Cultura significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membros,. ativistas, poetas, escritores, produtores culturais, grupos culturais, violeiros, pensantes e os que admiram e lutam pela cultura potiguar. Cultura! A Cultura, VIVE e Resiste! "Blog do CPC/RN, notícias variadas na BASE DA CULTURA!
A FASUBRA orienta a participação das entidades de base a realizarem, onde for possível, paralisação com atos nas ruas e aeroportos, pressionando os deputados para votar contra a reforma.
As discussões sobre o projeto de reforma da Previdência (PEC 287/16) após o anúncio do governo da Emenda Aglutinativa começam no dia 19 de fevereiro. Também no dia 19, centrais sindicais e movimentos populares organizam uma paralisação em todo o país.
A FASUBRA orienta a participação das entidades de base a realizarem, onde for possível, paralisação no dia 19/02 com atos nas ruas e aeroportos, pressionando os deputados para votar contra a reforma, mantendo a agenda de atividades no decorrer da semana. Além disso, considerando que a previsão é de que a votação seja concluída até 28 de fevereiro, orientamos as entidades de base a realizarem paralisação no dia 2 de fevereiro conforme deliberação do Fórum Nacional das Entidades do Serviço Público Federal (FONASEFE).
Confira os principais pontos da proposta de reforma da Previdência que estará na pauta de votação do plenário Câmara dos Deputados no dia 20 de fevereiro.
A sororidade, palavra que significa a união feminina baseada no apoio mútuo, solidariedade e empatia, se torna ainda mais importante durante as festas de carnaval, quando muitos casos de assédio são contabilizados, a cada ano. Diversas campanhas pelo Brasil pedem o fim do assédio no carnaval e, sobretudo, estimulam as mulheres a se apoiarem para curtir a data sem transtornos.
A preocupação não é à toa. Entre o carnaval de 2016 e 2017, os casos de violência sexual contra mulheres registrados pela Central de Atendimento à Mulher (Disque 180) aumentaram 88%. Uma das iniciativas deste ano é a campanha #AconteceuNoCarnaval, que vai atuar em cidades como Recife, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, João Pessoa, Campina Grande e Ouro Preto.
“Orientamos as mulheres para que fiquem atentas umas às outras, porque pode ter alguém precisando de socorro, de ajuda e, muitas vezes, sem conseguir verbalizar isto”, diz a mobilizadora Madalena Rodrigues. O grupo vai distribuir “fitinhas da sororidade” durante a folia, para identificar mulheres dispostas a ajudar em situações de abuso ou violência. Também estão sendo colados cartazes pelas cidades, com frases da campanha contra o machismo e o assédio e em favor da liberdade das mulheres.
Orientamos as mulheres para que fiquem atentas umas às outras, porque pode ter alguém precisando de socorro
A campanha vai recolher relatos de mulheres para contabilizar e mapear os casos de assédio durante as festas e elaborar um relatório que servirá para pressionar o Poder Público por políticas de prevenção e de combate à cultura de assédio no carnaval. Os relatos podem ser feitos pelo whatsapp: (81) 99140-5869, de forma anônima. A iniciativa é de quatro organizações sociais: Rede Meu Recife, Mete a Colher, Women Friendly e Minha Sampa.
“Sabemos que não é um problema específico do carnaval. A falta de respeito, a violência contra as mulheres existe todos os dias do ano. Mas como o carnaval é uma festa conhecida pelas brincadeiras, pela liberdade, muita gente confunde e acaba da forma que a gente não quer e está combatendo”, diz Madalena.
Ajuda mútua
Em Brasília, a campanha Folia com Respeito também prega a união entre as mulheres, principalmente no carnaval. Com o slogan “Uma mina ajuda a outra”, as peças da campanha orientam as foliãs a prestar atenção se outras mulheres podem estar em situação de perigo.
“O mote da campanha é todo mundo se sentir a heroína sua e do próximo, além de ter essa questão de interferir ou apoiar alguma menina que estiver passando mal, desacordada, tentar oferecer uma água, ver se precisa chamar alguém”, explica Letícia Helena, roteirista e diretora das peças da campanha.
Em vídeos e fotos publicados nas redes sociais, a campanha dá algumas orientações para as mulheres durante o carnaval. “Se o cara está incomodando a mina, forçando beijo, passando a mão, segurando pelo braço, chame as amigas e faça um escândalo. Não é não!”, diz um dos vídeos. Outro diz para prestar atenção a casos de agressão. “Tá rolando briga, ceninha ou violência com a mina na tua frente? Não ignore, que tal meter a colher e ajudar a mulher?”
A iniciativa é de um grupo de 34 blocos de carnaval de rua de Brasília e foi financiada por meio de “vaquinha”, que arrecadou R$ 1 mil para a produção das peças publicitárias. “Desde o final do ano passado, verificamos que após a festa, no dia seguinte várias pessoas estavam contando casos de assédio que sofreram durante o carnaval”, diz Letícia.
No último sábado (3), foram registrados relatos de assédios, agressões e roubo de celulares por pessoas que participaram do bloco carnavalesco Quem Chupou Vai Chupar Mais, na região central de Brasília.
Denúncia
As campanhas também orientam as mulheres a fazer o registro da ocorrência, no caso de abuso ou violência. “Não precisa de advogado, não é obrigatório ser em uma delegacia especializada da mulher e você não precisa saber todos os dados do agressor. Esses são alguns mitos que estamos querendo derrubar”, diz Madalena.
No caso de a mulher sofrer algum tipo de violência sexual, o grupo orienta a procurar ajuda médica, principalmente pela necessidade de tomar remédios preventivos a doenças sexualmente transmissíveis, o que deve ser feito em até 72 horas.
O STF julgou nesta quinta-feira, 8, por maioria, constitucional o decreto 4.887/03, assinado pelo então presidente Lula, sobre a regulamentação fundiária de terras ocupadas por comunidades remanescentes de quilombos. A norma regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras, de que trata o art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias:
Art. 68. Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos.
Votaram pela improcedência da ação a ministra Rosa Weber, a qual foi acompanhada pelos ministros Fachin, Barroso, Fux, Celso de Mello e Cármen Lúcia. Lewandowski e Marco Aurélio entenderam pela inadmissibilidade da ação e, superado o conhecimento, pela improcedência.
Ficaram vencidos o relator, ministro aposentado Cezar Peluso, cujo voto foi pela inconstitucionalidade da norma com efeito ex nunc, e os ministros Toffoli e Gilmar Mendes, que votaram pelo parcial provimento.
ADIn
A ação foi ajuizada pelo DEM. De acordo com o partido, o texto determinava indevidamente a realização de desapropriação pelo Incra das áreas que supostamente estejam em domínio particular para transferi-las aos remanescentes das comunidades dos quilombos.
Também reclama que a regulamentação não devia ter sido feita através de decreto, mas através de lei. O DEM ainda é contrário ao direito concedido por autodeclaração como remanescentes das comunidades dos quilombos.
Vista
O processo se arrastava há anos na Corte. Em 2012 o relator, ministro Cezar Peluso, votou pela inconstitucionalidade do decreto. Para ele, houve violação do princípio da reserva legal, ou seja, o decreto somente poderia regulamentar uma lei, jamais um dispositivo constitucional. Ele também apontou inconstitucionalidade na desapropriação de terras nele prevista.
Na ocasião, houve pedido de vista da ministra Rosa, que, em 2015, retomada a discussão, inaugurou a divergência votando pela improcedência da ação, por entender que o dispositivo é autoaplicável e não necessita de lei que o regulamente, e que, portanto, não houve invasão da esfera de competência do Poder Legislativo pela presidência.
Em seguida, Toffoli pediu vista. A discussão foi novamente retomada na Corte em novembro de 2017, com o voto-vista do ministro. Toffoli inaugurou uma terceira corrente, entendendo pela parcial procedência da ação, para se dar interpretação conforme a Constituição ao parágrafo 2º ao artigo 2º do decreto 4.887/2003.
Foi, então, a vez do pedido de vista de Fachin, cujo voto-vista retomou a discussão na sessão de hoje.
Há um mês eu entrei, pela primeira vez, na Riachuelo. Estava procurando uma sunga e acabei adorando as roupas da loja.
Não resisti, fiz o cartão e comprei um monte de brusinha. Estava aguardando ansiosamente liberar o limite para comprar mais.
Aí essa semana me deparei com uma notícia a qual dizia que o dono da marca, o empresário Flávio Rocha, começou a apoiar uma campanha que pretende eleger 200 nomes para o Congresso ligados à bancada da Bíblia, com pautas conservadoras, entre elas o combate à “ideologia de gênero” e a proibição do casamento LGBT.
Flavio não descarta a possibilidade de se candidatar à presidência com o apoio do MBL.
Ele só esqueceu de um detalhe: muitos dos seus clientes são essas pessoas que ele quer combater.
Pois bem, agora ele não ganha mais nenhum centavo do meu dinheiro. Dinheiro LGBT. Pink money. Já que é pelo dinheiro que ele quer nos destruir, é pelo dinheiro que destruiremos ele.
Peço a todos meus amigos (LGBTs ou não) que se juntem a essa causa, por uma questão de sobrevivência das manas que morrem todos os dias no nosso país vítimas do preconceito e da opressão de pessoas como Flávio.
Uma das marcas do carnaval deste ano é a politização dos temas dos blocos e dos enredos das escolas de samba em todo o Brasil. No Rio de Janeiro não poderia ser diferente. De reforma trabalhista, a feminismo e legalização da maconha, o carnaval deste ano estará recheado de pautas e demandas sociais aproximando ainda mais a folia da política e mostrando que carnaval é, também, um espaço de luta.
Na lista dos blocos que trazem como pano de fundo alguma demanda ou questionamento, está o Planta na Mente, que foi criado há cerca de sete anos e reúne foliões em desfile que vai dos Arcos da Lapa até a Praça Tiradentes, na tarde quarta-feira de cinzas (15), a partir das 16h20. O bloco tem como pauta principal a legalização da maconha, como explica uma de suas percussionistas, a antropóloga Flávia Medeiros.
“A gente considera que o carnaval de rua já é manifestação política, ao ocupar e demandar o espaço público da cidade com festa, música e expressão artística. O Planta tem o objetivo de socializar a discussão da legalização da maconha. Fazemos isso através da música, das fantasias, das brincadeiras, linguagens diferentes do modo de fazer política tradicional” afirma.
Mas não só a legalização da maconha que o bloco pretende trazer como discussão. “Tivemos um debate muito grande dentro do bloco, somos formados em grande parte por pessoas negras e a maioria mulheres negras, por isso, também tentamos passar pela questão do machismo e racismo. Estamos construindo uma militância que se reúne em torno da legalização da maconha, mas vai muito além dessa pauta” acrescenta.
Algumas das mulheres que formam a bateria do Planta na Mente estão também no bloco Mulheres Rodadas, que vai completar seu quarto carnaval neste ano. No desfile, as músicas tratam sobre feminismo, liberdade e empoderamento das mulheres, de forma divertida e com muita purpurina. O bloco, que a cada ano reúne mais pessoas, sai pelas ruas do Rio na quarta (15), a partir das 9h. O local da concentração será anunciado na página no Facebook.
Também famoso por tratar de política em seus sambas enredo todos os carnavais, o Comuna que Pariu deste ano vai tratar sobre o assalto aos direitos dos trabalhadores, principalmente, das reformas trabalhista e da Previdência, com direito a Fora Temer e Crivella em seus versos. O bloco desfila na rua Alcindo Guanabara, no Centro, na segunda-feira (13), a partir das 15h.
As reformas propostas por Temer também serão tema do desfile da escola de samba Paraíso de Tuiuti. No ano em que a Lei Áurea completa 130 anos, o samba enredo da escola de São Cristóvão fala sobre as relações entre patrões e empregados durante o tempo e questiona se a escravidão, de fato, acabou no Brasil. A escola, que teve imagens de suas fantasias viralizadas na internet e foi tema de reportagens na imprensa nacional e internacional, será a quarta a desfilar no domingo (12) na Marquês de Sapucaí.
Blocos criticam política de Crivella para o carnaval
Também na onda dos sambas políticos, o bloco Simpatia é Quase Amor, um dos mais tradicionais do carnaval carioca, terá pela primeira vez um enredo crítico, tendo prefeito Marcelo Crivella (PRB) como alvo. A letra critica a relação do prefeito com o carnaval e a cultura popular na cidade, marcada por cortes de investimento e intolerâncias ao principal festejo da população carioca.
Para Tiago Rodrigues, trompetista do bloco Orquestra Voadora, o modelo de financiamento do carnaval é justamente o principal problema trazido pela atual gestão. “O que ameaça o carnaval é o fato de os blocos não conseguirem pagar as contas. A gente faz tudo por conta própria, temos um auxílio da Secretaria de Cultura do estado, mas isso não paga metade dos custos. Fazemos vaquinha, vendemos camisetas, nos viramos, mas muitos ainda tem que tirar dinheiro do bolso. E como resposta temos que cumprir mais e mais exigências sem dinheiro”, explica.
Na última semana, dirigentes de grandes blocos do Rio de Janeiro foram pegos de surpresa com a possibilidade de não desfilarem este ano, por conta de uma lista da secretaria estadual de Defesa Civil que classifica 33 blocos como inadequados por não atenderem às normas de segurança contra incêndio e pânico estabelecidas pelo Corpo de Bombeiros. Na lista aparecem blocos tradicionais como Orquestra Voadora, Quizomba, Escravos da Mauá e Amigos da Onça.
“Nós fizemos a nossa parte, temos o aval da Riotur, órgão da prefeitura, e bola para a frente nem se cogita não sair o desfile este ano. Isso é um erro de comunicação dessa estrutura burocrática. Esse é o nosso décimo desfile, nunca tivemos nenhum registro de brigas, confusão com mais de 100 mil pessoas. As pessoas vão se divertem e nós vamos continuar fazendo carnaval”, finaliza.
João Pessoa, capital do estado da Paraíba, é uma das mais antigas cidades do Brasil. Em 6 de Dezembro de 2007, o Centro Histórico de João Pessoa foi reconhecido como Patrimônio Nacional e se encontra inscrito nos Livros do Tombo Histórico e Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O tombamento abrange mais de 500 edificações em um área de mais de 370 mil m², e seu conjunto completo abarca prédios representativos de vários períodos arquitetônicos presentes na cidade, como o barroco da igreja da Ordem Terceira de São Francisco; o rococó da igreja de Nossa Senhora do Carmo; o estilo maneirista da igreja da Misericórdia, todas do século XVII; a arquitetura colonial e eclética do Casario civil; e o Art-nouveau e o Art-déco das décadas de 20 e 30, predominante na praça Anthenor Navarro e no Hotel Globo. Fonte: José Chrispiniano – História Viva
João Pessoa oferece ao viajante, um passeio descontraído e dinâmico pela história da terceira cidade do Brasil, e neste artigo trazemos um pouca de sua marcante história, para que você possa desfrutar dos segredos e belezas escondidas entre as ladeiras, monumentos e igrejas desta cidade antiga e fabulosa!
Hotel Tambaú. Um espetáculo arquitetônico em meio à praia. - Foto: Márcio Monteiro.
Quando se pensa em visitar João Pessoa, a Capital da Paraíba, sempre se pensa em suas praias de águas mornas e convidativas, uma vez que o litoral exuberante está entre os mais belos do Nordeste. Também vem à mente do viajante o fato de João Pessoa ser conhecida como a 2ª cidade com mais árvores do mundo, fato que ainda gera acaloradas discussões, ou ainda a espetacular praia de Tambaba, um dos mais importantes paraísos naturistas do Brasil e talvez do mundo, refúgio escondido entre altíssimas falésias que atrai turistas e visitantes de todas as partes, ou ainda o lindíssimo pôr do Sol na Praia do Jacaré, que emociona até mesmo os que já estão acostumados.
João Pessoa é de fato um lugar que você precisa conhecer para nunca esquecer, por que as palavras não são capazes de descrever tanta coisa legal que se encontra por lá. É a terceira cidade mais antiga do Brasil e possui mais de 420 anos de história, preservada em seus monumentos e em seu verde abundante.
No final do século XVI, a Coroa Portuguesa em seu objetivo de colonizar áreas maiores do litoral brasileiro que apesar dos esforços das capitanias hereditárias ainda continuavam desocupadas e desta forma passíveis de serem invadidas por estrangeiros, passou a empreender esforços ainda maiores para desbravar e ocupar estas regiões. Uma das medidas empregadas foi a criação da capitania da Paraíba em 1574, ordem direta do rei D. Sebastião. Era nada mais que uma tentativa árdua de expulsar os Franceses e os ferozes índios Potiguares que se infiltravam pelas margens do Rio Paraíba.
As batalhas foram ferrenhas com inúmeras baixas de ambos os lados e muitas derrotas e insucessos Portugueses. A situação passaria a mudar a partir de 1585 quando os Portugueses conseguiram afastar seus inimigos e podendo assim estabelecer as bases para a fundação da cidade da Paraíba, que por estas épocas era a terceira cidade do recém-descoberto Brasil.
A evolução Urbana
Por volta de de 5 de Agosto de 1585 se iniciou a construção do Forte que iria defender a tão cobiçada região da Paraíba, fato este que oficialmente marcaria a fundação da cidade de Nossa Senhora das Neves. Assentada em uma encosta, a cidade tinha como ponto de entrada o estratégico Rio Sanhauá, um grande e navegável afluente do rio Paraíba. Às suas margens ficava o Varadouro. região portuária e mais acima, subindo uma colina ficaria a cidade propriamente dita. Neste ponto foi edificada uma capela, que dada sua importância na circulação e integração da recém-construída cidade foi elevada a categoria de matriz. Unindo estas duas regiões,foi criada a primeira via de circulação, hoje conhecida como Ladeira de São Francisco. Este era o árduo caminho por onde circulavam homens com animais e mercadorias entre o porto e a cidade no alto da encosta.
O Porto do Varadouro ou Porto do Capim
Porto do Varadouro em 1928.Fonte: http://www.joaopessoahistorica.com
O Porto do Varadouro, também conhecido como Porto do Capim, era o principal porto da Cidade de João Pessoa antes do surgimento do Porto de Cabedelo. Ele remonta aos tempos da origem da cidade. O nome foi dado provavelmente devido ao fato de desembarcarem por ali uma imensa quantidade de capim que serviriam para alimentar os animais que circulavam e pela cidade que crescia lentamente.
Porto do Varadouro 2008Fonte: http://www.joaopessoahistorica.com
O Presidente Epitácio Pessoa, em 1920 mandou fazer um Porto Internacional na bacia do rio Sanhauá. Este projeto questionável e duvidoso nunca se concretizou, padecendo dos tão conhecidos desvios de recursos e falta de estudos de viabilidade. Há relatos não oficiais que dizem que foram tiradas fotos de outros portos e enviadas ao Presidente de forma que ele acreditasse que a obra se encontrava adiantada. Os turistas ainda podem ver vestígios de concreto armado fincados à margem do rio Sanhauá, provas mudas do descaso com o progresso do país. O porto passou a ser abandonado depois da construção do moderno – para a época – Porto de Cabedelo, que oferecia um acesso melhor e mais rápido ás águas continentais. Hoje a região é abandonada e sofre com o descaso. Há projetos de reconstrução que esperamos que se concretizem.
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Antiga Rua Nova.
Ao fundo a Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves.
O Mosteiro de São Bento é visto à esquerda. Foto de 1971Fonte: http://paraibanos.com/joaopessoa
Na parte alta da colina, a chamada cidade alta em 1588, foi aberta a Rua Nova, em frente à qual foi construída a igreja Matriz e bem próximo a esta a casa de Câmara e Cadeia. Há registros de doações de glebas para assentamentos e residências nesta área, com intenção de povoamento da cidade e consequente domínio completo.
Antiga Rua Direita, hoje Rua Duque de Caxias. Foto de 1898
Bem ao fundo pode ser visto o enorme cruzeiro que fica em frente à igreja de São Francisco.
Fonte: http://paraibanos.com/joaopessoa
Paralela à Rua Nova, ficava a Rua Direita, que não era direita coisa nenhuma. Foi criada no ano seguinte. Seu traçado, segundo os livros de história era muito irregular. Ela é atualmente a Rua Duque de Caxias. Estes foram os primeiros espaços destinados à circulação pública.
O espetacular prédio dos correios em João Pessoa, Paraíba. Obra espetacular e cartão Postal da Cidade. O prédio dos correios em 1925 no começo da expansão da cidade.Fonte: Portal da Cidade de João Pessoa [http://paraibanos.com/joaopessoa]
As descrições da época e de épocas subsequentes mostram que havia uma clara distinção entre o crescimento e criação de vias e ruas da parte alta e da parte baixa, sendo a primeira mais retilíneo e projetado e o segundo mais irregular e aleatório. Estes fatos históricos explicam as diferenças sociais que ainda hoje perduram na cidade quando se fala em Cidade Alta e Cidade Baixa, com sérias implicações sociais.
A cidade, no seu primeiro século de existência, não teve um crescimento tão ordenado quanto deveria ter. Sua aparência de vila atrasada e sem ordem se destacava na paisagem. Nas ruelas estreitas e sinuosas predominavam casebres distantes entre si com aparência miserável e rural. Neste contexto a nítida dicotomia de cidade baixa, que empregava trabalhadores do comércio e parte alta onde se via a parte administrativa e religiosa e onde se encontravam os de maior poder aquisitivo, já era sentida.
Por volta do século XVII, João Pessoa já possuía cerca de oitocentos habitantes e 2 mosteiros: O de São Bento, na Rua Nova e o dos Franciscanos, na Rua Don Eurico. Aos poucos vielas, ruelas e travessas iam sendo abertas, com casebres pontilhando a paisagem, resultando numa arquitetura disforme e traçados labirínticos que ainda resistem ao tempo no centro histórico de João Pessoa.
A Invasão Holandesa e a Cidade Frederica
Frederica Civitas.
Esquema de 1647Fonte: Biblioteca Nacional
A chegada dos Holandeses se deu por volta de 1634, quando vencendo uma cruel batalha dominaram a capitania, rompendo o sistema montado às margens do Rio Paraíba, que era composto pelos Fortes de Cabedelo, Santo Antônio e da Restinga, além do Forte do Varadouro, que fora o primeiro forte e tinha a função de resguardar a cidade.
Croquis da cidade de Parahyba feito por Manoel Francisco Granjeiro em1692
Fonte: Arquivo Histórico Walfredo Rodrigues
A Paraíba era por estas épocas a terceira em importância, sendo apenas precedida pelas da Bahia e Pernambuco. Possuía mais de 18 engenhos altamente produtivos e ricos, o que atraía a atenção de invasores. A impressão que os Holandeses tiveram da Cidade da paraíba era de que ela se tratava de um lugar ainda inacabado, que poderia um dia ser grande. A alteração do nome para Frederica foi em homenagem ao príncipe de Orange.
Ao contrário de outras regiões onde estiveram presentes, na Paraíba os Holandeses pouco fizeram. Restringiram suas atividades ali a apenas à fortificação do Convento dos Franciscanos, construção de um armazém e de um ancoradouro para o embarque do açúcar. Aparentemente, devido ao seu crescimento acanhado, o lugar não justificava maiores investimentos. A atração se concentrava apenas na produção do açúcar.
Batalha dos Guararapes que culminou na expulsão dos Holandeses do Brasil.Fonte: Domínio Público
A insurreição pernambucana deu fim à dominação holandesa em 1654. A coroa Portuguesa deu início à reconstrução das capitanias destruídas.
A Cidade da Paraíba
A luta para expulsar os Holandeses teve consequências devastadoras para a economia da Paraíba e esta ficou em situação muito precária, a ponto de quase ser esquecida. Uma total ruína, com plantações devastadas e os famosos engenhos completamente destruídos. A somar-se a esta assustadora situação, se via a quebra do monopólio Português sobre o açúcar, uma vez que os Holandeses passaram a também produzir.
A reconstrução foi muito lenta e precária. A reconstrução por exemplo, da igreja Matriz, se estendeu ao longo de todo o século XVIII tendo as obras começado em 1662! Imagine só a dificuldade! Isso se dá pelo fato de que a capitania nada mais era que uma fonte de renda, e agora nada mais era exceto ruínas!
Mas apesar de todas as dificuldades impostas, a chegada das ordens religiosas Beneditinas, Franciscanas, Carmelitas e Jesuítas, trouxeram novo ânimo à reconstrução e foram responsáveis pelo surgimento de obras religiosas magníficas que ainda perduram hoje. Em sérias dificuldades a Paraíba foi anexada a Pernambuco mergulhando ainda mais profundamente no caos. Foi liberta de Pernambuco em 1799 entrando para o século XIX mergulhada numa crise sem precedentes.
Da Cidade da Paraíba à Cidade de João Pessoa
A Cidade da Parahyba em 1855, produzido no Governo de Beaurepaire Rohan.
Fonte: Arquivo Histórico de João Pessoa
A planta da cidade datada de 1855, mostra que a cidade da Parahyba, pouco evoluiu no decorrer deste período. Seus limites pouco ultrapassara os limites cartográficos do século XVII.Comparando-se o mapa da cidade datado de 1647, o Frederica Civitas, se observa uma evolução muito mais lenta que o habitual em outras cidades mesmo em rítmo de reconstrução. Mesmo quase 70 anos depois, poucas edificações eram vistas na cidade alta e na cidade baixa.
Até 1855, 270 anos após após a fundação da cidade, a área ocupada e urbanizada não passava de 150 hectares! Em 1920 esta área pouco progrediu, chegando a míseros 600 ha. O fato da cidade não ter sido um grande centro e a sua proximidade com outros centros de grande poder econômico em várias épocas de sua história fez com que a cidade de João Pessoa se tornasse um lugar sempre mais calmo e de ritmo algo mais lento. Este fato pode ser sentido ainda hoje, quando João Pessoa é descrita como uma “capital com ar de interior”. Você já percebeu isto?
Com a chegada da cultura do algodão, um novo ritmo de crescimento voltou a se estabelecer pela região e a cidade passou a se modificar e se expandir, ocupando os espaços vazios, surgindo assim bairros novos e ruas e avenidas novas, como as trincheiras, que ainda é uma das mais bucólicas e tradicionais avenidas desta cidade.
Foi por estas épocas que a cultura foi fortalecida surgindo o “Theatro Santa Roza”, um ícone arquitetônico da cidade. A chegada dos bondes de tração animal em 1896 foi um dos marcos da expansão e modernidade da cidade. Ainda se podem ver em alguns pontos
Antiga Igreja Mãe dos Homens.
Demolida em 1925 para a expansão da cidade de João Pessoa.
Fonte: Arquivo Histórico
Como em toda expansão, algumas obras arquitetônicas chegam a sucumbir, dando lugar a obras modernas, impessoais, por vezes necessárias ao crescimento. É o caso da Igreja Mãe dos Homens que relatos afirmam ser datada do século XVIII e se localizava na atual Praça Coronel Antônio Pessoa. Sua demolição aconteceu em 1925 em consequência do plano de urbanização da cidade para dar continuidade e aumentar a Rua do Tambiá.
Ao final do século XIX alguns prédios são construídos no padrão clássico, tendo em vista abrigar a administração pública. Mesmo algumas outras construções coloniais receberam um tratamento especial em suas fachadas para se “transformarem” em construções de aparência clássica, como é o caso do Palácio do Bispo, que é o antigo convento dos Carmelitas, o Quartel de Polícia, o prédio do tesouro e o Teatro Santa Rosa. A remodelação da nova cidade de João Pessoa passou por demolições, maquiagens nas fachadas dos prédios, abertura e alargamento de muitas ruas.
Lamentável o fato de que muitos dos espaços históricos da capital Paraibana, assim como ocorreu em diversas outras do Brasil, sucumbiram sem piedade ao pragmatismo da modernidade, onde as cidades tem que ser modernas, amplas e grandes. Entretanto, esta modernidade se faz sobre a destruição de tantos casarios e prédios do passado, que renderiam muito à cultura local caso fossem preservados e de nenhuma forma implicariam na modernização da cidade, afinal quem não respeita seu passado não se importa com seu futuro. No mapa abaixo se pode ter uma ideia da expansão proposta, com o alargamento de ruas e avenidas e a migração em direção à praia.
FONTE: Wylna Carlos Lima Vidal, Transformações urbanas: a modernização da capital
paraibana e o desenho da cidade, 1910 – 1940.
A cidade de João Pessoa passa então por uma remodelação com o plano expansivo de Saturnino de Brito em 1913, fato que modificaria por completo a apresentação da região histórica central da cidade, com a criação dos serviços de saneamento e abastecimento de água. Por estas épocas foi saneada a enorme lagoa dos Irerês, que segundo dados da época impedia o crescimento da cidade. Seu saneamento e remodelação deu origem ao parque Solon de Lucena, a famosa “Lagoa” de João Pessoa.
O Parque Solon de Lucena
Parque Solon de Lucena, João Pessoa Paraíba.Fonte: transparencia.joaopessoa.pb.gov.br
O cartão postal mais famoso da cidade há tempos atrás era considerado um grande empecilho ao crescimento. Por isto a enorme lagoa que havia na região, a chamada Lagoa dos Irerês foi drenada e destruída. em seu lugar surgiu o parque Solon de Lucena, o que conhecemos hoje.
Lagoa dos Irerês, João pessoa Paraíba. Por volta dos meados de 1920.Fonte: http://www.studium.iar.unicamp.br
Desde o começo era conhecida como “A Lagoa”, nome que perdura até hoje. O nome Lagoa dos Irerês, tem referência, de acordo com cronistas da época, aos pássaros que a ocupavam por estas épocas. Era um misto de pântano, vegetação e água acumulada das chuvas e em seu entorno se podiam ver inúmeros sítios e chácaras. Dá para imaginar isto hoje?
Lagoa do Parque Solon de Lucena.Fonte: http://www.blogdopedromarinho.com
O nome Parque Solon de Lucena, surgiu em 1924 sob o governo de Solon de Lucena. Mas sua urbanização real, com “calçamento dos anéis internos e externos da Lagoa” só foi realizado nos anos 30 com Argemiro de Figueiredo.
Sua inauguração, com o projeto completo de sua urbanização se deu em 1939. Os jardins foram projetados pelo paisagista Burle Marx. Este projeto fazia parte das modificações que a cidade haveria de passar para se modernizar. O parque foi tombado em 1980 pelo IPHAEP e ocupa uma área desapropriada de cerca de 150 mil metros quadrados.
Este período de expansão marcou uma migração irreversível da cidade para a orla marítima. Em 1952 com a pavimentação da avenida Epitácio Pessoa a praia de Tambaú começou então a ser procurada como um lugar para moradia, coisa que parecia impossível até então.
A migração para as praias, mais notadamente a praia de Tambaú seria considerado impossível não fossem os esforços de modernização empregados pelas décadas de 1950. Por volta de 1952 se iniciou a pavimentação desta importante avenida. A partir daí o núcleo central da cidade passou a perder seu caráter residencial, com o centro passando a ocupar uma posição de destaque no comércio e nos serviços. A cidade passava cada vez mais a olhar o mar e esquecer suas origens às margens do Rio Sanhauá.
Avenida Epitácio Pessoa em 1925.Fonte: http://www.blogdopedromarinho.com
Avenida Epitácio Pessoa em 1920, com a implantação dos bondes que levariam à praia de Tambaú.Fonte: www.blogdopedromarinho.com
Orla de João Pessoa à noite.
Orla de João Pessoa
Praia de Tambaú em 1965Fonte: Portal da Cidade de João Pessoa [http://paraibanos.com/joaopessoa]
Praia de Tambaú em 1935. Nesta região fica hoje o busto de Tamandaré.Fonte: Portal da Cidade de João Pessoa [http://paraibanos.com/joaopessoa]Para os saudosistas! Nesta foto se vê o restaurante Elite, que fez as noites de muitos de nós mais alegres! Permaneceu por ali durante cerca de 50 anos! A gameleira histórica de Tambaú se vê ao fundo. Fontes mostram que ela passou por diversos cortes ao longo das eras!Fonte: http://www.blogdopedromarinho.com [/intense_content_box]