Postagem em destaque

FIQUEM LIGADOS! TODOS OS SÁBADOS NA RÁDIO AGRESTE FM - NOVA CRUZ-RN - 107.5 - DAS 19 HORAS ÁS 19 E 30: PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA" - PROMOÇÃO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN

Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Foto rara do interior do túmulo de André de Albuquerque, revolucionário potiguar que teve uma morte chocante

Foto rara do interior do túmulo de André de Albuquerque, revolucionário potiguar que teve uma morte chocante.

Você já deve conhecer Jerônimo de Albuquerque, o fundador de Natal, mas e André de Albuquerque? Pois saiba que ele foi um revolucionário potiguar que teve uma morte chocante há mais de 200 anos atrás.
André de Albuquerque Maranhão, também conhecido como Andrezinho de Cunhaú, nasceu no Engenho Cunhaú, no atual município de Canguaretama (RN). Seu pai tinha o mesmo nome, e sua mãe se chamava D. Antônia Josefa do Espírito Santo Ribeiro; eram uma das famílias mais ilustres do Rio Grande do Norte.
André de Albuquerque Maranhão, desenho e pintura. Foto: http://www.historiaegenealogia.com/
André tinha um pensamento revolucionário, comandava a Cavalaria que guardava as fronteiras entre Rio Grande e Paraíba, e simpatizava revoluções de libertação da coroa.
Em 28 de março de 1817 juntamente com sua tropa, parentes e oficiais, ele chegou a cidade e implantou um governo provisório. Esse acontecimento se chamou “Revolução Republicana de 1817”, reflexo da Revolução Pernambucana que eclodiu no dia 6 de março, e ele foi o líder.
Mas pouco tempo depois o comandante da tropa de linha Antônio Germano, e seus soldados, invadiram o palácio do governo aos gritos de “Viva o Senhor Dom João VI” e “Morra a Liberdade”, e encontram André de Albuquerque na mesa dos despachos. Ele negou sua rendição, sofreu um golpe de espada em sua região inguinal, e ainda teve os dedos cortados provavelmente por tentar segurar a espada.
Foi então jogado pela janela do palácio e preso sozinho em uma cela na Fortaleza dos Reis Magos. Sem qualquer assistência médica, com ferimentos abertos e órgãos dilacerados, sangrou até morrer.
Antigo prédio da Casa de Câmara e Cadeia do Natal, onde André de Albuquerque foi preso, ferido e jogado de uma das janelas. Foto: Acervo Tavares de Lyra
No dia seguinte, seu corpo foi retirado da Fortaleza e transportado totalmente sem roupa pela cidade. Lá, o cadáver sofreu humilhação pública até ser sepultado na Igreja Matriz de Natal, ou Igreja de Nossa Senhora de Apresentação, a primeira igreja do Rio Grande do Norte, e marco zero da cidade.
Hoje a praça onde se encontra a Igreja Matriz ganhou o nome dele. Nesta mesma praça também há um monumento em homenagem a ele e ao Padre Miguelinho.
A porta do lado direito da escada levar ao calabouço aonde morreu Andrezinho do Cunhaú. Fonte CASCUDO; 2008.
Em 1994 quando foi realizada uma restauração do prédio foram encontrados os ossos de André na ala lateral, ao lado da capela do Santíssimo. E aqui estão registros raríssimos da época:
Foto rara da ossada de André de Albuquerque em 1994, durante reforma na Igreja Matriz de Natal. Fonte: Emerson Silva e Daniel Augustino Viana.
Fotos enviadas pelos leitores Emerson Silva e Daniel Augustino Viana.
Fonte: CURIOZZZO

Cultura Brasileira – Simpatiaspara ‘garantir’ um ano novo mais feliz

Começar o ano novo com o pé direito é quase uma regra. Afinal, quem não deseja um novo ano cheio de energias positivas? Por isso, fazer algumas ‘simpatias’ pode ser divertido e mal não vai fazer, certo? Se você acreditar, melhor ainda! Então escolha aqui aquela ou aquelas que mais
combinam com você e boa sorte em 2020!

Atrair ou manter um amor

Quem é casada e quer manter o relacionamento deve acender duas velas amarelas. Peça a Oxum – a deusa do amor, da fertilidade, da pureza e do ouro – estabilidade no relacionamento. Se for solteira, acenda uma, e peça para que apareça alguém especial em sua vida. Depois de acesa, derrame mel em volta da vela, coloque quatro búzios, quatro moedas de mesmo valor e oito ou dezesseis rosas amarelas. Para dar certo é preciso ficar na praia até a vela terminar de queimar.
Para o amor voltar
Escolha oito pedaços de fitas coloridas com 1 metro (todas devem ter cores diferentes, menos preto e vermelho). Olhe na direção do mar e coloque quatro fitas em cada ombro. Com os pés na água, despetale três rosas amarelas. Jogue as pétalas por cima da sua cabeça e deixe que elas caiam no mar. Solte então uma fita de cada vez na água e peça que Oxum traga de volta
quem você ama.
Para ter sorte no amor
Pegue cinco ou oito rosas brancas (números de Iemanjá e Oxum), perfume de alfazema, fitas com as cores da harmonia (azul, amarelo, rosa, branco e verde), espelho, talco, sabonete e bijuterias. Forre uma cesta com celofane, amarre uma fita no cabo de uma flor e jogue um pouco de talco e de perfume por cima. Depois, coloque o espelho, o sabonete e as bijuterias na cesta e leve para o mar. Conte três ondas e, na quarta, ofereça a cesta à Iemanjá e a Oxum.
Para ter felicidade
Comece a usar, a partir do dia 28 de dezembro, um par de meias brancas novas. No quarto dia, coloque a meia do pé direito no sol. Depois atire-a longe -cuidado para ela não cair em nenhum lugar úmido. À meia-noite do dia 31 coloque a meia do pé esquerdo ao luar e depois jogue longe dizendo:
“Minhas meias foram longe. Não têm teia, nem idade. Se elas se foram,
porque se foram, virá a felicidade. Assim seja”.

Para afastar maus fluidos

Na beira do mar, com a água na altura da canela, derrame pipoca ao longo de seu corpo, da cabeça aos pés. Deixe que o mar leve a pipoca, que é um elemento do orixá Omolu, senhor da vida, da cura e da saúde.

Para ter paz, tranqüilidade e prosperidade
Misture pétalas de rosa branca, arroz cru e uma essência e passe pelo corpo. Olhando para o mar, reze pedindo paz e prosperidade para o ano que se aproxima. Tire os sapatos e entre no mar vestida com uma roupa branca. Dê três mergulhos e dê costas para a areia.
Para ter dinheiro o ano inteiro
Leve para a praia sete rosas brancas, sete moedas do mesmo valor, perfume de alfazema e um champanhe. Reze para Iemanjá e para os orixás que têm força no mar. Conte sete ondas e jogue as flores no mar. Em seguida, coloque o conteúdo do champanhe e ofereça aos orixás. Lave as moedas com o perfume e coloque-as na mão direita. Mergulhe a mão na água e peça proteção financeira. Deixe o mar levar seis moedas e fique com uma, que deve ser guardada como amuleto durante o ano.

Crendices e superstições de Ano Novo
• Acredita-se que comer lentilha traz sorte, pois, como é um alimento que cresce, faz a pessoa crescer também;
• Uma das simpatias mais comuns feitas no Ano Novo para atrair dinheiro é a da romã. Chupe sete sementes na noite de Réveillon, embrulhe todas num papel e guarde o pacotinho na carteira para ter dinheiro o ano inteiro;
• O consumo de aves, como o peru e o frango, e o de caranguejo não é indicado na ceia de Ano Novo. Como esses animais ciscam ou andam para trás, acredita-se que quem comê-los regride na vida;
• Guarde uma folha de louro na carteira durante o ano inteiro para ter sorte;
• Coma três uvas à meia-noite, fazendo um pedido para cada
uma delas;
• Jogue moedas da rua para dentro de casa para atrair riqueza;
• Dê três pulinhos com uma taça de champanhe na mão, sem derramar nenhuma gota, e jogue todo o champanhe para trás para deixar tudo o que for ruim no passado;
• Passe as 12 badaladas em cima de uma cadeira ou banquinho e depois desça com o pé direito;
• Pule num pé só (o direito), à meia-noite, para atrair coisas boas;
• Não passe a virada do ano de bolsos vazios para não continuar o ano inteiro com eles vazios;
• Coloque uma nota no sapato para chamar dinheiro;
. No dia 31, faça uma boa limpeza na casa, varrendo-a de
trás para frente. Coloque para fora todo lixo, objetos quebrados e lâmpadas queimadas. Não guarde as roupas do avesso;
• Para evitar energias ruins, muitas pessoas lavam os batentes das portas com sal grosso e água e borrifam água benta nos quatro cantos da casa;
• Na primeira noite do ano, use lençóis limpos;
• À meia-noite, para ter sorte no amor, cumprimente em primeiro lugar uma pessoa do sexo oposto;
• Quem pretende viajar bastante no ano que se aproxima, deve pegar uma mala vazia e dar uma volta dentro de casa;

• Abra as portas e janelas da casa e deixe as luzes acesas;
• O primeiro negócio do ano nunca deve ser fiado nem com pessoa pobre.

(Fonte: Guia dos Curiosos)

A Cultura sob a sombra da censura, do bolsonarismo e da evangelização

A extinção do MinC, no início deste ano, já dava sinais de uma revisão histórica das política culturais sob o governo Bolsonaro.
Ironia: espetáculo Abrazo foi censurado por trazer a história de um governo que proibia cidadãos de falar.
As ações do governo Bolsonaro na Cultura em 2019 tiveram duas tônicas: 1) a censura voltou a ameaçar a livre expressão de artistas subsidiados por verba pública, com agressividade que não se via desde a redemocratização; e 2) a indústria do audiovisual – que vinha registrando crescimentos sucessivos e levava o cinema nacional para os principais festivais do mundo – foi freada com paralisações e cancelamentos de prêmios e patrocínios.
A extinção do Ministério da Cultura (MinC), definido no fim de 2018 e confirmado bem no início deste ano, já dava sinais de uma revisão histórica, marcada por retrocessos. Representou o ponto inicial de uma coleção de conflitos entre a classe artística e o governo. Criado em 1985 pelo então presidente José Sarney, a instituição foi transformada na Secretaria Especial da Cultura, subordinada à pasta da Cidadania, sob comando do médico Osmar Terra. Em novembro, passou a fazer parte do Ministério do Turismo.
Já entre as primeiras medidas para o setor, o presidente Jair Bolsonaro questionou o patrocínio das empresas estatais à cultura. Reduziu o montante de incentivos na Caixa Cultural, no Banco do Brasil e nos Correios. Anunciou ainda que a fatia mais robusta, vinda da Petrobras, deixaria de existir para ser realocada para programas de educação e produção tecnológica.
O corte provocou preocupação, sobretudo nas direções dos grandes festivais de cinema. O resultado da interrupção se consolidou no transcorrer de todo o ano, com a redução significativa das programações do Festival do Rio e do Anima Mundi, entre outros.
A leitura de que Bolsonaro promoveria um desmonte foi imediata e ganhou as redes. Em abril, uma nova mudança profunda na política de incentivos públicos atingiria uma parte significativa do mercado, o das artes cênicas. Desde as eleições, Bolsonaro atacava a Lei Rouanet, questionando os subsídios públicos a produtores que, ele supunha, já andavam com pernas próprias.
O teto de incentivos da lei caiu de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão. As mudanças geraram protestos sobretudo dos produtores de espetáculos musicais, que não ficaram dentro das exceções – planos anuais de museus, por exemplo, continuaram podendo captar fora do novo limite. Neste fim de ano, o governo reconheceu o erro e divulgou que espetáculos musicais poderiam ter um teto superior, a princípio de R$ 10 milhões.
Também em abril, houve a paralisação da Ancine, a Agência Nacional do Cinema, depois que o Tribunal de Contas da União questionou a metodologia usada nas prestações de contas de produções incentivadas. Obras aprovadas em editais tiveram de esperar a situação ser regularizada para ter acesso a verbas retidas.
Em agosto, o governo começou a pôr em prática a retaliação a obras com temas que desagradavam a ala bolsonarista, vetando trabalhos que falavam sobre regimes autoritários, sexualidade e questões de gênero. Houve o cancelamento de um edital da Ancine que incluía incentivo a projetos para TVs públicas com temática LGBT. Era o início de uma série de atos de censura que atingiriam também os programas de incentivos das empresas estatais.
Também se cancelaram espetáculos como Abrazo, da companhia Clowns de Shakespeare, e Gritos, da Dos à Deux. A primeira trazia a história de um governo que proibia cidadãos de falar. A segunda era protagonizada por uma travesti. Em setembro, a Folha revelou que a Caixa havia implementado um sistema de censura prévia, determinando inclusive que funcionários investigassem as redes sociais dos artistas que se inscreviam em programas de incentivo.
Embora as restrições abrangessem um cenário mais amplo, foi por causa do corte do edital da Ancine, em agosto, que Henrique Pires, então secretário da Cultura, pediu seu afastamento. “Para ficar e bater palma para censura, prefiro cair fora”, ele disse, ao pedir a exoneração. Pires foi substituído por Ricardo Braga, que também deixou a subpasta e foi substituído pelo dramaturgo bolsonarista Roberto Alvim.
Alvim havia se aproximado de Bolsonaro com entrevistas polêmicas que agradaram o presidente. Em junho, ele foi nomeado diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte e passou a usar as redes para defender uma guerra cultural contra o que avaliava ser uma visão da esquerda no campo das artes. Teve grande repercussão o episódio em que o diretor atacou Fernanda Montenegro, chamando a atriz de “sórdida” e de “mentirosa”.
Depois de assumir a secretaria, Alvim iniciou um processo de mudança nos postos da pasta e de entidades subordinadas. Chegaram ao governo nomes responsáveis por áreas como promoção e diversidade cultural, fomento e incentivo à cultura e economia criativa. Alvim trocou também o comando da Fundação Palmares, da Biblioteca Nacional e da Funarte.
O apresentador e pastor Edilásio Barra, conhecido como Tutuca, por exemplo, assumiu o cargo que controla o gerenciamento de R$ 724 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual. Já um dos nomes mais controversos, Sérgio Nascimento de Camargo, ficou com a Fundação Palmares e se declarou contra o Dia da Consciência Negra e as cotas raciais.
Em 2019, a censura atingiu também a esfera municipal. Em setembro, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, do PRB, mandou fiscais à Bienal do Livro da cidade para recolher uma HQ da Marvel que trazia um beijo gay. O caso chegou ao Supremo, que proibiu a apreensão de obras no evento.
Com informações da Folha de S.Paulo

História do Cinema

Em 28 de dezembro de 1895, Louis Lumiére realizou os primeiros espetáculos regulares de Cinema. Para chegar ao primeiro aparelho, foi preciso resolver três dificuldades: a análise do movimento, a fixação desse movimento num recipiente qualquer e a sua projeção fora do aparelho.
Foi no final do século XIX, em 1895, na França, os irmãos Louis e Auguste Lumière inventaram o cinema. Na primeira metade deste século a fotografia já havia sido inventada por Louis-Jacques Daguerre e Joseph Nicéphore Niepce, possibilitando esta criação revolucionária no mundo das artes e da indústria cultural: o cinema.
Para se chegar à projeção cinematográfica atual, muitos processos de investigação foram feitos em relação aos fundamentos da ciência óptica. Já vem dos primórdios da humanidade a necessidade de registrar movimentos através de pinturas e desenhos nas paredes. Há aproximadamente sete mil anos atrás, no oriente, os chineses já projetavam sombras de diferentes figuras recortadas e manipuladas sobre a parede, um jogo de sombras, próprio do seu teatro de marionetes. No século XV, Leonardo da Vinci realizou trabalhos utilizando a projeção da luz na superfície, criando a Câmara Escura, que era uma caixa fechada, possuindo um orifício com uma lente, local destinado a passagem da luz produzida pelos objetos externos. A imagem refletida no interior dessa caixa era a inversão do que se via na realidade. Mais adiante, no século XVII, O alemão Athanasius Kirchner criou a Lanterna Mágica, objeto composto de um cilindro iluminado à vela, para projetar imagens desenhadas em uma lâmina de vidro.
No século XIX, muitos aparelhos que buscavam estudar o fenômeno da persistência retiniana foram construídos, este fenômeno é o que mantém a imagem em fração de segundos na retina. Joseph-Antoine Plateau foi o primeiro a medir o tempo da persistência retiniana, concluindo que uma ilusão de movimento necessita de uma série de imagens fixas, sucedendo-se pela razão de dez imagens por segundo. Plateau, em 1832, criou o Fenacistoscópio, apresentando várias figuras de uma mesma pessoa em posições diferentes desenhadas em um disco, de forma que ao girá-lo, elas passam a formar um movimento.
Criado pelo francês Charles Émile Reynaud o Praxinoscópio foi um invento importante para o surgimento do cinema. Este aparelho era um tambor giratório com desenhos colados na sua superfície interior, e no centro deste tambor havia diversos espelhos. Na medida em que girava-se o tambor, no centro, onde ficavam os espelhos, via-se os desenhos se unindo em um movimento harmonioso. Dentre outros inventos, há o Cinetoscópio, inventado por Thomas A. Edison, que consistia em um filme perfurado, projetado em uma tela no interior de uma máquina, na qual só cabia uma pessoa em cada apresentação. A projeção precisava ser vista por uma lente de aumento.
Em 1890, Edison projeta diversos filmes de seu estúdio, aos quais encontra-se “Black Maria”, considerado o primeiro filme da história do cinema. É a partir do aperfeiçoamento do Cinetoscópio, que o Cinematógrafo é criado pelos irmãos Louis e Auguste Lumière, na França, em 1895. O cinematógrafo era ao mesmo tempo filmador, copiador e projetor, e foi considerado o primeiro aparelho realmente qualificado de cinema. Louis Lumière foi o primeiro cineasta a realizar documentários em curta metragem na história do cinema. O primeiro se intitulava “Sortie de L’usine Lumière à Lyon” (Empregados deixando a Fábrica Lumière), e possuia 45 segundos de duração. Neste mesmo ano de 1895, Thomas Edison projeta seu primeiro filme, “Vitascope”.
O americano Edwin S. Porter, apropriou-se dos estilos documentarista dos irmãos Lumière e os de ficção com uso de maquetes, truques ópticos, e efeitos especiais teatrais de Georges Méliès, para produzir “Great Train Robbery” (O grande roubo do trem), em 1903, um modelo de filme de ação, obtendo êxito e contribuindo para que o cinema se popularizasse e entrasse para a indústria cultural.
A indústria cinematográfica atual é um mercado exigente e promissor para diferentes áreas do saber. Não são apenas os atores e atrizes que brilham nas cenas que são apresentadas a um público local e internacional, pois a realização de um filme precisa englobar uma equipe de trabalho. Na construção e realização de um filme existem os seguintes profissionais: o “roteirista” que escreve a história e as narrativas dos personagens, ou melhor, os diálogos; o “diretor” que tem a função de coordenar, direta e indiretamente, o trabalho de todas as pessoas envolvidas com o filme, da concepção à finalização; o “diretor de fotografia”, um profissional de artes visuais com sensibilidade e competência para decidir como iluminar uma cena, que lentes serão melhores para determinados ângulos, o tipo de filme a ser rodado, entre outras atribuições; há quem seja responsável pela trilha sonora do filme, que é o “compositor musical”, ele é quem fica responsável por contribuir para o clima pretendido pelo diretor; O “produtor” é a pessoa ou grupo de pessoas que se encarrega de viabilizar a realização do filme, buscando patrocínios e parcerias, e ainda, tratando da parte burocrática que envolve toda a equipe.
Há também uma equipe de técnicos/especialistas que são fundamentais junto aos profissionais já apresentados, que são: o “técnico de efeitos especiais” cuja tarefa é realizar efeitos visuais e sonoros às cenas já filmadas, inclusive utilizando inserção de efeitos posteriores por computador; o “técnico de som”, que cuida dos diferentes microfones durante as gravações, cuidando para que só haja a captação do que se julgue essencial; o “operador de câmera” que fica responsável por focar os ângulos solicitados pelo diretor; e os “editores” ou “montadores”, que trabalham numa ilha de edição, juntos com o diretor ou orientados por um mapa organizado pelo próprio diretor, onde se encontra organizados as cenas, os sons, a trilha sonora, entre outros parâmetros qualitativos e quantitativos de finalização do filme. Outros profissionais como coreógrafos, figurinistas, e maquiadores são essenciais em determinadas produções.
Fontes
COLL, César, TEBEROSKY, Ana. Aprendendo Arte. São Paulo: Ática, 2000.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

CULTURA: Nei Lopes reage ao “analfabetismo funcional” sobre a população negra

Augusto Diniz
 

Livros lançados em 2019 pelo escritor e compositor sublinham o negro na sociedade.

Um dos maiores estudiosos da cultura afro-brasileira no país, Nei Lopes lançou este ano mais três livros que evidenciam o protagonismo do povo negro na sociedade brasileira.
As obras desse escritor e compositor ganham ainda mais relevância nesses tempos de preconceito exaltado. “Esses livros vão na contramão do racismo estrutural que nos inviabiliza, até mesmo como personagens de ficção”, diz.
Os três livros em questão são Agora Serve ao Coração (ficção ambientada no subúrbio carioca), Meu Lote (textos com pensamento crítico) e Afro-Brasil Reluzente – 100 Personalidades Notáveis do Século XX (perfis de afrodescendentes).
Com isso, Nei Lopes ultrapassa a marca de 40 livros publicados com ênfase à importante presença negra na história do país e suas diferentes manifestações nas artes, na religião e na construção da identidade nacional.

“Quando um ministro da pasta da educação, ou de outra pasta qualquer dessas aí, diz que não existe povo negro no Brasil e, sim, gente de ‘pele escura’, me sinto na obrigação de mostrar o quanto a civilização brasileira deve aos negros, ou seja, aos pretos e pardos, que hoje constituem a maioria da população”.
Ele lembra que os ancestrais que vieram da África foram sempre a maioria da população, principalmente entre os séculos XVII e XIX.
“Então, só diz que a civilização brasileira é apenas ‘judaico cristã’ quem não sabe o que é civilização. Nós, que sabemos, não podemos ficar calados ante essas manifestações de analfabetismo funcional”.

Mais dois livros

E em 2020 tem mais. Nei Lopes promete o segundo volume do Dicionário de História da África, escrito em parceria com o professor José Rivair Macedo, da UFRGS, universidade onde se tornou doutor honoris causa desde 2017.
O primeiro volume desse dicionário aborda o período que vai dos séculos VII ao XVI. O segundo volume tem como foco o período entre os séculos XVI e XIX.
Também previsto para o ano que vem, sai o livro Ifá Lucumí, a Tradição Preservada. De acordo com Nei, trata-se de uma obra sobre “uma forma religiosa de matriz africana sofisticadíssima (considerada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco) que desapareceu no Brasil na década de 1930 e ressurgiu por aqui nos anos 1990, via Cuba”.

Álbum novo de samba

Nei Lopes, na faceta de cantor e compositor, surge em 2020 com um álbum novo já pronto chamado Pagode Black-Tie. Seu último trabalho solo saiu em 2009.
Em seu décimo álbum, Nei canta acompanhado por uma grande orquestra conduzida pelo maestro Guga Stroeter.

“Nele, canto, principalmente, sambas de melodias elaboradas que se tornaram imortais a partir dos anos 80, no ambiente dos pagodes de fundo de quintal. E homenageio gênios como Almir Guineto e Luiz Carlos da Vila. Este projeto me envolve há cerca de dez anos”.
Sobre as perdas recentes no samba, como seu parceiro musical Wilson Moreira, D. Ivone Lara, Beth Carvalho e Elton Medeiros, diz acreditar na nova geração.
“Tem muita gente nova fazendo samba de qualidade. A internet está ajudando esta rapaziada, com quem aliás mantenho diálogo permanente, em parcerias que sacodem as rodas”.
Samba jamais morrerá, “mesmo que destruam tudo o que é material”, diz sambista.

E acrescenta que o samba jamais morrerá: “Mesmo que destruam tudo o que é material, acabem com os órgãos públicos e as fontes de financiamento, e criem frentes de retrocesso”.
Ele acredita que para conter o sufocamento da expressão cultural e das artes, um dos assuntos polêmicos do ano, é preciso continuar criando.
“A natureza tem suas leis. Contra elas nenhum autoritarismo ou ‘forçação de barra’ pode resistir. E a cultura é uma força da natureza”, finaliza.
Nei Lopes dignifica a arte e a cultura miscigenada. A Academia Brasileira de Letras, casa na qual vem sendo indicado informalmente há mais de um ano para ser membro, tem se tornado pequena para este grande brasileiro.

ELISA LUCINDA: A mão que balança o berço

Aprendizado na natureza: Kaianaku dos Kamaiurá ensina sua neta a alimentar o pássaro. 📷 @callanga, Xingu, 26/10/2016
A grave enfermidade consumista que se instalou em nós em detrimento da mãe natureza levou ao resultado terrível: nos fudemos!

Um passarinho vem cantar no meu ouvido. Logo logo fica claro que o que chamamos civilização caminha galopante em torno do dinheiro como maior significante de tudo. Este objeto, aquele, este pedaço de papel impresso capaz de justificar mortes, homicídios, separações, rupturas de sócios, fins de amizades, falcatruas, impedimentos de relações, e ainda determinar categorias, valores, qualidades e tipos de gente. Tal poder contaminou um tanto de cidadãos, outro de políticos, outro tanto do judiciário, a ponto de ir lá balangar pros lados do privilégio e da ganância a Balança tão bem quista da Justiça! Bem quista pelo imaginário dos românticos. Dos que se negam a reverenciar o dindin como poder superior aos seus criadores e acreditam numa justiça de Xangô, digamos, pura.
O que o passarinho continuou a soprar-me com seu canto alegre e preciso era da ordem das riquezas que não têm valor aparente no rol das fortunas, mas que são outras qualidades delas. Hilda Hilst bradava em lírica profunda: “É de outro amarelo que vos falo.” isso pra se referir ao ouro que não vemos mas que é. Brilha. É raro. É jóia. É tesouro. A diferença é que não se compra, ninguém rouba e nenhum dinheiro no mundo sabe como ou onde encontrar. Seu caminho em mapas, assim, desses de filmes, não se encontra planejado. Creio que haja uma outra cartografia. Mas não de simples decifração ou leitura, nem é coisa da qual se pode ter, antes da prova, acesso ao gabarito. Não há caminho explícito descrito em receita.
Por isso talvez eu venha insistindo tanto na necessidade de as crianças estarem em conexão com a NATUREZA o mais que puderem, brincando com folhas secas, sementes, terra, caroços, chuva, lama, praia, areia, concha, árvore, águas de rio, cachoeiras e, não lobotomizadas pelos tablets e celulares, antes mesmo de conhecerem uma árvore. Babando ali nas telas, sem se relacionar no mundo real, sem gastar energia física com a vida, tudo leva ao seu adoecimento repleto de doenças não-infantis. Se somos nós os adultos que lhes mostramos os primeiros elementos logo cedo, nós que lhes dizemos os nomes do que é estrela, planeta, água, estação, então segue sendo igualmente importante também aula de contato imediato com a lua e suas fases, com o ciclo dos alimentos e NATUREZA, a grande escritura da humanidade. Dos búzios ao I Ching, a mãe NATUREZA sempre foi e é referência. Fora dela nos fudemos. Não há outra palavra, “cara” leitora ou leitor. A NATUREZA é berço da humanidade. Ponto.
O resultado desta grave enfermidade materialista consumista em detrimento do conhecimento de nosso planeta, é que, quando se propõe, por exemplo, um simples jogo de “amigo oculto” sem que seja com presente comprado, tem gente que se sente perdido, impedido de inventar no afeto. Funcionar nestes valores. “Era mais fácil comprar um”, dizem alguns. E olha que a brincadeira é valendo de um tudo: vale um passeio, uma comida, um batida de tarô, um cinema, um banho de rio, uma música, uma piada, uma parábola, uma filosofia, um poema, um verso, um beijo, um abraço demorado, um trecho de livro, uma folha, uma fruta, uma flor do pé. Sem a referência do dinheiro ficamos sem rumo. Que doido. Há inclusive os miseráveis de amor e ricos de dinheiro que não encontram outra graça neste viver. Pode ser por outros ouros nossa corrida. E mais devagar. Claro que há quem tenha dinheiro e dê também muito amor. Mas meu alerta é para quem relativizou o amor por dedicar ao dinheiro um lugar acima de tudo. Um lugar de Deus.

O LINDO VALOR DA AMIZADE 

Agora mesmo, perto do fim da gostosa temporada do “Parem de falar mal da rotina”, no teatro João Caetano no Rio, tive que cancelar a sessão, embora contrariada, porque passei mal grande parte do dia, só vomitando. Estava sozinha neste dia. Tudo ruim, ôca de tanto esvair-me em bílis. Estava fraca. Quando depois de falar com meu produtor, liguei pro Eduardo Brandão, meu fiel camareiro há dez anos, avisando que não haveria espetáculo, sua mãe resolveu, preparou e mandou por ele, uma panela de pressão quente, enrolada na toalha, contendo uma sensacional, completa e cheirosíssima canja de galinha! Veio do Méier pra Copacabana. Cheia de amor de mãe. Acolheu minha orfandade. Veio do Méier pra mim! Quantas vezes isso acontece numa vida hoje na cidade grande? Quando chegou, comecei a chorar. Era exuberante aquela beleza. Ardia nos olhos. Brilhava. Diamante, pedra preciosa, riqueza. Fortuna. Representava também o brilho das cooperações, do coletivo. Comi. O mensageiro do feitiço estava ao meu lado. Cuidando. Anjo. Fiquei boa na hora. Com a canja veio a saúde, voltou a força, bebi sua maternidade sobre mim. A saúde voltou. Fiquei de pé de novo. Janice, autora da obra culinária, cientista e alquimista da milagrosa mistura, me contou depois ao telefone as iluminuras que desejou pra mim enquanto preparava a poção com os temperos decisivos do lindo amor da amizade.
Como são abstratos, é difícil achar uma balança de comprovação de peso, uma lupa que enxergue tais bens. Crianças tendem a encontrar essas fortunas naturalmente: “ô mamãnhê, guarda meu galhinho?” É bom que identifiquem essas “joias caras” da vida antes de conhecerem o dinheiro, enquanto são livres pra reconhecer grande valor num graveto. Mas, milhares de vezes, quem cuida delas as obriga a terem cofrinhos aos quatro anos e, o que é pior a quebrarem o porquinho lindo que guarda as moedas dentro. Mas o porquinho estava fazendo o papel do porco na brincadeira de fazendinha de animais de plástico e é muito bonitinho ele. É difícil querer quebrá-lo por motivo de moeda!!!! Por que será mais importante a moeda para o pequenino do que o bichinho que é também brinquedo? Por isso tem tanta importância o que pensa de tudo isso a mão que balança o berço. De quem é, e o que entende por riqueza?
Senhoras e senhores, em meio a este tempo de festas de fim de ano, compartilho com todos a querida, Janice Pires que foi quem me mandou na sua amorosa canja uma deliciosa lição. Mãe de Geovana e do Eduardo, fez deles herdeiros de sua bondade. Bondade no coração. Aquela família tem berço. Berço não é sobrenome nem grana. Berço é afeto. Acho que, cantando na janela, assim, sem nada querer, foi isso que o bico de ouro deste passarinho Sanhaço veio me dizer.

Os ‘ratos e urubus’ de Joãosinho Trinta voltam a assombrar em 2020

O histórico desfile da Beija-Flor de exatas três décadas trazia mazelas que há pouco tempo começávamos a superar. Àquela época, tínhamos esperança. E hoje?
por Wagner de Alcântara Aragão
Foto: reprodução de frame de trechos do desfile de 1989 da Beija-Flor.
Dá para afirmar sem medo de errar: é unanimidade, ao menos entre quem pensa num outro mundo possível, que 2019 já vai tarde. Antes da despedida, convém lembrar um aniversário celebrado neste malfadado 2019. O aniversário de um episódio que nos apresentava um cenário que, há pouco, considerávamos como superado. Cenário, no entanto, que volta a nos assombrar.
Refiro-me aos 30 anos do histórico desfile “Ratos e urubus, larguem minha fantasia”, do Carnaval de 1989, concebido por Joãosinho Trinta (1933-2011), protagonizado pela comunidade de Nilópolis, da Beija-Flor. Um desfile que levou para a avenida o povo marginalizado. Que apontou a desigualdade social e a elite do atraso como as responsáveis pelas mazelas de uma nação que tinha (e tem) tudo para ser soberana. Desfile que foi, assim, à raiz dos nossos problemas.
Trinta anos depois, o desfile de Joãosinho Trinta representaria com precisão os tempos de hoje. Equívoco considerar, porém, que nada mudou. O desfile da Beija-Flor de 1989 não continua atual. O desfile da Beija-Flor de 1989 voltou a ser atual.
Se a gente quer se livrar dos ratos e urubus que aterrorizam o Brasil para 2020, é imprescindível que não deixemos que se percam no tempo e na memória as conquistas recentes. Sim, podemos considerá-los lentos, aquém das necessidades, mas avanços fizeram ficar no passado a fome, a miséria, o desalento. Estávamos longe do paraíso, não vivíamos às mil maravilhas, todavia até o pré-golpe de 2015 e a consumação do golpe de 2016 experimentávamos o sabor de um mínimo de dignidade.
Ficavam cada vez mais para trás o desemprego nas alturas, a informalidade e precariedade do trabalho, o desalento, a mendicância, a censura, a ignorância, o descaso com os mais pobres, com os grupos identitários diversos. Tudo aquilo que Joãosinho Trinta fez a Beija-Flor mostrar na Sapucaí em 1989 aos poucos superávamos. Ou, ao menos, tínhamos perspectivas e instrumentos reais e concretos para superar.
A política de cotas começava a incluir negros, indígenas, pobres no ensino superior. Um dique de contenção à retirada de direitos trabalhistas, à entrega das nossas riquezas e patrimônio estava sendo erguido. O pré-sal ficava sob controle da nação brasileira, e seus dividendos seriam canalizados para a educação e saúde. Assistência médica chegava aos rincões, o sonho da casa própria começava a se tornar realidade.
Há um detalhe que faz deste 2020 que se aprochega mais desafiador (para não dizer menos animador) que o 1989 de Joãosinho Trinta e da Beija-Flor. Naquele Carnaval, estávamos às vésperas da primeira eleição presidencial depois da ditadura. Naquele Carnaval, a Constituição, recém-nascida, iluminava e ampliava os horizontes. Para 2020, o que temos para nos agarrar?
Talvez o próprio Carnaval possa nos sinalizar um caminho. Os desfiles deste novo ano devem vir carregados de crítica social e política. De inspiração, também – afinal, o que não deverá ser Elza Soares sendo homenageada pela Mocidade Independente de Padre Miguel?
Como disse o mesmo Joãosinho Trinta lá em 1989, em entrevista à TV Manchete enquanto entrava na avenida, “escola de samba é muito mais que oba-oba de Carnaval. É um grande momento da vida brasileira. É momento de emoção, de beleza, de realização”. Podemos nos fortalecer bebendo dessa fonte, não?