Postagem em destaque

FIQUEM LIGADOS! TODOS OS SÁBADOS NA RÁDIO AGRESTE FM - NOVA CRUZ-RN - 107.5 - DAS 19 HORAS ÁS 19 E 30: PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA" - PROMOÇÃO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN

Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

segunda-feira, 13 de junho de 2022

Monteiro Lobato: rasgado, queimado, cancelado e imprescindível

Escritor, já muito atacado no passado sob pretexto de veicular ideias evolucionistas e socialistas, tem mais recentemente sido acusado de racismo. Mas simplesmente banir seus textos das salas de aula e espaços de discussão é renunciar a debater uma obra prenhe de criatividade, inventividade e criticidade.

E Lobato continua “causando”…

Com mais de 70 anos já transcorridos desde a morte de seu criador, os personagens infantis de Monteiro Lobato circulam por leituras polêmicas e atuais dentro e fora da escola. Considerado um divisor de águas na produção literária para crianças, Lobato legou à posteridade textos que, em diferentes situações, suscitaram seu intenso reconhecimento tanto por parte do público leitor, quanto da crítica especializada. Da mesma forma, porém, a polêmica se tornou elemento indissociável desse reconhecimento, o que chega, junto com a ininterrupta edição de seus textos infantis, aos leitores de hoje.

Sobre seus livros para crianças, há pouco mais de uma década, em capítulo intitulado “Monteiro Lobato, um clássico para crianças”, respondíamos à questão: O que há de tão atrativo no Sítio do Picapau Amarelo? Ou, em outras palavras, por que Pedrinho, Narizinho e Emília, principalmente Emília, continuam tão presentes no imaginário infantil brasileiro? Ainda de outro modo: como Lobato fez esta mágica que, embora muitas vezes explicada nos mínimos detalhes pelos mais “maduros”, continua encantando os “menos experientes”? Indagações como essas não têm faltado aos pesquisadores e demais leitores especializados ao longo dos anos. Perguntas impossíveis de serem respondidas em um só texto ou mesmo em muitos outros trabalhos que vêm tentando, no mínimo, tangenciar as mil e uma questões instauradas pela obra de Lobato.

Um escritor publicista

A partir dos anos 1980, foram consolidados estudos sistemáticos sobre a literatura infantil e juvenil brasileira. Nesse contexto, a figura de Lobato se mostra central, trazendo como foco desses trabalhos a discussão de aspectos temáticos relevantes, como aponta Marisa Lajolo em artigo de 1988, “A figura do negro em Monteiro Lobato”, ao abordar Histórias de Tia Nastácia:

As contradições vão se acirrando ao longo do texto lobatiano, que, ao contrário de seus pares, não se limita a reproduzir, em forma de antologia asséptica, as histórias que Tia Nastácia conta. Lobato reproduz a história encenando a situação de narração e recepção, pondo, pois, em confronto o mundo da cultura negra do qual, no caso, Tia Nastácia é legítima porta-voz, e o mundo da modernidade branca, à qual dão voz tanto as crianças como a própria Dona Benta, também ela ouvinte de Tia Nastácia e também ela insatisfeita com as histórias que ouve (…).

Um artigo como esse mostra, ao leitor de hoje, que os estudos sistemáticos sobre a obra de Monteiro Lobato têm sido realizados de forma séria, sem ceder a simples opiniões ou questão de gosto. Por isso mesmo, muitos temas que ocupam o centro de polêmicas em diferentes ambientes sociais ou veículos de comunicação nunca foram desconhecidos daqueles que estudam a obra do escritor.

Assim, em texto mais recente, intitulado “Provocações à longeva Botocúndia: Monteiro Lobato e Urupês”, de 2018, publicado em número da revista Leitura em revista em que se comemorava uma efeméride literária – 70 anos sem Lobato, destacávamos a verve crítica lobatiana. Lembramos, então, que isso foi  um dos aspectos que chamou a atenção de José Guilherme Merquior ao atribuir a Lobato a identidade de “publicista” – “um escritor que discute problemas de interesse público, de interesse coletivo”. Acrescenta o autor, ainda, que é esse o perfil que poderíamos relacionar a certo tipo de jornalismo engajado que “não só discute temas de evidente interesse coletivo como o faz dentro de uma linguagem que sistematicamente aspira a uma comunicação com o grande público”.

Amante de boas brigas

A exposição decorrente desta atividade, na qual Lobato via oportunidade para divulgar seus livros, levaria a uma visibilidade cotidiana ou mesmo à imagem pública de alguém que se colocava disponível ao debate, à discussão, à divergência. A partir dos jornais de sua época, Lobato lançaria questionamentos e reflexões contundentes, provocativas, na expectativa de influenciar ações em seu contexto social. Como aponta Sueli Cassal, o envolvimento de Lobato com grandes causas era movido por um desejo utópico de uma nação desenvolvida, muita próxima da situação econômica dos Estados Unidos, o que seria possível mediante a valorização do conhecimento científico.

“Não deixaria por menos uma boa briga”, poderia ser uma expressão para definir Lobato. “Boas brigas” foram as campanhas por necessidades básicas dos brasileiros, como a do saneamento, de 1918, em que acompanhou médicos sanitaristas, colocando-se a serviço da denúncia em uma séria de matérias sobre moléstias (verminoses, na maioria) que atingiam a população paulista de modo vergonhoso. Seu empenho como adido comercial nos anos 1930, para dar ferro ao Brasil, isto é, para incentivar a produção nacional, bem como sua ação tanto como publicista quanto empresário para desenvolver a exploração do petróleo, se refletiam em artigos e livros. A obra infantil não deixaria, evidentemente, de refletir essas experiências, algumas posteriores, outras concomitantes a atividades de editor, empresário, publicista.

O leitor infantil surge, então, como um destinatário de suas expectativas – aliás, como em todo texto, na obra infantil é evidente que se projeta uma ideia de leitor. Um suposto leitor neutro, raso, manipulável não estava na mira dos livros de Lobato. Ao não subestimar seu destinatário criança, o escritor convidava esse leitor infantil a pensar o mundo ao seu redor por meio de um trabalho inventivo e consciente com o texto literário. Os rompantes de contrariedade de diferentes grupos em diferentes momentos iriam atestar, ainda que de modo inusitado, a relevância daquele labor literário ao longo do tempo e das gerações.

Darwinismo e socialismo

Nos anos 1950, uma obra, em particular, se tornaria paradigmática desse tipo de abordagem polêmica e acusatória, realizando uma interpretação bibliográfica de Lobato cujo título encerra, por si só, um entendimento notoriamente avesso para com as lutas por ele travadas no campo econômico: A literatura infantil de Monteiro Lobato ou Comunismo para Crianças, do Padre Sales Brasil.

O autor projeta sobre a obra infantil temas que, de longe, estariam no centro da proposta lobatiana de formação de leitores, como é o caso da ausência de conteúdos religiosos propensos a reafirmar a identidade católica brasileira. Mais do que as ausências, o autor do estudo busca pistas em livros como A chave do tamanho, de 1942, sobre ideologias danosas à moral das crianças. É dessa forma que entende a miniaturização dos personagens como a extinção de classes sociais, isto é, em A chave do tamanho haveria uma propaganda dos benefícios de uma sociedade comunista: “é o seguinte: quando todos os homens chegarem ao mesmo tamanho (nivelamento das classes sociais), então não haverá sobre a terra nem injustiça nem certos preconceitos”.

Capa de A literatura infantil de Monteiro Lobato, obra crítica dos anos 1950

Ao lembrarmos do texto do padre Sales Brasil, percebemos que a fantasia, a inteligência e a criticidade são ignoradas como excepcionais qualidades da obra de Lobato e rebaixadas segundo uma inegável visão obscurantista.  Em outro trecho, outra denúncia: “Trata-se, evidentemente, da luta pela vida, segundo Darwin, aplicada ao campo sociológico pela teoria da seleção natural, de Spencer, ambas aproveitadas pela filosofia marxista-leninista e feitas balinhas de doce na literatura infantil de Monteiro Lobato”.

Aos olhos de hoje, a obra do padre Sales Brasil pode parecer um brandir de armas desnecessário, exagerado, até mesmo risível para muitos. Entretanto, a fórmula do “cancelamento” dos anos 1950 mostra-se ainda presente nas primeiras décadas do século 21, agora reportando-se à questão do racismo, que é pauta fundamental e premente, mas que tem sido associada a Lobato, na maioria das vezes, de forma ligeira, rasa, equivocada.

No centro dos debates, tivemos o conto “Negrinha” e a obra Caçadas de Pedrinho, a partir de 2010, como objeto de representação junto ao Conselho Nacional de Educação (CNE) e, também, à Controladoria Geral da União (CGU). O questionamento se debruçava sobre expressões que atentariam contra um item do edital do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), qual seja, a presença de estereótipos ou discriminação nas obras adquiridas pelo programa.

Entre propostas de inserção de notas de rodapé ou mesmo refacção das narrativas, a intensidade dos debates atestou a complexidade do tema, convidando aqueles dedicados aos estudos sobre a obra lobatiana a se manifestarem. Como comentou Marisa Lajolo – em manifestação pública por meio de um artigo intitulado “Quem paga a música escolhe a dança?”, de 2010 – vivenciar debates sobre a literatura e a formação dos leitores na escola equivalia a um reconhecimento público sobre o assunto, bem como da própria obra: “Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, está em pauta e é bom que esteja, pois é um livro maravilhoso”.

Acusações de racismo e debate

O debate, porém, nem sempre tem se dado em campos mais profícuos de ideias, conceitos e ideologias. Ao avocar os escritos lobatianos em artigo publicado na Folha de S. Paulo, em janeiro de 2021, Marcelo Coelho defendeu que “Pode ser chato saber disso, mas Monteiro Lobato era de um racismo delirante”, reeditando aspectos que há muito deveriam ter sido superados frente à qualidade dos debates em torno da obra lobatiana em curso já há mais de uma década, como a busca de “provas” descontextualizadas do pressuposto racismo de Lobato, não apenas em sua obra mas no interior de sua correspondência pessoal.

Felizmente, a réplica não tardou, pois outra pesquisadora de Lobato, Ana Lúcia Brandão, veio a público em defesa do escritor, no mesmo jornal e em data muito próxima, com o artigo “ ‘Racismo delirante’ é tratamento grotesco, Monteiro Lobato merece respeito”. Entre muitos apontamentos, lembra seus leitores de que “Levar ao pé da letra palavras ou frases de uma mensagem pessoal entre amigos, para classificar um deles como “racista” revela uma enorme incompreensão do que significa a crítica literária”.

De alma lavada, o leitor lobatiano pode seguir de braços dados com Lobato. Entretanto, não se trata de vencer uma discussão ou ganhar o pódio da verdade. Como obra literária, os escritos de Lobato comportam questionamentos, dúvidas, discordâncias. Em evento acadêmico recente, em que discutíamos a obra do escritor, chamou nossa atenção uma fala de um aluno de graduação, cujo apontamento sustentava-se por meio da ideia de que Monteiro Lobato não o representava como cidadão, sujeito, pessoa imbuída e reconhecida como portadora de direitos fundamentais.

Caçadas de Pedrinho, de 1939, uma das obras no centro do debate sobre racismo

É importante esclarecer que nenhuma das ponderações desse estudante pode ser considerada irrelevante para a discussão, assim como é possível compreender o tom de agressividade de suas primeiras manifestações, face ao momento em que se dá o eternamente adiado debate sobre o racismo no Brasil. Nem ainda poderíamos discordar de que não só de Lobato se formam leitores!

O que parece um “problema” ou algo a se lamentar, porém, é o fechamento do interlocutor a textos cujas ideias continuam a contribuir para a formação inequívoca de leitores críticos mais autônomos e audaciosos em suas incursões pelo mundo da literatura. A conversa que travamos com aquele aluno, portanto, não mirava uma desqualificação de seu discurso ou certo menosprezo da intelectualidade por um suposto modismo ideológico. Ao contrário do que se poderia supor, as questões às quais nosso interlocutor se apegava com pertinência e propriedade, são essas mesmas questões que convidam à leitura da obra lobatiana, reitere-se.

É neste ponto que encerramos nosso convite irrestrito à leitura da obra infantil de Lobato. As polêmicas atestam, tanto pelo conjunto de argumentos e exposições, quanto pela presença de seus livros nas mãos de crianças do século 21, a vitalidade de suas narrativas. Presença que deve ser lembrada, sobretudo, agora que a obra do autor se encontra em domínio público e surgem inúmeras edições em papel e digitais de seus textos. O reconhecimento da amplitude e da intensidade de muitos temas, assuntos ou fatos presentes em suas histórias permite a discussão também ampla, aberta e, por que não, profunda desses temas, dos mais aos menos polêmicos. Se há, portanto, uma posição a assumir, ela se configura na busca por preservar a leitura de obras marcadas pela criatividade, inventividade e criticidade.

Cancelar Lobato, portanto, é queimar um ramo literário em que aquela tríade – criatividade, inventividade e criticidade – constitui grande probabilidade de servir a consciências imbuídas de utopias ainda tão caras à sociedade de nosso tempo.

Thiago Alves Valente  fez doutorado em Literatura na Unesp e é professor de Literatura Brasileira do Centro de Letras, Comunicação e Artes (CLCA), Campus de Cornélio Procópio (CCP) da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) e coordenador do GT Leitura e Literatura Infantil e Juvenil da ANPOLL

Do Jornal da Unesp

Com Portal BRASIL CULTURA

Hoje é Dia de Santo Antônio

O Dia de Santo Antônio é comemorado anualmente em 13 de junho.

Santo Antônio de Lisboa, ou Santo Antônio de Pádua nasceu em Lisboa no dia 15 de agosto, provavelmente entre os anos de 1191 e 1195.

Este é considerado um dos santos mais populares entre os brasileiros e portugueses. No Brasil, Santo Antônio é conhecido por ser o “Santo Casamenteiro”, sendo que o Dia dos Namorados é comemorado no dia 12 de junho no Brasil por ser a véspera do Dia de Santo Antônio.

De acordo com a crendice popular brasileira, neste dia as pessoas que desejam casar ou conseguir um namorado preparam simpatias para Santo Antônio, acompanhadas de orações.

Saiba mais sobre o Dia dos Namorados.

O Dia de Santo Antônio faz parte das celebrações da Festa Junina, assim como o Dia de São João e Dia de São Pedro.

Origem do Dia de Santo Antônio

O Dia de Santo Antônio é comemorado a 13 de junho por ser a data de sua morte. Santo Antônio morreu em Pádua, na Itália, no dia 13 de junho do ano de 1231.

Santo Antônio foi inicialmente um frade agostiniano, tendo mais tarde entrado na ordem Franciscana (1220).

Foi muito conhecido pela sua vida despojada de riquezas, apesar de ter nascido em uma família afluente. O seu trabalho com os pobres foi essencial para que fosse rapidamente reconhecido como santo após sua morte.

A canonização de Santo Antônio aconteceu poucos anos após sua morte, e muitos consideram que terá sido uma das canonizações mais rápidas da história.

Oração de Santo Antônio

Existem muitas orações a Santo Antônio, a maior parte delas ligadas ao fato de Santo Antônio ser conhecido como o “Santo Casamenteiro”.

“Meu grande amigo Santo Antônio,

tu que és o protetor dos namorados,

olha para mim, para a minha vida,

para os meus anseios.

Defende-me dos perigos,

afasta de mim os fracassos,

as desilusões, os desencantos.

Faz que eu seja realista,

confiante, digna(a) e alegre.

Que eu encontre um(a) namorado(a)

que me agrade, seja trabalhador,

virtuoso e responsável.

Que eu saiba caminhar para o futuro

e para a vida a dois

com as disposições de quem recebeu de Deus

uma vocação sagrada e um dever social.

Que meu namoro seja feliz

e meu amor sem medidas.

Que todos os namorados

busquem a mútua compreensão,

a comunhão de vida

e o crescimento na fé.

Assim seja”.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

sábado, 11 de junho de 2022

FIQUEM LIGADOS! HOJE (11) DAS 19 HORAS ÁS 19:30 FIQUEM LIGADOS NA RÁDIO AGRESTE FM - 107.5 "PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA!" - UMA INICIATIVA DO CPC-RN

TODO OS SÁBADOS - DAS 19 HORAS ÁS 19:30 - NA AGRESTE FM - 107.5
Lembre - se! Logo mais ás 19 horas nas ondas Rádio AGRESTE FM - 107.5 PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA!

Uma iniciativa do Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN, uma instituição fundada em 30 de dezembro de 2009, no SESC de PONTA NEGRA - NATAL -RN, com sede em NOVA CRUZ-RN.

Um espaço dos artistas potiguares!
Participem! Fiquem ligados!

Apresentações de Eduardo Vasconcelos - Presidente e Cláudio Lima. Ambos radialistas, Eduardo, presidente e Cláudio Lima, tesoureiro.

Contamos com a sua sintonia!

Contatos: Eduardo Vasconcelos: 98805 6338 e 99196 6212 e Cláudio Lima: 99472 8011

Abertas inscrições para o Programa Cultural Câmara Cascudo

 

FJA - (Fundação José Augusto)

Produtores culturais do RN têm até 31 de agosto para inscrever seus projetos no programa Cultural Câmara Cascudo, do Governo do Estado, por meio da Fundação José Augusto. Pelo edital o valor individual será no máximo dez por cento (10%) do valor da renúncia anual que este no atingiu R$ 10 milhões. Também ficou definido que cada proponente, individualmente, através de pessoa física ou jurídica ou interposta pessoa, somente poderá apresentar dois projetos. A portaria para inscrições foi publicada pela FJA no Diário Oficial do Estado (DOE) no último dia 31 de maio.  

O Programa Cultural Câmara Cascudo é um dos principais instrumentos de democratização do acesso à cultura no Rio Grande do Norte e consiste na renúncia fiscal do ICMS por parte do Estado para que o valor correspondente à contribuição seja investido em projetos culturais.

A operacionalização do programa é realizada pela Fundação José Augusto, através da Comissão de Cultura. O artista, grupo de artistas ou instituição interessada na captação dos recursos inscreve seu projeto que será analisado, para confirmar adequação às normas da Lei, e decidida sua aprovação.

As inscrições deverão ser feitas somente de forma presencial na sede da FJA, localizada na Rua Jundiaí, 441, Tirol. Email  para informações: projetosleicc@gmail.com

Fonte: FJA (Fundação José Augusto)

Edital | BN divulga edital do PNAP 2022 - "INSCRIÇÕES ATÉ 11 DE JULHO!"

 

Pesquisadores doutores interessados em desenvolver pesquisas com base em seu acervo podem se inscrever. O tema é livre, mas receberão bônus na avaliação aqueles que se enquadrarem nas seguintes áreas prioritárias: 

  • 200 anos da Independência do Brasil
  • Livro, leitura e bibliotecas
  • Letras Clássicas

Não é necessário residir no Rio de Janeiro para concorrer.

Inscrições até 11 de julho de 2022.

Acesse:

https://www.bn.gov.br/edital/2022/edital-programa-nacional-apoio-pesquis...

Fonte: Biblioteca Nacional

Saiba de onde vem a quadrilha, dança típica das festas juninas

 

A quadrilha, dança típica das festas juninas brasileiras,  é carregada de referências caipiras e matutas. Mas sua origem vem de muito longe. A “quadrille” surgiu em Paris, no século XVIII, como uma dança de salão composta por quatro casais. Era dançada pela elite europeia e veio para o Brasil durante o período da Regência (por volta de 1830), onde era febre no ambiente aristocrático.

Da Corte carioca, a quadrilha acabou caindo no gosto do povo. Ao longo do século XIX, a dança se popularizou no Brasil e se fundiu com manifestações brasileiras preexistentes. “O brasileiro é um povo muito criativo e criou a forma estilizada de dançar a dança dos nobres”, opina a arte-educadora Lucinaide Pinheiro. A partir daí, diversas evoluções foram sendo incorporadas à quadrilha, entre elas o aumento do número de pares dançantes e o abandono de passos e ritmos franceses. As músicas e o casamento caipira que antecede a dança, também foram novidades incorporadas ao longo dos anos.

Um dos resquícios franceses na dança são os comandos proferidos pelo marcador da quadrilha. Escolhido, geralmente, entre os mais experientes do grupo, seu papel é anunciar os próximos passos da coreografia. O abrasileiramento de termos franceses deram origem, por exemplo, ao saruê (Soirée – reunião social noturna, ordem para todos se juntarem no centro do salão), anarriê (en arrière – para trás) e anavã (en avant – para frente).

Tradição enraizada em Brasília

Para muitos, a quadrilha não se restringe ao mês de junho. Grupos profissionais de quadrilheiros levam a sério a dança, se apresentam em festas e participam de concursos até o mês de setembro. Sem contar os ensaios anteriores às apresentações e as confecções de roupas, que exigem tempo até ficar tudo perfeito. “No início de janeiro já começamos a ensaiar e, em abril, estamos prontos para viajar pelo país”, diz Hamilton ‘Tatu’, do Grupo Parafolclórico Quadrilha Junina Pau Melado. A escola de Samambaia, cidade-satélite de Brasília, tem 78 membros e coleciona títulos: cinco no circuito brasileiro e quatro no local.

Além deste, diversos outros grupos do Distrito Federal e entorno vivem da quadrilha. Organizados em uma entidade – a Liga Independente de Quadrilha Junina do Distrito Federal e Entorno (LinqDFe) – os grupos se apresentam, anualmente, em um circuito junino. “De maio à primeira semana de agosto, as agremiações se apresentam em dez cidades-satélite. Mas nossa meta é aumentar este circuito para quinze cidades”, aponta José Pereira, presidente da Linq.

A entidade foi criada em 2000 e hoje conta com 62 grupos filiados. “Essa associação surgiu da necessidade de organização dos grupos de quadrilha. Nós buscamos recursos para o circuito e para fomentar os grupos”, define Pereira. O liga deu tão certo que serviu de ponto de partida para a Confebraq – Confederação Brasileira de Entidades de Quadrilhas Juninas.

Para dançar, basta ter disposição. Muitos  grupos acolhem pessoas de todas as idades. “Temos a categoria mirim, infantil, cascudo e adulto”, define Hamilton. Os integrantes do grupo devem ter, porém, disponibilidade, já que ser quadrilheiro profissional significa ter uma agenda apertada.

Mais do que arte e dança, a quadrilha junina é uma expressão da cultura popular. E quem se dispõe a desenvolvê-la, acaba perpetuando a tradição de origem francesa. Para a arte-educadora Lucinaide Pinheiro, os dançarinos são, para muitos, grandes referências. “Essas pessoas são mais do que quadrilheiras, elas têm uma ação de protagonismo dentro das suas comunidades”, opina.

TUDO PARA SUA FESTA JUNINA AQUI…

Fonte: Portal BRASIL CULTURA 

domingo, 5 de junho de 2022

CULTURA & MÍDIA - Gusttavo Lima e a CPI do Sertanejo

 Por Altamiro Borges

Vários músicos sertanejos, que se travestiam de éticos, criticavam a Lei Rouanet e idolatravam o fascista Jair Bolsonaro, agora estão na berlinda. Nesta segunda-feira (30), o Ministério Público do Rio de Janeiro abriu uma investigação sobre um show de Gusttavo Lima pago pela prefeitura de Magé (RJ) pelo valor “irrisório” de R$ 1 milhão.

Choramingando, o cantor bolsonarista jurou que “não pactua com ilegalidades”. Outros inquéritos sobre seus shows já estão em curso em Minas Gerais e Roraima. Nas redes sociais, os internautas agora pedem que o oportunista devolva a grana pública e até propõem a criação de uma “CPI do Sertanejo” para investigar os contratos deste e de outros artistas milionários.

Segundo o site g1, do Grupo Globo, o desmascaramento dessa turma teve início com um fato inusitado. “Em 12 de maio, o cantor Zé Neto fez um discurso no palco em Sorriso (MT) ironizando a ‘tatuagem no toba’ de Anitta e dizendo que eles são artistas que ‘não dependem da Lei Rouanet’. Ele virou alvo dos fãs da cantora Anitta nas redes. No meio das críticas estava o fato de que Zé Neto ataca a Rouanet, mas faz shows com verbas de prefeituras, inclusive em Sorriso, por R$ 400 mil”.

Os maiores cachês revelados até agora
“A contradição entre a Lei Rouanet, cujos projetos passam por vários critérios e controles, e shows de prefeituras, feitos sem licitação, virou debate. Nas redes sociais, o tema entrou em alta, e ganhou até a hashtag #CPIdoSertanejo… O foco passou para Gusttavo Lima, que teve os maiores cachês revelados”.

Até agora já são três prefeituras na mira do Ministério Público. Além do inquérito sobre o milionário contrato em Magé, no Rio de Janeiro, o MP de Roraima abriu investigação sobre verba de R$ 800 mil em São Luiz, cidade de 8 mil habitantes, com 32% em extrema pobreza. E neste final de maio, outro show de Gusttavo Lima foi questionado pelo cachê de R$ 1,2 milhão em Conceição do Mato Dentro (MG), cidade com 17 mil habitantes.

“O g1 mostrou que esse dinheiro veio de recursos que só poderiam ser usados em educação, saúde e infraestrutura. No dia 28 de maio, a prefeitura de Conceição de Mato Dentro cancelou o show de Gusttavo Lima e de Bruno e Marrone… No dia 30, foi revelado que o pré-candidato à presidência André Janones destinou quase R$ 2 milhões para uma exposição com show de Gusttavo Lima em Ituiutaba (MG)”.

Até os artistas bolsonaristas são canastrões e picaretas, como seu “mito” na presidência. Eles merecem o apelido que já circula nas redes sociais de “sertanojos”!

Charge: Brum

Fonte: CTB NACIONAL

CULTURA & MÍDIA - Sobre o desvio de recursos públicos para cachês milionários em shows de cantores Sertanejos

 Por Célio Turino*

1) Megachês milionários não são comuns nem no mundo dos rodeios (quando em patrocínio privado) ou grandes estrelas da música. Quando muito, R$ 500/600 mil e isso envolvendo toda a equipe de produção do show (banda, técnicos, dançarinos, direitos autorais e pessoal de apoio). Como parâmetro: em contratos via poder público, na Virada Cultural em São Paulo, por exemplo, o valor máximo em cachê é de R$ 300 mil (o que já é bastante elevado); shows em réveillon em cidades como o Rio de Janeiro também não pagam muito além disso; em Micaretas e São João, talvez alguns muito famosos recebam R$ 500/600 mil, mas são raros; Escolas de Samba no Rio de Janeiro na divisão especial receberam R$ 1,5 milhão para o carnaval de 2022.

2) Ou seja, tem mutreta, tem desvio de verba pública, tem corrupção nesses cachês do milhão. Mesmo para contratações artísticas a lei exige que o poder público se paute pelo princípio da economicidade, além da moralidade, legalidade, publicidade e impessoalidade. Tem cartel político/Bolsonarista/sertanejo nessa história dos Megacachês. Ministério Público, Tribunais de Contas e legislativos municipais, estaduais e nacional precisam investigar. O crime salta aos olhos! O Congresso Nacional precisa abrir #CPIdosSertanejos já! É preciso cruzar emendas e rastrear o caminho do dinheiro para verificar o quanto do valor desses cachês pode ter sido “devolvido” para os padrinhos. Esse é um duto de desvio na ordem de centenas de milhões de reais!

c) Afora a imoralidade desses valores, sobretudo em pequenos municípios, em que a população carece de serviços básicos.

d) Mas o desvio não para aí. Em 2019 o BNDES concedeu empréstimo de R$ 320 milhões para empresa recém constituída (um mês antes da liberação do empréstimo). A finalidade? Administrar carreiras de cantores sertanejos. Curiosamente o nome da empresa era One7 (17, o número de um certo candidato nas urnas). Um escândalo! Desse valor R$ 200 milhões foram para um único cantor sertanejo! Alguma dúvida de que esse empréstimo foi totalmente irregular? Nenhum Banco libera um valor desses para uma empresa constituída um mês antes (a menos que carregue o 17 do chefe miliciano). Como parâmetro, a lei Aldir Blanc que preservou entre 430/450 mil postos de trabalho na cadeia produtiva da cultura (dados IPEA), em 4.700 municípios, contou com aporte total de R$ 3 bilhões. Isso após uma ampla mobilização, envolvendo dezenas de milhares de pessoas e a quase unanimidade no Congresso. Não é possível que uma única empresa receba mais de 10% desse valor! Esse empréstimo precisa ser investigado e muito.

e) Mais um parâmetro. Esses mesmos sertanejos que vivem falando mal da lei Rouanet estão se apropriando de dinheiro público via cachês em valores absurdos, drenando recursos de escolas e da saúde, sobretudo pequenos municípios, em que a fiscalização passa despercebida. Cachês de até R$ 1,2 milhão! Sabem em quanto o governo fixou o teto para cachê artístico via lei Rouanet? R$ 3 mil (exatamente). Deve ser por essa razão que esses artistas Bolsonaristas tem tanto ódio da lei Rouanet, afinal, em um só show embolsam valor 400 vezes maior. Mesmo antes de o governo haver fixado o teto em R$ 3 mil, o valor máximo que a lei Rouanet autorizava para cachê artístico era de R$ 45 mil. Mais um parâmetro para comparação: o valor que a empresa One7 (17) recebeu equivale a 25% de todo valor arrecadado pela Lei Rouanet em todo o Brasil (aproximadamente R$ 1,2 bi). Isso para atender mais de 4.000 projetos, grande parte deles gratuitos para o público, beneficiando dezenas de milhares de empresas e garantindo centenas de milhares de postos de trabalho na cadeia produtiva das artes e da cultura.

A lei Rouanet, para aprovação de um projeto, exige: projeto detalhado; justificativa; descrição e cronograma de trabalho; explicitação de público beneficiado; contrapartida social e de acessibilidade; orçamento detalhado, com valores padrão e teto nos valores; parecer técnico de especialista; aprovação em colegiado (CNIC); captação de patrocínio junto a empresas privadas (que também analisam o projeto); prestação de contas; análise detalhada das contas para quitação final. Enquanto isso, esses artistas aproveitadores e manipuladores dos fãs, seguem fazendo sinal de arminha com a mão, pregando o ódio e a mentira e se declarando cidadãos de bem, defensores de “Deus, Pátria e Família”, ao mesmo tempo em que se locupletam com o dinheiro público. No fundo não passam de oportunistas e desonestos, que desonram a tradição da música brasileira de raiz.

*Escritor

Fonte: CTB NACIONAL

CRÔNICA SOBRE UM FESTIVAL LITERÁRIO: COSTUME DE CASA VAI À PRAÇA - Por ANA PAULA CAMPOS

 

ANA PAULA CAMPOS

Neste último final de semana ocorreu o Festival Literário em São Miguel do Gostoso. Um evento belíssimo e super bem organizado. Fomos acolhidos muito antes do encontro presencial e seguiu assim até o fim da manhã do domingo. Serei eternamente grata a toda equipe da organização e também às pessoas da pousada em que ficamos, que foram solícitas e receptivas desde a nossa entrada no espaço.

Mas, para além disso, eu gostaria de usar este espaço para fazer uma reflexão crítica sobre este momento para que, quem sabe, outras pessoas possam também refletir sobre estes pontos e, no futuro, mudarmos o que parece estar cristalizado no meio literário do RN.

Eu e meu companheiro, o intelectual indígena e também colunista deste jornal, Fábio de Oliveira, fomos convidados para participar deste festival à convite da nossa querida amiga Eva Potiguara. Esta, por ser uma pessoa mais articulada e com mais experiência nos meios literário e artístico, fez questão de apontar para a equipe da organização a necessidade de pessoas negras e indígenas em espaços como estes.

Ao contrário do que é percebido na atitude de Eva, diversos grupos literários de Natal parecem estar fechados em seus nichos de escritores, formando suas bolhas literárias e convidando amigues para os eventos. O incômodo maior é que algumas destas pessoas se dizem antirracistas, mas na prática reforçam a aliança entre os seus/suas.

Programação definida, hora de organizar os detalhes para a viagem. Novamente chamo a atenção para o grande número de escritores e coletivos literários que se organizaram, desde transporte até hospedagem, mas em momento algum, nós indígenas fomos informados sobre as articulações.

Já no local senti falta de algumas escritoras talentosíssimas que não puderam estar presentes por falta de condições financeiras de arcar com passagem e hospedagem. Raça, classe e etnia  evidenciaram serem marcadores importantes no que diz respeito à exclusão no meio literário, e a tão sonhada sororidade parece seguir restrita as aliades.

Circulei pelo evento. Durante a Mesa de Conversa sobre questões indígenas, pouquíssimos escritores se fizeram presentes. Não sei se pelo choque na programação ou pela falta de interesse na temática. Na Mesa sobre literatura negra e indígena escrita por mulheres estavam presentes basicamente as pessoas da organização do evento. Interessante, porque antes da nossa fala uma escritora branca falara e outras escritoras brancas ouviram-na,  mas, em seguida, saíram.

Em outros espaços eram, em sua maioria, mulheres escritoras brancas falando para outras escritoras também brancas, e a população de São Miguel do Gostoso, indígena e negra em sua maioria, seguiu excluída. Elas falavam para elas em círculos fechados.

Questionei isso na Mesa de conversa. Será que aquele espaço estaria vazio se fossem escritores homens, cis e cristãos? Às mulheres nunca foi permitido escrever – às negras, indígenas e de periferias muito menos.

Voltando do espaço, leio textos sobre o evento. Nomes de escritores brancos não faltaram. Estavam todos lá. Já os nossos... Nunca somos citados e quando acontece é por sermos, em alguns casos, lideranças indígenas, mas no caso feminino, como a cacica Lúcia Paiacú, a titulação não foi lembrada. Escritores como o intelectual Fábio de Oliveira – que, além de ser o primeiro e até agora único colunista indígena do RN, é também diretor de curtas e podcast premiados, coordenador da reserva ambiental Gamboa do Jaguaribe e ativista ambiental –, teve seu nome suprimido ao se referirem sobre a palestra a respeito das questões indígenas, sendo lembrado mais na frente apenas como “companheiro de Ana Paula”.

Isso me fez lembrar da intelectual Lélia Gonzales, que dizia da importância de nos apresentarmos com nome e sobrenome ou o racismo nos nomeia como quiser.

Eu mesma, sendo, sem demagogia, a primeira colunista negra do RN e uma referência nas discurções sobre questões étnico-raciais em todo Brasil, fui lembrada apenas como contadora de histórias. Sim, para o meu povo de África e Potiguara, ser contadora de histórias é uma honra sem medida. Somos “o povo-memória”, mas, na condição de mulher e afroindígena, vamos sendo reduzidas ao mínimo. Tanto que nem direito à plateia de colegas escritores tivemos. 

Em um país em que a maioria das pessoas são negras e indígenas, custa-me entender como espaços como estes ainda são ocupados majoritariamente por pessoas brancas e estas nem ao menos questionam a ausência de  outros grupos. Uma observação retórica porque, no fundo – e nem precisa ir tão fundo –, sabemos que temos diversos/os escritores escrevendo, mas sem condições de pagar pelas suas publicações, uma vez que somos também esquecides pelas editoras que operam a favor do sistema: difundir literatura branca.

E a vida literária no RN segue assim: pessoas brancas seguem publicando, convidando umas às outras, lendo umas às outras, divulgando umas às outras, prestigiando umas às outras e citando umas às outras. A intelectual negra Aparecida Bento define isso como “pacto narcísico da branquitude”, nada mais atual que isto!

Mas a bolha aos poucos está sendo rompida. Nosso recado foi e segue sendo dado. Os privilégios estão sendo ameaçados e a nossa fala, como lembra a grandiosa Conceição Evaristo, está rompendo a máscara! Sigamos!

Fonte: POTIGUAR NOTÍCIAS

MACHISMO: Educadores brasileiros repudiam pronunciamento agressivo e depreciativo contra as mulheres brasileiras proferidas pelo Deputado Estadual por Sergipe, Rodrigo Valadares

 Notas Públicas

É estarrecedor o baixo nível dos representantes políticos brasileiros em pleno século XXI. No último dia 01 de junho, em sessão da Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, o deputado Rodrigo Valadares (União Brasil) ofendeu a todas as mulheres brasileiras quando, em debate no Plenário daquela Casa Legislativa, se referindo ao SINTESE (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe), disse textualmente que sindicato “é igual mulher que gosta de apanhar do marido”.

Se não bastasse a agressão gratuita contra uma entidade representativa de uma categoria que, além de ser majoritariamente feminina, representa mais de 30 mil professores e professoras da rede pública de ensino do Estado, o deputado ainda agride às milhões de mulheres brasileiras. Sem pudor, a fala do deputado escancara o seu machismo e misoginia. Em apenas uma frase, o representante eleito pelo povo sergipano para defender seus interesses ofende uma entidade representativa de trabalhadores/as, verdadeira interlocutora de expressivo segmento dos/as funcionários/as públicos de Sergipe, bem como às mulheres do seu Estado e do próprio país. Filho de uma promotora de Justiça do Estado e certamente, quando criança e jovem, estudante de muitas professoras, o deputado deveria, no mínimo, renunciar ao cargo eletivo que hoje ocupa também por confiança, certamente, de muitas mulheres.

A fala do deputado envergonha a nós todos/as como seres humanos. Certamente deve tê-la proferido achando que estaria sendo engraçado ou, o que é pior, nela não veria problemas. A sua formação em Direito não lhe formou o caráter necessário para honrar o cargo que hoje ocupa.

À Assembleia Legislativa do Estado, urge abrir um processo disciplinar contra o autor desse horrendo pronunciamento. Nenhum pedido de desculpas às mulheres brasileiras e, quiçá, a muitas de suas eleitoras no Estado o isentará da pecha de um homem machista e misógino que, nesse dia, ele foi. Qualquer retratação não será suficiente para apagar essa mácula em seu tão curto currículo de homem público, que hoje o é somente porque o povo sergipano assim o permitiu. Mas certamente, depois dessa sua fala, ele terá dificuldades em sua próxima eleição, se assim ele pretender. Se ele fez esse tipo de comentário em uma sessão pública do parlamento estadual de Sergipe, não queremos nem imaginar o que ele deve falar entre amigos ou em ambientes fechados.

Os/as educadores/as brasileiros/as repudiam o machismo e a misoginia de quem quer que seja. Nos solidarizamos com as mulheres de Sergipe, às educadoras do Estado e ao SINTESE, esses, sim, motivos de orgulho do povo sergipano e de todo o Brasil.

Brasília, 03 de junho de 2022
Direção Executiva da CNTE

DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE 2022: BRASIL É O PÁRIA DO MUNDO Fonte: SINPRO-DF

 


A comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente completa 50 anos neste domingo (5/6). A data foi instituída num encontro da Organização das Nações Unidas (ONU), em Estocolmo, Suécia, em 1972, para a alertar a população sobre problemas ambientais, chamar atenção para a importância da preservação dos recursos naturais, que até então eram considerados, por muitos, inesgotáveis, e convocar a população mundial a mudar, com urgência, o comportamento com relação à natureza para preservá-la.

Meio século depois, em 2022, o Brasil se vê submerso numa das maiores crises ambientais provocadas por empresários brasileiros e estrangeiros. Todos, sem exceção, são grileiros, invasores, mandantes de assassinatos de lideranças populares, mineradores ilegais, devastadores de florestas, entre outros crimes, atuam sob os auspícios do governo federal. A ação sistemática desses “empresários” e políticos levou o Brasil a ser visto como o pária do mundo quando o assunto é preservação do meio ambiente.

No Dia Mundial do Meio Ambiente de 2022, o País é visto como o maior protagonista mundial do extermínio da natureza. O governo federal e seus aliados nos estados, municídipos e Congresso Nacional retiraram do Brasil uma de suas maiores qualidades, a de ser o protetor da natureza, para ser o pária do mundo nesse e em outros temas da soberania nacional. Desde 2019, de forma coordenada, o governo Bolsonaro e seus ministros, além de deputados federais, senadores e políticos estaduais e municipais ligados ao centrão, atuaram para desmontar o sistema de proteção ambiental. O primeiro ministro que atuou, criminosamente, para isso foi Ricardo Salles. Agora, com Joaquim Leite, o governo instituiu um esquema de desmonte dos órgãos que compõem o sistema de proteção ambiental, reduzindo o Orçamento, extinguindo políticas, pastas e perseguindo e exonerando servidores técnicos.

Enquanto isso, autorizam, e chegam a defender, nas redes digitais, invasões, grilagens, desmatamentos, garimpagem ilegal, tráfico de madeira ilegal e todo tipo de crime ambiental que se possa imaginar em terras brasileiras. O próprio Presidente da República vai a público fazer apologia a crimes ambientais. O resultado é que, em 2021 e, só nos primeiros 3 meses de 2022, o Brasil registrou os piores índices de desmatamento de mata nativa na Amazônia em 10 anos, sendo que quase metade dessa destruição ocorreu em florestas públicas federais, em que Bolsonaro retirou verbas e estrutura para fiscalização. Isso sem contar os recordes de desmatamento registrados entre 2019 e 2021.

A devastação em Terras Indígenas (TI), por exemplo, aumentou 41 vezes entre 2016 (ano do golpe de Estado) e 2021, segundo ano do governo Bolsonaro, confirme indica um estudo do MapBiomas. O desmatamento por causa da mineração em TI saltou, segundo o levantamento, de 58,4 hectares, em 2016, para 2.409 hectares, em 2021. Um crescimento de 41 vezes em apenas 6 anos. A Amazônia Legal registrou, só no primeiro trimestre de 2022, o maior número acumulado de alertas de desmatamento na história do monitoramento feito pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo os dados da plataforma Terra Brasilis, do Inpe, o total chega a 941,34 km², maior índice desde 2016.  Nesse estudo, o Inpe informou também que apenas em março deste ano foram desmatados 312,23 km².

Crime ambiental e conflito no campo

As mortes, ameaças e todo tipo de conflito no campo também aumentaram proporcionalmente ao aumento dos crimes ambientais. O balanço de conflitos no campo, em 2021, também é preocupante. Aliás, o governo Bolsonaro aproveitou a pandemia do novo coronavírus para cometer todo tipo de crime, como foi dito numa reunião do governo em que o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que o momento da pandemia seria o ideal para “passar a boiada”. Clique no título e acesse o vídeo: Salles diz que governo deve aproveitar pandemia e ‘ir passando a boiada’ em medidas regulatórias

E assim o fizeram. Já em 2020, primeiro ano da pandemia, as invasões de terras e assassinatos de indígenas e de lideranças populares aumentaram desesperadamente. Os assassinatos, as grilagens e todos os demais crimes cometidos por este governo contra o meio ambiente só são comparados aos que o Brasil viveu antes da Constituição de 1988. Atualmente, estão ocorrendo mais assassinatos de trabalhadores rurais, crescimento dos registros de trabalho escravo e mais de 1.000% de aumento de mortes por conflitos. Aumentaram os conflitos por água, que já chegam a mais de 300 no Brasil. Isso vai piorar terrivelmente com a privatização da Eletrobrás porque as empresas estrangeiras e os compradores individuais, os chamados rentistas, vão passar a mandar nos rios brasileiros.

É gravíssima a situação do Brasil. A invasão às Terras Indígenas (TI) teve alta de 137% em apenas 2 anos de governo Bolsonaro. Os assassinatos de indígenas aumentaram 61% de 2019 a 2020, segundo dados do relatório “Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil 2020”, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Confira o relatório da violência no campo em 2020: https://cimi.org.br/2021/10/relatorioviolencia2020/.

Destruição do meio ambiente, soberania alimentar e educação

A diretoria colegiada do Sinpro-DF alerta para o fato de que esse desmonte nas políticas ambientais é o trunfo deste governo para destruir, mortalmente, a soberania do Brasil e que é importante a população se envolver na defesa das terras públicas, das Terras Indígenas, Terras Quilombolas, assentamentos e acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e demais patrimônios nacionais, sobretudo impedir a privatização da Eletrobrás e da Petrobrás.

Quando Bolsonaro ataca o meio ambiente, ataca também a educação porque um Presidente da República, que é a principal autoridade do País, age na destruição das florestas e incentiva a invasão da Amazônia, a dominação das águas por empresas e rentistas privados brasileiros e estrangeiros, bem como as terras, as florestas, e a nossa juventude nas escolas vê essa autoridade com esse comportamento, o que ela irá pensar? Qual exemplo ela terá na sua vida? Como será o futuro desses jovens? Qual vai ser o reflexo da defesa deles do meio ambiente se a maior autoridade do Brasil não respeita a questão ambiental e nem a soberania do País?

Ao atacar o meio ambiente, o governo Bolsonaro atinge a educação pública de outras formas porque ele também tem atacado a educação, afinal, ensino público e gratuito é um direito humano fundamenal, resguardado pela nossa Constituição, que é alvo do projeto neoliberal de privatização do Estado brasileiro posto em curso por este governe e, assim como os crimes ambientais, destroi a cidadania brasileira e a soberania do Brasil.

Do pondo de vista da educação do campo, há também o problema da terra, da água, das matas, que são recursos naturais fundamentais para a nossa sobrevivência, para a sobrevivência dos povos das florestas, dos seringueiros, indígenas, quilombolas, camponeses, comunidades tradicionais e de toda a população do País.

Todos os ataques do governo Bolsonaro ao meio ambiente refletem na soberania alimentar brasileira. Essa priorização em vender veneno,  do agronegócio em detrimento da agroecologia, isso reflete na qualidade da alimentação, na vida e na formação dos(as) brasileiros(as) jovens e na sua cidadania. Reflete na formação da pátria brasileira. Como os rios se ligam ao mar, todas as coisas estão interlidadas.

Daí a necessidade da mobilização e união do magistério público na defesa da soberania nacional, da preservação do meio ambiente, das nossas empresas públicas, das nossas riquezas naturais e patrimônios públicos, da pesquisa científica, da universidade e da educação, em todos os níveis, pública, gratuita, laica, libertária, inclusiva, socialmente referenciada, da liberdade de cátedra e todas as outras lutas e formas de assegurar a soberania do Brasil. Defender tudo isso e a luta da classe trabalhadora é salvaguardar o meio ambiente. A proteção da Nação brasileira faz parte de outro projeto de governo diferente deste que está em curso. Está nas nossas mãos a oportunidade e a capacidade de mudar essa realidade. Somente nós, brasileiros(as), podemos retirar a pecha de pária do mundo do nosso País.

Fonte: SINPRO-DF