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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

SOMOS TODOS IGUAIS ???


Todos temos nossos pontos fortes e fracos. Gostos pessoais, crenças, ideias… Somos únicos em características, e isso é o que nos torna mais especiais, mas perante Deus somos iguais. Ele nos ensinou a não ter preconceito...

A maior e mais absoluta verdade, que ninguém nunca vai poder negar é que como seres humanos, somos todos iguais. E o mais legal disso é que ao mesmo tempo somos todos únicos e individuais! Dá pra entender?

Entre os mais declarados temos por exemplo “Ela tá acima do peso…” ou “Ela ainda é solteira“… Os mais discretos, que não são tão declarados, como o preconceito com a cor da pele, ou religião. Uma vez que todo mundo sabe que é politicamente incorreto comentar isso… E o que dirá do preconceito a orientação sexual… Que muita gente ainda acha que é “opção”… Como assim???? 

Será que isso só acontece com as pessoas mais velhas? eu diria que não… Alguns jovens, nessa geração de consumo de informação instantânea, pela velocidade com que as idéias são disseminadas na internet, compram ideais com a velocidade que leem um título de um link, as vezes sem nem mesmo clicar para ler o texto… Um simples “meme”, uma foto… uma frase, uma piada e pronto! Nasceu um preconceito .


Um afro abraço.
Claudia Vitalino.
fonte:https://foiassimquedeusmefez.wordpress.com\youtube -Cristina Mel

A Internet está sendo encurralada pelas corporações, diz especialista

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A entrevista é de Sebastián Lacunza, publicada no jornal argentino Página/12nesta segunda-feira (8).
A prevenção diante de uma regulação falida do comércio digital era seu objeto de interesse na última cúpula ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), que foi realizada em Buenos Aires, entre 10 e 13 de Dezembro. No entanto, Burch, de 68 anos e devidamente credenciada pela OMC, foi expulsa do país pelo governo de Mauricio Macri sob a acusação de que pretendia “gerar esquemas de intimidação e caos”.
Leia a entrevista completa:

Após os progressos escassos ou nulos alcançados pela cúpula da OMC, por qual o motivo você foi impedida de ingressar? Como segue a discussão a respeito do comércio eletrônico?

Na cúpula houve muito pouco progresso em todas as temáticas de discussão e nem sequer foi divulgada alguma declaração. Acredito que é muito importante que a maioria dos países em desenvolvimento tenham tomado uma decisão firme para não abrir negociações (sobre comércio eletrônico), principalmente liderados pela Índia e pela África do Sul, aos quais se somaram todos os países africanos, exceto a Nigéria. Isso não significa que a questão será descartada. Setenta países assinaram uma declaração de que vão continuar trabalhando sobre o assunto, que eles chamam de “comércio eletrônico para o desenvolvimento”, como uma via de negociação paralela.

Eles pretendem regressar à OMC com um acordo avançado. Eles estão tratando de avançar em uma posição para apresentá-la como um fato consumado, porque não é possível chegar a um consenso. Convidam governos a discutir, mas, do pouco que foi acordado internacionalmente sobre o tema da Internet, existe um princípio de que toda a discussão deve ser multissetorial, envolvendo a sociedade civil, e isto não é o que estamos vendo.
Você tentou expor na cúpula da OMC os principais riscos de um modelo de comércio eletrônico sob o padrão dos países centrais. Quais seriam as principais ameaças a este modelo?

Basicamente, o comércio eletrônico existe, não precisa ser discutido na OMC para funcionar. Existem outras instâncias multilaterais que já trataram desse assunto. A assinatura eletrônica foi discutida e há acordos. As grandes corporações, como Google, Microsoft, Facebook e Amazon, querem ter acesso a todos os dados, algo que possui um enorme valor no mundo, e não aceitam nenhuma exigência. Para os países em desenvolvimento, sempre foi essencial que todo o investimento tecnológico inclua as transferências para desenvolver a própria capacidade. Isso seria excluído. Rejeitam qualquer obrigação de armazenamento local de dados ou a abertura do código-fonte de programas e algoritmos. Por um lado, eles querem a transferência livre de dados e, ao mesmo tempo, negam-se à transferência de tecnologia e à prestação de contas. Se uma pessoa não sabe como funciona um algoritmo, não pode explicar seus resultados.

Outro aspecto é que as empresas globais finalmente não têm a presença física nos países em que operam.

A falta de presença física das empresas têm um impacto sobre as questões de impostos, os postos de trabalho e também no fato de que os consumidores não têm para onde recorrer caso seus direitos não sejam respeitados; eles devem reclamar em outra jurisdição. Há outras vozes que estiveram presentes na cúpula de Buenos Aires e puderam expressar isso. O que precisamos nos países em desenvolvimento é soberania tecnológica. Frente a isso, é requerida a regulação e a proteção das Pequenas e Médias Empresas e da indústria nacional. Com o que eles querem assinar na OMC, todas essas possibilidades estariam sendo renunciadas. Para a maioria dos países está muito claro.

Você acredita que os governos latino-americanos estão conscientes dos prejuízos?

A Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru), a Argentina, o Brasil e o Uruguai estão no grupo que assinou a declaração dos 70 países; outros não o fizeram, como a Venezuela e a Bolívia.

Por que os países europeus desenvolvidos, mas com economias medianas se dobram para as estratégias das potências centrais?

Estamos em uma transição da produção, do comércio de bens e serviços físicos para os serviços digitais. Isso se presta a uma maior concentração e monopolização, o que significa que precisamos de mais, e não de menos regulação. As maiores transnacionais são dos EUA, ainda que a China esteja começando a competir com força, pois tem uma política de ser a número um em inteligência artificial para o ano de 2030. É um objetivo declarado. Como Donald Trump está em uma política unilateralista, pensando que no mundo ganha aquele que é mais forte, os EUA reduziram o ritmo e agora pressionam mais a Europa, o Japão, a Austrália e a Nova Zelândia. Em minha opinião, entrando em uma era de inteligência artificial, nem sei até onde lhes convém ir.

Uma nova agenda significaria deixar de lado a agenda de desenvolvimento de Doha, que há mais de quinze anos vem tentando ser negociada. Enquanto a questão da agricultura, da pesca e outros problemas não forem resolvidos, não vamos aprimorar o comércio eletrônico. É uma ilusão acreditar que uma pequena empresa competirá com os gigantes cujos países são imunes às leis.
A tecnologia costuma estar amarrada a um segredismo inovador que apenas os especialistas conseguem lidar. Poderia ocorrer que o halo “misterioso e inexorável” da tecnologia fosse imune a acordos transnacionais ou leis nacionais que busquem democratizar a tecnologia?

É um grande fator, pois o campo de ação das corporações é transfronteiriço. A União Europeia tem certa força e tomou algumas medidas contra o Google, mas uma sentença de um tribunal demora de 5 a 6 anos. Se a Europa não pode controlá-lo, o que podemos fazer? Até que ponto um país pequeno pode aplicar uma lei anti-monopólio ao Google ou ao Facebook? Por isso são necessários regulamentos mundiais que possam se sustentar. É complexo, mas tem que começar com a vontade dos países. A Unasul poderia ter feito muito, mas na atual configuração do bloco, não há capacidade alguma. A Argentina diz, por exemplo, que vai se retirar da Unasul.

Se falamos de Google, devemos nos referir a sua colaboração estreita com os serviços de inteligência dos países centrais, e especial a NSA e a CIA.

Nos Estados Unidos, as infiltrações do WikiLeaks e de Edward Snowden demonstram que o Google era quase parte do governo (Barack Obama). Havia uma colaboração bastante estreita. Quando Trump assumiu, havia sintomas de um certo distanciamento, mas há interesses comuns que permaneceram. Não durou muito tempo. Todos os países devem ter a capacidade de monitorar dados, muito poucos aplicam os direitos de privacidade seriamente. Quando falamos de privacidade nos referimos ao que dizemos, onde estamos, o que comemos, o que compramos. Somos uma sociedade de vigilância, algo muito grave para a democracia. O Google leva todos os dados e explora como quiser, e recebemos em troca apenas um único serviço de busca livre. A outra opção é o que alguns países estão fazendo, ao dizer que os dados devem ser armazenados dentro de suas próprias fronteiras.

Isto traz alguns riscos frente aos comportamentos autoritários de governos nacionais.

Também há suas complicações. Se o Brasil pudesse ter feito isso, que confiança teriam os brasileiros no governo de Michel Temer para lidar com esses dados pessoais? Necessitamos de um grande debate. O relator para a liberdade de expressão das Nações Unidas está preparando um modelo de legislação que poderia ser aplicado tanto nacional quanto internacionalmente. Se todos tentarem fazer o que seus interesses mandarem, em um mundo sem fronteiras, vai ser muito difícil. Por isso é necessária uma legislação homogênea. O grande confronto é entre uma proposta de Internet cidadã, que está sendo encurralada por uma proposta corporativa e monopolista. É uma disputa bastante desigual que não pode ser abandonada.

Que direitos garantiria a “Internet cidadã”?

Quando a Internet surgiu, há 30 anos, cresceu com muitas iniciativas cidadãs, acadêmicas, de organizações sociais; grupos bastante descentralizados. Um desenvolvimento horizontal, não tão massivo como agora, é claro. Ainda seguem havendo inovações. Em várias cidades, um grupo de pessoas criou uma interface na Internet para que, aqueles que estivessem em seu carro, compartilhassem a carona. Isto teve um impacto ecológico relacionado com outras políticas, como em São Francisco, onde quem viaja sozinho paga mais pedágio. Chega uma grande empresa, ocupa esse espaço e se traduz em uma das mais cotadas na Bolsa. Emprega condutores sem considerá-los trabalhadores autônomos, e sem dar segurança social. Parte-se de uma iniciativa de cidadania e chega-se a uma transnacional. Tudo o que for uma iniciativa cidadã bem sucedida, é retirada do mapa ou tragada. Isto foi o que a Microsoft fez, basicamente, pois não criou nada.

Que visão você tem das denúncias sobre as pós-verdades ou falsidades que levam países ocidentais a ameaçar a controlar conteúdo da Internet e a exclusão de certos emissores? Na Europa existe todo um problema com os meios de comunicação do Kremlin.

É muito problemático que com a Internet e as redes sociais, a mentira se espalhe tão rapidamente, o que se torna uma verdade entre aspas. É preciso fazer algo que não seja dar poder de censura ao Google ou ao Facebook sem nenhuma transparência, sob nenhum critério ou controle cidadão.

Temos de encontrar outra solução para isso. Em segundo lugar, é muito preocupante que uma empresa como a Google reivindique o poder de decidir o que encontramos na Internet e o que não. Vários meios de comunicação alternativos estão denunciando que o Google mudou seus algoritmos. Há uma dúzia de meios alternativos norte-americanos que já não aparecem mais no Google ou aparecem na página vinte da pesquisa. “Estamos dando prioridade aos meios de comunicação sérios”, diz o Google. Existem meios comerciais massivos que não têm sido muito sérios e éticos no tratamento da informação. Por outro lado, meios de comunicação que foram mais sérios e éticos, mas dissidentes em suas opiniões, não são considerados confiáveis. Quanto aos meios de comunicação russos, é uma questão geopolítica. Existem plataformas, motores de busca e redes sociais alternativas. O problema é o poder da escala. O poder que a cidadania tem é dizer “vou pra outro lugar”, e isso é importante para a própria democracia.
É possível encontrar casos viáveis de buscadores alternativos?

Há motores de busca mais seguros do que o Google, como por exemplo o DuckDuckGo. Eu o utilizo e, geralmente, funciona bem para mim. O problema com as redes é que a lógica de uso fortalece os grandes, porque uma pessoa vai onde seus amigos, familiares e clientes estão. Se todo mundo está no Facebook, mesmo que existam outros mais éticos, você não conseguirá competir. Se como usuários começamos a fazer exigências enormes de que tais coisas não são aceitáveis, eles terão de mudar, como já foi feito pelo Facebook.

Por exemplo?

Antes, suas opções de privacidade partiam do que era mais aberto. Houve tanto problema com isso que uma pré-definição garante a privacidade.

Até pouco tempo atrás, apesar de suas grandes diferenças, os governos latino-americanos tentaram implementar políticas de comunicação anti-concentração e de promoção de vozes alternativas, ou ao menos tentaram modificar o cenário, afetando atores consolidados para substituí-los por outros. Não restou muita coisa. O que deu errado?

A América Latina realizou avanços muito importantes para a democratização da comunicação. Tímidos, mas significativos. Por fim, foi reconhecido que a comunicação popular comunitária é um setor válido, com igualdade de direitos. Na Europa, a comunicação pública tem muito mais força, enquanto que na América Latina, a comunicação privada é a mais forte. Argentina, Uruguai, Venezuela, Bolívia e Equador reconheceram o direito à comunicação comunitária, o que foi um exemplo não só para a região, mas para o mundo. Com os governos mais orientados para a direita, que estão surgindo em alguns países da América Latina, a primeira coisa a ser atacada foi a comunicação. É muito significativo no caso da Argentina, que um dos primeiros decretos de Mauricio Macri, em dezembro de 2015, foi para anular a lei da Comunicação Audiovisual. A direita está bem esclarecida da importância da comunicação e seu controle; os setores de esquerda e progressistas, nem tanto. No Brasil e na Argentina, começaram fazendo alianças com os grandes conglomerados. Lula com a Globo; (Néstor) Kirchner, com o Clarín; (Hugo) Chávez, com o Cisneros. No entanto, foi na casa de Cisneros onde o golpe de 2002 foi armado. (Rafael) Correa, no entanto, foi bastante direto com a imprensa desde que chegou à presidência, mas até o último dia de seu mandato não chegou a efetivar uma comunicação comunitária. O Equador reconhece 34% de frequências para os meios comunitários; um concurso foi aberto, em 2016, e depois foi congelado. Há uma falta de compreensão do assunto por parte dos setores progressistas. Controlar a comunicação e democratizar a comunicação são duas coisas diferentes. O Equador criou meios de comunicação públicos bastante relacionados ao governo, mas isto não deu resultados. A Venezuela tem avançado bastante na criação e apoio aos meios comunitários, assim como a Bolívia. A Argentina estava fazendo um bom progresso até que chegou o governo de Macri.

Por sua vez, os governos conservadores criticam a bancada armamentista de seus antecessores, mas terminam reconstruindo e tecendo alianças sob outras formas, mas muito mais poderosas.

Tem a ver com essa visão de que precisamos controlar a comunicação, ter amigos, mais do que entender que é preciso democratizar e dar voz aos cidadãos. Há um problema que é mundial.

Estamos vivendo uma crise de sobrevivência da imprensa escrita. É a que sempre conduziu a agenda, as opiniões, bem acima da televisão e da rádio. É uma crise muito grave para a própria democracia, que vem de antes da Internet e tem a ver com o modelo de funcionamento da imprensa. Já não é preciso mais dos meios tradicionais para atingir um público massivo, porque a Internet atinge de um modo mais direto e seletivo. 70% da publicidade na Internet é controlada pelo Google e Facebook, fazendo a publicidade de mídia cair a cada ano. E diante desta mudança, os meios alternativos sofrem mais. Numa sociedade democrática, devemos buscar fontes de informação com uma certa capacidade de independência frente a suas fontes de financiamento. Qual modelo será, é preciso discuti-lo. Existem propostas. Nos Estados Unidos, cada cidadão tem uma redução de impostos que pode atribuir à mídia que preferir sempre que esta não seja comercial. Há meios de comunicação nos EUA que conseguem sobreviver, mas na América Latina é mais difícil. É preciso encontrar o tipo de financiamento público cujo destino não é definido pelo atual governo, mas pela cidadania.
Uma questão de longa data, que resulta em intermináveis debates. O quanto a opinião pública é influenciada pelos sistemas oligopolistas de mídia?

O que os meios dizem influencia fortemente? Sim. Mas chega um momento em que as pessoas já não acreditam mais na imprensa, e inclusive pode se formar um cenário contraproducente. Toda a imprensa é contra um candidato e as pessoas dizem, “justamente por isso que vou votar nesse candidato”. A comunicação não é um tubo pelo qual a mensagem entra de um lado e depois é inserida nas cabeças das pessoas. É um processo muito mais complexo que tem a ver com a elaboração da informação, da cultura e das influências. É verdade que houveram casos em que a ofensiva midiática foi muito contundente. O que me preocupa mais do que isso é a forma como estão funcionando as redes sociais que estão influenciando um novo formato de consciência cidadã. As redes tendem a apelar para as emoções mais do que aos sentimentos. Os algoritmos do Facebook fazem que você receba um tipo de mensagem frente aos quais você já teve alguma reação. A mensagem de ódio alcança aqueles que leem a essas mensagens e isso as exacerba. E o Facebook faz isso porque tem mais rendimento com os anúncios. Um modelo econômico que se impõe sobre a importância do que é cidadania.

Passou um mês desde que foi expulsa do país, um acontecimento inédito em sua vida. Gostaria de deixar alguma mensagem para o governo de Mauricio Macri?

Que é inaceitável que qualquer governo julgue quem pode participar de uma conferência, determinando a permanência em seu país, fundamentando-se apenas sobre gostar ou não de suas opiniões. É inaceitável, gravíssimo para o sistema multilateral. Gostaria de agradecer às pessoas e instituições que manifestaram a sua solidariedade, lamentando pelo ocorrido.

A Internet cidadã

A londrina Sally Burch ganhou o direito de ser latino-americana, e não apenas porque reside no Equador desde 1983. Enquanto estudava jornalismo no Canadá, co-fundou em 1977 a Agência Latino-Americana de Informação (Alai), a fim de difundir as atrocidades cometidas até então pelas ditaduras da região. Antes, em 1972, havia obtido uma licenciatura em Letras na Universidade de Warwick, na Inglaterra.

O currículo de Burch fala por si só. Entre 1993 e 1995, coordenou o Programa Mundial de Apoio às Redes de Mulheres no âmbito da Conferência Mundial da Mulher, em Pequim. Mais tarde, entre 2002 e 2003, dirigiu o “Grupo de Trabalho sobre Conteúdos e Temas” da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, realizada em Genebra.
Desde então, tornou-se uma referência essencial para internet cidadã. Apesar do peso de seus inimigos, sua voz está presente nas discussões globais e institucionais sobre a democratização da web.
O conteúdo da Alai, da qual é diretora-executiva, está na vanguarda dos debates sociais, políticos e comunicacionais do continente. Quito, a cidade onde vive, forjou nela um castelhano com levada andina e uma personalidade equilibrada, que não a fez acelerar a sua voz enquanto estava em um limbo judicial em Ezeiza, ameaçada pela deportação, que ocorreu às 19h30m do dia 8 de Dezembro.
Ela sabe como separar as coisas, de modo que Buenos Aires continua sendo uma de suas cidades favoritas.
Fonte: Página 12
Tradução: IHU

Quilombos urbanos, focos de resistência no Rio de Janeiro

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Por Luisa Lucciola
Em pleno século 21, os quilombos de Sacopã, Pedra do Sal e Camorim resistem – ao apagamento da memória, ao desaparecimento cultural ou à especulação imobiliária – e sobrevivem. Entre mansões e prédios luxuosos na Lagoa Rodrigo de Freitas (na zona sul), o terceiro metro quadrado mais caro da cidade, repousa um enorme terreno de mata atlântica.
O quilombo Sacopã foi criado no fim do século 19 por escravos fugidos de Macaé, que receberam o terreno da proprietária para quem trabalhavam.
A família cresceu no mesmo ritmo da cidade, que se urbanizou nessa direção. A atenção de construtoras e imobiliárias tornou a Lagoa uma região nobre. “Se ainda estamos aqui é porque fui muito teimoso. Já tentaram de tudo para tomar essa terra, mas ela é nossa por direito”, afirma Luiz Sacopã, de 74 anos, o mais velho descendente dos fundadores.
Ele não consegue contar por quantas tentativas de tomada da área de 18 mil metros quadrados passou.
Do vizinho que tentou plantar maconha no terreno para incriminá-los aos três dias que passaram vigiados no local por um policial militar, o que mais abalou a família foi a proibição, pela Justiça estadual, de realizarem eventos culturais, sob alegação de que faziam barulho de madrugada.
“Foi um golpe muito duro, pois vivíamos desses eventos, feijoadas, aulas de capoeira. A gente era muito cuidadoso, tudo terminava às 20h, 21h”, afirma José Cláudio Torres Freitas, sobrinho de Luiz, durante um evento do Dia da Consciência Negra. “É o único dia que a gente pode fazer alguma coisa. Não teriam coragem de interromper, né?”, ironiza.
A resistência do Sacopã e de outros quilombos nacionais ganhou força em 2003, com o Decreto nº 4887, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, regulamentando a demarcação e a titulação das terras dos descendentes de quilombolas.
O processo, contudo, é burocrático e ocorre em duas etapas – primeiro, pela Fundação Cultural Palmares, e, depois, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Atualmente, esses três quilombos do Rio já foram reconhecidos, mas aguardam a titulação pelo Incra.
Engolidos pela cidade

O quilombo da Pedra do Sal, na Saúde (centro), perto do porto, reunia muitos dos escravos que não eram vendidos quando chegavam da África. Lá também nasceu um dos primeiros terreiros de candomblé do Rio.

“A região não era o que é hoje, era muito isolada. Mas foi invadida, engolida pela cidade”, conta Damião Braga, líder quilombola local. Ocorreram muitas disputas, como com a Igreja Católica, que ganhou na Justiça a propriedade de várias casas da área.
Hoje, há 25 famílias descendentes da comunidade quilombola da Pedra do Sal, mas poucas vivem lá. Mesmo com a certificação da Fundação Palmares e o reconhecimento do vizinho Cais do Valongo como patrimônio da humanidade pela Unesco, os remanescentes têm dificuldade de retornar ao território que é seu por direito.
“Hoje temos um apoio internacional, mas restam conflitos. Imóveis vazios foram ocupados, e não é simples tomar de volta”, explica.
História e racismo

Adilson Almeida conta, orgulhoso, a história dos seus antepassados – escravos fugidos que, no século 16, fundaram, em um dos primeiros engenhos do Rio, o quilombo Camorim, em Jacarepaguá (zona oeste). Com a abolição da escravidão, em 1888, o grupo voltou a ocupar a área da Casa Grande, agora abandonada.

Embora o Camorim fique afastado dos bairros mais concorridos, ele também tem sua própria história, mais recente, de disputa e resistência imobiliária.
Em 2014, quando ainda não possuíam a certificação das terras pela Fundação Palmares, as 20 famílias que se declaram quilombolas acordaram um dia com grande parte de sua floresta destruída: ali seria construído o condomínio para hospedar os árbitros dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Apesar de denunciarem, Almeida e a Associação Cultural do Camorim (Acuca) nunca conseguiram recuperar o terreno.
Enquanto aguarda a tramitação do processo no Incra, Almeida se mantém esperançoso.
Em 2016, uma pesquisa arqueológica na região encontrou mais de 7 mil fragmentos de artefatos dos séculos 16 e 17, e a área passou a ser definida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como sítio arqueológico. “Com isso, temos uma sólida base jurídica, é difícil que aconteça de novo algo como a invasão de 2014”, explica.
Além da luta por reconhecimento, quase 130 anos após a abolição da escravidão, os quilombolas ainda precisam combater especulação imobiliária, violência e o fator mais cruel: o racismo. “Percebemos como as pessoas olham o negro na Zona Sul. Tem uns que acham que são melhores que os outros, fazer o quê?”, indaga Luiz.
Fonte: Carta Capital

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

ECONOMIA: Como o Brasil caiu à Série B da economia global e nunca mais voltou

 
  Breve história de como o País, campeão mundial de crescimento na metade do século XX, se rebaixou.


O debate brasileiro sobre o desenvolvimento está amesquinhado nos escaninhos das políticas econômicas de curto prazo.

Sofrem prejuízo as investigações que tomam como guia a “dinâmica das estruturas”, ou seja, as transformações financeiras, tecnológicas, patrimoniais e espaciais determinadas pela interação entre os movimentos da economia internacional e as estratégias nacionais de “inserção” das regiões periféricas.

Um olhar para o passado pode estimular a compreensão do presente e, talvez, a imaginação dos futuros.

O passado futuro

No Brasil dos anos 30 do século passado, o governo de Getúlio Vargas reagiu à derrocada dos preços do café, causada pela Grande Depressão, com políticas de defesa da economia nacional: a compra dos estoques excedentes e a moratória para as dívidas dos cafeicultores, entre outras. Essas medidas e a desorganização do mercado mundial, provocada pela Depressão e depois pela Guerra, ensejaram um forte impulso à industrialização do País.

O segundo conflito mundial ampliou as oportunidades de crescimento da indústria de bens de consumo não duráveis (têxteis, calçados, alimentos e bebidas) e de alguns insumos processados, como óleos e graxas vegetais e ferro-gusa.

Esses setores cresceram rapidamente não só para suprir a demanda doméstica, mas também para atender às exportações. Ainda durante a Guerra, o presidente Vargas negociou com os norte-americanos a construção da Siderúrgica de Volta Redonda. Esse empreendimento, crucial para as etapas subsequentes da industrialização, entrou em operação em 1946.

Nos países periféricos, predominantemente exportadores de produtos primários, acentuaram-se os movimentos em prol do desenvolvimento da indústria.

A industrialização era vista como a única resposta adequada aos inconvenientes da dependência da demanda externa. A renda nacional dependia da exportação de produtos sujeitos à tendência secular de queda de preços e flutuações cíclicas da demanda.

A economia brasileira havia mudado e evoluído entre 1930 e 1945. A velha economia primário-exportadora deixou uma herança de deficiências na infraestrutura (energia elétrica, petróleo, transportes, comunicações), nas desigualdades regionais e na péssima distribuição de renda.

Eleito em 1950, Vargas lançou no ano seguinte o Plano de Eletrificação, criou o BNDE em 1952 e a Petrobras em 1953.

O avanço da industrialização só poderia ocorrer com a modernização dos setores existentes e a constituição dos departamentos industriais que produzem equipamentos, componentes, insumos pesados e bens duráveis.

Vargas cometeu suicídio em agosto de 1954. As eleições de 1955 transcorreram num ambiente turbulento. As forças que o levaram ao suicídio no ano anterior tentaram impedir a posse de Juscelino Kubitschek, eleito em 1955. O golpe foi frustrado pela reação pronta do general Henrique Duffles Teixeira Lott.

JK tomou posse em 1956 e seu mandato foi ameaçado por novas tentativas de golpes militares. Prometeu avançar 50 anos em 5. Pode-se dizer que cumpriu a promessa. Governou sob a orientação do Plano de Metas elaborado a partir de dois estudos: o da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos e o da Comissão Mista Cepal-BNDE – Esboço de um Programa de Desenvolvimento para a Economia Brasileira.

O Plano de Metas contemplava cinco prioridades: energia, transportes, alimentação, indústrias de base e educação. O projeto de democratização da educação estava apoiado nos trabalhos do pioneiro Anísio Teixeira.

O governo acelerou os gastos na infraestrutura. A construção de Brasília e a abertura de estradas, como a Belém-Brasília, integravam o projeto de interiorização do desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, foram constituídos os grupos executivos, coordenados pelo conselho nacional de desenvolvimento, formados por empresários do setor privado e técnicos do BNDE, com o propósito de coordenar os programas de investimento e a divisão do trabalho entre o capital estrangeiro e o nacional nas diversas áreas.

Essa era a tarefa do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia), do Grupo Executivo da Construção Naval (Geicon), do Grupo Executivo de Integração da Política de Transportes (Geipot) e do Grupo Executivo da Indústria Mecânica Pesada (Geimap). Em 1958, foi criada a Sudene, com o propósito de promover o desenvolvimento do Nordeste.

O Plano de Metas articulou, portanto, as ações do governo, do setor privado nacional e do capital produtivo internacional, que experimentava uma forte expansão. A grande empresa norte-americana movimentava-se dos Estados Unidos para a Europa em reconstrução.

As empresas europeias, em maior número, e as norte-americanas transladavam suas filiais dessas regiões para os países em desenvolvimento dotados de estruturas produtivas mais avançadas e que apresentavam taxas de crescimento mais elevadas. O Brasil, entre 1956 e 1960, cresceu, em média, 7% ao ano e tornou-se a economia mais internacionalizada do então chamado Terceiro Mundo.

Muito ao contrário do que pregam os caipiras-cosmopolitas, aquela malta que circula pelo mundo sem entender nada do que acontece, o projeto juscelinista integrou a economia brasileira ao vigoroso movimento de internacionalização do capitalismo do pós-Guerra.

Ao longo do período 1930-1980, o Estado brasileiro constituiu formas superiores de organização capitalista, consubstanciadas em um sistema financeiro público e na coordenação entre empresas estatais, privadas nacionais e estrangeiras.

O setor produtivo estatal, em um país periférico e de industrialização tardia, funcionava como um provedor de externalidades positivas para o setor privado: (1) O investimento público era o componente “autônomo” da demanda efetiva (sobretudo nas áreas de energia e transportes) e corria à frente da demanda corrente; (2) as empresas do governo ofereciam insumos generalizados (energia, aço, não ferrosos) em condições e preços adequados; e (3) começavam a se constituir, ainda de forma incipiente, em centros de inovação tecnológica.

O futuro passado

No início dos anos 1990, os países vitimados pela crise da dívida externa da década anterior foram submetidos aos aconselhamentos do Consenso de Washington.

As palavras de ordem do “novo consenso” eram abertura comercial, liberalização das contas de capital, desregulamentação e “descompressão” dos sistemas financeiros domésticos, com a liberalização das taxas de juro, reforma do Estado, incluída a privatização de empresas públicas e da seguridade social, abandono das políticas “intervencionistas” de fomento às exportações, à indústria e à agricultura.

As políticas industriais e de fomento coordenadas pelo Estado foram lançadas no rol dos pecados sem remissão.

Não é surpreendente que as interpretações liberais invertam as relações de determinação entre a derrocada fiscal dos anos 1980 e a crise do balanço de pagamentos. Foi o colapso do endividamento externo “neoliberal” dos anos 70 que desatou a desordem fiscal e monetária dos anos 80, a década perdida.

O financiamento em moeda estrangeira dos projetos listados no II PND engendrou a fragilização financeira das empresas públicas e privadas. Constrangidas pelas ilusões do dinheiro estrangeiro fácil e barato, as empresas estatais enfiaram-se no descasamento de moedas.

Mais do que as privadas, foram abalroadas pelo choque de juros desatado em Washington em 1979. O início dos anos 80 foi marcado por uma abrangente socialização dos prejuízos mediante a estatização das dívidas, as maxidesvalorizações cambiais, a aceleração da inflação acompanhada do “aperfeiçoamento” da indexação financeira, matriz da deformação da riqueza privada, concentrada na dívida pública e protegida pelas taxas de juro pós-fixadas.

A desorganização financeira e fiscal que se seguiu à crise da dívida externa forneceu combustível para alastrar as chamas da purificação mercadista. Ainda hoje, os economistas do consenso liberal-conservador apontam o “estatismo” do II PND como responsável pela crise da dívida externa. Calam-se e tratam de esconder os erros crassos cometidos em nome da abertura financeira e de seus “mercados eficientes”.

O opus magnum das concepções que se lambuzam na crítica do desenvolvimentismo foi o “desmanche” da estrutura produtiva criada ao longo das cinco décadas inauguradas nos anos 30 do século XX. Depois de liderar, até meados dos anos 70, a “perseguição” industrial entre os países ditos periféricos, com forte atração de investimento direto na manufatura, o Brasil caiu para a Série B do torneio global das economias “emergentes”.

A vitória do Plano Real sobre a hiperinflação não impediu que a execução do plano cobrasse uma conta salgada. Insufladas pelo primitivismo das “aberturas” comercial e financeira dos anos 90, a taxa Selic real média de 24% ao ano e a valorização cambial ministraram extrema-unção à indústria brasileira. A infeliz agoniza.
O Brasil dos Meirelles & Cia. engana a torcida com as reformas da Ponte para o Passado e com a “abertura da economia”, apontadas como critérios de classificação do País para disputar a Série A do torneio global.

Os “aberturistas da velha matriz” expulsam o investimento nacional e estrangeiro da manufatura e lançam os Canarinhos na Segunda Divisão. Conseguem duas proezas: o ajuste que desajusta e a integração que desintegra.

O futuro do presente

Em seu livro sobre o desenvolvimento recente dos países asiáticos, o professor da Escola Americana de Paris Philip S. Golub avalia as diferenças entre os países “emergentes” na era da globalização.

“Graças a um Estado desenvolvimentista forte, a China realiza seu projeto mais do que centenário de modernização. Diferentemente dos países mais vulneráveis que aprisionaram os poderes públicos na função de agentes do ajustamento da economia nacional às exigências da economia mundial, o Estado chinês soube garantir sua autonomia – entre altos e baixos, administrando as consequências sociais e ambientais do crescimento.”

A desdita dos fracassados foi agravada pela escalada chinesa e seu projeto nacional de integração à economia global.

A integração chinesa à economia mundial em transformação, o sinoaberturismo, desrespeitou os cânones das novas e ridículas teorias macroeconômicas ensinadas nas universidades norte-americanas e transportadas para o Brasil pelos vira-latas que hoje infestam os mercados financeiros e a academia.

Apoiados no investimento direto estrangeiro, em suas empresas estatais, em seus bancos idem e no câmbio administrado (argh!), os chineses sustentam taxas elevadas de investimento. Em três décadas, alcançaram o almejado adensamento das cadeias produtivas, também articuladas no espaço interasiático. O feito resultou na redistribuição do valor agregado manufatureiro global para o colo do Império do Meio e de seus vizinhos.

A experiência chinesa combina o máximo de competição (a utilização do mercado como instrumento de desenvolvimento) e o máximo de controle. Entenderam perfeitamente que as políticas liberais recomendadas pelo Consenso de Washington não deveriam ser “copiadas” pelos países emergentes.

Assim, no mesmo compasso em que abriam a economia para o investimento estrangeiro, os chineses dedicaram-se a manter sob controle o sistema de crédito, modernizaram e fortaleceram as empresas estatais e sustentaram a política de subvalorizarão do câmbio. Os bancos públicos foram incumbidos de dirigir e facilitar o investimento produtivo e em infraestrutura.

Jogo feito.

*Luiz Gonzaga Belluzzo é economista e professor, consultor editorial de CartaCapital. 


 Fonte: Carta Capital

Mangueira terá verso contra onda de conservadorismo

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Escola de Samba MANGUEIRA
Samba enredo da escola Mangueira terá crítica direta a politica nacional e a decisão de Marcelo Crivella (PRP – RJ) em cortar pela metade a subvenção direcionada às escolas de samba para o carnaval do Rio de Janeiro, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira terá um samba enredo irônico no ano de 2018.
A decisão de troca do trecho do samba recém-eleito foi tomada e, levanta o questionamento direto as atitudes recentes do governante em relação à festa. Confira como ficou:

Eu sou Mangueira meu senhor, não me leve a mal Pecado é não brincar o Carnaval!

Eu sou Mangueira meu senhor, sou Universal
Pecado é não brincar o Carnaval!

Segundo Crivella, este corte orçamentário está vinculado com o aumento de verba para as creches da cidade, mas sabemos que pontos principais de gasto de verba pública serão intocados. Para o prefeito, que é bispo licenciado da Igreja Universal, o conservadorismo é algo latente já que também já noticiou a decisão de que a prefeitura não apoiará a parada LGBT da cidade, sendo que esta é a segunda maior do país.
Este corte orçamentário na maior festa do país, juntamente com o da parada LGBT, a censura da exposição Queermuseu, faz parte dos ataques ideológicos que não só Crivella, mas também Michel Temer, no âmbito federal – com o projeto de projeto de escola sem partido e a cura gay – vem fazendo a classe trabalhadora. Como séculos atrás, as ideologias religiosas perpassam as decisões políticas para impedir a livre expressão da maioria.
Confira a íntegra samba enredo da escola Mangueira
O ano era de 1943. Enfrentando um regime ditatorial, o Brasil acabará de declarar guerra aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). O ingresso na guerra modificaria o hábito dos autores das marchinhas de carnaval. Sem poder manejar a sátira política que continuava na mais absoluta clandestinidade, os compositores populares focaram suas composições nos motivos líricos e aos temas folclóricos.
De acordo com a imprensa da época, o carnaval de 1944 estava ameaçado devido à tristeza e, sobretudo à crise financeira que o país passava. Começou aí uma campanha para que os compositores fizessem músicas e não deixassem passar em branco a maior festa popular do Brasil. Deste pedido, nasceu a marchinha “Eu brinco”, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz.
A marcha teve gravação de Francisco Alves e resultou num grande sucesso para o carnaval daquele ano. A letra não deixa dúvida sobre o sentimento na época.
Pedro Caetano e Claudionor Cruz – ‘Eu brinco’ -1943
Com pandeiro ou sem pandeiro,
Ê, ê, ê, ê, eu brinco,
Com dinheiro ou sem dinheiro,
Ê, ê, ê, ê, eu brinco.
(bis)
No céu a lua caminha,
Tão triste, sozinha,
Pra não ser triste também,
Com pandeiro ou sem pandeiro, meu amor eu brinco.
Tudo se acaba na vida,
Morena querida,
Si o meu dinheiro acabar,
Com dinheiro ou sem dinheiro, meu amor eu brinco

Confira os enredos das Escolas de Samba do Grupo Especial para o carnaval 2018

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O Carnaval se aproxima, e as escolas já estão a todo vapor com seus preparativos e batuques.
Com a apresentação do enredo da Beija-Flor de Nilópolis, todas as agremiações do Grupo Especial do Rio de Janeiro enfim estão com seus enredos definidos para o Carnaval de 2018, e as quadras estão em ritmo de escolha do samba-enredo.
Confira, por ordem de apresentação, todos os enredos das 13 escolas da elite do carnaval:
Império do Samba
O Império Serrano, que esse ano retorna ao Grupo Especial e vai fazer de tudo para se manter na elite do carnaval, vai levar para a Sapucaí a cultura milenar chinesa. Com “O Império do Samba, na rota da China”, do carnavalesco Fábio Ricardo, a verde e branca da Serrinha fará uma viagem extraordinária pela cultura, tradições e mistérios da rota da seda.
SÃO CLEMENTE

Apostando todas as suas fichas no talentoso carnavalesco Jorge Silveira, a São Clemente vai levar para Avenida a história dos 200 anos da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, a EBA, a mais importante escola de arte da América Latina, e sua importância na revolução estética que transformou as escolas de samba no maior espetáculo da Terra. Com o enredo: “Academicamente Popular” o estreante no Grupo Especial quer unir o clássico e o popular para contar a trajetória da instituição por onde passaram lendas do carnaval, como Fernando Pamplona, Rosa Magalhães, Maria Augusta e outros mais.
VILA ISABEL
Com a reformulação da diretoria e a chegada dos carnavalescos Paulo Barros e Paulo Menezes, a Vila Isabel mostra que não está vindo para brincadeiras no Carnaval de 2018. Juntos, os carnavalescos farão uma reflexão quanto ao futuro, com o enredo “Corra que o futuro vem aí”. A Escola de Noel quer traçar uma trajetória de descobertas e invenções que trouxeram a humanidade até aqui: luz, roda, escrita, telefone, computador, fotografia, rádio, televisão, cinema, entre outras. E, ao final, questiona: “como será o amanhã?” e a necessidade de uma vida sustentável e em harmonia com a natureza.
PARAÍSO DO TUIUTI

Uma das primeiras escolas a definir o enredo e a primeira escola com samba-enredo já escolhido, o Paraíso do Tuiuti talvez seja a agremiação mais adiantada do Grupo Especial. A Coroa de São Cristóvão vai falar sobre os 130 anos da Lei Áurea no Brasil, com o enredo: “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, do carnavalesco Jack Vasconcelos, que questiona se a escravidão realmente chegou ao fim; o despreparo da sociedade para receber os libertos, e sobre igualdade de direitos e segregação racial.
GRANDE RIO

Depois de 15 anos dedicados ao Salgueiro, os carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage assumiram os pincéis da Grande Rio para o Carnaval de 2018. A tricolor de Duque de Caxias vai prestar uma homenagem ao centenário de Abelardo Barbosa, o Chacrinha, com o enredo “Vai para o trono ou não vai?”, contando sobre seu início no rádio, sua história de vida, até o programa de TV que abalou a sociedade e transformou Chacrinha em um fenômeno da comunicação.
 MANGUEIRA

A Mangueira vai levar para a Sapucaí o enredo “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco”, do talentoso carnavalesco Leandro Vieira que assina seu terceiro carnaval na Verde e Rosa. O título é inspirado na marchinha carnavalesca dos anos 1940 “Eu brinco” e a agremiação vai fazer uma crítica ao corte da subvenção para as escolas de samba e exaltar o caráter popular do carnaval questionando os padrões e modelos impostos pelos desfiles atuais.
PORTELA
 Atual campeã do Carnaval 2017, ao lado da Mocidade, a Portela agora conta com ninguém menos que Rosa Magalhães. A carnavalesca aposta numa mensagem humanitária contra a discriminação, a perseguição religiosa e a intolerância à diversidade dos povos, com o enredo: “De Repente de lá pra cá e Dirrepente de cá pra lá”. A Águia vai contar a saga de imigrantes em busca de liberdade e paz, mostrando como judeus fugidos da Europa no século XVII, com destino à Pernambuco, tiveram papel fundamental na formação da cidade de Nova York.
UNIDOS DA TIJUCA
A Unidos da Tijuca, que perdeu Mauro Quintaes, mas manteve os carnavalescos Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo na Comissão de Carnaval, homenageará Miguel Falabella e aposta no talento do ator, diretor e escritor para fazer um belo carnaval. Com o enredo: “Um coração urbano: Miguel, arcanjo das artes, saúda o povo e pede passagem”, o desfile contará a trajetória deste artista multimídia, desde o seu começo no Tablado, a faculdade de Letras, os programas de humor, as novelas, os musicais no teatro e o carnaval – onde Falabella já foi destaque, carnavalesco e dirigente.
UNIÃO DA ILHA
Após um belo desfile e o resultado positivo de 2017, a União da Ilha manteve o carnavalesco Severo Luzardo à frente do seu carnaval. Para 2018, Luzardo promete levar um banquete bem brasileiro para a Avenida. Com o enredo “Brasil Bom de Boca”, a tricolor insulana vai apresentar a diversidade da culinária brasileira, com hábitos, histórias e influências que compõem o nosso complexo paladar.
ACADÊMICOS DO SALGUEIRO
Com a difícil missão de substituir a dupla Renato Lage e Márcia Lage, o carnavalesco Alex de Sousa recupera a tradição da temática afro da agremiação e aposta no enredo “Senhoras do Ventre do Mundo”, que vai destacar a importância e a força da mulher negra ao longo do tempo. Deusas, guerreiras, rainhas, sacerdotisas e matriarcas vão invadir a Sapucaí.

IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE

A Imperatriz Leopoldinense, que continua com o competente carnavalesco Cahê Rodrigues, irá celebrar o bicentenário do Museu Nacional com o enredo “Uma Noite Real no Museu Nacional”. A escola pretende destacar a importância do Museu Nacional – que foi a morada da família real, localizado no Palácio de São Cristovão, na Quinta da Boa Vista – como a instituição científica mais antiga do país e que abriga a história das artes, da cultura e das ciências no Brasil.

BEIJA-FLOR
Última a definir seu enredo para 2018, a Beija-Flor vai apresentar na Avenida o “Monstro é aquele que não sabe amar! Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, uma crítica à exclusão social e política, e à discriminação religiosa. Fazendo um paralelo entre a situação atual do país e a história do monstro “Frankenstein”, a agremiação de Nilópolis questiona a falta de amor ao próximo e o desrespeito às diferenças.
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Fonte: BRASIL CULTURA