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sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Clássicos da MPB completam 50 anos em 2022

 

Em 1972, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Elis Regina, Milton Nascimento, Novos Baianos e Paulinho da Viola lançaram LPs (long plays) que mais tarde seriam considerados clássicos da música popular brasileira. Dos 6 álbuns, 3 estão no top 10 do ranking “Os 100 maiores discos da música brasileira”, publicado pela versão nacional da revista Rolling Stone (RS) em outubro de 2007.

Por ocasião dos aniversários de 50 anos dessas obras, o Poder360 entrevistou pesquisadores e jornalistas especializados no assunto.

Os 6 clássicos que completam 50 anos

Eis os LPs de 1972 que estão entre os 100 maiores álbuns da música brasileira, na ordem em que aparecem no ranking.

Elis

Álbum “Elis” I Foto: Divulgação

Como 6 dos 18 álbuns de estúdio de Elis Regina (1945-1982) chamam-se “Elis”, o LP lançado em maio de 1972 ficou conhecido como “o disco da cadeira”. Foi gravado no mês anterior, com produção de Roberto Menescal e arranjos de César Camargo Mariano. Ocupa a 98ª posição da lista –“Falso brilhante” (1976), na 36ª colocação, é o outro álbum de Elis presente no ranking.

O 1º registro em LP de “Águas de Março” (Tom Jobim) está aqui. A canção foi apresentada ao público durante show realizado 1 mês antes do disco chegar nas lojas. A novidade criou expectativa: “Assim, sem mais nem menos, estamos aguardando o lançamento do novo disco de Elis Regina, onde ela canta ‘Águas de Março’ de Antônio Carlos Jobim”, escreveu Walter Silva para a Folha de S. Paulo na época. Algumas semanas antes, o mesmo jornal havia publicado nota sobre a “linda e recente” composição de Tom.

O resultado em estúdio agradou os jornalistas que escreviam sobre música, apesar de Silva ter mencionado um possível “problema de mixagem” na faixa. Nota publicada no O Globo diz: “Nada mais simples e lindo que ‘Águas de Março’. Elis, no disco, nos dá uma aula espetacular de divisão de compasso e domínio de respiração. É, até que provem o contrário, a música do ano”.

Em uma edição diferente, o jornal menciona outras das 12 músicas do álbum. Destaca “Boa noite, amor” (Francisco Mattoso e Zequinha de Abreu), “Vida de Bailarina” (Americo Seixas e Dorival Silva), “Olhos Abertos” (Zé Rodrix e Guarabyra), “Atrás da Porta” (Chico Buarque e Francis Hime), “Nada Será como Antes” e “Cais” (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos). No último parágrafo, depois de falar sobre a potência vocal da cantora gaúcha, diz: “Essas qualidades, mais o bom repertório escolhido, fazem do novo disco uma pedida certa e indispensável”.

Ouça a gravação de “Águas de Março” na voz de Elis Regina (3min05s):

“Elis” 50 anos depois

O Poder360 entrevistou a jornalista Chris Fuscaldo, que também é musicista e doutora pelo programa de Literatura, Cultura e Contemporaneidade da PUC-Rio. Perguntamos se “Elis” continua relevante 50 anos depois do seu lançamento. Eis a resposta:

“Super [relevante]. Curiosamente, esse é o momento de isolamento da Elis. Ela teve uma vida de muitos amores, altos e baixos, brigas, experimentações, viagens. Foi uma vida bem agitada, e de repente ela vai para o campo. Esse disco é a cara desse momento de isolamento que ela está vivendo. Isolamento esse que nós fomos obrigados a viver nesses últimos 2 anos. Em 2022, a gente não vai estar tão livre quanto estava em 2019”.

Elis Regina I Foto: Reprodução

Em 2021, Chris Fuscaldo e o jornalista Marcelo Bortoloti publicaram o livro “Viver é melhor que sonhar”, sobre Belchior. Fuscaldo diz: “Esse disco tem ‘Mucuripe’, música do Belchior e do Fagner, que é extremamente contemplativa. Uma música que não tem nada a ver com o campo –pelo contrário, tem a ver com água, com mar. Mas se você parar para pensar, parece que ela [Elis] tá na beira do mar contemplando. Então esse era um momento muito contemplativo dela, e é uma coisa que todos nós, de alguma forma, fomos obrigados a viver”.

Escute a playlist do álbum no canal oficial da artista no YouTube:

A Dança da Solidão

Álbum “A dança da solidão” I Foto: Divulgação

Um dos poucos discos de samba presentes no ranking, não poderia ter sido lançado de outra forma: roda de samba com amigos na sede da gravadora Odeon em uma noite de 6ª feira (6.out). O próprio Paulinho distribuiu os convites, “mas quem gosta de música será recebido com chope e alegria”, dizia nota do O Globo do dia.

“A Dança da Solidão” é o 5º álbum de estúdio de Paulinho da Viola. Ocupa o 30º lugar na lista da RS, tendo a 2ª posição mais alta entre os álbuns do gênero. Atrás apenas de “Cartola”, de 1976 (8ª colocação geral).

O álbum teve produção de Milton Miranda e direção musical de maestro Gaya, que também orquestrou e regeu os arranjos. A capa é assinada por Elifas Andreato, designer e ilustrador responsável pela arte de “Nação” (Clara Nunes, 1982), “Canta Canta, Minha Gente” (Martinho da Vila, 1974), “Nervos de Aço” (Paulinho da Viola, 1973) e muitos outros.

No repertório, composições próprias (“Guardei minha viola”, “No Pagode do Vavá”, “Ironia” e “Dança da Solidão”); parcerias (“Coração imprudente” e “Orgulho”, ambas com Capinan); e de terceiros. Entre os compositores gravados, Geraldo das Neves (“Papelão”), Nelson Cavaquinho (“Duas horas da manhã”, com Ary Monteiro), Nelson Sargento (“Falso moralista”) e Cartola (“Acontece”).

Paulinho da Viola I Foto: Reprodução

Crítica de “A Dança da Solidão” publicada na Folha de S. Paulo dizia: “A MPB atual está dividida em 3 correntes: a dos continuadores da bossa-nova (Milton Nascimento, Dori Caymmi), do som universal (Caetano Veloso, Gilberto Gil) e do sambão tradicional (Martinho da Vila, Candeia). Nesta última corrente, sem dúvida nenhuma o compositor mais criativo é Paulinho da Viola […]”.

Também recebeu elogios no O Globo. Heitor Quartin disse: “Como intérprete e compositor, Paulinho da Viola é Sucesso em Madureira ou Ipanema. […] O samba pode ser da pesada ou mais sofisticado. Pode ser cantando na Avenida ou na Banda de Ipanema. Mas não vai nisso nenhuma intenção de ‘fabricar o sucesso’. É que ele é isso mesmo, bom de viola, bom de notas, bom de poesia”.

“A Dança da Solidão” 50 anos depois

O Poder360 entrevistou Fernando Paiva, que é vice-presidente do Instituto Glória ao Samba, pesquisador e entusiasta do gênero. Perguntamos o que explicaria o bom desempenho de “A Dança da Solidão” no ranking, tendo em vista a presença tímida de discos de samba na lista. Eis a resposta:

“É um disco com um repertório de peso, tem uma escolha de letras muito acima da média. Traz muito da simplicidade do samba: cavaquinho, pandeiro, agogô… É possível escutar a marcação do surdo… Até surpreende estar nessa lista por ser um disco de samba tradicional. Geralmente essas listas escolhem trabalhos que transformaram ou inovaram”.

Escute a playlist do álbum no canal oficial do artista no YouTube:

Expresso 2222

Álbum “Expresso 2222” I Foto: Reprodução

Gilberto Gil voltou ao Brasil em janeiro de 1972, depois de passar 3 anos exilado em Londres com Caetano Veloso. O cantor, compositor e instrumentista baiano havia lançado o LP “Gilberto Gil” no ano anterior. Ao retornar do Reino Unido, disse que o seu próximo disco seria apenas o registro da mais recente etapa do seu trabalho.

“Expresso 2222”, seu 6º álbum de estúdio, chegou às lojas em julho daquele ano. Em 2007, o trabalho seria eleito o 26º maior disco do país pela lista da RS. Sendo, entre os 4 trabalhos solo de Gil citados, o melhor classificado –os demais são “Refazenda” (1975), na 43ª posição; “Refavela” (1977), em 54ª; “Gilberto Gil” (1968), como 78ª.

Entre as 9 faixas de “2222” (como os jornais da época se referiam ao LP, devido a este ser o único texto verbal presente na capa), experiências (criações próprias) e amostras de suas raízes (obras de outros compositores brasileiros).

A instrumental “Pipoca Moderna” (Sebastião Bianco), “O canto da Ema” (João do Vale, Aires Viana e Alventino Cavalcanti), “Chiclete com banana” (Almira Castilho e Gordurinha) e “Sai do sereno” (Onildo Almeida) são as músicas que Gil pegou emprestadas de conterrâneos.

A maioria das composições próprias – “Back in Bahia”, “Ele e eu”, “Expresso 2222”, “O sonho acabou” e “Oriente”– foram escritas ainda na capital inglesa, arranjadas no Brasil e aprimoradas durante shows até, por fim, serem gravadas em São Paulo.

O disco teve direção de produção de Guilherme Araújo, coordenação de Roberto Menescal e direção musical do próprio Gil. Os instrumentistas Lany Gordin (guitarra), Bruce Henry (baixo), Antônio Perna (piano) e Tutty Moreno colaboraram com os arranjos. Gal Costa participou da gravação de “Sai do sereno”; a Banda de Pífanos de Caruaru, de “Pipoca moderna”.

No dia seguinte ao lançamento de “Expresso 2222”, O Globo publicou uma nota na sessão de discos. Dizia: “Dentre este grupo de baianos que de uma hora para outra tomou conta de um setor da MPB, alguns poucos realmente convencem, enquanto outros fazem onda apenas, se aproveitando do fato de já ter sido aberto o caminho na frente. Gil é disparado o melhor, o mais profundo, o mais talentoso, aquele menos preocupado com a imagem e mais ‘na do compor’, o mais simples, o mais autêntico”.

Ibanez Filho, da Folha de S. Paulo, escreveu uma longa crítica. “O disco realmente é um registro, no sentido em que é a realização final, acabada, lapidada e perfeita, das experiências musicais da última fase do trabalho de Gilberto Gil”, diz.

Gilberto Gil I Foto: Reprodução

Depois de comentar as principais faixas do álbum, Filho escreve: “O disco é perfeito. Gostar ou não do LP torna-se assim apenas uma questão pessoal e subjetiva. Sem dúvida nenhuma, este disco, encarado como um registro pelo seu criador, já é um marco dentro da evolução da música popular brasileira”.

“Expresso 2222” 50 anos depois

O jornalista Luiz Filipe Carneiro fez um vídeo dedicado ao “Expresso 2222” para o seu no canal no Youtube, Alta Fidelidade. Ele diz: “O que mais me impressiona nesse disco é a ponte que ele [Gilberto Gil] faz das suas origens para o futuro”.

Mais adiante no vídeo, Carneiro diz: “[Expresso 2222] pode representar o sonho da música universal do Gilberto Gil. Uma música tão rica que acaba agradando a quase todos. Seja o moleque roqueiro, seja o pai ou avó fã de Luiz Gonzaga ou João Gilberto, seja o tio fã de Bob Marley”.

Carneiro ainda fala sobre a importância de “Expresso 2222” na carreira do Gil: “Eu acho que esse disco representa uma espécie de farol. Acredito que tudo que ele fez depois tenha algo do ‘Expresso 2222’. Difícil imaginar o ‘Refavela’, a fase pop na década de 80 ou ‘Parabolicamará’ [de 1992] sem o ‘Expresso 2222’. Difícil imaginar os tributos a Bob Marley e Luiz Gonzaga, nos anos 2000, sem o ‘Expresso 2222’”.

Escute a playlist do álbum no canal oficial do artista no YouTube:

Transa

Álbum “Transa” I Foto: Divulgação

Caetano Veloso é o artista com mais álbuns solo na revista. Entre os 5 discos do cantor e compositor mencionados na lista, “Transa” é o trabalho melhor posicionado. É o 10º colocado entre 100.

Sucessor de “Caetano Veloso” (também chamado por fãs e críticos de “London, London”, de 1971), foi seu 2º disco gravado durante o exílio. Seria lançado no Brasil em março, mas só chegou às lojas em maio daquele ano.

Assim como o disco anterior, “Transa” foi produzido por Ralph Mace. O britânico ficou encarregado das questões técnicas da gravação. Já o cantor, compositor e violonista carioca Jards Macalé foi responsável pela “direção artística” dos arranjos –que ele, Caetano, Moacyr Albuquerque (baixo), Áureo de Souza (percussão) e Tutty Moreno (bateria) criaram. Esses músicos acompanharam Veloso nas primeiras apresentações realizadas depois de sua volta ao Brasil.

Foi em um show no Tuca (Teatro da Universidade Católica), em São Paulo, que a imprensa conheceu algumas das canções que estariam no LP. Em resenha publicada na Folha de S. Paulo, Walter Silva destacou “Triste Bahia” (releitura do poema de Gregório de Mattos), “It’s a long way” (Veloso) e “Mora na Filosofia” (Monsueto Menezes e Arnaldo Passos).

Completam o repertório do disco: “You Don’t Know Me“, “Neolithic Man“, “Nostalgia (That’s What Rock’n Roll Is All About)” e “Nine Out of Ten“. Esta última, segundo o próprio Caetano, sua melhor composição em inglês.

Se o 1º trabalho de Caetano nas Terras da Rainha ficou marcado pela saudade e a tristeza de um baiano na cinzenta capital inglesa, às vésperas de seu retorno o artista compôs como um estrangeiro que aprendeu a gostar das diferenças. “Não existe mais o ambiente cinza e frio de ‘London, London’, que foi substituído pela agitação de Porto Bello Road ou os filmes do Eletric Cinema que fazem o compositor chorar e se sentir vivo […]”, disse Ibanez Filho em resenha publicada na Folha. Referiu-se à “Nine Out of Ten”, mas o comentário continua verdadeiro se estendido para todo o álbum.

“Transa” 50 anos depois

Allan de Paula Oliveira, músico, pesquisador e professor da graduação e pós-graduação em Música Popular na Unespar (Universidade Estadual do Paraná). De 2016 a 2017, Oliveira e o acadêmico João Pedro Schmidt realizaram um projeto de iniciação científica sobre o disco. “O ‘Transa’ é o trabalho onde o Caetano começa a trabalhar de uma forma que viria a marcar a carreira dele. Tá muito próximo do LP de 71 em termos de sonoridade, mas tem uma ruptura. Afirma uma sonoridade de banda e aponta para um elemento muito importante na obra do Caetano, que é um certo cosmopolitismo”, diz Oliveira.

Caetano Veloso I Foto: Reprodução

O Poder360 perguntou a Oliveira se o trabalho continua relevante 50 anos depois do seu lançamento. Eis a resposta: “Ainda é um álbum excelente. Eu acho engraçado como algumas bandas soam datadas e outras não. Você ouve coisas da década de 70 e elas têm ‘cara de década de 70’. O ‘Transa’ não tem. É um disco que poderia ser feito hoje. Claro, tem ‘um espírito’ da década de 70, mas de uma maneira tão sofisticada, tão sutil, que o álbum é perene”.

O artigo “Ó quão dessemelhante? Dialogismo e campo musical no LP Transa, de Caetano Veloso“, síntese da pesquisa de Oliveira e Schmidt, está disponível para leitura e download aqui.

Escute a playlist do álbum no canal oficial do artista no YouTube:

Clube da Esquina

Álbum “Clube da esquina” I Foto: Divulgação

Em 1972, Milton Nascimento era considerado um dos principais nomes da música popular brasileira. Apenas 5 anos depois do seu álbum de estreia, “Travessia” (1967), o cantor e compositor carioca conseguiu fazer com que os grandes jornais do eixo Rio-São Paulo dessem alguma atenção para o que acontecia fora do próprio umbigo. Não só isso: com base nos acervos digitalizados dos principais veículos brasileiros, é possível dizer que os próximos passos de Bituca era um dos assuntos que mais interessavam aos jornalistas que cobriam a MPB.

A expectativa pelo 5º álbum de estúdio do cantor era grande. Sabia-se que Nascimento dava uma pausa na criação para dedicar seu tempo ao projeto: um LP com canções compostas ao longo dos 2 anos em que estava morando em Minas Gerais, em parceria com artistas locais. E um show, que serviria para apresentar as músicas ao público antes do lançamento do disco.

Na contramão de tudo que era feito no setor fonográfico brasileiro, as capitais paulista e fluminense foram colocadas em 2º lugar. Em entrevista publicada pelo O Globo em 14 de janeiro de 1972, Milton contou porque preteriu os grandes centros. “Esta turma daqui de Minas é boa mesmo. Estão aí o Márcio Borges, o Toninho Horta, o Fernando Brant e o Lô [Borges] para provar o que digo. Mas em termos de mercado só existe mesmo Rio e São Paulo. Principalmente o Rio. Vamos lançar o long play aqui [em Minas Gerais] porque a turma é quase toda de Belo Horizonte. A gente já fez muita coisa juntos e agora resolvemos lançar o ‘Clube da Esquina’ no lugar de origem”, diz o cantor.

Quando chegou às lojas, uma informação até então ignorada pela imprensa ganhou destaque. “Clube da Esquina” era um LP de Milton Nascimento “com Lô Borges”. O cantor e compositor mineiro, pouco conhecido a nível nacional, assinava 8 das 21 faixas do álbum duplo. São elas: “Tudo que você podia ser”, “Um girassol da cor do seu cabelo”, “Estrelas” e “Trem de doido” (com Márcio Borges); “O trem azul” e “Nuvem cigana” (com Ronaldo Bastos); “Paisagem da janela” (com Fernando Brant) e “Clube da Esquina nº2” (com Milton e Márcio Borges). Ainda em 1972, Borges lançaria pela Odeon o seu primeiro álbum solo, “Lô Borges”.

A divisão do protagonismo foi questionada. “Muita gente, mesmo entendendo das coisas, acha que eu dei tremenda colher de chá ao Lô, ao destacá-lo em meu disco. Nada disso. Primeiro, o disco não é meu só, mas de todo mundo que aparece na capa, gente em que acredito. A ideia foi juntar essa gente num trabalho. Foi um negócio criado por Lô e por mim”, disse Milton ao O Globo de 23 de março de 1972. Essa questão, porém, nem de longe ameaçou a discussão sobre a qualidade do trabalho.

Lô Borges e Milton Nascimento I Foto: Reprodução

Com direção de produção de Milton Miranda, direção musical do Maestro Gaya e orquestração de Eumir Deodato e Wagner Tiso, “Clube da Esquina” foi bem-recebido pela crítica. “Dois discos compõem este excepcional lançamento da Odeon, que representa sem nenhum favor o que de melhor está sendo feito em matéria de Música Popular Brasileira no momento”, diz nota no O Globo de 26 de abril.

“Clube da esquina” 50 anos depois

O Poder360 conversou sobre “Clube da esquina” com 2 jornalistas especializados em música. O jornalista Emerson Gasperin, que foi editor-chefe da extinta revista Bizz, comentou o seguinte: “O ‘Clube da Esquina’ é um disco muito importante para o contexto brasileiro porque ‘resgata’ essa alma caipira do país. É um disco rural, folk, moda de viola… E é tão brasileiro quanto um disco de samba ou de outro ritmo que tenha matriz negra”.

Kamille Viola, que além de repórter é pesquisadora e autora do livro “África Brasil: Um dia Jorge Ben voou para toda a gente ver”, disse: “‘Clube da Esquina’ é um disco clássico da MPB. Atemporal, soa bem até hoje. Reflete a época: vai dos temas mais hippies até à questão política. Todos os artistas do Clube da Esquina fizeram carreira. É um disco do meu coração, mas é um disco do coração da música brasileira“.

Escute a playlist do álbum no canal oficial do artista no YouTube:

Acabou Chorare

Álbum “Acabou chorare” I Foto: Divulgação

Nem João Gilberto, nem Dorival Caymmi. Tampouco Gal Costa, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Caetano Veloso. Ou mesmo Raul Seixas. Em uma lista marcada pela grande quantidade de consagrados artistas da Bahia, o título de maior disco da música brasileira pertence a “Acabou Chorare”, dos Novos Baianos.

Baby do Brasil, Morais Moreira, Luiz Galvão, Paulinho Boca de Cantor, Pepeu Gomes, Jorginho Gomes e Dadi Carvalho reuniram-se em Salvador. E morando na capital baiana gravaram um compacto e seu 1º álbum de estúdio, “É ferro na boneca” (1970). Mas foi vivendo em um sítio no bairro Jacarepaguá, cidade do Rio de Janeiro, que o grupo produziu o álbum em questão.

Lançado em outubro de 1972 pela Som Livre, braço fonográfico do Grupo Globo, o LP dividiu opiniões no O Globo. Nota publicada no dia 27 classificava o trabalho como “notável”. “Eis aí um conjunto que finalmente achou o seu verdadeiro caminho: ritmo e som da 1ª a última faixa –brasileiro e autêntico. Um senhor lançamento”, dizia o texto de 12 linhas.

O jornal publicou uma crítica 2 dias depois. Depois de elogiar o projeto gráfico da capa, comenta o estilo novo estilo musical apresentado pelo grupo: “[…] procuram evidentemente uma formulação diferente, um pouco afastada da concorrência de Caetano, Gil e Cia, sem chegar a radicalismos. […] Para isso, aproximam-se mais de Gil, sem esquecer o tradicional ‘Brasil Pandeiro’, de Assis Valente. Somado a ‘Besta é tu’, ‘Preta, pretinha’ e outras milongas, o que fazem é uma verdadeira salada dentro de uma embalagem de caviar”, diz o texto.

Novos Baianos no filme Filhos de João – Admirável Mundo Novo Baiano, do diretor Henrique Dantas I Foto: Pipa Distribuidora/Divulgação

A Folha de S. Paulo também deu nota sobre o disco. Dizia que os artistas “entraram no samba sem perderem seu swing característico. Suas composições, que sempre foram boas, mas tinham muita influência de Caetano e Gil, amadurecem”. O texto ainda menciona uma das novas fontes de inspiração da banda. “A convivência com João Gilberto também abriu novas perspectivas para os Novos Baianos que, agora, são donos de um som exclusivamente seu”.

“Acabou Chorare” 50 anos depois

Emerson Gasperin também comentou sobre o maior disco da música brasileira: “Eu acho que ‘Acabou Chorare’ é o melhor disco dos Novos Baianos e entra fácil num top 5 de todos os discos da música brasileira. Tanto pelo que ele é, quanto pelo que ele influenciou, pelas pistas que ele deu”.

O jornalista, que participou da votação para a lista da RS, explica a posição que o LP ocupa: “Se tu der ‘Acabou Chorare’ para um australiano escutar, ele vai identificar muitas coisas de um pop mundial e ao mesmo tempo ele não vai ter dúvida nenhuma que aquilo é brasileiro. Eu acho isso mágico: conseguir dialogar com um monte de culturas diferentes sem perder a tua identidade. Não é uma banda de rock brasileira que é igual uma banda de rock argentina que é igual uma banda de rock polonesa. É totalmente brasileiro e totalmente universal”.

Por fim, o Poder360 perguntou a Gasperin o que “Acabou Chorare” tem que os demais álbuns do grupo não têm. Eis a resposta: “Eu não acho que os Novos Baianos tiveram muitas guinadas. Os [LPs] que vieram logo depois, ‘Novos Baianos Futebol Clube’ e ‘Novos Baianos’ são discos igualmente bons, sabe? São inferiores só porque o ‘Acabou Chorare’ veio primeiro e meio que cristalizou o estilo. Ali, encontraram a voz, a autoria, a assinatura artística deles. Os discos de 73 de 74 são evoluções naturais, com momentos piores e momentos melhores. ‘Acabou Chorare’ acaba tendo essa relevância toda pelo pioneirismo dentro da discografia do grupo”.

Escute a playlist do álbum no canal oficial da gravadora Som Livre no YouTube:

Década de clássicos

Com 6 álbuns, 1972 é apenas o 4º ano com mais representantes no ranking da RS. Fica atrás de 1975 e 1976 –ambos com 7 lançamentos na lista. E de 1973, com 10. Porém, 1972 é o único ano com mais de 1 disco no top 10.

“A década como um todo foi muito movimentada e marcante, com o surgimento e a firmação dos grandes nomes da música brasileira. E 1972 é parte dessa década”, diz Chris Fuscaldo. A jornalista e pesquisadora deu a declaração ao ser perguntada se considerava 1972 um ano “especial” para a música brasileira. Como sugere texto publicado pelo Diário Catarinense (Florianópolis) em 2012.

Uma divisão cronológica do ranking vai ao encontro do comentário de Fuscaldo. Dos 100 discos, 51 foram lançados de 1970 a 1979. O 2º decênio com mais álbuns na lista é de 1960 a 1969, com 16 LPs.

“Desde 2020, elencar os grandes discos da música brasileira que fazem 50 anos é uma matéria que pode ser repetida a cada 1º de janeiro. Entramos em uma fase de ouro da música brasileira. Em 1972 teve vários clássicos, mas em 1973 também teve vários clássicos. E em 1971 teve vários clássicos. Não acho 1972 melhor ou pior que os outros anos [da década de 70]”, diz Emerson Gasperin.

Dados da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) mostram que as vendas de discos (compacto simples, compacto duplo e long play) e fitas (K7 e K7 duplo) no Brasil cresceram 454% em 1979 ante 1968. Os números são apresentados no artigo “Transformações na indústria fonográfica brasileira nos anos 1970”, do pesquisador Gustavo Barletta Machado.

Machado relaciona esse boom às mudanças no padrão de consumo possibilitadas pelo momento político e econômico do país. A produção e o consumo de bens culturais cresceram durante a Ditadura Cívico-Militar que durou de 1964 a 1985. Consequência do chamado “Milagre Econômico” com uma estratégia de integração nacional na qual o setor de telecomunicações foi importante. “Diferentemente do que ocorreu no período [de Getúlio] Vargas, foram os grupos privados que tiveram o papel principal no projeto de integração nacional, embora os investimentos estatais na infraestrutura necessária tenham sido volumosos”, diz o autor.

Um dos agentes privados aos quais o texto refere-se é o Grupo Globo. Ainda de acordo com a Abinee, foi em 1973 que o long play superou os formatos compacto simples e compacto duplo. O conglomerado da família Marinho teve parte nessa mudança. Com a criação da Som Livre, em 1971, a empresa carioca passou a produzir (e vender) álbuns com a trilha sonora das telenovelas da emissora –sendo sempre 1 disco com musicais nacionais e outro com canções internacionais para cada obra audiovisual.

Mas se a expansão dos Marinho para o mercado fonográfico ajuda a explicar o aumento nas vendas de LPs, sua colaboração no quesito qualitativo é menos notável. Para ilustrar essa relação, basta lembrar que apenas 2 álbuns da Som Livre aparecem na lista da RS. O já mencionado “Acabou Chorare”, e “Fruto Proibido” (1975), de Rita Lee.

Kamille Viola considera 5 fatores relevantes para explicar a qualidade da produção musical brasileira na década de 1970. São eles: a influência de João Gilberto (1931-2019) nas gerações seguintes à sua; a censura promovida pela Ditadura Cívico-Militar; os festivais da canção, realizados de 1965 a 1972 (que eram transmitidos pela TV); o interesse das gravadoras em investir tempo e dinheiro nas produções; e a existência de meios culturais onde havia “muita troca” de experiência entre os artistas.

Todos os jornalistas e pesquisadores consultados pelo Poder360 disseram ver a ditatura como um dos ingredientes que resultaram na criação de canções e álbuns que mais tarde seriam considerados clássicos.

Allan de Paula Oliveira fala sobre a relação desse elemento com a ascensão da indústria de discos: “De 1965 a 1969, se você quisesse ver o que os compositores estavam fazendo de novo, você iria nos festivais. As gravadoras sabiam disso, então havia um interesse de que artistas participassem”, diz.

Chico Buarque cantando no Festival Nacional da Música Popular I Foto: Reprodução

O cenário começou a mudar em 13 de dezembro de 1968. Naquele dia, o governo Costa e Silva baixou o AI-5 (Ato Institucional nº 5). Oliveira diz que a medida impactou as competições musicais: “Os festivais de 1969, 1970 e 1971 foram esvaziando. E a edição de 1972, organizado pela Globo, foi um fiasco. As gravadoras percebem que não valia expor os seus artistas ali. E os próprios artistas também se recusavam a participar. Isso explica porque começaram a investir em álbuns”.

Perguntamos a Emerson Gasperin se ter mais investimentos na produção de discos foi determinante para a indústria alcançar os resultados que teve nos anos de 1970. Para responder, o jornalista menciona o livro “Do vinil ao download”, de André Midani:

“Ele [Midani] fala que a indústria da música, nos anos 60 e 70, era a indústria da felicidade. O mainstream era mais sofisticado e as pessoas que trabalhavam com música efetivamente gostavam de música. Do office boy ao presidente da gravadora. Sempre foi um negócio, mas parece que existia um pudor maior de entregar um produto melhor para o consumidor”, diz.

Ainda recorrendo à obra de Midani, Gasperin refere-se a outras características do setor que podem ter colaborado com a “excelência artística” da época. “As gravadoras tinham uma mentalidade de investir na carreira do artista, não no ‘one shot’. Em paralelo, mantinham seus estúdios, suas bandas. Era todo um contexto que favorecia o surgimento espontâneo de obras-primas. E se não fosse espontâneo, dava condições para que o artista eventualmente viesse a compor uma obra-prima nos anos seguintes”.

Lista de ausências

O ranking de 100 maiores discos da música brasileira da revista Rolling Stone (RS) foi elaborado a partir de indicações de 60 jornalistas, produtores e pesquisadores convidados pela revista. Cada especialista indicou 20 álbuns, sem ordem de preferência. Segundo a publicação, “os critérios analisados incluíram valor artístico intrínseco e importância histórica”.

A lista traz “Araçá Azul” (1973), álbum experimental de Caetano Veloso que foi um fracasso de público –as pessoas que compraram o disco na época voltavam nas lojas para devolver o produto. Mas não menciona nenhum LP dos cantores considerados “cafonas” pela crítica –artistas que mais venderam discos na década de 1970.

“Na visão de uma certa elite brasileira, músicas românticas com apelo popular não têm valor”, diz o historiador Paulo Cesar de Araújo. Araújo é autor do livro “Eu não sou cachorro, não: música popular cafona e ditadura militar”, publicado pela editora Record em 2002.

O escritor diz que a visão dominante da música brasileira valoriza os artistas que misturam modernidade com tradição. Um bom exemplo dessa mistura de velho e novo são os trabalhos de Gilberto Gil e Caetano Veloso, principalmente nas décadas de 1960 e 1970. Esse pensamento “também está presente na Semana de Arte Moderna. É algo da elite cultural que se materializou na música”, diz Araújo.

“Os grandes nomes da MPB não são os artistas que mais vendem. Sempre existiu esse abismo entre o sucesso comercial e o que a crítica considera relevante. Existe um desconhecimento da música que a classe média não consome“, fala Kamille Viola.

Questão de gosto

Considerando apenas álbuns solos, Caetano Veloso (5), Gilberto Gil (4), Jorge Ben (4), Roberto Carlos (4), Tim Maia (4), Os Mutantes (4), Gal Costa (3), Tom Jobim (3) e João Gilberto (3) formam um grupo de 9 artistas que respondem por mais de 1/3 dos 100 grandes discos listados.

Outros 15 artistas têm 2 discos no ranking. Uma delas é Elis Regina, com “Elis” (1972) e “Falso Brilhante” (1976). Ocupam a 98ª e a 36ª colocação, respectivamente. A jornalista Chris Fuscaldo, que participou da votação dessa lista, diz que evita indicar 2 álbuns de um mesmo artista em projetos como esse.

Sobre a classificação dos LPs de Elis Regina, Fuscaldo fala que se sente responsável pela ordem em que os trabalhos aparecem. Ela considera o disco de 1972 “mais primoroso” que o trabalho de 1976. No entanto, indicou este por questões pessoais: “O 1º álbum da Elis que eu conheci foi ‘Falso Brilhante’, então o ‘preferir’ tem toda uma questão afetiva”. Diz ainda que “essa lista é uma colocação de gosto de x pessoas que são convidadas a escolher”.

O jornalista Emerson Gasperin também colaborou com o ranking da RS. Falou ao Poder360 que é preciso fazer ressalvas quando o assunto são seleções desse tipo. “Listas sempre vão despertar uma espécie de polêmica porque elas são voláteis. O resultado depende da época em que elas foram feitas, do contexto do mercado, do perfil dos votantes e do próprio perfil de quem organiza a lista, que também vai mudando ao longo do tempo”, diz.

Comercial de menos

Se não há limite para a quantidade de discos lançados por artistas consagrados pela crítica, é inevitável que o resultado tenha pouca diversidade. E a música “cafona” não é o único segmento prejudicado.

A falta de aceitação dos artistas românticos entre os críticos ajuda a entender, em parte, a ausência dos cantores bregas no ranking da RS. Só que não explica a presença tímida do samba no compilado.

O gênero que é símbolo do Brasil tem 8 representantes na lista. Mesmo sendo poucos trabalhos, há certa concentração em nomes que romperam as barreiras que restringem o gênero: Cartola, com seus 2 discos autointitulados (1974 e 1976); e Paulinho da Viola, com “Nervos de Aço” (1973) e “A Dança da Solidão” (1972).

Fernando Paiva, vice-presidente do IGS (Instituto Glória ao Samba), diz que Paulinho é “uma agulha no palheiro”. “Foi uma das poucas pessoas que conseguiram se sobressair fazendo samba tradicional. E fez isso de forma honesta. Você não acha gente da geração dele nessas listas”, diz.

Paiva fala que a crítica musical brasileira “negligenciou” o samba porque o gênero perdeu sua relevância comercial. Os poucos sambistas mencionados são lembrados porque “saíram por grandes gravadoras” ou porque fizeram sucesso tocando no rádio ou na TV. No geral, diz, a discografia do samba é pouco conhecida por aqueles que escrevem sobre o assunto na grande imprensa.

Para Paiva, o fato de muitos sambas terem sido gravados em discos de 78 rotações explica parte desse desconhecimento. Além disso, o recorte das listas em álbuns deixa de fora muito do que foi produzido nos primeiros anos da indústria fonográfica brasileira.

Essa observação vai ao encontro de um comentário de Paulo Cesar de Araújo sobre a ausência da música cafona no ranking da RS. O historiador diz que os cantores brega demoraram para migrar para o long play por conta do valor final do produto: como faziam um tipo de música que era consumido por pessoas com pouco poder aquisitivo, a produção era voltada para discos compactos.

Mais caros, os LPs eram restritos aos artistas da MPB –que apesar de ter “popular” no nome, era (e é) consumida, sobretudo, pelas classes média e alta. A própria ideia dos álbuns musicais como documentos com o mesmo valor dos livros só ganhou força na década de 1970, diz Araújo.

Minorias são… minoria

Depois que intelectuais dos estudos de gênero e negritude desenvolveram e popularizaram conceitos que ajudam na identificação de preconceitos, analisar a carreira de artistas mulheres e negros mostra que as discriminações existem desde muito antes das discussões sobre elas ganharem força.

Depois de publicar seu livro sobre Jorge Ben, Kamille Viola começou a trabalhar em uma publicação sobre o sambista Martinho da Vila. Mesmo artistas que tiveram sucesso de crítica ou público, como Ben e Martinho, foram afetados de alguma forma.

“O racismo e o machismo na estrutura brasileira fez artistas negros e mulheres serem menosprezados. Tanto a questão de raça quanto a de gênero tiveram e têm impacto na carreira dos músicos. Mesmo no caso do Jorge Ben. Quando chamam ele de ‘força da natureza’, estão reforçando o estereótipo do ‘negro mágico’ (expressão criada por Spike Lee para falar de personagens negros que têm poderes especiais, como uma dádiva) e menosprezando a construção por trás da intelectualidade negra“, diz Viola.

A pesquisadora atribui a presença tímida do samba na lista da RS a um “pensamento eurocêntrico” que influenciou o jornalismo brasileiro. Cita o maestro Letieres Leite ao dizer que a matriz africana é a raiz de toda a música popular da Américas, e fala que “a imprensa fez parte desse processo de apagamento” dessa origem.

Também falta representação de gênero no ranking. Considerando apenas álbuns solo, 8 mulheres conquistaram 12 lugares. São elas: Angela Ro Ro, Aracy de Almeida, Elizeth Cardoso, Gal Costa, Maria Bethânia, Marisa Monte, Elis Regina e Rita Lee.

Chris Fuscaldo fez as pesquisas, entrevistas e escreveu os roteiros do programa “Mulheres do Brasil”, sobre as cantoras e compositoras do país. O programa foi exibido pelo Canal BIS, em 2014. Fuscaldo também trabalhou esse tema em sua tese de doutorado em Literatura, Cultura e Contemporaneidade na PUC-Rio.

Em “Cantautoras: Um ensaio sobre sete mulheres e sua importância na música popular brasileira“, a pesquisadora “reconstrói criticamente” a história de Anastácia, Martinha, Joyce Moreno, Leci Brandão, Sandra de Sá, Roberta Miranda e Margareth Menezes. O trabalho está disponível para leitura e download no repositório da instituição, acesse (206 páginas).

O Poder360 pediu para Fuscaldo comentar as ausências da lista publicada pela RS em 2007. “A gente tem um problema de representação feminina até hoje. É um problema que existe desde sempre. A mulher acaba sendo colocada num papel de musa. Em geral, é muito mais aquele papel de destaque da beleza, do que de fato ela tem a dizer“.

Fuscaldo cita dados do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) sobre a distribuição de direitos autorais no Brasil para mostrar que a disparidade entre os gêneros não se restringe à lista. “Em 2020, as mulheres representaram 7,6% dos arrecadadores de direitos autorais no Brasil, enquanto os homens eram 82,4%. As mulheres arrecadaram 91,72% a menos que os homens. E eram só 5 na lista de maiores arrecadadores, contra 93 homens. A lista não chega a 100 porque algumas pessoas não declaram gênero“, diz.

Para sua tese, Fuscaldo solicitou ao Ecad os dados referentes apenas a cantores e cantoras que também compõem. “Eu descobri que não mudou quase nada: elas são 7,39% dos cantores compositores, enquanto os homens são 82,61%, e arrecadaram 91,61% a menos que os homens. E continuaram sendo só 5 na lista dos maiores arrecadadores“.

“Eu quis trazer esses dados para mostrar que as mulheres sempre foram muito sub-representadas nesse mercado que é extremamente machista. E para mostrar que cantoras como Elis Regina e Maria Bethânia são tão guerreiras quanto Rita Lee e as compositoras. Só que as compositoras sofreram um pouco mais, porque a cantora sempre conquistou mais admiração, tendo um lugar reservado para elas na música brasileira”, diz.

50 discos de samba que você precisa conhecer

O IGS (Instituto Glória ao Samba) teve início em 2007, como uma roda de samba. Eram 18 músicos que pesquisavam e tocavam composições “em risco de extinção” por falta de registro. Só em 2017 os integrantes do grupo o transformaram em um instituto dedicado à preservação da memória do gênero. No meio do caminho, Rafael Lo Ré e Fernando Paiva, presidente e vice-presidente do IGS, organizaram uma lista dedicada ao samba.

Em 2014, “50 discos de samba que você precisa conhecer” foi publicada no blog Nasci do Samba, mantido pelos organizadores de uma roda de samba parceira. O ranking foi elaborado com base em uma enquete que contou com a participação de 41 pessoas – jornalistas, pesquisadores e músicos. O blog saiu do ar, mas Paiva compartilhou o conteúdo com o Poder360. Eis a lista (64,7 KB).

Fonte: Poder360

Com portal BRASIL CULTURA

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

FJA entrega certificados do Registro do Patrimônio Vivo - FAPERN/RN - FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO - FJA

 

FJA entrega certificados do Registro do Patrimônio Vivo

Dois mestres e três grupos da cultura popular do RN receberão bolsas de incentivo financeiro.
Dois mestres e três grupos da cultura popular do RN recebem reconhecimento pela atividade dedicada pela preservação da tradição. Nesta terça-feira (28), a partir das 10h, no Auditório da Governadoria será realizada a entrega dos certificados do Registro do Patrimônio Vivo, que contempla a concessão de bolsas de incentivo financeiro promovido pelo Governo do Estado, através da Fundação José Augusto.
Foram escolhidos o poeta cordelista Antônio Francisco Teixeira de Melo (Antônio Francisco) e a mestra de Boi-de-Reis Dona Iza para o recebimento de benefícios individuais. Os grupos folclóricos Araruna, sediado no Bairro das Rocas na cidade de Natal, Boi Pintadinho, sediado em São Gonçalo – RN e a Associação das Rendeiras de Bilros da Vila de Ponta Negra, sediada em Natal – RN foram contemplados na categoria de Pessoa Jurídica. O valor do benefício será de R$ 1.620,000 para pessoa física e de R$ 3.242,000 para os grupos.
Os mestres e grupos foram contemplados no Edital do Registro do Patrimônio Vivo, lançado pelo Governo do Estado, através da Fundação José Augusto em 24 de agosto de 2021. O resultado final do Edital foi divulgado em 23 de outubro de 2021

Participaram da comissão julgadora do Edital do RPV o Presidente do Conselho Estadual de Cultura Iaperi Araujo, a professora Josileide Oliveira, representante da Secretaria de Educação; o folclorista Gutemberg Costa e o presidente da Comissão Nacional do Folclore Severino Vicente, além do Diretor-Geral da FJA Crispiniano Neto e do coordenador do Edital, Max Medeiros.
O RPV-RN visa estimular e proteger iniciativas que contribuem para o desenvolvimento sociocultural e profissional dos mestres e mestras de notório saber, autores, autoras, artistas, grupos e entidades da Cultura Popular e Tradicional do Estado do Rio Grande do Norte, almejando a transmissão de conhecimentos e técnicas para alunos ou aprendizes, através de programas de ensino e aprendizagem apoiados ou executados direta ou indiretamente pela Fundação José Augusto.
MESTRES E GRUPOS CONTEMPLADOS
Dona Iza – Odaíza de Pontes Galvão, viúva do Mestre Manoel Marinheiro, assumiu o legado do Auto do Boi de Reis. Sempre ativa junto ao Mestre, herdou não apenas o seu saber da montagem do Boi, figurinos, adereços e personagens, mas o ritual, a dança, os cantos e as loas.
Antônio Francisco - Unanimidade, entre os estudiosos da cultura popular ,é membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, na cadeira de número 15, cujo patrono é o poeta cearense Patativa do Assaré. Em dezembro de 2018 recebeu a Comenda de Incentivo à Cultura Luís da Câmara Cascudo reconhecimento do Senado Federal a personalidades e instituições que tenham uma contribuição relevante ao registro da cultura e do folclore no Brasil.
Boi Pintadinho - O grupo é tradicional de São Gonçalo do Amarante, que foi considerado pelo historiador Câmara Cascudo como o berço da cultura popular do Rio Grande do Norte. São 25 integrantes em um manifesto que gira em torno da morte e ressurreição do boi. No meio das apresentações, entram histórias de amor, traição e dramas.
Rendeiras da Vila - tem 23 anos de existência foi fundada pela mestra vó Maria de Lourdes de Lima . Estão no cenário cultural desde a fundação da Vila de pescadores de Ponta Negra, mantendo umas das grandes tradições do artesanato potiguar.
Sociedade de Danças Antigas e Semidesaparecidas Araruna - Mais conhecida como Araruna iniciou suas atividades em 1949 quando o Mestre Cornélio (o seu fundador) utilizava o quintal de sua casa para os ensaios do grupo. Djalma Maranhão e Luiz da Câmara Cascudo foram grandes incentivadores do Araruna, tendo sido o primeiro que doou o local para construção da atual sede do grupo, localizada a Rua Miramar, bairro das Rocas.
Entrega certificados do Registro do Patrimônio Vivo
Data: 28/12
Horário:10h
Local: Auditório da Governadoria, Centro Administrativo

"Não olhe para cima" conversa com fascistas e os ajuda a se ver no espelho, diz Marcia Tiburi - BRASIL 247

www.brasil247.com -
(Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | Divulgação)
247 – A professora e escritora Marcia 
Filósofa diz que o filme não tem grande complexidade estética, mas cumpre uma importante função política.

 publicou em seu Instagram uma crítica interessante sobre o filme "Não olhe para cima", lançado neste fim de semana na Netflix. Segundo ela, "chega a ser impressionante a conexão com certos personagens da vida real brasileira". Marcia lembra "os cientistas, os políticos, o filho da presidenta (um disfarce feminino para um personagem masculino muito indigesto) e até a ema do palácio do Planalto que recebeu uma versão mais criativa e vingativa".

NA SUA AVALIAÇÃO, O FILME TAMBÉM CUMPRE UMA FUNÇÃO POLÍTICA. "NÃO CREIO QUE O PROJETO FOSSE DE UM SUPER FILME DO PONTO DE VISTA DA COMPLEXIDADE ÉTICA, ESTÉTICA E POLÍTICA DO ASSUNTO 'NEGACIONISMO', AO CONTRÁRIO, CREIO QUE SE TRATA DE UMA OBRA DE ENTRETENIMENTO, NÃO DE ARTE, E QUE, NESSE CASO, SE BUSCOU CONSTRUIR ALGO PALATÁVEL POR MASSAS QUE NÃO SE CONECTAM COM ESTÉTICAS (E ÉTICAS E POLÍTICAS) MAIS COMPLEXAS. NESSE SENTIDO, TALVEZ O FILME ESTEJA MESMO 'CONVERSANDO' COM FASCISTAS QUE PODERÃO SE OLHAR NO ESPELHO", AFIRMOU. CONFIRA, ABAIXO, A ÍNTEGRA DO SEU POST:













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domingo, 26 de dezembro de 2021

Que 2022 venha com mais esperançar


O Cenpec agradece a todas e todos que lutaram ao nosso lado por uma educação com qualidade em 2021 e se inspira em Paulo Freire para os votos de 2022

Em um ano marcado por tantas desigualdades que deixaram milhares de crianças, adolescentes e jovens fora da escola, é preciso comemorar cada conquista em prol de uma educação com qualidade e equidade. 

Pode até parecer pequena, dado o mar de impactos negativos que a pandemia trouxe, mas é importante: uma ligação a mais que resulta em um contato com um(a) estudante ausente, uma planilha que facilita o controle da gestão escolar sobre a frequência das(os) alunas(os), uma cartinha de fim de ano para os familiares, um apoio emocional da gestão educacional às(aos) professoras(es). 

Nas ações conduzidas pelo Cenpec por todo o Brasil, essas vitórias só foram possíveis porque foram construídas por muitas mãos, que trabalharam em conjunto ao longo de todo o ano. Como reconhece e agradece Anna Helena Altenfelder, presidente do Conselho do Cenpec:

A dedicação e o comprometimento da equipe no nosso trabalho coletivo com educadoras(es) e parceiras(os) é que nos permitiu alcançar as conquistas de 2021, mesmo num contexto tão adverso. E é exatamente essa certeza, da continuidade do trabalho coletivo, que nos faz esperançar em 2022.”

Anna Helena Altenfelder

O esperançar, como bem nos ensina Paulo Freire, não é espera passiva. Ao contrário, significa ir à luta, agir e jamais desistir. Esperançar por uma educação integral e inclusiva, com garantia de acesso, permanência e aprendizado para todas e todos. Esperançar por uma educação pública com qualidade, comprometida com a justiça social e, principalmente, com a equidade.

Em 2022, o Cenpec continuará firme em seu propósito, enfrentando as desigualdades educacionais e construindo um futuro cheio de oportunidades para todo mundo.

Fonte: https://www.cenpec.org.br

MOÇÃO DE SOLIDARIEDADE Educadores de todo o Brasil se solidarizam com a greve dos professores de Natal

Educadores de todo o Brasil se solidarizam com a greve dos professores de Natal que, desde janeiro de 2020, reivindicam a atualização salarial referente a 12,84% da Lei do Piso

No último dia 10 de dezembro, os/as professores/as da rede municipal de ensino de Natal deflagraram greve para cobrar do Prefeito Álvaro Dias (PSDB) o reajuste devido à categoria de 12,84%, referente ao índice do Piso Salarial Nacional do Magistério, anunciado ainda em janeiro de 2020. Em ato realizado na manhã do dia de hoje, o prefeito da capital potiguar, além de se mostrar um bom caloteiro, deixou claro para todo o povo de seu Estado e do país que é um político truculento.

Recebida com sprays de pimenta pela Guarda Municipal que protegia a sede da Prefeitura de Natal, a categoria sentiu na pele, no dia de hoje, como as prioridades de um governante podem fazê-lo ser tão benevolente com os poderosos e, ao mesmo tempo, cruel com aqueles que mais precisam. A cultura da falta de diálogo distorce e turva a visão daqueles que deveriam estar sempre atentos às necessidades de seu povo. Como pode um governo não reajustar, conforme prescrito em lei, o valor do salário dos/as profissionais do magistério da cidade que deveria zelar? E se achar no direito de atacar e reprimir uma manifestação legítima e pacífica das professoras e professores de sua cidade?

O ataque da Guarda Municipal aos manifestantes no dia de hoje está na conta daquele que a comanda e rege. O Prefeito Álvaro Dias, que indicou o seu Secretário de Segurança Pública, deve responder às agressões injustificáveis e intoleráveis aos/às professores/as. Sob o comando do SINTE/RN, os/as manifestantes sofreram muito nesta manhã, deixando, inclusive, a presidenta da CUT estadual, também diretora do sindicato, convalescente com os ataques. A professora Eliane Bandeira precisou de pronto atendimento médico, tamanha a truculência e violência injustificáveis da ação.

Toda solidariedade à greve dos/as professores/as do município de Natal! Todo apoio ao SINTE/RN! Exigimos respeito aos/às profissionais do magistério e o pagamento imediato do que lhes é devido.

Brasília, 20 de dezembro de 2021

Direção Executiva da CNTE

MOÇÃO DE REPÚDIO: Trabalhadores da educação de todo o país repudiam iniciativa do prefeito de Canoas/RS Jairo Jorge que incorre em prática antissindical condenável em todo o mundo

Os/as trabalhadores/as em educação de todo o país recebem, consternados, a notícia de que o prefeito de Canoas, município da região metropolitana de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, enviou proposta de emenda à Lei Orgânica da cidade para pôr fim ao desconto em folha das contribuições associativas dos sindicatos representativos dos servidores públicos municipais. A ação do Prefeito Jairo Jorge, egresso de um partido forjado nas lutas sociais dos trabalhadores brasileiros, é de envergonhar não somente os cidadãos de Canoas, mas tem impactos na credibilidade de sua própria trajetória política.

Quais mecanismos subjetivos podem e conseguem explicar guinadas políticas e ideológicas da magnitude da que se vê no prefeito que, hoje, é militante do Partido Social Democrático (PSD)? O seu objetivo ao enviar tal proposição legislativa à Câmara Municipal de Canoas é claramente de perseguição aos sindicatos. Como tem ocorrido de forma residual em outras cidades e Estados, trata-se de um claro ataque à livre organização sindical dos/as trabalhadores/as. Fere frontalmente o artigo 8º de nossa Constituição brasileira que diz literalmente, em seu inciso IV, o seguinte: “a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei”.

Além disso, a medida do prefeito Jairo Jorge incorre em agressões ao cumprimento das Convenções 98 e 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificadas pelo Brasil há muito tempo. É claro que tamanha agressão ao conjunto dos seus servidores públicos do município não poderá passar incólume à nossa ação de resistência frente a esse ataque, que se dará no campo político e também jurídico. Denunciaremos tal ação nos foros internacionais a que temos acesso, inclusive forjando uma denúncia junto à própria OIT.

Repudiamos a iniciativa do prefeito Jairo Jorge que, por ela, pagará caro junto ao seu/ua eleitor/a e à sua própria biografia. Todo apoio à luta dos sindicatos de representação sindical do município de Canoas, em especial ao Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (SINPROCAN), entidade filiada a esta CNTE. Conte com nosso apoio nessa luta!

Brasília, 21 de dezembro de 2021
Direção Executiva da CNTE

"Não olhe para cima" é sucesso na Netflix e provoca discussões acaloradas na Internet - BRASIL 247

 POR Brasil 247

www.brasil247.com - Não olhe para cima
Não olhe para cima (Foto: Não olhe para cima)

Filme discute o estrago que pode ser causado por negacionistas.

247 – "Dois astrônomos descobrem um cometa mortal vindo em direção à Terra e partem em um tour midiático para alertar a humanidade. Só que ninguém parece dar muita bola". Esta é a trama do filme "Não olhe para cima", que estreou na Netflix e provocou discussões acaloradas entre formadores de opinião. Confira:


Fonte: BRASIL 247

sábado, 25 de dezembro de 2021

É Natal - Israel Salazar - " É NATAL!" - CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN


Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=OPVX79yl8E0 - YOUTUBE

Museu da Rampa: um presente para o turismo potiguar - "VISITE-O!" - VALE A PENA LER DE NOVO! - CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC--RN

Museu da Rampa e Memorial do Aviador. Crédito: Ivanízio Ramos/Governo do RN  

Complexo Cultural da Rampa é o mais novo atrativo turístico de Natal. Museu sobre aviação foi construído pelo estado com recursos do Ministério do Turismo.

Na semana de seu aniversário de 419 anos, Natal acaba de ganhar um novo atrativo turístico para seus moradores e milhares de turistas que visitam a capital potiguar a cada ano. Trata-se do Museu da Rampa, inaugurado na quinta-feira (27). A obra custou R 7,6 milhões em repasses feitos pelo Ministério do Turismo ao governo do Rio Grande do Norte, com contrapartida do estado de aproximadamente R 1 milhão. O local histórico, antes abandonado, foi restaurando, equipado e ganhou novos espaços, passando a ser um complexo cultural estruturado para receber visitantes. O Complexo da Rampa contempla desde paisagismo, concepção visual e acústica, até questões relacionadas ao patrimônio histórico, museologia como a restauração da base de hidroaviões de Natal.

“O Complexo Cultural da Rampa é fundamental para atrair novos visitantes ao Rio Grande do Norte. O atrativo cultural junta-se ao novo Centro de Convenções de Natal, inaugurado no dia 08 de dezembro, no valor de R 30 milhões, que irá dinamizar a economia do turismo local com a realização de grandes eventos, feiras e congressos. Dessa forma, o Ministério do Turismo está contribuindo de maneira significativa para ampliar a atração de turistas para Natal”, disse o ministro Vinicius Lummetz ao parabenizar a cidade pelo “presente” de aniversário.

O novo museu conta a importância de Natal nos primórdios da aviação e da participação da cidade na Segunda Guerra Mundial, quando a capital Potiguar sediou a maior base aérea americana fora dos Estados Unidos. Na época, quase 20% da população natalense era composta por militares americanos que influenciaram a cultura e costumes locais. A atração turística também promete mudar o entorno do local, no Bairro de Santos Reis, um dos núcleos urbanos desde a origem da cidade, fundada no dia 25 de dezembro de 1599. O Museu da Rampa fica na foz do rio Potengi, que banha a capital do Rio Grande do Norte, onde pousavam os hidroaviões que cruzavam o Atlântico.

O complexo turístico conta com um museu e o memorial do aviador com área para exposições temporárias e permanentes. O espaço em homenagem aos aviadores que passaram por Natal terá ainda auditório para 126 pessoas, bar temático, estacionamento para 85 carros, lojas de souvenir e píer para contemplação do pôr do sol do rio Potengi, considerado um dos mais belos do Brasil. A área construída é de 13 mil m². “É um equipamento importantíssimo para a história, o turismo e a cultura do nosso estado, que na certa atrairá o turista norte-americano, ainda incipiente por aqui”, comentou o secretário estadual de Turismo, Manuel Gaspar.

HISTÓRIA - A Rampa para hidroaviões no rio Potengi foi ponto obrigatório de parada dos aviadores que atravessavam o Atlântico Sul entre as décadas de 1920 e 1940. Mais tarde, durante o conflito mundial, a posição estratégica de Natal, situada no “cotovelo” da América do Sul, abrigou a maior base militar dos EUA fora daquele país, se tornando a pista de pouso mais movimentada da época, localizada no atual município de Parnamirim, na região metropolitana, atualmente Base Aérea de Natal onde são treinados os pilotos da FAB.

A data de 29 de janeiro de 1943 é marcada na história de Natal pelo encontro entre o presidente americano durante a Segunda Guerra, Franklin Delano Roosevelt, e o presidente brasileiro Getúlio Vargas. Na ocasião, eles celebraram, na Rampa, a Conferência do Potengi, transformando o local em base militar americana e selando a participação do Brasil no conflito, que resultaria na vitória dos aliados contra as tropas dos Países do Eixo. Natal ficou conhecida como o Trampolim da Vitória, em razão dessa participação na Segunda Guerra pela sua posição estratégia.

Fonte: https://www.gov.br/turismo/pt-br/assuntos/noticias/museu-da-rampa-um-presente-para-o-turismo-potiguar

FJA divulga resultado final do Edital Glorinha Oliveira

 FAPERN/RN

A Fundação José Augusto divulga neste site na secção "Editais Culturais/ Editais Abertos" a lista com o resultado final parao Edital Glorinha Oliveira.

Estão selecionados um total de 400 projetos, com premiações individuais no valor de R$ 4,5 mil, caracterizados como histórias de vida, destinados a constituir um acervo da memória artística e cultural potiguar. 

Fonte: FUDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO - FJA