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terça-feira, 9 de abril de 2019

Vai começar a temporada 2019 de turismo nas montanhas do Brasil

Maio a setembro é a época mais propícia para a prática do esporte de travessias e escaladas no país
A temporada ideal para a prática de montanhismo no Brasil, que vai de maio a setembro, começa oficialmente no dia 27 de abril, com o festival anual Abertura da Temporada de Montanhismo (ATM), na Urca, Rio de Janeiro. O evento marca o começo do período mais adequado para o esporte no país e é aberto ao público, com programação envolvendo atividades ecológicas, educação ambiental, demonstrações de técnicas de escalada e resgate, apresentação de equipamentos, campeonato de escalada, cinema de montanha e ações de “montanhismo social”.
Além de montanhistas e escaladores, a ATM atrai simpatizantes das atividades ao ar livre e de conservação das montanhas brasileiras. O festival faz a divulgação da diversidade de montanhas existentes no Brasil no período em que as condições climáticas são ideais para a prática do esporte e turismo nas alturas. Segundo a Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro, o objetivo é celebrar a cultura do montanhismo através do uso turístico, recreativo e esportivo das montanhas.
Segundo o secretário nacional de Desenvolvimento e Competitividade do Turismo do MTur, Aluizer Malab, a diversidade de atrativos naturais no Brasil é um diferencial entre os destinos de natureza e aventura, no mundo. “São ativos que aumentam nosso potencial de atração de turistas estrangeiros e também de ampliação do turismo doméstico, dinamizando as economias locais de maneira sustentável. A temporada de montanhismo no Brasil é uma excelente oportunidade de promovermos a preservação do patrimônio natural por meio do turismo. Turismo e meio ambiente andam juntos”.
O turismo nas alturas requer disposição e aventura. O Morro da Urca, onde será realizado o evento de abertura da temporada, integra o Monumento Natural do Pão de Açúcar, é um dos pontos de escalada do Rio de Janeiro e também ponto de chegada ou de partida da Trilha Transcarioca. A travessia de 180 km interliga seis áreas protegidas dentro da cidade, como o Parque Nacional da Tijuca, o mais visitado do Brasil, onde está a estátua do Cristo Redentor. Na outra extremidade da caminhada fica o Parque Natural Municipal de Grumari.
EXPERIÊNCIAS – Quem sobe a Serra do Mar encontra no Parque Nacional da Serra dos Órgãos um dos melhores locais do Brasil para a prática de esportes de montanha, como escalada, caminhada e rapel. O cenário natural tem vistas deslumbrantes da majestosa cadeia de montanhas, além de cachoeiras, sítios históricos, fauna e flora abundante da Mata Atlântica. São mais de 200 quilômetros de trilhas, desde a trilha suspensa, acessível para cadeirantes, até a pesada Travessia Petrópolis-Teresópolis, com 30 Km de subidas e descidas pela parte alta das montanhas. Entre as escaladas, destacam-se o Dedo de Deus, com 1.692 metros de altitude, marco inicial da escalada no país desde 1912, e a Agulha do Diabo, uma das melhores escaladas em rocha do mundo.
“Foi uma das mais bonitas e melhores experiências de travessias que eu já fiz”, disse a blogueira Vivian Teles, que escreve sobre turismo e aventura. A carioca destacou que a vivência entre as montanhas propicia grandes aventuras para quem quer fugir do stress do dia a dia e se conectar com a natureza. “Definitivamente essa travessia deve fazer parte do currículo do montanhista brasileiro”, afirmou.
Localizado na Serra da Mantiqueira, na divisa entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, próximo ao estado de São Paulo, o Parque Nacional do Itatiaia, criado em 1937, foi o primeiro parque do Brasil, sendo uma das áreas pioneiras do montanhismo. São diversas trilhas, travessias com abrigos de montanha entre as partes Alta e Baixa e opções de escaladas nas formações rochosas – entre elas, Camelo, Prateleiras e Altar. O parque abriga três dos 10 pontos mais altos do Brasil: o Pico das Agulhas Negras (2.791 m), o 5º mais alto do país, que é o ponto culminante do Itatiaia; o Morro do Couto (2.680 m), o 8º em altitude; e a Pedra do Sino de Itatiaia (2.670 m), que é o 9º pico mais alto.
A escalada das Agulhas Negras foi a experiência mais difícil para Ediceu Pereira, que já subiu oito das dez maiores montanhas do Brasil. Ele justificou que os picos da Neblina (2.995 m) e 31 de Março (2.974 m), o 1º e o 2º mais altos, ambos localizados no Parque Nacional do Pico da Neblina, no Amazonas, não estão abertos para visitação. “Já a trilha mais bela que eu fiz foi a do Parque Nacional do Monte Roraima, durante sete dias. A paisagem da região e a magia do local são únicas”, disse o paulistano ao destacar a beleza da 7ª montanha mais elevada do Brasil, uma “mesa” com 2.734 metros de altitude, localizada no extremo norte de Roraima e marco divisor da tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana.
No Parque Nacional do Caparaó, entre Minas Gerais e Espírito Santo, ficam os picos da Bandeira (2.891 m) e Cristal (2.769 m), o 3º e 6º em altitude. Além das trilhas com abrigos noturnos, os visitantes podem se deliciar com banhos em cachoeiras e piscinas naturais e observar visuais deslumbrantes da Serra do Caparaó e região, com belos espetáculos no alvorecer e no pôr do sol acima das nuvens. Completam a lista do montanhista a Pedra da Mina (2.798 m), o 4º pico em altitude, na Serra da Mantiqueira, entre São Paulo e Minas Gerais; e o Pico Três Estados (2.665 m), o 10º mais alto, na mesma região, entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
SEGURANÇA – Montanhismo é uma atividade de risco, e os manuais e guias impressos ou digitais não substituem instrução e supervisão profissional. Há, no entanto, atividades com todos os níveis de dificuldade – desde caminhadas de contemplação até escalada de montanhas. Se você deseja praticar alguma atividade mais radical, procure os condutores ou guias de turismo de aventura credenciados para os percursos em todo o Brasil ou profissionais certificados pela Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada.
05.04.2019 Ediceu Pereira monte roraima1
Montanhista Ediceu Pereira em caminhada para o Monte Roraima. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação MTur

Edição: Vanessa Sampaio
Fonte: Brasil Cultura

José Carlos Ruy: A importância de Maria Firmina na literatura

No ano em que se completam os 160 anos da publicação do livro Úrsula, abolicionista e contra a opressão da mulher, é preciso reconhecer o lugar de sua autora, Maria Firmina dos Reis, entre os fundadores do romance brasileiro.

Por José Carlos Ruy*
Os livros de história da literatura brasileira precisam, todos eles, sem exceção e com urgência, ser corrigidos para que se introduza neles o reconhecimento de que o romance brasileiro tem entre seus fundadores uma mulher, que se definiu, no prólogo de seu romance, publicado em 1859, como “ uma mulher, e mulher brasileira” , qualidade que aparece também no pseudônimo que usou para a publicação: “Uma Maranhense” . Foi publicado inicialmente em folhetim, no jornal A Moderação, de São Luís e, no anúncio da publicação se podia ler, quase escondida nas últimas linhas, a informação de que sua autora era a “ exma. sra. D. Maria Firmina dos Reis, professora pública em Guimarães” .
Mulata, filha de pai negro e mãe branca, que não eram casados, há controvérsia sobre o ano de seu nascimento – uns dizem que foi em 1822, e a maioria fala em 1825. Não é o fundamental. Esta mulher, negra e nordestina – e que vivia de seu salário de professora primária – foi Maria Firmina dos Reis, autora de Úrsula – Romance Original Brasileiro, cuja publicação completa 160 anos em 2019.
A urgência da correção dos livros de história da literatura é acentuada pela qualidade literária do livro que o destaca entre os romances inaugurais da literatura brasileira, de autoria de homens, brancos e bem situados socialmente, como Joaquim Manuel de Macedo, Manuel Antonio de Almeida e José de Alencar.
Úrsula foi o primeiro romance abolicionista publicado em língua portuguesa. Antiautoritário, criticou com ênfase a opressão da mulher pelo mesmo autoritarismo patriarcal que então dominava. Na vida real, Maria Firmina abominava a escravidão e a desumanização que decorre dela. Conta-se que, em 1847, com pouco mais de 20 anos de idade, quando foi tomar posse no cargo de professora primária após passar em um concurso público em sua província, foi-lhe oferecido o transporte em uma liteira carregada por escravos – e ela recusou, preferindo ir a pé. Teria dito: “Negro não é animal para se andar montado nele”.
Autodidata de largas leituras e fluente em francês, Maria Firmina tinha consciência dos preconceitos que seu antiescravismo e seu feminismo avant la lettre enfrentariam naquela sociedade patriarcal e escravista – daí ocultar-se sob o pseudônimo “ Uma Maranhense” . No prólogo de Úrsula, ela afirmou seu conhecimento dessa barreira patriarcal preconceituosa: “Pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem o trato e conversação dos homens ilustrados”.
Seu espírito humanista e inconformado com a escravidão transparece em todo o romance. Um exemplo é o capítulo inicial no qual, ao longo de saborosa descrição da paisagem – como era própria do romantismo literário –, ela indica gradualmente o tema que crescerá ao longo do livro: a descrição da exploração implacável e inconsciente do trabalho de alguém. Ela narra a viagem pelo campo de um jovem, a cavalo; o cavaleiro não nota a exaustão do animal que, a seguir, não consegue continuar e cai.
Em socorro do cavaleiro ferido – que se saberá, aos poucos, ser um dos principais personagens do livro – surge no horizonte a figura de um homem que, parágrafos adiante, será apresentado como Túlio, um jovem escravo. É notável, num romance escrito em 1859, quando a escravidão mantinha força total na sociedade, sua apresentação inicial como “um homem”, e não um negro ou um escravo. Não se trata de uma opção estilística vazia, arbitrária; ela denota o profundo humanismo da autora que, inspirada pelo cristianismo, levava ao pé da letra a convicção de que todos os homens são iguais.
Que diferença de As Vítimas Algozes (1869), de Joaquim Manuel de Macedo, injustamente considerado o primeiro romance abolicionista brasileiro, cujo próprio título incorpora o preconceito da época: invertendo a relação injusta criada pela escravidão, apresenta a abolição como um benefício… para os senhores, por livrá-los da ameaça representada pela presença de verdadeiras feras, os negros escravizados, apresentados como vingadores cruéis e bestiais. Macedo reflete o preconceito da época que encara o africano como selvagem, não civilizado, e o desumaniza. O romance “abolicionista” de Macedo não pode sequer ser classificado como humanista, e apresenta o escravo como uma ameaça ao senhor.
Úrsula, ao contrário, patenteia o caráter humanista e antirracista de Maria Firmina, e o legitima – por razões estilísticas mas também pelo forte conteúdo social – como o primeiro grande romance abolicionista escrito em idioma português, da mesma forma como retrata e condena a opressão da mulher.
É um romance, hoje, de acesso difícil, em formato convencional, de papel, embora possa ser encontrado em formato eletrônico, pela internet. Teve apenas duas edições. A primeira, de 1859, saiu inicialmente em folhetim no jornal A Moderação, de São Luís, e depois em livro, no mesmo ano, pela Tipografia do Progresso, da capital maranhense.
A outra edição demorou mais de um século para sair. Em 1962, o pesquisador Horácio de Almeida encontrou um exemplar da primeira e única edição de Úrsula no meio de um lote de livros comprados em um sebo. E se surpreendeu com a qualidade literária e social do romance do qual, 13 anos depois, em 1975, conseguiu publicar uma segunda edição, fac-similar, feita pelo governo do Maranhão, para a qual escreveu o prefácio.
Maria Firmina foi escritora e educadora. Ela fundou, em 1879, na vila de Guimarães, Maranhão, a primeira escola gratuita para o ensino fundamental de meninos e meninas – que só durou três anos, abatida pela fúria preconceituosa que provocou. “O escravo firminiano”, diz a professora Régia Agostinho da Silva (1), da Universidade Federal do Maranhão, “é, antes de tudo, aquele que fala da África, que só reconhece a verdadeira liberdade, no tempo em que vivia naquela África saudosa e nostálgica”.
Maria Firmina dos Reis é a única mulher a figurar entre os homenageados na Praça do Pantheon, em São Luís, onde estão os bustos de escritores maranhenses. Mas já passou da hora de reconhecer seu lugar entre os fundadores da literatura brasileira – esta escritora notável e lutadora pela liberdade e contra a opressão: Maria Firmina dos Reis.
Aos 160 anos da publicação inicial de Úrsula, uma nova edição se impõe como homenagem não ao passado – merecida, sem dúvida – mas ao presente, aos estudantes e estudiosos, gente da cultura e do pensamento, aos militantes do progresso social de nossos dias, para que reconheçam em Maria Firmina dos Reis a legitimidade da luta de todos contra a opressão e se animem a, em nosso tempo, levar adiante essa luta humanitária, libertária… e antiga.
* José Carlos Ruy é jornalista.
NOTA
(1) Citada no artigo “Quem foi Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista brasileira”, de Helô D’Angelo, na revista Cult, 13/11/2017)
TRECHOS
Sequestro na África
– “Vou contar-te o meu cativeiro.
Tinha chegado o tempo da colheita, e o milho e o inhame e o mendobim [mendubim = amendoim] eram em abundância nas nossas roças. Era um destes dias em que a natureza parece entregar-se toda a brandos folgares, era uma manhã risonha e bela como o rosto de um infante; entretanto, eu tinha um peso enorme no coração. Sim, eu estava triste e não sabia a que atribuir minha tristeza. Era a primeira vez que me afligia tão incompreensível pesar. Minha filha sorria-se para mim, era ela gentilzinha, e em sua inocência semelhava um anjo. Desgraçada de mim! Deixei-a nos braços de minha mãe e fui-me à roça colher milho. Ah! nunca mais devia eu vê-la. Ainda não tinha vencido cem braças de caminho quando um assobio, que repercutiu nas matas, me veio orientar acerca do perigo eminente [iminente] que aí me aguardava. E logo dois homens apareceram e amarraram-me com cordas. Era uma prisioneira — era uma escrava! Foi embalde que supliquei em nome de minha filha que me restituíssem a liberdade: os bárbaros sorriam-se das minhas lágrimas e olhavam-me sem compaixão. Julguei enlouquecer, julguei morrer, mas não me foi possível… a sorte me reservava ainda longos combates. Quando me arrancaram daqueles lugares onde tudo me ficava — pátria, esposo, mãe e filha, e liberdade! Meu Deus! O que se passou no fundo de minha alma, só vós o pudestes avaliar!”
O tráfico escravista
– “Meteram-me a mim e a mais trezentos companheiros de infortúnio e de cativeiro no estreito e infecto porão de um navio. Trinta dias de cruéis tormentos e de falta absoluta de tudo quanto é mais necessário à vida passamos nessa sepultura até que abordamos as praias brasileiras. Para caber a mercadoria humana no porão, fomos amarrados em pé e, para que não houvesse receio de revolta, acorrentados como animais ferozes das nossas matas, que se levam para recreio dos potentados da Europa.”
Túlio
– “O homem que assim falava era um pobre rapaz, que ao muito parecia contar 25 anos, e que na franca expressão de sua fisionomia deixava adivinhar toda a nobreza de um coração bem formado. O sangue africano refervia-lhe nas veias; o mísero ligava-se à odiosa cadeia da escravidão; e embalde o sangue ardente que herdara de seus pais, e que o nosso clima e a escravidão não puderam resfriar, embalde – dissemos – se revoltava; porque se lhe erguia como barreira – o poder do forte contra o fraco.”
A igualdade natural entre os homens
– “ Senhor Deus! quando calará no peito do homem a tua sublime máxima – ama a teu próximo como a ti mesmo – e deixará de oprimir com tão repreensível injustiça ao seu semelhante!… a aquele que também era livre no seu país… aquele que é seu irmão?! E o mísero sofria; porque era escravo, e a escravidão não lhe embrutecera a alma; porque os sentimentos generosos, que Deus lhe implantou no coração, permaneciam intactos, e puros como sua alma. Era infeliz; mas era virtuoso; e por isso seu coração enterneceu-se em presença da dolorosa cena, que se lhe ofereceu à vista.”

Cai mais um ministro do governo Bolsonaro.

O presidente Jair Bolsonaro anunciou em uma rede social nesta segunda-feira (8) a demissão do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez. Bolsonaro informou também que o novo ministro será Abraham Weintraub.
Na sexta-feira (5), em um café da manhã com jornalistas, o presidente Jair Bolsonaro disse que o ministro poderia deixar o cargo nesta segunda-feira (8). “Segunda-feira vai ser o dia do ‘fico ou não fico'”, disse o presidente na ocasião.
Novo ministro
Weintraub, o novo ministro, já trabalhava no governo Bolsonaro. Ele era secretário-executivo da Casa Civil, segundo cargo mais importante dentro da pasta.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

SABEDORIA - Bolsonaro diz que existe 'indústria de demarcação' de terras indígenas

Bolsonaro e Augusto Nunes
"O índio é um ser humano como eu e você", disse presidente ao jornalista Augusto Nunes
por Redação RBA
Em entrevista, presidente afirma que pretende mudar política na Amazônia, que Palestina 'não é país' e que ato que o fez desistir de visitar Mackenzie, há duas semanas, foi 'manifestação burra'.
São Paulo – Em entrevista ao jornalista Augusto Nunes, na rádio Jovem Pan, o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou que as demarcações de terras indígenas não podem atrapalhar o desenvolvimento do país. “A demarcação não pode ser com laudos suspeitos”, disse. “Demarcar tem que ter critério.” Segundo ele, existe uma “indústria de demarcação” de terra no Brasil, o que “inviabiliza" projetos desenvolvimento.
Ele afirmou que quer uma exploração da Amazônia “em parceria” com os Estados Unidos e que os índios querem royalties para permitir a construção de uma linha de transmissão de energia. “Eu topo pagar, mas isso atrapalha. Setenta por cento dos índios têm nossa cultura, mas querem ganhar dinheiro em cima do índio.” Ele não informou quem estaria querendo ganhar dinheiro.
Ainda sobre demarcação de terras, prometeu que vai mudar a política. “O que puder rever, eu vou rever.” De acordo com ele, índios devem ter o direito de “vender ou explorar (a terra) da maneira como quiserem. O índio é um ser humano como eu e você.”
Questionado sobre algum arrependimento que possa ter desde que tomou posse, garantiu que não se arrepende de nada e que problemas provocados por posts em redes sociais são coisas que ”acontecem”. Comentou, como exemplo, a defesa do regime militar. “Podemos fazer as mesmas coisas, as coisas boas do período militar, e não repetir as coisas ruins”, pontuou.
A respeito de educação, disse que o agora ex-ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez foi demitido porque “não tinha expertise” e na “questão da gestão deixou a desejar”. Continuou denunciando que “existe aparelhamento na educação” e que o  novo ministro (Abraham Weintraub, executivo do mercado financeiro) é quem vai decidir o que vai fazer”.
Numa fala entrecortada, comentou de passagem a manifestação dos estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie, há duas semanas. Disse que desistiu do compromisso na instituição “porque tinha uma manifestação burra”. Afirmou que os “cem estudantes” que promoveram o ato eram “uma molecada que está sem noção para que tenham um futuro melhor”.
Sobre suas políticas, afirmou que sua intenção é fazer “o melhor” para o país e mencionou o ex-candidato do PT à presidência da República. "Se o Haddad tivesse sido eleito, quem ele teria visitado? Estados Unidos, Chile e Israel?” Ele mesmo respondeu afirmando que Haddad teria ido à Bolívia, à Venezuela e a Cuba.
Ainda sobre política externa, garantiu que não mudou de ideia sobre transferir a Embaixada brasileira em Israel, de Tel Aviv para Jerusalém. “Não mudei ainda não. É quem nem casamento. Tem que namorar, ficar noivo, comprar uma casa. Eles (Israel) estão bem com os árabes”, disse. “Nós também estamos.”
Segundo o presidente, só três países da região têm problemas com os Estados Unidos. “Irã, Palestina, que não é país, e a Turquia, que está começando a namorar os Estados Unidos.” Entretanto, ele não explicou que a Turquia e o Irã não são países árabes, mas afirmou que pretende visitar os árabes. E comentou: “Eles (os palestinos) têm uma embaixada aqui sem ser país. Estão querendo demais.”
A pergunta do entrevistador sobre a questão da Venezuela, declarou: “Quem está na vanguarda é os Estados Unidos (sic)”. Em seguida, citou o presidente norte-americano, Donald Trump. “Ele disse que todas as possibilidades estão na mesa. Então, todas as possibilidades estão na mesa, e ponto final.” O mandatário opinou dizendo que a Venezuela “não pode continuar como está, o povo sofrendo, e tem que botar um ponto final naquilo”.

MOBILIZAÇÃO DIGITAL - Ferramenta permite pressionar deputados contra a 'reforma' da Previdência



reforma da previdência
'Reforma da Previdência contém ataques e crueldades contra os trabalhadores (...) Diga não à retirada de direitos', diz o texto
por Redação RBA 
Pelo serviço criado por associação de auditores da Receita, eleitor pode enviar e-mail aos parlamentares para rejeitar PEC 6/2019.
São Paulo – A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip) criou uma ferramenta para que trabalhadores aumentem a pressão contra a "reforma" da Previdência. O site permite a comunicação direta com os gabinetes dos deputados por e-mail. A mensagem e-mail pode ser enviada a um parlamentar específico, para todos, ou então direcionar a mensagem, podendo-se agrupar os deputados por estado ou partido.
Um texto pronto fica disponível na ferramenta, mas o usuário pode alterá-lo se desejar ou elaborar a sua própria justificativa para dizer que não aceita o projeto do governo Bolsonaro para alterar as regras para aposentadorias dos trabalhadores.
"A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 6/2019, da reforma da Previdência, contém ataques e crueldades contra os trabalhadores da iniciativa privada, trabalhadores rurais, servidores públicos, aposentados, pensionistas e os pobres que têm direito de receber o Benefício de Prestação Continuada", diz o texto.
Fonte: REDE BRASIL ATUAL

Museu Afro Brasil corre perigo

Espaço reúne um acervo de cerca de 500 itens históricos.

Criado em 2004 a partir da coleção particular do artista plástico Emanoel Araujo, curador do Museu Afro Brasil, o espaço reúne um acervo de cerca de 500 itens históricos, tais como pinturas, objetivos, mapas, fotografias, esculturas e instalações, entre outros, além de uma biblioteca com 12 mil livros e da realização de cursos, oficinas e eventos. Mais de 180 mil pessoas visitam o museu anualmente, dos quais 40 mil estudantes.
Assista a cobertura do ato da cultura no MASP e depoimentos dos artistas:Na nota pública, os trabalhadores do museu convocam a população a reagir contra o corte no orçamento. Confira a íntegra da nota:          
“Nota pública para a sociedade civil, equipamentos culturais e imprensa. Versa sobre o cenário de contingenciamento, o impacto deste para o Museu Afro Brasil e convoca para a mobilização.
CORTE NA CULTURA DO ESTADO DE SÃO PAULO –
MUSEU AFRO BRASIL SOB AMEAÇA
As trabalhadoras e trabalhadores do Museu Afro Brasil se reuniram no dia 04 de abril de 2019 e vêm a público informar e convocar toda a sociedade para juntos defendermos a Cultura no Estado de São Paulo.
Para tanto, é importante que se saiba:
  1. O Governo do Estado de São Paulo, por meio do Decreto 64.078/2019, anunciou o contingenciamento de 22,95% no orçamento da Secretaria do Estado da Cultura e Economia Criativa. O que isso significa? Todos os equipamentos culturais do Estado serão drasticamente afetados e correm risco de fechamento ou  redução de suas atividades. Museus, bibliotecas, orquestras, centros culturais, companhias de dança, escolas de música e conservatórios, Fábricas e Casas de Cultura, programas de formação para crianças e adolescentes estão sob ameaça. Milhões de pessoas serão diretamente afetadas;
  2. Atualmente, a Cultura representa parcos 0,35% do orçamento estadual. É, assim, a pasta com o menor orçamento no Estado. No entanto, é aquela que será vítima do maior contingenciamento (22,95% – o contingenciamento geral do tesouro estadual é de 3,54%);
  3. O Museu Afro Brasil, instituição pública subordinada à Secretaria da Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e administrada pela Associação Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura –, está sob ameaça de redução de atividades e fechamento, diante deste contingenciamento;
  4. O Museu Afro Brasil recebe, anualmente, 180 mil visitantes, dentre eles 40 mil estudantes. Desde 2009, foram 1.738.409 pessoas diretamente impactadas pelas ações do Museu. Todos os anos dezenas de exposiçõespublicações e ações de pesquisa e incentivo à produção artística e cultural interagem com um rico acervo com mais de 7 mil obras, uma biblioteca com 12 mil títulos e um Teatro (Ruth de Souza) que acolhe importantes atividades de promoção da cultura nacional sob a perspectiva afro-brasileira;
  5.  Além disso, projetos e programas educativos são responsáveis pelo atendimento e formação de diferentes públicos em situação de vulnerabilidade social, idosos, crianças, pessoas com deficiência, jovens em privação de liberdade, frequentadores de equipamentos de Saúde Mental, professores, por meio de parcerias com instituições de Educação, Saúde e Assistência Social – áreas que foram apontadas como prioridades pelo Governador João Doria Jr., mas que também serão duramente afetadas pelo corte na Cultura;
  6. O Museu Afro Brasil tem sobrevivido, com muita dificuldade, a um histórico de cortes orçamentários: em 2015, um corte de 12%nos atingiu dramaticamente. Esse cenário nos custou a demissão de 25 funcionários, a terceirização de áreas estratégicas (segurança, orientação de público, limpeza) e o corte de benefícios salariais. Entre 2016 e 2019 não houve reajuste nos repasses da Secretaria, o que na prática significou uma grande redução do orçamento. Atualmente, a realização e manutenção de todos os projetos e ações mencionados no item anterior são levados a cabo por um conjunto de 62 funcionários e 27 terceirizados – uma equipe completamente reduzida em face do nosso compromisso com a sociedade paulista e brasileira.
Diante desse cenário, o contingenciamento significará a demissão de grande número de funcionários, a redução de projetos e atividades e, até mesmo, o fechamento do Museu Afro Brasil, impactando milhares de pessoas que veem e encontram neste espaço não apenas a preservação de sua memória e identidade, mas a possibilidade de exercer seu direito à cultura.
O Museu Afro Brasil – assim como todos os equipamentos estaduais de cultura – é um patrimônio de toda a sociedade. Por meio de nosso compromisso e dedicação temos assegurado à população paulista e brasileira um direito inalienável. Este museu é uma conquista do povo brasileiro e da população negra deste país. Sua existência, e a existência da Cultura no estado de São Paulo, está ameaçada. Somos contra o contingenciamento e nos levantamos para revogá-lo!
Por isso, convocamos todas e todos a se mobilizarem na defesa de seus direitos. Os bens culturais pertencem à toda a sociedade! Mobilize-se, fortaleça seu equipamento cultural, assine e divulgue petições públicas, pressione as autoridades.
O MUSEU AFRO BRASIL E A CULTURA DO ESTADO DE SÃO PAULO NÃO PODEM SER DESTRUÍDOS!
Assinam: Trabalhadora/es do Museu Afro Brasil”
No vídeo abaixo, Neide Almeida, trabalhadora do Museu Afro Brasil, aponta possibilidade de fechamento do Museu onde trabalha. E ainda “A cultura é um direito e que nem o governo Doria tem o direito de roubar este nosso direito”, afirma.

Djamila Ribeiro escreve carta para Lula

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Estimado Presidente Lula,
Expresso nesta carta minha profunda solidariedade frente às injustas condenações e perseguições judiciais sofridas por você e sua família. Acompanho desde o início a farsa jurídica posta em curso para legitimar o antipetismo, a deterioração de empresas nacionais e a alteração no curso eleitoral brasileiro, farsa cada vez mais escancarada agora com o juiz como ministro da justiça do candidato favorecido pelo seu afastamento na disputa.
Não o conheço para além de um cumprimento uma única vez na quadra do Sindicato dos Bancários em São Paulo, em 2016, bem como, embora tenha sido Secretária Adjunta de Direitos Humanos na gestão de Fernando Haddad, não faço parte de partido político. Nem por isso, deixo de admirar as conquistas de seus mandatos para o país; pelo contrário, sou de família de trabalhadores que o apoiaram desde minha infância.
Meu pai, Joaquim Ribeiro dos Santos, estivador do porto de Santos, uma semana antes de falecer no hospital da cidade, folheava o jornal que trazia sua foto como Presidente da República. Havia acabado de acontecer aquele dia apoteótico em Brasília, que tanto encheu as pessoas de esperanças. Olhando a foto, com os olhos marejados, Seu Joaquim disse “vivi para ver um trabalhador ser Presidente”. Sua eleição foi um último presente antes da morte de meu pai.
Naquela época tinha 22 anos, mais à frente ia ser mãe, a vida me traria tantos outros desafios até que me vi com 27 anos e inquieta para fazer uma Faculdade e ter uma carreira diferente daquela que vivia como secretária numa empresa no Porto de Santos. Fui então ao vestibular e passei em Filosofia na Universidade Federal de São Paulo, no campus do Bairro dos Pimentas, criado durante sua gestão. Fui uma adolescente negra nos anos 90, sabia da falta de perspectiva que havia para pessoas como eu, e as mudanças promovidas pelo seu governo possibilitaram uma outra realidade para mim e para tantas pessoas. Saí em 2015, mestra em Filosofia Política, e desde então tenho me saído muito bem. Oportunidades mudam vidas.
Por isso, embora tenha ficado brava com você algumas vezes, não deixo jamais de reconhecer a importância do seu governo para pessoas do meu grupo social, sendo eu mesma um exemplo disso. Reverencio as mulheres negras que fizeram parte decisiva de políticas públicas para as pessoas negras, como a grande Luiza Bairros, Matilde Ribeiro, Nilma Lino Gomes, na certeza de que será apenas quando o campo progressista entender a pauta racial para além de um ministério que haverá maturidade suficiente para entender os novos tempos e o povo brasileiro.
Como feminista negra, me alio a Joice Berth, Juliana Borges, Carla Akotirene, as mais velhas e mais novas, uma legião de mulheres negras que pensam o mundo, a economia, as cidades, os esportes, a saúde, a educação e que estão em outro patamar de afirmação política, muito além da visão de gabinete de pessoas brancas que não aceitam a reconfiguração de espaço e de poder frente às mudanças estruturais da sociedade, graças, em boa parte, às políticas públicas formuladas pelo governo.
Convenhamos, senhor Presidente, há uma série de fatos que mostram o quanto o setor progressista tem que evoluir e coexistir com outros campos. Coexistir com pessoas negras que são independentes da tutela e aprovação de pessoas brancas, indomesticáveis, e que ditam o mundo a partir de suas experiências em comum e luz própria. Senhor presidente, é isso que o futuro pede. Uma política de drogas totalmente diferente da que foi feita nos anos de superlotação carcerária, uma representatividade real aliada à consciência crítica no Judiciário brasileiro, uma reformulação do pensamento colonizado da elite progressista do país. A disputa além da branquitude de esquerda e de direita produz mudanças radicais na sociedade brasileira, mas se percebe uma grande dificuldade em entender isso de fato, materialmente.
Espero trocar outras cartas, Presidente Lula. Saiba que você está em meus pensamentos e que a injustiça que se passa na carceragem da Polícia Federal de Curitiba é percebida por milhões aqui fora, sem contar internacionalmente, onde sua prisão é tida como um dos grandes absurdos políticos em curso. Tenho ido bastante ao exterior, e explicar o que se tornou o Brasil tem sido um grande desafio aos olhos incrédulos de quem já viu o porte deste país, quando as pessoas tinham orgulho e eram respeitadas por serem brasileiras. Era no seu governo e no de Dilma essa realidade.
Fique bem, fique em paz. Peço a Oxalá que tranquilize seu caminho.
Um abraço,
Djamila Ribeiro

Maria Célia Oliveira
Djamila Ribeiro em primeiro lugar, parabéns pela carta onde expressa todos os sentimentos e a mais pura realidade.
#Lulapresopolitico
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Aline Moraes
#Gratidao Djamila! Me sinto representada pela sua carta! 🙏🙏🙏🙏👏👏👏👏
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Susana Nobrega
Correta e coerente a tua carta. Parabéns e vamos em frente!!!

domingo, 7 de abril de 2019

CULTURA - Internet derrota o último cinema pornô de Paris

Na década de 70, o Beverley recebia 7 mil clientes por semana. Terminou com menos de 500.

quartier de Saint-Denis, no coração de Paris, desde sempre ajudou a compor, juntamente com Pigalle, Le Moulin Rouge e o Crazy Horse Saloon, a imagem de uma cidade viciosamente erótica, ensandecidamente depravada. Aquela rua de traçado bêbado, ao lado do mercado do Halles, abrigava o comércio da carne e não por acaso serviu de cenário ao filme Irma La Douce, dirigido por Billy Wilder e protagonizado por Shirley MacLaine, em 1963.
A região foi pouco a pouco se glamourizando e, graças em parte à abertura do monumental Centre Pompidou, o Beaubourg, as prostitutas de cinta-liga sumiram do pedaço e os peep shows foram sendo substituídos por lojas de semigrifes. Dias atrás, o Beverley, que por mais de uma década segurou o estandarte de último cinema pornô de Paris, sucumbiu. Na época de ouro do pornocine, a capital francesa chegou a ter 900 salas como o Beverley. Em toda a França sobra agora apenas outro do gênero, em Grenoble.
Nostalgia à parte, ninguém verteu lágrimas pelo fim do Beverley. Na década de 70, quando foi inaugurado, ele recebia 7 mil clientes por semana. “Terminamos com menos de 500”, contou Mauricio Laroche, o ultimo proprietário. Entre esses sobreviventes, muitos estavam bem mais interessados em dar uma cochilada no escurinho da sala do que o que se passava na tela. Pelo preço único de 12 euros (54 reais), você podia assistir a dois filmes e ficar o tempo que quisesse no cinema.
Assim como as salas convencionais de espetáculo sofrem a competição dos canais de difusão do tipo streaming, a pornografia na tela grande foi dizimada pela internet e pelas redes sociais. Um clássico apimentado como Garganta Profunda, com a endiabrada Linda Lovelace, pode parecer um inocente conto de fadas para a garotada internética.



* O documentário acima está em sua versão original, sem legendas em português.
Fonte: CARTA CAPITAL