Postagem em destaque

FIQUEM LIGADOS! TODOS OS SÁBADOS NA RÁDIO AGRESTE FM - NOVA CRUZ-RN - 107.5 - DAS 19 HORAS ÁS 19 E 30: PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA" - PROMOÇÃO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN

Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

sábado, 5 de agosto de 2017

Depois de 15 anos e muita pressão, FLIP finalmente abre espaço para mulheres e negros na programação

 
Para mudar, para buscar alternativas dentro de um mercado que está sempre discutindo a própria crise, é preciso querer e insistir.

Ana Maria Gonçalves

São muitas as expectativas em relação à 15ª FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) que, nesta edição homenageia Lima Barreto e acontece de 26 a 30 de julho, no litoral do Rio de Janeiro. Já estive em cinco edições anteriores e acompanhei com grande interesse a primeira delas, em 2003, quando estava começando a escrever. Até então, nenhuma outra feira literária tinha recebido tanta atenção da imprensa, dando visibilidade a escritores e escritoras nacionais e trazendo nomes de destaque no cenário internacional, comoDon DeLillo e o historiador Eric Hobsbawn. De lá pra cá, muito coisa mudou – principalmente o fato de ter partido de uma edição em que, entre os 25 convidados, nenhum era negro e apenas três eram mulheres.
 
Eu poderia estar não prestando atenção, mas não me lembro de grandes manifestações apontando para isso à época. É bom saber que a FLIP se repensou, ao mesmo tempo em que é triste que tenha levado 15 anos e apenas depois da pressões de ações como a do Leia Mulheres, que questionou o número de escritoras na FLIP 2014, e o evento “Vista nossa palavra, Flip 2016, do Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras-UFRJ, que lançou a carta da professora e pesquisadora Giovana Xavier, apontando a ausência de escritoras negras na FLIP 2016.
 
Grande parte da mudança deve ser creditada à nova curadora, a jornalista Josélia Aguiar, que assumiu reconhecendo a importância de, sendo o evento de referência, a FLIP ter a responsabilidade de acompanhar os debates e as pautas que são, não apenas brasileiras, mas mundiais. Resultado: a FLIP 2017 terá 46 convidados: 24 são mulheres e 30% são negros/as.
 
Uma das principais justificativas, quando apontamos a ausência de mulheres, negros e indígenas em eventos literários é a meritocracia, como se não houvesse qualidade fora das esferas mais visíveis em que recaem as escolhas fáceis e midiáticas: “não olhamos cor, nem gênero, mas apenas a qualidade da obra dos convidados”.
 
Não é esse o questionamento, e meritocracia é palavra que, em tempos de lava-jatos e afins, deveria ser banida da cena brasileira, contaminada pelas relações de apadrinhamento e de negociatas com a finalidade de se manter o status quo.
 
Curadoria que se vale do conceito de meritocracia para justificar a ignorância frente ao novo, que na maioria das vezes nem novo é, mas apenas algo que esteve fora de seu radar, reconhece a própria incapacidade de acompanhar o mercado (e o mundo) como um todo.
 
Lembro-me, por exemplo, da curadoria da FLIP 2016 solicitando, em mesa realizada no Espaço Itaú Cultural de Literatura, “esta bibliografia de vocês”, como se a literatura produzida por escritores e escritoras negras fosse algo em separado da literatura brasileira, como se tivéssemos a obrigação de realizar um trabalho para o qual ele estava sendo pago para fazer.
 
Infelizmente, esta é uma situação bastante comum no mercado literário. Assim como uma outra ideia também bastante equivocada, também manifesta pela curadoria da FLIP 2016: “O país ainda está democratizando seu universo de leitura. A universidade brasileira, há pouco tempo, começou a ter uma nova cara, e acho que esse movimento vai chegar na Flip – na plateia da Flip. Mas é um processo em que temos de trabalhar juntos para que seja superado.”
 
O que se está tentando dizer aqui é que não há mercado para escritores e escritoras negras (novamente, considerando-o um mercado em separado) e que negros ainda não se interessam por literatura, e por isso, não frequentavam a FLIP. Ou que, pior ainda, leitores brancos não se interessariam pela literatura produzida por escritores ou escritoras negros/as. Me parece óbvio que essa é uma explicação bastante simplista, que desconsidera, por exemplo, o fator econômico, que impede muitos de frequentar Paraty na época do evento, com seus restaurantes e suas pousadas a preços quase proibitivos. Mas é ignorar também que o público negro, ao se sentir representado, ao ver reconhecido a trabalho e a produção de escritoras e escritores nos quais se sentem representados, comparecerão; não o contrário. Para mudar, para buscar alternativas dentro de um mercado que está sempre discutindo a própria crise, é preciso querer e insistir.
 
Outra justificativa simplista sempre usada por curadorias literárias Brasil afora é que convites foram feitos, mas não foram aceitos. É preciso saber que mulheres, em algumas situações, precisam pensar em algo mais do que apenas se prepararem para a uma viagem visando participar de um evento literário. Dizem que existe, embora eu não conheça, escritores homens que, antes de aceitarem um convite para viajar a trabalho, ausentando-se de casa por vários dias, consultem esposas para saber se elas podem ficar responsáveis, sozinhas, pelo cuidado com a casa e os filhos que pertencem a ambos. Conheço várias escritoras que, antes de poderem confirmar uma viagem, precisam pensar em arranjos e negociações com companheiros, ex-companheiros, familiares e empregadores e, muitas vezes, a possibilidade de aceitação não depende apenas delas.
 
Diante de uma recusa, o que a grande maioria das curadorias faz é substituí-las por convidados homens. Como a participação em eventos é completar ao trabalho da escrita, tanto em termos financeiros quanto de divulgação, o que fazem é contribuir para a perpetuação da situação de desigualdade das condições de trabalho oferecidas a uns e outras.

A justificativa de que escritores e escritoras negras também recusam certas participações também devem ser analisadas com mais atenção. Estamos cansados de sermos convidados apenas para aquelas mesas nas quais são tratados assuntos de “militância negra”, nas quais raramente temos a oportunidade de falar sobre o nosso trabalho, nas quais somos perguntados apenas sobre assuntos considerados “assuntos de negros”, como se tais assuntos não fizessem parte do que é simplesmente humano, sendo, portanto, parte do que deveria ser matéria de uma literatura universal.
 
Muitas vezes recusamos certos convites porque sabemos que estaremos uma mesa “à parte” da programação, sub-aproveitados e usados para que curadores e organizadores se protejam da acusação de não convidar negros ou mulheres. Queremos também que pensem em nós como entrevistadores, mediadores, curadores e afins, porque acreditamos que podemos colocar em debate assuntos e pontos de vista que, com certeza, enriqueceriam os eventos.
 
Portanto, minhas expectativas não são somente para um evento mais plural e interessante quanto aos convidados e ao público, mas também para que, como aconteceu logo no seu início, esta FLIP sirva de modelo e inspiração para os vários outros eventos literários Brasil afora. Que venham, cada vez mais, boas leituras, boas conversas, bons encontros e boas descobertas para todos nós! Axé!

Carta Maior

O mito da apatia e a urgência dos nossos dias

O vapor político que se acumula na fornalha da incerteza, das privações e do asco aguarda um sinal crível para se traduzir em ação política.
por: Saul Leblon
A apatia da sociedade diante do martelete conservador que esfarela seus direitos e esperanças pode ser só aparente.

O vapor político que se acumula na fornalha da incerteza, das privações, da humilhação, do asco e da revolta não é negligenciável.

Pior que o presente de perdas avassaladoras é a perspectiva do futuro sonegado.

Em cada ciclo e em diferentes dimensões da vida, da infância à velhice, do emprego à saúde, a trajetória que se esboça faz prender a respiração e perscrutar o vazio: brasileiros humildes e amplos segmentos de classe média (mesmo que ainda não saibam disso) foram enganchados em um frágil bote à deriva.

O Brasil que se desenha no horizonte é um país de vidas ordinárias, presas num círculo de ferro de direitos mitigados, de retrocessos geracionais e de oportunidades asfixiadas no moedor de uma desigualdade irredutível.

Trabalhar duro para morrer pobre é a oferta conservadora à vasta maioria da nação.

Acionar o catalisador dessa caldeira, para gerar a transformação social e política do país a que fomos reduzidos, para o Brasil que queremos ser – em direção ao qual já havíamos caminhado antes, como na uma década em meia de avanços --  é o desafio histórico das forças progressistas em 2018.

Um requisito indispensável é compreender o novo protagonista e  o novo locus envolvidos nessa travessia.

Um ciclo do desenvolvimento brasileiro se esgotou.

Outro terá que ser reinventado em um mundo marcado por transformações políticas e estruturais que condicionam o tabuleiro dessa transição.

A participação da indústria brasileira no PIB, por exemplo, que já foi de 21,6% em 1985, despencou mais de 10 pontos percentuais nos últimos 30 anos.


Hoje ela oscila em torno de 11,5%, mesmo patamar de 1947.

Uma parte desse recuo deve-se a equívocos acumulados ao longo dos últimos 30 anos .

Câmbio valorizado e juros siderais facilitaram a captura de um pedaço da demanda interna  pela manufatura chinesa, ao mesmo tempo em que lubrificaram a mutação rentista do capital fabril.

Isso ajuda a entender o forte apoio do setor industrial ao golpe, ao lado do menor uso de capacidade instalada em vinte anos. 

É vital corrigir os erros das últimas décadas, mas há fatores estruturais que vieram para ficar.

Eles refletem a acelerada transformação do papel e da organização da indústria em sua nova morfologia global, e o consequente recuo de suas dimensões locais em contraposição ao avanço de atividades e ocupações que agregam menor valor ao PIB, ligadas ao setor de serviços.

Aqui e no resto do mundo, a indústria continuará a exercer seu papel decisivo e singular de adição e irradiação de produtividade, tecnologia e eficiência à engrenagem econômica do desenvolvimento.

Sem ela não haverá excedente para democratizar e disseminar a renda e a cidadania em uma sociedade com as dimensões e desafios da brasileira.

O fortalecimento industrial no país terá que ser feito em sintonia com a quarta revolução industrial --a da informatização de processos e robotização de tarefas--  prioritariamente concentrado em áreas nas quais o país detém o estado das artes, com é o caso da agricultura, da exploração de petróleo, entre outros.

A disseminação dos ganhos se dará pelas cadeias da demanda de insumos, com conteúdo nacional assegurado, bem como pela interação da pesquisa em suas múltiplas aplicações.

O emprego industrial, porém, como em todo o mundo,  será cada vez mais especializado e menos numeroso.

A consequência é que o trabalho característico do século XX centralizado e organizado pela fábrica não vai mais ordenar a sociedade do século XXI.

Isso envolve uma mudança de perspectiva social e política que não pode ser subestimada.

Ela terá que ser incorporada desde já como uma das balizas das iniciativas e propostas destinadas a reunir a ampla frente de forças da sociedade brasileira determinada a retomar o processo de distribuição de renda e de direitos interrompido pelo golpe de 2016.

A costura imediata desse tecido político estendido é um requisito para se reverter a escalada conservadora em marcha em todos os setores da vida nacional.

Se quisermos derrota-la amanhã, não podemos adiar a arregimentação orgânica, popular e programática para as vésperas do horário eleitoral de 2018.

É forçoso traduzi-la desde já em uma escalada de manifestações de amplos segmentos, o que só ocorrerá –nos moldes da Campanha das Diretas Já, como se exige--  se o catalisador do processo for um palanque presidencial progressista igualmente amplo e ecumênico.

Que seja, a exemplo daquele dos anos 80,  fraternalmente compartilhado por candidatos potenciais de vários campos, mas unidos por um mesmo compromisso: a sedimentação de um projeto comum para o Brasil.

Essa sedimentação passa pelo desafio de provar que suas diretrizes pertencem ao mundo das novas condições impostas pela produção capitalista e respondem às aspirações, urgências e transformações que ela suscita na vida brasileira.

O mundo novo do trabalho é o da dispersão dos serviços, da volatilidade até espacial das tarefas, da precariedade dos salários e dos vínculos informais impostos pela fragmentação dos mercados e atividades típicas do setor de serviços.

É esse dilaceramento que  a ‘reforma trabalhista’ do golpe toma como referência de virtude para generalizar e suprimir direitos instituídos e preservados pela Constituição Cidadã de 1988.

 Mesmo que essa supressão de conquistas seja revertida, a precoce dominância do setor de serviços na economia brasileira não vai regredir. A tendência é se ampliar.

A sorte da massa pulverizada de trabalhadores aí reunidos, desprovida frequentemente de direitos elementares, com ganhos rebaixados, carente de organização, identidade  e até mesmo de local fixo de atividade, decidirá em boa parte o destino do país no século XXI.

Melhorar as condições trabalhistas nesse universo é indispensável.

Mas não será suficiente para sua transformação em uma nova alavanca da cidadania.

O projeto para 2018 precisa dialogar desde agora com esse protagonista coletivo difuso, universalizando suas demandas em um projeto de vida melhor para toda a sociedade.

Se a esquerda não o fizer através de uma proposta capaz de resgatar o sonho em um Brasil renovado pelo guarda-chuva do bem comum, o populismo de extrema direita o fará.

E o fará como sabe fazer:  pelo canal do preconceito, do ódio, do obscurantismo, da violência política contra qualquer dissonância, de qualquer natureza e gênero.

A macroeconomia pós-golpe impõe mudanças inarredáveis para se governar um país em ambiente democrático com as novas características de inserção social predominantes na realidade do trabalho em nosso tempo.

A reforma tributária, por exemplo, é inexorável para se revogar a PEC do arrocho e permitir a construção de um sólido contraponto de serviços público condizentes com a dignidade da vida  no século XXI.

 Até o golpe já cogita taxar lucros e dividendos.

A única previdência social viável nas novas condições desse mercado, por sua vez, será aquela cotizada via imposto progressivo pago por toda a sociedade.

Por uma razão imperativa: o emprego mitigado do setor de serviços não vai gerar o salário capaz de prover a poupança futura de todos.

Ou ricos e pobres pagam em escala progressiva para um caixa único tributado pelo Estado, ou a maioria dos idosos morrerá em depósitos humanos de solidão e barbárie.

Se essas mudanças –como outras, caso da representação e da expressão da sociedade em uma reforma política --  virão por plebiscito ou constituinte específica é uma questão a ser decidida pela correlação de forças expressa nas urnas de 2018.

Uma coisa é certa: sem elas será impossível tirar o país do trilho do arrocho.

Arrebatar o sonho que leva multidões a dar o endosso a essas mudanças, porém, exige mais que descrever equações de contabilidade fiscal.

Exige a prefiguração crível de um  Brasil onde caibam  todos os seus segmentos sociais em convivência digna e isonômica no acesso às conquistas básicas da civilização.

Isso não acontecerá a partir da convergência de ganhos incrementais por categorias isoladas.

Será nas esfera pública da vida social, nos espaços comuns a todos, de trabalhadores especializados a motoqueiros delivery,  da classe média a assalariados pobres, que a democracia social será ancorada e construída.

Esse espaço ecumênico generoso será constituído  de bens e equipamentos públicos, de serviços republicanos de alta qualidade, bem como de direitos universais bancados por receita fiscal justa e competente, a partir de  avanços progressivos pactuados por eleições e plebiscitos.

A cidade da cidadania, com espaços, equipamentos e atividades de refinada qualidade e acesso universalizado será a ‘Brasília’ da nossa geração.

Nesse guarda-chuva de uma democracia revitalizada devem caber todos os cidadãos em todos os seus ciclos de vida: da criança em idade de creche, ao jovem ávido por experiências e oportunidades, passando pelo idoso merecedor de dignidade e desfrute social.

Dar forma crível a essa travessia é a esfinge de cuja decifração dependem as linhas de passagem para uma verdadeira e duradoura vitória contra o conservadorismo que empurra o Brasil para a lógica oposta.

O vapor político que se acumula na fornalha da incerteza, das privações e do asco aguarda esse sinal crível para se traduzir em ação política vigorosa e renovadora.

Fonte: Carta Maior

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Incêndio na moradia estudantil da UFRJ evidencia precariedade de assistência

Janelas do prédio B depois do incêncio na madrugada do dia 04/08 
G1
Cerca de 250 estudantes estão em alojamentos provisórios e sem perspectiva

por Cristiane Tada.
A moradia estudantil de uma das maiores universidades do país localizada no campus da Ilha do Fundão da Universidade Federal do Rio de Janeiro pegou fogo no meio da madrugada desta quarta-feira (02/8). Cerca de 250 estudantes moram no local. O fogo começou no segundo andar do prédio B que teve 10 quartos totalmente destruídos pelo fogo. Durante os momentos de terror um estudante se jogou da janela no prédio e teve uma fratura exposta. Cerca de 20 estudantes foram consultados e apresentaram algum trauma físico ou psicológico.
“Precisamos primeiro de uma ajuda imediata para essa galera que teve tudo queimado para comprar coisas. Tem também muitos estrangeiros que perderam os documentos no incêndio e a reitoria precisa ajudar com isso. E precisamos de um local com uma estrutura mínima de (alojamento, transporte e comida) até que a obra de reforma do prédio que queimou esteja concluída”, destacou a estudante de Geografia, Babi Cardoso, moradora do 4º andar.
A reitoria colocou a superintendência de Assistência Estudantil para cadastrar os alunos e tentar resolver a ajuda emergencial.
Os estudantes foram encaminhados para a quadra da Escola de Educação Física, mas estão em sua maioria no hall do prédio queimado, uma área que tem espaço de convivência e um refeitório, e também  no bloco A.
Eles estão organizando assembleias diárias nos alojamentos para encaminhar suas reivindicações. Apenas nesta quinta-feira (03/08) os moradores dos andares mais afetados conseguiram entrar para buscar pertences.

OCUPAÇÃO E FALTA DE ASSISTÊNCIA

“Os estudantes estão bem fragilizados e estamos acompanhando para ver o que podemos fazer. Eles já viviam em situação de abandono institucional sem a consolidação de políticas de assistência estudantil suficientes”, destacou Caique Silva, diretor do DCE.
A residência estudantil que pegou fogo é composta por dois prédios e é a única alternativa de moradia oferecida pela instituição para um contingente de 50 mil alunos. Um prédio muito antigo, da época da ditadura militar, nunca foi reformado e que apresenta péssimas condições. Mesmo assim, pela necessidade, os estudantes ocuparam o espaço.
‘Existe a promessa de reforma do prédio há 1 ano já. A reitoria sempre foi contra a nossa ocupação. Já existia uma ocupação há alguns anos que era construída pelos moradores que hoje estão no Bloco A. Depois que o Bloco A foi reformado mais gente chegou na ocupação do Bloco B, até chegar a esse número de mais de 250 estudantes”, completa Babi.
Em nota a reitoria afirmou que o Ministério da Educação entrou em contato com o reitor Roberto Leher durante a tarde, oferecendo apoio. A UFRJ está levantando as principais demandas emergenciais para apresentar ao ministério ainda hoje. Entre elas, a reforma do edifício.

EDUCAÇÃO PÚBLICA NO RJ DE MAL A PIOR

Desde o ano passado o governo Temer tem cortado recursos para investimentos nas universidades federais. Em 2017 a previsão de corte era de 45%.
Em um momento crítico para as universidades públicas brasileiras, principalmente as fluminenses a UFRJ enviou ao corpo docente da instituição um comunicado nesta quarta-feira (03) informando que todas as bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) serão suspensas a partir do próximo mês.
“Avaliamos que há um projeto político em curso, que se concretiza em um ataque e desmonte da Ciência e da universidade pública no Brasil, que acarretará prejuízos inestimáveis para toda a sociedade”, critica o comunicado.
Nesta semana ainda a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) adiou indefinidamente o início das aulas. Apenas 65% do orçamento previsto para a universidade foi liberado em 2016, e a contingência se repete em 2017. Os servidores estão com quatro meses de pagamento atrasados.
Os estudantes realizarão nesta sexta-feira (04/08) um protesto “Devolvam nossas bolsas de pesquisa e a UERJ” no centro do Rio de Janeiro. Confirme aqui sua presença.
 UNE

Luiz Melodia morre no Rio, aos 66 anos

341640-970x600-1
O cantor Luiz Melodia faleceu na madrugada desta sexta-feira, no Rio, por volta das cinco horas da manhã, em decorrência de complicações de um câncer que atacou a medula óssea. No começo de junho, ele havia recedido alta do hospital Quinta D’Or após 3 meses internado. O corpo do artista será velado nesta sexta-feira, na quadra da Estácio de Sá, na região central do Rio.
Filho do funcionário público Oswaldo Melodia e da costureira Eurídice, Luiz Carlos dos Santos foi criado em local de história nobre e IDH cronicamente pobre: o morro de São Carlos, no Estácio, bairro conhecido como berço do samba – onde Ismael Silva fundou a Deixa Falar, pioneira das agremiações carnavalescas cariocas.
Artistas e amigos homenageiam Luiz Melodia na web
Acostumado desde os 8 anos a ser arrastado pelo pai, músico amador, para as rodas boêmias da região, ele cresceu sem se prender exclusivamente à tradição local de samba, seresta e choro. A partir dos gostos paterno e materno, aprendeu a curtir boleros de Anísio Silva, o samba dor-de-cotovelo de Lupicínio Rodrigues e a música nordestina de Gonzagão e Jackson do Pandeiro.
O cantor estava no elenco de
O cantor estava no elenco de “Casa de areia”, filme com Fernanda Montenegro
Mas a janela para o mundo se abriu mesmo com programas como “Hoje é dia de rock”, que Jair de Taumaturgo comandava na Rádio Mayrink Veiga desde o fim dos anos 50. Aos poucos, o menino que sonhava em ser ponta-direita do Vasco foi tragado pelo iê-iê-iê da vizinhança (a rua Haddock Lobo, reduto da Jovem Guarda, começa no Largo do Estácio) e montou conjuntos semiprofissionais para embalar bailinhos nas comunidades da área. Houve Os Instantâneos e Os Filhos do Sol, que tocavam tudo que fosse necessário para animar uma festa, com inglês de puro embromation.
Melodia também freqüentou programas de calouros, com relativo sucesso: na rádio Mauá, ficou em primeiro lugar em um concurso com sua interpretação de “Rosita” (de Francisco Lara e Jovenil Santos), faixa do LP “Roberto Carlos Canta Para a Juventude”, de 1965.
Luiz Melodia no palco do Prêmio da Música Brasileira, em 2016, com Angela Ro Ro
Luiz Melodia no palco do Prêmio da Música Brasileira, em 2016, com Angela Ro Ro Foto: Hermes de Paula
Suas primeiras composições eram ingênuas. Aos poucos, porém, o fã do romantismo bubblegum de cantores como Chris Montez foi incorporando influências mais modernas: do Nat King Cole que ouvia na vitrola do tio passou para o blues de Taj Mahal e, principalmente, o tropicalismo.
Quando conheceu três irmãs que tinham recém se mudado para o São Carlos, veio a ponte com um dos elementos centrais dessa turma, o poeta, compositor e agitador cultural Waly Salomão – que, por sua vez, fazia incursões ao local arrastado pela curiosidade e inquietude de Hélio Oiticica.
Luiz Melodia ao lado do cantor Tim Maia
Luiz Melodia ao lado do cantor Tim Maia Foto: Guilherme Bastos / 16.08.1988
Ele e o jornalista e letrista Torquato Neto o levaram para a órbita da poética moderna de Caetano e Gil, a liberdade inventiva de Jards Macalé… e a casa de Gal Costa, então musa do desbunde. Foi lá que, sob os olhares desconfiados da mãe da cantora, Melodia encantou a todos com uma composição. A música já tinha, então, o dedo de Waly, que havia sugerido a troca do tratamento “my black, meu nego” por “Pérola Negra”, que era o apelido de um travesti da área chamado Adílson.
A verdadeira inspiração, porém, tinha sido uma moça que, depois do relacionamento com Melodia, namorou Waly: a primeira branca dasa conquistas amorosas do garoto que estudou somente até a sexta série ginasial (atual ensino fundamental).
Luiz Melodia e sua mulher e empresária, Jane Reis
Luiz Melodia e sua mulher e empresária, Jane Reis Foto: Arquivo
Melodia desceu o morro para andanças na Ipanema hippie com intelectuais, adotado pela turma da zona sul e pelos baianos, sob o guarda-chuva do empresário Guilherme Araujo. Em janeiro de 1972, trazia um toque de estranhamento à ortodoxia do show “A Fina Flor do Samba”, que também tinha entre suas atrações Candeia. Só meses depois, em abril, no Teatro Opinião, é que lhe foi permitido desfraldar a própria bandeira, em espetáculo batizado “Estácio Blues”. No fim do ano, Maria Bethania gravou sua “Estácio holly Estácio”, e chamou a atenção do Brasil para aquele jovem compositor, talvez o primeiro grande talento a sair do morro já conectado com a onda globalizante do iê-iê-iê e com os processos tropicalistas.
Luiz Melodia tinha só 22 anos, quando lançou, em 1973, seu álbum de estreia, “Pérola negra”, com produção e arranjos do baiano Perinho Albuquerque, que assina como diretor musical. Reputado como um dos melhores discos da MPB de todos os tempos, o trabalho atirava certeiramente em várias direções, do “Forró de janeiro” aos hibridismos com jazz e blues que deram identidade a Melodia ao longo da carreira, brilhante em composições como “Magrelinha”, “Objeto H”, “Abundantemente morte”, “Estácio holly Estácio”, além da faixa-título. A ficha técnica reunia desde o regional do violonista Canhoto e o flautista Altamiro Carrilho, no samba-choro “Estácio, eu e você”, até a guitarra soul/rock de Hyldon, sob arranjo de Artur Verocai, em “Prá aquietar”.
O cantor no início da carreira
O cantor no início da carreira Foto: O Globo / Arquivo
Consolidado a partir de ótimos discos como “Maravilhas contemporâneas” (1976), que trazia outros dois clássicos de sua autoria, “Juventude transviada” e “Congênito”, e “Mico de circo” (1978), que emplacou sua gravação consagrada de “A voz do morro”, de Zé Keti. Nos anos 1980, com discografia menos inspirada, seguiu compondo pérolas como “Só” e se firmou-se como intérprete, a partir de sua gravação de “Negro gato” (Getúlio Côrtes).
Melodia atravessou a década seguinte com shows de sucesso, inclusive na Europa, espraiando-se musicalmente por samba-funk, reggae e samba nos moldes ortodoxos. Tudo sem deixar de brilhar como canário, em regravações populares como “Codinome beija-flor” (de Cazuza, Ezequiel Neves e Reinaldo Arias) e “Broto do jacaré” (Roberto e Erasmo).
A paixão de Melodia: a escola de samba Estácio de Sá
A paixão de Melodia: a escola de samba Estácio de Sá Foto: Fernando Maia / 15.05.1992
Entre projetos de releituras, acústicos e DVDs ao vivo, viveu ótimos momentos no século 21. Mas ficou 13 anos sem lançar projetos autorais, jejum interrompido em 2014, com seu último disco, “Zérima”. O disco rendeu elogios da crítica e lhe valeu o reconhecimento como melhor intérprete no Prêmio da Música Brasileira, em 2015.
Deixa a viúva Jane Reis, sua empresária e cantora, e o filho Mahal, rapper.
Fonte: BRASIL CULTURA

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Manifesto em Defesa do Passe Livre

Manifesto em Defesa do Passe Livre

Durante as férias, na calada da noite, o prefeito de São Paulo, João Dória, anunciou mudanças no Passe Livres Estudantil, direito concedido aos estudantes da rede pública, universitário Prounista, beneficiários do FIES e de baixa renda.

Antes, o estudante poderia fazer até oito embarques durante as 24 horas do dia, gratuitamente. A partir de 1º de Agosto, conforme publicado no Diário Oficial, são duas cotas diárias, com duração de duas horas, sem exceder quatro embarques.O decreto prejudica os estudantes que moram longe das escolas e universidades, aqueles que fazem estágio não remunerado, atividades complementares e o acesso à cidade de um modo geral, que contribui para a formação do jovem.

A UEE -SP  e a UPES repudiam a medida da Prefeitura por alterar um direito já concedido aos estudantes e lança manifesto em defesa do Passe Livre. O documento foi assinado por mais xx entidades.
Confira o texto na íntegra e participe do abaixo assinado: https://goo.gl/NdQy9Y


A cidade de São Paulo representa a diversidade de expectativas e oportunidades de todo o povo brasileiro. A busca infinita por uma vida digna e feliz passa pelos anseios de ser. E para ser também é necessário estar. Estar nos espaços, nas tomadas de decisões, estar na cidade. Ainda mais esta cidade, que carrega em seu berço os sonhos de milhares. Se antes tivemos a vitória de conquistar uma brecha do que é esta cidade, agora estão nos impondo que voltemos a olhar a grande SP pelas janelas.

A juventude tem um histórico legado de lutas em defesa deste acesso. Em defesa do entendimento de educação e transporte como direitos base para qualquer cidadão. A lógica da política de João Dória, que vende parques, corta o leite das crianças, congela a cultura, apaga as cores da cidade e agora exclui a juventude de ocupar os espaços, não cabe nas perspectivas de quem vive São Paulo.

Há cerca de 70 anos, os estudantes dão seu tempo e disposição em prol de uma educação e transporte de qualidade, em defesa do público e de uma nova política. A Revolta dos bondinhos nos anos 50, as jornadas de junho de 2013 e a ocupação da Prefeitura de São Paulo em 2015 nos garantiram o direito ao transporte público com o Passe Livre Estudantil. Este transporte que não é verdadeiramente público passa a ser ainda mais da iniciativa privada.

O que a nova medida do passe livre faz é nos empurrar goela abaixo - na calada da noite - a aceitação de que a cidade de SP, como é hoje, não é feita para nós. O estudante da periferia, das mais diversas quebradas de São Paulo, pode demorar bem mais que duas horas para chegar em sua instituição de ensino. E limitar o tempo das cotas diárias é tirar a possibilidade de utilizar o Passe Livre para o mínimo: estudar.

Queremos uma sociedade plenamente desenvolvida, inovadora e tecnológica. E o estudante tem muito a contribuir neste sentido, a partir dos estágios, iniciação científica, núcleos de pesquisa e atividades extracurriculares. O Passe Livre também deve servir a isto!

A educação deve ultrapassar os muros das escolas e universidades. Não acreditamos num sistema educacional limitado as salas de aulas. Os museus, teatros, bibliotecas e a integração da juventude nas praças e parques oferecem a história e cultura necessárias para a formação do estudante. Queremos acessar a cidade!

Já nos basta a fome, o desemprego e as centenas de manchetes de corrupção daqueles que roubam as perspectivas e oportunidades do povo. A juventude tem muito o que contribuir com a política e a cidade. À nós, o direito a liberdade! Liberdade de expressar, liberdade de ser e de estar. As novas medidas do Passe Livre nos tiram esses direitos.

Os diversos personagens do prefeito escondem seu verdadeiro projeto que, na verdade, faz dos nossos direitos um grande leilão, tornando nossa cidade um balcão de negócios e morada de poucos. Estas fantasias escondem os seus reais interesses e roubam a essência do que é o povo de São Paulo.

Somos contra as novas medidas do Passe Livre Estudantil e reivindicamos sua revogação imediata. Direitos não se tiram do povo. Iniciamos aqui, uma grande luta. A resistência que há de se perdurar, junto aos nossos sonhos. E estaremos nas ruas, assim como no legado de lutas da nossa história. Com muita unidade, respeito à trajetória e convicção em nossos anseios. Porque somos filhas e filhos de uma São Paulo plural e carregamos a esperança desta juventude, protagonista do próprio destino.

Vamos juntos nesta viagem que não tem paradas, nem tarifas, sequer catracas, mas carrega em sua jornada a rebeldia consequente daqueles que acreditam em mundo digno e feliz para todo jovem brasileiro! Apenas começamos.