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sábado, 26 de setembro de 2020

Volks faz acordo de R$ 36 milhões para indenizar vítimas da ditadura - Por Portal BRASIL CULTURA

 A Volkswagen do Brasil vai destinar R$ 36,3 milhões aos trabalhadores que na época do regime militar (1964-1985) foram presos, perseguidos ou torturados. Ela torna-se a primeira empresa a anunciar uma reparação judicial por ter participado da repressão ao movimento operário durante a ditadura brasileira.

A informação foi divulgada pela imprensa alemã nesta quarta-feira (23). Segundo o jornal Süddeutsche Zeitung e as emissoras estatais NDR e SWR, o acordo de compensação será assinado pela companhia nesta quinta-feira em São Paulo. No Brasil, a decisão foi anunciada em nota pública conjunta do Ministério Público Federal em São Paulo, do MPE-SP e do MPT. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi firmado entre as três instituições e a montadora alemã.

O acordo vai encerrar três inquéritos civis que tramitam desde 2015 para investigar o assunto. Ao longo das apurações, os MPs identificaram a colaboração da Volks com o aparato repressivo do governo militar a partir de milhares de documentos reunidos, informações de testemunhas e relatórios de pesquisadores.

Em 2014, o relatório final da Comissão Nacional da Verdade enumerou 53 empresas, de diversos portes, que contribuíram com o golpe de 1964 e o período de ditadura militar. Algumas delas são Johnson & Johnson, Esso, Pirelli, Texaco, Pfizer e Souza Cruz.

Relatório alemão

Em 2017, um relatório de 406 páginas, contratado pela própria empresa, e feito pelo historiador alemão Christopher Kopper, apontou que a filial brasileira da VW espionou funcionários com interesse de descobrir opiniões políticas e documentou essa ação por escrito. A documentação era periodicamente compartilhada com o Departamento de Ordem Política e Social, o Dops.

O documento não abordou quão profundo seria o conhecimento da sede da montadora, em Wolfsburg, na Alemanha, sobre as atividades da filial brasileira. Porém, uma análise extensa de documentações, realizada por Kopper, sugeriu que a sede tomou conhecimento desses atos o mais tardar em 1979.

O historiador da Universidade de Bielefeld, afirmou que o acordo desta quinta-feira será histórico. “Será a primeira vez que uma companhia alemã aceita sua responsabilidade por violações de direitos humanos contra seus próprios funcionários por eventos que ocorreram após o fim do nacional-socialismo”, disse o especialista aos veículos alemães.

Em sua reportagem, o Süddeutsche Zeitung aponta que a decisão é “um sinal importante, justamente porque o presidente ‘populista de direita’, Jair Bolsonaro, já glorificou a ditadura militar da época”. “Para os trabalhadores da fábrica, significa uma justiça pela qual eles tiveram que esperar por décadas”, completou o jornal.

Em nota, a Volkswagen afirma que lamenta as violações ocorridas no passado. “Para a Volkswagen AG, é importante lidar com responsabilidade com esse capítulo negativo da história do Brasil e promover a transparência”, escreveu Hiltrud Werner, membro do Conselho de Administração da Volkswagen para assuntos jurídicos.

A montadora afirmou que, com o acordo, quer “promover o esclarecimento da verdade sobre as violações dos direitos humanos naquela época”, e que foi “a primeira empresa estrangeira a enfrentar seu passado de forma transparente” durante a ditadura.

Relatório brasileiro

“A Volks teve um papel ativo. A montadora não foi obrigada a isso. Eles fizeram parte porque queriam”, escreveu Guaracy Mingardi, perito que assinou o documento do MPF, em 2017. O documento revelou ainda que o departamento de segurança da montadora permitiu a prisão de funcionários dentro de suas fábricas, mesmo sem mandados.

O inquérito apurou que seis trabalhadores foram presos e, ao menos um, foi torturado na fábrica no ABC paulista. É o caso do metalúrgico Lúcio Bellentani, morto no ano passado, aos 74 anos, responsável pelo relato impressionante de sua prisão no dia 28 de julho de 1972 dentro da própria fábrica. Agentes do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) o levaram para uma sala reservada e o agrediram com socos e pontapés. Com a anuência da empresa, foi levado para a prisão, onde permaneceu durante um ano e meio.

Lúcio Bellentani

Memória e verdade

Pelo TAC, R$ 16,8 milhões vão ser doados à Associação Henrich Plagge, que reúne os trabalhadores da Volkswagen. O dinheiro vai ser repartido entre os 60 ex-funcionários que foram alvo de perseguições por conta de suas opiniões políticas. Tais critérios foram definidos por um árbitro independente perante a supervisão do Ministério Público do Trabalho.

Fora o valor mencionado acima, outros R$ 10,5 milhões irão reforçar políticas de Justiça de Transição, um conjunto de medidas aderidas para a luta contra o passado ditatorial, “como projetos que resgatam a memória sobre as violações aos direitos humanos e a resistência dos trabalhadores na época”.

O projeto Memorial da Luta por Justiça, desenvolvido pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política (NPMP), é uma dessas iniciativas e receberá R$ 6 milhões, valor que será suficiente para concluir a implantação na sede da antiga auditoria militar em São Paulo.

Outros R$ 4,5 milhões serão destinados à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para financiar novas pesquisas sobre a colaboração de empresas com a ditadura e também para a identificação das ossadas de presos políticos que foram encontradas em uma vala clandestina no cemitério de Perus, zona oeste da capital paulista, em 1990.

A Volkswagen também se obrigou a pagar R$ 9 milhões aos Fundos Federal e Estadual de Defesa e Reparação de Direitos Difusos. Além disso, a empresa também vai publicar em grandes jornais uma declaração pública sobre o assunto.

Um relatório sobre os fatos investigados ainda é previsto pelo TAC e será publicado pelos ministérios públicos, e a companhia também apresentará sua manifestação jurídica sobre o caso. As medidas estão previstas para até o fim deste ano e devem ser cumpridas logo que os órgãos de controle do MPF e do MP-SP confirmarem o arquivamento dos inquéritos. Os desembolsos financeiros acordados estão com estimativa de serem efetuados em janeiro de 2021.

Com informações da assessoria do MPF-SP e da DW Brasil

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

PRESIDENTE DO CPC/RN - EDUARDO VASCONCELOS CONCEDEU ENTREVISTA A AGRESTE STV - NOVA CRUZ/RN

Imagem após entrevista: da esquerda p/direita: Eduardo Vasconcelos - CPC/RN. cantora, GERLAINE SOARES - cidade de Santo Antônio e Radialista e apresentador, FRAN EMÍDO!

Cartaz de divulgação - Programa QUINTA com FRAN EMÍDO - AGRESTE STV

Ontem (24), o presidente do Centro Potiguar de Cultura e Agente de Cultura, EDUARDO VASCONCELOS participou de entrevista concedida pela  AGRESTE STV - NOVA CRUZ no Programa líder de audiência "QUINTA COM FRAN EMÍDIO!". O programa abriu com chave de ouro com a cantora, GERLAINE SOARES e em seguida entrevista com o Gerente do Supermercado, REDE MAIS de NOVA CRUZ, JOSÉ JUNO, em na sequência a entrevista com o Eduardo Vasconcelos ao lado da cantora, Gerlaine Soares.

Eduardo Vasconcelos iniciou agradecendo a FRAN pelo convite e parabenizando ao Diretor Geral da Agreste STV, Hudson de Tourinho pela criação deste empreendimento importantíssimo para NOVA CRUZ e região. Eduardo Vasconcelos agradeceu ao amigo e comunicador, FRAN EMÍDIO, amigo de longas datas na emissora, Agreste FM e Curimataú, ambas em NOVA CRUZ!

O agente de cultura e atual presidente do CPC/RN, Eduardo Vasconcelos falou dos objetivos da Casa de Cultura e do CPC/RN, ambas instituições que tem como princípios o apoio, incentivo e ações voltados para a Cultura Popular NORTERIOGRANDENSE! Falou das dificuldades dos artistas e grupos tem pela falta de apoio e que as instituições estão afinadas para tão logo passe essa PANDEMIA irão desencadear várias ações envolvendo artistas para ocuparem seus espaços e divulgar suas criatividades, seja na música, na dança, no teatro, entre outras.

Para Eduardo Vasconcelos os artistas a casa dia perde instituições criadas a favor da cultura, como foi o Ministério da Cultura, extinta no desgoverno de Bolsonora, entre outras maldades.

Eduardo também falou das ações feitas pelas casa de cultura no ano de 2019, onde junto com seu colega e trabalha na casa de cultura, desenvolveu três grandes atividades e espera que em 2021 mais atividades sejam realizadas na casa.

Fran Emídio também fez sérias críticas ao sistema atual, onde muitos órgãos públicos não incentivam e nem realizam atividades culturais.

No final Eduardo Vasconcelos parabenizou mais uma vez a todos que fazem a AGRESTE STV pela criatividade da dinâmica dos programas a seriedade acompanhada do profissionalismo de todos qu trabalham e lutam pelo avanço da AGRESTE STV.

Reabertura de igrejas reaquece Turismo Religioso no Brasil - Por Portal BRASIL CULTURA


Santuário de N. Sra. Aparecida (SP) adotou protocolos de segurança e voltou a receber turistas. Crédito: Marco Ankosqui/MTur.

Após meses de restrições a atividades religiosas a fim de evitar aglomerações e prevenir o contágio da Covid-19, turistas e devotos já podem voltar a frequentar locais de fé em diversos estados do país, como Bahia, Ceará, Minas Gerais e Espírito Santo. Nos últimos meses, importantes igrejas, santuários e basílicas voltaram a abrir as portas após a adoção de protocolos de segurança sanitária, como a redução da capacidade, a disponibilização de álcool em gel, a obrigatoriedade do uso de máscara e o distanciamento entre as pessoas.

Nesta quarta-feira (23.09), a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Vila Velha (ES), retomou as visitações. Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1950, a igreja é considerada uma das mais antigas do Brasil – construída em 1535 – e um marco da época colonial. As visitas acontecem de quarta a sexta, das 9h às 17h, e, a partir de outubro, serão ampliadas para o período de segunda a sexta, com missas aos domingos.

Na semana passada, a cidade de Juazeiro do Norte (CE), importante polo do Turismo Religioso no país, autorizou o funcionamento das igrejas, dentre elas, a Basílica de Nossa Senhora das Dores, que atrai milhares de fiéis para rezar pela alma do Padre Cícero. A Capela do Socorro, onde está o túmulo do sacerdote, e a estátua do santo popular, visitada por 2,5 milhões de pessoas anualmente, foram reabertas com capacidade reduzida.

Fiéis voltam a visitar a Estátua do Padre Cícero, no Ceará. Crédito: Nadim Maluf/MTur.

O secretário nacional de Desenvolvimento e Competitividade do Turismo do Ministério do Turismo, William França, ressalta a importância do Turismo Religioso para a economia do Brasil e acredita que, a partir da reabertura, o setor vai ganhar força e ajudar o país a voltar a crescer. “O Turismo Religioso sempre foi um forte segmento no Brasil. Com igrejas e templos reabrindo, o setor do turismo ganha mais força, assim como toda a cadeia produtiva envolvida. Mesmo com a capacidade de pessoas reduzida para a garantia da segurança dos turistas e fiéis, é um grande passo para voltar a movimentar a economia do país”, comentou França.

Outro importante atrativo turístico, cultural e religioso voltou a abrir no início deste mês: a Basílica do Santuário de Nazaré, em Belém (PA), responsável pela tradicional celebração do Círio de Nazaré. Neste ano, em decorrência da pandemia, a 228ª edição do Círio não terá a tradicional procissão, mas os devotos poderão fazer suas promessas diante da corda oficial do evento, símbolo da celebração, que estará exposta no complexo turístico e cultural da capital paraense, Estação das Docas, entre os dias 23 e 30 de setembro.

Uma das mais visitadas igrejas do Brasil, o Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, já recebe o público desde julho, e dois dos principais atrativos turísticos do templo, os Bondinhos Aéreos e o Trem do Devoto, voltaram funcionar no início de setembro. Atualmente, o santuário pode receber até 6 mil pessoas simultaneamente, segundo decreto da administração municipal, o que corresponde a 40% da capacidade total.

IGREJINHA DA PAMPULHA – A Capela Curial São Francisco de Assis, mais conhecida como Igrejinha da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), está programada para reabrir no dia 4 de outubro, data consagrada ao padroeiro do templo e protetor da natureza e dos animais. A construção, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e restaurada em 2019 pelo Iphan, terá seu retorno às celebrações religiosas e ao turismo atendendo às medidas de proteção necessárias para a prevenção do novo coronavírus dentro dos protocolos sanitários e de segurança.

Edição: Amanda Costa

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

Ataque à estátua de Ariano Suassuna e a cruzada contra a cultura - "Absurdo!" - Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN


 A imprensa divulga a notícia, mas não se dá conta do mal que tem diante dos olhos. 

“A estátua do escritor Ariano Suassuna, localizada na Rua da Aurora, área central do Recife, amanheceu depredada e caída após ato de vandalismo.

Essa canalha sabe as razões por que derrubam e depredam valores universais esculpidos em pedra no Recife. Pois como vândalos são bárbaros, que odeiam a cultura.

Em março deste ano, a estátua de Ariano Suassuna teve o nariz quebrado e a de João Cabral de Melo Neto teve o nariz e parte do queixo quebrados, além das placas de identificação pichadas”.

O que as notícias não dizem é que esse vandalismo é sintoma de uma cruzada contra a cultura, um assalto que vem do alto, ou melhor, que vem do mais baixo valor que está na presidência.  O desgoverno do Brasil hoje atrai e espalha uma onda contra tudo que representa educação e artes. Nestes dias, não há um só ato bárbaro que não seja inspirado e estimulado pelo bolsonarismo.

Destruir um patrimônio cultural é natural em bárbaros no governo que prevê um corte de 78% na verba destinada à cultura, em nível de orçamento. Mas em nível ideológico a pregação contra valores humanos é feita por todos escalões do seu ministério. Eles aconselham e incendeiam matas e florestas de árvores e de gentes. Alguma dúvida?  Alunos filmam professores nas salas de aula para denunciá-los, mulheres são espancadas nas ruas, negros sofrem racismo explícito, público, declarado, lideranças indígenas são mortas. E de tal modo estão à vontade, que não se envergonham de expressões fascistas de baixo calão:

“Atos antidemocráticos são meus ovos na goela de quem inventou isso!”

No conjunto dessa destruição, os vândalos desta segunda-feira podem não saber a dimensão do escritor Ariano Suassuna, que um dia falou em entrevista:

“Considero Canudos o mais importante episódio brasileiro. É quando Brasil urbano e privilegiado se lança contra o arraial popular. Agora, na literatura universal, Dom Quixote foi fundamental na minha vida e obra, porque Cervantes conseguiu expressar, como ninguém, os problemas do ser humano, a partir de circunstâncias locais”.

Esses bárbaros podem não alcançar O Cão sem plumas de João Cabral de Melo Neto, cuja estátua na Rua da Aurora também já foi mutilada:

“A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão,
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água….”

Mas essa canalha sabe as razões por que derrubam e depredam valores universais esculpidos em pedra no Recife. Pois como vândalos são bárbaros, que odeiam a cultura. E desse modo cometem atos contra a arte, a ciência e a civilização. Destroem símbolos porque desejam destruir o que representa a história. As trevas em primeiro lugar, o fascismo acima de tudo.

Hoje, vendo a foto de Ariano Suassuna assim caído, as mãos para trás do escritor me pareceram estar amarradas, algemadas. De fato, na imagem e em outros atos, os bárbaros tentam derrubar a cultura, na escultura, para assim melhor o bolsonarismo andar à solta.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

A difícil escolha entre cozinhar ou tomar banho - Por Jornalistas Livres

O Brasil concentra 53% da água doce da América do Sul e 12% do mundo. Esse recurso, essencial para a vida humana e cada dia mais cobiçado pelas grandes potências, corre sérios riscos de ser privatizado em nosso país. Depois que o Congresso Nacional aprovou e Bolsonaro sancionou, com vetos, há pouco mais de dois meses, o Novo Marco Legal do Saneamento (PL 4.162/2019), o governo federal tem feito gestões para que os governos estaduais apressem esse processo.

Ana Luisa Naghettini, estudante de Matemática Computacional na UFMG e militante independente em defesa do meio ambiente, e Ângela Carrato, jornalista e professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG.

Um forte lobby na mídia também está em ação. O objetivo, na linha da privatização imediata proposta pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, é que os governos estaduais vendam, rápido e a qualquer preço, as suas empresas. O objetivo é convencer a população de que a privatização das companhias de água e saneamento é “o único caminho para o Brasil enfrentar o grave déficit no setor”. Para tanto, dados alarmantes são apresentados quase diariamente: “48% da população brasileira não tem coleta de esgoto”; “o país convive com 3.257 lixões a céu aberto”; “é necessário investir R$ 753 bilhões até 2033 para enfrentar esses problemas”.

Antes mesmo de a nova legislação ser aprovada, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), já dava um largo passo nesse sentido, com a Copasa, a estatal mineira de águas e saneamento, informando aos seus acionistas e ao mercado que iria contratar serviços para começar o processo de desestatização.

A situação se torna mais grave ainda quando se sabe que, caso o Congresso Nacional não derrube os 11 vetos de Bolsonaro a esta legislação, as empresas estatais, responsáveis por 70% desse serviço, não poderão mais assinar contrato com os municípios, sendo obrigadas a se submeterem às licitações, sob a ótica do mercado. Além disso, a obrigação de realizar licitações e as metas de desempenho para contratos tenderão a prejudicar as empresas públicas locais, piorando a qualidade dos serviços prestados.

Os vetos eram para ter entrado em pauta no Congresso em setembro, com muitos governadores e prefeitos trabalhando pela derrubada deles. Até agora não foram apreciados e não falta quem aposte que, por conta das eleições municipais, dificilmente isso acontecerá em 2020. O que complicará ainda mais a situação das empresas de saneamento, a começar pela Copasa.

Risco

Num momento em que o governo Bolsonaro é mundialmente criticado pelo desmonte das políticas ambientais e pela negligência no combate aos incêndios na Amazônia e no Pantanal, além do negacionismo em relação ao vírus do covid-19, não só a nova legislação sobre saneamento virou lei, como o risco agora é que essas empresas sejam privatizadas sem que as pessoas se deem conta da gravidade do que está em jogo.

Uma das principais causas da rápida proliferação do covid-19 no Brasil (o país ostenta o triste recorde de terceiro no mundo em mortes) reside exatamente na falta de acesso de expressivos contingentes da população à água tratada e ao saneamento.
Some-se a isso que estudo do Observatório Fluminense Covid-19 (formado por sete instituições de ensino e pesquisa do Rio de Janeiro, entre elas a UFRJ e a UFF) aponta que a própria estabilização do vírus na América Latina deve se dar em patamares elevados e permanecer atuando na região por mais dois anos.


Ao defender a privatização imediata de suas empresas de saneamento, o Brasil coloca-se na contramão do que acontece no mundo. Segundo estudo do Instituto Transnacional da Holanda (TNI), entre 2000 e 2017, cerca de 1700 municípios de 58 países, entre eles Berlim (Alemanha), Paris (França) e Budapeste (Hungria) reestatizaram seus serviços. Só na França, 106 cidades fizeram isso. Fora do continente europeu, Buenos Aires (Argentina) e La Paz (Bolívia) são alguns dos casos sul-americanos que reestatizaram serviços públicos básicos, entre eles o de fornecimento de água e ampliação de redes de esgoto.

Lucro

As principais razões para as reestatizações foram a colocação do lucro acima dos interesses das comunidades, o não cumprimento dos contratos, das metas de investimentos – principalmente nas áreas periféricas e mais carentes -, e os aumentos abusivos de tarifas.

O governo Bolsonaro e a mídia corporativa brasileira que o apoia ignoram esse tipo de alerta e destacam apenas que “a livre concorrência no setor permitirá mais investimentos – são esperados R$ 600 bilhões, grande parte internacionais, até 2033” – e que “a universalização dos serviços de saneamento ocorrerá em 30 anos”. Acena-se com promessas, para quebrar resistências e ganhar a opinião pública.

Não foi por falta de recursos, como alega o governo Bolsonaro, que se optou pela privatização. Um total de R$ 1,2 trilhão acaba de ser repassado para os bancos privados a título de auxiliá-los durante a pandemia. Um terço desse valor por ano seria mais do que suficiente para resolver o problema do saneamento no Brasil.

Nada foi dito sobre a nova legislação possibilitar que os pobres fiquem cada vez mais distantes do acesso à água tratada e ao saneamento e que o alegado prazo próximo a vencer, para o fim dos lixões, foi prorrogado. Não foi dito, igualmente, que as empresas multinacionais dispõem agora de uma chance de ouro para controlar também as cobiçadas águas brasileiras.

Esse, aliás, parece ser o ponto essencial, porém obscuro nessa legislação.

A nova lei trata da questão do saneamento, mas empresas de saneamento são também as que fornecem água. Assim, a privatização das primeiras traria, como consequência, também a privatização das águas, cujo fornecimento ficaria a cargo de quem visa apenas o lucro.

Dos atuais 5.571 municípios brasileiros, no máximo 500 têm condições de atrair investimentos no setor. Sem dúvida haverá disputa pela privatização de empresas estatais em grandes metrópoles como Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Curitiba e Brasília.

Mas quais empresas se interessarão por fornecer serviços em municípios pobres do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, no sertão nordestino ou no interior da Amazônia? Esses, certamente, serão abandonados à própria sorte, pois o chamado “investimento cruzado”, que determina que o lucro obtido pelas empresas estatais nas áreas mais ricas seja aplicado nas regiões pobres e carentes, não existirá mais.


Jereissati e sua Coca-Cola

Não há também justificativa social para a pressa com a qual essa nova legislação foi aprovada. O relator da matéria, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), rejeitou todas as emendas de mérito propostas para que o texto não voltasse à Câmara dos Deputados para uma nova apreciação. A oposição propôs que a matéria fosse debatida após o fim da pandemia. Deveria ter sido o caminho natural, diante de uma medida de tamanha importância, mas foi derrotada.

De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Sinis) de 2018, mais de 83% da população brasileira tem acesso a serviços de abastecimento de água e 53,2% usam serviços de esgotamento sanitário. O marco legal anterior, estabelecido por lei de 2007, definia diversos princípios fundamentais como universalidade, integralidade, controle social e utilização de tecnologias apropriadas.

Também estabelecia funções de gestão para os serviços públicos, como planejamento municipal, estadual e nacional e a regulação, que devem ser usados como normas e padrões. Uma das mudanças mais significativas introduzida pelo novo Marco foi a retirada da autonomia dos estados e municípios do processo de contratação das empresas que distribuirão água para as populações e cuidarão dos resíduos sólidos.

Em síntese, o que foi aprovado é um enorme retrocesso sob a ótica dos interesses da maioria da população. Razão pela qual a aprovação desse novo marco legal provocou reação imediata apenas nas redes sociais, pois a mídia corporativa o apoia e o endossa, bem como a toda a agenda ultraliberal de Paulo Guedes.

“Sobreviverá quem puder pagar”, escreveu a destacada jornalista Hildegard Angel, ao frisar que “a água de nossas nascentes, fontes, rios, lagoas não pode ter dono. Querem engarrafar a água (…) colocar uma etiqueta e botar preço”.


Já o deputado e ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias (PT-MG), preferiu lembrar que “a privatização das águas foi votada no dia em que morreram mais de 1100 brasileiros”, acrescentando que é “assustador observar esse tipo de prioridade, que é do grande capital e do mercado, não dos brasileiros”.

Mais contundente, a presidente da Associação dos Profissionais Universitários da Sabesp, a companhia estatal de águas e saneamento do Estado de São Paulo, socióloga Francisca Adalgisa, garantiu que “é bala na cabeça da população mais pobre”, pois se essas empresas não forem privatizadas, também não receberão mais recursos do governo para os investimentos de que necessitam.

Nada disso parece ter sensibilizado uma população anestesiada em meio a várias pandemias simultâneas. E o lobby pela privatização cresce e aposta na vitória de candidatos “sensíveis” ao mercado nas eleições desse ano nas principais capitais para facilitar as vendas.


Ribs

Atualmente no Brasil os serviços de água e esgoto são prestados, em sua grande maioria, por empresas estatais, não sendo vedada a possibilidade de associações entre entes estatais e o setor privado, através das chamadas parcerias público-privadas (PPPs). Nesse sentido, a Sabesp, a empresa de saneamento de São Paulo, é um mau exemplo, que a mídia corporativa brasileira esconde. Mesmo pública, a empresa tem 50% de seu capital privado. Os acionistas dão as cartas e deixam milhões de pessoas sem coleta e tratamento de esgoto na maior cidade do Brasil e da América Latina.

Outro mau exemplo do que faz o setor privado nessa área é Manaus. Com 20 anos de gestão privada, a capital amazonense tem apenas 12,5% de cobertura de esgoto, dos quais só 30% são tratados. Mais de 600 mil pessoas – um terço do total da população -, continuam sem acesso à água potável. Não por acaso Manaus liderou a primeira onda de mortes por coronavírus no país e o risco de um retorno do vírus, mais forte ainda, na cidade é real.

Por isso, o economista Ladislau Dowbor, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), consultor de agências da ONU e autor de mais de 40 livros sobre desenvolvimento econômico e social, propõe que diante do Covid-19 e da situação caótica da economia brasileira sob a gestão Bolsonaro é fundamental o resgate do papel do Estado, a adoção da renda básica generalizada, o reforço da saúde pública e o financiamento local, com a transferência, de maneira organizada, derecursos a cada município. “É no nível local que se sabe qual bairro é mais ameaçado, onde falta água ou saneamento, quais famílias estão mais fragilizadas”, afirma.

O que Dowbor defende é o oposto do que define a nova legislação. Na mesma linha, o economista francês Thomas Piketty, autor de “Capital e Ideologia”, seu mais recente trabalho lançado no país, diz que as elites brasileiras cometem um erro ao perpetuar o abismo social, comprometendo o futuro da nação.

Diferentemente do que pensa Piketty, as elites brasileiras sabem o que querem. Em 2009, no XXIII Fórum da Liberdade, promovido pelo Instituto Millenium, um think tank brasileiro ultraliberal, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, figura reverenciada pela mídia nacional, proclamava: “jamais os direitos humanos irão suplantar o direito à propriedade”.


Nos oito anos em que governou o Brasil (1995-2003) isso foi verdade. Seu governo privatizou mais de 100 empresas, entre elas a mineradora Vale do Rio Doce, rebatizada como Vale S.A. O argumento era o de sempre: “ineficiência” e falta de recursos para investir no setor.

Doze anos depois, a Vale foi responsável pelos dois maiores crimes humanos e ambientais da história brasileira: o rompimento das barragens em Mariana e Brumadinho, ambas em Minas Gerais, com a morte de duas centenas e meia de pessoas e a destruição da bacia do rio Doce, um dos maiores da região Sudeste. As famílias dos mortos, desaparecidos e dos atingidos pela lama e água contaminada ainda lutam para receber indenizações. Enquanto isso, as ações da vale seguem nas alturas.

Foi também no governo de Fernando Henrique Cardoso que o Brasil passou a ter agências reguladoras para fiscalizar a atuação das empresas recém-privatizadas. O resultado é que essas agências, Anatel, na área da telefonia, Anac, na aviação civil, e Aneel, nas águas e energia, rapidamente foram colonizadas pelo capital privado, por aqueles a quem deveria fiscalizar. E acabam não fiscalizando nada. Resultado: serviços de péssima qualidade, tarifas caras e cidadãos transformados em meros consumidores. E os serviços, antes um direito social, viraram atividade econômica regulada pelo mercado, possibilitando basicamente acúmulo do capital privado.

Durante a realização do 8º Fórum Mundial da Água, em 2018 em Brasília, empresas como a gigante nacional de refrigerantes e cervejas Ambev, e as multinacionais Nestlé e Coca-Cola participaram do evento como financiadoras, mas também fizeram várias sugestões. Coincidentemente, essas sugestões, pelas mãos do senador Tasso Jereissati, foram transformadas em projeto de lei e agora integram o novo Marco do Saneamento. Para quem não sabe, Jereissati é acionista da Coca-Cola Brasil e um dos maiores interessados em entregar à iniciativa privada os bens comuns nacionais.

Duramente criticadas pelos brasileiros em suas redes sociais, essas empresas apressaram-se em dizer que não têm nada a ver com a privatização de águas no país. A Coca-Cola Brasil divulgou um longo texto em que considera “boato” qualquer relação com o novo Marco Legal do Saneamento Básico. Já a Nestlé, há anos, vem desmentindo, também por redes sociais, que tenha interesse em privatizar o aquífero Guarani, uma reserva de 1,2 milhões de quilômetros quadrados, compartilhada por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Esse assunto, claro, nunca é tratado nas TVs ou emissoras de rádio.

O então presidente da República, Michel Temer, que chegou ao poder depois do golpe, travestido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff em 2016, também negou que houvesse qualquer entendimento nesse sentido. Mas não deixa de ser coincidência que tenha sido em seu governo que o primeiro projeto de lei alterando a legislação de 2007 sobre saneamento fosse enviado ao Congresso.

Igualmente não deixa de ser coincidência que esse novo marco tenha sido aprovado a toque de caixa pelo governo Bolsonaro, em plena pandemia, quando a população brasileira está assustada com o número crescente de mortos e sem condições de protestar nas ruas e praças públicas, como sempre fez.

Pelo visto, o governo Bolsonaro está seguindo à risca a proposta de seu mundialmente criticado ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para quem a pandemia deveria ser aproveitada “para passar a boiada”.

As medidas impopulares não só estão sendo aprovadas, como se preparam para sair do papel sem que a maioria das pessoas se dê conta disso. Quando perceberem, poderão já estar pagando muito mais caro pela água que utilizam. Ou, pior ainda: tendo que escolher entre cozinhar e tomar banho.


Charge de Bacellar

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornalistas Livres

Fonte: Jornalistas Livres

Fernando Franceschini (PSL) aquele do camburão é condenado

O candidato a prefeito de Curitiba, Fernando Franceschini (PSL), foi condenado ao pagamento de R$ 10.000,00, em duas sentenças proferidas hoje (22.09.2020), pela juíza eleitoral da 178ª. Zona Eleitoral, Dra. Melissa de Azevedo Olivas. Na primeira condenação, Franceschini foi punido por propaganda eleitoral antecipada, mediante distribuição e aposição de adesivos em veículos automotores e, via de consequência, aplicar multa devida de forma solidária pelos representados, consoante ao artigo 36, parágrafo 3, da Lei das Eleicões. Na segunda sentença, o candidato do PSL, recebeu condenação por realizar carreata no Centro de Curitiba no ultimo dia 12 de setembro.

As denúncias partiram do escritório de advocacia Dr. Daniel da Costa Gaspar, que representa o diretório municipal do PC do B.

Na primeira sentença, o Ministério Público, ouvido, se manifestou reconhecendo “a divulgação maciça do nome da imagem, e do numero do partido político, “o que já inaugura campanha eleitoral, fazendo desde já o candidato e seu número serem conhecidos do eleitorado. Ao final da manifestação Ministerial, aponta o reconhecimento pela propaganda eleitoral antecipada, com a aplicação de correspondente multa em seu valor mínimo previsto”.

Na segunda manifestação, o Ministério Público manifestou-se pelo reconhecimento da propaganda extemporânea, aplicando multa, nos termos do artigo 36, paragrafo 3, da Lei 9.504/97.

Relembrando fatos: Com medo de apanhar, Fernando Francischini foge dos professores. 
Após ser impedido por manifestante de escoltar os deputados do camburão,  Francischini se desespera e foge dos professores.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA