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terça-feira, 21 de julho de 2020

FJA - COORDENAÇÃO DAS CASAS DE CULTURA REALIZOU HOJE (21) VÍDEO CONFERÊNCIA SOBRE A APLICABILIDADE DA LEI EMERGENCIAL CULTURAL ALDIR BLANC - CONFIRAM!



Coordenador, MESSIAS DOMINGOS - FJA
Palestrante, Aluísio Matias
Participantes - Agentes de Cultura - Secretários Municipais de Cultura - FJA
Na manhã desta terça-feira (21), a Coordenação das Casas de Cultura Popular, sobre a orientação do coordenador Messias Domingos, realizou mais uma vídeo conferência, com o coordenador de projetos e articulação institucional da Fundação José Augusto, Aluízio Matias, que tratou sobre a aplicabilidade da Lei Emergencial Cultural Aldir Blanc. Além dos nossos agentes de cultura contamos com a participação de 27 representantes da gestão cultural nos municípios onde temos Casas de Cultura Popular.

Por Messias Domingos e Jefferson, coordenadores das Casas de Cultura - FJA
O CPC-RN PARABENIZA A CASA DE CULTURA   "LAURO ARRUDA CÂMARA" PELOS SEUS 17 ANOS DE LUTAS E AÇÕES!
DANDARA, simbolo de resistência!
" A realização da vídeo conferência, cujo tema  discutido  ponta a ponta no Estado do Rio Grande Grande, que a Lei Emergencial Cultural "ALDIR BLANC", recentemente aprovada pelo Congresso Nacional e Sancionada pelo presidente da república, Jair Messias Bolsonaro, serviu de orientação e tirar dúvidas com os artistas e entidades culturais, além de oferecer suporte para orientações dos projetos a serem apresentados pelos artistas/entidades.  Muito salutar!

Agora é que a sociedades em particular os artistas e entidades culturais e grupos de capoeira, danças e etc, fiquem de olho nos editais e na formação do conselho/comissão que vai nortear os critérios e acompanhamentos das inscrições, como a execução e prestamento de contas dos contemplados.

Chega em boa hora e aqui antecipo nossos agradecimentos a Deputada e guerreira, Jandira Feghali - PCdoB - RJ e evidentemente ao Congresso Nacional.

O momento agora são as inscrições e depois fiscalizar os recursos tanto no amplo do executivo, Pontos de Cultura como também os grupos culturais, entidades culturais, artistas, entre outros, que irão ser contemplados.

Eduardo Vasconcelos
Presidente do CPC/RN
Agente de Cultura de Nova Cruz/RN

Gal Costa pede “Fora Bolsonaro” em suas redes sociais

Gal Costa e Jair Bolsonaro

Gal Costa e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução | Marcos Corrêa/PR)
Uma das maiores artistas da MPB, a cantora Gal Costa postou em suas redes sociais nesta segunda-feira (20) uma imagem reivindicando o “Fora Bolsonaro”.


247 - Uma das maiores artistas da MPB, a cantora Gal Costa postou  em suas redes sociais nesta segunda-feira (20) uma imagem reivindicando o “Fora Bolsonaro”. 

A cantora une-se ao apelo de artistas consagrados de sua geração, que também são adeptos ao movimentos pela queda de Jair Bolsonaro, como Caetano Veloso e Gilberto Gil. 
Fonte: BRASIL 247

Lançada linha de crédito emergencial do Fundo Setorial do Audiovisual de R$ 400 milhões

Recursos serão destinados a gastos com folha, fonrecedores e custos operacionais fixos. Foto: Clara Angeleas/Secretaria Especial da Cultura
De forma a apoiar o setor audiovisual, mitigando os impactos da COVID-19, foi lançada nesta segunda-feira, 20 de julho, a linha de crédito emergencial do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), no valor de R$ 400 milhões. Os recursos serão destinados à manutenção dos empregos e à preservação de atividades da cadeia produtiva do setor. A iniciativa foi proposta pela Agência Nacional do Cinema (ANCINE), aprovada pelo Comitê Gestor do FSA e será executada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).
A linha emergencial foi aprovada na primeira reunião do Comitê presidida pelo Ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. “O setor audiovisual é estratégico para a economia, gerador de renda e de empregos, e por isso, deve ter toda a atenção do governo nesse momento. Esse auxílio chega para garantir que postos de trabalho sejam mantidos e que as atividades do setor possam, em breve, voltar com o vigor de sempre”, disse o Ministro.
A reunião contou com a participação do Secretário Especial da Cultura, Mário Frias, o diretor-presidente substituto da ANCINE, Alex Braga, dentre outros representantes do governo e do setor audiovisual.
O Secretário Especial da Cultura, Mário Frias, reforça a importância da agilidade na liberação dos recursos. “A liberação deste apoio para as pequenas, médias e grandes empresas é uma ação rápida e integrada do governo federal. A parceria com BNDES e BRDE para redução de tempo e burocracia fará com que o dinheiro chegue de forma mais ágil aos interessados, possibilitando a manutenção de centenas de empregos diretos. O Ministério do Turismo, a Secretaria Especial da Cultura e a ANCINE estão trabalhando em sinergia, que é uma marca do governo Bolsonaro, para minimizar os impactos do setor audiovisual, um dos mais afetados nesta pandemia”.
Para o diretor-presidente substituto da ANCINE, Alex Braga: “É um conjunto de medidas anticíclicas muito importante nesse momento para a preservação de empresas e empregos”.
Do total de recursos, R$ 250 milhões serão oferecidos, de forma direta, pelo BNDES, em financiamentos superiores a R$ 10 milhões.
O BNDES receberá pedidos entre 20 de julho e 30 de setembro. Empresas de capital nacional terão prioridade entre os pedidos de financiamento feitos nos primeiros quinze dias de protocolo no BNDES. Após esse prazo, as empresas brasileiras de capital estrangeiro do segmento de exibição cinematográfica também terão direito a acessar os recursos remanescentes da linha emergencial, para manter empregos e a cadeia de fornecedores no Brasil.
Os recursos serão exclusivamente destinados a financiar os gastos com folha, fornecedores e gastos operacionais fixos. Haverá, porém, algumas limitações, como o impedimento do uso para pagamento de verbas rescisórias devidas em caso de demissão de funcionários.
Conforme regulamento aprovado pela diretoria do BNDES na quinta-feira (16), os financiamentos contarão com a cláusula social que já vinha sendo incorporada pelo Banco em outras linhas emergenciais. A empresa que mantiver, repor ou ampliar postos de trabalho ao longo de um ano terá direito a um custo financeiro reduzido, de 0,5% ao ano, além da Taxa Referencial (TR, que atualmente está em zero). Se houver demissões sem reposição, esse custo permanece em TR mais 4% ao ano. O pagamento de empréstimo terá carência de 24 meses e prazo total para pagamento de até oito anos – o maior prazo de todas as linhas de crédito emergencial lançadas pelo BNDES desde o início da pandemia.
“No BNDES, a linha de financiamento dos recursos do FSA incorporará as inovações das modalidades dos créditos emergenciais durante a pandemia. Por esse motivo, o prazo médio de liberação dos recursos de cerca de seis meses deverá cair para até dois meses, a partir da aprovação dos pedidos”, explicou Petrônio Cançado, diretor de Crédito e Garantia do BNDES. Dessa forma, as primeiras liberações são esperadas para setembro.
Já os R$ 150 milhões restantes da linha emergencial serão ofertados pelo BRDE para créditos entre R$ 50 mil e R$ 10 milhões, com compromisso de manutenção de emprego e do pagamento de fornecedores.
Segundo Wilson Bley Lipski, diretor de Operações do BRDE, a expectativa é de grande demanda. “Estamos preparados para atender todo o Brasil, especialmente as pequenas empresas do setor. Nossa equipe do BRDE está neste momento finalizando os detalhes dos processos para que todas as solicitações recebam resposta no menor tempo possível. Esperamos poder desembolsar todo recurso, mas atentos também à qualidade do crédito que estará sendo concedido. É imprescindível que o empreendedor atenda aos quesitos necessários para obtenção do crédito e, assim, manteremos a meta de liberar todo o montante estabelecido para as boas empresas do segmento, que vão manter suas atividades e empregos que geram”.
Pequenos Exibidores terão apoio não reembolsável
Adicionalmente, o pacote de medidas emergenciais aprovado pelo Comitê Gestor do FSA conta também com o Programa Especial de Apoio ao Pequeno Exibidor (PEAPE). Na modalidade não reembolsável, o Programa é destinado aos grupos exibidores de até 30 salas. Para esse segmento, foram reservados recursos do FSA no valor de R$ 8,5 milhões que poderão ser usados para custear folha de pagamento, serviços terceirizados, fornecedores de equipamentos e despesas correntes relativas ao funcionamento das salas. As inscrições para este Programa começam na próxima semana e serão oportunamente anunciadas.
De acordo com o Secretário Especial Mário Frias, conversas mostram a ansiedade do setor pelo PEAPE. “O retorno que estamos tendo de alguns exibidores mostra que seguimos o caminho esperado. É muito satisfatório saber que estamos levando um pouco de tranquilidade para aquele exibidor que, muitas vezes, tem como única fonte de renda uma sala de cinema, conhece os familiares de seus funcionários e está na luta para manter os empregos”.
Para mais informações e como participar das linhas de crédito acesse os links:
Fonte: Portal BRASIL CULTURA

Fundo de Ajuda Ibero-americano recebe inscrições de projetos de artes cênicas

Artistas cênicos e produtores brasileiros têm até 15 de outubro para se inscreverem no Programa Iberescena 2020/2021 – Fundo de Ajuda para as Artes Cênicas Ibero-americanas. A iniciativa tem o objetivo de apoiar projetos que promovam a internacionalização e o intercâmbio de profissionais brasileiros, em parceria com representantes dos 16 países que integram o programa: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Espanha, México, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal e Uruguai. (Clique aqui para inscrições)
Os interessados podem participar em três linhas: Criação em Residência, Coprodução de Espetáculos de Artes Cênicas e Programação de Festivais e Espaços Cênicos. O site do projeto disponibiliza todo o material necessário à apresentação da solicitação: edital do processo, guias de ajuda, perguntas frequentes e informações de contato das instituições gestoras do programa.
O Iberescena é uma plataforma geradora de projetos ao segmento de artes cênicas ibero-americanas. Em 13 anos, o trabalho permitiu a formação de um espaço motivador para artistas e gestores criarem laços internacionais, explorando novas linguagens artísticas e trocando experiências. A plataforma permite a artistas estrangeiros conhecerem e disseminarem aspectos da nossa cultura pouco conhecidos no exterior.​
Edição: André Martins
Fonte: Portal BRASIL CULTURA

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Quilimérios, um povo isolado entre belas rochas de Minas

Documentário mostra pela primeira vez comunidade que há quase dois séculos se isolou em Rubim, no Nordeste de Minas.
Quem percorre o Vale do Jequitinhonha no extremo Nordeste de Minas, quase divisa com o sul da Bahia, vê ao longe um conjunto de belas pedras de granito como se tivessem sido despencadas numa chuva de meteoritos. É difícil passar por ali e conter a vontade de ir ver de perto, afinal, a pacata e hospitaleira cidade de Rubim fica logo ali. Pois bem, foi neste belo lugar que um antigo quilombo volante, certamente vindo do interior da Bahia, resolveu se fixar de vez, esquecendo-se do tempo e da chamada civilização, vivendo ali esquecido, isolado. São os Quilimérios, um nome de origem desconhecida.
Uma equipe de cineastas e jornalistas de Belo Horizonte esteve lá e fez o interessante curta-metragem chamado Quilimérios, um documentário de 24 minutos que trata da história deste povo que vive isolado desde o século XIX, na parte mineira do Vale do Rio Jequitinhonha, que logo depois deságua no litoral baiano. Escondidos entre altas pedras de lugares quase inacessíveis, os Quilimérios ainda são desconhecidos por muita gente que vive até mesmo na própria região.
O curta Quilimérios conta um pouco da história deste povo, mostra cenários deslumbrantes e lugares quase intocados do Baixo Jequitinhonha, filmados praticamente com celular e drone, “o que o torna um produto experimental e inovador”, afirma Emerson Penha. O diretor do curta revela que ir a esta comunidade e fazer o documentário foi muito significativo: “É impressionante, nos dias de hoje, com tanta tecnologia, um povo permanecer isolado. Por outro lado, é importante poder mostrar que o mundo tem lugar para todos, independentemente do seu jeito de ser e viver. Todos têm direito a viver como desejam e isso precisa ser respeitado”, observa.
Na região do Baixo Jequitinhonha, divisa entre Minas Gerais e Bahia, as pedras gigantes marcam o caminho do rio. A muralha natural isola tudo, até mesmo a passagem do tempo. Nesse cenário, os Quilimérios vivem como no século XIX. Para eles, o isolamento foi a única opção e até hoje o mistério de sua existência permanece. A explicação sociológica mais razoável é que seriam remanescentes dos quilombos volantes, grupos nômades formados por afrodescendentes que escapavam do cativeiro, indígenas expulsos de suas terras e mesmo brancos que fugiam das cidades por diversas razões.

A história que se conta entre várias gerações na região de Rubim, cidade mais próxima e de pouco mais de 10 mil habitantes, é que esse grupo de pessoas foi formado a partir da fuga de um ex-escravo, Juca Preto, contratado por um fazendeiro da vizinha cidade de Pedra Azul para matar alguém importante. Após cometer o crime, Juca fugiu para a região onde seus descendentes vivem até hoje e que permanece quase inacessível. Ali só se chega a pé ou a cavalo. Na fuga, Juca levou uma índia, com quem teria dado início à família dos Quilimérios. São pessoas muito reservadas, que cultivam costumes antigos e têm hábitos comportamentais como o casamento endogâmico. Atualmente restam apenas alguns quilimérios remanescentes, já que as novas gerações vêm se transferindo para Rubim.
Quilimérios é um filme de Emerson Penha, com música de Túlio Mourão, fotografia de Fábio Damasceno, produção de Zu Moreira, edição de Rafael Diniz (Fiel) e argumento de Tião Soares.
Confira o vídeo acima indo ao Youtube.
Fonte: Jornalistas Livres

Brasil tem domingo com mais óbitos registrados e se aproxima das 80 mil mortes por coronavírus

Foto: Ricardo Moraes/Alma Preta
Dados do Rio de Janeiro que entraram com atraso contribuíram para a alta, mas a média semanal já vinha mantendo patamar elevado.
O Brasil registrou mais 716 mortes por coronavírus nas últimas 24 horas, segundo atualização do Ministério da Saúde neste domingo (19). O total de óbitos chega a 79.488.
Embora fins de semana costumem apresentar números mais baixos devido ao esquema de trabalho reduzido das equipes, este é o domingo com o maior registro de mortes desde o início da pandemia. Segundo o governo, um apagão nos dados do Rio de Janeiro, que acumulou os números do sábado e do domingo, contribuiu para o aumento. Antes, a maior alta em um domingo no país tinha sido no dia 21 de junho, quando foram contabilizadas 641 vítimas da covid-19.
Ainda de acordo com os dados do governo Jair Bolsonaro, de ontem para hoje foram confirmadas 23.529 novas infecções. O total de casos de covid-19 é de 2.098.389.
Fonte: Revista Fórum

Patrícia Pillar detona Bolsonaro: “só enxergo estupidez e destruição”

Patricia Pillar pede mobilização em prol de religiões de matrizes africanas
Patricia Pillar pede mobilização em prol de religiões de matrizes africanas
A atriz Patricia Pillar manifestou profunda indignação com a postura do presidente Jair Bolsonaro diante da pandemia de coronavírus. Ela disse: “a curto prazo não enxergo nenhuma luz, só estupidez e destruição"

247 - A atriz, diretora e produtora Patrícia Pillar afirmou que não vê luz no fim do túnel para o Brasil, com a catástrofe sanitária associada à gestão temerária de Jair Bolsonaro. Ela complementou, indignada, ao jornalista Ancelmo Gois, d’O Globo: “e o pior, são mais de 75 mil mortes pela Covid até agora" 
A reportagem do portal Uol relata que “diante do número crescente de mortes no país, ela [Patrícia Pillar] acusou o político de dar um mau exemplo ao estimular, indiretamente, as pessoas a não usarem máscaras e a irem para as ruas.”
A matéria ainda destaca que “ela ainda ressaltou que a Saúde não é o único ponto fraco da gestão do chefe de Estado, atualmente sem partido. "[São] perdas irreparáveis em Educação, Meio Ambiente, Cultura, Relações internacionais", cita ela, sobre algumas das pastas que enfrentam problemas internos.”
Fonte: Brasil 247

Cultura e barbárie: como o governo Bolonaro despreza nossa diversidade

Condenar o Brasil a exportador de commodites e predador do meio ambiente e os brasileiros a consumidores de quinquilharias da indústria cultural globalizada são traços de um neocolonialismo
A extinção do Ministério da Cultura foi o primeiro de uma série de atos que simbolizam a aversão do governo Bolsonaro à cultura, às artes e às liberdades conquistadas pela humanidade neste início do século 21.
O que o governo entende por cultura é o resgate de valores autoritários, a censura, o dirigismo estatal, a legitimação da tortura e o culto à violência e às armas. É evidente o desprezo por nossa diversidade cultural, em especial pelas contribuições culturais africana e indígena.
Referências nazi-fascistas inspiram o esfacelamento da memória nacional, a repressão ao ato criativo e a perseguição aos artistas. O vexatório silêncio do governo na morte de João Gilberto, um ícone da música mundial, mostra o tamanho da hostilidade.
Os povos indígenas sofrem com a explosão de invasões e assassinatos enquanto o governo fala em “civilizar” e liberar garimpo em suas terras. A proteção dos direitos dos índios é dever do Estado. E Marechal Rondon já os defendia há mais de cem anos.
Vislumbra-se um cenário de terra arrasada na Agência Nacional do Cinema (Ancine); agonia da Cinemateca; elogios à escravidão pelo presidente da Fundação Palmares; ameaça de extinção da Fundação Ruy Barbosa; inoperância da Funarte e a nomeação de uma pessoa sem qualificação para presidir o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O Iphan tem enorme responsabilidade na preservação da memória: o barroco mineiro, as cidades históricas em que se deram os sonhos de independência do Brasil; a capoeira e o samba; a poética de Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Manoel de Barros e Cecília Meireles; a literatura de Guimarães Rosa, João Ubaldo, Jorge Amado e Rachel de Queiroz; a arte de Djanira; kusiwa, a pintura corporal do povo wajãpi, patrimônio cultural mundial, e a espetacular arte gráfica dos caiapó e dos yawalapiti, entre tantas outras criações brasileiras.
A cobiça e a pressão no licenciamento de empreendimentos colocam esse patrimônio em risco. E “passar a boiada”, como diz o ministro Ricardo Salles, é o lema do momento.
No audiovisual, pela primeira vez a cota de tela não foi cumprida, e os filmes nacionais ficaram sem espaço no mercado. O corte do financiamento do cinema e das séries faz o Brasil perder um espaço conquistado na produção de conteúdo. A geração de renda da cultura sequer é vislumbrada pela incompetente política econômica.
Condenar o Brasil a exportador de commodites e predador do meio ambiente e os brasileiros a consumidores de quinquilharias da indústria cultural globalizada são traços de um neocolonialismo.
É nesse terreno que a Covid-19 atinge a área cultural. Aldir Blanc, Sérgio Sant’Anna e o kumu Higino do Rio Negro são alguns dos artistas e mestres que tiveram suas vidas encurtadas. Quantas vozes insubstituíveis poderiam ter sido salvas se o governo não fosse omisso?
O Brasil e sua cultura são maiores que um governo medíocre. Entretanto, quanto mais perdurar a demolição, mais difícil será a reconstrução.
Publicado originalmente na Folha de S.Paulo.
Com Portal Brasil Cultura

domingo, 19 de julho de 2020

Bolsonaro critica lei que combate fake news e anuncia veto

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR | Reprodução)

"Essa liberdade de expressão, essa mídias sociais, que me botaram aqui na Presidência", disse ele, que usa a mentira como método permanente de ação política.

247 – Jair Bolsonaro, que foi eleito presidente à base de fake news e utiliza a mentira como método permanente de ação política, anunciou que vai vetar a lei que pretende combater esse tipo de prática. "O Congresso está discutindo, já passou no Senado e está na Câmara, o que seria a lei das fake news. Eu acho que é mais uma maneira de botar limites na liberdade de expressão. Não tem que ter limites, no meu entender", declarou, em live no fim de semana.

"Se alguém se ver prejudicado, entra na Justiça. Está previsto calúnia, difamação, injúria. Não tem que inventar mais nada, porque nunca vai saber qual o limite. Vai virar um terreno onde vai perder a liberdade, não vai poder mais se manifestar sobre nada. Essa liberdade de expressão, essa mídias sociais, que me botaram aqui na Presidência", disse ainda Bolsonaro.
Neste fim de semana, deputados de vários partidos anunciaram a decisão de processá-lo por espalhar mais uma mentira: a de que a esquerda pretendia legalizar a pedofilia no Brasil.
Fonte: Brasil 247

Mais de 11 mil refugiados sob proteção internacional na Grécia são despejados de abrigos

Foto: Peter Casaer/MSF
Por Médicos Sem Fronteiras
Após decisão parlamentar, centenas de milhares de refugiados na Grécia estão sendo despejados das instalações onde se abrigam, impedidos de receber auxílio e deixados nas ruas das cidades gregas, sem acesso a moradia, proteção ou assistência médica adequada, alertou na segunda-feira (13) a organização internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF). Procurando uma solução rápida para descongestionar os campos superlotados nas ilhas gregas, o governo grego retirou os direitos ao acolhimento de 11 mil beneficiários de proteção internacional, iniciando processos de despejos. MSF aponta que muitos deles apresentam quadros graves de saúde física e mental.
A organização de ajuda humanitária está pleiteando junto ao governo grego a suspensão dos despejos de pessoas em situação de vulnerabilidade, incluindo sobreviventes de violência sexual, tortura e maus-tratos, idosos e pessoas com doenças crônicas. MSF também pede que as autoridades identifiquem soluções imediatas de acomodação e amplie os programas existentes para abrigar o contingente.
“Temos pacientes com graves condições médicas que estão sendo abandonados, enquanto mulheres em estágio avançado de gravidez estão dormindo na Victoria Square, no centro de Atenas”, diz Marine Berthet, coordenadora médica de MSF na Grécia. “No meio de uma pandemia global, os governos devem proteger e abrigar as pessoas com alto risco de desenvolver formas graves da COVID-19, não jogá-las nas ruas e deixá-las sem proteção, abrigo ou acesso à saúde básica”.
A organização afirmou que os impactos na saúde são sentidos pela população. No último mês, uma de suas pacientes, em condição extrema de vulnerabilidade, não resistiu a uma parada cardíaca ocorrida após ter se mudado de moradia.
“Nossa paciente que morreu era paraplégica e apresentava várias condições médicas graves, incluindo diabetes e doenças cardiovasculares; no entanto, havia sido ameaçada de despejo em várias ocasiões”, diz Berthet. “Sob o medo de perder a casa, sua família a mudou para o campo de Schisto, onde seu filho estava vivendo em um contêiner com outras 12 pessoas; dois dias depois, sofreu uma parada cardíaca e morreu”.
As equipes de MSF na Grécia apontam que ao menos 30 outros pacientes da organização, com condições médicas graves, foram despejados ou notificados do despejo. Eles enfrentam a perspectiva de ficarem sem-teto e de terem a assistência financeira suspensa.
“O caso da mulher que morreu é apenas a ponta do iceberg”, diz Berthet. “Temos pacientes com câncer, sobreviventes de tortura, mães solteiras com doenças crônicas e mulheres grávidas que são orientadas a dormir a céu aberto, sem nenhum apoio”.
Muitos pacientes de MSF com doenças crônicas graves tiveram seus pertences removidos de suas acomodações e foram informados de que deveriam sair, sem qualquer indicação de para onde ir. Dezenas de outros pacientes foram notificados de que devem sair, ao mesmo tempo em que a assistência em dinheiro foi interrompida, apesar de extremamente vulneráveis. Enquanto isso, as praças da cidade estão se enchendo de refugiados vulneráveis, incluindo crianças, mulheres grávidas, recém-nascidos, pessoas com graves condições crônicas e sobreviventes de tortura e violência sexual.
Em junho deste ano, o Ministério da Migração e Asilo da Grécia prometeu reduzir em até 30% os gastos com o programa de habitação para solicitantes de asilo. Enquanto isso, em fevereiro, o governo grego recebeu fundos da União Europeia (UE) para ampliar o regime de acomodação no continente. No entanto, até agora nenhuma acomodação extra foi disponibilizada.
Em resposta aos centenas de refugiados que dormem nas ruas da Victoria Square, em Atenas, MSF está encaminhando os pacientes com maior necessidade de assistência médica para a creche da organização na cidade. As carências mais básicas dos refugiados não estão sendo atendidas.
MSF pede às autoridades da Grécia, da União Europeia e de todas as organizações envolvidas no fornecimento de abrigo aos refugiados que encontrem soluções imediatas de acomodação para todos que estão sendo despejados. Da mesma forma, a organização insta o governo grego a interromper os despejos até que todas as barreiras administrativas à integração e acesso à saúde sejam suspensas.

VACA ATOLADA

Típica da culinária dos tropeiros que faziam a rota Minas, São Paulo e Paraná, os principais ingredientes da vaca atolada são a costela e o aipim/mandioca.
Ingredientes
Tempo médio de preparo: 1h30
2kg de costela em ripa;
4 tomates maduros;
1 cebola grande;
4 dentes de alho;
1 kg de mandioca;
pimenta cumari;
pimenta do reino;
sal;
salsinha;
óleo de soja ou azeite;
água.
Modo de preparo
Tire o excesso de gordura da costela. Deixe o óleo bem quente e sele a costela até que fique dourada. Depois, dispense o excesso de oléo. Coloque a cebola em rodelas, o alho, o tomate e refogue até desmanchar. Passe tudo para a panela de pressão e acrescente água. Deixe cozinhar por mais ou menos 60 min.
Cozinhe a mandioca à parte e reserve. Depois de cozinhar a carne, retire o excesso de gordura e os ossos. Junte a costela, o caldo da carne, a mandioca e deixe cozinhar por mais 10 minutos sem pressão. Finalize com salsinha.
Fonte: Portal BRASIL CULTURA

sábado, 18 de julho de 2020

Trabalhadores da Cinemateca Brasileira entram novamente em greve

Ministro do Turismo prometeu uma decisão até sexta-feira, 19/06.




Sem salários há três meses, e após demissões injustificadas, trabalhadores da Cinemateca Brasileira e da TV Escola decidiram entrar em greve pela segunda vez em uma semana.
Após três meses negociando a situação com a ACERP, empresa gestora da Cinemateca e da TV Escola, na última sexta-feira, dia 12 de junho, os funcionários paralisaram as atividades para pressionar o Conselho Administrativo pelos pagamentos. A resposta, no entanto, foi a demissão dos estagiários na própria sexta-feira, dos jovens aprendizes na segunda-feira (15) e mais dez funcionários “PJ” tiveram seus contratos encerrados na quarta-feira. Funcionários de empresas terceirizadas também estão sendo demitidos ao invés de realocados.
A paralisação ocorrerá entre os dias 18 a 26 de junho. Nesse período, os trabalhadores esperam duas reuniões importantes que podem ajudar a definir a situação. A primeira, no dia 19 de junho, é o prazo que os trabalhadores deram ao Ministério do Turismo apresentar uma solução institucional para a atual crise e a segunda, no dia 26 de junho, é uma nova reunião do Conselho Administrativo da Acerp.
Os funcionários divulgaram uma carta aberta para angariar apoio da sociedade. Leia abaixo:
CARTA ABERTA À COMUNIDADE CINEMATOGRÁFICA BRASILEIRA E ÀS SUAS ASSOCIAÇÕES.
Prezados colegas,

Como acompanham, a Cinemateca Brasileira está em grave crise financeira. E ainda não foi desenhada nenhuma solução para o futuro da instituição e tudo o que ela representa. Tampouco há uma resposta concreta, por parte da Acerp (empresa gestora da Cinemateca e da TV Escola) e do governo federal, para a situação precária e imediata em que se encontram os seus trabalhadores.

Já é fato notório que estamos com os pagamentos atrasados há 3 meses e continuamos trabalhando. Agora, temos colegas sendo demitidos, como estagiários e jovem aprendizes, contratos de prestação de serviço encerrados sem renovação, levando à perda de técnicos experientes e de longa data na Cinemateca.
Pelos motivos aqui expostos e juntos com os colegas da TV Escola, declaramos greve a partir de hoje, dia 18, até 26 de junho de 2020, data da próxima reunião do Conselho Administrativo da Acerp, ao qual exigimos a elaboração de um plano efetivo para o pagamento do que é devido aos trabalhadores.
Agradecemos o apoio que deram à instituição e a nós ao colocarem em evidência que “a Cinemateca Brasileira não existe sem os seus trabalhadores” e ao divulgar – e doar para – a nossa campanha de arrecadação. No entanto, precisamos de mais: devemos lutar ombro a ombro pelos salários, pela manutenção dos empregos e pelo acervo!
Como vocês também disseram, a remediação para a atual crise da Cinemateca só pode vir do Estado brasileiro. Não se pode exigir o nosso sacrifício individual para preservação e difusão do patrimônio cultural, são necessários recursos e equipes condizentes com o tamanho do acervo. A cultura brasileira em toda a sua diversidade deve ser assumida como responsabilidade do Estado que tem mostrado diariamente o seu macabro projeto de país.
Por acreditarmos que a Cinemateca Brasileira e seus trabalhadores só sairão desta terrível situação através da luta coletiva – encarnadas aqui nas palavras de Paulo Emílio, “[…] a Cinemateca vai ressuscitar de todo esse lixo, de toda essa poeira, pois o seu destino tornou-se inseparável do cinema brasileiro” -, contamos com a solidariedade de todos que puderem participar de nosso ato de greve em defesa dos salários, dos empregos e do acervo.
Ato em defesa da Cinemateca e de seus trabalhadores, sexta-feira, dia 19 de junho de 2020 a partir das 11h, em frente à Cinemateca Brasileira – Largo Senador Raul Cardoso, 207. https://www.facebook.com/events/209134540159457/
Sem salário, sem trabalho.
18 de junho de 2020.
Trabalhadores da Cinemateca Brasileira.

OBS.: Todos os participantes deverão utilizar máscaras protetoras de nariz e boca, além de manter a distância de segurança de no mínimo um metro e meio entre si. Levem álcool em gel e evitem compartilhar objetos.
Fonte: Jornalistas Livres

“Aquilo foi uma alegoria completa”, diz Fábio Assunção sobre gestão Regina Duarte na Cultura

Fábio Assunção e Regina Duarte
Fábio Assunção e Regina Duarte (Foto: Reprodução | PR).

"Nada foi feito, nenhum projeto foi apresentado. Para mim, aquilo foi uma alegoria completa", afirmou o ator Fábio Assunção sobre a gestão da atriz Regina Duarte na secretaria nacional de Cultura.

247 - O autor Fábio Assunção classificou como "alegoria" a nomeação de Regina Duarte para a secretaria nacional de Cultura no governo Jair Bolsonaro, "um presidente que não atua", segundo o artista. A atriz foi substituída pelo ator Mário Frias. 

"Quando a Regina foi convidada, esperei ela começar o trabalho para dar minha opinião. Só que nada foi feito, nenhum projeto foi apresentado. Para mim, aquilo foi uma alegoria completa", afirmou Assunção em entrevista à revista Veja nesta sexta-feira (17), ressaltando que não sabe muito sobre a atuação de Frias. "O que sei do Mario Frias é que ele foi convidado para um evento na Câmara dos Deputados e nem apareceu".

Convidado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a integrar uma comissão sobre dependência química e filiado ao PT desde 2017, o ator disse que não pretende entrar para a vida política.

"Não quero ser político nem administrar dinheiro público. Fui convidado a participar da comissão na época em que o Lula ia se candidatar à Presidência, mas ele foi preso antes", afirmou.

Fonte: BRASIL 247

sexta-feira, 17 de julho de 2020

SORORIDADE EM PAUTA - O racismo brasileiro na obra de Lélia Gonzalez

O racismo brasileiro na obra de Lélia Gonzalez

Ao teorizar sobre a identidade amefricana, teórica feminista negra mostrou-se precursora e revolucionária.

Lélia Gonzalez, filósofa, antropóloga, professora universitária e ativista dos movimentos negros e feminista, teve papel importante na academia brasileira e talvez tenha sido a militante negra que mais participou de seminários e congressos fora do Brasil até a metade dos anos 1980, o que lhe permitiu conhecer a diáspora africana na perspectiva de vários países, resultando na enunciação da categoria político-cultural da amefricanidade.
Lélia percebeu não só as experiências comuns dos negros nas Américas – uma história de sofrimento, humilhação, exploração, etnocídio –, mas também que os povos diaspóricos formavam identidades culturais e étnicas com raízes africanas, porém, historicamente transformadas com a própria diáspora africana e a colonização, revelando “a heroica resistência e a criatividade na luta contra a escravização, o extermínio, a exploração, a opressão e a humilhação” (A categoria político-cultural de amefricanidade (1988). In: GONZALEZ, Lélia. Primavera para as rosas negras: Lélia Gonzalez em primeira pessoa… Diáspora Africana: Ed. Filhos da África, 2018. p. 331).
O elemento latino estaria contido, sobretudo, na longa e violenta dominação dos colonizadores, que ainda tenta encobrir a influência dos elementos ameríndios e amefricanos, embora a amefricanidade esteja presente na cultura brasileira expressada cotidianamente nas falas, nos gestos, nas maneiras de ser, na culinária, na música, na tecnologia, manifestações estas que podem se dar sem a consciência das pessoas.
Além disso, com a amefricanidade, Lélia se contrapunha também ao imperialismo estadunidense que se apropria da América como significante e em menor grau ao termo afro-american que dá a impressão de que a questão da população negra diz respeito apenas aos estadunidenses e não a todos americanos.
Para Lélia, o racismo como tática de exploração/opressão assume duas faces nas Américas. O racismo por segregação é o praticado em sociedades de colonização anglo-saxônica, germânica ou holandesa e estabelece que negra é a pessoa que tenha tido antepassados negros, ou seja, que tenha sangue negro nas veias. Nesta articulação ideológica, a miscigenação é impensável, pois a superioridade branca é assegurada com a pureza do sangue, donde a solução é a segregação dos grupos não-brancos, como o sistema do apartheid (“iguais, mas separados”), que, ainda que legalmente superado, teve o efeito de reforçar a identidade racial dos discriminados.
Na Améfrica Ladina[1], com a maior parte da população ameríndia e amefricana, desenvolveu-se o racismo por denegação, em que prevalecem as “teorias” da miscigenação, da assimilação e da democracia racial. A formação histórica da Espanha e de Portugal, que se deu com a Reconquista da Península Ibérica contra os invasores mouros (predominantemente negros) e árabes, proporcionou aos colonizadores uma “sólida experiência quanto aos processos mais eficazes de articulação das relações raciais” (Op. cit. 1988, p. 325)
A sociedade ibérica era rigidamente hierarquizada com violento controle social e político dos grupos étnicos diferentes e dominados. Esta ideologia de classificação social (com critérios racial e sexual) dispensava formas abertas de segregação, pois a hierarquia já garantia a dominação pelos brancos, de forma que “no Brasil não existe racismo porque o negro conhece o seu lugar”, como expressava o humorista Millôr Fernandes, citado por Lélia Gonzalez (Ibidem. p. 326).
O racismo por denegação é sofisticado, alicerçado na ideologia do branqueamento: o mito da superioridade branca impõe o desejo de embranquecer, “limpar o sangue”, negando a raça e a cultura.
No artigo “Racismo e sexismo na cultura brasileira”, Lélia Gonzalez se valeu de noções da psicanálise como ferramentas para compreender o racismo à brasileira. Assim, nos seus termos, o racismo seria uma construção ideológica com benefícios sociais e econômicos para brancos de todas as classes sociais (privilégio racial), ao mesmo tempo em que é um “sintoma da neurose da cultura brasileira”, que se pensa uma sociedade branca, mas cuja cultura revela a herança afro, que é constantemente escondida. 
Com estes elementos, Lélia refutou o mito da democracia racial no Brasil, um mito de dominação que impede a consciência objetiva do racismo e o conhecimento direto de suas práticas concretas. O mito da democracia racial se baseia na crença historicamente construída sobre a miscigenação, mas Lelia advertia que
“Na verdade, o grande contingente de brasileiros mestiços resultou de estupro, de violentação, de manipulação sexual da escrava. Por isso existem os preconceitos e os mitos relativos à mulher negra: de que ela é “mulher fácil”, de que é “boa de cama” etc.” (Democracia racial? Nada disso! (1981). In: GONZALEZ, Lélia. Primavera para as rosas negras: Lélia Gonzalez em primeira pessoa… Diáspora Africana: Filhos da África, 2018, p. 110).
 Além disso, o mito da democracia racial exerce uma violência simbólica específica sobre a mulher negra – que não sofre apenas opressão do racismo, mas também do sexismo –, pois objetifica-a nos estereótipos de mulata, mãe preta e empregada doméstica, derivados da figura da mucama. A palavra mucama tem origem na língua quimbunda e originariamente significa ‘amásia escrava’ (GONZALEZ, Lélia. Op. cit. (1980), p. 197).
Adotada no idioma português, tem seu significado neutralizado como ‘escrava negra moça e de estimação’, ocultando a originária exploração sexual das mulheres negras. Na definição atualizada, a mucama é aquela destinada a trabalhar no ambiente doméstico, cuidando da casa (a empregada doméstica) ou dedicando-se por amor – e não por exploração –, aos cuidados da família branca (a mãe preta), delimitando e naturalizando espaços a serem ocupados por mulheres negras.
Estes lugares subalternizados são substituídos no carnaval, momento de exaltação do mito da democracia racial, pela “mulata do tipo exportação”, que ganha destaque com a projeção de seu corpo na mídia, permanecendo, portanto, objetificada.
No texto “Por um feminismo afrolatinoamericano”, Lélia Gonzalez reconheceu a importância do feminismo como teoria e prática, sobretudo por expor as bases materiais e simbólicas da dominação das mulheres dentro do capitalismo patriarcal, e por trazer para o debate público temas até então considerados exclusivos da esfera privada, como a sexualidade, a violência, os direitos reprodutivos, dentre outros, os quais possibilitaram o encaminhamento das lutas como movimento, demonstrando a natureza pública do mundo privado.
Ressaltou ainda que ao propor a discussão sobre a sexualidade, o feminismo estimulou a conquista de espaço por aqueles que eram discriminados por sua orientação sexual. No entanto, Lélia observa que a questão racial foi esquecida por esse modelo de feminismo, fato que ela atribui ao racismo por omissão:
Exatamente porque tanto o sexismo quanto o racismo são baseados em diferenças biológicas para se estabelecerem como ideologias de dominação. Há, então, a questão: como esse esquecimento do feminismo pode ser explicado? A resposta, em nossa opinião, está no que alguns cientistas sociais caracterizam como racismo por omissão e cujas raízes, dizemos, são encontradas numa cosmovisão eurocêntrica e neocolonialista da realidade (Por um feminismo afrolatinoamericano (1988). In: GONZALEZ, Lélia. Primavera para as rosas negras: Lélia Gonzalez em primeira pessoa… Diáspora Africana: Filhos da África, 2018, p. 309).
A obra de Lélia Gonzalez antecedeu – e convergiu com – as teorias da decolonialidade e da interseccionalidade e, mais do que isso, reinterpretou o Brasil. Há muito mais contribuições de Lélia, Beatriz Nascimento, Sueli Carneiro, Djamila Ribeiro e muitas outras e, por isso, deixo o convite: leiamos as autoras negras brasileiras!

[1] A expressão Améfrica Ladina contesta a ideia de que a América Latina tenha uma formação histórico-cultural exclusivamente branca e europeia, mas também (ou até preponderantemente) com a participação africana. O primeiro registro do uso desta expressão foi na obra de MD Magno.
Fonte: CartaCapital