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segunda-feira, 1 de julho de 2019

Países que permitem união homoafetiva mais que triplicaram em 10 anos

Nenhuma década teve avanço tão rápido nos direitos da população LGBTI.

Desde que lésbicas, gays, bissexuais e transexuais reagiram à violência da polícia de Nova York contra o bar Stonewall Inn e protestaram por direitos civis – movimento que completa 50 anos nesta sexta-feira 28 – nenhuma década teve avanço tão rápido nos direitos homoafetivos no mundo quanto os últimos 10 anos. Dos 54 países que permitem casamentos ou uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, 39 implementaram a mudança entre 2009 e 2019, período em que o reconhecimento das uniões homoafetivas mais do que triplicou no mundo.
A Associação Internacional de Gays, Lésbicas Bissexuais, Transgêneros e Intersexuais (Ilga) contabilizava em 2009 sete países que permitiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo (Bélgica, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Canadá e África do Sul) e oito (Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Islândia, Suíça, Reino Unido, Nova Zelândia e Colômbia), a união civil, com todos ou praticamente todos os direitos do casamento. No levantamento de 2019, divulgado em maio, já chegava a 26 o número de países que permitia o casamento civil e a 27 os que previam união civil. A lista cresceu este mês com a aprovação do casamento homoafetivo pelo Equador.
Diretor da Ilga no Brasil, Beto de Jesus lembra que o resultado dos últimos dez anos é fruto de décadas da luta LGBTI, que teve em Stonewall um de seus primeiros marcos históricos.
“Esses dez anos que a gente tem colhido foram frutos dos 40 anos plantados”, comemora ele, que se considera otimista. “É um caminho sem volta. Por mais gente violenta que a gente veja, já vemos uma geração ou duas com pessoas criadas com a diversidade e ensinadas a respeitar as diferenças”.
O avanço dos direitos homoafetivos se deu principalmente nas Américas e na Europa, continentes em que grande parte dos países já possibilita casamentos ou uniões entre pessoas do mesmo sexo. Outras regiões entraram na lista como a Austrália, Taiwan e Israel. Na África, a África do Sul continua a ser a única nação que permite uniões civis homoafetivas.
Para o diretor da Ilga, houve uma irradiação de políticas implementadas pelos países pioneiros, que foi fortalecida nos últimos dez anos com as facilidades criadas pela internet, permitindo a troca de experiências bem-sucedidas por ativistas e políticos de diversas nacionalidades. “Tem um efeito de indução. Quando você começa a perceber que é possível acontecer, pensa por que não aqui. Isso falando das democracias”, diz Beto de Jesus, lembrando que muitos dos primeiros países a aprovarem o casamento homoafetivo ou a união civil já serviam de exemplo de políticas públicas em outras áreas.
“Não posso ficar lutando para que gays só tenham acesso ao casamento, se não tiver casa, escola, saúde. A gente não quer ter só direito de beijar na boca, quer ter direito a um sistema público de saúde que me atenda, a uma escola em que meus filhos possam frequentar sem ser discriminados. A vida da gente é igual à de qualquer cidadão”.


A comparação entre os relatórios da Ilga de 2009 e 2019 mostra ainda que o número de países que permitem a adoção por casais homoafetivos saltou de 10 para 27, lista que também inclui principalmente países das Américas e Europa – com as exceções da Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e de Israel.
Entre 2009 e 2019, cresceu ainda o número de países que tipificaram crimes de ódio contra LGBTI, de 17 para 42, além de haver mais países que consideram ilegal incitar o ódio LGBTfóbico, grupo que aumentou de 17 para 39. Discriminar LGBTs no trabalho também já é ilegal em 73 países, número bem maior que os 48 que eram contabilizados em 2009.
O Brasil entrou recentemente na lista de países que criminalizam a LGBTfobia, com a decisão do Supremo Tribunal Federal, do último dia 13, que equiparou a discriminação a LGBTs ao crime de racismo. Autor da ação protocolada pelo PPS que foi a julgamento no Supremo, o advogado Paulo Iotti conta que experiências de outros países fizeram parte do processo de fundamentação da ação, que levou à decisão na corte brasileira. “Nas ações, eu cito leis de outros países, que criminalizaram a homotransfobia por intermédio da inclusão das expressões “orientação sexual” e “identidade de gênero” nas suas Leis de Crimes de Ódio. Nossa Lei Antirracismo é equivalente a elas. Citei também decisões de tribunais internacionais (Corte Europeia de Direitos Humanos e Tribunais de outros países) mantendo condenações criminais homotransfóbicas, como compatíveis com os direitos humanos”, explica.
Iotti criticou a omissão do Congresso Nacional no que diz respeito à proteção da população LGBT, o que também foi apontado pelos magistrados da Suprema Corte. “É lamentável que o Congresso Nacional ainda não tenha se dignado e reconhecer a plena humanidade, dignidade e cidadania da população LGBTI+, já que nunca aprovou uma lei protetiva de nossa comunidade”, afirma ele, que também atuou nas ações que levaram à aprovação do casamento homoafetivo e à permissão para que transexuais mudem seu nome na carteira de identidade. “O Judiciário faz parte da democracia, que não se limita a maiorias. Democracia não é ditadura da maioria, mas regime político que respeita direitos básicos de todas e todos, mesmo que minorias, direitos esses fixados na Constituição e tratados internacionais de direitos humanos”.

Pena de morte e prisão perpétua

Se em 54 países os homossexuais e bissexuais já podem ter suas relações reconhecidas legalmente, em 68 ter relacionamentos homoafetivos ainda é considerado crime. Apesar de esse número ter caído em relação a 2009, quando 80 países criminalizavam pessoas que se relacionassem com o mesmo sexo, a lista inclui nações que preveem pena de morte e prisão perpétua para homossexuais, como o Sudão, a Arábia Saudita, o Irã e Paquistão.
Beto de Jesus destaca que regimes menos democráticos, combinados com a mistura entre fundamentalismo religioso e Estado, continuam a ser os principais entraves ao avanço dos direitos LGBT na Ásia e na África.


“Tem um forte apelo pela questão da Sharia [Lei Islâmica] na maioria desses países. É uma coisa que a gente precisa levar em consideração. Quando o Estado usa do aparato da religião e se mistura a ele, fica muito mais complicado, muito mais difícil”.
Fonte: REVISTA FÓRUM

DIVERSIDADE - Com atos contra Bolsonaro, parada LGBT reúne 3 milhões em SP

Foto: Mídia Ninja

Os presentes também comemoravam a recente decisão do STF que criminaliza a homofobia e a equipara ao crime de racismo.

Jakeline de Oliveira tem 36 anos e, mesmo sendo moradora da cidade de São Paulo, essa é a primeira parada LGBT que esteve presente. O motivo que levou a fotógrafa a comparecer neste domingo, 23, à Avenida Paulista foi sua filha de 14 anos ter se assumido bissexual há dois meses.
Júlia contou para os pais que estava gostando também de meninas e que pediu o apoio deles. “Sempre é um choque, mas está sendo tranquilo para mim, quero vê-la feliz”, disse Jakeline.
 
Júlia veio com mais duas amigas, que têm a mesma idade e também se identificam como bissexuais. “O momento político que passamos me incentivou estar aqui. O nosso presidente é um desastre para a população. Estou lutando pela vida da minha filha”, afirmou a fotógrafa.
JAKELINE FOI APOIAR A FILHA JULIA, QUE SE ASSUMIU BISSEXUAL, E DUAS DE SUAS AMIGAS. CRÉDITOS: ALEXANDRE PUTTI
E não foi só Jakeline que compareceu neste domingo para protestar contra Jair Bolsonaro. Entre os 3 milhões de presentes na região central de São Paulo, diversas faixas e cartazes com dizeres contra o presidente desfilavam  juntos com os carros de som.
O tema deste ano também lembrou a luta por direitos do movimento LGBTs. A Revolta de Stonewall, ocorrida em Nova York (EUA) em junho de 1969, foi tema da 23ª parada da capital paulista.
Stonewall é uma referência ao bar nova iorquino frequentado por membros da comunidade LGBTI+ (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros), na década de 1960, que resistiram a uma batida policial, gerando uma série de manifestações pela diversidade sexual. Um ano depois ocorria a primeira Parada do Orgulho Gay, em Nova York.

Criminalização da homofobia

Nas ruas, cobertas com as cores do arco-íris, os manifestantes destacaram, também, a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que equipara a homofobia ao crime de racismo.
“Obrigado, STF”, diziam cartazes carregados por manifestantes que vestiam a bandeira do arco-íris, marca do movimento LGBT.
Alguns políticos estiveram presentes no evento. O prefeito Bruno Covas (PSDB) compareceu ao local e, em entrevista coletiva, afirmou que a cidade de São Paulo “celebra a diversidade” e que pretende ser “referência mundial em termos de direitos humanos”.
deputado federal David Miranda (PSOL/RJ), único parlamentar gay da Câmara dos Deputados, esteve presente e desfilou no carro da Uber. Junto com o congressista estava a deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL/SP) e outros deputados estaduais.
A deputada do estado de São Paulo, Erica Malunguinho (PSOL), primeira deputada trans do Brasil, estava no carro que abriu os desfiles da parada.

Lula Livre

E não foi só pela luta dos direitos LGBTs que manifestantes estiveram reunidos neste domingo. Aproveitando o momento de luta, manifestantes carregavam faixas pedindo a soltura do ex-presidente Lula, que se encontra preso em Curitiba pela operação Lava- Jato.
Foi o caso do empresário Paulo Melo. O paulistano de 42 anos não é gay, mas esteve presente na Parada para unir força ao movimento e trazer a luta do “Lula Livre” para dentro da manifestação.


“A diversidade precisa existir. Lula é o maior representante da esquerda e um ícone da libertação das minorias. Precisamos unir as lutas, as pautas, o momento exige isso, por isso estou aqui hoje”, disse Melo.
Fonte: REVISTA FÓRUM

Manifestantes em Copacabana pedem a volta de EMC e OSPB ao ensino fundamental

Carro de som bolsonarista em Copacabana (Foto: Reprodução YouTube)
Por Redação

Cerca de uma dúzia de pessoas acompanhava uma pessoa que discursava a favor da educação nos tempos da ditadura. Embora ainda não tenha feito nenhuma medida mais concreta a respeito, o retorno da disciplina EMC no currículo da rede pública foi uma das promessas de campanha de Jair Bolsonaro.

Ao ser reduzida aos grupos mais radicalizados e extremistas de apoio ao bolsonarismo e à Lava Jato, as manifestações deste domingo (30) deixaram mais visíveis algumas expressões pitorescas desse setor da sociedade que é movido pelo saudodismo com a ditadura.

Um desses grupos, em um carro de som na praia de Copacabana, realizou um discurso em que pedia a volta da “bela educação que nós tínhamos na época dos militares”, e defendeu que disciplinas como EMC (Educação Moral e Cívica) e OSPB (Organização Social e Política Brasileira) sejam recolocadas na grade curricular das escolas do ensino fundamental.

Cerca de uma dúzia de pessoas acompanhava uma pessoa que discursava a favor da educação nos tempos da ditadura, que lembrou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi quem extinguiu as duas matérias das grades curriculares – o que chama a atenção, já que finalmente não culparam o PT por algo que consideram errado.

“Para que fizeram isso? EMC é a matéria pela qual a gente aprende o bom comportamento, e OSPB é para que tenhamos organização política. Eles querem que sejamos um povo ignorante! Para eles empurrarem o que eles quiserem”, disse o orador do carro de som.

Embora ainda não tenha feito nenhuma medida mais concreta a respeito, o retorno da disciplina EMC no currículo da rede pública foi uma das promessas de campanha de Jair Bolsonaro.


Fonte: Revista Fórum

Flávio Dino responde a Moro que também viu e ouviu….

Governador do Maranhão, FLÁVIO DINO
Fonte: Revista Fórum
A resposta do governador Flávio Dino ao ministro da Justiça Sergio Moro é avassaladora...
O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), respondeu ao twitter de Sérgio Moro no qual ele escreveu “eu vejo, eu ouço”.
A resposta de Dino é avassaladora.
“Eu vejo, eu ouço. Agressões contra o Congresso Nacional e o Supremo, pedidos de “intervenção militar”, tentativas de desqualificar a liberdade de imprensa, defesa de ilegalidades absurdas e abjetas, brigas fascistas. É só uma questão de abrir bem os ouvidos para ouvir certinho.”

Eu vejo, eu ouço. Agressões contra o Congresso Nacional e o Supremo, pedidos de “intervenção militar”, tentativas de desqualificar a liberdade de imprensa, defesa de ilegalidades absurdas e abjetas, brigas fascistas. É só uma questão de abrir bem os ouvidos para ouvir certinho.
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domingo, 30 de junho de 2019

Pela cultura e pelo país, o jeito é ‘ir pra rua, tocar, cantar, fazer a nossa parte’, diz Moacyr Luz

“A gente está desperdiçando a oportunidade de crescer com educação, com cultura. Mandar filmar professores… São coisas impensáveis”, diz o compositor carioca Moacyr Luz.

Da Rede Brasil Atual - Aos 61 anos, completados em abril, Moacyr Luz conta que recentemente sentiu tristeza, uma certa depressão, pelo que acontece com o país. “A gente está desperdiçando a oportunidade de crescer com educação, com cultura. Mandar filmar professores… São coisas impensáveis”, diz o compositor carioca, que imediatamente dá a receita para resistir. “Ir pra rua, tocar cantar. É fazer a nossa parte”, afirma Moa, como é conhecido, ao lado do músicos que formam o Samba do Trabalhador, que nesta sexta-feira (28) estrearam um formato novo do programa Hora do Rango, gravado ao vivo no Sesc da Avenida Paulista, que lotou durante as duas horas de apresentação.

A nota triste durou pouco. Conversando com Oswaldo Luiz Colibri Vitta, apresentador do Hora do Rango, destaque da Rádio Brasil Atual, Moacyr brincou, tocou, cantou e contou histórias saborosas de suas parcerias. Como a que resultou na música Saudades da Guanabara,  no final dos anos 1980, uma incomum parceria entre dois letristas do primeiro time da MPB, Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro.
Estavam os três na casa de Moacyr, na Tijuca, zona norte carioca, diante de um samba cuja letra Beth Carvalho pediu para mudar. A cerveja acabou, e Aldir Blanc subiu até seu apartamento para pegar mais – ele e Moacyr moravam no mesmo prédio, no quarto e no primeiro andares. Pela narrativa, não se sabe se voltou com a bebida, mas depois de pouco tempo tinha pronta metade da música. Talvez se sentindo provocado, Paulo César fez logo a segunda parte. Lá pelas 7 da noite (“Para ela, era meio-dia”), Moacyr ligou para Beth e cantou a música toda. Trinta anos atrás, a sambista lançava LP com a canção que deu título ao álbum, Saudades da Guanabara. “Falar da Beth me emociona muito”, diz Moacyr.
A pedido de Colibri, o compositor fala sobre a origem do Samba do Trabalhador, movimento surgido há 14 anos no Clube Renascença, fundado por negros, no Andaraí, pequeno bairro da zona norte do Rio. Desde então, as apresentações são semanais, sempre às segundas-feiras. “Só se acontecer o imponderável, uma tempestade dessas de filme”, diz Moacyr. “Não foi nada programado. No primeiro dia, tinha 50 pessoas. No segundo, 200. A gente já viu coisas inacreditáveis, 2 mil pessoas la dentro e 2 mil fora.” Para o samba, ele diz que gosta da casa cheia. “Praia deserta é coisa para recém-casado”, brinca o compositor, que conta ter Ary Barroso como primeira referência musical. Coincidentemente, ambos flamenguistas.
Tem que saber tocar
O público continua chegando ao Sesc, se acomodando em cadeiras, almofadas ou em pé. Muita gente do samba paulista. Moacyr recorda seu primeiro show em São Paulo, em 1982. Lembra também de apresentações no Villaggio Café, espaço já desativado no bairro da Bela Vista (Bixiga), com Luiz Carlos da Vila, dona Ivone Lara. Shows com o grupo Café com Leite, que depois se tornaria o Quinteto em Branco e Preto.
E aproveita para apresentar seu grupo. “A maioria está comigo há 14 anos. Tem dia que eu erro o nome…”, afirma. “Quase todo dia”, brinca um deles. Estão no palco Daniel Neves (violão 7 cordas), Alexandre Marmita (cavaquinho), Nego Alvaro e Júlio de Oliveira (percussão), neto de Silas de Oliveira, compositor que morreu em uma roda de samba, em 1972. Mais adiante, eles cantarão Aquarela Brasileira, samba-enredo composto por Silas para a escola Império Serrano, no carnaval de 1964. Mas a primeira a ser tocada é A Reza do Samba, de Moacyr e Gustavo Clarão.
Pausa para falar que “no samba não tem essa coisa de corpinho”, tem que saber tocar. E nem idade: Moacyr lembra de gente que começou a aparecer depois dos 50 ou até dos 60, casos de dona Ivone Lara e Clementina de Jesus. Comenta diferenças entre sambas enredo, de raiz e de mesa, e vai para a segunda canção, Toda Hora. Os demais músicos se apresentam, contam um pouco de sua história, e já é hora de Coração do Agreste, parceria de Moacyr e Aldir Blanc.
Durante o programa, Moacyr Luz comenta sobre sambas-enredo e seu contato com o universo das escolas de samba. “É um mundo totalmente diferente. Encantador e assustador ao mesmo tempo”, diz o autor de composições para Renascer de Jacarepaguá, Grande Rio e Paraíso do Tuiuti, que se projetou com Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?, sucesso do carnaval de 2018 (“Pela luz do candeeiro/ Liberte o cativeiro social”.)
Moacyr fala também de seu trabalho como produtor, responsável por dois discos de Guilherme de Brito, famoso parceiro de Nélson Cavaquinho, e pelo único álbum de Casquinha da Portela. E conta que ele mesmo está para lançar um trabalho, já emendando com as dificuldades impostas pela nova realidade da indústria fonográfica: quem hoje em dia consome CDs e DVDs?
Uber e pirataria
O tema rende outra história: um dia, Moacyr estava saindo do mercado e fez sinal para um táxi, enquanto falava ao celular com sua mulher. O motorista achou que ele estava, na verdade, pedindo um Uber e começou a discutir, falando que aquilo tinha acabado com sua vida. Foi quando Moacyr reparou que no carro havia vários discos piratas, e foi à forra: “Sabe que eu sou compositor? Isso (pirataria) acabou com a minha vida”.  Sobre direito autoral, ele afirma: “Tem mês que eu compro um carro, tem mês que eu compro uma caixa de fósforo. Não dá pra contar”.
Depois de Pra quê pedir perdão?, Moacyr conta a história de outra música, Estranhou o quê?, que segundo ele tem duas origens. A primeira vem do projeto Batucadas Brasileiras, coordenado por Robertinho Silva, com oficinas de percussão para jovens. Lembra das dificuldades daquele meninos, sempre negros, tentando aprender um instrumento. A segunda vem de Angola, quando, em Luanda, ele observava “iate pra lá, iate pra cá”, sempre com negros a bordo. Alguém notou sua curiosidade e afirmou: “Tá estranhando o quê? Aqui quem manda somos nós”. E aí surgiu a composição: “Estranhou o quê?/ Preto pode ter o mesmo que você”.
Compor não exige recolhimento nem silêncio, explica o autor de mais de uma centena de obras. “Eu faço música com televisão ligada, empregada gritando”, diz, para emendar que o disco novo trará uma parceria com Zeca Pagodinho. “Estou apaixonadíssimo por essa música”, conta. O público pede, mas ele afirma que não pode cantar. Vida da minha Vida, parceria de Moacyr e Sereno, é um dos sucessos de Zeca. Foi composta em 2006, mas foi preciso um pouco de paciência, porque a gravação só aconteceu em 2010. Refere-se a Zeca como “o maior artista vivo do Brasil” e conta que ele escuta diariamente a Ave Maria.
Dá tempo ainda de falar sobre o seu Rio de Janeiro, “um grande reflexo do Brasil”, sofrendo com violência urbana e outras mazelas. “Não saio de lá por nada deste mundo.” Sobre o país, ele pede “respeito às diferenças”.
Alguém lembra de Beth Carvalho e Ivone Lara, cita Élton Medeiros, com problemas de saúde, e quer saber se esses e outros artistas da chamada velha-guarda conseguiram o devido reconhecimento pelo que fizeram para a música brasileira. Imediatamente, ele recorda da capa do disco Esquina Carioca, lançado em 2000. Uma fotografia com seis pessoas à mesa: Walter Alfaiate, Ivone Lara, Luiz Carlos da Silva, Beth Carvalho, João Nogueira e o próprio Moacyr. Os outros cinco já partiram. “Quando você decide fazer a samba, é por amor à música, é dedicação. Você sabe que não vai ter moleza”, afirma. “A velha-guarda sempre dá um jeito de sobreviver. Com dignidade.”
Fonte: Brasil 247

Bernardo Kucinski: Bolsonaro supera qualquer possibilidade da imaginação humana

Em entrevista à TV 247, o jornalista e escritor Bernardo Kucinski falou sobre o início do governo Bolsonaro e sobre o lançamento de seu livro ficcional que retrata o momento político brasileiro; “As distopias, em um certo sentido, são alegorias, você sabe que tudo aquilo é irreal mas é parecido com algo que é real , acaba dando mais relevo a coisas do real que a pessoa não estava percebendo”, explicou; assista.

Kucinski contou como trabalhou o texto da obra e como são feitas as alusões ao atual governo. “O livro é uma distopia, eu montei ele como duas narrativas paralelas: tem uma narrativa ficcional, que é muito louca, e tem uma narrativa na forma de notas alentadas de rodapé que vão descrevendo os éditos da Nova Ordem, são como os Atos Constitucionais. Esses éditos são referências claríssimas ao governo Bolsonaro, tem o édito que acaba com o ministério do Trabalho, tem o édito que acaba com as universidades federais, e vai por aí”.
O escritor brincou ao dizer que Bolsonaro quase acabou com a literatura por ultrapassar os limites da imaginação com suas ações como presidente. “Bolsonaro quase conseguiu matar a literatura brasileira porque é impossível um ficcionista conseguir retratar o absurdo que se instalou no Brasil com o Bolsonaro, ele supera qualquer possibilidade da imaginação humana, um guru na Virgínia que usa os palavrões mais cabeludos que você possa imaginar, os filhos dando palpites, os decretos dele, cada um mais pernicioso que o outro”.
Bernardo Kucinski avaliou que as distopias, como classifica seu livro, podem realçar pontos da realidade que o leitor ainda não havia percebido. “As distopias, em um certo sentido, são alegorias, você sabe que tudo aquilo é irreal mas tudo aquilo lembra, é parecido com algo que é real, é semelhante, acaba dando mais relevo a coisas do real que a pessoa não estava percebendo”.
O jornalista ainda disse que o atual governo não pode ser colocado como ditatorial por ser “esculhambado demais” para isso. “A gente só não pode dizer que é uma ditadura porque ele é caótico e esculhambado demais para a gente chamar de ditadura. A atitude é ditatorial, a atitude é de arrogância, de imposição, é um governo de desconstrução de anos em que a gente foi construindo participação popular, inserção popular, direitos das minorias e trabalhadores”.  


Fonte: Brasil 247

Especialista desafia Moro a entregar seu celular à PF

O professor Sérgio Amadeu sugeriu ao ex-juiz que “entregue o celular para uma auditoria independente. Você não tem credibilidade. Você claramente transformou o Judiciário em uma milícia particular”.
Da revista Fórum – A estratégia do ministro da Justiça Sérgio Moro de tentar desqualificar as matérias do The Intercept Brasil e dizer que as informações reveladas no escândalo Vaza Jato são “adulterações” não só está falhando em convencer os internautas de fora das bolhas bolsonarista e lavajatista, como também tem despertado uma demanda em comum entre os seus críticos: para que ele entregue seu celular a uma perícia independente, se quer mesmo comprovar que as mensagens estão manipuladas.


O tema foi um dos preferidos entre os brasileiros nas redes sociais neste sábado (29), e muitos dos comentários foram para questionar o discurso de Moro.
Um deles foi o do sociólogo Sérgio Amadeu, que também é professor da UFABC (Universidade Federal do ABC), pesquisador de cibercultura e membro da comunidade do software livre. Ele sugeriu ao ex-juiz que “entregue o celular para uma auditoria independente. Você não tem credibilidade. Você claramente transformou o Judiciário em uma milícia particular”.
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247
Fonte: Brasil 247

"Nossa HOMENAGEM AO DIA DO CAMINHONEIRO " - 30 DE JUNHO! DIA DO CAMINHONEIRO!

Dia do Caminhoneiro é celebrado anualmente em 30 de junho.
Esta data é uma homenagem a todos os profissionais que atravessam as longas estradas brasileiras e internacionais, transportando as mais diversas mercadorias e movimentando a economia nacional.
No Brasil, existem três datas comemorativas que homenageiam os caminhoneiros: 30 de junho25 de julho e 19 de setembro.
O 30 de junho é considerado uma data regional, pois celebra a profissão de caminhoneiro na região do estado de São Paulo. Esta data foi oficializada através da lei nº 5.487, de 30 de dezembro de 1986.
Já a nível nacional, o ex-vice-presidente do Brasil, José Alencar Gomes da Silva, decretou através da lei nº 11.927, de 17 de abril de 2009, o Dia Nacional do Caminhoneiro para ser comemorado em 19 de setembro.
Mas, a nível popular, o Dia do Caminhoneiro continua a ser celebrado em 25 de julho, data que também se comemora o Dia de São Cristóvão, padroeiro dos motoristas.

Mensagem para o Dia do Caminhoneiro

O caminhoneiro nunca está sozinho! Leva sempre consigo, guardo no lugar mais especial do coração, a sua família e amigos. Nós lhe admiramos e nos orgulhamos do seu trabalho! Mesmo passando dias nas estradas e a saudade apertando, estaremos sempre com você! Parabéns e Feliz Dia do Caminhoneiro!
Costurando o chão do país, desbravando e conhecendo lugares que não imaginaríamos que existia… Ser caminhoneiro é um grande orgulho e privilégio! Mesmo às vezes a saudade batendo forte, o amor que sente pela estrada é o alivio para os momentos de tristeza! Feliz Dia do Caminhoneiro!