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Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

EDUARDO VASCONCELOS - PRESIDENTE DO CPC/RN PROTOCOLA PEDIDO DE AUDIÊNCIA COM PREFEITO FLÁVIO NOGUEIRA - ASSUNTO: UERN E PROJETOS CULTURAIS!!! CONFIRA MATÉRIA!

Hoje pela manhã o presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, EDUARDO VASCONCELOS protocolou pedido de audiência com o prefeito, FLÁVIO NOGUEIRA, cuja pauta será Campus da UERN e Projetos Culturais.

Para Eduardo Vasconcelos o pedido de audiência se faz necessário, pois a nossa UERN praticamente fechou e a classe "política da região do agreste" não tocaram no assunto e nem tão pouco se mobilizaram ou deram uma satisfação a sociedade agresteira ! Outro assunto da UERN é saber sobre o material/acervo do Núcleo de Nova Cruz, foram/vão para onde? Lembrando que lutamos muito para que a UERN permanecesse em Nova Cruz, tanto é que a Comissão em Defesa dos Campus da UERN e UFRN na Região do Agreste Potiguar conseguiu sensibilizar na época a reitoria conseguindo a compra de 10 (dez) computadores, entre outros materiais.

Fechamento: Sabemos das dificuldades, mas pelo menos a instituição tivesse conversado com a comissão e as autoridades, principalmente com a comissão formada, que luta ha vários anos pelos campus!  Não podemos desistir!  A Governadora, Fátima Bezerra é a favor da autonomia financeira da UERN e nós também, portanto juntaremos forças para que este sonho se realize de fato!

O CPC/RN também falará com o poder executivo sobre os projetos culturais que o CPC/RN tenta concretizar em parceria com os poderes executivo e legislativo.

Eduardo Vasconcelos, informa que o CPC/RN recebeu recentemente um documento da reitoria da UERN em Mossoró documento que esclarece o "fechamento", entre outros assuntos. Este documento será repassado para o prefeito na referida audiência.  Vamos aguardar!

A UERN E A UFRN SOMOS NÓS NOSSA FORÇA NOSSA VOZ!

MUSEU NACIONAL INAUGURA EXPOSIÇÃO “QUANDO NEM TUDO ERA GELO – NOVAS DESCOBERTAS NO CONTINENTE ANTÁRTICO”

O Museu Nacional inaugurou, no dia 17 de janeiro, a exposição “Quando Nem Tudo Era Gelo – Novas Descobertas no Continente Antártico”, no Centro Cultural Museu Casa da Moeda do Brasil, no Centro do Rio. A primeira exposição após o incêndio do dia 2 de setembro, apresenta novas descobertas de expedições realizadas entre 2015 e 2018, pelo projeto PALEONTAR, vinculado ao programa Antártico Brasileiro. 

Além disso, a exposição possui um significado ainda mais especial: ocorre no prédio que foi a primeira sede do Museu Nacional, durante o século XIX.

Com a curadoria da paleontóloga Juliana Sayão e entrada gratuita, poderá ser visitada até maio. 

Período da exposição: de 17 de janeiro a 17 de maio.

 
Local: Centro Cultural Museu Casa da Moeda do Brasil (Praça da República – nº26 - Centro).


Horário de funcionamento: de terça a sábado, das 10h às 16h e domingo, das 10h às 15h.


Entrada franca

VERDADE ANULADA Filme que contesta a 'cura gay', 'Boy Erased' não vem para os cinemas do Brasil

Boy Erased

Cancelamento de última hora levantou suspeita de censura diante do conservadorismo, marca do governo Bolsonaro
São Paulo – Usando seu já tradicional sinal de positivo ao final da frase, o presidente Jair Bolsonaromanifestou-se via twitter, nesse domingo (3), contra as acusações de censura ao filme Boy Erased - Uma verdade anulada, que não será mais exibido no Brasil. “Fui informado de que um ator americano está me acusando de censurar seu filme no Brasil. Mentira! Tenho mais o que fazer”, declarou.
Kevin McHale, que não atua no filme, mas na série Glee, é o responsável pela crítica. “É assim que começa, Boy Erased acabou de ser banido no Brasil. Bolsonaro é perigoso e é uma ameaça à comunidade LGBTQ+ no Brasil. Censurar um filme sobre os riscos da terapia de conversão é apenas o início. Eu te amo Brasil e vou lutar com vocês”, afirmou.
Segundo a Universal, o cancelamento deu-se “única e exclusivamente por uma questão comercial baseada no custo de campanha de lançamento versus estimativa de bilheteria nos cinemas”.
Para o ativista Mathew Shurka, a distribuidora deveria dar mais detalhes sobre o cancelamento. Fundador da organização Born Perfect, que trabalha contra a chamada “terapia de conversão”, Shurka atuou como consultor do longa. Para ele, a decisão pode abrir precedentes para outros filmes com temática LGBT não serem distribuídos por “razões comerciais”.
“Trabalhei de graça no filme, pois a própria produtora disse que ele foi feito para ‘salvar vidas’. Isso quer dizer que, por razões comerciais, a Universal não quer salvar vidas?”, questionou.

Verdade anulada

O filme é inspirado no livro de memórias escrito por Garrard Conley, que também se mostrou descontente nas redes sociais com o cancelament de sua exibição no Brasil. “Boy Erased censurado no Brasil. Sentia que isso poderia acontecer e é muito triste que esse tipo de coisa esteja acontecendo num país tão maravilhoso.”
No filme, o ator Lucas Hedges vive o jovem Jared, que mora numa pequena cidade conservadora do Arkansas. Aos 19 anos, gay e filho de um pastor da igreja batista, é pressionado a participar de um programa de terapia para a “cura” da homossexualidade. O pai é interpretado por Russell Crowe e a mãe, por Nicole Kidman. O diretor Joel Edgerton interpreta o profissional responsável pelo tratamento.
Lançado em 2 de novembro nos Estados Unidos, a obra teria arrecadado cerca de US$ 8 milhões, valor considerado baixo, o que teria afetado o lançamento em outros países. Segundo a Universal, em data a ser divulgada o filme será lançado via streaming.
A editora Intrínseca, que tinha como previsão inicial de lançamento a data de 31 de janeiro, distribuiu às livrarias uma versão do livro Boy Erased com uma sobrecapa ilustrada pelos personagens do filme.
Em nota, a Intrínseca informa: “Quando decidimos publicar o livro no Brasil, acreditamos que junto com a adaptação cinematográfica de suas memórias poderíamos levar uma mensagem necessária de tolerância e superação para todos que vivem situações semelhantes de repressão a suas sexualidades. Avaliamos que o livro seria uma importante contribuição para debates e que ajudaria a tornar pública a situação que muitos sofrem em silêncio”. 
E continua, afirmando a boa recepção dos leitores à obra lançada no início de janeiro. “Como muitos, lamentamos a notícia recente de que o filme não será mais exibido nos cinemas do Brasil. Mesmo assim, nossa crença na relevância do relato de Conley e nosso empenho para divulgá-lo permanecem inalterados. Manteremos nossos esforços para a promoção do livro como inicialmente planejado, com a certeza da relevância do tema e de sua contribuição para uma sociedade plural e livre de preconceitos.”
DIVULGAÇÃO/INTRÍNSECA
Capa Boy Erased
Livro lançado traz capa com atores do filme


Fonte: Rede Brasil Atual

ERA BOLSONARO - Para advogados, projeto de lei anticrime de Moro cria 'licença para matar'

Lei anticrime
Advogados preveem aumento da violência policial e mais encarceramento, se projeto virar lei
por Eduardo Maretti, da RBA
Jovens das periferias, em sua maioria pobres e negros, serão os mais atingidos caso o texto proposto pelo ministro da Justiça se torne lei no país.
São Paulo – O projeto de lei anticrime, anunciado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, SergioMoro, na manhã de hoje (4), introduz no ordenamento jurídico do país uma “licença para matar” para os policiais, viola vários princípios da Constituição, aumentará o encarceramento e atingirá principalmente jovens pobres e negros das periferias. “É um projeto de lei anticrime, mas na verdade é um projeto que assassina a Constituição, matando direitos e garantias fundamentais”, diz o advogado criminalista Leonardo Yarochewsky.
Outra questão mencionada pelo advogado como grave é a previsão de “legítima defesa” para os policiais. “Criou-se, como era proposta de campanha do próprio Bolsonaro, uma legítima defesa especial para policiais, dando quase uma licença para eles matarem quando há conflito ou risco iminente de conflito, como prevenção de uma agressão.”
Advogado e membro do Conselho Estadual de Direito da Pessoa Humana (Condepe), Ariel de Castro Alves afirma que, “na prática, qualquer suspeito pode ser abatido, independentemente de estar cometendo crime, meramente porque o policial julgou que a pessoa é suspeita”.
“Os adolescentes e jovens, geralmente negros, já são as principais vítimas da polícia e, com o projeto, as proporções de jovens mortos pode aumentar muito”, diz Castro.
“Sabemos que a polícia brasileira é uma das que mais mata no mundo, e isso vai atingir os mais vulneráveis. A população carcerária é composta na imensa maioria por negros, pobres e jovens. Isso só vai contribuir para o aumento do encarceramento, que já é imenso”, afirma Yarochewsky. 
Segundo levantamento da Pastoral Carcerária, o Brasil tem 725 mil pessoas presas, atrás somente da China, com 1,6 milhão, e dos Estados Unidos, como 2,1 milhões.
A proposta prevê que “o juiz poderá reduzir a pena (do policial) até a metade ou deixar de aplicá-la se o excesso decorrer de escusável medo, surpresa ou violenta emoção".
Castro, do Condepe, lembra que o PL propõe expressamente uma mudança no Código de Processo Penal (CPP) pela qual o agente poderá responder a inquéritos e processos em liberdade. “Isso aumentará a violência policial, porque quem investiga os policiais são os próprios colegas e não existe isenção. Então, os policiais poderão estar soltos ameaçando as testemunhas.”
Para Yarochewsky, não existe política criminal no projeto apresentado pelo ministro da Justiça. “O que existe é uma política autoritária, de endurecimento, uma política para a qual bandido, entre aspas, tem que morrer na cadeia.”
Para ambos os advogados, o já tão desprezado princípio constitucional da presunção de inocência é novamente atacado, agora pelo projeto de lei. Logo no início do texto, há uma mudança no Código de Processo Penal para assegurar a execução provisória de pena após condenação em segunda instância, que hoje prevalece em função de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), destaca Yarochewsky.
Ele lembra que essa decisão está sujeita a ser modificada, em razão da previsão do julgamento das Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) 43 e 44. “O mínimo, pelo menos em relação a esse ponto, seria esperar a decisão do Supremo”, diz o advogado. 
As ADCs, liberadas para julgamento pelo relator Marco Aurélio Mello, do STF, em dezembro de 2017, até hoje não entraram na pauta, o que deve acontecer em abril, por decisão do novo presidente da Corte, Dias Toffoli, empossado em setembro. 
Apenas por conta da execução antecipada da pena definida pelo STF, lembra Yarochewsky, mais de 20 mil pessoas já foram presas no país. Na opinião do criminalista, a situação vai piorar se o PL de Moro virar lei. “A essência do projeto é trancafiar e aumentar o encarceramento.”
Para Ariel, o projeto é também inconstitucional por violar o princípio da igualdade. “Segundo o artigo 5° da Constituição, todos são iguais perante a lei. Os policiais não podem estar acima ou fora das leis, mas subordinados às mesmas legislações. Mas estão recebendo licença para matar, contra o princípio da dignidade da pessoa humana segundo o qual o bem maior a ser assegurando pelo Estado é a vida.”
Ex-candidato à Presidência da República pelo Psol, Guilherme Boulos afirmou, em sua conta no Twitter, que o PL de Moro “é a legalização da pena de morte, sem julgamento, praticada por agentes públicos".
A afirmação de Boulos é pertinente, segundo Ariel, mas o advogado pondera: “Só que a pena de morte, onde vigora, é decorrente de um procedimento legal pelo qual a pessoa pode se defender, durante um processo. No caso do projeto de lei brasileiro, o policial mata e depois justifica. É uma espécie de lei do abate de jovens pobres”.
Fonte: Rede Brasil Atual

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

EDUARDO VASCONCELOS - CPC/RN CONHECE EX MORADOR DE RUA NO RIO DE JANEIRO E HOJE É ESCRITOR ! CONFIRAM!!!

 Da direita p/ esquerda Eduardo Vasconcelos-CPC/RN e LÉO MOTTA. Um jovem que sonhou , lutou e conseguiu atingir os seus sonhos.
Léo Motta foi manchete no Jornal carioca, Extra!


 Lançamento do livro será próximo dia 8 de fevereiro/2019 - RETIRO DOS ARTISTAS

LÉO MOTTA, da rua para a mídia! De morador de Rua a Escritor! Exemplo que deve ser seguido por todos!

O presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, Eduardo Vasconcelos em viagem pelo Rio de Janeiro, semana passada teve a HONRA de encontrar LÉO MOTTA, um morador de rua, que hoje tornou-se ESCRITOR, realizando seu SONHO!

Mas antes ralou pra caramba! Morador de rua por muito tempo, dormindo pelas praças e foi justamente em uma dessas praças amigos/as voluntários que realizam um ato solidário na Praça Tiradentes no Rio de Janeiro e neste dia, Léo abraçou esta ação e até hoje ajuda o grupo nos domingos que distribuem almoço aos moradores de rua (diga-se de passagem) um número reduzido, já que este grupo são formados por uma família que se dedica todos os domingos para fazer esta ato solidário que o de levar comida e água a quem mais necessita.

Eduardo tão logo conheceu o Léo foi logo elogiando-o pela sua coragem e garra, superando todos os males  que os cercava, como também os moradores de rua espalhados pelo nosso País.

Eduardo cita que o exemplo do Léo Motta é pra ser seguido por todos OS BRASILEIROS/AS!

E por falar nisso o mesmo no próximo dia 8 de fevereiro no RETIRO DOS ARTISTAS - 571 - JACAREPAGUÁ - RIO DE JANEIRO. Das 18h ás 23h.

Léo, QUE SEUS SONHOS SE TORNEM REALIDADE!  Grande abraço e sucesso na sua vida! Eduardo Vasconcelos - CPC/RN.

PRESIDENTE DO CPC/RN ENTREGA DIPLOMA DE HONRA AO MÉRITO AO SME DE NOVA CRUZ/RN, ROGÉRIO FELIPE

 Momento da entrega do DIPLOMA DE HONRA AO MÉRITO ao professor, ROGÉRIO FELIPE, Secretário M. de Educação e Cultura de Nova Cruz/RN.
 Foto: da esquerda p/ direita: EDUARDO VASCONCELOS/CPC-RN e ROGÉRIO FELIPE/SME
Hoje (4) pela manhã o presidente do CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC/RN, o radialista, ativista, blogueiro, EDUARDO VASCONCELOS entregou o Diploma de HONRA AO MÉRITO ao Secretário Municipal de Educação e Cultura, Rogério Felipe pelos serviço prestados a Educação e a Cultura  local e também os constantes apoios que o mesmo vem fazendo ao CPC/RN.

Rogério Felipe também é professor e também já foi diretor da maior escola no município de Nova Cruz, que é a Escola Estadual ROSA PIGNATARO.  Rogério Felipe não pode comparecer a II NOITE DAS HOMENAGENS, ocorrido dia 30 de dezembro do ano passado no Plenário da Câmara Municipal de Nova Cruz/RN.

Rogério Felipe agradeceu a homenagem a toda diretoria do CPC/RN, finalizando, dizendo que as portas da SME sempre estarão abertas para ajudar o CPC/RN e que continuará fazendo de tudo para que essas parcerias na defesa da cultura seja sempre eficazes e a SME fará o seu papel sempre.

Eduardo Vasconcelos confidenciou que Rogério Felipe sempre foi um batalhador não só pela cultura, mas também pela educação e o esporte. Finalizou Eduardo Vasconcelos.

A entrega do DIPLOMAS DE HONRA AO MÉRITO foi criado desde em 2017 como forma e objetivo de reconhecimento a todos/as os/as parceiros/entidades, que valorizam, incentivam e transforma a cultura do nosso estado.

Fotos: Claudiano Barbosa - SME.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

TRANSFORMAÇÃO SOCIAL - Cinema negro brasileiro ganha mostra em Roterdã

kbela.jpg

Filme 'Kbela' (2015), de Yasmin Thayná, foi ignorado/recusado por todos os grandes festivais do país
Com exibição de 28 filmes, quatro longas e 24 curtas, participação é considerada histórica para o cinema nacional e um aceno de otimismo que comprova importância das políticas públicas de inclusão.
São Paulo – O Brasil vive um momento histórico para sua cultura: pela primeira vez uma mostra internacional reúne filmes e a maior delegação de realizadores do cinema negro nacional. A 48ª edição do Festival Internacional de Roterdã (IFFR), na Holanda, teve início na quinta-feira (24) e vai até esta segunda-feira (28). No primeiro dia da mostra teve lugar a obra Soul in the Eye – Zózimo Bulbul’s legacy and the contemporary Black Brasilian cinema (Alma no Olho – O legado de Zózimo Bulbul e o cinema negro brasileiro contemporâneo). O festival conta com a exibição de 28 filmes, quatro longas e 24 curtas metragens do produção negra do Brasil.
A curadoria é da professora Janaína Oliveira, do Instituto Federal do Rio de Janeiro, em parceria com os programadores do festival Tessa Boerman e Peter Van Hoof. Doutora em História, Janaína é integrante da Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (Apan).
“Essa mostra é relevante por uma série de motivos. É um momento histórico, não só para o cinema negro, mas para o cinema brasileiro como um todo. Isso nunca aconteceu, de você ter uma mostra nos maiores festivais do mundo, com a quantidade de filmes, a presença dos realizadores. Entre curtas, longas, diretores, assistentes de fotografia, atriz, temos cerca de 19 brasileiros aqui”, relata de Roterdã.
Para a professora, a mostra é um aceno de otimismo, resultado de um processo de transformações vividas no Brasil de 2003 a 2016, com políticas globais de educação inclusiva, com as ações afirmativas no audiovisual, novas escolas de cinema fora das principais capitais. Medidas fundamentais para o surgimento dessa nova geração de cineastas que hoje vê seu trabalho contemplado na mostra internacional.
“Tudo isso junto tornou possível que essas pessoas tivessem acesso à universidade, à formação. Essa geração que a gente vê aí com esses filmes representam uma coisa que a gente não pode esquecer nesse período que a gente está vivendo: alguns processos não têm como retroagir, retroceder. Educação é um deles. Uma vez que as pessoas têm acesso, têm formação, e não é uma coisa que se pode tirar. Continuamos aí produzindo, fazendo, buscando formas, não importa o contexto.”
E reforça: esse processo representa que quando um país tem iniciativas globais por parte das políticas de governo, de educação, de acesso e permanência nos espaços, as transformações sociais acontecem. “É a prova disso, apesar de todas as políticas nesse sentido estarem em xeque, sendo revogadas”, lamenta.
JANAÍNA OLIVEIRA/FICINE
zózimo bulbul
Zózimo Bulbul lutou durante toda sua vida para denunciar o apagamento das culturas africanas
Com orgulho e emoção, Janaína conta que a mostra foi aberta, na quinta-feira (24), justamente por Abolição, primeiro e único longa-metragem de Zózimo Bulbul. “E como nada é por acaso, foi quando se completaram cinco anos da passagem do Zózimo. Na abertura falei disso, falei dele e ao invés de fazermos um minuto de silêncio, fizemos um minuto de aplauso. Foi muito lindo.”
Um filme brasileiro da mostra também foi exibido na abertura da cerimônia do festival: Travessia, de Safira Moreira.
Sessões cheias, público participando dos debates que sempre levam a questões sobre como se chegou a esse quadro atual da política brasileira. “É uma pergunta incontornável que as pessoas trazem com algum grau de perplexidade. Elas não entendem como pudemos chegar onde estamos. As participações recentes em Davos, no cenário internacional por parte do novo presidente, deixaram o público internacional ainda mais apreensivo em relação ao Brasil. As pessoas sempre querem entender o que está acontecendo e a gente tem muita presteza e paciência em explicar a complexidade dos nossos desenvolvimentos históricos. Não é fácil.”

Desapagamentos na origem da mostra

Janaína informa, em texto publicado no site do Fórum Itinerante de Cinema Negro (Ficine), do qual é coordenadora, que todo trabalho para chegar à mostra em Roterdã nasceu de “desapagamentos”. “Foi o de Kbela, filme de 2015 de Yasmin Thayná, notoriamente ignorado/recusado por todos os grandes festivais do país, e que Tessa Boerman encontrou na internet em suas pesquisas.”
Impressionada pelo filme, Boerman convidou Thayná em 2017 para participar do programa Black Rebels (Rebeldes Negros), do qual foi criadora, assim como do Cinema Pan-Africano da Atualidade (Pact, na sigla em inglês, 2018). Junto com Bruno Duarte, um dos diretores de comunicação do filme, Thayná levou para o IFFR o Alma no Olho, curta-metragem de Zózimo Bulbul, que agora dá nome à mostra.
“Foram, portanto, os desapagamentos de Thayná, Bruno e do filme Kbela, e do trabalho seminal de Bulbul, que resultaram nesse momento histórico”, lembra Janaína.
A pesquisadora destaca, no site do Ficine, que, nem os “veículos hegemônicos” da imprensa brasileira, nem a Ancine noticiaram o fato em 2017. “Era a primeira vez que uma diretora brasileira era convidada para o festival, era a primeira vez de Zózimo e Alma no Olho, e era mais uma vez o silêncio e a invisibilidade dos grandes circuitos relacionados ao cinema.”
Mas foi graças a esses desapagamentos que surgiu a ideia da mostra de homenagear o legado de Bulbul. Já a extensão da mostra para os filmes contemporâneos, explica Janaína, foi uma outra semente plantada por Kbela, já que o caráter inovador do filme despertou o interesse em saber mais sobre esta geração de cineastas que hoje compõe o cenário do cinema negro brasileiro.
“Foi assim o começo de tudo. Nas histórias que compõem as trajetórias negras é fundamental sempre lembrar e reverenciar o caminho, celebrando quem trabalhou ontem para tornar o hoje possível”, afirma Janaína.

Alma no olho de Bulbul

A mostra Soul in the Eye é o terceiro programa que destaca os principais movimentos do cinema pan-africano, mas dessa vez voltado totalmente para a produção do cinema negro brasileiro, “a maior comunidade da diáspora africana no mundo”, ressalta Janaína. “E ligamos o recente surto de filmes brasileiros negros ao trabalho pioneiro do ator, produtor, diretor e ativista Zózimo Bulbul.”
O curta-metragem Alma no olho foi escrito, dirigido e interpretado por Zózimo Bulbul, em 1973. Inspirado no livro Soul on Ice, de Eldrige Cleaver e dedicado a John Coltrane, o filme de onze minutos foi a estreia do cineasta e se tornou referência para os realizadores negros.
Nascido em 1937, no Rio de Janeiro, Bulbul iniciou sua carreira no início dos anos 1960 como ator durante a era do Cinema Novo. Fez mais sete curtas e o longa-metragem Abolição, documentário épico em comemoração ao centenário do fim da escravidão no Brasil.
O ativista pan-africano lutou durante toda sua vida para denunciar o apagamento das culturas africanas e afrodescendentes. “Em 2007 criou o Centro Afro Carioca de Cinema, um quilombo no coração do Rio de Janeiro como ele próprio costumava dizer, e fundou o Encontro de Cinema Negro - Brasil, África e Caribe, um dos primeiros festivais de cinema negro na América Latina e o maior até o presente”, relata Janaína, que trabalhou com Bulbul como pesquisadora até sua morte, em 2013.
OS FILMES QUE COMPÕEM A MOSTRA SOUL IN THE EYE

Abolição, Zózimo Bulbul, 1988, Brasil, 153’

Ilha, Ary Rosa/Glenda Nicácio, 2019, Brasil, 94’ (veja trailer)


Meu amigo Fela, Joel Zito Araújo, 2018, Nigéria/França/EUA/Brasil, 94’

Temporada, André Novais Oliveira, 2018, Brasil, 113’

Afronte, Bruno Victor/Marcus Azevedo, 2018, Brasil, 15’

Alma no olho, Zózimo Bulbul, 1973, Brasil, 11’

Aniceto do Império em dia de alforria, Zózimo Bulbul, 1981, Brasil, 11’

ASSIM, Keia Serruya, 2013, Brasil, 13’

BR3, Bruno Ribeiro, 2018, Brasil, 23’

Cartucho de Super Nintendo em Aneis de Saturno, Leon Reis, 2018, Brasil, 20’

Dia de Jerusa, Viviane Ferreira, 2014, Brasil, 21’

Elekô, Coletivo Mulheres de Pedra, 2015, Brasil, 6’

Eu, Minha Mãe e Wallace, Eduardo Carvalho/Marcos Carvalho, 2018, Brasil, 22’

Experimentando o Vermelho em Dilúvio, Musa Mattiuzzi, 2016, Brasil, 8’

Kbela, Yasmin Thayná, 2015, Brasil, 22’ (veja trailer)


Merê, Urânia Munzanzu, 2019, Brasil, 16’

Nada, Gabriel Martins, 2017, Brasil, 27’

NoirBLUE, déplacements;une danse, Ana Pi, 2019, Brasil/França, 27’

Pattaki, Everlane Moraes, 2019, Cuba, 20’ (veja trailer)


Pequena África, Zózimo Bulbul, 2002, Brasil, 14’

Perpétuo, Lorran Dias, 2018, Brasil, 25’

Peripatético, Jéssica Queiroz/Jéssica Queiroz, 2017, Brasil, 15’

Pontes sobre Abismos, Aline Motta, 2018, Brasil, 8’

Quantos eram pra tá?, Vinícius Silva, 2018, Brasil, 29’

Quintal, André Novais Oliveira, 2015, Brasil, 15’

Rainha, Sabrina Fidalgo, Sabrina Fidalgo, 2016, Brasil, 30’

O Som do Silêncio, David Aynã, 2019, Brasil, 17’

Travessia, Safira Moreira/Safira Moreira, 2017, Brasil, 5’

FEMINISMO - As escolhas das mulheres em 'Minha Carne'




Minha Carne
Documentário retrata luta de negras e indígenas por lugar de direito na sociedade. Clipe com a música que deu origem ao filme será lançado em 14 de março, marcando um ano da morte de Marielle Franco.
São Paulo – Em outubro do ano passado, Preta Ferreira compôs a música Minha Carne para o filme Tlazolteotle, de Carla Caffé, Eliane Caffé e Beto Amaral. Três meses depois, Minha Carne virou um documentário e ganhou um clipe para ampliar a voz que fala de “corpos precarizados” e sobre o papel da mulher na sociedade. “Mas o papel em que ela escolheu estar, escolheu ser”, explica a publicitária de 34 anos.
Preta é a terceira dos oito filhos da coordenadora do Movimento Sem Teto do Centro (MTSC), Carmem Silva. Foi nessa luta por moradia digna para famílias de baixa renda que a jovem formou sua militância negra e feminista, trabalhando pelo empoderamento das mulheres que fazem parte do movimento em relação aos direitos e acessos que lhes são negados, lembra.
Além de cantora, Preta é atriz – participou do longa-metragem Era o Hotel Cambridge, também de Eliane Caffé – e dirigiu Minha Carne ao lado da líder indígena Guarani da Aldeia do Jaraguá, em São Paulo, Sonia Barbosa (Ara Mirim), e de Tarsila Araújo, cineasta que trabalha com a inclusão das mulheres no audiovisual.
MInha Carne
A história de Erika Hilton, mulher trans negra, que saiu da prostituição e se tornou uma das nove integrantes da Bancada Ativista, que chega à Assembleia Legislativa de São Paulo com quase 150 mil votos, está em Minha Carne. Assim como as trajetórias de outras mulheres que conseguiram fugir de padrões sociais e de beleza.
“A mensagem é que toda mulher pode ser o que ela quiser”, destaca Preta. “O que queremos mostrar para as que estão por vir, que estão surgindo como liderança, é que elas saibam que estamos aqui e que podem ter referência negra no Brasil, sim. Que existem mulheres na luta que estão buscando dias melhores para elas, para que todas tenham sempre força para denunciar qualquer forma de racismo, machismo, agressão, opressão, feminicídio e que saibam que não estão sozinhas.”
A ressalva de que a obra é também uma mostra de que sororidade não é só uma palavra. “Para nós, ela é exercida na prática”, diz, explicando que tanto o clipe como o filme foram feitos na base da parceria, sem nenhum centavo. “Não tínhamos dinheiro. Toda a equipe doou seu tempo, seu material, seu amor e acreditaram nesse projeto.”
Contribuições recolhidas por um site de doações para financiar a obra serão repassadas igualitariamente a toda a equipe envolvida. Todo o processo de produção está no Instagram de Preta.
O lançamento do clipe será na Ocupação 9 de Julho (Rua Álvaro de Carvalho, 427, Bela Vista, região central de São Paulo), no dia 14 de março, quando se completa um ano da morte de Marielle Franco. “Escolhemos essa escolhemos essa data pois tem muita representatividade e queremos homenagear sua presença em nossas vidas.”
O filme será lançado no fim do ano. “Vamos fazer um show para arrecadar grana pois ainda faltam algumas cenas para serem gravadas”, diz Preta.

Fonte Rede Brasil Atual - RBA 

Jorge Coli: os livros de Monteiro Lobato eram mesmo racistas?

Ilustração mostra Monteiro Lobato com o Saci-Pererê e outros personagens do Sítio do Picapau Amarelo
Não se deve ter medo de livros. De nenhum livro. Muito menos dos livros infantis de Monteiro Lobato. As consciências puras de nosso tempo andam condenando seus escritos por racismo.
Por Jorge Coli, na Folha de S.Paulo
Creio, em primeiro lugar, que deveríamos separar o autor e a obra. A complexidade na arte é sempre maior do que no artista. Mas esta é uma outra história, muito comprida, que não cabe aqui. Quero, agora, trazer observações sobre o racismo nos livros infantis de Lobato.
Encasquetaram com Caçadas de Pedrinho, em que aparece a frase: “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou que nem uma macaca de carvão pelo mastro de São Pedro acima”. Algumas defesas bem-intencionadas dizem que é preciso “contextualizar na época”. Não acredito nessa solução.
Lobato inoculou pensamento crítico a toda uma geração, a dos que têm hoje entre 50 e 80 anos. Lembro-me de Benedito Nunes, cuja inteligência filosófica nos faz tanta falta, mostrando-me, comovido, sua coleção do Picapau Amarelo guardada em lugar de honra.
São livros que abalam todos os confortos intelectuais. Têm horror à autoridade e à obediência. No Sítio, ninguém manda nem obedece: “Emília, respeite os mais velhos! – ralhou dona Benta. – A senhora me perdoe, – disse a pestinha – mas, cá para mim, isso de respeito nada tem com a idade. Eu respeito uma abelha de um mês de idade que me diga coisinhas sensatas –mas se Matusalém vier para cima de mim com bobagens, pensa que não boto fogo na barba dele? Ora, se boto!”.
Esta é uma passagem de Histórias de Tia Nastácia. Lobato era fascinado pelas culturas afro-brasileiras, ao contrário dos modernistas que prolongaram o culto do indianismo romântico no século 20. Traz para o público infantil as histórias contadas por Tia Nastácia, que ele buscou em Sílvio Romero.
Graças ao Tio Barnabé, negro que mora entre o sítio e a floresta, faz os meninos serem conduzidos pelo Saci, um ser sincrético, mas fortemente carregado de forças africanas, no mundo tenebroso das lendas. Foi Tia Nastácia quem fez, fabricou, criou Emília. É Nastácia a grande vencedora do Minotauro. Nastácia que tem a última palavra no malfalado Caçadas de Pedrinho: “Negro também é gente, sinhá…”.
Nem todos lembram que o primeiro livro publicado por Lobato foi, em 1918, O Saci-Pererê: Resultado de um Inquérito, a partir de uma pesquisa promovida por ele, fascinado que era pelo personagem.
Esquecem-se de Negrinha, conto tremendo, de crueldade dolorosa, sobre uma pequena órfã negra de sete anos, pouco tempo depois do 13 de maio, um testemunho do abandono no qual foram deixados os ex-escravos: “O corpo de Negrinha era tatuado de sinais, cicatrizes, vergões. Batiam nele os da casa todos os dias, houvesse ou não houvesse motivo”.
Lobato era um iluminista e acreditava na racionalidade. Mas sabia que os homens são contraditórios. Por isso, no Sítio, os personagens são tão diferentes entre si. Odiava o angelismo, que deixa insossos muitos livros infantis e que transformou as adaptações na televisão – exceto as velhíssimas, na TV Tupi, por Júlio Gouveia – em bobagem conformista.
Lobato não evitava a crueldade. Um de seus livros mais assustadores é A Chave do Tamanho. Nele está a frase de Lobato que mais me marcou: “A humanidade forma um corpo só”. Sem hierarquias. Quando uma parte sofre, é o corpo inteiro que sofre.
Seus livros levam as crianças a descobrirem que o mundo nunca foi um mar de rosas. Emília é “sem coração”, como diz o Visconde, assinalando o caráter tirânico, ávido, cruel da boneca, capaz de surrupiar o que não é dela. Ela retruca: “Dizem todos que não tenho coração. É falso. Tenho, sim, um lindo coração – só que não é de banana. Coisinhas à toa não o impressionam; mas ele dói quando vê uma injustiça”. Os dois, Visconde e Emília, estão certos, porque ninguém é sem contradições.
Só quem não leu ou não compreendeu os livros infantis de Lobato pode julgá-los racistas. Não ensinam o moralismo sentimental. Antes, induzem à crítica, ao exame, à independência do pensamento individual e autônomo.
Dona Benta não tem autoridade por ser adulta – chega a virar uma tartaruga de óculos, em Reinações de Narizinho. Mas o que ela faz é instilar no leitor o conhecimento ativo, interrogador, inconformado, sedento. Nisto está o gênio insuperável de Lobato.
Suas obras caíram agora em domínio público. Boa nova. Que as crianças – sejam lá de que origem forem – se apaixonem por elas. Mais do que nunca, é de pensamento livre que precisamos.
* Jorge Coli, professor de história da arte na Unicamp, é autor de O Corpo da Liberdade