Postagem em destaque

FIQUEM LIGADOS! TODOS OS SÁBADOS NA RÁDIO AGRESTE FM - NOVA CRUZ-RN - 107.5 - DAS 19 HORAS ÁS 19 E 30: PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA" - PROMOÇÃO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN

Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

quarta-feira, 11 de março de 2020

UNE lança campanha “Eu defendo a educação” com grande ato marcado para 18/3

Foto: Daline Ribeiro
Mobilizações serão nacionais e são uma resposta aos ataques do MEC ao movimento estudantil
por Cristiane Tada.
Mais de 80 diretores da UNE vindos de todo o país reunidos em São Paulo lançaram nesta quinta-feira (13/2) a campanha “Eu defendo a educação” que vai mobilizar estudantes de todo o Brasil. Eles aprovaram também uma Resolução e um calendário de lutas para os próximos meses. (veja abaixo ⇓)
O primeiro grande ato acontecerá no dia 18 de março, data do início da Jornada de Lutas da Juventude, tradicional agenda do movimento estudantil que organiza manifestações em todos os Estados da federação em defesa da educação. Este ano a empreitada é uma resposta aos ataques do MEC ao documento do estudante e ao direito da meia-entrada. O ato também vai pedir a demissão do ministro da Educação com a hashtag #ForaWeintraub
Mas ações começam já nas atividades de recepção de calouros e blocos de carnaval estudantis.  “Serão atividades em universidades públicas e privadas em diversas frentes para mostrar para o MEC o todo o governo que não vamos recuar sobre seus constantes ataques, que não aceitaremos mais retrocessos nem incompetência no setor e exigimos prioridade para o financiamento de uma educação de qualidade como nos é direito”, destacou o presidente da UNE, Iago Montalvão.
A campanha vai organizar atividades de aulas na rua, ações em que os estudantes vão levar as produções científicas universitárias para rua, além de aulas públicas que vão estender o seu conhecimento para a comunidade.
A ideia também é realizar um Ciclo de Debates nas instituições de ensino com convidados sobre os rumos da educação e nossa atuação nos próximos períodos.
Por fim, serão construídos ainda Festivais Contra Censura, ações culturais dentro das universidades com formações, mostras, vivências com artistas universitários e consagrados.
“Estamos convocando os estudantes para organizar atividades em suas universidades em apoio com os seus DCEs, CAs e DAs. É a hora da juventude mostrar sua cara e organizar a resistência as ameaças que a universidade tem enfrentado no governo Bolsonaro”, afirmou Iago.
Calendário de mobilização 

1 a 18 de março– Realização de plenárias e assembleias em todo o Brasil.
8 de março– Dia Internacional da Mulher
14 de março– 02 anos da morte de Marielle
18 de março- Jornada de Lutas
28 de março- Edson Luís
01 de abril- Dia da Anistia (descomemoracao do golpe militar)
10 a 12 de abril- Encontro das Mulheres Estudantes da UNE
25 de maio a 01 de junho – Campanha anti-imperialista.
Fonte: UNE

terça-feira, 10 de março de 2020

CASA DE CULTURA DE NOVA CRUZ/RN RECEBE CURSO DE FLORES DURANTE TODA A SEMANA!

 Dezenas de mulheres aderiram ao Curso de Flores, que o apoio cultural da Casa de Cultura de Nova Cruz/RN

Amostras do que as mulheres são capazes de fazer com suas mãos de ouro!
 Cartazes de divulgação do curso

Desde de ontem (9), que a Casa de Cultura "Lauro Arruda Câmara" - Nova Cruz/RN abriu suas portas para a sua primeira atividade em 2020, apesar de todas as dificuldades que a mesma vem enfrentando.

A Casa de Cultura em parceria com amigos da casa selou uma parceria com SULFLORESPR, na responsabilidade dos senhores Vanderlei e Ermilson.  Até ontem (9) já haviam sido inscritos dezenas de interessados em sua maioria mulheres.  Foi "cobrado" um (1) quilo de alimento era para a inscrição.

O curso é realizado pela manhã, tarde e noite... Você é quem escolhe o melhor turno para você participar.

No final do curso, que encerra-se na próxima sexta-feira (11), todas/os receberão CERTIFICADOS!

Acreditamos que ainda dá tempo de se inscreverem! Liguem: (81) 99126 7451 e fale com Ermilson!

Apoio Cultural: Casa de Cultura "Lauro Arruda Câmara" - NOVA CRUZ/RN.


Duarte Coelho de Albuquerque torna-se o 1º donatário a receber uma capitania no Brasil.

Duarte Coelho Pereira, o primeiro donatário da capitania de Pernambuco, é um vulto um tanto misterioso. Pouca coisa foi escrita sobre ele.
         De acordo com algumas fontes, teria nascido nos fins do século XV, começos da década de 1480, na Província da Miragaia, em Portugal.
         Era filho bastardo de Gonçalo Coelho, escrivão da Fazenda Real e comandante da expedição portuguesa que veio para o Brasil em 1503, descendente da antiga família dos Coelho da nobreza agrária portuguesa, e de uma plebéia Catarina Ana Duarte.
         Sem ter um lar organizado, teria sido criado por uma tia materna que era prioresa do Mosteiro de Vila Nova de Gaia.
         Alistou-se na Marinha portuguesa e, com a Armada de Dom Fernando Coutinho, em 1509, viajou pelo Oriente durante vinte anos. Depois de atuar na África e nas ilhas do oceano Atlântico, trocou a vida de soldado pela de povoador e administrador de terras.
         Quando tinha quase sessenta anos, recebeu do rei Dom João III a capitania de Pernambuco, através de carta de doação, datada de 10 de março de 1534 e subscrita em Évora, Portugal.
         Poderia ter ficado na sua terra e tentado administrar a capitania a distância, mas preferiu mudar-se para o Brasil e administrá-la pessoalmente, enfrentando todas as dificuldades existentes na nova colônia portuguesa.
         Chegou ao Brasil no dia 9 de março de 1535, acompanhado de sua mulher, Brites de Albuquerque, do seu cunhado Jerônimo de Albuquerque, e de algumas famílias do norte de Portugal. Trouxe também vários judeus para a montagem de engenhos de açúcar e feitores com experiência nas plantações de cana-de-açúcar na ilha da Madeira e em São Tomé, uma vez que Pernambuco, com clima quente e temperado, sem grandes variações de temperatura e chuvas regulares, era um lugar propício para a cultura da cana.
         Duarte Coelho Pereira, ao chegar em Pernambuco, entrou pela barra da ilha de Itamaracá e desembarcou no rio Igarassu, numa antiga feitoria denominada dos “Marcos”.
         Com o tempo verificou que o local não era apropriado para ser a sede do governo. O lugar apesar de ser abrigado dos efeitos das marés altas não era seguro, pois ele poderia ser facilmente aprisionado se ocorresse um cerco, desde o mar, apenas fechando as entradas Norte e Sul, nos dois extremos da ilha de Itamaracá. Mudou-se então para o sul e estabeleceu a sede do governo na área onde hoje se encontra a cidade de Olinda, possivelmente pouco antes do dia  12 de março de 1537, considerando a data da Carta de Doaçãoconhecida como Foral de Olinda.
         O território da Capitania de Pernambuco, denominada de Nova Lusitânia por Duarte Coelho, abrangia todo o atual estado de Alagoas, indo até o rio São Francisco, na fronteira com o atual estado de Minas Gerais. Era a capitania que tinha a maior área territorial entre todas as que foram doadas pelo rei Dom João III.
         Duarte Coelho expandiu bastante a cultura canavieira na sua capitania, empregando muito dinheiro e trabalho, chegando a exportar depois de pouco tempo açúcar para Portugal.
         Foi um grande administrador e o organizador da economia patriarcal, baseado no açúcar e no negro. Incentivava o povo a plantar cana concedendo isenção de taxas para a montagem dos engenhos e de direitos de exportação do açúcar.
         No início, a sua convivência com os índios foi pacífica, mas depois teve que enfrentar problemas com os nativos. Conseguiu pacificá-los, no entanto, com habilidade e auxiliado por seu amigo, Vasco Fernandes de Lucena e sua mulher índia.
         Não permitia a fixação de degredados nas suas terras, o que lhe rendeu grandes inimizades.
         Desenvolveu o comércio, implantou estaleiros onde eram construídas caravelas e embarcações para transporte de mercadorias e policiamento das costas da capitania, expulsando navios franceses que vinham fazer o contrabando do pau-brasil.
         Seus inimigos criaram muitas intrigas, fazendo com que o rei, quando Duarte Coelho voltou a Portugal, o recebesse de maneira muito fria, apesar de todo o seu empenho e da antiga consideração que o monarca lhe dispensava.
         Essa injustiça abalou-o, profundamente. Sendo um homem de idade, sua saúde  foi muito afetada pelo desgosto, o que ocasionou a sua morte, provavelmente no dia 7 de agosto de 1554, de acordo com o historiador Pereira da Costa.
Portal BRASIL CULTURA

Cultura livre, já!

Dezesseis artistas e intelectuais divulgaram  um videomanifesto em defesa da cultura, da liberdade e da democracia.
O documento é lido por Julia Lemmetz, Juca Kfouri, Debora Bloch, Arnaldo Antunes, Zélia Duncan, Marco Ricca, Armando Babaiof, Roberto Estrela Dalva, Chico Buarque, Malu Mader, Simone Spoladore, Chico César, Dira Paes, Marcos Breda, Barbara Paz, Zeca Baleiro, Fernando Morais, Paulo Betti e Lili Schwarcz.
A manifestação é uma iniciativa da Apaci – Associação Paulista de Cineastas, ABRA, Associação Brasileira de Roteiristas, APAN – Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro, Cooperativa Paulista de Teatro e SATED – Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de São Paulo.


Fonte: Portal BRASIL CULTURA

Bezerra da Silva dia 9 de março de 1927

José Bezerra da Silva (Recife, Pernambuco, 1927 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2005). Cantor, ritmista, compositor. Criança, canta coco e toca zabumba em Recife e aprende a tocar trompete. Pressionado para aprender um ofício, ingressa na escola da Marinha Mercante, de onde é expulso depois de dois anos. Entre 1942 e 1945, muda-se para o Rio de Janeiro, onde trabalha como pintor de paredes. Residindo no Morro do Cantagalo, toca tamborim em pagodes e entrosa-se com músicos de samba. Em 1950, o compositor Doca leva-o para tocar na Rádio Clube do Brasil, atividade que alterna com o trabalho na construção civil.
Sem encontrar ocupação, vive por sete anos como mendigo nas ruas do Rio. Readquire endereço fixo em 1961, quando passa a viver na favela do Parque Proletário da Gávea, voltando a trabalhar no rádio e na construção civil. Também atua como ritmista em discos de sambistas, como Clementina de Jesus (1902-1987) e Roberto Ribeiro (1940-1996), e começa a compor. Na voz de Marlene (1922-2014), “Nunca Mais” [parceria com Norival Reis (1924-2001)] ganha o concurso de carnaval da Rádio Nacional em 1965. Passa a cantar em rádios e lança seu primeiro compacto em 1969. Em 1970, grava seu primeiro LP, Bezerra da Silva: o Rei do Coco, volume 1, lançado em 1973, seguido pelo volume 2 (1976).
Em 1977, integra, como percussionista, a orquestra da Rede Globo, o que lhe permite abandonar o trabalho de pintor. No mesmo ano, lança, em parceria com Genaro, seu primeiro disco de samba, Genaro e Bezerra da Silva Partido Alto Nota 10, que alavanca a carreira de intérprete. Grava Bezerra da Silva Partido Alto Nota 10 – volume 2 (1979), que traz seu primeiro sucesso [“Pega eu” – Criolo Doido (1940)], e Bezerra da Silva Partido Alto Nota 10 – volume 3 (1980).
Entre 1981 e 1993, grava um álbum por ano pela RCA, que lhe rendem 11 discos de ouro, três de platina e um de platina dupla¹. Nessa época, firma-se como intérprete de compositores desconhecidos, autores de seus principais sucessos, como “Malandragem Dá um Tempo” (Popular P, Adelzonilton e Moacir Bombeiro), “Sequestraram Minha Sogra”(Rode do Jacarezinho, Sarabanda e Barbeirinho do Jacarezinho) e “Overdose de Cocada” (Dinho e Ivan Mendonça).
Em 1995, com Moreira da Silva (1902-2000) e Dicró (1946-2012), lança Os Três Malandros in Concert. Na última década de vida, lança mais dez álbuns por diferentes gravadoras, um deles ao vivo, e o último, independente, com repertório gospel, Caminho de Luz (2004).

Análise

Bezerra da Silva é um dos últimos representantes da linhagem de “sambistas malandros”, escolado na síncopa do coco nordestino. Alia a tradição do partido alto, originada no início do século XX nos redutos baianos do Rio de Janeiro, a um filão mercadológico inaugurado por ele e seu parceiro Dicró, o chamado sambandido. Compostos por gente simples do morro, os sambas que interpreta são crônicas da vida nas favelas cariocas, tratando da criminalidade, da violência e da vida precária de seus moradores com linguagem irreverente e coloquial. São frequentes as referências às drogas, como em “A Semente” (Walmir da Purificação, Tião Miranda, Roxinho e Felipão); à delação, tema de “Defunto Caguete” (Adelzonilton, Franco Teixeira, Ubirajara Lúcio); ou aos políticos, satirizados em “Candidato Caô Caô”, (Walter Meninão, Pedro Butina). Por conta dessa temática, enfrenta problemas com as autoridades, para quem letras como “Malandragem Dá um Tempo” (“Vou apertar/ Mas não vou acender agora”) incentivam o consumo de maconha. Longe de fazer apologia às drogas ou ao crime, as letras evidenciam estratégias de sobrevivência dos excluídos numa sociedade injusta e racista, denunciada em letras como “Preconceito de Cor”:
A lei só é implacável pra nós favelados
E protege o golpista
Ele tinha que ser o primeiro da lista
Se liga nessa doutor.

Sua trajetória é marcada pelo estigma da marginalidade. É preso várias vezes “para averiguação”, despejado nos anos 1970 de seu barraco na Vila Proletária da Gávea pela polícia, que o transfere para Cascadura, e salvo duas vezes pela religião. A primeira, quando sai das ruas após frequentar, por quatro anos, um terreiro de umbanda; a segunda, nos últimos anos de vida, quando se torna evangélico. Suas experiências identificam-se com os sambas que interpreta. Estes atualizam a figura do malandro, visto não de forma romantizada, como no samba dos anos 1930 e 1940, mas adequado à realidade das grandes cidades brasileiras que se tornam mais violentas a partir dos anos 1970. Ao contrário da visão cultivada pelas elites, que desprezam suas músicas, o malandro cantado por Bezerra da Silva é aquele que sobrevive à guerra social dos morros sem se tornar bandido.
Embora aproxime-se da chamada “velha guarda” do samba, Bezerra da Silva não compartilha da estética “de raiz”, que defende a pureza e a autenticidade do gênero pela retomada de sucessos do passado. Tampouco se aproxima do pagode dos anos 1980, promovido por músicos como Almir Guineto (1946), Jorge Aragão (1949) ou Zeca Pagodinho (1959), que retomam a tradição do partido-alto. O sambandido, apesar das muitas semelhanças musicais (o canto falado, a ênfase nos instrumentos de percussão, o uso de melodias-clichês) distingue-se pela temática marginal e a relação (de liderança) estabelecida pelo intérprete com os compositores.
Lançando seus discos em sistemas de som comunitários das favelas, portas de lojas, shows populares e programas de rádio AM, obtém sucesso à revelia da indústria fonográfica. Com esta, mantém uma relação de desconfiança, acusando as gravadoras de maquiar os números da venda de discos. Consumidos nos subúrbios e favelas cariocas, seus sambas são apropriados e ressignificados pela classe média em meados dos anos 1990, quando dois de seus maiores sucessos são regravados pelos grupos de rock O Rappa (“Candidato Caô Caô”) e Barão Vermelho (“Malandragem Dá um Tempo”). O rapper Marcelo D2 (1967), que o homenageia em 2003 no rap “CB Sangue Bom” (“Como diz o meu parceiro Bezerra da Silva/ Eu não preciso fazer a cabeça/ Eu já nasci com ela”), grava, em 2010, um álbum tributo ao sambista (Marcelo D2 canta Bezerra da Silva, ressaltando a crítica social presente em seu repertório. Nos últimos álbuns, Bezerra da Silva aproxima-se de São Paulo, gravando sambas sobre a realidade das periferias paulistas, como “Zona Leste Somos Nós” (Marco Antônio) e “Os DPs de São Paulo” (Capri e Silvio Modesto).

Nota

1 Discos de Ouro, Platina e Diamante são certificações de vendas de discos emitidas pela Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), criada em abril de 1958. Reúne, entre seus associados, as empresas de produção musical fonográfica em operação no País. Até 2004, os certificados são definidos da seguinte forma: Disco de Ouro (equivalente a 100.000 unidades vendidas); Disco de Platina (250.000); Platina Duplo (500.000); Platina Triplo (750.000) e Diamante (1.000.000).


domingo, 8 de março de 2020

Conheça Clara Zetkin, a feminista antifascista que impulsionou o Dia Internacional da Mulher

Clara Zetkin
Diferente de outras datas comemorativas criadas pelo comércio, o Dia Internacional da Mulher foi criado por uma socialista alemã fervorosa: Clara Zetkin, autora do livro Como nasce e morre o fascismo, que a editora Autonomia Literária tem a honra de trazer ao Brasil este ano.
No inicio do século 20, o incipiente movimento feminista começa a se organizar no interior das fábricas na Europa e nos EUA visando deflagrar uma campanha dentro do movimento socialista para reivindicar melhores condições de trabalho — que eram ainda piores que a dos homens proletarizados, chegando a ter jornadas de 16h por dia, seis dias por semana. 
Enquanto crescia o movimento no interior das fábricas, a marxista Clara Zektin propôs, em agosto de 1910, na Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, a criação de uma jornada de manifestações anualmente, a fim de paralisar as fábricas para chamar a atenção da sociedade às demandas feministas. A conferência, realizada em Copenhague, Dinamarca, reuniu mais de 100 mulheres de 17 países que pertenciam a sindicatos, partidos socialistas, associações de trabalhadoras e as 3 primeiras mulheres eleitas no parlamento da Finlândia. A proposta de Zetkin foi aprovada e assim se celebrou pela primeira vez na Áustria, Dinamarca, Suíça e Alemanha o Dia Internacional da Mulher.

Quem foi Clara Zetkin?

Socialista, marxista e feminista, Clara Zetkin nasceu em Königshain-Wiederau, Alemanha, em 5 de julho de 1857. Estudou direito e começou a ter contato com movimentos operários alemães em 1874. Quatro anos depois, inicia sua militância no Partido dos Trabalhadores Socialistas (SAP), que se converte no Partido Social-democráta Alemão (SPD) em 1890. Zetkin torna-se uma das principais referência dentro da organização.
Em 1882, Zetkin se exila na Suíça e França por causa da proibição do governo Bismack em manter os movimentos comunistas na legalidade. Em Paris, é uma das criadoras da Internacional Socialista e começa a editar livros na clandestinidade. Sua principal luta foi pelo sufrágio feminino, revindicado por uma ótica marxista de classe, e a denuncia certeira sobre os perigos que a ascensão do fascismo traria à humanidade.
Principais passagens em vida foram:
  • 1891: Com sua amiga íntima de Rosa Luxemburgo, assassinada em Berlin em 1919, editou entre 1891 e 1917 o jornal “Die Gleichheit” (A Igualdade), uma revista bimensal para mulheres operárias.
  • 1907: Naquele ano, 10.500 mulheres formavam parte do SPD e criaram a primeira Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Stuttgart, Alemanha, onde fundaram a Internacional Socialista das Mulheres, cuja Zetkin se tornou a Secretária Internacional.
  • 1916: Durante a Primeira Guerra Mundial, foi abertamente antibelicista e presa diversas vezes por ser contrária a guerra. Essa posição a leva romper com o SPD e no mesmo ano se torna uma das fundadoras do Partido Socialdemocrata Independente Alemão (USPD).
  • 1919: Participa da Revolução Alemã e se une ao Partido Comunista Alemão (KPD).
  • 1920: Entrevista Lenin e publica seu famoso artigo “Lenin sobre a questão feminina”. Zetkin se torna esse ano deputada do KPD no Congresso da República de Weimar.
  • Entre 1921 e 1933 ocupa diferentes postos dentro da esquerda alemã, tanto nos órgãos do partido como no Comitê Internacional Socialista.
  • 1933: Diante da chegada dos nazistas ao poder se exila na União Soviética.
Clara Zetkin morre aos 76 anos em Moscou, capital russa, em 20 de junho de 1933. Em sua vida pessoal, teve filhos com o revolucionários russo Ossip Zetkin, que faleceu em 1889. Posteriormente, se casou com o pintor alemão Georg Friedrich Zundel, 18 anos mais jovem que ela, até o divorcio que aconteceu em 1927.

10 características do fascismo

Em 1923, ao observar a conjuntura internacional e a ascensão do fascista Benito Mussolini na Itália, Clara Zetkin elabora uma das primeiras — e mais profundas — análises sobre o fascismo:
1 – O surgimento do fascismo está intrinsecamente atado à crise do capitalismo e ao declínio de suas instituições. Esta crise é caracterizada por uma escalada de ataques à classe trabalhadora, enquanto as camadas sociais intermediárias são espremidas e rebaixadas ao proletariado:
“As raízes do fascismo estão, de fato, na dissolução da economia capitalista e do Estado burguês… A guerra destruiu a economia capitalista a partir de suas bases. Isso é evidente não apenas pelo empobrecimento assustador do proletariado, como também pela proletarização de amplas massas pequeno e médio burguesas”.
2 – A ascensão do fascismo é baseada na incapacidade do proletariado resolver a crise social capitalista pela tomada do poder para reorganização da sociedade. Esta incapacidade da liderança da classe trabalhadora gera desmoralização entre os trabalhadores e das forças sociais que vislumbravam o proletariado e o socialismo como uma solução para a crise.
Essas forças sociais, indica Zetkin, acreditavam que “o socialismo pudesse acarretar uma transformação completa. Essas expectativas foram dolorosamente destroçadas… Perderam sua fé não apenas nos líderes reformistas, como no próprio socialismo”.
3 – O fascismo possui um caráter de massas, com apelo especial às camadas pequeno-burguesas ameaçadas pelo declínio da ordem capitalista.
O declínio capitalista resulta na “proletarização de amplas massas pequeno e médio burguesas, na situação de calamidade entre os pequenos camponeses e na aflição melancólica da ‘intelligentsia’. (…) O que pesa acima de tudo sobre eles é a falta de segurança para sua subsistência básica”.
4 – Para conquistar o apoio dessas camadas, o fascismo faz uso de demagogia anticapitalista:
“As massas aos milhares se juntaram ao fascismo. Ele se transformou em um asilo para todos os desabrigados políticos, os socialmente desenraizados, os destituídos e desiludidos… A pequena-burguesia e as forças sociais intermediárias inicialmente vacilam entre os poderosos campos históricos do proletariado e da burguesia. São levadas a simpatizar com o proletariado por conta das dificuldades em suas vidas e, em parte, pelos desejos nobres e ideais elevados em seus espíritos, na medida em que este aja de forma revolucionária e apresente perspectivas de vitória. Sob a pressão das massas e de suas necessidades, e influenciados por essa situação, até mesmo os líderes fascistas são forçados a, minimamente, flertar com o proletariado revolucionário, ainda que não possuam por ele qualquer simpatia”.
5 – A ideologia fascista eleva a nação e o Estado acima de todos os interesses e contradições de classes:
“O que as massas não esperavam mais da classe proletária revolucionária e do socialismo, agora esperam que seja atingido pelos elementos mais capazes, fortes, determinados e impetuosos de todas as classes sociais. Todas essas forças deveriam unir-se em uma comunidade. E essa comunidade, para os fascistas, é a nação… O instrumento para atingir os ideais fascistas é, para eles, o Estado. Um Estado forte e autoritário que será sua própria criação e ferramenta obediente. Este Estado estará suspenso acima de todas as diferenças de classe e partido”.
6 – A ideologia do nacionalismo chauvinista é utilizada pelos líderes fascistas como cobertura para incitar o militarismo e a guerra imperialista:
“As forças armadas da Itália fascista eram apenas para defender a pátria. Esta era a promessa. Mas o aumento do exército e a aquisição de armamentos estão dirigidos a grandes aventuras imperialistas… Centenas de milhões de liras foram aprovadas para a indústria pesada construir as mais modernas maquinas e impiedosos instrumentos de morte”.
7 – Uma característica fundamental do fascismo é o uso da violência organizada levada à frente por tropas de choque contrárias à classe trabalhadora, com o fim de esmagar toda atividade proletária independente.
Na Itália, as forças de Mussolini ocuparam-se do “terror direto, sanguinário”, indica Zetkin. Partindo de áreas do interior, os fascistas “atacaram os trabalhadores rurais, de quem as organizações foram devastadas e incineradas, enquanto seus líderes eram assassinados”. Mais tarde “o terror fascista estendeu-se ao proletariado das grandes cidades”.
8 – A ideologia do racismo e o bode expiatório racista é central na mensagem do fascismo. Mesmo que esse aspecto ainda não estivesse inteiramente nítido em 1923, Zetkin lembra como na Alemanha “o programa fascista é esgotado pela frase: ‘porrada nos judeus’.”
9 – A certa altura, setores importantes da classe capitalista passaram a apoiar e financiar o movimento fascista, encarando isso como uma maneira de conter a ameaça da revolução proletária: 
“A burguesia não pode mais confiar nos meios de força regulares de seu Estado para garantir sua dominação de classe. Para tal, ela precisa de um instrumento de força extralegal e paramilitar. Isto lhe foi oferecido pelo aglomerado heterogêneo que constitui a turba fascista. Os capitalistas patrocinam abertamente o terrorismo fascista, apoiando-o com dinheiro e de outras maneiras”.
10 – Uma vez no poder o fascismo tende a se burocratizar e distanciar dos apelos demagógicos de antes, levando a um ressurgimento das contradições e conflitos de classes:
“Existe uma contradição flagrante entre o que o fascismo prometeu e aquilo que entregou às massas. Toda conversa sobre como o Estado fascista colocará o interesse da nação acima de tudo, uma vez exposta aos ventos da realidade, estoura como uma bolha de sabão. A ‘nação’ revelou ser a burguesia; o ideal fascista de Estado revelou-se como o vulgar e inescrupuloso Estado burguês… As contradições de classe são mais poderosas do que todas as ideologias que negam a sua existência”.
***
A análise completa sobre a natureza do fascismo e como é possível derrotá-lo, estará livro Como nasce e morre o fascismo.
Fonte: Revista Fórum

8 de março Dia da Mulher

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.
A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.
Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).
Objetivo da Data
Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.
Conquistas das Mulheres Brasileiras
Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.
Marcos das Conquistas das Mulheres na História
1788 – o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.
1840 – Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.
1859 – surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.
1862 – durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.
1865 – na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.
1866 – No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas
1869 – é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres
1870 – Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.
1874 – criada no Japão a primeira escola normal para moças
1878 – criada na Rússia uma Universidade Feminina
1901 – o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres
Fonte: Portal BRASIL CULTURA

sábado, 7 de março de 2020

Cabeleireiro preso injustamente é inocentado por falta de provas

PM acusa Lucas de roubar moto, mas provas apontam que ele estava em casa na hora. Liberdade provisoria foi concedida, mas a prisão ainda não liberou
Silva ficou preso por mais de um mês após ter sido acusado de roubo por PMs.
Depois de passar quatro meses sendo acusado injustamente de roubo, Lucas Bispo da Silva, de 19 anos, foi julgado inocente por falta de provas. Ele passou mais de um mês, na virada do ano, no Centro de Detenção Provisória 2 (CDPII) de Guarulhos. Silva conseguiu liberdade provisória em janeiro, mas ainda respondia pelo crime.
No último dia 5 de março, o juiz Rodrigo César Müller Valente, da 2ª Vara Criminal de São Paulo, decidiu arquivar o processo em decisão na qual  julgou “improcedente a ação penal”. Para ele, que acompanhou a recomendação do Ministério Público, faltaram provas para considerar Silva culpado. Na decisão afirma: “conclui-se que os policiais não confirmaram a narrativa inicial do flagrante, pelo contrário, ensejaram fundadas dúvidas sobre as circunstâncias da apreensão da motocicleta roubada e posterior abordagem do réu em seu local de trabalho”.
Silva não entende o motivo do erro. “Até hoje fico me perguntando: por quê comigo? Eu sempre acordei cedo e trabalho desde os 13 anos. Talvez eu seja parecido com o autor do roubo… Não sei… Mas sei que isso me prejudicou demais. Passei natal e ano novo longe da minha família e fique sem poder trabalhar na melhor época do ano, quando faço mais dinheiro. Só que agora vou atrás dos meus direitos!”
Na decisão, o juiz ainda aponta que o reconhecimento da vítima teve problemas. “Tem-se tão-somente o reconhecimento pessoal procedido na lavratura do flagrante, não confirmado sob o contraditório. A vítima inquirida por carta precatória não confirmou o reconhecimento do suspeito”.

Relembre o caso

Na manhã do dia 13 de dezembro de 2019 Silva foi para o salão onde trabalhava, como era sua rotina. Mais tarde naquele dia os policiais Marcos Fernando e Adriano de Oliveira Silva foram até o salão e pediram para que o jovem os acompanhasse até a 95º Delegacia de Polícia (D.P.) em Heliópolis. Silva, informado que só esclareceria alguma questão relativa a um roubo na região, concordou em ir.
Um colega de Silva, que presenciou a abordagem dos PMs no salão, contou em uma carta como se deu a cena.
“CONFORME NOSSA ROTINA, ESTÁVAMOS EXERCENDO NOSSA FUNÇÃO COMO BARBEIROS EM NOSSO LOCAL DE TRABALHO. DOIS POLICIAIS PASSARAM EM FRENTE À BARBEARIA, DENTRO DE UMA VIATURA, QUANDO O POLICIAL DESCEU ARMADO NOS INTIMIDANDO. LOGO APÓS, O MESMO POLICIAL INTIMOU O LUCAS. DEPOIS ME CHAMARAM PEDINDO MEU RG, E O MESMO QUE INTIMOU PEDIU FOTOS NOSSAS. ELES NOS INTERROGARAM SOBRE UMA MOTO ROUBADA, PRINCIPALMENTE O LUCAS, COMO SE ELE FOSSE O CULPADO SENDO QUE ELE NÃO SABE PILOTAR NENHUM TIPO DE MOTO. DEPOIS DISSO O LUCAS RETORNOU PARA DENTRO DA BARBEARIA PARA TERMINAR O CORTE DE SEU CLIENTE E, ASSIM QUE ACABOU, FOI PARA FORA COM OS POLICIAIS. ELES CHAMARAM O LUCAS PARA ACOMPANHAR ATÉ A DELEGACIA. LUCAS ENTROU NA BARBEARIA, PEGOU SUA CAMISETA E PERGUNTAMOS: ‘VAI PARA ONDE?’ ELE RESPONDEU: ‘VOU ALI NA DELEGACIA PROVAR QUE SOU INOCENTE E JÁ VOLTO’”.
A versão dos PMS, no Boletim de Ocorrência (B.O.), é que após saberem de um roubo de moto que, segundo o testemunho da vítima, ocorreu por volta das 07:20h daquela manhã, na da Av. Comandante Taylor, passaram a patrulhar a região e encontraram “com o indiciado de prenome Lucas, aquele que estava na garupa, de bermuda e moletom”. E disso se seguiu a prisão de Lucas.
A vítima apresentou outra versão. “Quando estava retornando para sua casa, foi informado que sua moto fora recuperada. Os policiais foram buscá-lo onde se encontrava, e, de viatura, foi levado ao local onde estava sua moto. A seguir, no percurso para esta delegacia, em local próximo aonde estava sua motocicleta, viu o autor do roubo, que tinha um sinal no rosto e que conduziu sua moto, encostado em uma parede. Informou os policiais sobre isso e o indivíduo foi trazido a esta delegacia. Aqui chegando, em sala preparada, reconheceu o indivíduo”.
Já na época a família apresentou a versão de Silva, apoiada pelos testemunhos do colega e provas matérias do que ocorreu naquele dia. Na versão da família, Silva estava em casa enquanto acontecia o roubo. De casa foi para o trabalho e de lá foi levado pelos dois policiais.
As provas juntadas para confirmar a versão de Silva, além do depoimento do colega que viu a abordagem, foi o depoimento do porteiro do prédio onde mora, no qual afirma que o jovem só teria saído de casa por volta das 10:00h. Imagens das câmeras do circuito interno do prédio, que comprovam a versão do porteiro, foram apresentadas. Conseguiram também o testemunho da dona do salão onde Silva trabalha, que também confirma a versão. “Eu estava voltando da escola onde meu filho estuda, passando em frente ao salão, onde também resido, e avistei dois policiais abordando Lucas e G.. Ouvi Lucas perguntar se poderia terminar de cortar o cabelo, então entrei em casa para fazer serviços domésticos… Assim que minha mãe chegou em casa, ela me informou que Lucas teria sido encaminhado para a 95° DP”.

Outro Lado

Questionada a Secretaria de Segurança Pública do Estado respondeu:
O autor foi preso em flagrante e o caso registrado pelo 95º DP. Na época dos fatos, a vítima reconheceu o suspeito sem sombras de dúvidas. Ele teve todas as garantias constitucionais concedidas. O inquérito policial foi concluído e relatado à Justiça
Fonte: JORNALISTAS LIVRES

5 belas postagens que você deveria ver neste Dia da Mulher

A Mulher potiguar é forteinteligentelutadora, e já promoveu verdadeiras revoluções na história Aqui estão 4 artigos que são a melhor maneira de você comemorar este 8 de Março, Dia Internacional da Mulher!
Parabéns a todas as mulheres que nos leem. E se você gostou veja também: 12 postagens maravilhosas sobre fotos do Rio Grande do Norte.

Fonte: curiozzo

Dia de luta: por que não se deve dar parabéns ou presentes às mulheres no 8 de Março?

Pamela Oliveira, do Brasil de Fato - Presentes e parabéns passaram a compor as referências ao Dia Internacional da Mulher cada vez com mais força nas duas últimas décadas. Uma das razões é o uso da efeméride pela publicidade e o mercado, que começaram a tratar o 8 de março como data comemorativa tal qual o Dia das Mães, com a finalidade de venda de produtos direcionados ao público feminino.

Entretanto, as origens deste dia remontam a mais de cem anos, quando mulheres socialistas – entre as quais estavam Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo e Alexandra Kollontai –, durante a Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, definem a realização de um dia internacional de luta que fosse inteiramente dedicado às reivindicações das mulheres.

Pelo calendário juliano utilizado no czarismo russo até sua dissolução, a data escolhida foi 23 de fevereiro, que no calendário gregoriano equivale ao dia 8 de março. A data foi oficializada em 1918, com o triunfo da Revolução Russa. Desde então, se espalhou pelo mundo, tornando-se um dia-símbolo para as reivindicações pelo direito ao voto na primeira metade do século XX e pelos direitos reprodutivos na segunda metade do século. 
Apesar das conquistas, o Dia Internacional da Mulher segue como uma data para a realização de manifestações e lutas feministas. Em 2016, as hashtags #nãoqueremosflores e #nãoqueremosparabéns chegaram a alcançar os Trending Topics do Twitter BR como um manifesto na web em defesa das origens revolucionárias do 8 de março.
Neste ano, o Brasil de Fato preparou um vídeo especial para explicar quais desigualdades ainda persistem e porque as mulheres do Brasil e do mundo, do campo, das florestas e das cidades se organizam em todo o mundo para defender o Dia Internacional de Luta das Mulheres como um símbolo da revolução feminista. Confira!