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segunda-feira, 7 de maio de 2018

Aberta consulta pública sobre bens móveis e integrados

Medição pré- restauro bens móveis.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) receberá, entre 08 de maio e 08 de julho, contribuições para a produção do Manual para Elaboração de Projetos de Intervenção em Bens Móveis e Integrados. A publicação tem o objetivo de orientar profissionais que lidam com esses bens em relação aos procedimentos obrigatórios no Iphan e nortear as ações de restauro para os bens culturais tombados em outras esferas. 
Bens culturais móveis e integrados são objetos que podem ser retirados e transportados com facilidade por não estarem fixados no imóvel tombado. Entre eles estão objetos de arte, utensílios religiosos, painéis, tapeçarias, acervos de museus e casas históricas, móveis, prataria, indumentária, esculturas, louças, cristais, vidro, objetos de trabalho, instrumento de tortura, utensílios de cozinha – como panelas, tachos, vasilhames, entre outros. 
A proposta do manual está disponível no site do Iphan. Para participar da consulta pública basta enviar e-mail para cgco@iphan.gov.br, contendo identificação, contato e indicação de qual é a atuação do colaborador na área de bens móveis e integrados. Há profissionais e educadores da área que detém vasto conhecimento sobre o tema e que podem contribuir significativamente para o aperfeiçoamento das diretrizes da publicação, por isso, o Iphan espera receber contribuições de todos os interessados no tema, incluindo secretarias estaduais e municipais de cultura, gestores de bens culturais tombados, empresas especializadas. A participação de agentes da área beneficia também a legitimação e implantação do manual, padronizando as ações de restauro de bens culturais móveis e integrados pelo país, diminuindo, assim, equívocos nas intervenções e consequentes perdas irreparáveis. 
Essa consulta pública integra a nova proposta de gestão do Patrimônio Cultural que o Iphan vem implantado, especialmente com a celebração de seus 80 anos em 2017, buscando cada vez mais construir políticas públicas em conjunto com a sociedade civil. O processo participativo, além de potencializar a perspectiva de aumento na qualidade das intervenções nos bens móveis e integrados, resulta em procedimentos mais democráticos de preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro.
Acesse aqui a Proposta do Manual. 
Serviço:
Consulta pública sobre Manual para Elaboração de Projetos de Intervenção em Bens Móveis e Integrados
Data: de 08 de maio a 08 de julho de 2018.
E-mail: cgco@iphan.gov.br
Mais informações para a imprensa
Assessoria de Comunicação Iphan

comunicacao@iphan.gov.br
Fernanda Pereira – fernanda.pereira@iphan.gov.br 
Yara Diniz – yara.diniz@iphan.gov.br
(61) 2024-5534 - 2024-5534
(61) 99381-7543
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Fonte: http://portal.iphan.gov.br

A união é o remédio mais eficaz

Foto: Mobilização Nacional Indígena

Por Dinamam Tuxá e Luiz Eloy Terena, publicado no Jornal do Brasil em 27 de abril de 2018. 
A Fundação Nacional do Índio (Funai) está na UTI e acabam de desligar mais um dos aparelhos usados para manter seus sinais vitais. Agora está claro que o órgão, cuja função deveria ser a demarcação e proteção das terras indígenas, a articulação e acompanhamento da execução das políticas públicas voltadas para os povos indígenas, passou a atender a outros interesses. A pedido da bancada ruralista, o governo exonerou o presidente Franklimberg Ribeiro de Freitas. O motivo? Ele não estaria colaborando com o setor agropecuário. Longe de ser uma unanimidade entre os indígenas, Ribeiro de Freitas foi o terceiro nome a ocupar o cargo no governo Temer.
A relação do Estado e de parte da sociedade brasileira com os povos indígenas sempre foi marcada por práticas de violência, desrespeito, preconceito e discriminação. Mesmo que os seus direitos coletivos e fundamentais tenham sido alçados ao patamar de cláusulas pétreas da Constituição de 1988 e reiterados por tratados internacionais assinados pelo Brasil (como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas e a Declaração Americana dos Direitos dos Povos Indígenas) jamais foram plenamente respeitados. Mas os retrocessos dos últimos anos superam os prognósticos mais pessimistas.
O atual orçamento da Funai corresponde apenas 14% do total de suas despesas mínimas; e em março do ano passado foram extintos de uma só vez, por decreto, 347 cargos comissionados. A sangria atingiu notadamente departamentos responsáveis pela análise de procedimentos de demarcação de Terra Indígenas e de licenciamento ambiental. De acordo com as prescrições adotadas ultimamente para o paciente, podemos dizer que foram cortes cirúrgicos. Também no ano passado, foi aprovado o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o órgão e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que prevê o indiciamento de 67 pessoas, entre servidores, antropólogos, indigenistas, procuradores da república e lideranças indígenas.
Não bastasse isso, o órgão ainda corre o risco de contrair uma infecção oportunista. O procedimento de licenciamento ambiental do país está prestes a passar por mudanças profundas, com o avanço de iniciativas defendidas pelos ruralistas no Congresso (PL 3729/2004, na Câmara, e PLS 168/2018, no Senado). A nova versão do texto da Câmara, que pode ser levada à votação a qualquer momento, deve debilitar ainda mais a instituição e inviabilizar pelo menos 227 processos de demarcação que estão em andamento.
A Funai completou 50 anos no último dia 5 de dezembro. Em nome de que essa data passou em branco? Certamente não foi por mero esquecimento. É hora de recuperar forças e reagir. Diante deste quadro preocupante, o único remédio eficaz é a nossa união.
*Dinamam Tuxá é coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasl (Apib) e Luiz Eloy Terena é assessor jurídico da Apib

Fonte: Mídia Ninja

Guerra aos pobres virou moda? Por Gilberto Maringoni

Por
 Pedro Zambarda de Araujo
 

O QUE DIFERENCIA OS QUATRO PROJETOS DA ESQUERDA BRASILEIRA EM 2018?


Mantidas as atuais condições de temperatura e pressão, a eleição presidencial de 2018 contará com ao menos quatro candidaturas da esquerda ou, como preferem alguns, do campo progressista ou popular democrático. Ciro Gomes (PDT), Manuela D ´Ávila (PCdoB), Guilherme Boulos (PSOL) e Lula (ou outro candidato do PT) são as possibilidades dispostas na mesa até agora.
O primeiro deles é o do desenvolvimentismo. Esse projeto, que possui como elemento norteador a economia, tem Ciro Gomes como principal porta voz. Na síntese repetida à exaustão por Ciro, o projeto nacional de desenvolvimento necessário para o país passa por “um grande acordo entre quem produz e quem trabalha para confrontar o rentismo e a especulação financeira”. Em outras palavras, uma conciliação entre trabalhadores e burguesia industrial para enfrentar os bancos, a burguesia financeira. O pano de fundo para essa tese desenvolvimentista é o de que, diferente do que pregam os monetaristas, o problema do país não é a inflação, mas sim o desemprego e a falta de crescimento econômico. Diga-se de passagem, essa ênfase exacerbada no desenvolvimentismo também faz parte do repertório discursivo de Aldo Rebelo, candidato pelo Solidariedade. Grosso modo, Rebelo resume assim o debate: (1) a prioridade é a redução do desemprego; (2) sem crescimento econômico nenhuma outra política pública é possível.
Um outro projeto bem distinto é o apresentado pelo PSOL através da candidatura de Guilherme Boulos. Absolutamente crítico do desenvolvimentismo, o partido aposta na “superação do modelo neodesenvolvimentista extrativista executado pelo lulopetismo”. Para o PSOL, não existe a possibilidade da aliança entre trabalho e produção, cerne do projeto desenvolvimentista. Apoio do Estado para a dinâmica do desenvolvimento econômico via BNDES, grandes obras de infraestrutura e parcerias público-privado não fazem parte do vocabulário do partido de Boulos. A ênfase programática está nas políticas identitárias e na defesa das minorias como tribos indígenas, LGBT, mulheres, negros etc. É essa determinação identitária, multiculturalista, que faz o partido repudiar, por exemplo, a aposta dos desenvolvimentistas em obras infra estruturais como a hidrelétrica de Belo Monte. Ilustra bem essa linha programática a ideia de Marcelo Freixo de que “a luta por direitos humanos é a essência da nova luta de classes”.
Um caminho do meio por entre o desenvolvimentismo de Ciro e Aldo e o identitarismo do PSOL foi tentado inicialmente pelo PT nos governos Lula e Dilma, entre 2003 e 2015. Ao mesmo tempo em que incentivou o papel interventor do Estado, via BNDES, para impulsionar a burguesia industrial e garantir baixos índices de desemprego, os governos do PT também deram protagonismo para políticas identitárias ao apostar em ações afirmativas e na representatividade. Além de criar ministérios para mulheres, juventude e igualdade racial, também investiu em políticas como as cotas raciais nas universidades públicas. No entanto, esse projeto do lulismo, como definiu André Singer, um dos mais argutos intérpretes desse período, foi marcado por um reformismo fraco, gradual. Esse reformismo fraco pode ser traduzido assim: um projeto moderado do desenvolvimentismo de Ciro e Aldo aliado a um projeto moderado do identitarismo do PSOL.
Por fim, o quarto e último projeto da esquerda apresentado para 2018 consiste em uma possível síntese dialética desses três projetos anteriores. Trata-se do programa formulado pelo PCdoB e representado pela candidatura de Manuela D´Ávila. A comunista busca construir um caminho alternativo que agregue tanto o desenvolvimentismo quanto as políticas identitárias. “A desigualdade no Brasil é estruturada sobre gênero e raça. Enquanto não entendermos isso, não teremos um país com um projeto nacional de desenvolvimento soberano”, explica Manuela. Contudo, diferente do lulismo e do PT, essa via não pode ser a de um “reformismo fraco”, como aquele descrito por Singer, mas sim forte, estrutural de fato. Há aqui uma semelhança clara com aquilo que Ernesto Laclau e Chantal Mouffe conceituaram como “democracia radical”. A aproximação teórica também se dá com o que Nancy Fraser definiu como uma aliança entre redistribuição e reconhecimento. O lugar dessa narrativa de Manuela é orgânico e legítimo. Do ponto de vista da luta pelo reconhecimento, ou seja, das políticas identitárias, o seu partido tem muito o que dizer: o PCdoB possui uma presidenta nacional que é mulher e negra, a deputada Luciana Santos; metade de sua bancada parlamentar é formada por mulheres, mais alto índice no país; o líder da bancada é um deputado negro, Orlando Silva; e foi uma comunista quem aprovou a mais importante política pública para mulheres nos últimos anos, a Lei Maria da Penha, da deputada Jandira Feghali. Do ponto de vista do desenvolvimentismo econômico o PCdoB também tem lugar de fala. Pelo menos desde 2009 o partido tem propagandeado um programa intitulado “novo projeto de desenvolvimento nacional”, cuja base são reformas estruturais (agrária, urbana, tributária, educacional, política etc) e a forte intervenção estatal na economia e na infraestrutura do país. Um programa que nasceu ao fim do governo Lula, justamente da avaliação de que o reformismo fraco do lulismo precisaria ser substituído. O principal cartão de visitas de Manuela é o portfólio de políticas públicas instituídas nos últimos anos pelo governo de seu correligionário, Flávio Dino, no Maranhão.
Como se vê, a esquerda brasileira não é homogênea. Há pelo menos quatro narrativas, quatro projetos distintos em disputa e que informam todo o debate eleitoral desse campo político para 2018. No entanto, o risco de que, separados, nenhum deles alcance o segundo turno da eleição presidencial é grande, o que seria uma pena para o debate público no país. Mas ainda há tempo para o diálogo, para a unidade e, quem sabe, para a aceitação de um programa que construa um consenso dialético entre as quatro visões de mundo. Seria, no mínimo, a vitória da política.
Theófilo Rodrigues é professor do Departamento de Ciência Política da UFRJ.

Emicida: “Brasil é uma máquina de moer pobres”


O rapper brasileiro Emicida denunciou as mazelas sociais do país durante o programa “Ferréz em Construção. Para ele, “esse discurso da meritocracia apenas esconde uma dura realidade:que mais da metade dos brasileiros não possuem os bens básicos para sobrevivência. O Brasil é uma maquina de moer pobres”, destacou.
Segundo Emicida, “2018 não será um ano fácil, estamos em uma guerra declarada, a direita brasileira está vindo de execução sumária mesmo, vide o assassinato de Marielle Franco, por isso precisamos estar cada vez mais unidos e conscientes”, alertou.
O rapper já visitou diversas ocupações e disse que apoia entidades que atuam em defesa da moradia popular e condenou a situação socioeconômica brasileira.
“Nosso país tem uma desigualdade social muito canalha e o movimento de moradia evidência isso de forma horrenda. A coisa mais vergonhosa da nossa nação é uma casa ser um sonho pra alguém, quando na verdade deveria ser um item básico na vida das pessoas”, afirma.
Ele segue expondo a dura realidade das famílias brasileiras. “Esse discurso da meritocracia apenas esconde uma dura realidade, mais da metade dos brasileiros não possuem os bens básicos para sobrevivência. O Brasil é uma maquina de moer pobres. Se a pobreza não fosse criminalizada da forma que é, talvez essas pessoas teriam alguma atenção”, concluiu Emicida.
Fonte: Brasil 247

domingo, 6 de maio de 2018

"VALE A PENA LER DE NOVO!" - CPC/RN: SÃO GONÇALO DO AMARANTE II - A RIQUEZA CULTURAL DESSE MUNICÍPIO



São Gonçalo do Amarante poderia ser aclamada a terra do Folclore Potiguar. Não é a toa que o símbolo do nosso folclore vem de lá - o galinho branco que encanta a todos que se interessam por Cultura Popular. Em São Gonçalo encontram-se verdadeiros tesouros nessa arte  moldar o barro, tecer a fibra, brincar e contar histórias: do rico artesanato aos brincantes do  de Boi Calemba, Coco do Calemba e Pastoril, além da memória prodigiosa de Dona Militana a mais importante romanceira brasileira.

                                           
DONA MILITANA - A ROMANCEIRA




Dona Militana  tinha conhecimento de mais de 50 peças raras dos romanceiros ibéricos e brasileiros, que foram passados a ela através de seu pai já adaptados à cultura nordestina.

Gravou na memória os cantos executados pelo pai. São romances originários de uma cultura medieval e ibérica, que narram os feitos de bravos guerreiros e contam histórias de reis, princesas, duques e duquesas. Além de romances, cantava modinhas, coco, xácaras, moirão, toadas de boi, aboios e fandangos.


GRUPOS FOLCLÓRICOS

                          
                              1 - COCO DO CALEMBA



O Grupo Coco do Calemba surgiu em 2008, na perspectiva de reavivar as manifestações populares do município de São Gonçalo do Amarante. A intenção é revitalizar em parceria com  o ritmo e a música do Grupo de Raiz (da Melhor idade) o Bambelô da Alegria e outras músicas (de Coco) de domínio público.






                    2 - BOI CALEMBA PINTADINHO


                                            


O Boi Pitadinho da cidade de São Gonçalo do Amarante é um dos grupos mais tradicionais do estado, com mais de cem anos de existência. 
Boi Calemba, termo utilizado por Luís da Câmara Cascudo com o intuito de diferenciar o Boi de Reis do Rio Grande do Norte,é um auto popular que trata da morte e ressurreição de um boi. Com sua coreografia ao som da Rabeca cantam cantigas antigas, figurino com fitas coloridas e espelhos que proporcionam um interessante efeito visual. Os mascarados representam a parte cômica da dança, o trio formado por Birico, Mateus e Catirina (personagens do auto)apresentam-se usando roupas surradas, rostos pintados e utilizam-se dos gestos e paródias dos galantes. Outras figuras integram a apresentação como a Burrinha, o Bode, o Gigante (cavalo marinho), o Jaraguá e o Boi. Os instrumentos utilizados são a rabeca, o pandeiro, triângulo e alguns instrumentos de corda, podendo ser substituídos pela sanfona.






       
                3 - PASTORIL DE DONA JOAQUINA




O pastoril é uma tradição centenária de São Gonçalo do Amarante e voltou a tomar força com a oficialização do pastoril Dona Joaquina, em 2005. O grupo reúne descendentes e simpatizantes dos antigos grupos de pastoris da cidade, resgatando e mantendo a tradição cultural da Lapinha e do Pastoril na região.
O grupo potiguar é formado por 18 pastorinhas, com idades entre 12 e 21 anos. As meninas pegam a estrada nesta quinta-feira (6) acompanhadas da diretora do grupo Séphora Bezerra, oito músicos e algumas mães.

O Festival Nacional de Folclore realizado em Olímpia, Estado de São Paulo é um evento que integra o folclore de todas as regiões brasileiras. O folclore do Rio Grande do Norte será o tema da 47ª Edição do Festival que se realizará de 23 a 31 de julho de 2011. O Pastoril de Dona Joaquina de São Gonçalo do Amarante será o grupo homenageado pelo Festival. 





                                     


  Fontes:

  • História dos Municípios - Aristides Siqueira Neto -2ª edição- 2001- Governo do Estado do RN;
  • Jornal Tribuna do Norte -Natal RN
  • Jornal Diário de Natal -Natal-RN
  • Site Oficial da Prefeitura de São Gonçalo do Amarante
  Fotos:
  • Imagens Google
  • Acervo do Site da Prefeitura de São Gonçalo do Amarante

  • Com: https://papjerimum.blogspot.com.br/2012/03/sao-goncalo-do-amarante-ii-riqueza.html

RETROSPECTIVA: Grupos culturais de São Gonçalo se destacam em apresentação na capital Potiguar

Grupos culturais de São Gonçalo se destacam em apresentação na capital Potiguar

A orquestra BAMUSGA é uma das mais atuantes do Rio Grande do Norte, com presença constante em desfiles cívicos, festas religiosas, eventos esportivos e festivais
A Banda Municipal de São Gonçalo do Amarante (BAMUSGA), um dos principais exemplos do incentivo constante da gestão municipal em cultura, é uma das mais tradicionais expressões do talento são-gonçalense.

A orquestra é uma das mais atuantes do Rio Grande do Norte, com presença constante em desfiles cívicos, festas religiosas, eventos esportivos e festivais. No dia 22 de março (quinta-feira),juntamente com a cantora Lucy Alves, a BAMUSGA realizou a abertura da II Conferência Nacional da Jovem Advocacia, promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
“É uma grande satisfação para todos nós ter a oportunidade de representar São Gonçalo do Amarante em um evento a nível nacional junto com uma cantora reconhecida em todo o País. Fazemos parte do berço da cultura popular e honramos o nome da nossa cidade em cada apresentação”, destaca o maestro e fundador da Banda, Aldo Correia.
Durante o evento, o centenário grupo municipal Boi Calemba Pintadinho e o ator Gleydson Almeida também realizaram uma brilhante participação. “Temos uma cultura local bastante diversificada e convites solicitando os nossos grupos em eventos por todo o RN são frequentes, o que reforça a importância de mantermos sempre o apoio pata todos os integrantes desses equipes”, ressalta Flávio Henrique, presidente da Fundação de Cultura Dona Militana.

Os componentes da banda recebem a “bolsa-arte” como forma de incentivo, além de auxilio transporte para apresentações e ensaios.
Fonte: http://saogoncalo.rn.gov.br
Adaptado pelo CPC/RN, em 06/04/2018 

sábado, 5 de maio de 2018

Missões Jesuíticas Guaranis - no Brasil, ruínas de São Miguel das Missões (RS)

Ruínas da Igreja de São Miguel em São Miguel das Missões (RS)
Ruínas da Igreja de São Miguel em São Miguel das Missões (RS)

As Missões Jesuíticas Guaranis, como um sistema de bens culturais transfronteiriços envolvendo o Brasil e a Argentina, compõem-se de um conjunto de cinco sítios arqueológicos remanescentes dos povoados implantados em território originalmente ocupado por indígenas, durante o processo de evangelização promovido pela Companhia de Jesus nas colônias da coroa espanhola na América, durante os séculos XVII e XVIII. Inscritos na Lista do Patrimônio Mundial, em dezembro de 1983, esses remanescentes representam importante testemunho da ocupação do território e das relações culturais que se estabeleceram entre os povos nativos, na maioria do grupo étnico Guarani, e missionários jesuítas europeus. No Brasil, estão localizadas as ruínas do sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo, mais conhecido como ruínas de São Miguel das Missões.
Esses bens também expressam em parte a experiência da Companhia de Jesus no território americano, produzida na chamada Província Jesuítica do Paraguai, que compreendia um sistema de relações espaciais, econômicas, sociais e culturais singulares, conformada à época por 30 povoados, chamados de reduções. Esse complexo incluía ainda estâncias, ervais, redes de caminhos e vias fluviais estendidas pela bacia do Rio Uruguai e de seus afluentes. A experiência, produzida durante os séculos XVII e XVIII, abrangia uma extensa área da América Meridional, correspondente, nos dias atuais, a regiões do Paraguai, Argentina, Uruguai e Brasil.
Leia mais
·         Os Sete Povos das Missões
Documentos
·         Declaração Retrospectiva
·         Dossiê de Candidatura
·         Avaliação Icomos
Os elementos integrantes do conjunto declarado não se encontram ameaçados, sendo preservados pela atuação direta da ação governamental principalmente, tanto na Argentina como no Brasil. No caso brasileiro, os vestígios materiais existentes do sítio - corpo principal da igreja, campanário e sacristia, partes das construções conventuais, fundações e bases das habitações indígenas, praça, horto, canalizações pluviais, objetos sacros - permitem expressar este singular modelo de ocupação territorial permeado pela interação e troca cultural entre os povos nativos e os missionários europeus.
No sítio de São Miguel Arcanjo, a legibilidade e o entendimento da configuração espacial do sítio, capaz de expressar o cotidiano da redução, podem ser atestados por documentos que descrevem sua implantação e organização. A sua autenticidade física está mantida pelos materiais e técnicas construtivas originais. As intervenções ocorridas ao longo dos anos datadas desde a época de funcionamento da redução foram executadas para manter a estabilidade estrutural do bem. Tais intervenções estão identificadas e mapeadas.
Em 1938, esses remanescentes foram tombados como patrimônio nacional. Dois anos depois, foi criado o Museu das Missões, destinado ao recolhimento e à guarda da estatuária da Igreja de São Miguel. Em 1983, juntamente com as Missões localizadas em território argentino de San Ignacio Mini, Santa Ana, Nuestra Señora de Loreto e Santa María La Mayor, São Miguel das Missões foi declarada Patrimônio Cultural Mundial pela Unesco. Esses locais são considerados, atualmente, monumentos históricos com finalidade cultural e turística expressiva, e altamente significativos para o desenvolvimento local das comunidades envolvidas. Como exceção, esses sítios são usados para eventos religiosos ou recreativos.

·         Estruturada em pedra arenito, era pintada de branco e tinha seus espaços interiores ornamentados por pinturas e esculturas de madeira policromada
Igreja de São Miguel das Missões (RS)
Fonte: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/39

MinC divulga organização que vai levar cultura brasileira à Copa


A Brasil Música & Artes foi a organização da sociedade civil (OSC) escolhida pelo Ministério da Cultura (MinC) para levar expressões culturais brasileiras à Rússia durante a Copa do Mundo FIFA 2018, que será realizada de 14 de junho a 15 de julho deste ano. A entidade vencedora ficou com nota 88,50 num total de 100 pontos possíveis no edital de seleção.
A empresa vencedora receberá até R$ 3 milhões do MinC para selecionar e levar para a Rússia atrações em áreas como música e gastronomia.
O objetivo é promover a cultura brasileira no exterior, contribuindo para o intercâmbio e a internacionalização de atividades culturais e de artistas brasileiros. Outra meta é ampliar as oportunidades de inserção de artistas, atividades, bens e serviços culturais brasileiros no mercado internacional, em particular o russo, além de atrair investimentos externos para setores criativos nacionais.
As notas de cada organização participante do edital nos 11 critérios avaliados podem ser conferidas neste link. Das 10 propostas analisadas pela comissão de seleção, quatro foram classificadas e seis, eliminadas. As outras três organizações da sociedade civil classificadas foram: a Associação Raízes da Tradição, em segundo lugar, com nota 83,34; o Instituto Brasileiro de Integração − Cultura, Turismo e Cidadania, em terceiro, com 77,84; e a Associação de Amigos do Balé de Câmara de Barra Mansa, em quarto, com 74,16.
A empresa vencedora tem prazo de 15 dias para apresentar ao Ministério da Cultura (MinC) o plano de trabalho.
Brasil Cultura

200 anos de Karl Marx: Luta, revolução e paixão


Quando em 5 de maio de 1818, a senhora Henriette Marx, nascida Pressburg, deu à luz seu filho, o terceiro dos nove que teria com seu marido Heinrich, não poderia imaginar que aquela criança seria considerada um dos maiores nomes do pensamento ocidental e que suas ideias seriam referência e inspiração para movimentos libertários não só naquele século 19, mas também em todo o século 20, chegando com pleno vigor ao século 21.
Por Maria Valéria Duarte de Souza
Poucas personalidades históricas despertam tantas paixões e tantas controvérsias como Karl Heinrich Marx. Idealizado por uns e demonizado por outros, Karl Marx foi, acima de tudo, um homem de seu tempo, atento às profundas transformações pelas quais passava o mundo e a Europa em particular. Uma dessas transformações apontava para o surgimento de um novo sujeito político, o proletariado.
Entre os anos de 1843/44, aquele homem inquieto, que à frente do jornal Gazeta Renana (Rheinische Zeitung) havia incomodado profundamente o reacionário governo da Prússia, exila-se em Paris juntamente com sua companheira Jenny, com quem estava recém-casado. É em Paris que, em meio a uma intensa agitação política, Marx tomará contato com um efervescente movimento operário. Essa experiência lhe causa um grande impacto pois é a partir dela que irá compreender que aquela classe era a protagonista potencial de uma transformação revolucionária muito mais espetacular do que a ocorrida ali mesmo, na França, em 1789. Porém, essa revolução proletária somente ocorreria quando essa classe potencialmente revolucionária se fortalecesse em consciência e organização, para que assim pudesse assumir o seu lugar na história.
Foi exatamente a esse processo de fortalecimento da consciência e da organização do proletariado enquanto classe que Marx dedicou sua vida e sua obra e é apenas pela compreensão do alcance histórico desta tarefa que se pode entender a dinâmica de sua atuação política e de produção intelectual.
A produção intelectual de Marx não se caracterizou como um esforço acadêmico. O grande rigor teórico no trato de questões que transitam por várias áreas do conhecimento decorre da necessidade de associar produção intelectual com militância política. Marx jamais se pretendeu um teórico “neutro”; sempre deixou claro que estava a serviço de uma causa; a causa da emancipação de uma classe, o proletariado, o que, por sua vez, representa a emancipação de toda a humanidade.
Rejeitando a concepção que toma a produção teórica como um conjunto de princípios assépticos e neutros, Marx rejeita também as concepções panfletárias que nada acrescentam ao desenvolvimento concreto da luta política. Sob esse aspecto, como em muitos outros, a vida e a obra de Marx se distancia dos que exibem uma falsa rebeldia, bem ao gosto do “contra tudo e contra todos”, mas que, de fato, não apresentam nenhuma alternativa transformadora. Apologistas da desesperança, as teorias e as práticas de tendência niilista desses rebeldes sem causa conseguem, no máximo, abrir as portas para o medo que está na raiz do fascismo. Assim, Marx incomodou a muitos e continua a incomodar, entre outras razões, por não ser um rebelde vazio, mas por direcionar sua rebeldia para um novo projeto civilizatório no qual a esperança caminha ao lado da luta.
O fato de vincular claramente sua obra a um objetivo político angariou para Marx um grande número de detratores, não só no campo conservador, mas também entre os que se dizem vinculados a projetos progressistas nos marcos do capitalismo. Entre esses detratores, estão os que o apontam como um “malfeitor” que prega o ódio entre as classes, comprometendo uma suposta harmonia social. Existem também aqueles que, com o intuito de desacreditá-lo e à causa política a qual se vincula, consideram-no um ingênuo por cultivar a ilusão de pretender que as massas proletárias possam protagonizar um projeto civilizatório emancipador.
Mas, além dos detratores, há aqueles que, no extremo oposto, incorrem no erro de mitificar a figura de Marx como se fosse ele um ”guru” ou um guia das massas a caminho de sua libertação, o que não poderia estar mais longe da verdade. Marx jamais atribuiu a si mesmo qualquer papel de liderança carismática . Em toda a sua produção intelectual é o proletariado que está no centro do processo histórico. Seu conhecido temperamento de polemista, que o indispôs com não poucos personagens da cena política de seu tempo, era manifestação de batalhas políticas e ideológicas que visavam combater aquilo que, a seu juízo, não contribuía para o fortalecimento da luta proletária.
Passados já dois séculos, o mundo que assistiu ao nascimento de Karl Marx, o mundo no qual ele iniciou sua militância e produziu sua obra, mudou. A classe trabalhadora e o proletariado assumem outras formas na medida em que o próprio capitalismo se modifica. Diante disso, não faltam vozes para alardear que o pensamento de Marx está superado. Os que assim pensam, ignoram que esta superação somente se dará quando o objeto de atenção intelectual de Marx, a ordem burguesa, também estiver superado. Enquanto isto não acontecer, as categorias de análise com as quais Marx trabalhou para compreender a ordem burguesa seguem como um valioso instrumental teórico para orientar a luta de todos e todas que desejamos superá-la. Mesmo com impressionantes avanços tecnológicos, a sociedade do capital não conseguiu livrar-se de suas contradições mais intrínsecas. Permanece, ainda que sob outras formas, o cenário que inquietou Marx desde a sua juventude: uma sociedade fundada em um modelo que aumenta sua riqueza sem que a pobreza diminua. Marx considerava fundamental entender esse modelo, suas mistificações e suas consequências para aqueles que não têm acesso a esse gigantesco volume de riqueza que é socialmente produzido mas que é apropriado por poucos.
O legado de Marx, porém, vai muito além de sua magistral produção teórica. Em suas biografias vemos que a luta que abraçou atravessou sua vida sob todos os aspectos. A pobreza, a perda de filhos, são fatos que nos dão a dimensão da brutalidade dessa luta, mas que, ao mesmo tempo, mostram que só uma convicção apaixonada poderia ser mantida em circunstâncias tão adversas.
Marx produziu sua obra no calor da vida real; não foi um teórico de gabinete. Sua grande erudição jamais o afastou da luta concreta dos embates políticos. Foram esses embates que alimentaram um impressionante volume de produção intelectual, embora Marx não tenha sido, em seu tempo, o que se poderia chamar de “sucesso editorial”, talvez porque suas análises envolvessem pontos que ainda eram obscuros para sua época, mas que, confrontadas com as realidades do mundo contemporâneo, revelam uma espantosa clareza.

Mesmo aqueles que não comungam de suas ideias admitem que o pensamento de Marx permanece fundamental para compreender nossos dilemas atuais. Isto porque, sem se deixar aprisionar por definições que tentam enquadrá-lo nos estreitos limites departamentais das universidades, Marx realizou a proeza que muitos tentaram mas não conseguiram; aquela que, como disse o escritor e dramaturgo irlandês George Bernard Shaw, é a maior que se pode almejar: “Marx mudou a consciência do mundo”.
Brasil Cultura