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quinta-feira, 6 de maio de 2021

Livro de A. Sérgio Barroso disseca “a grande crise capitalista”

De autoria do médico e pesquisador Aloísio Sérgio Rocha Barroso, o livro tem como base a tese de doutorado do autor, defendida em 2019 no Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas

Antes que a pandemia de Covid-19 devastasse a economia global e provocasse recessões recordes mundo afora, o capitalismo já vivia uma prolongada crise, que pôs em xeque o modelo neoliberal e provocou mudanças estruturais no sistema. Este é o tema de Uma Economia Política da Grande Crise Capitalista (2007-2017) – Ascensão e Ocaso do Neoliberalismo [Editora Anita Garibaldi, Fundação Maurício Grabois e Edufal].

De autoria do médico e pesquisador Aloísio Sérgio Rocha Barroso, o livro tem como base a tese de doutorado do autor, defendida em 2019 no Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE-Unicamp). Ao texto original, Sérgio Barroso incorporou sugestões de professores de Economia como Alessandro Ortuso (Facamp), Renildo Souza (UFBA), Denis Maracci Gimenez (Unicamp), João Quartim de Moraes (Unicamp) e Luiz Gonzaga Belluzzo (Unicamp/Facamp). Há também uma seção especial sobre o “vendaval de 2020”, revelando os impactos econômicos da pandemia.

Barroso

Ao dissecar a crise, Barroso abriu mão do que Belluzzo chama, no prefácio à obra, de “viés ontológico troncho das explicações neoclássicas à dinâmica do capitalismo”. O início da crise do sistema, há 14 anos, forçou essa releitura, ao desencadear não apenas uma “uma recessão corriqueira ou mesmo acentuada” – mas, sim, uma depressão. “Foi providencial que a tormenta de agosto de 2007, consagrada no setembro de 2008 nos EUA, que a economia monetária da produção de Marx e Keynes transformasse os sonhos daquele verão numa tenebrosa nevasca”, ironiza Belluzzo.

Um dos principais méritos da pesquisa de Barroso foi desmascarar as justificativas falaciosas – ou “manobras ideológicas” – do capitalismo financeirizado. O autor denuncia que “a fantástica amplitude das transformações ocorridas no neoliberalismo e na ‘globalização financeira’ não apenas reafirmou a tendência à superacumulação de capital como introduziu novas determinações agravantes da instabilidade”.

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo – Foto: Reprodução/YouTube

“Meu ex-aluno, Barroso teimou em percorrer uma pesquisa detalhada do caminho das transformações desse capitalismo”, diz Belluzzo. “Mas vai adiante, quando discute a natureza teórica da crise iniciada em 2007-2008, retomando a crítica ao que denomina de ‘caricatura’ das recalcitrantes teorizações neoclássicas camufladas no neoliberalismo, para enxergar, no fundo do ‘pote de ouro’, as trágicas aventuras da imensa riqueza financeira criada pelo capital fictício”.

Já na apresentação de Uma Economia Política da Grande Crise Capitalista, José Carlos de Souza Braga – que também foi professor de Sérgio Barroso na Unicamp – elogia a “qualificada pesquisa teórica e empírica”. De acordo com Braga, Barroso partiu corretamente do pressuposto de que a “financeirização” é um “padrão sistêmico de riqueza em que há uma dominância financeira que marca a totalidade das estruturas, dos “atores” e da dinâmica econômica pertinentes ao capitalismo contemporâneo”.

Segundo o professor titular da Unicamp, Barroso classifica as especificidades dessa crise capitalista – a primeira do século 20 – como “persistente, sistêmica e socialmente regressiva”. Ao mesmo tempo, o autor nos alerta para as “revoluções tecnológicas que reconfiguram as características do imperialismo contemporâneo e seus dilemas”, em especial a chamada 4ª Revolução Industrial (ou Indústria 4.0).

Barroso conclui que é necessário superar o capitalismo em termos sociais, políticos e econômicos. “O caráter histórico – e lógico – do regime do capital, suas contradições e iniquidades dilacerantes clamam pela transformação radical de sua própria sociabilidade mistificadora, fabricante de riqueza – e de zumbis”.

Para Quartim de Moraes, o texto de Barroso se destaca por uma série de qualidades: “Linguagem clara e precisa, densidade analítica, argumentação bem articulada, rigor teórico com abertura de espírito, debate crítico profundo e equilibrado, amplo domínio da bibliografia pertinente”. O livro ainda oferece ao leitor mais de cem citações de autores diversos sobre a crise – o que só reafirma a atualidade de Uma Economia Política da Grande Crise Capitalista.

O AUTOR

Aloísio Sérgio Rocha Barroso é médico, formado pela Escola de Ciências Médicas de Alagoas (1979). Pela Unicamp, fez especialização em Economia Sindical e do Trabalho (1998), mestrado em Economia Social e do Trabalho (2003) e doutorado em Desenvolvimento Econômico (2019).

O LIVRO

Título: Uma Economia Política da Grande Crise Capitalista (2007-2017) – Ascensão e Ocaso do Neoliberalismo

Autor: Aloísio Sérgio Rocha Barroso

Ano: 2021

Páginas: 288

Edição: Editora A 

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Aplicativo Censo Covid-19 está disponível para download

 


SEEC/ASSECOM

Atenção comunidade escolar!

Baixe e use o aplicativo Censo COVID-19, desenvolvido pela equipe de tecnologias da Secretaria de Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer do RN. Por meio dele, vocês poderão assinalar importantes informações sobre seu estado de saúde.

Para utilizar o aplicativo é simples e rápido. Os usuários realizarão o login com as suas respectivas senhas do SIGEduc (Sistema Integrado de Gestão da Educação). Após, responderão perguntas de múltipla escolha sobre o seu estado de saúde, e, pronto, pesquisa finalizada! Lembrete importante: as informações precisam ser atualizadas, logo, se um sintoma mudar ou aparecer, o usuário deve responder novamente a pesquisa.

Estes dados serão utilizados para auxiliar na formatação de ações da pasta em diversas frentes de trabalho! Confira o vídeo com mais informações sobre o aplicativo e o link para baixar a aplicativo no Google Play. 

Aplicativo Censo COVID-19

Vídeo de apresentação doaplicativo Censo COVID-19

Baixe o vídeo do Censo COVID-19

Fonte: http://www.educacao.rn.gov.br

Há um ano morria Aldir Blanc

Por Ricardo Feltrin - Colunista do UOL

Há exatamente um ano (4 de maio de 2020) partia do meio de nós o carioca Aldir Blanc, aos 73 anos —vítima da Covid-19. 

Após sua morte virou nome da "lei" que instituiu o auxílio governamental aos trabalhadores da cultura durante a pandemia.... -

É de sua lavra um dos maiores sucessos da MPB brasileira de todos os tempos, "O Bêbado e a Equilibrista", imortalizada na voz de Elis Regina. É também de sua autoria músicas como "Linha de Passe" (em parceria com João Bosco), 

"O Mestre Sala dos Mares" e "A Viagem", entre outras. Um dos compositores mais talentosos do país também sofria de diabetes e era hipertenso....

É de sua lavra um dos maiores sucessos da MPB brasileira de todos os tempos, 

"O Bêbado e a Equilibrista", imortalizada na voz de Elis Regina. É também de sua autoria músicas como 

"Linha de Passe" (em parceria com João Bosco), "O Mestre Sala dos Mares" e "A Viagem", entre outras. 

Um dos compositores mais talentosos do país também sofria de diabetes e era hipertenso. 

Em lembrança a essa triste efeméride, o Ecad (Escritório Central de Arrecadação de Direitos) fez um levantamento de sua obra cadastrada no inventário da MPB e de suas músicas mais tocadas. 

Aldir Blac Mendes tem 613 composições registradas no órgão. 90% do que sua família hoje recebe tem origem em execuções de músicas... - 

Veja a lista das 10 músicas de Aldir mais tocadas no Brasil nos últimos cinco anos. Música 

- Autoria 1 - Coração Pirata (Aldir Blanc/ Cleberson Horsth / Ricardo Feghali / Paulinho / Eurico Filho / Nando / Serginho Herval) 

2 - O Bêbado e a Equilibrista (João Bosco/ Aldir Blanc) 

3 - Entre a Serpente e a Estrela (Aldir Blanc/ Paul Alexander Fraser/ Stafford Terry) 

4 - A Viagem (Cleberson Horsth / Ricardo Feghali / Paulinho / Aldir Blanc / Nando / Eurico Filho / Serginho Herval)

 5 - Corsário (João Bosco/ Aldir Blanc)

 6 - Resposta ao Tempo Cristóvão Bastos/ Aldir Blanc)

 7 - De Frente Pro Crime (João Bosco/ Aldir Blanc) 

8 - Incompatibilidade de Gênios (João Bosco / Aldir Blanc) 

9 - Kid... - 

“Nossa caminhada tinha tudo pra ser longa! Linda como vinha sendo”, escreve marido de Paulo Gustavo, Thales Bretas

 

Por Plinio Teodoro

"Eu te amo tanto… e sempre te amarei, pro resto da minha vida! Não consigo escrever um centésimo do quanto você foi e é importante pra mim e pro mundo", escreveu o médico Thales Bretas, que com Paulo Gustavo, é pai de Romeu e Gael, de um ano e meio

Em texto publicado em seu perfil no Instagram, o médico Thales Bretas se despediu do marido, o ator Paulo Gustavo, que teve a morte anunciada na noite desta terça-feira (4), após uma longa internação para tratamento da Covid-19.

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“Nossa caminhada tinha tudo pra ser longa! Linda como vinha sendo… tão feliz! E foi muito! Como fui feliz nesses últimos 7 anos que tive o privilégio de conviver com você! Como eu aprendi, cresci! Espero poder passar um pouco do seu legado de generosidade, afeto, alegria e amor. Você é um furacão”, escreveu Thales Bretas, que junto com Paulo Gustavo é pai de Romeu e Gael, de um ano e meio, gerados por barriga de aluguel.

No texto, o médico se declara ao ex-marido e se desculpa com os seguidores por não conseguir “por não conseguir elaborar tudo como gostaria e responder a todos. Estou vivendo um turbilhão de sensações”.

“Eu te amo tanto… e sempre te amarei, pro resto da minha vida! Não consigo escrever um centésimo do quanto você foi e é importante pra mim e pro mundo. E continuará sendo, eternamente…”, diz Thales, que recebeu o carinho e a solidariedade dos seguidores.

Fonte>  REVISTA FÓRUM

PRONUNCIAMENTO HISTÓRICO DE FELIPE NETO NA ENTREVISTA AO GRUPO PRERROGAT...

Fonte> https://www.youtube.com/watch?v=lWYJIDyhUQ8

Lula diz que talento de Paulo Gustavo "jamais será esquecido"

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou a morte do ator e humorista Paulo Gustavo, ocorrida na noite desta terça-feira (4). O ator, que se tornou o maior fenômeno do cinema brasileiro, foi vítima da Covid-19.

247 - “Recebi” com muita tristeza a notícia da morte de Paulo Gustavo. A Covid levou hoje mais um de nós. Um grande brasileiro, que brindou nosso país com tanta alegria. Descanse em paz. Seu talento jamais será esquecido", escreveu Lula.

Além de Lula, outras autoridades como o governador de São Paulo, João Doria, o presidente da Câmara, Arthur Lira, o deputado federal Rodrigo Maia, entre outros, também expressaram pesar pela morte do ator. 

Fonte: BRASIL 247

Paulo Coelho lamenta a morte e lista os “assassinos” de Paulo Gustavo

 

Paulo Gustavo tem morreu de Covid-19 aos 42 anos – Foto: Reprodução

Paulo Coelho foi às redes sociais nesta terça-feira (04) lamentar a morte de Paulo Gustavo, vítima da Covid-19.

Em publicação no Twitter, o escritor listou os “assassinos” do humorista.

Todos têm as marcas do genocida no poder.

Assassinos de Paulo Gustavo :

– quem dizia “é só uma gripezinha”

– “não passa de 200 mortes”

– “cloroquina resolve”

– “gente morre todo dia”

– “Lockdown destrói o país”

– “máscara nos faz respirar ar viciado”

– “eu obedeço o comandante”

E por aí vai. Canalhas da pior espécie.


Fonte> https://www.diariodocentrodomundo.com.br/paulo-coelho-lamenta-a-morte-e-lista-os-assassinos-de-paulo-gustavo/


Autoritarismo, uma doença acomete o Estado e a sociedade

Novo modelo de autoritarismo tem sido cada vez mais acompanhado por um movimento social de extrema-direita.

Quando a gente diz que o autoritarismo está por toda parte, infelizmente não é apenas “uma forma de dizer”. Ele está mesmo. Liquefeito, diferentemente de como se concretizava no século passado, hoje ele opera e convive com os regimes democráticos, entranhando-se de maneira bem mais sutil, porém sentido de maneira tão ou mais agressiva e nociva por quem dele é vítima.

Recentemente, tivemos um episódio lamentável, pouco divulgado pela mídia, mas de muita relevância para demonstrar as características desse autoritarismo líquido. O professor Alvaro de Azevedo Gonzaga, doutor e livre-docente em Direito pela PUC de São Paulo, apresentava o resultado de sua pesquisa de pós-doutorado sobre a história indígena e os mecanismos atuais de opressão aos povos indígenas, feito no âmbito do Departamento de História da Universidade Federal da Grande Dourados, quando um grupo de extrema-direita invadiu a sala virtual na qual o evento acontecia e interrompeu o debate, constrangendo os participantes com gritos, ofensas, ameaças e xingamentos.

Como tenho demonstrado em meus estudos, no Brasil, essa nova forma de autoritarismo líquido de que falo começou a se desenhar a partir da década de 1990 com a política de guerra às drogas. Depois migrou para a política, com as investigações e julgamentos do caso do Mensalão, realizou uma medida de exceção de enorme impacto, que foi o impeachment inconstitucional da presidenta Dilma Rousseff e, sob a égide da Operação Lava Jato, assumiu funções de persecução política, engendrando processos penais de exceção contra lideranças políticas.

Agora, o que se observa no pós-Lava Jato é uma liquefação cada vez maior dessa modalidade de autoritarismo. Não há uma concentração ou um adensamento na figura autoritária do chefe do Executivo. A figura do soberano que impõe as medidas de exceção sofreu diluição e pode, hoje, ser exercida pelo Executivo, pelo Legislativo ou pelo próprio sistema de Justiça.

Também a figura do inimigo, que justifica a adoção das medidas de exceção, se liquefez no sistema, deixando de obedecer a uma escolha mais rígida – o terrorista, o estrangeiro, o comunista etc. – para atender a critérios cada vez mais seletivos. Do jovem negro da periferia, passando por líderes políticos ou de movimentos sociais, chegando a jornalistas e advogados, o inimigo da vez pode ser qualquer um.

De forma não idêntica, mas análoga àquela que ocorria no nazismo e no fascismo, esse novo modelo de autoritarismo tem sido cada vez mais acompanhado por um movimento social de extrema-direita, ou seja, por uma parcela da sociedade que se comporta de forma primitiva no plano da sociabilidade, de maneira autoritária na visão política e de forma desumana e bárbara no campo dos direitos e das relações interpessoais.

Esse populismo autoritário não se limita a ações estatais, reproduzindo-se na conduta de parte da cidadania e da sociedade, dos ditos cidadãos de bem, que agem de forma violenta no seu cotidiano e nas suas ações políticas, como ocorreu no evento acadêmico protagonizado pelo professor Alvaro Gonzaga.

O autoritarismo é uma doença que não acomete apenas o Estado, mas também a uma parcela significativa da sociedade. Aliás, não existe Estado autoritário sem povo autoritário, como não é possível atingir um patamar civilizatório importante sem que os valores do humanismo e da democracia sejam compartilhados por grande parte da população.

Como disse o professor Alvaro Gonzaga, “não se pode ser tolerante com o intolerante”. E é por isso que, da mesma forma que repudiamos governos autoritários, temos também de repudiar intensamente e lutar contra essas manifestações primitivas, racistas e intransigentes de cidadãos de extrema-direita, que não têm apreço pela democracia nem pelos direitos.

Publicado originalmente na CartaCapital

Com Portal BRASIL CULTURA

terça-feira, 4 de maio de 2021

REALIDADE PARALELA - Educadora alerta para interesses e danos por trás da ‘homeschooling’

 Foto: IowaPolitics/CC

São Paulo – Mais conhecida como homeschooling, a educação domiciliar é a única prioridade da pauta educacional do governo Bolsonaro. Com apoio do ministro da Educação, Milton Ribeiro, e de Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e Direitos Humanos, Bolsonaro pretende regulamentar a prática adotada por cerca de 5 mil famílias, ou 20 mil estudantes em todo o pais, ainda neste primeiro semestre.

Há diversos projetos de lei sobre o tema, mas o mais adiantado é o PL 3.179/12, de autoria do deputado Lincoln Portela (PL-MG), ao qual estão apensados outros de teor semelhante. Pelo projeto, o ensino fundamental e médio poderão ser mantidos também na própria residência, ministrado por pais ou tutores escolhidos, com supervisão e avaliação periódica pelo do poder público. Ainda não há legislação a respeito. E essa insegurança jurídica permite que muitos pais que ensinam seus filhos em casa sejam acusados de abandono intelectual pelo Ministério Público.

Adotado por famílias sectárias devido ao conservadorismo e religiosidade, e defendido pela base de apoio de Bolsonaro, a homeschooling não é apenas uma questão ideológica de pais que acreditam que a escola não é o melhor lugar para os seus filhos serem educados. E está associada a interesses econômicos.

O presidente da Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), Rick Dias, por exemplo, mantém na internet o portal Simeduc. Nele, há loja virtual que comercializa Bíblias e livros sobre família, educação em casa e outros temas. Atualmente, o destaque é Lavagem Cerebral – Como as Universidades Doutrinam a Juventude, de Ben Shapiro. Segundo o portal, trata-se de uma “exposição explosiva da agenda esquerdista que atua nas universidades hoje”.

Possibilidades de negócios

Para a deputada federal Rosa Neide (PT-MT), coordenadora do núcleo de Educação da bancada do PT na Câmara, as possibilidades de negócios não se esgotam aí. Por isso tem outras preocupações a respeito. “Minha preocupação é com as consequências. Do ponto de vista econômico, podem surgir, por exemplo, demandas de pais por vouchers pagos com recursos da escola pública para pagar tutores para acompanhar seus filhos em casa”, afirma. E não para por aí, segundo ela.

Há a indústria de material pedagógico, que pode ampliar seu mercado entre as famílias educadoras. “Então vai sendo destruindo o orçamento da escola pública. Ninguém está aí pagando de bonzinho. Por trás disso vem o apostilado, o material didático e daí pra frente, família a família, vai ficando interessante”.

Outro aspecto preocupante é a formação geral do aluno educado em casa pelos pais ou mesmo por professores tutores, especialmente do ponte de vista psicológico. “Há sim a questão econômica, mas não sabemos como vai ser a cabeça desse jovem no futuro, o que vai acontecer com a nossa sociedade no futuro. Não é só uma questão de pagar um voucher agora. É muito preocupante uma criança, um adolescente, ficar em um mundo à parte até que cresça e resolva tomar uma atitude. É um tipo de filosofia que pode enveredar por um caminho muito ruim no Brasil. Afinal, estaremos retirando do convívio, da construção coletiva de um país, estaremos separando algumas pessoas. E não podemos prever o que pode acontecer daqui a 10, 15 anos, em consequência a tudo isso”, diz Rosa Neide.

Espaço de socialização

Mestre em educação e ex-secretária estadual de Educação no seu estado, a deputada destacou que no Brasil, o conceito de educação foi construído em torno da escola como espaço de socialização, conhecimento, relações interpessoais, princípios e convívio com as diferenças. E que o convívio basicamente familiar consiste na convivência com iguais, quando o mundo não se limita à família, e sim a um agrupamento de pessoas com concepções de vida diferentes. Assim, para respeitar o diferente é preciso conviver com o diferente. E é exatamente o que o homeschooling não permite.

Além disso a escola é um espaço de proteção a alunos que em casa são vítimas de violencia e assédio sexual. Casos como o do menino Henry, no Rio de Janeiro, poderiam ser evitados.

“Onde a criança estava sendo maltratada? Em sua casa. Se estivesse no cotidiano da escola, a professora teria percebido que ele estava mancando, que tinha hematomas, e poderia ter evitado aquela morte e tantas outras”, disse, lembrando que 90% dos casos de estupro é percebido na escola, pelos professores. “Isso não acontece em casa de famílias pobres. Acontece na casa de qualquer pessoa.”

Prioridades educacionais

As peculiaridades da situação da educação brasileira, resultado das desigualdades socioeconômicas e do histórico subfinanciamento do setor, também não podem ficar à margem da discussão. Ainda mais em tempo de pandemia, quando a ampla maioria dos alunos não tem conexão com a internet em casa e por isso acabam excluídas da escola.

“Enquanto isso, no mundo todo houve retorno às aulas de maneira remota. Os alunos têm tablets e acesso à internet, quando aqui apenas uma minoria pode contar com esses recursos. E o governo colocou como principal projeto da educação o atendimento à demanda de 5 mil famílias. Nós temos 50 milhões de estudantes na rede pública brasileira. Este deve ser o foco”, disse a deputada.

O posicionamento é o mesmo de entidades ligadas à Educação. É o caso do Conselho Nacional de Educação CNE), União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e até das associações de docentes das universidades federais (Andifes) e dos Institutos Federais (Proifes).

No estado de São Paulo, o Conselho Estadual de Educação e o governo de João Doria se anteciparam em relação à educação domiciliar. Nesta quarta-feira (21) foi aprovada diretriz determinando que crianças em homeschooling no estado deverão ter aulas com profissionais, estar matriculadas na rede estadual e municipal, e passar por avaliações periódicas na escola. Mas isso se a proposta for aprovada no Congresso.

(Rede Brasil Atual, 25/04/2021)

Com CNTE

Após 45 anos, “Por uma Vanguarda Nordestina” terá 2ª edição lançada no sábado

A segunda edição da obra do poeta Anchieta Fernandes é uma iniciativa do Selo Literário Gajeiro Curió. O livro foi viabilizado por meio do edital da Lei Aldir Blanc (Lei Federal nº 14.017/2020). 

A obra exemplar de poesia visual “Por uma Vanguarda Nordestina”, lançada em 1976, conta com uma nova edição. Um dos grandes mentores do Poema/Processo, Anchieta Fernandes, teve sua obra revisitada pelo poeta e sebista, Oreny Jr., e será destaque no cenário cultural do próximo fim de semana, em Natal.

Esta segunda edição foi revista e ampliada pelo Selo Gajeiro Curió. Para o editor Oreny Jr, responsável pela segunda edição do livro, é uma honra ter a circulação desta obra tão representativa na história literária potiguar e nacional. “É de uma alegria ímpar, imensurável, de um garoto vindo da Zona Oeste da capital, bairro da Cidade da Esperança, estar participando diretamente do meio literário vanguarda potiguar. Esta segunda edição é a continuidade na leitura do POEM'ARTE, o objeto/poema, a transfiguração, a simbiose do gráfico-visual no poema que encanta”, disse.

O lançamento acontecerá no próximo sábado (8), no Mercado Cultural de Petrópolis, das 10h às 14h. Em razão da pandemia da Covid-19, o evento respeitará as medidas de biossegurança, não permitindo aglomerações e cumprindo o distanciamento social. Os exemplares estarão à venda no local.

Durante a segunda metade do século XX, a região Nordeste, neste caso específico, no Rio Grande do Norte, o escritor Anchieta Fernandes foi um dos grandes precursores da poesia de vanguarda. Inovar as formas poéticas trouxe aos solos potiguares, um brilhantismo em cada letra escolhida e muito bem apresentada aos olhos do leitor. Para o autor, este livro não é uma edição, é praticamente um novo livro, acrescentando explicação de temas confluentes, estudos e críticas sobre produtores de vanguarda mais recentes.

“Foram retiradas nesta segunda edição análises de produções ficcionais normais, que, embora publicadas na primeira edição, não fazem parte do universo da vanguarda, aqui no Rio Grande do Norte. Após quase meio século de lançamento da primeira edição, a realidade, hoje, é outra. O mundo avançou mais, tecnologicamente, e muitas ideias interessantes para nova linguagem poética tem surgido desde então”, explicou.

O livro possui 191 páginas, com edição do Selo Literário Gajeiro Curió, por meio do poeta Oreny Jr. O projeto gráfico fica por conta de José Áglio; capa por Avelino de Araújo; produção executiva, por Dorian Lima e Raquel Lucena. A obra é dividida em duas partes, cada uma com oito e cinco capítulos, respectivamente.

“Por ter uma idade avançada e como medida de segurança, Anchieta não estará presente fisicamente, mas com certeza, acompanhará o evento por vídeo e sentirá toda nossa alegria com o lançamento de uma das obras mais ricas do nosso Estado”, finalizou Oreny.

Sobre Anchieta Fernandes

Anchieta fundou os jornais “O Popular” (1953), “O Juvenil” (1955), “Juventude” (1960) e “Lolita” (1987-1990). Manteve colunas nos jornais “A República”, “Prisma”, “Tribuna do Norte”, “Diário de Natal/O Poti”, “Jornalzinho do Sebo Vermelho” e “O Canguleiro”.

Entre as obras do escritor caraubense, hoje aos 81 anos, estão: “Femina Infantis” (1987), “Écran Natalense, Capítulos da História do Cinema em Natal” (1992), “Poema/Processo: Perguntas e Respostas” (1992), “Poliantéia, Homenagem Póstuma a Reinaldo Fernandes Pimenta Filho” (1996), “História da Imprensa Oficial do Rio Grande do Norte” (2006). Além das produções citadas, Anchieta teve inúmeros trabalhos incluídos em antologias nacionais e internacionais.

Poema/Processo
Ocorrido no Brasil entre 1967 a 1972, em plena Ditadura Militar, o poema/processo foi um movimento artístico de vanguarda. Surgiu em duas capitais do país simultaneamente: Rio de Janeiro (RJ) e em Natal (RN), se espalhando pelo Brasil. Esse movimento apresentou uma nova forma de fazer poesia a partir de uma nova linguagem.

Serviço:
Lançamento da reedição do livro “Por uma Vanguarda Nordestina”, do autor Anchieta Fernandes

Dia: 08 de abril (sábado)
 
Hora: Das 10h às 14h
 
Formato: Take Away (Passe e retire)
 
Onde: Mercado Cultural de Petrópolis | Box 41
 
Endereço: Av. Hermes da Fonseca, 804, Petrópolis/Natal
 
Valor do livro: R$50,00

Fonte: Potiguar Notícias

Projeção nas paredes dos prédios de São Paulo faz crítica ao momento político

(Foto: Cau Gomez)

Exposição virtual acontecerá na noite desta terça-feira (4) e terá a participação de diversos artistas, como os chargistas Aroeira e Laerte, o escultor Israel Kislansky e o grafiteiro Bonga;

247 - Paredes de prédios transformarão a cidade de São Paulo em uma gigantesca mostra de artes visuais na noite desta terça-feira (4). É o lançamento da mostra “A Noite do Brasil”, que utilizará pontos de grande visibilidade na capital paulista, como Vale do Anhangabaú e Consolação, para passar uma mensagem crítica ao atual momento político do País. 

As projeções virtuais de chargistas e grafiteiros brasileiros acontecerão nas empenas (paredes cegas) de alguns edifícios da cidade. Cerca de cem pessoas - entre artistas visuais e profissionais que trabalham com projetores de longo alcance - farão parte da mostra, que terá outras exibições, em outras datas e cidades. 

Segundo os organizadores -  uma associação entre o grupo “Projetemos” e vários artistas, as mostras virtuais terão, no máximo, uma hora de duração. Os artistas convidados e selecionados para o lançamento, além de Elifas Andreato e Enio Squeff, são o escultor Israel Kislansky, os chargistas Aroeira, Laerte, Cau Gomez,  Brum, Carol Cospe Fogo, Gilmar e o grafiteiro Bonga. Eles pretendem inaugurar um movimento e uma espécie de procedimento estético que tenha continuidade, consolide uma relação longa entre artistas e projecionistas e resulte em novos desdobramentos.

O dia 4 de maio marca o primeiro ano da morte do cronista, compositor e letrista Aldir Blanc, e tem como homenageado especial o sociólogo Betinho (Hebert José de Souza). A mostra alude ao conhecido samba “O Bêbado e a Equilibrista”, de Aldir Blanc e João Bosco. O evento será simultaneamente estendido à internet e poderá contar com a participação de projecionistas de várias cidades brasileiras.

A ideia nasceu numa conversa entre Elifas Andreato, Enio Squeff, Crau da Ilha e Aroeira, a partir do princípio de que, se o povo não pode ir aos salões de arte, as manifestações da arte irão ao povo.

A lista de participantes de “A Noite do Brasil” não está encerrada. Os próximos artistas e projecionistas – inclusive de outros países – que quiserem participar, numa segunda fase, deverão preencher o formulário e enviar suas obras neste link.

A partir disso, os trabalhos passarão por uma nova curadoria que marcará a data da próxima versão da mostra. Para o grupo “Projetemos”, as projeções poderão ser feitas de 15 em 15 dias.

Fonte: BRASIL 247

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira

Filólogo, contista e ensaísta brasileiro, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira nasceu em 1910, em Camaragibe, Alagoas. Fez os estudos secundários nesse mesmo estado e licenciou-se em Direito no Rio de Janeiro em 1936. No entanto, nunca exerceu a profissão de jurista. Destacou-se antes na área das Letras, como professor, lexicógrafo, crítico e editor.

Em 1937 tornou-se diretor da Biblioteca Municipal de Maceió. Em 1938 fixou-se no Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar com Paulo Rónai. Juntamente com este, publicou uma antologia do conto universal, sob o título Mar de Histórias, em dois volumes (1945 e 1950). Nesta mesma época, começou a trabalhar com Álvaro Lins, com quem publicou em 1956 o Roteiro Literário do Brasil e de Portugal.
Em 1940 passou a exercer funções de professor de Português no Colégio Pedro II. No ano seguinte iniciou a sua colaboração no Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Com esta colaboração destacou-se definitivamente como lexicógrafo, função em que, ao longo dos anos, se consagraria como figura de primeiro plano no Brasil.

Em 1954 partiu para o México para presidir aos Cursos de Estudos Brasileiros ministrados na universidade da capital. Evidenciou-se ainda como conferencista. Nesta qualidade, deslocou-se a países como a Venezuela, Cuba e Guatemala.
Em 1961 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Faleceu em 1989.

Além das obras já mencionadas, devem ser referidas as seguintes: Linguagem e Estilo de Eça de Queirós (ensaio, 1945); O Romance Brasileiro (ensaio, 1952); Território Lírico (teatro, 1958). Aurélio Buarque de Holanda traduziu ainda os Pequenos Poemas em Prosa de Charles Baudelaire e os Poemas em Prosa de Oscar Wilde.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA