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quinta-feira, 2 de julho de 2020

O nazismo à brasileira do Estado anticultural de Alvim e Bolsonaro

Pela ótica do governo, Alvim não errou por ser nazista, mas por ser indiscreto

PELA ÓTICA DO GOVERNO, ALVIM NÃO ERROU POR SER NAZISTA, MAS POR SER INDISCRETo

Falência induzida do setor vem com o agravante do discurso de ódio, conservador e contrário às manifestações identitárias e à diversidade

Por Guilherme Varella e João Brant

Quando Gilberto Gil, assim que assumiu o MinC em 2003, disse que “fazer política cultural é fazer cultura”, ele não estava afirmando que cabia ao Estado interferir indevidamente na produção cultural da sociedade, submetendo-a a algum crivo ideológico-estatal. Pelo contrário, estava dizendo que era preciso criar uma nova cultura de Estado, uma cultura institucional de olhar a cultura como objeto de política pública e de desenvolvimento (humano, econômico, social). Ou seja, o objetivo do Estado não deve ser interferir nas preferências estéticas da sociedade. Ao contrário, deve ser dinamizar os processos de reconhecimento, valorização e promoção de todas as formas artísticas e culturais existentes, com o próprio Estado assumindo participação central na vida cultural da sociedade, em seu sentido mais amplo.

Gil falava de uma nova cultura estatal em que o Estado deveria atuar na cultura justamente para torná-la livre (como ensina Michele Anis). No limite, o que Gil reivindicava era a compreensão de que o próprio Estado, como o conhecemos, é um Estado erigido com base em valores e princípios (igualitários, republicanos, democráticos, de dignidade humana) que se encontram na ordem simbólica da cultura. Valores e princípios que sustentam instituições (ou institutos) importantes, como a separação de poderes, a liberdade de imprensa, a autonomia universitária, o respeito às liberdades individuais etc. A cultura é o substrato valorativo da ordenação social neste Estado. Um Estado de Cultura, ou um Estado Cultural, como prega Peter Habërle.
Roberto Alvim (e Bolsonaro e seus milicos e ideólogos) querem o contrário disso: a negação da cultura como algo complexo que oferece as condições valorativas da vida em sociedade. A negação da cultura como usina de símbolos (de novo, Gil) a mediar as relações humanas. A negação da cultura como sustentáculo de uma ordem social baseada na diversidade, no respeito às identidades e subjetividades, na afetividade e na humanidade. E a negação da cultura como imperativo da liberdade. Alvim e Bolsonaro querem exterminar essa ideia de cultura. E se utilizam do aparato do Estado para atingir este objetivo. Como fazem os governos autoritários, como agem os dirigentes fascistas.
Essa foi a mensagem de Alvim (que Bolsonaro negou em rede social, mas que aceita e propaga como programa). O discurso precisava ter uma citação literal de um nazista para ser nazista. A fala é nazista por dizer explicitamente que o Estado passará a dirigir a cultura para cerceá-la, autorizando-a a ser apenas o que o Estado acredita que deva ser (Nacionalista? Heroica? Baseada no auto-sacrifício?!). O Estado de Alvim e de Bolsonaro não age para tornar a cultura livre, mas para aprisioná-la. Daí a perseguição aos artistas, o aparelhamento ideológico das instituições, o estrangulamento financeiro do setor, a dissolução dos órgãos. Daí a censura. O “Estado” de Bolsonaro, antirrepublicano e antidemocrático, não se assenta nos valores de um Estado cultural, como defendia Gil. O Estado de Alvim e de Bolsonaro é o Estado da anticultura. É o Estado anticultural.
O Estado anticultural de Bolsonaro não é o resultado involuntário da ação de um louco conspiratório no poder. Ele é programático. Ou antiprogramático, melhor dizendo: nega a cultura como direito, como manifestação simbólica livre e como vetor de desenvolvimento. Suas marcas são a derrocada institucional da cultura, a perseguição ideológica ao setor artístico, a narrativa oficial de moralização que embasa episódios de censura e o sufocamento econômico do setor. Essa proposta de falência induzida do setor institucional da cultura vem com o agravante do discurso de ódio, conservador e contrário às manifestações identitárias e à diversidade – essa diversidade que é o maior ativo cultural do Brasil. É o tempero inevitável do fascismo ou do nazismo à brasileira. O que muda é a dosagem do tempero, a depender da mão. Se o programa seguir o mesmo, pouco importa se é implementado por uma mão pesada como a de Alvim ou por alguma outra mais leve. Seguirá intragável.
*Os argumentos deste texto serão desenvolvidos em um artigo mais completo dos autores, a ser publicado em livro da Fundação Perseu Abramo sobre o Estado de Bem-Estar social. A publicação está prevista para o primeiro semestre de 2020.
Fonte>  cartacapital.com.br

Câmara aprova adiamento das eleições municipais para novembro

Foto: Nelson Jr./ ASICS/TSE
Por ampla maioria, deputados derrotam bolsonaristas que pediam a manutenção do pleito em outubro.
A Câmara dos Deputados aprovou, por 402 votos e a 90, a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o adiamento das eleições para novembro (PEC 18/20). Pelo menos um destaque foi aprovado no texto, o que faz a PEC retornar ao Senado.
O texto, apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), estabelece os dias 15 e 29 de novembro como as novas datas do primeiro e do segundo turno das eleições municipais.
Apenas PL e PSC orientaram voto contra o texto. PROS, Patriota e Governo liberaram suas bancadas. Alguns bolsonaristas mais próximos do presidente, como Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Bia Kicis (PSL-DF) e Carla Zambelli (PSL-SP), no entanto, foram contra o adiamento. “São vários os motivos para rejeitar essa PEC. Parece que não haverá grande diferença da questão do vírus em outubro ou novembro. Parece ser de pouca eficácia”, afirmou Kicis.
Os partidos de oposição orientaram de forma unânime a favor do texto. “Para o PT, a vida está acima dos interesses eleitorais. O adiamento das eleições é uma questão de saúde pública. A população não pode ser exposta a interesses eleitoreiros”, disse o líder do PT, Ênio Verri (PT-PR).
“Câmara acaba de aprovar em 1º turno, por 402 votos a favor e 90 contra, a PEC que adia as eleições municipais para 15 de novembro. Uma decisão importante em defesa da democracia e da segurança da população”, celebrou Ivan Valente (PSOL-SP).

"Contos da Quarentena" serão publicados em box com três livros

O concurso "Contos da Quarentena", promovido pelo Brasil 247, foi um sucesso de público, com trabalhos que surpreenderam os jurados das duas fases de avaliação. Confira como ficarão as publicações.
247 - O concurso literário “Contos da Quarentena”, promovido pela Editora 247, responsável pelo Brasil 247 e pela TV 247, foi finalizado no domingo, 28, com o anúncio dos seis contos vencedores. 
Eles integram o conjunto de 68 contos finalistas do certame, que teve como tema estórias reais ou imaginárias relativas à quarentena provocada pela pandemia do coronavírus, no Brasil e no exterior. 
Os contos finalistas serão publicados em um box com três volumes pela Kotter Editorial em parceria com a Editora 247. O box, assim como os volumes individuais, encontram-se em pré-venda no site da Kotter. 
Clique aqui para reservar seu exemplar.
Confira abaixo a relação dos contos por volume:
Contos de Quarentena - Volume 1
1. Munheco - Marcos Eduardo Marcos Eduardo
2. Na Minha Rua tem um Cachorro Rouco - Anabela Rute Kohlmann Ferrarini
3. Mãe - Tomás Varallo Ribeiro de Sousa
4. Reflexões de um malandro das antigas, ou: autêntico que sufoco - Virgilio Mattos.  
5. 37 graus e meio - Maximiliano da Rosa  
6. Negativo Para a Vida - Fernando Scarpel
7. Doutor Carleto - Theo Lopes Garcia
8. Deslimite - Diego Almeida Monsalvo
9. Carta a Espera de Destinatário - Ronaldo Henrique Ronaldo Henrique
10.Tempo Dentro do Tempo - Mirian da Silva Cavalcanti
11. Antes do Fim - Alex Alexandre da Rosa
12. Rotina - José Eron Lucas Nunes
13. Aportar Para o Descanso - Paulo André Viana da Silva
14. A Vida Tem Dessas Coisas ou a Vida Com Essa Coisa - Manoela Lima Pascale Cracel
15. A Quarentena de Dandara - Débora Fernanda do Nascimento Santos  
16. Uma História Sobre Seios - Jennifer Perroni
17. Sem Título - Andressa Barichello
18. Carta Aberta - Martim Butcher Cury  
19. A Imposição Geral da Afasia - Vitor Varella
20. Jaonaro Bolsair - Gabriel Lopes Mesquita
21. Guanabara, 19 de Abril de 2021 - Andre Warwar
22. Sem Título - Leila Madueño Zonzini
Contos da Quarentena - Volume 2
1. Travessia - Tiago Donoso  
2. O Condomínio, a Reitoria, o Castigo - Dédallo Neves
3. Sem título - Antonia Baudouin
4. E as Putas? - Lelê Teles
5. Acordo Nupcial Incerto - Adilson Reis
6. Maria Neves Estela Correa, 56 - Luciana Salazar Salgado
7. Sem Título - Sergio Gustavo
8. O Adubo do Mundo - Carlos Versiani dos Anjos
9. Entre a Frieza dos Números e o Calor da Confusão - Monica Duarte da Silva Gonçalves
10. Sem Título - Laila de Souza Ferreira
11. Amor em Tempos de Coronavírus - Jadson Jesus Meneses Nobre
12. Forçoso Quarentenar Para Viver - Izilda Aparecida Braga
13. O Edital - Andréa Moraes da Costa
14. As esperas - Carlos Alverto Cunha
15. O Operário - Ronaldo Bontempo
16. Ocupação em Quarentena - Estevan de Menezes Palma
17. Silêncio de Morte - Adenildo Lima
18. A Quaresma de Epaminondas Reis - Juan Blanco Prada
19. Parasitismo - Ensaio de Uma Pós-ficção - Ana Elísia da Costa
20. Olor - Oly Cesar Wolf
21. O Condomínio Marquês - Marcella dos Santos Abreu
22. Contágio - Leide Marcia Fuzeto Gameiro
23. Um Produto de Nome Pessoa - Juliana Andrikonis
Contos de Quarentena - Volume 3
1. Vírus - Renata Ferri
2. Santa Rosa - Gustavo Maia
3. 41 Dias - Marcelo S. Pontes
4. Felizmente Tarde Demais - Flavio da Silveira Bruno
5. Desolação Cornífera - Clotilde Amorim
6. Epílogo a Minhas Obras Completas - Alysson Siffert
7. Covid-19 e o Mundo Novo - Laís Amaral Junior
8. As Divindades Sequestradas - Nuno Gonçalves Pereira
9. A Resposta de Tudo - Rafael Tellini
10. O Vírus e o Mundo: Duelo da Década - Gecílio Pereira de Souza
11. De Dentro da Bruma Que Veio da China - Tânia Martins
12. Homem de Gelo - Vinícius Canhoto
13. Sucumbir Para Renascer - Gilmar Rogerio Wendel
14. Isolados - Rafael B. Oliveira Lima
15. Não-Ficção - Marcelo Mendes
16. Enquanto Você Crescia - Sonia Fernandes do Nascimento
17. Os Grilos e os Bêbados - Maria Tigre Gemmal
18. Quarentena dos Sonhos - Ariadeni Silva Santos
19. Quatrocentos Dias - Mauri Dalton Leite Cipresso
20. Conto de Quarentena - Erigutemberg Meneses
21. Fura-filas - José Ozias Siqueira
22. A Comitiva Presidencial e a Estratégia Zumbi - Antonio Rodrigues do Nascimento
23. Um Pesadelo Real - Clovis Pereira Salgado
Avaliação
A avaliação dos contos foi dividida em duas etapas, uma de classificação, que escolheria inicialmente os cinquenta melhores contos, e a segunda que escolheria os três primeiros colocados. 
A equipe da primeira fase, formada pelo escritor e editor Sálvio Nienkotter, Kotter Editorial, pelo poeta e romancista Daniel Osieck e pelo poeta e editor Raul Kevin, analisou os textos com base na linguagem (correção e riqueza vocabular); na originalidade e criatividade; na progressão textual e no valor literário. Dado o número expressivo e, acima de tudo, o alto nível das obras, decidiu-se classificar 68 ao invés de 50, mesmo aumentando em meio ponto a linha de corte prevista.
Esses 68 contos classificados foram analisados por um novo júri que contou com Luiz Ruffato, um dos maiores expoentes do conto e do romance nacional contemporâneo, Ricardo Aleixo, provavelmente o poeta mais conhecido e demandado do Brasil e novamente Marcos Pamplona, poeta e roteirista premiado em várias países. O júri foi coordenado por Sálvio Nienkötter, editor da Kotter Editorial.
Fonte: Brasil 247

terça-feira, 30 de junho de 2020

UNIDADE NA LUTA - Entidades e movimentos sociais lançam campanha em defesa da democracia e da vida

2020 06 29 lancamento brasil democracia vida
Lançada nesta segunda-feira (29), a campanha #BrasilpelaDemocracia #BrasilpelaVida reune mais de 70 organizaçãoes entre entidades nacionais, centrais sindicais, movimentos sociais, articulações pró-democracia e organizações não-governamentais. A CNTE apoia a mobilização e convoca todos a participarem dessa luta.


A ação é uma resposta à situação enfrentada pelo país, que exige a união de todos em defesa da democracia, ameaçada pelo ataque permanente e inconcebível às instituições, à imprensa, ao Estado Democrático de Direito e aos direitos dos cidadãos e cidadãs consagrados na Constituição Federal.

As entidades se unem também em defesa da vida. A inépcia e a descoordenação do governo federal enfraquecem a capacidade da sociedade brasileira de enfrentar a pandemia. A crise de saúde pública que vivemos é ainda agravada pela incapacidade de respostas consistentes e urgentes diante da insustentável realidade de pobreza, desigualdades e iniquidades, assim como pela recusa frequente de levar em consideração as orientações científicas, médicas e de profissionais e organizações de saúde.

A primeira atividade, logo após o lançamento, será a Virada da Democracia, nos dias 4 e 5 de julho – um evento coletivo com dezenas de atividades propostas pelas organizações envolvidas, entre palestras, ações culturais e manifestações virtuais.
A programação será disponibilizada em breve - acesse o site da campanha para obter mais informações e atualizações: https://www.brasilpelademocracia.org.br/

Veja o vídeo de lançamento da mobilização




Fonte: CNTE

FINANCIAMENTO - Entenda como o Fundeb ampliou o acesso à educação e o que está em jogo no Congresso

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Em vigor desde 2007, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) é uma das poucas políticas públicas que seguiram em frente em meio às mudanças de governo ao longo dos anos, algo raro em um país como o Brasil, onde a inconstância ainda dita o ritmo desse tipo de ação estatal.

A relevância da política pode ser medida em números: somente no ano passado, por exemplo, o Fundeb canalizou um montante de cerca de R$ 165 bilhões para estados e municípios. Formado por um conjunto de outros 27 fundos, ele engloba os 26 estados e o Distrito Federal, financiando 40% da educação básica da rede pública no país. Isso inclui desde creches até o ensino médio, abarcando ainda a Educação de Jovens e Adultos (EJA) – somente o ensino superior não entra na conta.

O coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, sublinha que a criação do Fundeb foi a primeira vez, na história do país, em que surgiu uma política de financiamento para toda a educação básica. Ele realça que um dos pontos de relevância da medida está no acolhimento de modalidades específicas, como a educação voltada a pessoas com deficiência, indígenas, quilombolas e ainda a educação do campo.
“E o Fundeb teve a capacidade de obrigar o governo federal a investir substancialmente na educação básica, coisa que não acontecia antes. O governo fazia o mínimo possível. Ele dava ordens, mas não colaborava e, com o Fundeb, passou a colaborar. Ainda é pouco, mas já foi um primeiro passo”, acrescenta o coordenador, destacando os atuais 10% de participação da União no fundo.

A legislação vigente determina que pelo menos 60% dos recursos totais do Fundeb devem ser destinados anualmente à remuneração do magistério, o que inclui os professores que estão em sala de aula e os profissionais que exercem funções de suporte, como diretores, coordenadores, supervisores pedagogos, etc.

Os outros 40% devem ser aplicados em ações de manutenção e desenvolvimento da educação. O rol de possibilidades abrange desde despesas com equipamentos e instalações até o aperfeiçoamento dos profissionais, passando ainda pela compra de material didático, transporte e merenda escolar, entre outros serviços considerados essenciais à rede de ensino.

O universitário Caio Sad, 20, estudou durante uma década em uma escola pública do município de Cabo Frio (RJ). Ele conta que acompanhou de perto as melhorias que a unidade foi apresentando com o tempo ao longo da implementação da política, com maior aquisição de livros, investimento em quadra de esportes, realização de eventos, entre outras iniciativas. “Eu me lembro da escola e imagino que a maior parte daquela estrutura não existiria se não fosse o financiamento do Fundeb”, diz.

Em geral, os entes federados apontam que a política é essencial sobretudo para os municípios, que, em sua maioria, não obtêm uma arrecadação no nível necessário à manutenção da folha de pagamento e da estrutura do setor de educação.

“Eu diria que o Fundeb tem uma importância extraordinária fundamentalmente como garantidor de um padrão mínimo de receitas, pra que eles possam seguir elevando os indicadores educacionais e de aprendizagem”, ressalta o governador da Bahia, Rui Costa (PT), presidente do Consórcio do Nordeste.

O grupo está entre os que hoje fazem coro pela continuidade da política, que foi criada com data prevista para acabar e por isso só tem garantia de vida até 31 de dezembro deste ano. O tema está em debate na Câmara dos Deputados, que discute atualmente a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 15/15, relatada pela deputada Dorinha Rezende (DEM-TO). O texto prevê a conversão do fundo em uma política pública perene e com ampliação dos recursos. A PEC deve ser votada nas próximas duas semanas, segundo o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Caso a medida não seja aprovada este ano, uma parte das escolas públicas pode chegar a fechar as portas. Para Rui Costa, o cenário seria algo “desastroso”. É o que destaca também a secretária de Educação de Araraquara (SP), Clélia Mara Santos, município para o qual o fundo destina R$ 90 milhões anuais.

“O Fundeb é fundamental. Parece redundante dizer isso, mas não é. Ninguém tem de pronto, por exemplo, no nosso caso aqui, mais de R$ 90 milhões que nos sustentem”, afirma a gestora, destacando que a rede precisa de ampliação dos recursos porque já sofre dificuldade para cumprir as disposições do Plano Nacional de Educação (PNE) diante do orçamento atual.

“Se retirar o fundo da forma como a gente concebe hoje essa fonte de financiamento, a educação pública brasileira para”, exclama.
Em busca da equidade.

Especialistas apontam que um dos grandes predicados do fundo tem sido a redução das assimetrias regionais naquilo que se refere aos investimentos na rede de educação, historicamente marcada por um abismo entre os entes de menor e os de maior capacidade orçamentária. Operacionalmente, o Fundeb canaliza os recursos de acordo com a necessidade de cada estado ou município.

“Como educação é um direito social e humano pra todo mundo, não se pode condenar um município que tem pouca arrecadação a não garantir a educação daquela população. Isso é um dever do Estado brasileiro como um todo, então, o estado e a União contribuem também com essa formação e com esse acesso à educação naquele município que não tem condições financeiras de garantir esse direito com uma infraestrutura adequada, com a valorização dos profissionais”, explica Heleno Araújo, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
Por conta dessa lógica, a política foi capaz de ampliar em 413% o investimento mais baixo por aluno encontrado na rede pública do país. Cálculos feitos por especialistas da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados em 2017 mostram que o Fundeb reduziu em 71% a desigualdade entre as redes. Com isso, vem contribuindo para equalizar as oportunidades e ajudando o país a buscar um padrão mínimo de qualidade no ensino.

“Ele promoveu mais acesso, garantiu mais matrículas. Está aquém do que a gente precisa e quer, mas avançou, por isso defendemos como política importante a ser mantida”, afirma Araújo.
Remuneração.

A CNTE salienta que o Fundeb tem sido o oxigênio da política de remuneração do magistério. Segundo a confederação, antes dele, alguns profissionais chegavam a ganhar um salário de R$ 80 por mês.

Concursada desde 2003, a professora Marilândia Alecrim dos Santos Vieira, da rede municipal de Campo Formoso (BA), conta que não sente saudades do período em que a educação pública ainda não podia contar com o fundo. Em um resgate de memória, ela narra que, em seus primeiros anos de atuação, muitos dos docentes viviam com um terço do salário mínimo.
“Os salários eram tão baixos que o pessoal daqui do interior não tinha nem possibilidade de ir na sede pra sacar os salários. Juntavam três ou quatro pra custear a passagem de um, que ia sacar os salários dos demais”.

Com o financiamento da política, outro cenário foi se moldando com o tempo. Hoje, Marilândia conta com um salário que é 400% maior que o da época. Diante desse panorama, ela afirma que teve diferentes vantagens, entre elas uma maior disposição para se preparar para enfrentar a sala de aula.

“[o novo salário] possibilitou que a gente saísse do aluguel e comprasse uma casa própria. Hoje tem a motivação de investir no conhecimento, no estudo, de se qualificar melhor. Já é possível também, mesmo que seja numa universidade particular, fazer uma especialização. O Fundeb faz muito a diferença”, ressalta, ao enumerar os ganhos.

A professora Liliane Cristina Borges, que leciona na rede pública de Mato Grosso desde 1991, lembra que o fundo serviu de motor para a instituição do piso nacional do magistério, atualmente no valor de R$ 2.886,24. Além de elevar o patamar do pagamento dos professores, a medida deixou a categoria menos vulnerável às prioridades definidas por cada gestor para os investimentos a serem feitos na área. A professora observa que, com mais verbas destinadas ao setor, toda a cadeia de servidores que atuam na educação foi beneficiada.

“Antes do Fundeb, cada município e estado decidia o que pagava ou não para os seus servidores. Depois do fundo, que também vem instituindo igualdade de direitos pra todos os servidores que trabalham no chão da escola, passou a ser reajustado o salário segundo o piso nacional”.

Avanço multilateral

Atuante na defesa da política, o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Iago Montalvão, frisa que, com todos os avanços apresentados, a política tem o poder de estender os ganhos a uma rede que vai além dos muros das escolas:
“Quando você melhora a escola, a educação e a formação daquele local, você vai melhorando também todo o IDH, a estrutura daquela cidade, com melhores profissionais, professores, jovens com educação mais de qualidade. Vira um efeito cascata que é bom pra todo mundo”.

(Brasil de Fato, Cristiane Sampaio/Edição: Ítalo Piva, 29/06/2020).

Fonte: CNTE

Uninove demite 300: desrespeito com os professores, descaso com os alunos

Entidades estudantis reivindicam e apoiam projetos de lei para reduzir a evasão e manter empregos
Esta semana a Universidade Nove de Julho, Uninove, despediu pelo menos 300 professores da rede de colaboradores via um pop-up na tela da plataforma de ensino a distância pela qual as aulas tem sido dadas durante a quarentena.
O Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro) está pedindo anulação das demissões no Tribunal Regional do Trabalho.
A UNE recebeu inúmeras denúncias. “Achei um descaso absurdo”, afirmou a estudante de Arquitetura Jade Lopes de Oliveira.
“Foram seis ou sete professores meus demitidos. Muitos deles são maravilhosos, vou sentir falta”.
Aos alunos a universidades não emitiu nenhum comunicado e muitos tiveram como atividade no lugar das aulas uma palestra motivacional com o Padre Fábio de Mello.
Os estudantes organizaram um abaixo-assinado que já tem quase 30 mil assinaturas. Jade conta que a instituição não ofereceu nenhum tipo de desconto desde o início da pandemia, quando as aulas presenciais passaram a ser no modo EAD e que muitos colegas desistiram do curso por não poderem pagar, outros cansados com a displicência e incerteza que enfrentam na Uninove transferiam para outras instituições. “Mas para quem é bolsista como eu, não temos muito o que fazer”, ressalta.
Ela descreve o atendimento na Uninove como péssimo. “É sempre um estresse falar com a secretaria, é difícil falar com a coordenação e a reitoria então”.
Pandemia atingiu a todos
A Uninove divulgou que teve que se a ”adaptar à nova situação e fomos ao limite para manter nosso quadro funcional e todas nossas obrigações contratuais em dia”.
Para o Sinpro-SP, a pandemia está sendo usada pela Uninove para acelerar o processo de reestruturação iniciada há alguns anos e baseada na redução da folha de pagamentos e maximização dos lucros.
Para o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) outras medidas poderiam ser tomadas, levando em consideração a queda de faturamento. E dá como exemplo a MP 936 que foi relador, na Câmara dos Deputados que possibilita a suspensão temporária de contratos de trabalho ou redução de jornada com redução de salários. “Precisamos cuidar da saúde em primeiro lugar. Ao lado disso, preservar os empregos e a renda dos trabalhadores, garantir a estabilidade dos setores econômicos devem ser prioridade dos governos e também dos empresários, particularmente os grandes. Ninguém vai sair bem da crise pensando só no seu ganho imediato, pois a reativação da economia dependerá de um conjunto de fatores, entre eles a manutenção dos empregos”, destacou.
Segundo pesquisa realizada pela consultoria Atmã Educar, as matrículas para o segundo semestre de 2020 devem cair em cerca de 70% em meio a pandemia do Corona Vírus, totalizando uma queda de 17% de novos alunos previstos. Além disso, a taxa de estudantes endividados junto às IEs privadas no país, segundo a SEMESP aumentou de 15,3%, para 26,6% durante os meses da pandemia (março-junho) se comparado ao mesmo período do ano passado, o que aumentou a taxa de evasão do ensino superior de 20% para 30%.
As entidades estudantis prevendo o efeito que a pandemia causaria sobre o estudantes propuseram logo no início da quarentena uma campanha para redução das mensalidades.
“As universidades não tem o mesmo custo com infraestrutura oferecendo aulas em EAD que são bem mais baratas, então precisam reduzir as mensalidades até mesmo para os estudantes poderem pagar. Outra coisa que pautamos foi um auxilio emergencial para os estudantes tanto de públicas como de privadas conseguirem se manter e não ter que deixar de estudar por estarem passando necessidades”, explicou a diretora de Comunicação da UNE, Camila Ribeiro.
O presidente da UEE-SP, Caio Yuji lembra também que a entidade tem apoiado o projeto PEFies do senador Weverton (PDT-MA) em trâmite no Senado.
“É um auxílio emergencial que precisa ser aprovado, um projeto de expansão do Fies, para que os estudantes possam pagar suas mensalidades, para que as universidades não quebrem e com contrapartida para que elas não demitam os professores, numa linha de defesa e proteção dos trabalhadores”, destaca.
PLs para assegurar o futuro
Orlando Silva também é autor do projeto PL 3419/2020 assegura aos alunos inadimplentes, o direito à renovação da matrícula, por dois anos após cessar os efeitos do Estado de Calamidade Pública. E junto com os deputados Túlio Gadêlha (PDT-PE) e Marcelo Ramos (PL-AM) o PL 2423/2020 que proíbe a suspensão de contratos de estágios durante o mesmo período.
O parlamentar defende que se a pandemia e a crise econômica descambarem para uma desestruturação do ensino superior no Brasil, os reflexos não serão só para este ano ou os próximos anos, mas poderão durar décadas, e afetar gerações.
“Não se constroem universidades e nem se formam ou capacitam médicos, engenheiros, cientistas, físicos, professores, profissionais de qualidade das diversas áreas, da noite para o dia. É um trabalho que leva tempo. Cada estudante que tiver que trancar ou deixar a universidade, no mínimo, vai demorar mais para se formar e entrar no mercado. Isso se conseguir retomar, porque pode simplesmente ser um futuro brilhante desperdiçado”, diz Silva.
E completa: “A pandemia, cedo ou tarde, vai passar. Infelizmente, em virtude da sabotagem do governo Bolsonaro, vai demorar mais e custar mais vidas – e a vida não tem preço. Mas, ainda assim, vai passar. E nós precisamos ter um país depois da crise”.
Fonte: UNE

As classes social no BRASIL, com JESSÉ de Souza e Maria do ROSÁRIO



Fonte: https://blogdeumsem-mdia.blogspot.com e Revista Fórum

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Reitor da UEPB tenta impor ensino remoto na instituição e ataca seção sindical dos docentes da Universidade

O reitor da Universidade do Estado da Paraíba (UEPB) encaminhou uma minuta de resolução para estabelecer normas para atividades não presenciais durante a pandemia, num processo de consulta pública virtual. O documento torna obrigatório, tanto para docentes quanto para estudantes, o ensino remoto. 
A minuta foi elaborada após uma pesquisa virtual com estudantes, cujos resultados são questionados pela Associação dos Docentes da UEPB – Aduepb Seção Sindical do ANDES-SN. O texto está sendo analisado pelos Conselhos Superiores da UEPB.
“A universidade quer continuar o semestre como se nada estivesse acontecendo. Como se a vida continuasse normalmente nessa pandemia, como se tivesse uma transposição automática do ensino presencial para o ensino remoto. É um assunto muito delicado para toda a comunidade acadêmica que precisa de muito debate”, denuncia Mauriene Freitas, presidente da Aduepb SSind.
Por se posicionar contrária ao ensino remoto excludente, a seção sindical foi alvo de ataque por parte do reitor da universidade. Em participação no programa Jornal do Meio-Dia, na rádio Campina FM, Antônio Guedes Rangel Júnior criticou a seção sindical e acusou de boicotar a pesquisa sobre condições de acesso à internet e a adesão às aulas remotas.
Uma avaliação do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – Dieese, realizada a pedido da direção da Adueb SSind, mostrou várias contradições entre o discurso adotado pela Reitoria e os resultados da pesquisa realizada pela instituição.
A pesquisa mostrou que 51,92%, de aproximadamente 16 mil alunos que a universidade possuía em 2019, sequer responderam o questionário. Esse percentual, acrescido dos 10,98% que não possuem computador geraram uma maioria de 62,9% no segmento que não opinaram ou estão sem condições de acompanhar o ensino remoto. Apenas 37,1% disseram possuir computadores, mesmo que de forma compartilhada. 
Entre os professores, os percentuais foram semelhantes, com 68,28% não respondendo ao questionário, não possuindo condições de trabalho em casa ou possuindo parcialmente. Apenas 31,72% conseguiriam cumprir suas obrigações num regime de trabalho remoto. Mas o resultado não arrefeceu o ânimo da reitoria em implantar o ensino virtual.
“A Aduepb SSind., assim como o ANDES-SN, é contra as aulas remotas porque, nas condições atuais, não existe condição de aulas para todo mundo. Para se ter aula remota, todos têm que ter acesso. Para ilustrar isso, a universidade lançou um questionário online sobre as condições de docentes e discentes que teve seu resultado amplamente criticado pela Aduepb. O resultado foi que 50% dos alunos não responderam. Isso nos aponta as dificuldades que nossos alunos têm para acessar”, conta Mauriene, que considerou muito infelizes as acusações do reitor.
A diretora da Seção Sindical afirma que de acordo com a minuta apresentada pela reitoria, todos os professores serão obrigados a aderir ao ensino remoto e os alunos também. Para os estudantes, existe a possibilidade de trancamento da matrícula o que, na leitura da Aduepb SSind., é um reforço da exclusão social. 
“Cerca de 50% dos alunos da UEPB são advindos de cotas sociais (escola pública) e nos parece que será essa parcela mais prejudicada. A proposta da universidade é de reforço de privilégio para aquele que tem as condições materiais para fazer aula remota. Outro fator é que a UEPB tem oito campi. Apenas dois são localizados em grandes cidades e os outros seis são fora do eixo comercial e atende muitos alunos da zona rural, que tem pouco ou nenhum acesso à conexão de qualidade”, explica.
Ela acrescenta que o grande temor é que, ao se aprovar a obrigatoriedade da aula, a universidade privilegie quem tem as condições materiais, físicas e emocionais para o ensino remoto e acabe deixando para trás os estudantes em vulnerabilidade social, que necessitam de uma universidade inclusiva, que não têm equipamentos e nem boas condições físicas e emocionais para o aprendizado virtual.
Na perspectiva do professor, Mauriene aponta que também há vários problemas. Segundo a docente, a universidade editou uma instrução normativa que era facultativa, à qual os professores não aderiram. Para ela, isso demonstra dificuldades também por parte do corpo docente em executar aulas remotas.
“Agora a reitoria vem com a minuta, de cima pra baixo, e não dialoga com os diversos professores. Dentro da universidade, temos cursos de diversas áreas, como humanas, saúde, exatas, cada um com suas especificidades. É preciso escutar esses profissionais para saber o que pode servir ou não”, disse.

A presidente da Aduepb SSind. alerta, ainda, que muitos docentes não possuem boa conexão de internet e não têm intimidade com os equipamentos necessários para gravação e ou transmissão das aulas. Além disso, as mulheres, em especial, estão sobrecarregadas com o cuidado com a casa, filhos, o que também dificulta o engajamento e dedicação para as aulas.
Ela lembra, no entanto, que desde o começo da pandemia, a comunidade acadêmica está constantemente se reunindo para pensar alternativas, realizando atividades de pesquisa e orientação, e que já foram apresentadas propostas para que a universidade oferte aos estudantes, e a toda a sociedade, educação pública, gratuita e de qualidade através de seminários, palestras, congressos e outras atividades virtuais, sem comprometer os alunos que estão atualmente matriculados nos cursos.

“São muitos problemas na proposta que a Universidade apresentou. Fizemos uma série de indagações que ainda não foram respondidas. A Aduepb SSind. preza por uma educação pública, gratuita e de qualidade. A reflexão sobre isso demanda tempo. Essa é a primeira vez de fato, do ponto de vista regimental, que a universidade chama os conselhos para debater. Para além da operacionalização, se tivermos aula temos que garantir que todos participarão. O que foi apresentado [pela reitoria] tem problemas e não garante a inclusão de todos”, afirma.

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Fonte: ANDES