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sexta-feira, 21 de outubro de 2022

A poesia de combate de Agostinho Neto

A trajetória política de Agostinho Neto é inseparável de sua poesia, que, assim como a de Craveirinha, em Moçambique, é por vezes chamada de “poesia de combate”

Agostinho Neto, poeta, escritor e líder político cujo centenário de nascimento foi celebrado neste ano, foi um fundadores da poesia moderna angolana na segunda metade do século XX, ao lado de autores como Ruy Duarte de Carvalho e Arlindo Barbeitos, e também foi um dos responsáveis pela criação do Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA) e o primeiro presidente do país após a sua independência de Portugal.

Ele fez parte de uma geração de jovens escritores e intelectuais africanos que tiveram a oportunidade de estudar em Portugal, onde frequentou a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e participou das atividades da Casa de Estudantes do Império, em Lisboa, ao lado de outros jovens vindos de Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe. Escreve os seus primeiros poemas em 1948, aos 26 anos de idade, numa época em que a censura portuguesa estava muito mais atenta à prosa do que a poesia, considerada menos “subversiva” do que o romance, a novela ou o conto, gêneros em que Luandino Vieira e Pepetela retratavam a sociedade colonial em Angola.

Agostinho Neto entrou em contato, na capital portuguesa, com as ideias marxistas e com o Partido Comunista Português (PCP). Perseguido pela PIDE, a polícia política salazarista, foi preso quando recolhia assinaturas para a Conferência Mundial da Paz e deportado para Cabo Verde, onde ficou internado no campo de concentração de Tarrafal, assim como outros poetas e ativistas políticos de sua geração, até ser permitido o seu retorno a Lisboa, onde fundou, ao lado de Amílcar Cabral, Marcelino dos Santos e outros ativistas, o Centro de Estudos Africanos, fechado pela polícia em 1950.

De Lisboa, Agostinho Neto foi para o exílio, onde atua na fundação do MPLA, organização política e guerrilheira de orientação marxista. Em 1951, é eleito representante da Juventude das Colônias Portuguesas no Movimento da Unidade Democrática, ligado à oposição portuguesa ao salazarismo, o que lhe rende nova prisão, desta vez por 18 meses, sendo libertado após uma petição internacional em sua defesa assinada por intelectuais como Nicolás Guillén, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Libertado, volta para Angola, onde abre um consultório médico e é novamente preso, assim como a sua esposa, em 1960, e enviado para o Cabo Verde. Ele estava preso quando recebe a notícia do falecimento de sua filha.

A nova prisão do poeta e ativista angolano gera revolta em sua terra natal e é realizada uma marcha de protesto, duramente reprimida pela polícia, na qual 30 pessoas foram mortas e cerca de 200 feridas, no dia que ficou conhecido como o Massacre de Icolo e Bengo. Dois anos mais tarde, transferido para uma prisão em Lisboa, consegue escapar novamente e alcança a Inglaterra, passando pelo Marrocos e Congo. Entre 1963 e 1974 lidera o braço militar do MPLA até a Revolução dos Cravos, que coloca fim à ditadura salazarista e acelera o processo de libertação nacional das colônias portuguesas na África.

Em 1975, retorna a Luanda, onde organiza um governo de transição que inclui representantes do MPLA e de dois outros movimentos guerrilheiros, estes de direita, a FNLA e a Unita. Este acordo de paz é rompido no ano seguinte e logo se inicia uma guerra civil, que se estenderá até meados do ano 2000. Agostinho Neto falece muito antes disso, em 1979, no decorrer de complicações durante uma cirurgia de fígado, realizada num hospital em Moscou, com apenas 57 anos de idade. A trajetória política de Agostinho Neto é inseparável de sua poesia, que, assim como a de Craveirinha, em Moçambique, é por vezes chamada de “poesia de combate”. Do ponto de vista estético, porém, essa poesia não se limita ao tom retórico-discursivo da poesia de resistência; ela apresenta vários elementos que serão trabalhados mais tarde inclusive pela vanguarda literária da década de 1970, como o uso de palavras em idiomas nativos, as imagens fotográficas da paisagem natural angolana, a incorporação de provérbios, da fala coloquial e de cenas do cotidiano.

A poesia de Agostinho Neto não pode ser julgada em bloco; há peças elaboradas, com trabalho apurado de linguagem, ao lado de outras composições, mais fáceis, próximas àquilo que chamaríamos de poesia de circunstância, embora mesmo esses poemas tenham importância como documentos que retratam uma época da história e da literatura de Angola. Em sua melhor lírica, reconhecemos a influência dos modernistas brasileiros, como Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, de cubanos como Nicolás Guillén e espanhóis da Geração de 27, como Federico Garcia Lorca, além das leituras de poetas angolanos e moçambicanos da época. Vamos agora ler agora alguns dos poemas de Agostinho Neto:

Noite

  • Eu vivo nos bairros escuros do mundo
  • sem luz nem vida.
  • Vou pelas ruas
  • às apalpadelas
  • encostado aos meus informes sonhos
  • tropeçando na escravidão
  • ao meu desejo de ser.
  • São bairros de escravos
  • mundos de miséria
  • bairros escuros.
  • Onde as vontades se diluíram e os homens se confundiram com as coisas.
  • Ando aos trambolhões
  • pelas ruas sem luz
  • desconhecidas pejadas de mística e terror
  • de braço dado com fantasmas.
  • Também a noite é escura.

Neste poema, construído em versos livres, sem rimas e com estrofes de diferente número de versos, o ritmo é fluente e não obedece a uma alternância rígida de sílabas fracas e fortes. A imagem que predomina aqui é a da escuridão, com toda a sua variedade de camadas polissêmicas: negra é a noite, a cor da pele, ausência de luz nos bairros pobres, é a situação de miséria e exclusão social, é o silêncio e os sonhos informes; negra é, sobretudo, a escravidão, retratada aqui num espaço urbano de trabalhadores explorados pela minoria branca. Uma única palavra, assim, organiza todo o poema, desencasula as as imagens que serão apresentadas nele e as unifica em um único organismo poético. O primeiro verso do poema, “Eu vivo nos bairros escuros do mundo”, por outro lado, ultrapassa o cenário angolano, projetando essa situação para todos os países em que o racismo, o colonialismo e a violência estão presentes, seja na África, na América Latina ou em outros quadrantes do planeta. Em outro poema, sem título, Agostinho Neto escreve:

  • Sou um mistério.
  • Vivo as mil mortes
  • que todos os dias
  • morro
  • fatalmente.
  • Por todo o mundo
  • o meu corpo retalhado
  • foi espalhado aos pedaços
  • em explosões de ódio
  • e ambição
  • e cobiça de glória.
  • Perto e longe
  • continuam massacrando-me a carne
  • sempre viva e crente
  • no raiar dum dia
  • que há séculos espero.
  • Um dia
  • que não seja angústia
  • nem morte
  • nem já esperança.
  • Dia
  • dum eu-realidade.

Neste poema, o que antes era escuridão, agora é mistério, morte simbólica ou ausência: “Vivo as mil mortes / que todos os dias / morro”, mortes causadas por “explosões de ódio, ambição e cobiça de glória”, vale dizer, causadas pela ação colonialista, que está implícita no poema, mas não é nomeada diretamente, o que torna sutil a relação entre a subjetividade do poeta e as condições históricas em que ele vive. O tom distópico dos versos, porém, é subvertido nas linhas finais, em que o eu lírico expressa o anseio por “Um dia / que não seja angústia / nem morte / nem já esperança. / Dia / dum eu-realidade”. No verso final, o poeta consegue, com extrema concisão, exprimir o seu anseio logopaico de união entre o ideal subjetivo de realização, claridade, utopia, e a realidade objetiva de seu país, em um futuro de liberdade e independência. Este é um poema político que destoa da maioria das peças mais conhecidas de Neto, justamente por tratar a questão de maneira elíptica, enigmática, e não menos intensa.

Vamos conhecer mais alguns de seus poemas:

Confiança

  • O oceano separou-se de mim
  • enquanto me fui esquecendo nos séculos
  • e eis-me presente
  • reunindo em mim o espaço
  • condensando o tempo.
  • Na minha história
  • existe o paradoxo do homem disperso
  • enquanto o sorriso brilhava
  • no canto de dor
  • e as mãos construíam mundos maravilhosos.
  • John foi linchado
  • o irmão chicoteado nas costas nuas
  • a mulher amordaçada
  • e o filho continuou ignorante.
  • E do drama intenso
  • duma vida imensa e útil
  • resultou certeza:
  • As minhas mãos colocaram pedras
  • nos alicerceres do mundo
  • mereço o meu pedaço de pão!

Contratados

  • Longa fila de carregadores
  • domina a estrada
  • com os passos rápidos
  • Sobre o dorso
  • levam pesadas cargas
  • Vão olhares longínquos
  • corações medrosos
  • braços fortes
  • sorrisos profundos como águas profundas
  • Largos meses os separam dos seus
  • e vão cheios de saudades
  • e de receio
  • mas cantam
  • Fatigados
  • esgotados de trabalhos
  • mas cantam
  • Cheios de injustiças
  • calados no imo das suas almas
  • e cantam
  • Com gritos de protesto
  • mergulhados nas lágrimas do coração
  • e cantam
  • Lá vão
  • perdem-se na distância
  • na distância se perdem os seus cantos tristes
  • Ah!
  • eles cantam…

Fogo e ritmo

  • Sons de grilhetas nas estradas
  • cantos de passáros
  • sob a verdura úmida das florestas
  • frescura na sinfonia adocicada dos coqueirais
  • fogo
  • fogo no capim
  • fogo sobre o quente das chapas do Cayatte.
  • Caminhos largos
  • cheios de gente cheios de gente
  • cheios de gente
  • em êxodo de toda a parte
  • caminhos largos para os horizontes fechados
  • mas caminhos
  • caminhos abertos por cima
  • da impossibilidade dos braços.
  • Fogueiras
  • dança
  • tam-tam
  • ritmo
  • Ritmo na luz
  • ritmo na cor
  • ritmo no som
  • ritmo no movimento
  • ritmo nas gretas sangrentas dos pés descalços
  • ritmo nas unhas descarnadas
  • Mas ritmo
  • ritmo.
  • Ó vozes dolorosas de África!
Fonte: Portal BRASIL CULTURA

II Festival Mário de Andrade terá livros da editora Anita Garibaldi

 Nos dias 22 e 23 de outubro, o evento sobre literatura ocorre ao lado da Biblioteca Mário de Andrade, na Avenida São Luis, no centro de São Paulo, das 10h às 18h .

Nos dias 22 e 23 de outubro, a Editora Anita Garibaldi marca presença na segunda edição do Festival Mário de Andrade. Neste ano. o tema do evento será “Literatura e Artes na Pauliceia 2022”. Assim como fez em 2019, na primeira edição, a Anita Garibaldi participa como editora e como livraria.

Uma seleção especial de livros poderá ser adquirida com desconto, na banca de número 9, ao lado da Biblioteca Mário de Andrade, na altura do número 193 da Avenida São Luiz, região central de São Paulo, das 10h às 18h no sábado e domingo.

Além dos títulos da própria editora, o estande da Anita também ofertará títulos de outras editoras parceiras como a Jandaíra, Kotter e Letra Selvagem. Também estarão disponíveis livros usados da seção da sebo da livraria, com alguns títulos raros.

Com foco na literatura brasileira e sua diversidade atual, o evento trará, entre outras atividades, palestras, debates, oficinas, saraus e slams com autores de todo o país.

O festival também conta com o apoio de outras instituições culturais localizadas nas proximidades da Biblioteca, tais como o Museu da Língua Portuguesa, SESC 24 de Maio e o Centro Cultural Correios São Paulo (CCCSP), que receberão uma programação especial para o evento.

“De forma democrática, a experiência colocará o público em contato com produções editoriais diversas, abarcando uma pluralidade de gêneros e formatos, além de mostrar os pontos de contato da literatura com as outras artes, como a fotografia e as artes plásticas”, explica a Secretaria Municipal de Cultura do município, responsável pela organização do evento. “A formação de leitores é um dos objetivos mais importantes do Festival Mário de Andrade, que em sua segunda edição já mostra potencial para se firmar como um dos mais importantes festivais literários do país.”

Serviço – Editora Anita no II Festival Mário de Andrade

Data: 22 e 23 de outubro, das 10h às 18h
Local: Banca 9, ao lado da Biblioteca Mário de Andrade
Endereço: Altura do número 193 da avenida São Luiz – República, São Paulo – SP
Metrô próximo: Anhangabaú e República.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Corrupção na Codevasf: Sindicato exige apuração e punição dos culpados - Escrito por: Redação CUT | Editado por: Marize Muniz

EDSON RIMONATTO/CUT

Diretoria nacional do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf) divulgou nota exigindo apuração das denúncias e punição dos culpados pela corrupção na Codevasf.


A diretoria nacional do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf) divulgou uma nota, nesta terça-feira (18), em defesa da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), aparelhada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), exigindo apuração das denúncias e punição dos culpados pelo escândalo de corrupção chamado pela imprensa de ‘bolsolão do asfalto”.


Leia mais: PF vê sinais de corrupção na Codevasf, estatal que Bolsonaro entregou ao Centrão.

Aparelhada por Bolsonaro, Codevasf ‘vende’ carros ou tratores em troca de doações.

Governo dribla lei eleitoral e Codevasf faz farra de doação de veículos.

Justiça afasta gerente da Codevasf por suspeita de recebimento de propina.

Internautas dão nome aos bois: Esquema de corrupção na Codevasf é um “Bolsolão”

Confira a íntegra da nota

Corrupção na Codevasf: SINPAF exige apuração e punição dos culpados

A Codevasf - Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba - é uma empresa pública federal que tem se destacado, historicamente, por sua importante contribuição ao desenvolvimento regional do Nordeste, tendo como carro chefe projetos de irrigação, além de outras ações relacionadas ao desenvolvimento na sua área de atuação.


Porém, no último período, várias denúncias apontam que a Codevasf vem sendo utilizada por políticos para dar vazão a irregularidades por intermédio de emendas parlamentares.


Essa prática não está de acordo com os princípios da administração pública, contudo, esse processo foi adotado pelo atual governo federal com os recursos do chamado orçamento secreto até que, semana passada, a situação tornou-se insustentável com o denominado BOLSOLÃO DO ASFALTO, esquema de corrupção montado para usar a empresa que é ligada ao Ministério do Desenvolvimento Regional e até o início deste ano comandada por Rogério Marinho (PL), recém eleito senador pelo Rio Grande do Norte, aliado político e do mesmo partido do presidente da República.


Com sucessivos fatos e denúncias de desvios de recursos, a Codevasf ganhou destaque negativo na imprensa do país, o que é extremamente grave. Segundo matéria divulgada recentemente pela Folha de São Paulo, técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) apontam que a estatal fez licitações fraudulentas que deram prejuízos aos cofres públicos de mais de R$ 1 bilhão. Importante ressaltar que apesar dos fatos apontados pelo TCU, o ministro Jorge Oliveira, indicado pelo presidente da república, contrariou o parecer da área técnica do tribunal e não suspendeu o início de novas obras ligadas às licitações sob suspeita.


Segundo o Diretor Nacional do SINPAF, Antônio Lelis esta situação ocasiona um desgaste pessoal para os empregados da empresa, ferindo a autoestima deles. “Chegou ao ponto de trabalhadores e trabalhadoras serem achincalhados ao circular nas ruas com os veículos da empresa, uma espécie de bullying, como se fossem culpados pelas ações de corrupção”, afirma.


Recentemente o SINPAF já tinha desencadeado uma campanha em defesa da Codevasf pública, exigindo orçamento adequado e respeito à empresa e suas(seus) trabalhadoras(es).


Contudo, com o surgimento de novas denúncias de desvios bilionários, o SINPAF vem a público defender a Codevasf, que é um importante patrimônio do povo nordestino, e exigir a imediata apuração dos fatos, o afastamento dos responsáveis, bem como a suspensão da entrega dos bens sob suspeita.


Vamos denunciar e nos mobilizar para dar uma resposta contundente e definitiva em defesa de uma Codevasf pública, democrática e transparente, retomando sua missão de contribuir com o desenvolvimento regional, com orçamento público e próprio.


Apuração das denúncias e punição dos culpados!


Diretoria Nacional do SINPAF

Com CUT NACIONAL

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Estudantes vão às ruas contra os cortes na educação e corrupção no governo Bolsonaro - Escrito por: Cida de Oliveira, da RBA

Divulgação UNE

Estudantes organizam protestos desde o início do mês, quando governo anunciou cortes no MEC de R$ 2,4 bilhões para desviar ao orçamento secreto. Nesta semana, desvios forma da ciência.

Estudantes universitários, do ensino médio e da pós-graduação reafirmaram a agenda em defesa da educação e prometem tomar as ruas nesta terça-feira (18)contra o governo de Jair Bolsonaro (PL). A mobilização é motivada pelos sucessivos cortes orçamentários no Ministério da Eduação (MEC) e no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), que afetam a rede federal com um todo – universidades, institutos de formação profissional e tecnológica e bolsas de pesquisa para estudantes de mestrado e doutorado. E também contra a corrupção no governo, mais visivelmente no MEC.


Bolsolão do MEC: Escândalo de corrupção derruba ministro Milton Ribeiro, o 4º a cair

 Ex-ministro do MEC Milton Ribeiro avalizou propina que seria levada em pneu de caminhão

Corrupção federal: Governo Bolsonaro autoriza construção de 2 mil ‘escolas fake’

No início do mês, o governo havia anunciado cortes no MEC da ordem de R$ 2,4 bilhões, com impactos sobre os cofres da rede capazes de inviabilizar o funcionamento de universidades e institutos. Diante da forte repercussão negativa, com anúncio de manifestações estudantis semelhantes ao chamado “Tsunami da Educação“, travado no início do governo de Jair Bolsonaro (PL), houve recuo.

No último dia 7 o ministro da Educação, Victor Godoy, divulgou vídeo anunciando o desbloqueio de recursos para universidades, institutos federais e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). “Semana que vem e dia 18 continuam como dias de Mobilização! Não dá para acreditar na fala desse governo, até o momento o desbloqueio nas contas não aconteceu e muito menos o decreto oficializando o desbloqueio!”, disse na ocasião a diretora de Relações Institucionais da União Nacional dos Estudantes (UNE), Thaís Falone.

Estudantes vão às ruas contra Bolsonaro também por cortes na pesquisa

Nesta quinta-feira (13), entidades divulgaram nota conjunta sobre o desvio de R$ 1,2 bilhão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), o principal do setor, para pagar despesas de outras pastas do governo federal, deixando importantes programas e projetos do MCTI e agências financiadoras de pesquisa, como a Finep e o CNPq à míngua.

Para isso, o governo Bolsonaro editou três portarias, abrindo espaço no orçamento para os ministérios da Economia, do Desenvolvimento Regional e do Trabalho e Previdência. O governo já havia tentado bloquear os recursos do fundo, como em julho, por meio de um Projeto de Lei do Congresso Nacional 17/22 que abria uma brecha para o bloqueio e a transferência de mais de R$ 2,5 bilhões. Mas na votação do Congresso Nacional o trecho foi rejeitado.

Para a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), “a Ciência e Educação brasileira estão sendo sacrificadas pela determinação do Governo Federal em continuar com o método de destruição do sistema de produção do conhecimento e desenvolvimento científico e tecnológico”

Ontem (13), uma comissão da UNE esteve no campus Santo André da Universidade Federal do ABC (UFABC), onde os estudantes, a exemplo de outras universidades, também estão mobilizados. “Estamos aqui na UFABC (Universidade criada pelo Presidente @lulaoficial) e é lindo ver que os estudantes estão mobilizados para derrotar Bolsonaro inimigo nº 1 da educação. Dia 18 vamos ocupar às ruas de todo Brasil”, disse a presidenta da entidade, Bruna Brelaz.


Fonte: CUT NACIONAL

Grande nome das artes visuais, Rettamozo é o novo residente do Museu Casa Alfredo Andersen - "Período de 17-10 á 15-11-2022". CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN

O artista múltiplo estará em residência artística no museu no período de 17 de outubro a 15 de novembro .Durante o período, visitantes e alunos da Academia Alfredo Andersen poderão interagir com ele.

Durante as próximas semanas o ateliê do Museu Casa Alfredo Andersen será morada para o universo de Luiz Rettamozo, o Retta. O artista múltiplo estará em residência artística no museu no período de 17 de outubro a 15 de novembro.

Dentro do tempo e espaço da residência, Rettamozo diz estar disposto a criar coisas novas rumo ao desconhecido, e ainda afirma que seu interesse “sobre o que é misterioso” o leva a dar conexão e sentidos ao fazer a sua arte.

“Expresso toda a intenção de estar vivo”, diz o novo residente do Andersen, que tem o humor e o caos como características em seu processo performático e multidimensional de criação.

Luiz Gustavo Vidal, diretor do Museu Alfredo Andersen, destaca a importância do artista. “É um grande nome. É supercriativo, participou de várias peças publicitárias e artísticas na cidade de Curitiba, uma pessoa conhecida do meio, que trabalhou com grandes ícones, como Paulo Leminski”, disse.

Ele ainda aponta a importância do projeto de residência artística, por ser um processo que “soma nas artes visuais, mostra que a arte também é viva, tem pele, tem seres humanos que produzem e criam”.

Entregue ao imprevisível, Rettamozo produzirá em cima de um diário de bordo, um livro em branco a ser preenchido com traços, percepções, projetos, ideias e criações. Ao final da residência, o livro será entregue ao Museu, incorporando o acervo da instituição.

Durante o período de residência técnica, visitantes e alunos da Academia Alfredo Andersen poderão interagir com Rettamozo, sendo possível encontrar, conversar e ver a produção de um dos grandes nomes da produção artística paranaense.

Serviço:

Museu Casa Alfredo Andersen

Endereço: R. Mateus Leme, 336 Centro – Curitiba

Dias e horários: terça a sexta-feira das 9h às 18 horas. Sábados e domingos das 10h às 16 horas

Entrada gratuita

Telefone: (41) 3222-8262

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

domingo, 16 de outubro de 2022

A blogueira Elika Takimoto conta neste texto o seu encontro com Lula e a sua filiação ao PT. Por Elika Takimoto - Escrito em POLÍTICA em 15/6/2017 · "Vale a pena lê de novo!" - Eduardo Vasconcelos!

Imagem: https://revistaforum.com.br

Hoje, como muitos já sabem, encontrei-me com o homem que, quer queiram ou não, será citado em todos os livros da história do Brasil. Muitos já o estão acusando de aproveitador sem sequer saber da missa a metade.


(Como assim ele o aproveitador e não eu? Nem entendi…).


Tudo aconteceu por conta dessa fama que conquistei nas redes. Não sei como justificá-la, pois não sou nada demais. Apenas há anos falo sobre o que me dá na telha.


Seja lá o que for, aconteceu. Hoje, vejam vocês, me param nas ruas para tirarem selfie. Acho mega esquisito tudo isso… mas, mais do que isso, muito mais do que isso… ando sendo convidada para palestras em todo o Brasil e para entrar para política. Para quem não sabe, faço parte de um.coletivo político onde debatemos vários temas para tentar compreender essa loucura chamada Brasil e essa galera animada em fazer e acontecer tem insistido na minha candidatura. Vejam vocês o que é a vida…


Uma coisa é fazer textão em blog pessoal e postar no Facebook. Outra, completamente diferente, é atuar em algum cargo político. Há meses já venho conversando com muita gente, ouvindo opinião de quem é do meio, colhendo conselhos de quem não tem nada a ver com política, escutando meus pais… enfim, ando ponderando tudo, podem ter certeza.


Não sei se é do conhecimento de vocês, mas devido a um texto que escrevi relatando um processo de censura que sofri por conta do.mercado editorial, Lula me ligou apenas, na ocasião, para me parabenizar pela minha coragem. Disse, fofamente, para eu continuar assim. Foi lindo e emocionante demais. Imagina. Eu. Toca o telefone. Lula…


Depois daquela conversa, tudo começou a mudar em minha vida em um sentido diferente. Políticos entraram em contato querendo conversar comigo e comecei a receber de onde menos sonhava orientações sobre as possibilidades de meu futuro.


Há duas semanas, já perdida com tanta informação, tive a ideia de tentar ir direto ao papa. Se for para me aconselhar com alguém, que seja por aquele que mais ganhou meus votos de confiança nessa vida: Lula.


Entrei em contato com sua assessora que havia chegado até mim e pedido meu telefone por causa daquele texto já supracitado que tocou o coração do meu presidente.


– Gabi, olha, vou parecer ridícula, mas estou vivendo um dilema em minha vida…


E contei-lhe tudo.


– Será que Lula me receberia para uma conversa? Tenho certeza de que ele pode dar uma luz sobre o que fazer com meu futuro. Estou tensa… mas sei que há muitos problemas mais urgentes, sei que o tempo dele é curto… mas vai que né?
Gabi pediu um tempo que ia perguntar a Lula se ele me receberia.


– Elika, ele disse que te recebe com prazer.
Morri.


Ok. Respira.


Marcamos uma data e cá estou eu em São Paulo de frente para o Instituto Lula escrevendo esse texto…


Pulando todas as etapas e sem aprofundar na loucura que foi eu trazer meus três filhos e Lucimar, minha empregada, junto, hoje, fui recebida por ele.


Ao ver toda a minha comitiva que lotou a sua sala, Lula bateu o olho em Lucimar e desatou a perguntar de onde ela tinha vindo (Maranhão), como era lá, como ela está aqui, se está feliz… esse tipo de coisa. Enfim, depois que Lucimar estava íntima dele, Lula se virou para me dar atenção e se prontificou a me ouvir.


Comecei assim:


– Presidente, primeira coisa gostaria de agradecer esse tempo que você me disponibilizou. Sou uma figura que se tornou conhecida nas redes sociais e quando disse que viria te ver, recebi mensagens do Brasil inteiro e recados para te dar. Mas trarei o principal antes de entrar no motivo pelo qual estou aqui. Você precisa se cuidar, estamos preocupados com sua saúde. Tem se cuidado, presidente? Está se alimentando direito?


A seguir, entrei na minha vida propriamente dita e falei um punhado de coisas terminando com a possibilidade de eu me candidatar e me filiar ao PT ou continuar seguindo em frente com a minha vida de professora somente.


Hora de ouvi-lo:


– Elika, primeiro. Uma “vida de professora” já é algo extremamente grandioso. Você é uma figura adorável. Não é sem motivo que muitos te amam. Eu, companheira, te digo que a sua filiação pode te trazer muita dor de cabeça. As pessoas vão passar a te odiar como muitos me odeiam. Lidar com o ódio é algo que você não merece. Eu adoraria ter você com a gente, mas penso muito nas pessoas antes de mim. E olhando para você não tem como não te alertar sobre o quanto você pode perder por se filiar ao PT que está sofrendo ataques de todos os lados.


A Ana Júlia, – continuou Lula – aquela menina linda, esteve aqui e eu disse que antes de ela pensar em filiação deveria pensar no Enem, ler mais sobre tudo, viver outras coisas.


– Lula, eu não sou mais adolescente… e já li muito… – interrompi o presidente.


– Eu sei, companheira. Mas no seu caso, eu fico olhando para o que você faz e fico pensando em você. Uma candidatura pode te trazer muita dor de cabeça que hoje você não tem. Uma coisa é as pessoas dizerem que te amam. Outra é elas votarem em você. E, se você entrar para o PT, muitos dos que te seguem vão parar de te seguir. Estou pensando em seu futuro, Elika. É claro que bom para mim seria ter você aqui com a gente. Mas e você? Você perguntou da minha saúde. E a sua?


– Lula, veja bem. Eu já sou xingada por muitos. Lidar com o ódio para mim não é problema. As pessoas me xingam, mas eu não me ofendo. Tenho pena de quem faz isso e sinto vontade de conversar com quem não consegue dar amor porque sei que lhe falta. A gente dá o que recebe.


Eu não aguento mais ver a educação pública ser sucateada. – continuei – Devo meu doutorado a você. O CEFET permitiu que eu reduzisse a minha carga para estudar. Investiu em minha formação.


Nesse momento, Lula me entrevistou. Quis saber como andava o CEFET.


– Nossos laboratórios estão super atualizados. Hoje há cotistas formados e já trabalhando. Tenho dado palestras em todo o Brasil. Em cada Instituto Federal que visito é uma surpresa pelas instalações e pela qualidade do corpo docente. Isso tudo foi pelo seu governo. Agora, estamos com a corda no pescoço. Não temos mais verbas para nada. Sou, além de professora, coordenadora de física e faço parte do conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. As reuniões de orçamento das quais participo estão desesperadoras.


A Reforma do Ensino Médio está vindo a galope. – segui falando angustiada – A escola pública está sofrendo o maior golpe nunca dantes já visto na história do Brasil. Eu não aguento mais ver isso calada e, se houver algo que eu possa efetivamente fazer, eu quero fazer.


Acredito na bandeira do PT,Lula. – continuei -. Não tem partido que mais fez pelo Brasil e pelo povo que esse. Sei que houve erros crassos cometidos. Mas sei que a imagem do PT foi enlameada injustamente por essa corja que tomou o poder e que está acabando com a educação pública. O discurso de ódio aos petistas não se justifica a não ser por uma lavagem cerebral cometida pela grande mídia incentivado por uma elite que quer que o povo se exploda.


Eu sou essa fofura mesmo que você está vendo. – falei sem modéstia – E sei que precisamos renovar a política. Acredito que posso mostrar o quão injusto é esse discurso de ódio. E o que me tem feito mal é ver as escolas sendo sucateadas por essa quadrilha.


Acha mesmo que é melhor eu ficar longe, presidente? – perguntei com um nó na garganta.


– Elika, querida, você não é fácil. Não ouve os mais velhos… sempre foi assim?


Balancei a cabeça positivamente.


– Está triste mesmo tudo isso. Não é difícil fazer esse país dar certo. Basta dar o poder aos pobres, companheira. E é aí que muitos não aceitam. As pessoas me perguntam se pretendo voltar e se quero voltar. Vou te dizer, Elika. Eu queria muito voltar, não sei se vão me deixar. Queria só para mostrar que não é difícil fazer as coisas acontecerem. Me acusam de assistencialista. Mas eu acho que só há uma saída mesmo: dar poder para a classe mais sofrida. E por isso eu pretendo continuar lutando.


Pois a minha vontade, querida, – disse Lula olhando no branco dos meus olhos – é fazer um evento solene com sua chegada. É pedir para que me tragam o documento agora para você ser nossa. Qualquer político sonharia com seu apoio. Queria fazer uma festa com bumbo, surdo, samba para te receber. Mas, tenho medo. Tem certeza que está preparada para uma filiação e entrar para a política de alguma forma?


– Lula, estou aqui pronta. O que falta para você me estender a sua mão, presidente?


Ele a pegou, puxou, e me deu um forte abraço e boas vindas.


Depois de todos os trâmites explicados e marcada uma nova data para um novo encontro onde ele disse que faz questão de estar presente quando eu me filiar no Rio de Janeiro ao Partido dos Trabalhadores para colocar, efetivamente, de um jeito ou de outro, a mão na massa para tentar reverter esse massacre que estão fazendo com as nossas escolas públicas, aí sim, depois de tudo isso, vieram a sessão de fotos para registrar esse grande encontro e a entrega de livros que lhe levei de presente e uma belíssima tela pintada pelo artista Sergio Ricciuto.


Foi isso que aconteceu resumidamente. Em breve, oficialmente, serei uma petista. Estou bem certa desse passo. Para quem tem ódio ao PT, sinto muito, que vocês não consigam entender que entre o branco e o preto há infinitas graduações de cinza. O mundo, fiquem sabendo, não é dicotômico como mostram as novelas. Não existe somente o bem e o mal. E há, podem acreditar, os que tentam com toda a força melhorar o nosso país para os mais necessitados. Mas esses, não são super heróis. São seres humanos comuns plenos de toda a complexidade que qualquer universo possui.


Para finalizar, Yuki estava preocupado que havia perdido aula hoje para vir até São Paulo. Quando Lula foi brincar com ele um pouco ele disse:

– Estava angustiado porque perdi aula e prova hoje. Mas tive a maior aula de história da minha vida! Obrigado.
Fofo meu filho…


Enfim, estou mega feliz por esse encontro e por ter conseguido apresentar meus filhos ao homem que tirou o Brasil do mapa da fome e deu a oportunidade para muitos brasileiros – que nem sonhavam que isso seria possível – de estudar. Seguirei agora, ao seu lado e com seu apoio, lutando pela educação de qualidade para todos.


Animada com tudo o que tenho que viver pela frente.

POSTADO POR ANÔNIMO 

A luta dos trabalhadores coloca de joelhos o Capitão de São Gonçalo

Os trabalhadores do serviço público municipal da décima sexta mais populosa cidade do país e a segunda mais populosa do Estado do Rio de Janeiro arrancaram da administração do prefeito de São Gonçalo um reajuste de 21,79% de reajuste nos salários.

A greve deflagrada em 05 de setembro pelos trabalhadores em educação abriu e deixou escancarada as mazelas do serviço público municipal. Como retaliação o prefeito, Sr. Nelson Ruas dos Santos (PL), alto denominado de Capitão Nelson, levou a greve ao Tribunal de Justiça, onde foi derrotado, pois estava evidente o descumprimento de leis. Na audiência, a procuradora pediu 20 dias para apresentar uma proposta alegando que estavam realizando estudos. O Desembargador, Presidente do Tribunal, propôs 2 dias, desmoralizando o pleito da prefeitura. Tais fatos só ocorrem diante da explosão de uma forte greve nas escolas de São Gonçalo. Leia mais…

Fonte: CSP CONLUTAS