérios riscos de perdemos o trem da história.

Por isso e muito mais temos a necessidade de debatermos a importância e permanência do MINC!

Sabemos que é um início de uma longa batalha, mas temos que dá o primeiro passo!

Até o seminário!

CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC/RN

Primeiro negro do futebol vestiu a camisa da Ponte Preta

Por muito tempo acreditou-se que Francisco Carregal havia sido o primeiro negro a atuar em um time do futebol nacional, ao defender o Bangu em 1905. Porém, o historiador e professor da PUC-Campinas José Moraes do Santos Neto defende que o pioneirismo seria de Miguel do Carmo, da Ponte Preta. “O atleta entrou em campo como center half nos primeiros jogos da Ponte logo após a fundação, em 1900″, explica o pesquisador.
Miguel do Carmo nasceu em Jundiaí em 1885, três anos antes da abolição da escravidão. Em Campinas, trabalhava como fiscal de linha da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Tinha apenas 15 anos quando pisou o gramado pela primeira vez com a camisa ponte-pretana. Quatro anos depois, foi transferido pela empresa para Jundiaí e encerraria a trajetória futebolística. Morreu jovem, em 1932.
Além dessas, há poucas informações sobre o meio-campista. A notícia de que seria o primeiro negro do futebol brasileiro mexeu com os fanáticos ponte-pretanos, que passaram a vasculhar publicações antigas à procura de novos dados sobre o jogador. Há também a desconfiança de que haja outros negros nas primeiras escalações da Ponte. O que se sabe é que o clube manteve a tradição de escalar negros, o que lhe rendeu um apelido de cunho pejorativo dado pelos rivais: Macaca. A torcida, porém, adotou a alcunha com orgulho.
Um grupo de torcedores costuma levar faixas ao estádio Moisés Lucarelli com o inscrito: “Primeira democracia racial no futebol brasileiro – Miguel do Carmo – Ponte Preta”. Até música o jogador ganhou, um lundu com baião composto por Jorge Araújo: Sem preconceito a Ponte iniciava / Em sua camisa já brilhava / O preto e o branco com amor.
Em seus 119 anos de história, a Ponte Preta nunca conquistou um título importante. Mesmo assim, mantém uma das mais apaixonadas torcidas de São Paulo. E, hoje, seus seguidores exaltam, orgulhosos, o fato de o clube ter sido o primeiro a romper com o racismo no futebol brasileiro. “Esse troféu ninguém nos tira”, afirma o fonoaudiólogo Carlos Burghi, descendente de fundadores da Ponte.
Por Bruno Hoffmann