Cultura significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membros,. ativistas, poetas, escritores, produtores culturais, grupos culturais, violeiros, pensantes e os que admiram e lutam pela cultura potiguar. Cultura! A Cultura, VIVE e Resiste! "Blog do CPC/RN, notícias variadas na BASE DA CULTURA!
Atenção professores e alunos… Dançada para homenagear os santos juninos (Santo Antônio, São João e São Pedro) e também como forma de agradecimento pelas boas colheitas na roça. A execução da dança requer vários casais, o limite de participantes se restringe apenas ao espaço físico disponível.
Os casais participantes da dança da quadrilha junina seguem os comandos de um narrador. Os comandos são dos mais variados e a cada ano o número de comandos aumentam e são reinventados se limitando apenas pela criatividade das pessoas.
Musica Quadrilha Junina Narrada
17 passos para Dança da Quadrilha Junina
BALANCÊ (balancer) – neste comando os casais balançam o corpo seguindo o ritmo da música. Usado como um grito de incentivo, o balancê se repete ao final de cada passo, ao se dar um comando somente para os cavalheiros, as damas permanecem no balancê e vice-versa.
ANAVAN (en avant) – damas e cavalheiros caminham balançando os braços.
RETURNÊ (returner) – dançarinos retornam ao seu lugar
TUR (tour) – casais dão uma volta completa, cavalheiro abraça a cintura da dama e ela coloca a mão em seu ombro.
Cumprimento as damasCUMPRIMENTO ÀS DAMAS – balançando o corpo, os cavalheiros, caminham até as damas e quase se ajoelhando cada rapaz cumprimenta sua parceira, aqueles que estão de chapéu (chapéu de palha) o retiram enquanto se ajoelham.
CUMPRIMENTO AOS CAVALHEIROS – elas, balançando o corpo e caminhando em direção aos cavalheiros, cada uma das damas, cumprimentam seu respectivo par.
GRANDE PASSEIO – os casais, homem segurando a mão esquerda da dama, passeiam em círculo, enquanto balançam os braços para baixo acompanhando o ritmo da música.
DAMAS AO CENTRO – dois círculos são formados, um círculo dentro do outro, no centro um círculo formado pelas damas, do lado de forma um círculo formado pelos cavalheiros. Ambos os círculos rodam para a esquerda.
É MENTIRA – os casais invertem o sentido da dança. Este comando é dado logo após a o comando OLHA A COBRA.
CARACOL – damas e cavalheiros estão em fila única. Após ouvir este comando o primeiro da fila começa a enrolar a fileira, formando um caracol.
DESVIAR – Este comando é dado para que o primeiro da fila comece a desenrolar o caracol.
COROAR DAMAS – os cavalheiros, segurando as mãos uns dos outros, erguem os braços sobre as cabeças das damas. Ao se abaixar os braços as damas serão enlaçadas pela cintura. Mantendo esta posição os casais se deslocam para o lado que o marcador comandar.
COROAR CAVALHEIROS – as damas de mãos dadas, enguem os braços sobre a cabeça dos cavalheiros, ao se abaixar os cavalheiros são enlaçados pela cintura. E se deslocam para o lado que o marcador pedir.
olha o tunel
OLHA O TÚNEL – os casais de andando em fila de mãos dadas, o primeiro casal para, se viram de frente um para o outro e de mãos levantas formam um arco. O segundo casal passa por dentro do arco e também formam um arco, esta sequência é repetida até que todos tenham passado por dentro do túnel.
CAMINHO DA ROÇA – em uma fila única, dama à frente de seu parceiro, caminham balançando os braços.
OLHA A COBRA – este comando inverte o sentido em que os casais estavam andando, esta marcação é trocada em alguns casos
por “olha a chuva”, “olha a inflação”, “ponte caiu” entre outros.
DESPEDIDA – casais em fila, saem galopando e acenando para o público. Terminando assim a dança de quadrilha de festa junina.
ROTEIRO PARA DANÇA DA QUADRILHA DE FESTA JUNINA
Duas fileiras são formadas, uma de damas e outra de cavalheiros, uma de frente para outra, afastadas por uma distância de aproximadamente 2,5 m. Cada par deve ficar de frente um para o outro. Ao iniciar a música, o narrador inicia com o primeiro comando, muito embora cada narrador siga sua própria sequência de comandos, abaixo temos temo um roteiro sugerido para narradores que estão liderando a Quadrilha de Festa Junina pela primeira vez.
A mulher do jornalista britânico Dom Philips, Alessandra Sampaio, disse nesta segunda-feira (13) que o corpo dele e do indigenista Bruno Pereira foram encontrados. Eles estão desaparecidos há mais de uma semana na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas.
Segundo Alessandra, a PF lhe confirmou a localização de dois corpos, mas disse que eles ainda precisavam ser periciados para que a identificação pudesse ser feita. Ainda de acordo com Alessandra, a Embaixada Britânica, que já havia comunicado aos irmãos de Dom Phillips a localização dos corpos do jornalista e do indigenista, ratificou a informação da PF.
Bruno e Dom tinham sido vistos pela última vez no dia 5 ao chegarem a uma localidade chamada comunidade São Rafael. De lá, eles partiram rumo a Atalaia do Norte, viagem que dura aproximadamente duas horas, mas não chegaram ao destino (veja no infográfico abaixo).
No domingo (12), as equipes de busca encontraram uma mochila, um notebook e um par de sandálias na área onde são feitas as buscas pelo jornalista inglês e pelo indigenista no interior do Amazonas.
Segundo as autoridades, o material estava próximo da casa de Amarildo Costa de Oliveira, suspeito de envolvimento no crime.
Quem são Bruno Pereira e Dom Phillips
Além de indigenista, pessoa que reconhecidamente apoia a causa indígena, Bruno Pereira é servidor federal licenciado da Funai. Ele também dava suporte a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari,(Univaja) em projetos e ações pontuais.
Segundo a nota da Univaja, Bruno era "experiente e profundo conhecedor da região, pois foi Coordenador Regional da Funai de Atalaia do Norte por anos".
Phillips morava em Salvador e fazia reportagens sobre o Brasil há mais de 15 anos para veículos como Washington Post, New York Times e Financial Times, além do Guardian. Ele também estava trabalhando em um livro sobre meio ambiente com apoio da Fundação Alicia Patterson.
Phillips e Bruno faziam expedições juntos na região desde 2018, de acordo com o The Guardian.
Buscas
Equipes da Marinha, Exército e Força Nacional foram enviadas à Atalaia do Norte para auxiliarem nas buscas. O Governo do Amazonas também enviou uma força-tarefa da Secretaria e Segurança Pública do Estado composta por policis civis e militares, além de mergulhadores do Corpo de Bombeiros.
As buscas contam, ainda, com o apoio de voluntários e comunitários e indígenas da região. As forças de segurança usaram embarcações e aeronaves nas buscas.
As famílias do indigenista e do jornalista fizeram apelos pela celeridade nas buscas. A família falou sobre a angústia na espera de notícias e disse que tinha esperança que os dois tinham sofrido um acidente.
Artistas potiguares e nacionais mostrarão suas obras em dois palcos
A I Feira Nordestina da Agricultura Familiar e Economia Solidária – FENAFES será realizada no Centro de Convenções de Natal (RN), de 15 a 19 de junho de 2022. A programação é bem diversificada e oferece exposição (venda e degustação) de produtos da agricultura familiar e economia solidária, atividades formativas como seminários, encontros, rodas de conversa, e também shows, apresentações de teatro e poesia. De quarta-feira até sábado (a feira vai até domingo), um total de 26 atrações estão programadas. As apresentações têm início a partir das 16h. A entrada e o estacionamento são gratuitos.
Artistas potiguares e nacionais mostrarão suas obras em dois palcos especialmente montados para o evento. No pavilhão Nísia Floresta funcionará o Coreto e, na área externa (doca), será montado o palco principal. Estão confirmados nomes como a cantora paulista Mariana Aydar, o sanfoneiro sergipano Mestrinho e a cantora pernambucana Lia de Itamaracá.
Entre as atrações locais estarão o compositor e instrumentista Carlos Zens, os grupos Fuxico de Feira e Meirões do Forró, as cantoras Deusa do Forró e Cida Lobo, a companhia teatral Casa de Zoé com o espetáculo “Meu Seridó” e os poetas populares Amâncio Sobrinho e Antônio Francisco.
O evento está sendo realizado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte, através da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural (Sedraf), Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-RN), Fundação José Augusto (FJA), e pela Unicafes-RN (União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária). Foram investidos R$ 640 mil na promoção da I Fenafes, com recursos garantidos pelo empréstimo junto ao Banco Mundial, com apoio da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca (SAPE).
A Secretaria de Estado do Tabalho, da Habitação e Assistência Social (Sethas) e a Agência de Fomento do Rio Grande do Nrte (AGN) também participam do evento. O evento é uma iniciativa da Câmara Temática da Agricultura Familiar do Consórcio Nordeste, coordenada pela governadora Fátima Bezerra e coordenada pelo secreta´rio Alexandre Lima (Sedraf)
Espera-se que a FENAFES conte com a participação de mais de 150 cooperativas e associações, envolvendo mais de 500 expositores com um público visitante total de mais de 10 mil pessoas durante todo o evento.
INSCRIÇÕES
Os pavilhões de exposição, degustação e venda dos produtos da agricultura familiar e economia solidária estarão abertos ao público das 16h às 22h. A programação formativa começa ainda pela manhã. O acesso é gratuito ao evento em si e para todas as atividades abertas ao público em geral (visto que algumas são restritas para grupos específicos), sendo que é necessário se inscrever para garantir vagas e gerar certificado de participação. O formulário para inscrição está disponível no link https://doity.com.br/fenafes.
A feira também será um espaço estratégico para reafirmação da nossa identidade cultural, saberes e sabores que marcam e caracterizam o povo nordestino, onde contará com a cozinha “Sabores da Terra” e Festival Gastronômico.
PROGRAMA DE ALIMENTOS SAUDÁVEIS
O objetivo central da FENAFES é de fortalecer iniciativas de integração de políticas públicas articuladas em torno do Programa de Alimentos Saudáveis do Nordeste – PAS/NE; criar um espaço de intercâmbio das experiências sobre políticas públicas de apoio à agricultura familiar já em curso na região, envolvendo governos e movimentos sociais; fortalecer o cooperativismo solidário e o processo de comercialização, através de encontro de negócios, para o mercado institucional e privado.
As atividades de formação, palestras, oficinas e cursos versarão sobre as temáticas centrais: acesso à terra; sistemas agroalimentares e produção de alimentos saudáveis; agroecologia; assistência técnica e extensão rural e acesso ao crédito; mudanças climáticas; acesso aos mercados e cooperativismo solidário, protagonismo feminino.
Uma exposição especial apresenta a trajetória das festividades juninas nesta quarta-feira (15) a partir das 8h30 na sede da Fundação José Augusto – FJA (Rua Jundiaí, 641, Tirol ). A mostra “A História dos Festejos Juninos” apresenta 19 banners que contêm costumes, culinária e música que retratam uma das mais antigas manifestações do povo nordestino.
A exposição itinerante é uma realização das Casas de Cultura Popular, mantidas pela FJA, que será levada para as casas de culturas, localizadas no interior do RN. Nos banners está narrada a origem, a história da gastronomias os santos padroeiros, quadrilhas, balões juninos, fogueiras, pau de sebo, as simpatias de casamento, entre outros costumes da festividade.
Haverá uma degustação de comidas típicas juninas, além de uma apresentação musical do sanfoneiro Reynaldo Jr e do espetáculo “Gonzagando” da Companhia de Dança do Teatro Alberto Maranhão (CDTAM).
A exposição itinerante está sendo realizada simultaneamente nas casas de cultura de Santa Cruz, Goianinha, Nova Cruz e Florânia. A partir de segunda-feira (20), amostra será levada para as Casas de Cultura de Umarizal, Paus dos Ferros, Alexandria e Janduís. No dia 28 a exposição estará aberta nas casas de cultura de Parelhas, Jardim do Seridó e Currais Novos, João Câmara, Lajes, Assu e Grossos.
“A História dos Festejos Juninos”
Data: 15/06
Horário: 8h30
Local: sede da Fundação José Augusto – FJA (Rua Jundiaí, 641, Tirol
Escritor, já muito atacado no passado sob pretexto de veicular ideias evolucionistas e socialistas, tem mais recentemente sido acusado de racismo. Mas simplesmente banir seus textos das salas de aula e espaços de discussão é renunciar a debater uma obra prenhe de criatividade, inventividade e criticidade.
E Lobato continua “causando”…
Com mais de 70 anos já transcorridos desde a morte de seu criador, os personagens infantis de Monteiro Lobato circulam por leituras polêmicas e atuais dentro e fora da escola. Considerado um divisor de águas na produção literária para crianças, Lobato legou à posteridade textos que, em diferentes situações, suscitaram seu intenso reconhecimento tanto por parte do público leitor, quanto da crítica especializada. Da mesma forma, porém, a polêmica se tornou elemento indissociável desse reconhecimento, o que chega, junto com a ininterrupta edição de seus textos infantis, aos leitores de hoje.
Sobre seus livros para crianças, há pouco mais de uma década, em capítulo intitulado “Monteiro Lobato, um clássico para crianças”, respondíamos à questão: O que há de tão atrativo no Sítio do Picapau Amarelo? Ou, em outras palavras, por que Pedrinho, Narizinho e Emília, principalmente Emília, continuam tão presentes no imaginário infantil brasileiro? Ainda de outro modo: como Lobato fez esta mágica que, embora muitas vezes explicada nos mínimos detalhes pelos mais “maduros”, continua encantando os “menos experientes”? Indagações como essas não têm faltado aos pesquisadores e demais leitores especializados ao longo dos anos. Perguntas impossíveis de serem respondidas em um só texto ou mesmo em muitos outros trabalhos que vêm tentando, no mínimo, tangenciar as mil e uma questões instauradas pela obra de Lobato.
Um escritor publicista
A partir dos anos 1980, foram consolidados estudos sistemáticos sobre a literatura infantil e juvenil brasileira. Nesse contexto, a figura de Lobato se mostra central, trazendo como foco desses trabalhos a discussão de aspectos temáticos relevantes, como aponta Marisa Lajolo em artigo de 1988, “A figura do negro em Monteiro Lobato”, ao abordar Histórias de Tia Nastácia:
As contradições vão se acirrando ao longo do texto lobatiano, que, ao contrário de seus pares, não se limita a reproduzir, em forma de antologia asséptica, as histórias que Tia Nastácia conta. Lobato reproduz a história encenando a situação de narração e recepção, pondo, pois, em confronto o mundo da cultura negra do qual, no caso, Tia Nastácia é legítima porta-voz, e o mundo da modernidade branca, à qual dão voz tanto as crianças como a própria Dona Benta, também ela ouvinte de Tia Nastácia e também ela insatisfeita com as histórias que ouve (…).
Um artigo como esse mostra, ao leitor de hoje, que os estudos sistemáticos sobre a obra de Monteiro Lobato têm sido realizados de forma séria, sem ceder a simples opiniões ou questão de gosto. Por isso mesmo, muitos temas que ocupam o centro de polêmicas em diferentes ambientes sociais ou veículos de comunicação nunca foram desconhecidos daqueles que estudam a obra do escritor.
Assim, em texto mais recente, intitulado “Provocações à longeva Botocúndia: Monteiro Lobato e Urupês”, de 2018, publicado em número da revista Leitura em revista em que se comemorava uma efeméride literária – 70 anos sem Lobato, destacávamos a verve crítica lobatiana. Lembramos, então, que isso foi um dos aspectos que chamou a atenção de José Guilherme Merquior ao atribuir a Lobato a identidade de “publicista” – “um escritor que discute problemas de interesse público, de interesse coletivo”. Acrescenta o autor, ainda, que é esse o perfil que poderíamos relacionar a certo tipo de jornalismo engajado que “não só discute temas de evidente interesse coletivo como o faz dentro de uma linguagem que sistematicamente aspira a uma comunicação com o grande público”.
Amante de boas brigas
A exposição decorrente desta atividade, na qual Lobato via oportunidade para divulgar seus livros, levaria a uma visibilidade cotidiana ou mesmo à imagem pública de alguém que se colocava disponível ao debate, à discussão, à divergência. A partir dos jornais de sua época, Lobato lançaria questionamentos e reflexões contundentes, provocativas, na expectativa de influenciar ações em seu contexto social. Como aponta Sueli Cassal, o envolvimento de Lobato com grandes causas era movido por um desejo utópico de uma nação desenvolvida, muita próxima da situação econômica dos Estados Unidos, o que seria possível mediante a valorização do conhecimento científico.
“Não deixaria por menos uma boa briga”, poderia ser uma expressão para definir Lobato. “Boas brigas” foram as campanhas por necessidades básicas dos brasileiros, como a do saneamento, de 1918, em que acompanhou médicos sanitaristas, colocando-se a serviço da denúncia em uma séria de matérias sobre moléstias (verminoses, na maioria) que atingiam a população paulista de modo vergonhoso. Seu empenho como adido comercial nos anos 1930, para dar ferro ao Brasil, isto é, para incentivar a produção nacional, bem como sua ação tanto como publicista quanto empresário para desenvolver a exploração do petróleo, se refletiam em artigos e livros. A obra infantil não deixaria, evidentemente, de refletir essas experiências, algumas posteriores, outras concomitantes a atividades de editor, empresário, publicista.
O leitor infantil surge, então, como um destinatário de suas expectativas – aliás, como em todo texto, na obra infantil é evidente que se projeta uma ideia de leitor. Um suposto leitor neutro, raso, manipulável não estava na mira dos livros de Lobato. Ao não subestimar seu destinatário criança, o escritor convidava esse leitor infantil a pensar o mundo ao seu redor por meio de um trabalho inventivo e consciente com o texto literário. Os rompantes de contrariedade de diferentes grupos em diferentes momentos iriam atestar, ainda que de modo inusitado, a relevância daquele labor literário ao longo do tempo e das gerações.
Darwinismo e socialismo
Nos anos 1950, uma obra, em particular, se tornaria paradigmática desse tipo de abordagem polêmica e acusatória, realizando uma interpretação bibliográfica de Lobato cujo título encerra, por si só, um entendimento notoriamente avesso para com as lutas por ele travadas no campo econômico: A literatura infantil de Monteiro Lobato ou Comunismo para Crianças, do Padre Sales Brasil.
O autor projeta sobre a obra infantil temas que, de longe, estariam no centro da proposta lobatiana de formação de leitores, como é o caso da ausência de conteúdos religiosos propensos a reafirmar a identidade católica brasileira. Mais do que as ausências, o autor do estudo busca pistas em livros como A chave do tamanho, de 1942, sobre ideologias danosas à moral das crianças. É dessa forma que entende a miniaturização dos personagens como a extinção de classes sociais, isto é, em A chave do tamanho haveria uma propaganda dos benefícios de uma sociedade comunista: “é o seguinte: quando todos os homens chegarem ao mesmo tamanho (nivelamento das classes sociais), então não haverá sobre a terra nem injustiça nem certos preconceitos”.
Capa de A literatura infantil de Monteiro Lobato, obra crítica dos anos 1950
Ao lembrarmos do texto do padre Sales Brasil, percebemos que a fantasia, a inteligência e a criticidade são ignoradas como excepcionais qualidades da obra de Lobato e rebaixadas segundo uma inegável visão obscurantista. Em outro trecho, outra denúncia: “Trata-se, evidentemente, da luta pela vida, segundo Darwin, aplicada ao campo sociológico pela teoria da seleção natural, de Spencer, ambas aproveitadas pela filosofia marxista-leninista e feitas balinhas de doce na literatura infantil de Monteiro Lobato”.
Aos olhos de hoje, a obra do padre Sales Brasil pode parecer um brandir de armas desnecessário, exagerado, até mesmo risível para muitos. Entretanto, a fórmula do “cancelamento” dos anos 1950 mostra-se ainda presente nas primeiras décadas do século 21, agora reportando-se à questão do racismo, que é pauta fundamental e premente, mas que tem sido associada a Lobato, na maioria das vezes, de forma ligeira, rasa, equivocada.
No centro dos debates, tivemos o conto “Negrinha” e a obra Caçadas de Pedrinho, a partir de 2010, como objeto de representação junto ao Conselho Nacional de Educação (CNE) e, também, à Controladoria Geral da União (CGU). O questionamento se debruçava sobre expressões que atentariam contra um item do edital do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), qual seja, a presença de estereótipos ou discriminação nas obras adquiridas pelo programa.
Entre propostas de inserção de notas de rodapé ou mesmo refacção das narrativas, a intensidade dos debates atestou a complexidade do tema, convidando aqueles dedicados aos estudos sobre a obra lobatiana a se manifestarem. Como comentou Marisa Lajolo – em manifestação pública por meio de um artigo intitulado “Quem paga a música escolhe a dança?”, de 2010 – vivenciar debates sobre a literatura e a formação dos leitores na escola equivalia a um reconhecimento público sobre o assunto, bem como da própria obra: “Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, está em pauta e é bom que esteja, pois é um livro maravilhoso”.
Acusações de racismo e debate
O debate, porém, nem sempre tem se dado em campos mais profícuos de ideias, conceitos e ideologias. Ao avocar os escritos lobatianos em artigo publicado na Folha de S. Paulo, em janeiro de 2021, Marcelo Coelho defendeu que “Pode ser chato saber disso, mas Monteiro Lobato era de um racismo delirante”, reeditando aspectos que há muito deveriam ter sido superados frente à qualidade dos debates em torno da obra lobatiana em curso já há mais de uma década, como a busca de “provas” descontextualizadas do pressuposto racismo de Lobato, não apenas em sua obra mas no interior de sua correspondência pessoal.
Felizmente, a réplica não tardou, pois outra pesquisadora de Lobato, Ana Lúcia Brandão, veio a público em defesa do escritor, no mesmo jornal e em data muito próxima, com o artigo “ ‘Racismo delirante’ é tratamento grotesco, Monteiro Lobato merece respeito”. Entre muitos apontamentos, lembra seus leitores de que “Levar ao pé da letra palavras ou frases de uma mensagem pessoal entre amigos, para classificar um deles como “racista” revela uma enorme incompreensão do que significa a crítica literária”.
De alma lavada, o leitor lobatiano pode seguir de braços dados com Lobato. Entretanto, não se trata de vencer uma discussão ou ganhar o pódio da verdade. Como obra literária, os escritos de Lobato comportam questionamentos, dúvidas, discordâncias. Em evento acadêmico recente, em que discutíamos a obra do escritor, chamou nossa atenção uma fala de um aluno de graduação, cujo apontamento sustentava-se por meio da ideia de que Monteiro Lobato não o representava como cidadão, sujeito, pessoa imbuída e reconhecida como portadora de direitos fundamentais.
Caçadas de Pedrinho, de 1939, uma das obras no centro do debate sobre racismo
É importante esclarecer que nenhuma das ponderações desse estudante pode ser considerada irrelevante para a discussão, assim como é possível compreender o tom de agressividade de suas primeiras manifestações, face ao momento em que se dá o eternamente adiado debate sobre o racismo no Brasil. Nem ainda poderíamos discordar de que não só de Lobato se formam leitores!
O que parece um “problema” ou algo a se lamentar, porém, é o fechamento do interlocutor a textos cujas ideias continuam a contribuir para a formação inequívoca de leitores críticos mais autônomos e audaciosos em suas incursões pelo mundo da literatura. A conversa que travamos com aquele aluno, portanto, não mirava uma desqualificação de seu discurso ou certo menosprezo da intelectualidade por um suposto modismo ideológico. Ao contrário do que se poderia supor, as questões às quais nosso interlocutor se apegava com pertinência e propriedade, são essas mesmas questões que convidam à leitura da obra lobatiana, reitere-se.
É neste ponto que encerramos nosso convite irrestrito à leitura da obra infantil de Lobato. As polêmicas atestam, tanto pelo conjunto de argumentos e exposições, quanto pela presença de seus livros nas mãos de crianças do século 21, a vitalidade de suas narrativas. Presença que deve ser lembrada, sobretudo, agora que a obra do autor se encontra em domínio público e surgem inúmeras edições em papel e digitais de seus textos. O reconhecimento da amplitude e da intensidade de muitos temas, assuntos ou fatos presentes em suas histórias permite a discussão também ampla, aberta e, por que não, profunda desses temas, dos mais aos menos polêmicos. Se há, portanto, uma posição a assumir, ela se configura na busca por preservar a leitura de obras marcadas pela criatividade, inventividade e criticidade.
Cancelar Lobato, portanto, é queimar um ramo literário em que aquela tríade – criatividade, inventividade e criticidade – constitui grande probabilidade de servir a consciências imbuídas de utopias ainda tão caras à sociedade de nosso tempo.
Thiago Alves Valente fez doutorado em Literatura na Unesp e é professor de Literatura Brasileira do Centro de Letras, Comunicação e Artes (CLCA), Campus de Cornélio Procópio (CCP) da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) e coordenador do GT Leitura e Literatura Infantil e Juvenil da ANPOLL
O Dia de Santo Antônio é comemorado anualmente em 13 de junho.
Santo Antônio de Lisboa, ou Santo Antônio de Pádua nasceu em Lisboa no dia 15 de agosto, provavelmente entre os anos de 1191 e 1195.
Este é considerado um dos santos mais populares entre os brasileiros e portugueses. No Brasil, Santo Antônio é conhecido por ser o “Santo Casamenteiro”, sendo que o Dia dos Namorados é comemorado no dia 12 de junho no Brasil por ser a véspera do Dia de Santo Antônio.
De acordo com a crendice popular brasileira, neste dia as pessoas que desejam casar ou conseguir um namorado preparam simpatias para Santo Antônio, acompanhadas de orações.
Saiba mais sobre o Dia dos Namorados.
O Dia de Santo Antônio faz parte das celebrações da Festa Junina, assim como o Dia de São João e Dia de São Pedro.
Origem do Dia de Santo Antônio
O Dia de Santo Antônio é comemorado a 13 de junho por ser a data de sua morte. Santo Antônio morreu em Pádua, na Itália, no dia 13 de junho do ano de 1231.
Santo Antônio foi inicialmente um frade agostiniano, tendo mais tarde entrado na ordem Franciscana (1220).
Foi muito conhecido pela sua vida despojada de riquezas, apesar de ter nascido em uma família afluente. O seu trabalho com os pobres foi essencial para que fosse rapidamente reconhecido como santo após sua morte.
A canonização de Santo Antônio aconteceu poucos anos após sua morte, e muitos consideram que terá sido uma das canonizações mais rápidas da história.
Oração de Santo Antônio
Existem muitas orações a Santo Antônio, a maior parte delas ligadas ao fato de Santo Antônio ser conhecido como o “Santo Casamenteiro”.
TODO OS SÁBADOS - DAS 19 HORAS ÁS 19:30 - NA AGRESTE FM - 107.5
Lembre - se! Logo mais ás 19 horas nas ondas Rádio AGRESTE FM - 107.5 PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA!
Uma iniciativa do Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN, uma instituição fundada em 30 de dezembro de 2009, no SESC de PONTA NEGRA - NATAL -RN, com sede em NOVA CRUZ-RN.
Um espaço dos artistas potiguares!
Participem! Fiquem ligados!
Apresentações de Eduardo Vasconcelos - Presidente e Cláudio Lima. Ambos radialistas, Eduardo, presidente e Cláudio Lima, tesoureiro.
Contamos com a sua sintonia!
Contatos: Eduardo Vasconcelos: 98805 6338 e 99196 6212 e Cláudio Lima: 99472 8011
Produtores culturais do RN têm até 31 de agosto para inscrever seus projetos no programa Cultural Câmara Cascudo, do Governo do Estado, por meio da Fundação José Augusto. Pelo edital o valor individual será no máximo dez por cento (10%) do valor da renúncia anual que este no atingiu R$ 10 milhões. Também ficou definido que cada proponente, individualmente, através de pessoa física ou jurídica ou interposta pessoa, somente poderá apresentar dois projetos. A portaria para inscrições foi publicada pela FJA no Diário Oficial do Estado (DOE) no último dia 31 de maio.
O Programa Cultural Câmara Cascudo é um dos principais instrumentos de democratização do acesso à cultura no Rio Grande do Norte e consiste na renúncia fiscal do ICMS por parte do Estado para que o valor correspondente à contribuição seja investido em projetos culturais.
A operacionalização do programa é realizada pela Fundação José Augusto, através da Comissão de Cultura. O artista, grupo de artistas ou instituição interessada na captação dos recursos inscreve seu projeto que será analisado, para confirmar adequação às normas da Lei, e decidida sua aprovação.
As inscrições deverão ser feitas somente de forma presencial na sede da FJA, localizada na Rua Jundiaí, 441, Tirol. Email para informações: projetosleicc@gmail.com
Pesquisadores doutores interessados em desenvolver pesquisas com base em seu acervo podem se inscrever. O tema é livre, mas receberão bônus na avaliação aqueles que se enquadrarem nas seguintes áreas prioritárias:
200 anos da Independência do Brasil
Livro, leitura e bibliotecas
Letras Clássicas
Não é necessário residir no Rio de Janeiro para concorrer.
A quadrilha, dança típica das festas juninas brasileiras, é carregada de referências caipiras e matutas. Mas sua origem vem de muito longe. A “quadrille” surgiu em Paris, no século XVIII, como uma dança de salão composta por quatro casais. Era dançada pela elite europeia e veio para o Brasil durante o período da Regência (por volta de 1830), onde era febre no ambiente aristocrático.
Da Corte carioca, a quadrilha acabou caindo no gosto do povo. Ao longo do século XIX, a dança se popularizou no Brasil e se fundiu com manifestações brasileiras preexistentes. “O brasileiro é um povo muito criativo e criou a forma estilizada de dançar a dança dos nobres”, opina a arte-educadora Lucinaide Pinheiro. A partir daí, diversas evoluções foram sendo incorporadas à quadrilha, entre elas o aumento do número de pares dançantes e o abandono de passos e ritmos franceses. As músicas e o casamento caipira que antecede a dança, também foram novidades incorporadas ao longo dos anos.
Um dos resquícios franceses na dança são os comandos proferidos pelo marcador da quadrilha. Escolhido, geralmente, entre os mais experientes do grupo, seu papel é anunciar os próximos passos da coreografia. O abrasileiramento de termos franceses deram origem, por exemplo, ao saruê (Soirée – reunião social noturna, ordem para todos se juntarem no centro do salão), anarriê (en arrière – para trás) e anavã (en avant – para frente).
Tradição enraizada em Brasília
Para muitos, a quadrilha não se restringe ao mês de junho. Grupos profissionais de quadrilheiros levam a sério a dança, se apresentam em festas e participam de concursos até o mês de setembro. Sem contar os ensaios anteriores às apresentações e as confecções de roupas, que exigem tempo até ficar tudo perfeito. “No início de janeiro já começamos a ensaiar e, em abril, estamos prontos para viajar pelo país”, diz Hamilton ‘Tatu’, do Grupo Parafolclórico Quadrilha Junina Pau Melado. A escola de Samambaia, cidade-satélite de Brasília, tem 78 membros e coleciona títulos: cinco no circuito brasileiro e quatro no local.
Além deste, diversos outros grupos do Distrito Federal e entorno vivem da quadrilha. Organizados em uma entidade – a Liga Independente de Quadrilha Junina do Distrito Federal e Entorno (LinqDFe) – os grupos se apresentam, anualmente, em um circuito junino. “De maio à primeira semana de agosto, as agremiações se apresentam em dez cidades-satélite. Mas nossa meta é aumentar este circuito para quinze cidades”, aponta José Pereira, presidente da Linq.
A entidade foi criada em 2000 e hoje conta com 62 grupos filiados. “Essa associação surgiu da necessidade de organização dos grupos de quadrilha. Nós buscamos recursos para o circuito e para fomentar os grupos”, define Pereira. O liga deu tão certo que serviu de ponto de partida para a Confebraq – Confederação Brasileira de Entidades de Quadrilhas Juninas.
Para dançar, basta ter disposição. Muitos grupos acolhem pessoas de todas as idades. “Temos a categoria mirim, infantil, cascudo e adulto”, define Hamilton. Os integrantes do grupo devem ter, porém, disponibilidade, já que ser quadrilheiro profissional significa ter uma agenda apertada.
Mais do que arte e dança, a quadrilha junina é uma expressão da cultura popular. E quem se dispõe a desenvolvê-la, acaba perpetuando a tradição de origem francesa. Para a arte-educadora Lucinaide Pinheiro, os dançarinos são, para muitos, grandes referências. “Essas pessoas são mais do que quadrilheiras, elas têm uma ação de protagonismo dentro das suas comunidades”, opina.