Cultura significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membros,. ativistas, poetas, escritores, produtores culturais, grupos culturais, violeiros, pensantes e os que admiram e lutam pela cultura potiguar. Cultura! A Cultura, VIVE e Resiste! "Blog do CPC/RN, notícias variadas na BASE DA CULTURA!
“Paulista cheia de gente. Maioria absoluta de jovens. Todos os grupos e tribos da esquerda brasileira. Máscaras e distanciamento social. Saímos da paralisia. Fizemos a coisa certa. Com os riscos comuns aos momentos muito graves”, escreveu Altman no Facebook.
Neste sábado (29), manifestações contra Jair Bolsonaro aconteceram não só na Paulista, mas também em outras capitais brasileiras como Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Belo Horizonte, entre outras.
Hoje (29) pela manhã na Escola Estadual ALBERTO MARANHÃO - NOVA CRUZ-RN a Assembléia Geral realizada pelo Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN, convocação em Diário Oficial do Estado do RN - DOE-RN. Após uma manhã de debates presencial com números reduzidos e online com a participação do Diretor da 3* DIREC-SEEC-RN, MARCELO JUNIOR DE ASSIS DA SILVA, e de Claudio Pereira de Lima, entre outros , seguindo as orientações da Secretaria Estadual de Saúde do Estado do Rio Grande do Norte, o Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN, reconduziu por unanimidade o atual presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN Eduardo Vasconcelos para mandato de 2021-2024, como também a diretoria executiva;
Ficando assim constituída: EDUARDO VASCONCELOS - Presidente; José Henrique Santos Vasconcelos, Vice Presidente. Márcia Fernanda dos Santos Silva, Secretária Geral. Cláudio Pereira de Lima, Tesoureiro Geral e, Jailma Félix da Silva. Segunda Tesoureira.
As vices regionais irão ser eleitas em outro momento em suas respectivas regiões, conforme calendário previamente discutido e aprovado pela diretoria executiva.
O suporte foi dado pelo nobre amigo, Elias Júnior do Grupo Arte do Corpo de Nova Cruz.
Eduardo Vasconcelos agradeceu em nome de toda a diretoria recém eleita, prometendo unir cada vez mais a instituição na DEFESA DA CULTURA E DOS ARTISTAS POTIGUARES, resumiu, Eduardo Vasconcelos.
Começou na ultima quarta-feira (26) a primeira edição do Festival Internacional LGBTQIA+ Transamazônico. Até o próximo dia 30 de maio, o festival abre um percurso de mais de 20h de programação com 13 filmes internacionais voltados à temática LGBTQIAP+, com produções da Argentina, da França e do Brasil. Idealizado em Rio Branco, no Acre, o festival será 100% gratuito e online e nasce com a promessa de se tornar referência no empoderamento das produções cinematográficas do setor LGBT na Amazônia.
Segundo o idealizador do festival, Moisés Alencastro, o evento foi criado para entrar na programação oficial de Rio Branco e para levar ao público discussões importantes relacionadas à diversidade e aos direitos da comunidade LGBTQIA+, além de colocar a capital no mapa dos festivais de cinema realizados no Brasil.
“Um festival que abre uma janela para o cinema LGBTQIA+ vai além das questões artísticas, é um espaço de ato político”, escreveu Rose Farias, produtora cultural e roteirista acreana. “São filmes com narrativas de vida, gostos e comportamento naturalizados, numa ruptura com a sociedade conservadora”.
O Transamazônico também promove um ciclo de debates na página do Festival no instagram no formato de lives. A iniciativa busca dar visibilidade a vozes de artistas e profissionais LGBTQIA+ e fomentar discussões relevantes acerca de pautas relacionadas aos direitos humanos e ao audiovisual.
O projeto é realizado com recurso da Lei Emergencial Aldir Blanc através da Fundação Elias Mansour (FEM).
O depoimento do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, nesta quinta-feira (27) serviu para evidenciar que faltou empenho do Governo Federal para adquirir vacinas com agilidade ao Brasil. Ele falou, à CPI da Covid, que o Instituto fez a primeira oferta de vacinas contra a Covid-19 ao Ministério da Saúde em 30 julho de 2020, mas ficou sem resposta. Eram 60 milhões de doses, que seriam entregues em dezembro do ano passado. Ele sustentou que o Governo Bolsonaro ignorou ao menos três propostas.
Segundo ele, o Brasil poderia ter sido o primeiro no mundo a iniciar a vacinação “se todos os atores” tivessem colaborado. Dimas Covas disse que manifestações do presidente Jair Bolsonaro contra a vacina deixaram as negociações “em suspenso” e atrasaram o começo da vacinação no país.
Em dezembro, o laboratório tinha quase 10 milhões de doses da CoronaVac ( 5,5 milhões de doses prontas e 4 milhões em processamento). A vacinação no mundo começou em dezembro. No Brasil, apenas em 17 de janeiro.
— O mundo começou a vacinar no dia 8 de dezembro. O Brasil poderia ter sido o primeiro país do mundo a iniciar a vacinação, se não fossem esses percalços, tanto contratuais como de regulamentação — disse Dimas Covas, que entregou à CPI ofícios para comprovar seu depoimento.
Atraso no cronograma
As “idas e vindas” nas negociações com o governo federal e a demora na assinatura do contrato atrasaram o cronograma e a oferta de vacinas. Segundo Covas, o contrato com o Ministério da Saúde avançou e ficou perto de um desfecho positivo em outubro, com a assinatura de um protocolo de intenções no dia 19 para fornecimento de 46 milhões de doses e a sinalização da edição de uma medida provisória para permitir a compra.
— Infelizmente essas conversações não prosseguiram, porque houve, sim, aí, uma manifestação do presidente da República, naquele momento, dizendo que a vacina não seria de fato incorporada, não haveria o progresso desse processo. […] Houve, no dia 19, um dia antes da reunião com o ministro, um documento do ministério que era um compromisso de incorporação, mas após, esse compromisso ficou em suspenso e, de fato, só foi concretizado em 7 de janeiro — relatou.
Naquele momento, afirmou Dimas Covas, o Instituto Butantan tinha a capacidade de produzir 100 milhões de doses até maio. O diretor classificou o recuo do Ministério da Saúde como “frustrante” e relatou que havia incertezas no financiamento da produção da vacina, mas recebeu o apoio do governador de São Paulo, João Doria, e de outros governadores e prefeitos.
— Até esse momento, o Butantan custeava todas as despesas do estudo clínico, da vinda da matéria-prima, da transferência de tecnologia, com essa pressão muito grande dos estados e municípios. O governador do estado de São Paulo veio em suplência a isso, deu todo o apoio, outros estados também. Na realidade, 17 estados fizeram termos de intenção de aquisição da vacina e muitos municípios do Brasil — apontou.
Segundo Randolfe Rodrigues (Rede-AP), as informações de Dimas Covas indicam que, sem contar outros imunizantes, o país já teria 50 milhões de pessoas imunizadas apenas com a CoronaVac, se o governo federal não tivesse sido omisso.
— O Brasil poderia ter imunizado 50 milhões de brasileiros com duas doses até maio — apontou Randolfe, vice-presidente da CPI.
Negacionismo latente
Senadores de oposição e independentes viram no depoimento do representante do Instituto Butantan que faltou uma cadeia de logística e planejamento do governo para adquirir vacinas.
A fala de Dimas Covas se junta a diversos outros depoimentos, como do representante da Pfizer e ex-ministros da Saúde, de que o governo federal foi omisso e negligente na condução da pandemia.
Atos estão previstos para acontecer em diversos estados. Confira abaixo os locais e horários já divulgados.
Neste sábado, 29 de maio, a população sai às ruas em todos os estados do país para o Dia Nacional de Mobilização pelo Fora Bolsonaro e Mourão: “Queremos Vacina, Pão, saúde e educação!”. O governo federal tem sido apontado como o principal responsável pela extensão e agravamento da pandemia da Covid-19 no país, que já ceifou mais de 450 mil vidas, pelo aprofundamento do desemprego e da fome entre brasileiros e brasileiras.
Além do Fora Bolsonaro e Mourão, a manifestação reivindica vacinação imediata para toda a população, auxílio emergencial de, no mínimo, R$ 600, e denuncia os cortes orçamentários na Educação, a reforma Administrativa e as privatizações.
"Nós vamos continuar defendendo o serviço público, a classe trabalhadora e a educação pública. Por isso, é importante a mobilização e é importante irmos para às ruas dizer não ao governo Bolsonaro, pois a cada dia, nesse governo, são milhares de mortes. Portanto, o dia 29 é fora todo esse descaso, toda essa política de morte. É contra a privatização, é contra os ataques aos direitos que suamos para conquistar. O ANDES-SN faz esse chamado para que possamos intensificar a mobilização nas ruas, lugar onde a gente aprendeu e sabe fazer luta", explica Rivânia Moura, presidenta do ANDES-SN.
A data é organizada pelas centrais sindicais, movimentos sociais, sindicatos, entidades de trabalhadores e trabalhadoras da Educação, estudantes, entre outros. O ANDES-SN convoca todas as suas seções sindicais a se juntarem à mobilização, respeitando as orientações sanitárias de distanciamento social, o uso da máscara adequada (PFF2/N95), e de álcool em gel.
"Sabemos que há riscos, pois a pandemia ainda está matando milhares, mas esse governo está matando mais que o vírus. Além de ter como projeto a recusa no combate eficaz à Covid-19, deixa à população à mingua, em situação de desemprego, fome e miséria. Conclamamos todas e todos que sentirem segurança, não forem grupo de risco e não estiverem com sintomas de Covid-19 para irem às ruas protestar por Vacina, Pão, Saúde e Educação, pelo Fora Bolsonaro e Mourão, em defesa dos nossos direitos e das nossas vidas", conclama a presidenta do Sindicato Nacional.
*Confira os locais e horários de manifestações:
Norte AM – Manaus – Praça da Saudade | 16h AP – Macapá – Praça da Bandeira | 16h PA – Altamira – Concentração na Equatorial Energia | 8h PA – Belém – Praça da República | 8h PA – Castanhal – Praça Estrela | 16h PA – Santarém – Praça de Eventos | 17h30 TO – Araguaina – Praça das Bandeiras | 16h TO – Palmas – Av. Juscelino Kubitschek – em frente ao Palácio Araguaia | 9h RO – Porto Velho – Em frente à praça da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré | 8h RR – Boa Vista – Praça do Centro Cívico | 10h
Nordeste AL – Maceió – Praça dos Martírios | 9h e Praça Centenário | 9h BA – Ilhéus – Praça Caiuru | 10h BA – Salvador – Largo do Campo Grande | 10h BA – Feira de Santana – Em frente à Prefeitura Municipal | 9h CE – Fortaleza – Carreata Arena Castelão | 15h CE – Fortaleza – Praça da Gentilândia | 15h30 CE – Juazeiro do Norte – Praça da Prefeitura | 8h MA – Imperatriz – Praça de Fátima | 9h MA – São Luís – Praça Deodoro | 16h PB – João Pessoa – Carreata Praça da Independência | 9h PB – Patos – Correios | 8h PE – Recife – Praça do Derby | 9 h PE – Caruaru – Centro | 9h PE – Garanhuns – Centro | 9h PI – Teresina – Praça Rio Branco | 8h RN – Mossoró – Praça Cícero Dias | 16h RN – Natal – Em frente ao Midway Mall | 15h SE – Aracaju – Praça de Eventos entre os Mercados | 8h
Centro-Oeste DF – Brasília – Carreata Palácio do Buriti (até a Esplanada) | 8h30 DF – Brasília – Museu Nacional | 9h GO – Goiânia – Praça Cívica | 9h MS – Aquidauana – Praça dos Estudantes | 9h MS – Campo Grande – Em frente à Ufms | 8h MS – Dourados | 9h MS – Três Lagoas – Praça Ramez | 9h MT – Cuiabá – Praça Alencastro | 15h
Sudeste ES – Vitória – Ufes | 15h MG – Barbacena – Praça da Matriz | 10h MG – Belo Horizonte – Praça da Liberdade | 10h MG – Caratinga – Praça da Estação | 15h MG – Divinópolis – Praça da Catedral | 9h MG – Governador Valadares – Praça dos Pioneiros | 9h MG – Itabirito – Em frente à Prefeitura | 8h MG – Juiz de Fora – Parque Halfeld | 10h30 MG – Mariana – Praça da Sé | 9h e Terminal turístico | 9h MG – Montes Claros – Praça Dr. João Alves | 9h MG – Ouro Branco – Av. Mariza 1596 (Posto Ipiranga) | 10h MG – Ouro Preto – Praça Tiradentes | 10h MG – Pouso Alegre – Praça da Catedral | 10h MG – São João Del Rei – Teatro Municipal | 10h MG – Uberaba – Praça Rui Barbosa | 11h MG – Uberlândia – Praça Ismene Mendes | 10h MG – Viçosa – 4 Pilastras | 9h30 RJ – Rio de Janeiro – Monumento Zumbi dos Palmares | 10h RJ – Rio das Ostras – Concentração ao lado da Feira Livre do Âncora |8h RJ – Campos – Praça São Salvador | 10h RJ – C.Goytacazes – Praça São Salvador | 15h RJ – Macaé – Praça Veríssimo de Melo | 9h30 SP – Assis – Em frente ao Homem de Lata (Av. Rui Barbosa) | 10h SP – Campinas – Largo do Rosário | 10h SP – Ilha Bela – Praça da Mangueira (em frente ao colégio Acei) | 9h SP – Indaiatuba – Rua João Martini (esquina Av. Ário Barnabé) | 14h SP – Praia Grande – Quadradão do Quietude | 11h SP – Praia Grande – Estátua Yemanjá | 13h SP – Ribeirão Preto – Esplanada do Teatro Pedro II | 10h SP – Santos – Unifesp | 15h SP – Santos – Estação Cidadania | 16h SP – São Bernardo do Campo – Paço Municipal de SBC | 10h SP – São José dos Campos – Rodovia Carvalho Pinto | 9h SP – São Paulo – Masp | 16h SP – Taubaté – Praça Dom Epaminondas | 10h
Sul PR – Cascavel – Calçadão Av. Brasil | 10h PR – Curitiba – Praça Santos Andrade | 16h PR – Ponta Grossa – Praça Barão de Guaraúna | 16h PR – Maringá – Praça Raposo Tavares | 10h SC – Blumenau – Praça Carlos Gomes | 10h SC – Florianópolis – Largo da Alfândega | 10h SC – Joinville – Praça da Bandeira | 10h RS – Passo Fundo – Praça da Mãe | 8h RS – Pelotas – Em Frente à Prefeitura | 10h RS – Porto Alegre – Prefeitura | 15h
*informações extraídas da CSP-Conlutas e Seções Sindicais do ANDES-SN.
Sambista, mangueirense, crioulo,
gigante, Nelson Sargento morreu nesta quinta-feira (27), aos 96 anos, por
Covid-19.
Dizem que o “jovem de grande valor”, citado
por Cartola no samba “Fiz por você o que pude”,
é Nelson Sargento. Entendo que não há glória maior do que a de ser
homenageado em samba pelo divino Cartola. E, com o mesmo sangue na
veia, NelsonSargento seguiu. Com maestria
empunhou o pavilhão verde e rosa. Cartola ao final do labor, do astral, com
certeza, vive a sorrir.
Por Murilo Mendes
– Foco Coletivo
É engraçado, dessas coincidências que a vida nos
prega. Dias atrás estava escutando um disco que fazia tempo que não punha para
rodar. No disco de estreia do cantor paulista Tuco Pelegrino (“Peso é Peso” –
2010), Nelson dá uma rateada e esquece um pedaço da letra do samba em que
responde, justamente, o samba citado acima. No final da gravação, Nelson
Sargento pede desculpas e completa: “Tem horas que a emoção trai a
gente. Acontece né?!”
Eu poderia falar aqui da importância do Nelson
Sargento, “a mais alta patente do samba” para a Mangueira e
o samba em geral, exaltar que talvez ele seja o último elo com as primeiras
gerações das escolas de samba, falar dos grupos que ele integrou, como Os
quatro crioulos (com Paulinho da Viola, Anescarzinho do Salgueiro e
Elton Medeiros), ou exaltar que é dele o grande hino do sambista
brasileiro. Nelson Sargento é gigante. Tem tanta coisa que
daria para falar dele, mas tem horas que a emoção, trai a gente.
Vai na paz meu professor. Com você a gente aprendeu
que o morro é um encanto de paisagem, que a gente agoniza, mas não morre, etc.
Resistiremos. Como você sempre nos ensinou.
Aqui, o lindo
samba do Operário, de Alfredo Português, Cartola e Nelson Sargento:
Samba do Operário
Se o
operário soubesse
Reconhecer o valor que tem seu dia
Por certo que valeria
Duas vezes mais o seu salário
Mas como
não quer reconhecer
É ele escravo sem ser
De qualquer usurário
Abafa-se
a voz do oprimido
Com a dor e o gemido
Não se pode desabafar
Trabalho
feito por minha mão
Só encontrei exploração em todo lugar
O sambista Nelson Sargento morreu nesta quinta-feira, dia 27, aos 96 anos, em decorrência da Covid-19. Ele estava internado desde o dia 20 de maio no Instituto Nacional do Câncer (Inca), onde já havia tratado um câncer de próstata há dez anos. Seu estado agravou na quarta-feira, 26, quando começou a respirar com auxílio de máscara de oxigênio após ter uma piora do padrão ventilatório e hipertensão.
O sambista tomou as duas doses da vacina CoronaVac. Sargento foi um dos primeiros cariocas a se vacinar contra a Covid-19, numa cerimônia simbólica no Palácio da Cidade, em 31 de janeiro. Ao lado dele, naquele dia, estavam outros quatro idosos, entre eles o ator Orlando Drummond, de 101 anos.
Carioquíssimo, Nelson Sargento nasceu em 25 de julho de 1924 na Praça Quinze. Ele passou a infância no Morro do Salgueiro, na Tijuca, com a mãe e os 17 irmãos. Seu primeiro contato com o samba foi cedo, ao começar a desfilar aos 9 anos na Escola Azul e Branco, do Salgueiro.
A família se mudou para o Morro da Mangueira quando ele tinha 12 anos. Lá, sua mãe se envolveu com o compositor de fado e pintor de parede português Alfredo Lourenço, conhecido como Alfredo Português. Nelson o acompanhava nos ensaios da extinta Escola Unidos de Mangueira.
O artista aprendeu a tocar violão com mestres do samba como Cartola, Nelson Cavaquinho e o compositor Geraldo Pereira e começou a fazer música ainda adolescente. Por influência do padrasto e do compositor Carlos Cachaça, passou a integrar a ala de compositores da Estação Primeira de Mangueira em 1942, aos 18 anos.
Em 1955, aos 31 anos, compôs com Alfredo Português “Primavera”, samba-enredo também conhecido como “As quatro estações do ano” e considerado um dos mais bonitos de todos os tempos, com o qual a Mangueira foi vice-campeã, ficando atrás do Império Serrano. Em 1958, tornou-se presidente da ala dos compositores.
Nelson Sargento assinou mais de 400 composições, e “Agoniza, mas não morre”, uma de suas composições mais conhecidas, tem mais de 30 regravações. Ele integrou o conjunto A Voz do Morro, ao lado de Paulinho da Viola, Zé Kéti, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, José da Cruz e Anescarzinho. Juntos, lançaram três álbuns, entre 1965 e 1966. Com o grupo Os Cinco Crioulos, com formação que mistura integrantes do Rosas de Ouro e do A Voz do Morro, gravou três álbuns, entre 1967 e 1969.
Em 2013, Nelson Sargento foi homenageado com o cargo de presidente de honra da Mangueira. Baluarte da escola, ele foi protagonista em vários desfiles. Em sua última passagem pela Sapucaí, em 2020, aos 95 anos, ele interpretou José, pai adotivo de Jesus, no enredo “A verdade vos fará livre”, capitaneado pelo carnavalesco Leandro Vieira.
A importância do cantor e compositor para a cultura negra foi fundamental para a sua escolha como Zumbi no enredo da Mangueira em 2019, “História para ninar gente grande”, que celebrou heróis populares muitas vezes esquecidos nas versões oficiais da história, do líder quilombola à vereadora assassinada Marielle Franco.
Também em 2019, foi a última vez em que o sambista conseguiu comemorar seu aniversário com uma festa em grande estilo, na quadra da Verde e Rosa, durante a tradicional feijoada da escola. Em 2020, já na pandemia, a comemoração teve cantatas virtuais e presenciais — esta última, respeitando as regras de distanciamento, na calçada do prédio onde o baluarte vivia com a mulher, Evonete Belizário. Uma das homenagens na época foi o clipe do samba “Agoniza mas não morre”, um de seus maiores sucessos, com a participação de um coral de amigos e artistas.
Ainda em vida, o baluarte da Mangueira recebeu uma série de homenagens.
Em 2016, a convite do Sindicatis participou de uma grande e concorrida roda de samba em Curitiba que aconteceu na Sociedade D. Pedro ll.
Mestre Nelson Sargento com seu amigo e companheiro da Ala de Compositores da Verde e Rosa o paranaense Cláudio Ribeiro.
Em 2017, foi eleito Cidadão Samba, num evento promovido por um jornal. Em 2015, recebeu o Estandarte de Ouro na categoria Personalidade. O sambista ainda virou enredo duas vezes: em 2012, na agremiação Unidos de Jacarezinho, em “O samba agoniza, mas não morre: Nelson Sargento da Mangueira e do Jacaré também”; e em 2015, pelo Grêmio Recreativo e Escola de Samba Inocentes de Belford Roxo, em “Nelson Sargento: samba, inocente e pé no chão”
Nelson ainda foi condecorado três vezes. Em 1996, recebeu a Medalha Pedro Ernesto da Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelos serviços prestados à cultura. Já em 2016, virou comendador da Ordem do Mérito Cultural (OMC). A última condecoração foi a Medalha São Sebastião do Rio de Janeiro, concedida pela Prefeitura do Rio.
Paralelamente à carreira de músico, Nelson Sargento desenvolveu aptidão para as artes plásticas e também na literatura. Inicialmente, suas obras eram mais abstratas. Depois, passou a retratar o cotidiano das favelas cariocas. No último Rock in Rio na capital fluminense, em 2019, o compositor ganhou uma homenagem em forma de exposição com 14 de seus quadros, nos bastidores do Espaço Favela, novidade do festival naquele ano.
O artista dedicou seus últimos anos à leitura, à conclusão de versos que estavam inacabados e à pintura dos quadros. Alguns foram vendidos por valores entre R$ 2,9 mil e R$ 3,5 mil, ajudando a compor as finanças da família.
Nelson também tem livros de poesia publicados. O primeiro, “Prisioneiros do mundo” (1994), foi lançado por insistência de sua mulher, Evonete. Sua obra poética inclui reflexões existenciais e temas relacionados à natureza. A inspiração, tanto para as composições quanto para as poesias, sempre foram a vivência nas ruas e a boemia.
Sem fazer shows desde o começo da pandemia de Covid-19, um dos últimos foi no Japão, em 2020, onde o mangueirense se apresentava todos os anos.
O mangueirense chegou a enfrentar dificuldades financeias devido à suspensão dos shows por causa da pandemia. Era dos palcos que vinha a maior parte de sua renda. O compositor chegou a colocar à venda objetos de seu acervo pessoal, incluindo ternos nas cores verde e rosa, usados nos desfiles da escola. Porém, não foi necessário se desfazer das peças, já que ele acabou recebendo vários apoios, inclusive da Mangueira.
Além da mulher, Evonete Belizario Mattos, Nelson Sargento deixa seis filhos biológicos e três adotivos.
Com a pandemia, muitos procuraram formas de empreender e apostaram na economia criativa. Nesse contexto, a Biblioteca de São Paulo (BSP) realizará, em 28 de maio, a atividade online intitulada Empreendedorismo: Caixa Presente Lucrativa, com a chef confeiteira Laís Berlatto. A BSP é equipamento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, gerida pela Organização Social SP Leituras – eleita pelo terceiro ano consecutivo uma das 100 Melhores ONGs do Brasil.
Em aula, os participantes aprenderão a preparar brigadeiros de alta durabilidade, pães de mel, alfajores e barras recheadas, que podem compor caixas presenteáveis para vender o ano todo. A atividade inclui, além das técnicas de confeitaria, dicas de marketing e precificação, explanações sobre como acondicionar os produtos de forma atraente, e temas como normas de higiene e boas práticas para a manipulação e conservação dos alimentos.
Laís Berlatto é especialista em Gastronomia e Cozinha Autoral, atualmente pós-graduanda do programa de Nutrição, Alimentação Saudável e Empreendedorismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Trabalha há oito anos na área, ministra cursos e mantém produções para eventos em seu ateliê.
Com a necessidade de estimular o distanciamento social e outras medidas de proteção contra o contágio pelo novo coronavírus, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa criou o #Culturaemcasa, que amplia a oferta de conteúdos virtuais dos equipamentos. Importante lembrar que a BSP está retomando as atividades presenciais de terça a domingo, das 10h às 16h, atendendo às medidas da fase de transição do Plano São Paulo. Para saber mais sobre a programação da biblioteca, acesse o site www.bsp.org.br e as redes sociais (BSPbiblioteca).