Postagem em destaque

FIQUEM LIGADOS! TODOS OS SÁBADOS NA RÁDIO AGRESTE FM - NOVA CRUZ-RN - 107.5 - DAS 19 HORAS ÁS 19 E 30: PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA" - PROMOÇÃO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN

Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

domingo, 2 de junho de 2019

RETROSPECTIVA! De faxineira a juíza, a história de uma mulher pobre e negra no Brasil. "Se ela conseguiu, VOCÊ também conseguirá!" - leia a matéria! Eduardo Vasconcelos - CPC/RN

A juíza Adriana Queiroz.
A juíza Adriana Queiroz. 
A luz do quarto de Adriana Queiroz estava sempre acessa nas madrugadas. Ela trabalhava durante o dia, estudava às noites e rezava para que quem apenas a via como uma mulher negra, pobre e filha de analfabetos não quebrasse seu sonho. Adriana não queria ser o que os outros esperavam dela, ela queria ser juíza em um país onde a taxa de analfabetismo das mulheres negras (14%) mais que duplica a das brancas (5,8%), segundo o IBGE.
Adriana, com 38 anos, é hoje titular da 1ª Vara Cível e da Vara de Infância e da Juventude de Quirinópolis, em Goiás. Tem cinco pós-graduações, estuda Letras nas horas vagas, mas já foi faxineira. Ela teve que se esforçar muito mais que a maioria dos seus colegas de aula para vestir a toga. E conseguiu. Hoje conta suas conquistas em um livro que acabou de lançar, Dez passos para alcançar seus sonhos – A história real da ex-faxineira que se tornou juíza de direito .


Os pais de Adriana eram trabalhadores rurais no sertão da Bahia e se mudaram para Tupã, um município de 63.000 habitantes no interior de São Paulo, em busca de uma vida melhor. O orçamento familiar aumentou, o pai virou motorista de ônibus e a mãe vendedora ambulante, mas pagar uma faculdade era ainda um sonho de outra classe social. “A vida deles sempre foi muita dura. Meus pais sofreram muito, eles queriam me dar o que eles não alcançaram, mas não tinham condições. Ninguém na minha família tinha condições de me ajudar”, lembra a juíza em uma conversa por Skype.
A magistrada, que sempre estudou em escola pública, foi a terceira classificada no vestibular para cursar direito, mas a única faculdade de sua cidade era privada. Não tinha como pagar, muito menos como cogitar uma universidade pública em outra cidade. “Eu soube do resultado da prova numa sexta e, na segunda, já tinha que fazer a matricula ou perdia a vaga. Tive três dias para decidir o que fazer, ver se teria que abandonar”.
Ela resolveu, em seguida, pedir conselho e emprego a um professor da cidade. Ele, que trabalhava no corpo administrativo da Santa Casa, conseguiu uma vaga para ela na instituição. De faxineira. Adriana se orgulha daqueles seis meses que limpou o hospital, mas o salário mínimo que recebia não era suficiente para pagar a mensalidade da universidade e ainda ouvia chacota dos colegas. “Força nos braços, advogadinha!”, lhe gritavam. “Esse episódio é muito marcante para mim, justamente por esse preconceito de que alguém que exerce um cargo como eu exercia não possa sonhar alto”.
Faltavam horas para o prazo da matrícula expirar quando Adriana plantou-se na frente do diretor da faculdade. Compartilhou seu sonho de estudar. “Ele se sensibilizou e me concedeu uma bolsa de 50% e diluiu o valor da matrícula nas mensalidades. Assim, durante o dia trabalhava na limpeza e à noite ia estudar”.
Para espanto dos seus conhecidos e familiares, durante a faculdade, Adriana resolveu ser juíza. “Quando anunciei isso as pessoas ficaram espantadas. Não era comum no meu contexto almejar um cargo tão alto. É como se fosse algo inacreditável, faziam questão de frisar que eu era pobre e negra, como se não tivesse nenhuma chance”, lamenta. Decidida, em 2002, terminou os estudos, pediu demissão na Santa Casa, onde já tinha sido promovida ao corpo administrativo e guardou suas coisas em duas sacolas plásticas. Partia para a capital para se preparar. “Eu não tinha nem mala”, relata.
Após alugar um quartinho no bairro da Liberdade e se matricular no curso preparatório para o concurso da magistratura o dinheiro da conta dava para, no máximo, mais dois meses. “Foi um momento muito crítico, o dinheiro estava acabando e eu não tinha conseguido trabalho”, conta Adriana. “Eu me vi de novo nesse dilema de ter ou não que abandonar”. Não precisou. O diretor do curso, o procurador Damásio de Jesus, viu nela uma “pessoa incomum”.
“Logo à primeira vista, olhando nos olhos daquela jovem advogada de 24 anos, tive certeza de que estava diante uma lutadora, uma pessoa incomum, de alguém que, sem dúvida, estava fadada a um grande futuro”, destaca o jurista no prefácio do livro. Damásio ofereceu para ela uma bolsa de 100% do curso durante dois anos e a empregou na biblioteca da instituição. “Fiquei sete anos estudando, sábados, domingos e feriados. Quando as pessoas iam viajar, eu ficava na biblioteca. Depois de inúmeras reprovações, eu consegui. Em janeiro de 2011 passei o concurso e me tornei juíza em Goiânia”.
Caçula de seis irmãos, a única deles que tem ensino superior, Adriana quer motivar agora com o livro a todas as pessoas que, assim como ela, "sonham, mas estão desacreditadas”.  “É possível romper os paradigmas sociais, encoraja. “Eu, particularmente, não sofro racismo hoje. Mas sim vivencio a grande surpresa das pessoas quando me veem. Porque quando o advogado vai procurar o juiz, ele não espera encontrar alguém como eu. Eu não me importo. Eu fico feliz de ter quebrado esse paradigma”.
Fonte: EL PAÍS - Publicado em, 07 de maio de 2017. - Adaptado pelo Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, 02/06/2019.

PERFIL MIGRAÇÃO - Refugiados no Brasil têm escolaridade acima da média do país

Há 5.134 refugiados em todo o Brasil, vindos de 105 países diferentes. Metade dessa população vive em São Paulo

Pesquisa da Acnur traz um estudo inédito sobre o perfil socioeconômico dos migrantes que buscam abrigo no Brasil.

São Paulo – O nível de escolaridade dos refugiados no Brasil está acima da média nacional, de acordo com a pesquisa Perfil Socioeconômico dos Refugiados no Brasil  lançada nesta quinta-feira (30) pela Agência da ONU para Refugiados (Acnur) e a Cátedra Sérgio Vieira de Melo (CSVM). O relatório inédito, elaborado por professores, é um marco na produção de informações sobre essa população que é altamente vulnerável.

Hoje, existem 5.134 refugiados em todo o país , vindos de 105 países diferentes, sendo que metade mora em São Paulo. Os dados da pesquisa indicam ainda que a maior parte dessa população está empregada, 57%, e 20% que estão fora do mercado de trabalho. Além disso, 79% dos refugiados citam ter o interesse em empreender no país.

A pesquisa da Acnur apontou que o Brasil é visto positivamente por essa população, sendo que a ampla maioria buscaria o país mais uma vez, caso precisasse novamente de refúgio. Mas há, no entanto, uma série de dificuldades enfrentadas pelos refugiados, como destaca Padre Paolo Parise, coordenador da Missão Paz, um local de abrigo para essa população que chega.

Ao repórter Jô Miyagui, do Seu Jornal, da TVT, o padre explica que além da validação do diploma ser um problema, a questão da moradia ainda é falha, com a maioria dos refugiados se abrigando em ocupações, e há muita discriminação. “Falta uma certa compreensão por parte da sociedade de quem é o refugiado, de consequências e preconceitos que recaem sobre eles”, afirma. O assessor de comunicação da Acnur em São Paulo, Miguel Pachioni, destaca ainda que em geral não se reconhece a qualificação dos refugiados. “Uma das dificuldades cruciais que a gente tem seria esse momento inicial no acesso ao mercado de trabalho”, avalia Pachioni.

Fonte: REDE BRASIL ATUAL

FOI MAIOR 30M traz segundo tsunami pela educação em duas semanas. "A FORÇA DA ESTUDANTADA - PROFESSORES E SINDICATOS - LUTAR É PRECISO!" EDUARDO VASCONCELOS - CPC/RN

Multidões deste 30 de maio repetiram sucesso dos atos do 15M

São Paulo, Rio e Belo Horizonte têm maiores mobilizações. “Brincaram com o formigueiro, deu nisso!”, afirmou o cientista Miguel Nicolelis sobre ato que levou 1,8 milhão às ruas.

São Paulo – Os atos em defesa da educação pública no país e contra a reforma da Previdência do governo Bolsonaro superaram as expectativas dos organizadores, segundo a União Nacional dos Estudantes (UNE). Em São Paulo, foi estimada a participação de 300 mil pessoas. Muitas chegaram no começo da manifestação por volta de 17h no Largo da Batata, bairro de Pinheiros, zona oeste da capital. Outras foram se incorporando ao longo dos mais de 4 quilômetros percorridos até a dispersão, por volta de 21h, na Avenida Paulista.

Belo Horizonte reuniu 200 mil manifestantes. Rio de Janeiro e Recife, pelo menos 100 mil pessoas cada uma. A mobilização no Distrito Federal atraiu cerca de 20 mil pessoas. Em Salvador foram 70 mil pessoas, 40 mil em Belém, outras 30 mil em São Luís. Pelas contas dos organizadores em torno de 1,8 milhão de pessoas foram às ruas de 190 cidades do Brasil – dos 26 estados e do Distrito Federal –, além de outras 10 do exterior.

“Brincaram com o formigueiro, deu nisso!”, afirmou nas redes sociais o cientista Miguel Nicolelis. Já na Avenida Paulista, a presidenta da UNE, Marianna Dias, registrou: “O dia 30 de maio entra pra história do nosso país. Quando estudantes, professores, trabalhadores, pais, o povo brasileiro voltou às ruas num grande tsunami. Para quem não acreditava, nós estamos aqui. Nós somos milhões. Nós somos rebeldes. Nós somos questionadores”.

Marianna admitiu a superação das expectativas em relação ao alcance das manifestações, e assimilou a energia e vibração que vinha do asfalto, tomado por jovens, “organizados” ou “autônomos”. O trocadilho impresso na faixa gigantesca que acompanhou a passeata, “O Brasil se UNE pela educação”, traduzia uma realidade. “Se eles querem proibir, inibir a nossa voz e a nossa manifestação, eles vão falhar. Porque o povo que saiu de casa, não volta mais pra casa, se a educação do nosso país não for respeitada. Nós queremos escola, nós queremos educação e nós vamos construir a maior greve geral(marcada para 14 de junho) , ao lado dos trabalhadores, da história deste país. E eu desafio o governo Bolsonaro a dizer ao povo brasileiro porque que eles não gostam da educação”, bradou a presidenta da UNE.

Mídia Ninja
Nem os organizadores esperavam tanta presença no ato deste 30 de maio

“A universidade é o lugar da transformação, da liberdade, da democracia. Eles têm ódio disso. Por isso nós os derrotaremos gritando, fazendo balbúrdia, fazendo esse país se tornar um caos. Porque Bolsonaro não governa enquanto os cortes não forem revertidos. Essa é a promessa do povo que está indo pras ruas do Brasil. Bolsonaro, você não vai ter paz e nós não temos medo de você.”

Independentemente dos números da mobilização, uma nota divulgada pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, na tarde desta quinta, atestava que o governo está – além de desorientado – incomodado. O ministro sustenta que professores, servidores, estudantes e pais ou responsáveis “não são autorizados a divulgar e estimular protestos durante o horário escolar”. O ministro também espera que sejam feitas denúncias por meio do site da Ouvidoria do ministério. Pelo que se viu nas ruas de todo o Brasil, o ministro está falando para as paredes.

Com reportagem de Felipe Mascari e Rodrigo Gomes

Fonte: REDE BRASIL ATUAL

MINISTRO DA DESEDUCAÇÃO PERSEGUE PROFESSOR QUE NÃO QUER FECHAMENTO DO IF



O ministro da Educação revela toda a sua  incompetência e autoritarismo nesta postagem. Nada mais abjeto que falta de tolerância e respeito à comunidade escolar. Tem ministro que pensa que está na ditadura militar.

Em 1980, em plena ditadura militar o professor e Ministro da Educação, Eduardo Portela, foi demitido do cargo pelo presidente João Figueiredo por apoiar a greve dos professores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Eduardo Portela cunhou uma frase importante para época: “Não sou ministro. Estou ministro”. Eduardo Portela se manifestava sobre a transitoriedade do poder.

O  atual ministro da Educação deveria parar de fazer tanta lambança e  refrear os atos autoritários. Chega de querer governar pelo medo e incitando o ódio.

Aprenda com Paulo Freire a amar mais e a ouvir e respeitar os outros. Educação ministro é uma ato de amor,  escuta e respeito ao próximo. E que aluno não iria para  a rua defender que sua escola ou universidade  não feche por falta de verbas? Assistimos o sucateamento do sistema nacional de educação para cobrar mensalidade ou justificar a privatização.

E parafraseando Eduardo Portela, o “ministro”  deveria ser Ministro, pois até o momento só está lá diminuindo cada vez mais a importância do cargo que ocupa. Seja Ministro e não bedel.
Do site da Procuradoria-Geral da República  e MP Federal

Recomendação foi encaminhada à pasta na última sexta-feira (31) e orienta para imediata retratação pública. Descumprimento pode resultar em medidas judiciais

“O Ministério Público Federal deu prazo de dez dias para que o Ministério da Educação cancele a Nota Oficial emitida pela pasta no dia 30 de maio de deste ano, e na qual “desautoriza” pais, alunos, professores e funcionários a divulgarem ou estimularem protestos pelo direito à educação. A medida consta em uma recomendação encaminhada nesta sexta-feira (31) pelo MPF ao ministro da Educação, Abraham Weintraub. O texto solicita que o MEC promova imediata retratação pública quanto à publicação e divulgação da referida nota.

O Ministério Público Federal também recomenda que o Ministério da Educação se abstenha de cercear a liberdade dos professores, servidores, estudantes, pais e responsáveis pela prática de manifestação livre de ideias e divulgação do pensamento nos ambientes universitários, de universidades públicas e privadas e Institutos Federais de Ensino – incluindo análise, divulgação, discussão ou debate acerca de atos públicos, seja por meio de Nota Oficial ou pela prática de qualquer outro ato administrativo. No documento, o MPF esclarece que o não acatamento infundado da recomendação – ou a insuficiência dos fundamentos apresentados para não acatá-la total ou parcialmente – poderá ensejar a adoção das medidas judiciais cabíveis.

O texto ressalta que a Constituição Federal destaca a educação entre os direitos sociais do cidadão (art. 6º), declarando ser “direito de todos e dever do Estado e da família”. O Ministério Público Federal ressalta que  qualquer tentativa de obstar a abordagem, a análise, a discussão ou o debate acerca de quaisquer concepções filosóficas, políticas, religiosas, ou mesmo ideológicas –  inclusive no que se refere à participação de integrantes da comunidade escolar em atos públicos –  representa flagrante violação aos princípios e normas estabelecidos pela legislação brasileira. A recomendação é assinada conjuntamente pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão no Rio Grande do Sul, Enrico Rodrigues de Freitas, e pela procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat.”

sábado, 1 de junho de 2019

A verdade sobre a tortura dos índios - "Retrospectiva para não cair no esquecimento" - Eduardo Vasconcelos - CPC/RN

A verdade sobre a tortura dos índios

VIOLÊNCIA Relatório expôs a situação de penúria e exploração em que viviam os índios sob os cuidados do SP

Por Laura Daudén e Natália Mestre

Descoberta de documento que permaneceu oculto por mais de quatro décadas expõe como funcionou a política de corrupção, violência e extermínio do Serviço de Proteção aos Índios antes e durante a ditadura.

O Serviço de Proteção aos Índios (SPI), representado por Flávio de Abreu, chefe da 6ª inspetoria, localizada em Mato Grosso, vendeu a pequena índia Rosa, 11 anos, em plena hora da escola. Ela e as colegas bororos foram obrigadas a parar os estudos e formar fila. Abreu estava acompanhado por um sujeito chamado Seabra, que escolheu a índia que queria para si. A vida de Rosa foi entregue a Seabra pelo funcionário público como pagamento pela construção de um fogão de barro em sua fazenda. Ao pedir clemência a Abreu, o pai da menina foi covardemente surrado. A denúncia, que expõe a institucionalização da violência contra os índios no Brasil, faz parte do Relatório Figueiredo, um documento de mais de sete mil páginas produzido pelo procurador federal Jáder Figueiredo entre 1967 e 1968 a pedido do extinto Ministério do Interior. O trabalho mostra a corrupção endêmica, os métodos de tortura e escravização e a exploração do patrimônio indígena por funcionários do extinto SPI – órgão antecessor à Fundação Nacional do Índio (Funai).
chamada.jpg
VIOLÊNCIA - Relatório expôs a situação de penúria e exploração em que viviam os índios sob os cuidados do SPI

Depois de quatro décadas longe do escrutínio público, o relatório foi finalmente redescoberto pelo pesquisador Marcelo Zelic, vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais, de São Paulo. Ele procurava há tempos o documento, mas o encontrou, por acaso, no arquivo do Museu do Índio, no Rio de Janeiro (leia quadro abaixo). Com o AI-5, o material ficou esquecido nos arquivos da Funai. Inclusive, muitos pesquisadores acreditavam que ele teria sido perdido em um incêndio no Ministério da Agricultura – na verdade, a tragédia aconteceu às vésperas da Comissão de Inquérito de Figueiredo. Agora, uma cópia está com o grupo de trabalho “Graves Violações de Direitos Humanos no Campo e/ou Contra Indígenas” da Comissão Nacional da Verdade.
Jáder Figueiredo foi uma figura ímpar, que desagradou a esquerda e a direita. Apesar de ter sido destacado para o trabalho pelo general linha-dura Albuquerque de Lima, que à época ocupava a pasta do Interior, a gravidade de suas acusações – que vão de desvio de recursos e venda de terras indígenas a assassinato, prostituição de índias e trabalho escravo –, colocaram-no contra o próprio regime militar. Foram muitos os esforços para mitigar a repercussão do escândalo no Exterior. As denúncias chegaram a ser destaque no jornal americano “The New York Times” e na revista alemã “Der Spiegel”. Um documento confidencial da Aeronáutica, de 26 de outubro de 1970, localizado pelo grupo Tortura Nunca Mais, afirma que “o fluxo de informações contra o Brasil no Exterior é constante e se faz em larga escala”. Logo abaixo, diz que “o trabalho relativo à ‘matança de índios’ foi completamente neutralizado e desmoralizado face às atividades das autoridades brasileiras”. Não é de se estranhar, portanto, que o Relatório Figueiredo tenha ficado mais de quatro décadas esquecido no arquivo da Funai, cuja criação em 1967 coincide com a extinção do SPI. “Evidentemente, o fato de ele ter permanecido oculto nas bases de dados da história brasileira foi intencional”, diz o professor Fernando Antonio de Carvalho Dantas, da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás.
01.jpg
INDIOS-01-A-IE.jpg
HISTÓRIA - Jáder Figueiredo Júnior (com a foto do pai) e trechos dodocumento (acima): denúncias de violência contra os índios

Mesmo tendo sido responsável por uma crise dentro do regime, Figueiredo também é visto com reticências pela esquerda, justamente por ter servido, na condição de funcionário público, aos interesses do Ministério do Interior. A psicanalista Maria Rita Kehl, membro da Comissão Nacional da Verdade e coordenadora do grupo de trabalho que estuda violações contra indígenas, é cautelosa ao comentar o documento: “Teremos de procurar na história daquele momento outros subsídios para poder avaliar se o relatório não prejudica funcionários acusados injustamente só porque eram contra a ditadura”, diz. Para o pesquisador Marcelo Zelic, é preciso lembrar, no entanto, que as primeiras denúncias que dão origem à Comissão de Figueiredo são levantadas em duas CPIs anteriores, instauradas ainda durante o governo de João Goulart. Além disso, a maior parte dos crimes apontados por ele ocorreram depois do golpe de 1964. “Até pode haver casos de perseguição em meio aos 131 acusados que aparecem no relatório, mas você não pode generalizar e desmerecer um trabalho dessa magnitude”, diz.
04.jpg
NO EXTERIOR - O Relatório Figueiredo repercutiu no "The New York Times",o que desagradou o governo na época.

Isso explica a marginalização política de Figueiredo e de seu relatório, que deu origem a uma CPI e gerou dezenas de inquéritos policiais dos quais ainda não se tem notícia. Hoje, grande parte do trabalho de resgate da figura do procurador está nas mãos de seu filho, o advogado Jáder Figueiredo Correia Júnior. “Meu pai passava semanas sem se comunicar”, conta. Foram visitados 130 postos indígenas em 18 Estados – uma viagem de 13 mil quilômetros pelo Brasil. A família, que sempre viveu em Fortaleza, no Ceará, conviveu por muito tempo com ameaças. “Mesmo assim ele seguiu com o trabalho. Era destemido e incorruptível e por isso contrariou o interesse de grandes políticos da época”, diz. Figueiredo morreu em 1976, aos 53 anos, em um acidente de ônibus. Vivia, segundo o filho, frustrado por pouco ter sido feito contra os acusados e pela continuação dos crimes.

03.jpg
MISSÃO - Figueiredo rodou mais de 13 mil quilômetros no Brasile testemunhou violações contra povos indígenas.

A redenção do procurador deve acontecer agora, com a redescoberta do documento que tem implicações até no presente. Segundo Cléber Cesar Busatto, secretário-executivo do Conselho Missionário Indigenista, o Ministério Público já anexou o documento aos autos do processo que pede a demarcação do território dos cadiueus, em Mato Grosso do Sul. Figueiredo, no documento, afirmou: “Estima-se em 800 mil hectares a área dessa imensa propriedade, não demarcada e hoje totalmente em poder de fazendeiros que se beneficiam de arrendamentos ilegais”. “Sem dúvida o relatório será usado como instrumento em outras disputas”, diz Busatto.
Ou seja, apesar dos esforços para apagar a verdade das violações, o relatório é um instrumento importante para esclarecer o passado. “A história dos direitos dos povos indígenas será recontada a partir do relatório”, diz o professor Dantas, ressaltando que os crimes nunca foram apagados da memória dos povos e das pessoas que lutam pelos índios no País. Segundo o antropólogo Carlos Augusto da Rocha Freire, coordenador de Divulgação Científica do Museu do Índio, no Rio de Janeiro, são justamente essas memórias que ajudarão a reconstruir o que falta dessa história – 533 páginas, que representam 7% do documento, ainda estão desaparecidas. Freire diz que a repercussão internacional do Relatório Figueiredo fez com que a questão indígena fosse amplamente discutida, mas não impediu que a Funai repetisse a estrutura do SPI e adotasse uma política que dizimaria povos como os Paraná, afetados pelo projeto econômico desenvolvimentista da ditadura. “Se os velhos sertanistas e indigenistas, além das velhas lideranças indígenas, começassem a escrever suas memórias, fizessem entrevistas relatando o que viram e ouviram, e os índios incrementassem suas narrativas sobre o que sofreram nesses anos, os brasileiros, certamente, poderiam vir, agora sim, a descobrir um outro Brasil.”
Fonte: Publicado na Revista Isto É , em 26/04/13 e 21/01/16 
Adaptada pelo Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, 01/06/2019.

Não deixa acabar! Dorva - Rainha Conga. Coroação de Reis Congo

PRESIDENTE DO CPC/RN, EDUARDO VASCONCELOS FOI RECEBIDO ONTEM (31) PELO REITOR DO IFRN, WYLLYS TABOSA

Reitor do IFRN, Wyllys Abel Farkatt Tabosa e Eduardo Vasconcelos - CPC/RN

Ontem (31), Eduardo Vasconcelos, presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN foi recebido pelo Reitor do IFRN, professor Wyllys Tabosa, cuja pauta foi os 10 anos do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, os cortes de verbas nas universidades brasileiras e nos institutos federais de educação feita pelo atual e desgoverno Jair Bolsonaro, entre outros.

O reitor, Wyllys Tabosa agradeceu o apoio do CPC/RN e ficou muito feliz pela homenagem que será feita nos 10 anos do CPC/RN, que ocorrerá dia 31 de dezembro em Natal.  Eduardo aproveitou a oportunidade para reforçar a luta pela EDUCAÇÃO de QUALIDADE, PROFISSIONAL e do DEMOCRÁTICA e lembrou ao reitor, que o mesmo continua na Coordenação da Comissão em Defesa dos Campus da UERN, UFRN e IFRN na Região do Agreste Potiguar, reforçando ainda a luta em prol das universidades.

O reitor, Wyllys Tabosa se prontificou a apoiar a luta do CPC/RN, dentro das possibilidades do IFRN.  Eduardo Vasconcelos agradeceu ao reitor, dizendo que outros momentos virão.

Via Legal- Rádios Comunitárias - "O LADO BOM DAS RÁDIOS " - EDUARDO VASCONCELOS - RADIALISTA E PTE DO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC/R

Câmara vai realizar audiência para tratar de rádios comunitárias

A Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (29), a realização de uma audiência pública para debater a situação das Rádios Comunitárias e do Canal Cidadania no Brasil. A solicitação foi feita pelo deputado federal Márcio Jerry (PCdoB-MA), vice-líder do PCdoB e primeiro vice-presidente da Comissão.
Com 3.850 emissoras operando no país, Jerry justificou a importância desempenhada por estes veículos e as mudanças no cenário político e econômico do Brasil como as principais razões para realização do encontro. De acordo com o parlamentar maranhense, “as rádios comunitárias exercem um papel fundamental para a democratização da comunicação no país, sendo um espaço para o exercício da cidadania” e que, por isso, carecem de um “debate mais profundo o impacto de seu trabalho para reafirmação do regime democrático brasileiro”.
Para a reunião, que deverá ter sua data definida nos próximos dias, serão convidados o Secretário de Radiodifusão do MCTIC, Elifas Gurgel; o Presidente da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraco Brasil), Geremias dos Santos; o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel, Leonardo Euler de Morais; a coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Renata Mielli; e a coordenadora do Centro de Referência Legal Artigo 19, Camila Marques.
Portal BRASIL CULTURA
" Ótima iniciativa! Já era tempo de alguém se pronunciar a favor e defender uma ação voltadas para rádios comunitários, parabéns ao nobre Deputado, MÁRCIO JERRY - PCdoB/MA pela iniciativa! As rádios comunitárias tem papel fundamental na sociedade! Ela exerce cidadania, interagem com a sociedade, informa, desperta, democratiza e noticia assuntos importantes para a comunidade, como saúde, educação, cultura, entre outros assuntos importantes, além de ser um canal direto com a comunidade, onde as mesmas levam suas demandas para que os governos executivo, legislativo e judiciário interajam a favor da mesma, buscando sempre o bem comum. Conclui, Eduardo Vasconcelos, presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, Ativista e Radialista.

O CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC/RN CONTINUA LUTANDO POR UMA RÁDIO COMUNITÁRIA!!!

Fotos: Eduardo Vasconcelos

O presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, através do seu presidente, Eduardo Vasconcelos luta em Brasília pela Rádio Comunitária uma forma de desenvolver a cultura radialista, mostrando o potencial que a comunicação tem diante dos seus munícipes, principalmente mostrando a realidade e dando espeço para o povo participar democraticamente falando de suas dificuldades e exigindo dos poderes executivo, legislativo e judiciário políticas públicas voltadas para a comunidade.

A rádio comunitário é um espaço de informação e uma linha direta com a comunidade local, mas ela precisa cumprir a risco seus objetivos para não se atrelar a "grupos políticos" com o intuito de confundir, iludir e até enganar de forma politiqueira os ouvintes. Isso acontecendo fere os princípios da lei.

Já damos alguns passos rumo a nossa rádio. É preciso paciência, dedicação, fé e determinação, assim chegaremos lá. Como já falamos, passos já foram dados.

A luta estar apenas começando!  Não vamos desistir. Conclui, Eduardo Vasconcelos.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

#30M Estudantes confirmam atos já programados em 150 cidades no 30 de maio. Confira a agenda

Alunos, professores e trabalhadores voltam às ruas neste 30 de maio para protestar contra o arrocho de verbas nas universidades e institutos federais imposto por Bolsonaro

por Felipe Mascari, da RBA

Atos desta quinta-feira devem ampliar a representatividade do #tsunamidaeducacao, que no último dia 15 levou mais de 1 milhão às ruas contra os ataques de Bolsonaro à educação pública

São Paulo – Estudantes, professores e trabalhadores ligados à educação ocuparão as ruas do Brasil  nesta quinta-feira (30), contra o corte de verbas nas universidades e institutos federais pelo governo Bolsonaro. De acordo com levantamento da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da CUT, são cerca de 150 cidades com manifestações confirmadas, seja por secundaristas, universitários, pós-graduandos, professores e trabalhadores.

Apesar da força apresentada no último dia 15  , quando 200 cidades pararam contra Bolsonaro, os estudantes afirmam que a educação ainda está sob ataque. “Estive na Câmara dos Deputados em uma audiência pública, na última semana, para tentar argumentar com o ministro da Educação contra os cortes , mas ele se recusa a nos ouvir. Então será pelas ruas que ele vai ter que entender. No dia 15 levamos mais de 2 milhões de pessoas para as ruas, e o próximo dia 30 tem tudo para repetir esse público”, disse a presidenta da UNE, Marianna Dias.

As manifestações desta quinta-feira também colocam em pauta areforma” da Previdência " e a greve geral, marcada pelas centrais sindicais, no dia 14 de junho. A CUT e entidades filiadas, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal (Confetam).aderiram à mobilização.

Na capital paulista, o ato está marcado para o Largo da Batata, zona oeste, a partir das 17h. Já no Rio de Janeiro, o movimento estudantil se concentrará na Candelária, centro da cidade, a partir das 15h. Manifestações em defesa da educação também estão marcadas ao redor do mundo, como em Nova York (Estados Unidos), Genebra (Suíça), Lisboa (Portugal) e Dublin (Irlanda).


A programação de todos atos nas capitais:
– Rio Branco: Praça da Revolução, centro, a partir das 11h
– Maceió: Praça do Centenário, bairro do Farol, a partir das 13h
– Macapá: Praça da Bandeira, no centro, a partir das 15h
– Manaus: Praça da Saudade, no centro, a partir das 15h
– Salvador: Praça do Campo Grande, próximo ao Teatro Castro Alves, a partir das 10h
– Fortaleza: Praça da Gentilândia, bairro Benfica, às 14h
– Brasília: Museu Nacional da República, a partir das 10h
– Vitória: Teatro da Universidade Federal do Espírito Santo,  na Avenida Fernando Ferrari, às 16h30
– Goiânia: Praça Universitária, Setor Leste Universitário, a partir das 15h
– São Luís: Praça Deodoro, centro, a partir das 15h
– Cuiabá: Praça Alencastro, no Centro Norte, às 14h
– Campo Grande: Praça Ary Coelho, no centro, a partir das 15h
– Belo Horizonte: Praça Afonso Arinos, no centro , às 17h
– Belém: Praça da República, no bairro Campina, às 16h
– João Pessoa:  Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a partir das 15h
– Curitiba: Praça Santos Antrade, no centro, às 18h
– Recife:  Rua Aurora, em Santo Amaro, a partir das 15h
– Teresina: Praça da Liberdade, no centro, às 8h
– Rio de Janeiro: Candelária, região central, a partir das 15h
– Natal: Praça Cívica, no bairro Petrópolis, às 15h
– Porto Alegre: Esquina Democrática, no centro histórico, às 18h
– Porto Velho: Universidade Federal de Rondônia (UNIR), no centro, às 16h
– Boa Vista: Centro Cívico, a partir das 16h
– Florianópolis: Praça XV de Novembro, no centro, a partir das 15h.
– São Paulo: Largo da Batata, em Pinheiros, a partir das 17h
– Aracaju: Praça General Valadão, região central, a partir das 15h
– Palmas: Universidade Federal do Tocantins (UFT), às 18h

Mídia NINJA
São Paulo, 15 de maio. Movimentos estudantil e sociais organizam o maior protesto até agora contra o atual governo

10 cartazes que dizem tudo sobre os cortes na Educação

10 cartazes que dizem tudo sobre os cortes na Educação
Criatividade e precisão de estudantes chama atenção nos protestos por verbas para o ensino público
 
Além da enorme quantidade de pessoas nas ruas , protestos contra cortes anunciados para a Educação têm chamado atenção pelos cartazes afiados confeccionados por estudantes.

As mensagens deixam claro que a juventude conhece seu papel e a importância da escola e universidade para suas vidas e futuro do país, ao contrário do que pensa o presidente da República. Jair Bolsonaro (PSL) classificou como “imbecis” e “idiotas” as 2 milhões de pessoas que foram às ruas no último 15 de maio.


Secundaristas estão mobilizados nas centenas de unidades dos Institutos Federais desde que o bloqueio de R$ 1 bilhão foi anunciado para a rede. Além das instituições federais de ensino, escolas públicas são afetadas com cerca de R$ 2,4 bilhões a menos no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (FNDE).

Veja 10 mensagens que mostram por que a juventude está reanimando a resistência no Brasil:
1) Um ícone
Esse apareceu dia 3 de maio no Instituto Federal do Espírito Santo e passou a se repetir em todo o País.
2) Sobre mitos
Outra mensagem que se espalhou pelos Institutos Federais. (Foto do IF Baiano – campus Itaberaba)
3) Investimento, presidente
Essa frase virou um mantra! (Foto na pequena Currais Novos, cidade com campus do Instituto Federal do Rio Grande do Norte – IFRN)
4) Darcy atual
Questão de prioridades. (Foto de Karla Boughoff/CUCA da UNE durante #15M em São Paulo)
5) É isso
(Foto de Bia Puente/CUCA da UNE durante #15M no Rio de Janeiro)
6) Referência é tudo
Por uma educação que ensine a pensar, não a obedecer. (Registro de manifestação em Campo dos Goytacazes, RJ)
7) Partido contra escola
Essa foi para recepcionar o presidente Bolsonaro no Rio de Janeiro no dia 6 de maio.
8) É direito!
15M em João Pessoa (Foto: Vangli Figueiredo/Circus da UBES)
9) “A maioria ali não sabe nem a fórmula da água”
No mesmo dia em que Bolsonaro fez declaração sobre protestos, estudantes exibem resposta, durante #15M.
10) …

Fonte: UBES