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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A FOTOGRAFIA ETNOGRÁFICA DE PIERRE FATUMBI VERGER

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O século XX veio consolidar a fotografia não apenas como uma das artes mais fundamentais do imaginário humano, capaz de eternizar e congelar o que chamamos de tempo e o que os poetas chamam de paisagens interiores. Este período também veio mostrar que técnicas poderiam ser empregadas para a documentação histórica, para o registro. E alguns espíritos indomáveis - uniram às significâncias artísticas da linguagem fotográfica para documentar sua época - um povo, e unir ocultamente nações – entre eles – um dos maiores fotógrafos de todos os tempos, o mestre francês - ou do mundo - Pierre Edouard Léopold Verger.
Pierre nasceu em 1902. De uma família de classe social elevada. Seu pai era dono de uma gráfica – que Verger herdou tempos depois – entretanto, com trinta anos de idade, o então jovem de destino elementar estava completamente sozinho no mundo. Entre desgraças familiares e a solidão, optou por tornar a fotografia um ofício capaz de fazê-lo mergulhar no mundo e suas aglomerações raciais.
Pierre Boucher - grande fotógrafo francês e amigo de Verger - o iniciava na fotografia e este começava a trabalhar na Aliança Foto, fundada por Boucher. Verger estava dando seus primeiros passos viajando entre alguns países, ajudando a montar sua visão etnográfica e sua relação com a realidade social destes povos.
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Tornou-se andarilho, percorria quilômetros à pé fotografando e registrando suas andanças com uma Rolleiflex. Fazendo estudos e longas peregrinações. Vagava entre ilhas. Entre comunidades distantes e retratando seus cotidianos. Nestes descaminhos, Verger conhece Marc Chadourne, repórter da revista francesa Paris-Soir, esse o convida a trabalhar como repórter-fotográfico. O jovem perdido até então em seus enigmáticos rumos acaba aceitando a incumbência de registrar as comunidades negras americanas e conflitos no Japão e China.
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Também neste período de 1934, Pierre começa a trabalhar para o Musée de l’Ethnographie, onde contribuiu entre outros com Helène Gordon e Alfred Métraux, este último, importante antropólogo suíço da primeira metade do século XX e grande amigo de Pierre Verger. Outro grande trabalho neste tempo foi as ilustrações para um dos últimos livros do francês erradicado em Londres, André Savignon. Trabalho este bastante elogiado que abriria algumas portas ao solitário viajante.
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Em 1935, Verger chegou a ser preso em Sevilha acusado de espionagem. Não obstante, acaba sendo solto e começa a ilustrar alguns livros do editor Paul Hartmann - entre estes trabalhos - um deles marcaria profundamente Pierre, o livro Dieux d’Afrique. Este trabalho seria publicado apenas em 1954, mas bem antes - em meados da década de 30 - Verger começaria suas primeiras incursões pela África.
O contato com a cultura, a história dos povos africanos, foi fundamental para a construção da carreira e do olhar demasiado de Verger. O fotógrafo passa por diversos países, como Mali, Mauritânia, atravessa o Saara, Burkina Fasso e conhece os rituais, suas etnias e suas manifestações populares, guerreiros, tribos e religião, além das condições políticas da sociedade.
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Depois deste intenso momento e da volta a Paris e posteriormente, Londres, Verger seguia agora absolutamente autônomo, recusando contratos em nome da arte fotográfica em suas últimas consequências. Vai às Antilhas Francesas e depois a República Dominicana, onde é proibido de fotografar pela ditadura local. Verger ainda passou por Cuba e México. Estas importantes experiências viraram uma renomada exposição organizada pela Arts et Metiers Graphiques. A exibição foi batizada de “Exposição Universal”.
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Também neste ínterim - mais precisamente em 1935 - o romancista brasileiro Jorge Amado lança uma de suas obras primas. Jubiabá. Trazendo para a universalidade às peculiaridades brasileiras e a visão política do autor na pele do herói Antônio Balduíno. Não imaginava - o importante autor brasileiro - que a obra seria decisiva para os rumos de Verger. Fascinado e instigado a conhecer a cidade de Salvador, o mestre acabou desembarcando no Brasil tempos depois.
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O final da década de trinta foi marcante também para o mestre. Iniciando uma jornada asiática, percorrendo os conflitos no Japão, China - onde foi impedido novamente de fotografar - e Filipinas. Alguns destes documentos foram publicados pela LIFE Magazine. Verger ainda passou por Indochina e o atual Vietnã. Um grande mosaico cultural, filosófico, ritualístico é montado na obra do grande retratista. O contato com tribos distantes, algumas até então desconhecidas, de gestos, cores e dialetos peculiares é uma grande descoberta rica e documental para a arte de Verger.
Pierre esteve algumas outras vezes no Brasil - antes de finalmente se instalar definitivamente em 1946. Com uma relação problemática com o DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda do Regime Vargas - o fotógrafo viaja para a Argentina e também para o Peru, neste, vive um tempo na terra de uma das suas maiores referências fotográficas, o mestre e pioneiro Martín Chambi. Léopold Verger Desembarca no Rio de Janeiro e faz contato com a revista "O Cruzeiro" que lhe mandaria a cidade de Salvador na Bahia.
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Profundamente embevecido pela cultura africana, Pierre visita várias cidades brasileiras que têm relação próxima com esta cultura. Também através do amigo Alfred Métraux, ainda percorre a Guiana e o Haiti, onde tem contato com cerimônias religiosos, os rituais vodus e diversos cultos afros. De volta à Bahia, torna-se, Pierre Fatumbi Verger, depois de fazer sua incipiência no candomblé nagô na casa "Opô Afonjá" em Salvador.
Em 1998, sob a direção de Lula Buarque De Holanda e narração do musico Gilberto Gil, o documentário “Pierre Fatumbi Verger: O Mensageiro entre dois mundos” mostra esta relação intensa e apaixonada entre o artista e o Brasil e também sua admiração recíproca à cultura africana. Suas imagens são verdadeiros documentos antropológicos, históricos, alguns, únicos e preciosos na escrituração da imagem em ambientes até então, impenetráveis.
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Verger ainda lançou alguns notáveis trabalhos. "Notas sobre o culto aos orixás e voduns" (1957), resultado de pesquisas realizadas no início da década de 50, sobre cultos afros."Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o Golfo do Benin e a Baía de Todos os Santos, dos séculos XVII a XIX" lançado em 1968, é talvez sua obra mais extensa e ousada.
Neste magnífico trabalho de pesquisa, Verger realiza um poderoso estudo de campo sobre o comércio de escravos na República do Benim na África e Brasil, mais específicamente a Bahia. O projeto acabou se tornando referência crucial para as posteriores pesquisas sobre o tráfico de escravos.
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“Retratos da Bahia” em 1980 e "Orixás, Deuses iorubas na África e no Novo Mundo" (1981) versam pela análise ao culto e a cultura africana tradicional. “Ewé - O Uso das Plantas na Sociedade Ioruba” lançado em 1995, foi prefaciado pelo escritor Jorge Amado e seria sua última obra.
Verger ainda concebe - em 1988 - a Fundaçao Pierre Verger, e foi seu presidente até sua morte. A instituição é uma das mais importantes - para a manutenção da cultura africana no Brasil - além de possibilitar o contato com toda a obra de Verger, além de oficinas, encontros e intercâmbios entre artistas, estudantes e a sociedade geral. Um grande centro cultural com sede na antiga casa de Pierre na cidade baiana.
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Toda a obra deste magistral artista é capaz de erguer um grande painel de múltiplas tradições. Capaz de se fazer compreender em diversas línguas - algumas delas - incompreensíveis ou até abstrusas, mas fáceis de sentir suas nuances quando encontra um espírito complexo e porque não, onipresente.
“Fatumbi” foi sem dúvida, um mensageiro entre mundos. Aquele que desvendou o âmago de diversas culturas e os revelou em imagens inexauríveis, como a própria cultura, como a arte, como a sua arte. Um patrimônio de todas as gerações.
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A eternidade agradece.
Fonte: http://lounge.obviousmag.org/
PUBLICADO EM FOTOGRAFIA POR 

População carcerária aumentou em 40 mil presos em um ano, segundo o Ministério da Justiça; País tem o 4º maior número de detentos no mundo...


“A morosidade da Justiça se traduz em terrível injustiça, principalmente para os necessitados que dependem da prestação jurisdicional em “tempo razoável”. A morosidade beneficia somente os “amigos do rei”. Nossos presídios estão repletos de presos (negros e pobres), cumprindo prisões preventivas, aguardando julgamento”, acrescenta. Pela sua experiência como especialista em atuações diretas em Direito da Igualdade Racial e Homoafetiva, entre outras áreas, ele enfatiza que o Estado tem responsabilidade no fenômeno criminoso: “A criminalidade nasce com a ausência do Estado, mas só se organiza com a anuência dele”, defendeu em sua tese de pós-graduação. Para Anjos Filho, diante desse quadro, só há uma saída para um jovem negro e pobre das periferias das grandes cidades: estudar e trabalhar. “A grande “malandragem” é estudar e trabalhar e não podemos ser mais um no mercado. No nosso caso, nos é exigido sermos os melhores para que o mercado nos permita, sermos comuns”.A comparação do perfil racial da população carcerária com a população brasileira é, porém, pautada por uma diferença metodológica. Enquanto na Pnad a raça é autodeclarada pelos entrevistados, os questionários das prisões são respondidos pelos gestores das unidades.

Os números do Infopen mostram, ainda, que as penitenciárias brasileiras ganharam 40.695 presos no período de um ano. Além disso, cerca de 40% dos detentos são presos provisórios (aguardam julgamento) e o tráfico de drogas é o crime que mais leva à prisão.
Renato De Vitto, diretor-geral do Depen, afirma que o aumento das taxas de encarceramento chegou a um nível preocupante no Brasil. Segundo ele, uma alternativa para reduzir esses números pode estar na integração entre políticas de educação e trabalho e penas alternativas “A taxa de encarceramento no Brasil tem crescido de forma anômala em relação ao que vem ocorrendo nos países que mais prendem no mundo. Se não cuidarmos desse aumento expressivo da população prisional, qualquer arranjo de gestão pode parecer insuficiente”, afirmou.

Com 622 mil pessoas privadas de liberdade (o que significa mais de 300 presos para cada 100 mil habitantes), o Brasil continua sendo o quarto País com maior número absoluto de detentos no mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Rússia. Porém, enquanto esses

países têm reduzido suas taxas de encarceramento nos últimos anos, o Brasil segue em trajetória oposta, aumentando sua população prisional em 7% ao ano, em média.

Os dados fazem parte do Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade Racial 2014, elaborado em parceria da secretaria, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Ministério da Justiça e o escritório da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Brasil. Os dados utilizados são de 2012.

De acordo com o levantamento, em todos os estados brasileiros, exceto o Paraná, os negros, que incluem pretos e pardos, com idade de 12 a 29 anos, correm mais risco de exposição à violência, ou seja, estão mais vulneráveis que os brancos (que incluem brancos e amarelos), na mesma faixa etária.
A alta tributação sempre foi presente na história brasileira. Seja durante a plantação de cana de açúcar, café, ou mesmo na mineração, Portugal sempre cobrou elevadas quantias financeiras do Brasil.

Após a proclamação da independência, em 1822, a taxação começa a ser estruturada de acordo com os interesses dominantes nacionais. A elite agrária, então coordenadora da economia do país, decidiu não tributar as grandes plantações, ou seja, o seu negócio. A cobrança de impostos se limitou à arrecadação das movimentações financeiras no comércio exterior.

-Até 13 de Maio de 1888, ainda durante o regime escravista, pretas e pretos viviam sob a condição de não serem tributados, mas sim objetos de tributação. “A consolidação da Lei Teixeira de Freitas, que era a legislação civil em vigor depois das ordenações do rei, considerava os negros como ‘semoventes’, ou seja, como gado. Tinha um registro específico, no cartório, ‘o sujeito tem tantos escravos’. Era considerado coisa”, explica Renato Gomes, advogado tributarista.

Para ele, a tributação brasileira ganha novo caráter com o fim da escravidão e o início de um projeto industrial, com Getúlio Vargas e o golpe de estado em 1930. “A partir da industrialização, eu começo a ter uma ideia de geração de riqueza urbana. Vai se tarifar a renda do trabalhador e o imposto sobre vendas e consignações, que é o avô do ISS (Imposto Sobre Serviços). É o início da ideia de taxar as outras fontes de riqueza de modo a permitir uma maior arrecadação para o país”.

A taxação no meio urbano sobre o consumo e a renda do trabalhador exigiu a construção de um sistema tributário articulado. Se antes havia uma série de leis que tentavam remediar e remendar a legislação brasileira, é no ano de 1965 que se constrói a emenda 18, o primeiro 

código tributário do país, projeto de autoria de Rubens Gomes de Souza. É nesse momento da história que se opta por cobrar de maneira mais significativa o consumo e a riqueza adquirida.
Por outro lado, a população que forma o grupo 10% mais pobre, com renda média de R$ 130 por pessoa na família, continua majoritariamente negra. O percentual aumentou nos 
últimos 10 anos. Em 2004, 73,2% dos mais pobres eram negros, patamar que aumentou para 76% em 2014. Esse número indica que três em cada quatro pessoas é negra entre os 10% mais pobres do país.
Segundo o IBGE, os negros (pretos e pardos) eram a maioria da população brasileira em 2014, representando 53,6% da população, enquanto as que se declaravam brancas eram 45,5%. Em 2004, o cenário era diferente, pouco mais da metade se declarava branca (51,2%), enquanto a proporção de pretos ou pardos era 48,2.

Se considerada a população total de negros no Brasil, 38,5% deles estavam entre os 30% mais pobres da população em 2014, valor inferior aos 41,6% registrados em 2004. Houve um aumento da proporção de brancos que se encaixam nessa faixa de renda: de 19,1% em 2004 para 19,8%.Os brancos eram 26,5% dos mais pobres em 2004 e sua participação nessa fatia da população caiu para 22,8% em 2014.

Já os negros que estão entre os 30% mais ricos são 20,1% do total da população desta cor no Brasil. Para os brancos, esse percentual é de 41,9% e praticamente não se alterou em relação a 2004, quando era de 41,9%.Em 2004, 17,2% dos negros estavam entre os 30% mais ricos dos brasileiros.
Desigualdade de renda - Para avaliar a desigualdade de renda, o IBGE calculou o Índice de Palma no Brasil, indicador que avalia quanto a mais os 10% mais ricos se apropriam do total.

Os números do IBGE mostram que, em 2014, os 40% mais pobres do Brasil recebiam 13,3% do total da massa de renda do país, percentual se manteve praticamente estável entre 2011 e 2014, depois de ter crescido de 2004 (10,6%) a 2011 (13,1%). A população que fica na faixa intermediária, entre os 40% mais pobres e os 10% mais ricos, elevou sua participação de 43,9% do total da renda para 45,6%. Já os 10% mais ricos detinham 45,5% do total dos rendimentos em 2004 e perderam participação, chegando a 41% em 2014.

Se liga: A tributação pode ser feita em três momentos de geração de riqueza: adquirida, poupada e consumida. O Brasil escolheu tarifar de maneira significativa o consumo, o que para Renato significa a possibilidade de cobrar todas pessoas, inclusive aquelas que não têm renda. “As pessoas precisam comer e viver. Mesmo que embaixo da ponte, vive e adquire bens. Perceba que a riqueza enquanto consumida tem uma abrangência e uma capilaridade maior do que os outros momentos da aquisição”.

Silvio Almeida, professor do Mackenzie e advogado tributarista, aponta que, no consumo, não há, como nas outras esferas de arrecadação, uma colaboração progressiva. Todos, independente da renda, vão pagar os mesmos impostos. “Pobre come pão e rico também; ambos pagam o mesmo tributo incidente sobre o preço do pão. A diferença é o quanto dispõem para gastar com suas demais necessidades”.

Dados referentes a 2015 e divulgados pela Receita Federal mostram como o consumo de bens e serviços sustentou quase metade (49,68%) do montante arrecadado pela União, estados e municípios. Em 2015, 32,66% do Produto Interno Bruto (PIB) do país veio da carga tributária e metade deste valor (16,22%) foi proveniente da cobrança sobre o consumo. Comparação internacional feita em 2014, a partir dos dados da Receita Federal, colocou o Brasil em 2° lugar na lista dos 30 países que mais tributam o consumo. Apenas a Hungria ficou a frente do Brasil.

Outro aspecto cruel dessa equação é o contexto social em que estamos inseridos: a sociedade de consumo, construída e alimentada de maneira diária pelo marketing e pela publicidade. “A ideia de cidadania foi substituída pela ideia de consumidor. O consumidor tem direitos, né? O consumidor, porém, só é o sujeito consumindo”, explica Renato Gomes.

Salário do trabalhador: A tributação também é severa sobre a renda dos trabalhadores. Além de pagar ao consumir, o proletariado também é tarifado na renda com uma série de encargos. “Quando se recebe um salário cujo valor não está isento do pagamento de imposto de renda, a legislação tributária determina que o empregador desconte diretamente da folha de pagamento o imposto de renda e o repasse à Receita Federal. É o Imposto de Renda retido na fonte”.

No Brasil, a taxação é feita sobre a renda, que é resultado do rendimento do trabalhador menos as suas despesas. Ou seja, quando se tributa a renda, não se considera que o trabalhador já teve custos. Por uma questão técnica, o governo antecipa a arrecadação e dá a
possibilidade do cidadão apresentar seus gastos e ser ressarcido. Mesmo assim, existem áreas onde há um limite para a compensação, como na declaração da existência de dependentes da renda ou ainda para educação.
Mesmo que o encargo sobre o Imposto de Renda varie entre 7,5% e 27,5%, a cobrança é avaliada como alta e onerosa. Depois da arrecadação por consumo, é por meio do imposto de renda que o Estado mais concentra recursos. A tributação representou 25,83% de toda a carga tributária, o que significou, em 2015, 8,44% do PIB.

Dados da Receita Federal ajudam a entender a desigualdade social no país, pois é possível constatar que menos de 1% dos contribuintes têm cerca de 25% de toda riqueza declarada em bens e ativos financeiros no Brasil. O número de pessoas com renda superior a 160 salários mínimos caiu de 73.743 mil em 2012 para 71.440 mil em 2013. Essa quantia representa 0,3% dos declarantes de imposto de renda e o valor financeiro de R$ 298 bilhões.

Os grandes salários, como o de jogadores de futebol dos principais clubes do país, costumam seguir uma lógica diferente de tributação, conta Renato Gomes. “Jogador de futebol não recebe os seus rendimentos, que são altíssimos, de mais de 100 mil reais por mês, na carteira de trabalho e como pessoa física. Eles recebem a parte significativa, 90%, 80%, como direito de imagem. Se o sujeito ganha 100 mil reais, só de contribuição previdenciária, o clube teria que pagar 20 mil reais. Então como faz? Vamos colocar 10 mil reais de salário e 90 mil de direito de imagem. O clube vai pagar 20% sobre os 10 mil, porque 90 mil ele está pagando direito de imagem, não na folha salarial”.

Silvio Almeida recorda outro exemplo para certificar a ideia de que os não assalariados convencionais têm benefícios tributários. “A distribuição do lucro pelas empresas pode se dar na forma de pagamento de dividendos ou ainda, como “Juros sobre Capital Próprio” (JSCP), ambas com vantagens imensas para quem é sócio de uma empresa, podendo, muitas vezes, nada pagar de Imposto de Renda sobre o lucro a ele distribuído”.
Outro setor de geração de riqueza muito privilegiado é a acumulação a partir de territórios. A
cobrança, tanto nas áreas urbanas (IPTU) quanto nas rurais (ITR), é baixa e o valor arrecadado é irrisório para o Estado. Apesar da previsão constitucional de maior taxação na medida em que não há utilização do espaço, essa ferramenta tem sido pouco empregada para enfrentar a especulação imobiliária ou fundiária.
A tributação sobre propriedade foi de apenas 4,44% da carga tributária, o que representou 1,45% do PIB em 2015. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 2012, o percentual arrecadado pelo Brasil é a metade do acumulado em países como Estados Unidos (12%) e Reino Unido (12%); e 50% a menos que Argentina (9%) e França (9%). 

Entre os cinco impostos que incidem sobre a propriedade em vigor, a menor arrecadação é do Imposto Territorial Rural (ITR), único de responsabilidade da União. Só de Imposto sobre Patrimônio Territorial Urbano (IPTU), o município de São Paulo recebeu, em 2013, R$ 5,45 bilhões, ou seja, mais do que seis vezes do valor arrecadado do ITR em todo o país no mesmo período, R$ 864 milhões, de acordo com o Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi).

Renato explica como a baixa tributação de propriedades no Brasil e o insignificante valor de
arrecadação são questões históricas do país. “O Brasil é um país criado em capitanias hereditárias. Ele nasceu com grandes propriedades. Não é normal, mas a gente entende porque essas grandes propriedades territoriais até hoje não são tarifadas”.

A disparidade tributária do Brasil se estende para o setor financeiro. Este é outro segmento produtor de riquezas pouco taxado no país. Em último lugar, a tributação sobre as transações financeiras representou 1,8% da carga tributária, ou seja, 0,59% do PIB. No caso do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), houve uma queda real de 1,61%, ou seja, recuo para R$ 5,8 bilhões nos primeiro bimestre de 2016.
Um afro abraço.

Claudia Vitalino.

REBELE-SE CONTRA O RACISMO!

Fonte:Agência Brasil/www.almapreta.com/

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

A justificativa da construção da escravização negra...


A História da África é conhecida no Ocidente por escritos que datam da Antiguidade Clássica. O homem passou a estar presente na África durante os primeiros anos da era quaternária ou os últimos anos da era terciária. A maioria dos restos de hominídeos fósseis que os arqueólogos encontraram, australopitecos, atlantropos, homens de Neandertal e de Cro-Magnon, em lugares diferenciados da África é a demonstração de que essa parte do mundo é importante no processo evolutivo da espécie humana e indica, até, a possível busca das origens do homem nesse continente. As semelhanças comparáveis da história da arte que vai entre o paleolítico e o neolítico são iguais às das demais áreas dos continentes europeu e asiático, com diferenças focadas em regiões então desenvolvidas. A maioria das zonas do interior do continente, meio postas em isolamento, em contraposição ao litoral, ficaram permanentes em estágios do período paleolítico, apesar da neolitização ter sido processada no início em 10.000 a.C., com uma diversidade de graus acelerados.

Antiguidade -O Império de Kanem-Bornu, próximo ao Lago Chade, dominou a parte norte da --- Nigéria por mais de 600 anos, prosperando como rota de comércio entre os bárbaros norte-africanos e o povo da floresta.

No começo do século XIX, Usman dan Fodio reuniu a maior parte das áreas do norte sob o controle de um império islâmico tendo como centro Sokoto. Ambos os reinos de Oyo, no sudoeste, e Benim, no sudeste, desenvolveram sistemas elaborados de organização política nos séculos XV, XVI e XVII.
Colonização europeia.

Até 1471, navios portugueses haviam descido o litoral africano até o delta do Rio Níger. Em 1481 emissários do rei de Portugal visitaram a corte do oba de Benim, com o qual mantiveram por um tempo laços estreitos, usufruindo de monopólio comercial até o fim do século XVI.

Chegada dos conquistadores portugueses à África
Quando ocorreram os primeiros contactos entre conquistadores portugueses e africanos, no século XV, não houve atritos de origem racial. Os negros e outros povos da África entraram em acordos comerciais com os europeus, que incluíam o comércio de escravos que, naquela época, era aceito como uma forma de aumentar o número de trabalhadores numa sociedade.Para a gente entender melhor- Na antiguidade, entre diversos povos, as relações eram sempre de vencedor e cativo. Estas existiam independentemente da raça, pois muitas vezes povos de mesma matriz racial guerreavam entre si e o perdedor passava a ser cativo do vencedor, neste caso o racismo se aproximava da xenofobia.
- Por muito tempo o racismo permaneceu de uma forma mais xenofóbica do que racial propriamente dita, permanecendo latente até a época de expansão das nações europeias.

Se liga: Com o avançar das conquistas territoriais e culturais dos povos europeus, ainda na Idade Média não havia necessariamente o racismo da forma como manifestado futuramente, o que havia era o sentimento de superioridade xenofóbico de origem religiosa. Isto ocorria devido ao poder político da igreja cristã que justificava submissão de povos conquistados de
forma incorporá-los à cristandade. Porém, àqueles que não se submetiam era aplicado o genocídio, que gerava sentimentos racistas por parte dos vencedores e dos submetidos.

Entre os séculos XVII e XIX, comerciantes europeus estabeleceram portos costeiros para o aumento do tráfico de escravos (prisioneiros de guerra das tribos africanas mais fortes e dominadoras regionais) para as Américas, concorrendo fortemente com os árabes neste comércio. O comércio de commodities substituiu o de escravos no século XIX.

A Companhia Real do Níger foi criada pelo governo britânico em 1886 e, em 1900, criou os protetorados britânicos do Norte da Nigéria e do Sul da Nigéria. Estes protetorados foram fundidos em 1914, para formar a colônia da Nigéria.

Ameríndios e negros- Foi durante a expansão espanhola e portuguesa na América que surgiu a ideia de se buscar uma sustentação ideológica influenciada pela religião de que os índios não eram seres humanos. Estes eram animais e portanto era justificada por Deus a sua exploração para o trabalho, desta forma eram socialmente aceitos os suplícios a que eram submetidos, estendendo-se logo esta crença para a raça negra.

No Brasil os negros foram trazidos para serem escravos nos engenhos de cana de açúcar, devido às dificuldades da escravização dos ameríndios, os primeiro habitantes brasileiros do qual se tem relato. A Igreja Católica nunca se opôs à escravidão negra, e acreditava-se que os negros não tinham almas[carece de fontes]. Com o passar dos anos, o Vaticano tentou esconder o erro histórico da igreja que nunca foi devidamente explicado. O Papa João Paulo chegou a pedir desculpas pelos erros históricos da igreja católica.Nos últimos anos a igreja afirmou que sempre existiram inúmeros santos negros, mesmo tendo os canonizados só após a Lei Áurea. O convívio com as doenças dos brancos e de seus animais, por terem contatos há séculos com os povos brancos e com os animais por eles domesticados, e juntamente com a motivação financeira, decorrentes do fato do tráfico negreiro ter sido a maior fonte de renda do período colonial, foram usados como justificativas para a escravização negra.

Mais tarde, quando os europeus começaram a colonizar a África no século XIX, eles começaram a apresentar justificativas piores para a implementação da cultura e modo de vida europeus às sociedades negras; uma dessa justificativas foi a ideia errônea de que os negros eram uma raça inferior. Assim, passaram a aplicar a discriminação com base racial nas suas colônias, para assegurar determinados "direitos" aos colonos europeus. O caso mais extremo foi a instituição do apartheid na África do Sul, em que essa discriminação foi suportada por leis decretadas pelo Estado.
O racismo como fenômeno social

O racismo, como fenômeno comportamental e social, procura afirmar que existem raças puras, e que estas são superiores às demais; desta forma, procura justificar a hegemonia política, histórica e econômica.

Do ponto de vista racial, os grupos humanos atuais em sua maioria são produto de mestiçagens. 
A evolução das espécies incluindo a humana e o sexo facilitaram a mistura racial durante as eras. Afirmar que existe raça pura torna ilusória qualquer definição fundada em dados étnicos e genéticos estáveis. Portanto, quando se aplica ao ser humano o conceito de pureza biológica, o que ocorre é uma confusão entre grupo biológico e grupo linguístico ou nacional.

As raças, nós as inventamos e nós as levamos a sério por séculos, mas já sabemos o bastante para largar mão delas. Hoje em dia sabemos que somos todos parentes e todos diferentes, de acordo com o feliz slogan criado pelo geneticista francês André Longaney, e não é preciso ter feito estudos aprofundados para convencer-se disso.

Finalizando- A abolição da escravatura brasileira foi um processo lento que passou por várias etapas antes sua concretização. Criaram-se leis com o intuito de retardar esse processo de abolição como a Lei do Ventre Livre e a Lei dos Sexagenários entre outras, as quais pouco favoreciam os escravos.

Quando finalmente foi decretada a abolição da escravatura, não se realizaram projetos de assistência ou leis para a facilitação da inclusão dos negros à sociedade, fazendo com que continuassem a ser tratados como inferiores e tendo traços de sua cultura e religião marginalizados, criando danos aos afrodescendentes até os dias atuais.

Durante o século XX, os negros brasileiros ainda enfrentaram muitas dificuldades para superarem as discriminações no mercado de trabalho e na sociedade em geral. Mesmo com o reconhecimento da igualdade form

O Navio Negreiro - Caetano Veloso & Mª Bethânia

SÃO PAULO LINDA E MARAVILHOSA MAS CHEIA DE CONTRASTES!






São Paulo capital uma cidade linda, mas cheia de contrastes.  Primeiro muito prédios antigos que retrata o nascimento e vida de uma metrópoles, cheia de desigualdades. É como São Paulo retratasse duas vidas.  A primeira com seus prédios coloniais e modernos, entre eles muitos abandonados e em segundo uma parte do seu povo.  Milhares espalhados pelas ruas e calçadas fazendo sua moradia, pra não dizer abandonados pelo sistema,

Pessoas doentes, sem lenço e sem documento e mais! Sem esperança de vida.  Muitos viciados pelas ruas, sim, mas muitos desses entregaram-se as drogas por não ter mais esperança de uma vida digna.

É só olhar esse contraste, muitos prédios abandonados e muitas pessoas sem teto.

A solidariedade aparece de vez em quando, mas partindo de pessoas que passa e ajuda, não só com dinheiro, mas com uma palavra de esperança.  E o sistema?

É importante também repassar para os nossos jovens que antes de pensar em ir para uma cidade grande em busca de trabalho, de estudo ou outros motivos, pensem duas vezes.  O custo de vida dessas metrópoles é muito alto, entre outras coisas.

É preferível  ganhar um pouco menos sua cidade Natal ao lado de sua família ou criar outros meios de ganhar dinheiro extra para aumentar sua renda, Existem várias formas. Pense e reflita, que farás o correto.  Lembrando que longe do afeto e proteção da família fica muito mais difícil de avançar na vida.  Estudo e aprimoramento ainda é o melhor caminho para se conseguir uma vida melhor.

PRESIDENTE DO CPC/RN VISITA EXPOSIÇÃO DO ARTISTA PLÁSTICO FERNANDO AREAIS NO AEROPORTO DE RECIFE


 "Exposição fantástica!" - Eduardo Vasconcelos






Eduardo Vasconcelos, presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, antes de embarcar para São Paulo aproveitou para prestigiar a Exposição do Artista Plástico, Fernando Areias, pernambucano e de grande reconhecimento por parte de especialistas  da cultura brasileira, entre eles o nosso saudoso Ariano Suassuna.

Exposição aconteceu no Salão Nobre do Aeroporto do Recife.  Para Eduardo um momento único e brilhante em poder ver e admirar um trabalho bonito de mais um grande artista plástico nordestino, FERNANDO AREAIS. Vale a pena prestigiar. Adorei. Concluiu, Eduardo Vasconcelos.


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Quase seis décadas de compromisso, mas a luta anticolonial persiste – Por Moara Crivelente

khaled
Há 56 anos, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou a histórica “Declaração sobre a Concessão de Independência aos Países e Povos Coloniais”, almejando encerrar o capítulo vergonhoso de uma história de opressão, dominação e subjugação. Casos como o do Saara Ocidental, da Palestina e de Porto Rico continuam pendentes, porém, não sem obstinada resistência, respaldada por movimentos anticoloniais e anti-imperialistas construídos nessa luta.
Em 14 de dezembro de 1960, a Assembleia Geral da ONU adotou a Resolução 1514 (XV) para declarar politicamente o direito dos povos à autodeterminação e à independência. Em pleno século 21, entretanto, nos vemos confrontados com as remanescências anacrônicas do colonialismo, ainda que travestido de outros estatutos.
Em 1960, a ONU admitia 19 novos Estados membros e, pouco antes da Declaração, em 1955, eram 16 os novos países acolhidos, num processo acelerado de descolonização. Também em 1955 acontecia a histórica Conferência de Bandung entre 29 países asiáticos e africanos, na Indonésia. Líderes e movimentos de libertação nacional reuniam-se para afirmar a continuidade e a expansão da luta dos povos sob dominação estrangeira.
Nasce neste processo, em 1961, o Movimento dos Não Alinhados – hoje composto por mais de 100 países – que a terminologia hegemônica durante a Guerra Fria taxou de “descomprometido”. Já em janeiro de 1966, a Conferência Tricontinental reuniu mais de 700 participantes – entre delegados e convidados de cerca de 80 países – em Havana, onde nasceu a Organização de Solidariedade com os Povos da Ásia, da África e América Latina (OSPAAAL).
Entre os objetivos está uma transformação do sistema que promoveria também uma nova ordem internacional, rejeitando os avanços neocoloniais e imperialistas que ainda hoje ameaçam países independentes. A luta anticolonial e anti-imperialista é, por isso, extremamente atual, guiada pela defesa da soberania popular e nacional contra as investidas e a dominação estrangeiras e respaldada pela solidariedade internacionalista na luta por emancipação.
Nomes como o de Frantz Fanon, da Martinica, Mehdi Ben Barka, do Marrocos – coordenador da Conferência Tricontinental, mas que foi assassinado antes da sua realização –, Ahmed Ben Bella, primeiro presidente da Argélia independente, Amílcar Cabral, da Guiné-Bissau, Patrice Lumumba, que se tornaria o primeiro-ministro da República Democrática do Congo, e o do próprio Che Guevara, entre outros, ficaram marcados na história da luta anticolonial e da perseguição que matou muitos deles.
A Declaração sobre a Concessão de Independência aos Países e Povos Coloniais é um pilar de diversas ações no seio da própria ONU que afirmam rejeição à persistência da situação da Palestina, do Saara Ocidental e de Porto Rico, entre outros, servindo de referência também ao reconhecimento do direito dos povos de resistir à colonização e à ocupação estrangeira.
Por exemplo, em 1975 o Tribunal Internacional de Justiça emitiu uma Opinião Consultiva sobre o Saara Ocidental, com base na Declaração de 1960, para concluir, após exame aprofundado, que nem o Marrocos nem a Mauritânia tinham “perdido” o território quando da colonização espanhola para justificar sua reivindicação a despeito da vontade e do direito do povo saráui à autodeterminação, após a retirada da Espanha. Até hoje, entretanto, o Reino do Marrocos segue ocupando o território e o Saara Ocidental segue sendo a última colônia africana lutando pela autodeterminação através da realização de um referendo desde então impedido pela ocupação marroquina.
Além disso, o Comitê Especial da ONU sobre a Descolonização já aprovou mais de 30 resoluções a respeito da situação de Porto Rico, ainda hoje sob colonização estadunidense. Em junho de 2016, o Comitê voltou a instar os EUA a promover novas consultas sobre a autodeterminação do povo porto-riquenho, a reavaliar a prática e o estatuto de território autônomo conferido a Porto Rico e a libertar Oscar López Rivera, que está há 35 anos encarcerado por lutar pela independência do seu país. O Comitê requisitou ainda que a Assembleia Geral da ONU considere a questão, de forma mais abrangente.
Diversas resoluções também reconhecem o direito dos povos sob ocupação à resistência e à luta por libertação, inclusive armada. Uma resolução de 29 de novembro de 1974, por exemplo, “reafirma a legitimidade da luta popular por libertação da dominação colonial e da subjugação estrangeira através de todos os meios possíveis, inclusive a luta armada”, além de condenar “firmemente todos os Governos que não reconhecem o direito à autodeterminação e independência dos povos sob dominação colonial e subjugação estrangeira, notavelmente os povos da África e o povo palestino.”
Em 1969, porém, o conhecido advogado argelino Jacques Vergès, que tentava defender os comandos palestinos após os ataques contra a companhia aérea israelense El Al, envolvida na logística de operações militares, mostra-se cético quanto ao vigor de um direito cuja natureza servia à proteção dos interesses dos detentores do poder. Como ele, o palestino Ghassan Kanafani rejeita o “moralismo burguês” e adere ao ceticismo em uma entrevista à New Left Review, em 1975, quando a resistência armada parecia ser a única possibilidade.
Um dos legados da luta anticolonial, entretanto, é o uso do direito internacional para a promoção da soberania e da autodeterminação e também da legitimidade da resistência, direitos consagrados em diversos instrumentos, como os mencionados acima. A Declaração sobre a Concessão de Independência aos Países e Povos Coloniais é um deles, conquistado justamente por causa da mobilização anticolonial, e fica evidente a sua atualidade.
C/ Blog eduagreste.blogspot.com

A importância do negro na sociedade brasileira

 Fotos Google


  1. 1. A Importância do Negro na Sociedade Brasileira Quando recebemos no Brasil este povo maravilhoso, não sabíamos da sua grande importância e contribuição para todos os setores da economia, da cultura, da religião, das artes, da política e tantos outros. O continente Africano com sua grande diversidade cultural vê-se intensamente ligado à cultura brasileira, uma vez que recebemos neste país cerca de cinco milhões de negros africanos, que através da sua alegria e seu jeito de ser conseguiram produzir uma geração de pessoas alegres, mulatas lindas e um povo que de toda dificuldade tira uma lição de vida e se fortalece ainda mais. Os africanos que aqui checaram prezam muito a moral e a assemelham à religião, valorizam as tradições familiares, a natureza e o semelhante, para que não sejam punidos pelos espíritos com secas, enchentes, pestes, doenças, morte, etc. A influência do negro apesar de não ser aceita em muitas regiões foi automaticamente se implantando e sendo incorporada ao dia-dia da nação, contribuiu principalmente nos setores: -Religião: candomblé - usam para adorar seus orixás; as expressões corporais, a dança, os tambores, batuques, atabaques, adornos, sacrifícios de animais ao som de cânticos; -Capoeira: durante a escravidão era utilizada como forma defensiva, já que não tinham acesso a armas; -Culinária: acrescentou aos costumes indígenas e aos produtos naturais da terra o leite de coco, óleo de palmeira, azeite de dendê, a pimenta e até a feijoada feita a partir dos restos do boi ou do porco. Nas fazendas brasileiras, apesar da maioria executar o trabalho braçal nas lavouras, sendo os únicos trabalhadores a movimentar toda a economia, alguns deles executavam trabalhos domésticos, serviam como reprodutores e até amas de leite. As mulheres raramente se casavam com coronéis, e acabavam influenciando nas decisões políticas dos vilarejos. Os quilombos na sua maioria eram auto-suficientes, produzindo a agricultura de subsistência, tecidos, utensílios de barro, remédios naturais (a maioria desses conhecimentos trouxeram da sua terra natal). Era importante para os colonizadores, divulgar que os africanos não possuíam almas, sendo assim também não possuiriam hábitos, costumes e cultura. Quem não possui cultura, não possui história conseqüentemente não existe, facilitando muito sua escravização. Se este fato cruel não houvesse ocorrido com certeza seríamos uma nação muito mais rica e avançada em todos os sentidos. De maneira geral, tanto na época colonial como durante o século XIX a matriz cultural de origem europeia foi a mais valorizada no Brasil, enquanto que as manifestações culturais afro-brasileiras foram muitas vezes desprezadas, desestimuladas e até proibidas. Assim, as religiões afro-brasileiras e a arte marcial da capoeira foram frequentemente perseguidas pelas autoridades. Por outro lado, algumas manifestações de origem folclórico, como as congadas, assim como expressões musicais como o lundu, foram toleradas e até estimuladas. Entretanto, a partir de meados do século XX, as expressões culturais afro-brasileiras começaram a ser gradualmente mais aceitas e admiradas pelas elites brasileiras como expressões artísticas genuinamente nacionais. Nem todas as manifestações culturais foram aceitas ao mesmo tempo. O samba foi uma das primeiras expressões da cultura afro-brasileira a ser admirada quando ocupou posição de destaque na música popular, no início do século XX. Posteriormente, o governo da ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas desenvolveu políticas de incentivo do nacionalismo nas quais a cultura afro-brasileira encontrou caminhos de aceitação oficial. Por exemplo, os desfiles de escolas de samba ganharam nesta época aprovação governamental através da União Geral das Escolas de Samba do Brasil, fundada em 1934. Outras expressões culturais seguiram o mesmo caminho. A capoeira, que era considerada própria de bandidos e marginais, foi apresentada, em 1953, por mestre Bimba ao presidente Vargas, que então a chamou de "único esporte verdadeiramente nacional". A partir da década de 1950 as perseguições às religiões afro-brasileiras diminuíram e a Umbanda passou a ser seguida por parte da classe média carioca[1] . Na década seguinte, as religiões afro- brasileiras passaram a ser celebradas pela elite intelectual branca
  2. Resultado de imagem para IMAGEM DA FEIJOADA
    Feijoada uma tradição trazida pelos nossos irmãos negro
  3. 2. Culinária A feijoada brasileira, considerada o prato nacional do Brasil, é frequentemente citada como tendo sido criada nas senzalas e ter servido de alimento para os escravos na época colonial. Atualmente, porém, considera-se a feijoada brasileira uma adaptação tropical da feijoada portuguesa que não foi servida normalmente aos escravos. Apesar disso, a cozinha brasileira regional foi muito influenciada pela cozinha africana, mesclada com elementos culinários europeus e indígenas. A culinária baiana é a que mais demonstra a influência africana nos seus pratos típicos como acarajé, vatapá e moqueca. Estes pratos são preparados com o azeite-de-dendê, extraído de uma palmeira africana trazida ao Brasil em tempos coloniais. Na Bahia existem duas maneiras de se preparar estes pratos "afros". Numa, mais simples, as comidas não levam muito tempero e são feita nos terreiros de candomblé para serem oferecidas aos orixás. Na outra maneira, empregada fora dos terreiros, as comidas são preparadas com muito tempero e são mais saborosas, sendo vendidas pelas baianas do acarajé e degustadas em restaurantes e residências. Música e dança A música criada pelos afro-brasileiros é uma mistura de influências de toda a África subsaariana com elementos da música portuguesa e, em menor grau, ameríndia, que produziu uma grande variedade de estilos. A música popular brasileira é fortemente influenciada pelos ritmos africanos. As expressões de música afro-brasileira mais conhecidas são o samba, maracatu, ijexá, coco, jongo, carimbó, lambada e o maxixe. Como aconteceu em toda parte do continente americano onde houve escravos africanos, a música feita pelos afro-descendentes foi inicialmente desprezada e mantida na marginalidade, até que ganhou notoriedade no início do século XX e se tornou a mais popular nos dias atuais. Instrumentos afro-brasileiras: Afoxe, Agogô, Atabaque, Berimbau, Tambor Multiculturalismo no Brasil é a mistura de culturas. Trata-se da miscigenação dos credos e culturas que ocorrem no Brasil desde os tempos da colonização. E uma das principais características da cultura brasileira é esta diversidade. O processo imigratório teve grande importância para a formação desta cultura. O Brasil incorpora em seu território culturas de todas as partes do mundo. Podemos dizer que este processo de imigração começou em 1530 quando os portugueses deram início à colonização do Brasil. Os primeiros imigrantes não-portugueses que vieram para o Brasil foram os africanos, que eram utilizados como escravos nas lavouras de café. Graças ao rápido desenvolvimento das plantações de café, esta colonização intensificou-se a partir de 1818, quando para cá vieram imigrantes de fora de Portugal à procura de oportunidades. Vieram suíços, alemães, eslavos, turcos, árabes, italianos, japoneses, entre outros. O caso brasileiro é bem mais complexo, porque aqui se desenvolveu um processo colonizador cuja característica fundamental foi a mestiçagem cultural. A riqueza cultural e étnica do país não é levada em consideração no quotidiano, tendendo ao estereótipo e à disseminação de preconceitos. O Brasil é um país de raízes mestiças, e que não constitui historicamente minorias. Deveríamos estar abertos às diferenças que faz do povo brasileiro um povo tão misto em nossas heranças culturais. É nesta pluralidade e na diversidade dos brasileiros que se pode construir o presente e perseguir o sonho do futuro possível.
  4. Fonte: http://www.slideshare.net/luanareverti/a-importncia-do-negro-na-sociedade-brasileira