Postagem em destaque

FIQUEM LIGADOS! TODOS OS SÁBADOS NA RÁDIO AGRESTE FM - NOVA CRUZ-RN - 107.5 - DAS 19 HORAS ÁS 19 E 30: PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA" - PROMOÇÃO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN

Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

segunda-feira, 10 de junho de 2019

VAZA-JATO - Lava Jato: é o fim. Da picada, pelo menos

 

The Intercept revelou chats que escancaram colaboração proibida de Sergio Moro com Deltan Dallagnol na Lava Jato.

Diante do descalabro jurídico em que o Brasil se transformou graças às arbitrariedades cometidas dentro e a partir do seu Poder Judiciário e aparatos policiais, é impossível prever o que pode acontecer depois das revelações trazidas pelo site The Intercept  sobre as conspirações e tramoias tramadas e cometidas pelos procuradores de Curitiba, Deltan Dallagnol à frente, e o então juiz Sérgio “Vaza-Jato” Moro.

Mas algumas conclusões se impõem:

Apesar deles estarem tentando  minimizar as revelações e seus efeitos, a credibilidade do conjunto , que caía a olhos vistos, foi reduzida a zero. Melhor: abaixo de zero.

Exige-se a renúncia do ministro Sérgio Moro. Provavelmente não vai acontecer. Pode ser até que Bolsonaro o condecore com a Ordem de Torquemada.

Os efeitos devastadores das revelações não se limitam aos procuradores, à Lava-Jato e a Sérgio Moro. Arrastam no mesmo  naufrágio toda a mídia tradicional brasileira que fez deste bando seus heróis prediletos, incensando-os durante anos e sem parar como autênticos “salvadores da pátria”. E que impulsionou a injusta condenação de Lula para alija-lo da eleição de 2018 e também para alija-lo da História e varrer dela a herança de seus mandatos no governo, ajudando a eleição do atual fake presidente.

Pede-se a libertação de Lula, a anulação dos processos contra ele e a realização de novas eleições. Está correto, mas dificilmente isto acontecerá, sobretudo a última reivindicação. Ao contrario, esperemos novas manipulações retóricas e jurídicas em sentido contrario. O que não quer dizer que se deva esmorecer e desistir das reivindicações.

Os que continuam pregando a credibilidade da Lava Jato, de Moro e da eleição de Bolsonaro, seja por má fé ou por padecimento da “alucinação negativa” coletiva, continuarão na sua rota destrutiva e auto-destrutiva para os últimos, vítimas de sua cegueira voluntária ou involuntária.

É necessário estender a onda criada na frente internacional, com as seguintes ações:

comentar as reportagens que venham a sair sobre o tema, bem como divulga-las amplamente.
exigir que a Transparency International, que tem sede em Berlim, cancele o prêmio anual dado à Lava Jato em 2016. Naquele ano conversei informalmente com um dos diretores da Transparency sobre o assunto, e entre o leque de posições que expus, que iam desde a repulsa a ela por ser uma conspiração contra o Brasil e Lula em particular (que era e é minha posição), até o apoio entusiasmado, ele ficou com a de que “bem, ela é cheia de defeitos, mas é o que temos para combater a corrupção”. Está na hora de mostrar que a Lava Jato é, ela mesma, uma corrupção e uma corrosão do Poder Judiciário brasileiro, sobretudo depois do vergonhoso episódio dos bilhões reclamados pelos procuradores a partir da condenação da Petrobras nos Estados Unidos. Pode-se entrar no site da T. I. e procurar a ranhura “Contact Us” ou algo assim.
pedir urgência para o pronunciamento do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos sobre o processo contra Lula (mensagens para InfoDesk@ohchr.org, a/c Exma. Alta Comissária Michelle Bachelet ou Honorable High Comissioner M. B.)
Outros corolários que se impõem:

Quem com gravações e hackeamentos fere, com gravações e hackeamentos poderá ser ferido.

Ressalte-se a extrema mediocridade de todos os envolvidos, bem como sua desfaçatez e sensação de impunidade, registrando suas atitudes descabidas como se nunca pudessem ser desnudados em público.

Exacerbando a herança inquisitorial do sistema jurídico brasileiro, em que o juiz de instrução passa a ser também o juiz de julgamento em primeira instância, o então juiz Sergio Moro vestiu a toga de Roland Freisler (o juiz preferencial dos nazistas), Andrey Vyshinsky (o juiz preferencial do estalinismo) e de Joe McCarthy, que antes de tornar-se senador também foi juiz.

Definitivamente Glenn Greenwald tornou-se o “nosso” Julian Assange, o “nosso” Edward Snowden (que ele, aliás, entrevistou). Ele que se cuide, e que Deus, Alá, Buda, Tupã, a Pachamama e todos os Orixás o protejam e ao The Intercept. Penso que é importante manifestar solidariedade a ele e ao site (glenn.greenwald@theintercept.com).


Fonte: REDE BRASIL ATUAL - RBA

Adrienne Savazoni: Nossa Língua Portuguesa, a língua da poesia

Começo este ensaio com os dizeres da poeta chilena Gabriela Mistral em sua conferência sobre O Menino Poeta, de Henriqueta Lisboa, em Belo Horizonte, em 1942. Segundo ela, a Língua Portuguesa é mais propensa à poesia do que a Língua Espanhola – esta seria própria para a prosa.
Por Adrienne Kátia Savazoni Morelato*
Na opinião da própria Gabriela, o português seria uma lírica fina, mais grata e mais terna aos ouvidos, o que facilitaria a vida da Henriqueta, porque aqui se fala “menininho”, “chuva”, “passarinho”, “paina”, “pena”, “saudade”, “coração”, “noite”, “ombro”, “choro”, “canção”, “cachoeira”, “riacho”, “lírica”. E, no Brasil, essa língua de lírica fina ganha “Amanda”, “amora”, “jatobá”, “jaguatirica”, “capivara”, “caju”, “ibirá”, “tatu”, “beiju”, “ira” e “ita”, como também “cafuné”, “moleque”, “samba” e “berimbau”.
A Língua Portuguesa, “última flor de Lácio”, a que nasceu “inculta e bela”, é a língua da poesia. Última a se desgarrar da saia da mãe Latim, era considerada, em seus primórdios, uma língua inferior, popularesca, rústica e menor que sua irmã espanhola. Talvez porque sua origem remonte à Galíza, noroeste da Espanha, lugar de gentis pastores de ovelha e camponeses. Mal sabia o mundo que as pessoas nascidas naquela região cantavam em vez de falar ou contar.
Tudo era canto: os montes, os pastos, as pedras e as árvores em comunhão com as pessoas. “Airinhos / Aires de minha terra”, cantou Rosália de Castro, poeta galega do século 19. Se uma parte da língua quis permanecer em casa, a outra desceu o Tejo e quis ser Império. A Língua Portuguesa abandonou sua parte galega, os pinheiros e os moinhos do norte, para ser dona do além-mar – mas ela nunca abandonou as raízes do canto e do poema. O que ela quis foi conquistar. E a melodia é seu manto.
Busto de Rosália de Castro, voz expressiva na língua galega-portuguesa

É por essa razão que a língua de Camões e de Pessoa tem o registro do seu nascimento em um poema, uma canção de amor: a Cantiga de Ribeirinha, de Paio Soares de Taveirós. As palavras já nasciam impregnadas de dor e de melancolia, da insatisfação do amor não consumado e da nostalgia plena que aqueles montes, moinhos, pinheiros, caminhos, ramos e pássaros lhe davam; na voz das mulheres que não falavam, mas cantavam o canto doce da solidão.
Porém, essa língua queria o mar como se buscasse a face do amado que partiu. Foi se tornar rainha e criou um dos cancioneiros mais lindos que mundo já viu, misturando a força melódica de suas palavras com o canto desesperado e matemático dos árabes para ser pura consternação. “Ai flores, ai flores do verde pino / Se sabedes novas do meu amigo? / Vós preguntardes pelo vosso amigo? / Ai, Deus e u é?”, diz Don Dinis, grande trovador das trovas e da dor. Não me surpreende se ele tivesse roubado esses versos de alguma dona chorosa pela separação inesperada de seu amado.
E não é que essa língua ganhou o mar? E, com ele, uma epopeia grandiosa de estilo greco-romano para coroar sua força e sua presença no Planeta: “As armas e os barões assinalados”. Contudo, Camões não deixou de ser poeta e fez de Lusíadas uma obra rara, plena e soberana, como foram os portugueses naquele tempo pelos mares e pelas terras que encontravam. E só em português esse poeta poderia dizer: “Amor é fogo que arde sem se ver/ É ferida que dói e não se sente/ É um contentamento descontente/ É a dor que desatina sem doer”. Qual a outra língua que consegue falar de amor de maneira tão abrupta, tão dolorida e ao mesmo tempo tão impactante, usando imagens paradoxais e com a força melódica de palavras que rasgam o coração?
Os portugueses calharam de calhar na Ilha de Vera Cruz os seus barcos e a sua língua desejosa de novos ares. Aqui encontrou as árvores pujantes, densas, maiores, enormes e gigantes, pássaros coloridos, um verde brilhante das folhas, um sol estarrecido, demasiado presente que se vigora nas faces.
Primeira edição de Os Lusíadas, a obra-prima de Camões
Tantas cores, tantos animais, tanta terra, tantas águas e pedras que o português parecia um pescador solitário, cantando um monólogo moído fadado aos fados e ao som de uma cítara oca de tanta pena: “Pus-me a cantar minha pena / com uma palavra tão doce / de maneira tão serena, / que até Deus pensou que fosse / felicidade – e não pena”, diria, séculos mais tarde, Cecília Meireles, a poeta brasileira que mais carregou em sua obra esse sentimento original da nossa língua.
Somente outro povo, mais espiritual e mais pleno, mitológico, poderia dizer e nomear tanta verdura e tanta coisa que se viu ao desembocar nessas praias. Foi por isso que o português no recente Brasil se calou, aprendeu primeiro a língua daqueles povos tão fortes e guerreiros que mais pareciam sair de alguma lancinante narrativa medieval.
A verdade é que nossa Língua Portuguesa descobriu com as línguas indígenas outra forma de fazer poesia – uma forma mitológica e ritualística. Dessa maneira, os portugueses e seus filhos mantiveram os nomes das coisas, dos pássaros, dos animais, dos rios e de todos os caminhos que os índios já tinham nomeados, embora os manchassem com o sangue indígena. Aprendeu a Língua Portuguesa aqui a se guardar em meio às matas e às estradas, aprendeu a ser mais pausada e silabada, aprendeu a fixar o sujeito-verbo-objeto de maneira que ganhasse uma essência mágica e curativa como eram os cantos do Pajé.
A poeta brasileira Cecília Meirelles, que carregou sua obra com um sentimento original da língua
Diz a poeta Sophia de Mello Breyner Andresen sobre o português do Brasil:
Gosto de ouvir o português do Brasil
Onde as palavras recuperam sua substância total
Concretas como fruto nítidas como pássaros
Gosto de ouvir a palavra com suas sílabas todas
Sem perder sequer um quinto de vogal
Quando Helena Lanari dizia o “coqueiro”
O coqueiro ficava muito mais vegetal.
As línguas dos africanos que por aqui vieram como escravos eram puras vibrações sonoras, batuques, baladauês, cafunés. Com afeto e pés de moleque, a Língua Portuguesa aprendeu que, em meio à dor, também se pode cantar a alegria, dançar, fazer do corpo também seu ritmo, sua entonação, suas pausas e sua expressão. O português no Brasil se tornou o arroz com feijão, o cardápio completo entre a nostalgia original de suas palavras e as vibrações, o rito, o desejo, a magia das línguas africanas e indígenas que ela absorvia com o desespero de ser, mais uma vez, poesia e canto simplesmente – e, aqui, ser também dança.
Adrienne Kátia Savazoni Morelato, mestre e doutora em Estudos Literários pela Unesp, é professora da rede estadual de São Paulo

As cores e os sabores da tradição junina

comidas_juninas110524
Junho é o mês de três importantes santos católicos, que foram introduzidos no Brasil pelos colonizadores portugueses: São Pedro, Santo Antônio e São João.
O primeiro deles, um dos doze apóstolos de Jesus Cristo, é tido como o guardião das portas do céu, além de protetor das viúvas e dos pescadores. A ele foi dedicado o dia 29 de junho. Santo Antônio, por sua vez, comemorado no dia 13 de junho, é o santo casamenteiro, sendo invocado pelas pessoas solteiras que desejam encontrar um parceiro. E, por fim, São João, primo de Jesus Cristo, cujo nascimento ocorreu no dia 24 de junho. Dos três, esse último é o santo festeiro e o mais comemorado. Originalmente, a festa de São João, muito popular na Península Ibérica, era chamada de Joanina, mas, com o tempo, passou a ser conhecida como Junina.

Em se tratando de festas que utilizam o fogo, faz-se necessário lembrar que essa tradição advém de remotas comemorações pagãs, nos primórdios da era cristã, quando cultos e sacrifícios eram empreendidos para enfrentar e afastar demônios e bruxas responsáveis por pestes, estiagens, esterilidade. Os portugueses, neste sentido, incorporaram o fogo ao seu calendário, acreditando que ele poderia atuar como elemento importante na luta entre as forças do bem e do mal.
Há controvérsias, no entanto, sobre a origem da festa de São João. Cabe esclarecer que o dia 23 de junho, segundo os rituais do calendário agrário da antiguidade, representa a data comemorativa das colheitas de cereais, bem como a passagem do solstício de verão ou de inverno, conforme o hemisfério.
Há quem considere o mês de junho, o quarto no calendário de Rômulo, como o período do ano dedicado à deusa Juno, a cultuada filha de Saturno e mulher de Júpiter, que teve muitos filhos. As festas juninas, portanto, se originavam da devoção dos povos pagãos àquela divindade, onde as fertilidades da deusa e da terra eram reverenciadas. E, para espantar a seca e as pestes da lavoura, tantos sacrifícios em seu nome foram empreendidos.
Alguns pesquisadores, por outro lado, situam os primórdios da festa junina na Ásia e África, 3.500 a.C., salientando que, no Egito antigo, a morte e a ressurreição do deus Osíris estavam relacionadas às cheias do rio Nilo e isto era bastante comemorado. O retorno das águas, ao leito usual, deixava uma faixa de terra úmida e fértil para a semeadura possibilitando, desse modo, a presença de excelentes colheitas.
De acordo com Câmara Cascudo independentemente das teorias sobre a sua origem, o São João é festejado com alegrias transbordantes de um deus amável e dionisíaco com farta alimentação, músicas, danças, bebidas e uma marcada tendência sexual nas comemorações populares, adivinhações para casamento, banhos coletivos pela madrugada, prognósticos do futuro, anúncio de morte do censo do ano próximo… Segundo a tradição o Santo adormece durante o dia que lhe é dedicado tão ruidosamente pelo povo, através dos séculos e países. Se ele estiver acordado, vendo o clarão das fogueiras acesas em sua honra, não resistirá ao desejo de descer do céu para acompanhar a oblação e o mundo acabará pegando fogo.
No Nordeste do Brasil, em particular, é uma das festas mais comemoradas. Dentre os seus aspectos fundamentais, encontram-se as quadrilhas e o forró, as fogueiras, os balões, as procissões e novenas, e a maravilhosa culinária junina. Nesta, os portugueses introduziram o sal, o açúcar, a canela em pó, o cravo da Índia, o coco, o milho. Os índios, por sua vez, trouxeram a mandioca. Como parte fundamental da cultura brasileira, a culinária também foi reelaborada e recriada pela miscigenação de gostos e experiências de vida das principais etnias que formaram a população brasileira: a indígena, a africana e a europeia.
No que se refere à rica culinária junina, os seus pratos típicos são os seguintes: milho cozido ou assado (na brasa), canjica, pamonha, pé-de-moleque, cocadas, bolos de milho, macaxeira (também chamada de aipim) e mandioca.
Trazemos quatro receitas básicas das festas juninas:
Canjica
Ingredientes:
25 espigas de milhos verdes;
1 ½ xícara (de chá) de água;
3 cocos ralados;
2 xícaras (de chá) de açúcar;
canela em pó (para polvilhar);
sal a gosto.

Modo de fazer:
Com uma faca afiada, corte os grãos de milho rente ao sabugo. Coloque-os no liquidificador, junte a água, aos poucos, e triture até que a mistura se torne um purê. Peneire, em seguida, para retirar as cascas dos grãos. Em seguida, retire do coco o leite grosso e reserve. Esprema novamente o coco para obter um leite mais ralo. Em uma panela grande, misture a massa de milho com a metade do leite ralo, leve ao fogo, mexendo sempre devagar, até a mistura ficar espessa. Tempere com sal, acrescente o açúcar e misture bem. Retire do fogo. Coloque a canjica em pratos ou travessas e polvilhe com a canela em pó.
Pé de Moleque
Ingredientes:
1 kg de massa de mandioca,
4 xícaras (de chá) de açúcar,
½ litro de água, 250 g de manteiga,
2 ovos inteiros,
½ litro de leite de coco, 2
00 gramasde castanha torrada,
1 colher (de chá) de cravo da Índia,
1 colher (de chá) de erva-doce.

Modo de fazer:
Lavar, deixar assentar e espremer a mandioca. Reservá-la e colocar em uma bacia grande. Amassar bem, até virar pó, a castanha, o cravo e a erva-doce. Juntar à mandioca. Levar ao fogo, para fazer um mel, a água, o açúcar e a manteiga. Despejar o mel, bem quente, sobre a mandioca e os temperos polvilhados e misturar bem com uma colher de pau. Adicionar os 2 ovos inteiros e o leite de coco. Bater bem a massa. Colocar em uma forma untada e enfarinhada e levar ao forno quente. Retirar da forma depois de frio.
Bolo de Macaxeira
Ingredientes:
2 kg de macaxeira,
1 coco ralado, 500 g de açúcar,
1 colher (de sopa) de manteiga,
cravo da Índia, pitada de sal,
leite de vaca (o suficiente para cobrir o bolo).

Modo de fazer:
Descascar, lavar e ralar a macaxeira e misturar ao coco ralado. Fazer uma calda com o açúcar e os cravos. Retirar os cravos e despejar sobre a macaxeira. Acrescentar a manteiga, o sal, e misturar bem tudo. Untar e enfarinhar uma forma. Despejar a massa do bolo e cobrir com o leite de vaca. Levar ao forno quente e retirar da forma depois de frio.
Pamonha
Ingredientes:
20 espigas de milho verde,
xícaras (de chá) de leite de vaca ou de coco, 3
colheres (de sopa) de creme de leite,
açúcar e sal a gosto.

Modo de fazer:
Cortar os grãos dos milhos com uma faca afiada e passá-los no liquidificador ou máquina de moer. Depois, peneirá-los em uma peneira grossa. Misturar todos os ingredientes da receita. Embrulhar e amarrar o líquido grosso na própria palha do milho e, em um caldeirão com água fervendo, cozinhar as pamonhas, por cerca de 30 minutos, até que endureçam.

AQUI CULINÁRIA BRASILEIRA

Fonte: Fundação Joaquim Nabuco

domingo, 9 de junho de 2019

Desenvolvimento com sustentabilidade é o foco dos povos indígenas para o Acre

Joel Puyawanawa
Por Arison Jardim
A partir de Cruzeiro do Sul, está sendo formado um consórcio envolvendo oito prefeituras das regiões do Juruá e Tarauacá/Envira. A iniciativa é um mecanismo de buscar investimentos para desenvolvimento e um dos eixos principais é a população indígena. Os outros municípios inseridos são Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá, Feijó e Jordão.
Nas duas regiões existem 28 terras indígenas (TI), concentrando a maior parte dos 19 mil indígenas do Acre. Esse grupo reivindica dialogar com todas as instâncias públicas e estar presente na construção dos projetos de desenvolvimento. Parte deste processo com o consórcio já iniciou, nesta semana, ocorreram diversas reuniões entre os prefeitos e lideranças indígenas, em Cruzeiro do Sul.
As duas primeiras pautas mais urgentes, que foram tratadas, são a construção de uma via de ligação entre a cidade de Mâncio Lima e a cidade peruana de Pucallpa e a construção de um projeto de desenvolvimento para ser apresentado ao programa federal Fundo Amazônia.

Grande obra ao Peru

O Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, cancelou sua agenda que faria no Juruá entre os dias 4 e 5 de maio. Mas as discussões para a abertura de uma rodovia, ou ferrovia, ligando o Brasil ao Peru ocorreram com as lideranças indígenas da região. O consenso é que antes mesmo da suspeita de início da obra, tem que se seguir todo e qualquer processo de análise do impacto e as consultas públicas com os afetados.
O impacto é uma realidade, a via iria afetar pelo menos três terras indígenas e um parque nacional, que é a Serra do Divisor, diretamente, mas também afeta todas as outras terras indígenas da região. O primeiro território com maior impacto seria do povo povo puyanawa, em Mâncio Lima, que já sofre as consequências de ações desordenadas no seu entorno, como abertura de ramais e invasão de sua área.
Joel Puyanawa, cacique da Aldeia Barão, já relata as mudanças nos regimes de seca e cheia dos cursos d’água de sua terra nos últimos anos.
“Esta foi a primeira vez que o rio secou antes de o capim florar. O piau sumiu, deu um desequilíbrio total. Comprei minha canoa e ainda está lá em casa”, conta.
Essas mudanças não ocorrem por causa da estrada ou ferrovia, porém trazem o alerta para o que pode ocorrer caso a grande obra prossiga sem atenção para seus impactos. Ele afirma ainda que seu povo não abre mão de nenhum direito para manter sua terra protegida.
“Pelos impactos que já sofremos por aqui, nós já temos posicionamento. Para essa rodovia ou ferrovia acontecer, nossa área de amortecimento em primeiro lugar. Queremos ter uma área segura, onde está nosso sítio sagrado, que por direito, a gente acredita que vai ser respeitado. É nesse sítio que está nossas energias, nossa história”, declara Joel. A zona de amortecimento compreende a 10 km depois do limite da TI.
A Funai também está presente nesta discussão, ela trabalha para a garantia de que os indígenas tenham direito a consulta, neste caso de empreendimento. Luiz Valdenir, coordenador regional da Funai no Juruá, explica: “Está previsto grandes projetos para essa região do Juruá e agora esta possível BR nos traz atenção, enquanto instituição. Nos compete acompanhar os procedimentos oficiais que estão estabelecidos na legislação, como consulta às populações. A Funai segue acompanhando, garantindo a consulta aos povos indígenas”, afirma.
Uma das grandes preocupações é que esta estrada abra caminho para ações de grande impacto, que tanto prejudicam a floresta em outras regiões do Brasil e do Peru, como a mineração, extração de petróleo e extração ilegal de madeira. Joel explica que alguns impactos já são sentidos, com a invasão de seu território e pequenas estradas no entorno.

Desenvolvimento regional

Francisco Piyãko, coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj), é um dos grandes defensores de políticas sustentáveis para o desenvolvimento socioambiental Da Amazônia. Para ele, com sustentabilidade e estratégia é possível criar meios para o crescimento da região, sem aumentar o desmatamento e aproveitando os recursos naturais.
“Nós, povos indígenas, escolhemos viver a partir das tradições, a partir de nossos valores e identidade. Temos uma forma de fazer o uso do que a natureza oferece, olhando os rios e as relações da floresta de uma forma profunda”, explica.
Piyãko traz a experiência de projetos bem desenvolvidos na terra de seu povo, Ashaninka, em Marechal Thaumaturgo.
Com planejamento, conseguiram construir um modelo de cooperativa para a produção de artesanato e comércio de produtos da comunidade para todo o Brasil. Os ashaninka conseguiram também realizar o manejo da caça e pesca, juntamente com os roçados de verduras e raízes, de uma maneira que garante a alimentação para uma população crescente.
Recentemente, a associação Apiwtxa, do povo ashaninka, foi a primeira comunidade indígena a desenvolver e executar um projeto pelo Fundo Amazônia de forma direta com o BNDEs. Este trabalho se tornou exemplo por levar para a aldeia e para a Reserva Extrativista Alto Rio Juruá, ações de produção sustentável, fortalecimento institucional e gestão territorial.
“O natureza é nossa casa e o meio ambiente é nossa proteção”, afirma Piyãko.
O líder ashaninka relata que teve várias conversas com o prefeito de Cruzeiro do Sul, Ilderlei Cordeiro, principal idealizador deste consórcio e incentivador dos projetos de forma sustentável e com diálogo. Ele afirma que Ilderlei visualiza esta união como uma oportunidade de trazer investimentos para a região, principalmente na área de turismo, produção agrícola, fortalecimento institucional e cultura.
“Além disso, o prefeito explicou que deseja que o diálogo seja constante e que todas ações sempre serão feitas ouvindo os povos indígenas, principalmente em uma possível construção da rodovia”, relata.
Para Piyãko, a defesa é para que qualquer empreendimento nesta região sirva ao povo e à sociedade que está aqui. “Não podemos criar uma atividade que vai contribuir, que vai levar a população da floresta e os agricultores familiares a se transformarem em mão de obra barata. Não podemos, em nome do desenvolvimento, criar áreas de pobreza e uma guerra por espaço, queremos garantir que a sociedade seja a principal beneficiada de qualquer atividade”, declara.

Cláudio Daniel: Paulo Leminski, 30 anos de saudades

Paulo Leminski, escritor, ensaísta, letrista de música popular, crítico literário, tradutor e um dos mais inventivos poetas de sua geração, faleceu há 30 anos, no dia 7 de junho de 1989, com apenas 45 anos de idade, vítima de cirrose hepática.
Por Cláudio Daniel*
O poeta curitibano Paulo Leminski  (1944-1989), que faleceu há 30 anos: sua obra ainda preserva extrema atualidade O poeta curitibano Paulo Leminski  (1944-1989), que faleceu há 30 anos: sua obra ainda preserva extrema atualidade
“Paulo Leminski virou uma legenda, uma espécie de ‘mito’ da poesia mais recente produzida no Brasil. Para isso contribuiu, sem dúvida, a sua morte prematura; nesse sentido, está ao lado de companheiros ilustres: Mário Faustino, Torquato Neto. Foi um tipo algo romântico e radical, que via (e vivia) a poesia em tudo”, conforme escreveu o poeta mineiro Carlos Ávila.
A vida irreverente e boêmia do poeta, sem dúvida, contribuiu para a construção do mito, que recorda a jornada de astros de rock como Jimmi Hendrix e Janis Joplin. Sua obra, porém, supera o encanto circunstancial da biografia pela densidade estética e referencial.
A poesia de Leminski descende do rigor formal do Concretismo, mas ele também incorporou influências da contracultura, da linguagem publicitária, da cultura japonesa, do zen-budismo, da música pop, das histórias em quadrinhos e escreveu sobre os mais variados temas, desde questões políticas (“en la lucha de clases / todas las armas son buenas / piedras, noches, poemas”) até existenciais (“apagar-me / diluir-me / desmanchar-me / até que depois / de mim / de nós / de tudo / não reste mais / que o charme”), quase sempre fazendo uso da ironia, do humor, da linguagem coloquial, dos trocadilhos e da musicalidade dos versos.
A gíria, o palavrão e a dicção urbana também são frequentes em sua obra, como neste poema: “o pauloleminski / é um cachorro louco / que deve ser morto / a pau a pedra / a fogo a pique / senão é bem capaz / o filhadaputa / de fazer chover / em nosso piquenique”, assim como elementos formais assimilados da vanguarda, como a eliminação da pontuação, o uso exclusivo de letras minúsculas, a disposição geométrica das palavras na página, o emprego de neologismos e de palavras-valise, que multiplicam as possibilidades de significação do texto. O artesanato poético de Leminski valoriza ainda recursos da poesia tradicional, como as rimas, que são essenciais para a estrutura rítmica de seus poemas.
O autor curitibano, “mestiço de polaco com negra”, como ele mesmo gostava de se apresentar, ingressou aos 12 anos no Mosteiro de São Bento, onde adquiriu conhecimentos de latim, teologia, filosofia e literatura clássica. Em 1963, abandonou a vocação religiosa. Viajou a Belo Horizonte para participar da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, onde conheceu Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos, criadores do movimento internacional da Poesia Concreta. No ano seguinte, publicou seus primeiros poemas na revista Invenção, editada pelos concretistas, e torna-se professor de História e Redação em cursos pré-vestibulares, experiência que motivou a criação de seu primeiro romance, Catatau (1976), ambientado em Recife, durante as Invasões Holandesas. Leminski também atuou como diretor de criação e redator em agências de publicidade, o que contribui com a sua atividade poética, pela convivência com profissionais de comunicação visual.
Fascinado pela cultura japonesa e pelo zen-budismo, Leminski foi faixa-preta e professor de judô, escreveu haicais e uma biografia de Matsuo Bashô. Colaborou em revistas de vanguarda, como Raposa, Muda, Qorpo Estranho e fez parcerias musicais com Caetano Veloso e Itamar Assumpção, entre outros. O interesse pelos mitos gregos, por sua vez, inspirou a prosa poética Metaformose.
Paulo Leminski exerceu atividade intensa como crítico literário e tradutor, vertendo para o português obras de James Joyce, Samuel Beckett, Yukio Mishima, Alfred Jarry, entre outros. Politicamente, foi de esquerda, integrou os quadros do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e escreveu no jornal Voz da Unidade, embora nunca tenha sido um marxista-leninista ortodoxo. Seu temperamento, talvez, estivesse mais próximo ao anarquismo.
Em 1968, casou-se com a poeta Alice Ruiz, com quem viveu durante 20 anos, e teve três filhos: Miguel Ângelo (morto aos 10 anos de idade), Áurea e Estrela. Em 7 de junho de 1989, o poeta faleceu no Hospital Nossa Senhora das Graças, vítima de cirrose hepática, e foi velado na Reitoria da Universidade Federal do Paraná.
Obra criativa, densa e plural
Os primeiros livros do autor, Não Fosse Isso e Era Menos / Não Fosse Tanto e Era Quase e Polonaises (1980, ed. do autor), foram reunidos, com o acréscimo de novos poemas, em Caprichos e Relaxos (1983), que desde a sua primeira edição exerceu notável influência nas gerações mais jovens. Em Distraídos Venceremos (1987), o poeta curitibano reuniu peças densas e reflexivas que discutem temas relacionados à história, à leitura, ao amor, à perda da fé religiosa, e sobretudo à própria poesia, como em M, de Memória: “Os livros sabem de tudo. / Já sabem deste dilema. / Só não sabem que, no fundo, / ler não passa de uma lenda”. No final do volume, Leminski incluiu um caderno chamado Kawa Cauim: Desarranjos Florais, uma seleção de 27 haicais irônicos e concisos como este: “alvorada / alvoroço / troco minha alma / por um almoço”. Após a morte do poeta, foram editados dois livros com poemas póstumos, La vie em close (1991) e O Ex-Estranho (1996), que reafirmam a posição Leminski como o nome mais destacado de sua geração.
A prosa de ficção de Leminski inclui os romances Catatau (1976), Agora É que São Elas (1984), Metaformose (1994) e o livro de contos O Gozo Fabuloso (2004). Classificar esses textos como “romances”, “novelas” ou “contos”, porém, é bastante arriscado, conforme escreveu Maria Esther Maciel, pois “Leminski experimentou e mesclou todos os gêneros, num movimento de abertura ao híbrido, ao mutante”, não respeitando as fronteiras entre poesia, ficção ou ensaio. O romance Catatau, por exemplo, embora tenha uma trama ficcional que se desenvolve a partir de uma visita imaginária do filósofo francês René Descartes ao Brasil, acompanhando a comitiva de Maurício de Nassau, no período das Invasões Holandesas, descarta a construção linear de tempo, espaço e personagem, própria do realismo, e se aproxima de textos experimentais como o Finnegans Wake, de James Joyce, do Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, ou das Galáxias, de Haroldo de Campos. Como declarou o próprio Leminski “O Catatau não tem enredo. Tem apenas um contexto. No Catatau, quase nada acontece. No sentido da narrativa do século 19, claro. No plano da linguagem e do pensamento, acontece quase tudo”.
O texto inventivo de Catatau dissolve a distinção entre prosa e poesia e faz amplo uso da paródia e da sátira, incorpora neologismos, arcaísmos, palavras em línguas estrangeiras, citações eruditas e provérbios populares, sendo por isso considerado um exemplo de literatura neobarroca, gênero fundado na América Latina pelo cubano Lezama Lima, que tem como principal característica a mestiçagem de estilos.
O trabalho de Leminski como tradutor não foi menos notável. O poeta traduziu Satiricon, de Petrônio, diretamente do latim para o português; traduziu o relato Sol e Aço, de Yukio Mishima, e haicais de Bashô a partir dos textos originais japoneses; traduziu o Supermacho, de Alfred Jarry, escrito em francês, além de poemas, novelas e textos inventivos de James Joyce, Lawrence Ferlinghetti e John Lennon, escritos em inglês, entre outras obras.
Paulo Leminski deixou ainda um livro de literatura infantil, Guerra Dentro da Gente (1988); uma coletânea de ensaios, Anseios Crípticos (1986); e dezenas de parcerias musicais feitas com músicos como Caetano Veloso, Moraes Moreira, Arnaldo Antunes e Itamar Assumpção. Sua correspondência com Régis Bonvicino foi publicada no livro Envie Meu Dicionário (1998), que reúne ainda textos críticos de autores como Carlos Ávila e Boris Schnaiderman sobre o trabalho do poeta curitibano. Nos dias de hoje, Paulo Leminski é ainda um dos poetas que mais influenciam as gerações mais novas, o que só revela a extrema atualidade de sua poesia.
* Claudio Daniel, poeta, tradutor e ensaísta, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, com mestrado e doutorado em Literatura Portuguesa pela USP, além de pós-doutor em Teoria Literária pela UFMG. É colaborador do Prosa, Poesia e Arte.

sábado, 8 de junho de 2019

2ª REUNIÃO COORDENADA PELOS AGENTES DE CULTURA APROVAM CALENDÁRIO DE AÇÕES E RELATÓRIO JULHO/DEZEMBRO/2019


 
Equipe de artistas, professores e estudantes se unem em torno da cultura novacruzense
 Reunião que fechou o calendário de atividades julho a dezembro de 2019
 A reunião foi coordenada pelo Agentes de Cultura, Eduardo Vasconcelos e Teobânio Tavares 
 Eduardo Vasconcelos fala da importância da valorização dos artistas da casa e das ações que a casa deve realizar junto com outras instituições como a FJA, SEEC/RN, SINDICATOS, INSTITUIÇÕES de Ensino, Artistas locais e a sociedade.
 Eduardo e Teobânio falam da importância da integração dos artistas com a Casa de Cultura

Na tarde deste sábado (8) os Agentes de Cultura da Casa de Cultura "Lauro Arruda Câmara" - Nova Cruz/RN se reuniram mais uma vez e após 3 horas de debates fecharam a programação de julho/dezembro 2019.
JULHO - DIA 16
ANIVERSÁRIO DE 16 ANOS DA CASA DE CULTURA

- Aniversário da Casa de Cultura "Lauro Arruda Câmara" - Dia 16, durante todo o dia, com palestras, apresentações culturais, exposição de artesanato local, exposição de quadro do jovem artista novacruzense, RAFAEL(filho do popular Marcelino Confeiteiro), Forró Pé de Serra, entre outras atrações. Sujeito a alteração ou ampliação. Com palco e som ao vivo.

AGOSTO
SEMANA DO ESTUDANTE E DO FOLCLORE
De 05 a 11 de agosto

Roda de Poesia e Cordel - Palestra - Filme - Exposições de Fotos e Quadros e Festival da Canção Estudantil.

SETEMBRO

Cinema na Casa - com participação das escolas municipais, estaduais e federal (IFRN); ; Encontro de Capoeira, entre outras. Data a ser definida.

OUTUBRO

- FESTIVAL DA CANÇÃO ESTUDANTIL
- Exposição de fotos do fotógrafo, Abílio, entre outros e Filme
para as crianças com pipoca

NOVEMBRO
Semana da Consciência Negra e Áudio Visual - eventos em parceira com as escolas.

DEZEMBRO
Centenário de Nova Cruz
Exposição dos Patronos das Escolas de Nova Cruz, Filmes, entre outras atividades.

Obs. Sujeito a alteração.

Próxima semana os agentes de cultura entregarão a Fundação José Augusto Relatório da real situação da Casa de Cultura, como também a agenda julho/dezembro 2019 para análise e posteriormente apoio para realizações culturais e estruturais da casa.

Participaram da reunião, além dos Agentes de Cultura, Eduardo Vasconcelos e Teobânio Tavares, os professores (as), Francinaldo Soares, Narcíso Genuino, Lene Rosa e Maria José Portugal; as estudantes e representantes do Grêmio Estudantil do IFRN (Nova Cruz) Saniely Rodrigues Neves e Maria ELIETE da Costa, o radialista e professor, Cláudio Pereira de Lima, Fram Emídio, radialista, o cantor e compositor, Diego Ramos de Oliveira, o musico, Adalberto Luiz (Betinho) e Kézia Antero.
       

sexta-feira, 7 de junho de 2019

NECROPOLÍTICA Judiciário tem que ser reconduzido à normalidade, defende advogada

"Amarelando": STF, e Judiciário como um todo, autoriza decisões que deveriam ser barradas, segundo advogada
Integrante do coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia demonstra preocupação com o adiamento de temas importantes no STF e denuncia plano de "prisão perpétua" para o ex-presidente Lula.

Publicado por Tiago Pereira, Da RBA 
  
VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL

São Paulo – A advogada Tânia Mandarino diz que o alinhamento do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, com setores conservadores do governo Bolsonaro é “assustador” e “preocupante”. Ainda na semana passada, ele decidiu adiar a apreciação de temas importantes, como a descriminalização do porte de drogas, e adiou a retomada do julgamento que pede a criminalização da homofobia. Tudo isso ocorreu após o chefe do poder Judiciário se reunir com o presidente Jair Bolsonaro,  além dos presidentes do Senado e da Câmara, para esboçar um a assinatura de um pacto entre os Poderes em favor de “reformas estruturantes”, entre elas, a “reforma” da Previdência.

“O STF parece estar refém das forças golpistas”, diz ela, que também é integrante do coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia. Ela critica não apenas o Supremo. “É o Judiciário hoje o pior algoz do país. É de onde tem vindo as piores decisões, que autoriza as coisas mais absurdas que legalmente deveriam ser barradas“, afirmou a advogada em entrevista aos jornalistas Marilú Cabañas e Glauco Faria para o Jornal Brasil Atual nesta sexta-feira (7).

Entre as piores decisões, ela cita os casos que envolvem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tânia denuncia que há um “projeto de prisão perpetua para o ex-presidente”. Ela diz não conservar ilusões sobre a possibilidade de Lula ir para o regime semiaberto.. “Outras forças devem atuar para que isso não aconteça”, diz Mandarino.

A advogada prevê o aceleramento de outras ações, como o processo do sítio de Atibaia, onde Lula sequer foi ouvido, mais um sinal do “estado de exceção” em voga no país. Se condenado, o ex-presidente deixaria de ser réu primário, perdendo assim o direito à progressão de regime. Ela diz que não será pelas mãos do Judiciário que Lula será libertado. “O jogo perverso está só começando. Estamos num estado de necropolítica onde a morte fala muito mais do que a vida”, declara Tânia Mandarino.

Ouça a entrevista na íntegra

REGISTRADO EM: