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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Pela segunda vez, Justiça manda Palmares excluir publicação que ataca Zumbi

Pela segunda vez, a 9ª Vara Federal Cível do Distrito Federal mandou a Fundação Palmares excluir uma publicação que ataca a figura de Zumbi dos Palmares, que batiza a instituição. Em maio, a Justiça havia determinado que fosse retirado do ar dois textos que tratavam o líder quilombola como ‘construção ideológica de esquerda’. Desta vez, artigo trata Zumbi como figura ‘moldada’ por ‘marxistas’ com objetivos ‘politiqueiros e esquerdizantes’.

“Não se está aqui a fazer juízo de valor sobre os posicionamentos pessoais dos autores que reduzem o movimento negro à ‘luta esquerdista’. Porém, a instituição federal cuja finalidade é a preservação dos valores resultantes da influência negra, ao fechar os olhos às diferenças raciais, descumpre seus deveres institucionais e sobretudo seu dever – como ente estatal – de respeitar o direito à identidade dos cidadãos”, afirmou o juiz Renato Coelho Borelli. “Caso contrário, se a Fundação Palmares simplesmente refutar a raça, a identidade, a consciência e a cultura negras, a quem a pessoa negra que, em razão de sua tez se sentir oprimida, furtada de oportunidades, poderá acudir?”

O magistrado apontou que, tal como ocorreu em maio, a Palmares mais uma vez se desvirtuou de suas finalidades legais. “O que configura abuso de poder sob a forma de desvio de finalidade”, pontuou.

O juiz impôs multa diária de R$ 1 mil caso a fundação descumpra a medida.

A decisão segue outra determinação da mesma 9ª Vara Federal Cível, que em maio suspendeu dois artigos que criticavam Zumbi dos Palmares. Em um deles, o líder quilombola é tratado como figura moldada para atender ‘necessidades da esquerda brasileira diante da abertura políticas das décadas de 1970 e 1980’.

À época, a juíza Maria Cândida de Almeida afirmou que não caberia à Justiça a revisão acadêmica de artigos, mas as publicações apresentam questões juridicamente relevantes como a ‘explícita desconsideração da raça, cultura e consciência negras’.

As publicações foram divulgadas pelo presidente da Palmares, Sérgio Camargo, que em redes sociais afirmou que ‘enaltecer Zumbi não é missão legal da instituição’. O jornalista assumiu o cargo após liminar do Superior Tribunal de Justiça derrubar decisão da Justiça Federal do Ceará, que suspendeu a nomeação ao vislumbrar ‘rota de colisão com os princípios constitucionais da equidade, da valorização do negro e da proteção da cultura afro-brasileira’.

O Superior Tribunal de Justiça deverá analisar recurso da Defensoria Pública da União contra sua indicação na próxima semana.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

domingo, 2 de agosto de 2020

Quilombos no Brasil já têm mais casos de Covid-19 do que a população de Cuba - Por Jornalistas Livres

O novo coronavírus avança nos territórios quilombolas no Brasil, atingindo um número total de casos confirmados que supera as estatísticas de países inteiros. Segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras e Rurais Quilombolas (Conaq) nessa quarta (29), foram confirmados 3.798 casos de Covid-19 nas comunidades remanescentes de quilombos.

Márcia Maria Cruz – Reproduzido do

DE OLHO NOS RURALISTAS

O número é 48,6% maior do que o total de casos registrados em Cuba, país que, entre os séculos 17 e 19, passou por um processo similar de formação de quilombos, conhecidos ali como palenques. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), até 29 de julho o país caribenho havia registrado 2.555 casos para uma população de 11,47 milhões de habitantes.

Não existem no Brasil dados oficiais sobre a população quilombola. A categoria seria incluída pela primeira vez no Censo 2020, adiado por conta da pandemia. Segundo estimativa da Fundação Cultural Palmares, as 3.212 comunidades certificadas até 2019 possuem 1,2 milhão de habitantes.

Estado com maior número de comunidades remanescentes de quilombos identificadas, o Pará também responde pela maioria dos casos de Covid-19, com 40,5%, seguido por Rio de Janeiro (22,2%), Maranhão (16,8%) e Amapá (8,9%).

O número total de casos nos quilombos brasileiros supera também o total de registros de Covid-19 da população inteira de países como Nicarágua, Líbia e Congo. E começa a se aproximar do total de casos do Paraguai.

O país caribenho mantém na página do Ministerio de Salud Pública (MSP) um boletim diário detalhando os casos de coronavírus no país, incluindo o perfil médico de cada um dos infectados. Sem novos óbitos há duas semanas, Cuba teve 87 mortos por Covid-19. Segundo o registro governamental, não houve óbitos de quilombolas cubanos.

Os descendentes dos africanos escravizados que se rebelaram para formar os palenques são chamados em Cuba de cimarrones. O termo é oriundo do espanhol cima, ou cimeira, uma referência às regiões montanhosas onde esses quilombos eram construídos.

Conforme narra Gabino La Rosa Corzo no livro “Los palenques del oriente de Cuba: resistencia e acoso“, as comunidades cimarronas se concentravam em grande parte na porção oriental da ilha, principal região de produção de cana-de-açúcar e para onde a maioria dos africanos eram levados. Ainda hoje, as províncias orientais de Santiago de Cuba e Guantánamo detêm a maior porcentagem de negros entre a população geral fora da capital: 14,2% e 12,8%, respectivamente. Muitos deles, descendentes de cimarrones.

Assim como o Brasil, Cuba foi um dos últimos países do continente a abolir a escravidão. Em 1880, o rei espanhol Afonso XII promulgou a Lei do Patronato, que proibia a compra e venda de escravos na colônia, mas permitia aos donos de escravos manter a mão-de-obra sob um regime de patronato que, na prática, pouco diferia da escravidão. A abolição total só viria em 1886, dois anos antes do Brasil.

Cuba guarda ainda outra semelhança com nosso país. A população negra cubana convive com índices de pobreza elevados e é alvo constante da violência policial. Em 27 de junho, o assassinato do jovem Hansel Ernesto Hernández Galiano por agentes da Polícia Nacional despertou uma onda de protestos em Havana, levando à prisão de ativistas.

De acordo com o boletim da Conaq, o número de mortes registradas nos territórios quilombolas do Brasil chegou a 138, cinco a mais que no último levantamento, de 13 de julho. A maior parte delas ocorreu na região Norte (44,2%), seguida do Sudeste (29,0%) Nordeste (23,9%) e Centro-Oeste (2,9%). O Pará ocupa o primeiro lugar também em número de mortos, 40. O Rio de Janeiro é o segundo estado com mais mortes (37), seguido do Amapá (19), Maranhão (12) e Pernambuco (9).

Descaso

“O aumento no números de casos nas comunidades quilombolas demonstra o descaso do poder público”, afirma Sandra Maria da Silva Andrade, diretora da Federação Quilombola do Estado de Minas Gerais e integrante da coordenação executiva da Conaq.

— Já não tínhamos assistência de saúde adequada antes da pandemia. Neste momento de expansão da doença, precisávamos de um olhar específico, um atendimento da população quilombola. Fomos descartados pelo governo!

Além da invasão dos territórios por grandes empreendimentos, o atraso no repasse do auxílio emergencial aos quilombolas faz as pessoas das comunidades terem de ir até a área urbana, ficando assim mais expostas ao contágio.

Líder da comunidade Carrapato da Tabatinga, em Bom Despacho (MG), Sandra alerta para a subnotificação. Com 2.226 habitantes, seu quilombo é um dos que ainda não recebeu testes.

“Temos casos de Covid-19, mas as autoridades não notificam”, diz ela. “Não estamos sendo contabilizados. As pessoas estão morrendo e os governos não fazem a notificação. Colocam qualquer coisa como causa da morte, mas não falam que é a Covid-19. A gente sabe que é. Mas eles não têm feito o teste nas pessoas”.

Foto principal (Governo de São Paulo): Testagem no quilombo Peropava, em Registro, interior paulista

VÍDEO: Aos 7 anos, menino do Pará bomba na internet declamando poemas que ele mesmo cria - por Joaquim de Carvalho


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Vários vídeos de Mateus circulam pela internet. Ele é de Óbidos, no Pará. Neste poema, elogia os profissionais de saúde, que “podem ser considerados heróis”.

Mateus também fala da injustiça social. “Dinheiro não é tudo, somos todos iguais”, declama.

Ele tem um objetivo na vida: ser um poeta famoso e ajudar a mãe, que é chamada de lesa, e a mãe, que é cega. Em outro poema, ele conta que é filho de pai desconhecido.

Com versos de qualidade, criado num ambiente de pouco incentivo à cultura, Mateus pode ser considerado um fenômeno.

Fonte: Diário do Centro do Mundo - DCM

SOCIEDADE - Apesar de restrição, Rio de Janeiro tem praias cheias no domingo

Créditos: EBC

CRÉDITOS: EBC

Embora o banho de mar esteja liberado desde o sábado, banhistas não podem permanecer na areia.

No primeiro domingo após o início da fase 5, o Rio de Janeiro teve praias lotadas, o que ainda não é permitido. Embora o banho de mar esteja liberado desde o sábado 1, continua proibida a permanência de banhistas na areia.

Não foi o que se viu pela praia de Copacabana, zona sul do Rio, que teve aglomeração de pessoas. Uma equipe da Globo News que transitou entre os postos 5 e 6 afirmou não ter visto fiscalização.

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O cenário também foi visto na Praia Vermelha, na Urca, na Zona Sul, onde pessoas se reuniram na areia, com cadeiras, cangas e sem usar máscaras.

Segundo as regras previstas, ambulantes podem operar das 7h às 18h nas praias e logradouros, sem aluguel de cadeiras e barracas e sem bebida alcoólica. O banho de mar está liberado, desde que não haja permanência na areia. O uso de caixas térmicas está proibido.

O Estado do Rio de Janeiro acumula 167.213 casos confirmados e 13.556 mortes, segundo dados divulgados no sábado 1.


Fonte: CartaCapital

EDUCAÇÃO - Escolas particulares do Rio de Janeiro adiam retomada de aulas presenciais

Volta às aulas ainda não foi definida. Foto: Agência Brasil.

VOLTA ÀS AULAS AINDA NÃO FOI DEFINIDA. FOTO: AGÊNCIA BRASIL.

O prefeito Marcelo Crivella tinha autorizado a retomada das aulas para 4º, 5º, 8º e 9º anos, a partir da segunda-feira 3.

As escolas particulares do Rio de Janeiro decidiram não retomar as aulas presenciais na cidade a partir da segunda-feira 3. A decisão foi anunciada no sábado 1, depois que o Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (Sinpro-Rio) realizou uma assembleia virtual com mais de 500 docentes.

O sindicato afirmou que a categoria só retornará às atividades presenciais “com o respaldo dos órgãos oficiais da ciência (OMS, Fiocruz, UFRJ e UERJ) e com base em rígidos protocolos de segurança”.

Uma nova assembleia ficou agendada para o dia 15 de agosto. A diretoria do Sinpro-Rio ainda afirmou que pode antecipá-la, em caso de necessidade.

O sindicato já havia publicado uma nota em seu site contra o retorno às aulas presenciais. Na comunicação, o sindicato afirma que o número de mortos no Brasil ultrapassa um Maracanã lotado. O estádio tem capacidade para 78.838 pessoas. No País, os mortos são 93.616, com base nos dados divulgados no sábado 1.

“E mesmo com essa tragédia, há quem defenda a volta às aulas presenciais, publicando vídeos que negam a ciência”, disse o Sinpro-Rio, em clara referência à campanha veiculada pelo Sinepe-Rio, que usou de tom negacionista para estabelecer campanha pela volta às aulas.

“A ciência é o único farol que nos norteia neste momento triste e nebuloso. Negá-la é contribuir para o aumento substancial de mortes. Não há como retornar às aulas presenciais fechando os olhos para o que a ciência vem nos alertando: a ausência de testes em massa e a flagrante subnotificação de dados denunciam que o nosso município não está em curva decrescente na evolução da epidemia”, acrescentou o sindicato.

O prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) havia permitido o retorno das escolas particulares a partir do dia 3 de agosto. Seguindo Crivella, a retomada seria voluntária e válida para estudantes, professores e funcionários dos 4º, 5º, 8º e 9º anos.

Fonte: CartaCapital

sábado, 1 de agosto de 2020

Prerrogativas lança "O livro das suspeições"

Os autores examinam os detalhes da operação e mostram como, em vários momentos, o então juiz Sergio Moro e os procuradores da força-tarefa assumiram uma postura parcial ou faltaram com a isenção.


Do prerrogativas – O Livro das Suspeições reúne 34 artigos originais de juristas e advogados que atuaram na “lava jato”. Os autores examinam os detalhes da operação e mostram como, em vários momentos, o então juiz Sergio Moro e os procuradores da força-tarefa assumiram uma postura parcial ou faltaram com a isenção. A proposta do livro é levar a história dos bastidores da “lava jato” para além da comunidade jurídica, apontado os fatos que estiveram por trás de uma operação que, sob o pretexto da moralidade, alterou profundamente os rumos da política brasileira.

Entre os autores estão os advogados Alberto Toron, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, Carol Proner, Dora Cavalcanti, Fábio Tofic Simantob e Roberto Podval. A obra é coordenada por Lenio Streck e Marco Aurélio de Carvalho. De acordo com eles, na democracia, se um juiz se mostrar parcial, ele será afastado do processo. “Talvez por isso o Tribunal dos Direitos Humanos da Comunidade Europeia tenha cunhado o enunciado: Justice must not only be done; it must also be seen to be done”. Isto é, não basta o juiz ser imparcial; ele tem de parecer imparcial”, apontam na apresentação.

O livro pode ser baixado na íntegra clicando aqui. 

Fonte: Brasil 247

GOG: “Sem saber, o hip-hop já era Paulo Freire”

Rapper GOG (Foto: RAFAEL BEREZINSKI / DIVULGAÇÃO)

Em entrevista à TV 247, o rapper e escritor Genival Oliveira Gonçalves, mais conhecido pelo nome artístico GOG, bateu um papo com Ferréz na TV 247 sobre a cultura hip-hop e a importância da literatura marginal no cotidiano da periferia. 

Em conversa com o escritor Ferréz na TV 247, o artista fez questão de destacar a importância da literatura marginal aos moradores das comunidades, além de apontar a importância do rap como agente de transformação social.

“Eu acho que a discussão hoje do que é o hip-hop tá mais do que contemporânea (...) É um entretenimento a cena, mas de tão grande que é a possibilidade de diálogo com a comunidade o texto foi trazido para as nossas necessidades”, explica.

Segundo o músico e escritor, o rapper que conversa com a periferia pode buscar na literatura uma base importante esse processo de contato com o seu público, mas sem se esquecer do aprendizado vivido através do cotidiano.

“A primeira rima do hip-hop é com a comunidade, com a sua verdade, com a sua vivência, com a sua cultura. E, a partir daí, o hip-hop já é Paulo Freire desde sempre”.

Fonte: Brasil 247

DIA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E DO FOLCLORE PAUTARÃO AÇÕES VIRTUAIS NO MUSEU DO CAFÉ EM AGOSTO

Novidades aumentam o leque de programações online da instituição, que vem levando cultura para a casa dos seguidores da instituição desde março.

Com uma agenda consolidada de atrações no mundo digital, o Museu do Café, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, renovará várias atividades para agosto e implantará programações temáticas inéditas, cheias de conteúdo interessante para o público em casa. Algumas datas contempladas nesse calendário especial incluem o Dia Nacional do Patrimônio Histórico (17) e o Dia do Folclore (22). A participação é gratuita em todas as ações!

Oficina “Eureka com Café”

Dia 1, às 15h

No dia 1º de agosto, o MC convida as famílias a reunirem as crianças em frente à telinha do computador para acompanhar a oficina “Eureka com Café”, às 15h. Combinando aprendizados científicos sobre o grão e momentos artísticos criativos, o workshop ensinará como criar tintas naturais a partir do cafezinho. Por meio desse material, será possível elaborar desenhos incríveis – outra ação que, sem dúvidas, encantará o público infantil ainda mais.

Para participar gratuitamente, basta sinalizar o interesse no e-mail inscricao@museudocafe.org.br.

Curso online de café solúvel

Dia 7, às 16h

Em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS), o curso digital abordará o universo do café solúvel, apresentando um breve histórico desse item no Brasil e no mundo, diferentes tipos de produto, como prepará-lo e armazená-lo, e as categorias de qualidade. Com transmissão na plataforma Zoom, a conversa será liderada pela consultora Eliana Relvas. Ela é formada em engenharia de alimentos, pela Escola de Engenharia Mauá, pós-graduada em administração industrial, pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini – USP, e em Gastronomia, pelo Centro Universitário FMU.

O cadastro gratuito também precisa ser realizado pelo e-mail inscricao@museudocafe.org.br.

Lives com o barista

Dias 14 e 28, às 11h

Os momentos preferidos dos coffee lovers que seguem o Museu do Café continuam a fazer parte do cronograma de agosto. Com as transmissões do barista Hallyson Ramos, instrutor responsável pelos cursos de capacitação da instituição, o público em casa explora vários assuntos ligados ao preparo da bebida, incluindo a execução de receitas quentes e geladas, a utilização de diferentes métodos, teorias envolvendo o uso da água e pontos de moagem, e muito mais. Neste mês, os bate-papos acontecerão nos dias 14 e 28, às 11h, contando, ainda, com seções dedicadas às dúvidas dos espectadores ao final do vídeo.

Ações para o Dia Nacional do Patrimônio Histórico

Dia 17

Para comemorar o Dia Nacional do Patrimônio Histórico, em 17 de agosto, o Museu do Café alia-se, mais uma vez, ao Museu da Imigração, para uma live temática no Instagram, às 17h. Pesquisadores dos dois equipamentos apresentarão a história e a arquitetura dos edifícios que abrigam as instituições em Santos e São Paulo, respectivamente. Além disso, o MC promoverá uma semana de posts (tendo início na mesma segunda-feira) dedicados a informações e curiosidades sobre locais históricos de Santos, como o próprio edifício da antiga Bolsa Oficial.

Aula online de Cafeomancia

Dia 22, às 15h

Neste encontro virtual, o foco será a leitura da borra de café: quais materiais são necessários, como a bebida deve ser preparada, as posições dos símbolos nas xícaras e as interpretações das principais figuras. Promovida no Dia do Folclore, o objetivo da aula – além de proporcionar muita diversão e descontração em casa – é ensinar os participantes a analisarem as imagens na caneca.

Assim como na oficina “Eureka com Café” e no curso de cafés solúveis, os interessados em aderir, sem custo, devem entrar em contato pelo e-mail inscricao@museudocafe.org.br.

Live “Arquitetura de Fazendas”

Dia 27, às 17h

Ainda no Instagram, essa nova transmissão ao vivo será o destaque do final do mês. No dia 27, às 17h, o professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), André Argollo, conversará com os seguidores do Museu sobre a sua pesquisa envolvendo as estruturas e edificações de fazendas históricas, projeto que resultou no livro “Arquitetura do Café”.

Museu do Café

Rua XV de Novembro, 95 – Centro Histórico – Santos/SP

Telefone: (13) 3213-1750

Funcionamento: temporariamente fechado

Cafeteria: de terça-feira a domingo, das 11h às 17h

Acessibilidade no local

museudocafe.org.br

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Diogo Nogueira adia live de Dia dos Pais após apresentar sintomas da Covid-19

(Foto: Marcos Hermes/Divulgação/ND)

O cantor e compositor decidiu suspender todas as atividades programadas para os próximos dias e está isolado em sua residência.

247 - O cantor e compositor Diogo Nogueira apresenta sintomas de Covid-19 e decidiu suspender todas as atividades programadas para os próximos dias e está isolado em sua residência.

O sambista havia anunciado uma Live dos Pais para domingo, às 12h, para celebrar o Dia dos Pais e homenagear seu pai, João Nogueira, e seu avô João, o patriarca da família, violonista que tocou com Noel Rosa e Jacob do Bandolim.
O programa seria gravado em sua casa e exibido em seu canal no Youtube. No entanto, ao ser diagnosticado com sinais de Covid-19, a gravação foi adiada.
Fonte: Brasil 247

A agonia da Cinemateca e o descaso do governo Bolsonaro com a Cultura

União deve R$ 14 milhões à mantenedora da instituição, que detém um acervo de mais de 250 mil filmes e é a quinta maior cinemateca em restauro do mundo

O arquivo completo de Glauber Rocha, maior expoente do Cinema Novo. As películas do cinejornal futebolístico Canal 100, feitas entre 1958 e 1986. As gravações de Marechal Rondon sobre as Forças Expedicionárias Brasileiras. O original de O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto, que fez sucesso em Cannes e é considerado o primeiro filme brasileiro com reconhecimento internacional. Esses são alguns dos tesouros guardados no maior acervo de imagens em movimento da América do Sul, a Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

Todos esses materiais estão em risco de desaparecer por falta de financiamento do governo federal. A Associação Roquette Pinto, mantenedora da Cinemateca desde 2018, afirma que o Executivo não repassou qualquer verba a ela neste ano e acusa o governo Jair Bolsonaro de uma dívida de R$ 14 milhões. No último capítulo dessa novela que se arrasta há meses, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou, em 15 de julho, uma ação civil contra a União, considerando que Executivo é responsável pelo “estrangulamento financeiro e abandono administrativo” do local. O resultado de tal ação deve sair até o final desta semana.

Criada na década de 1940 e conhecida como a quinta maior cinemateca em restauro do mundo, a instituição abriga 250 mil rolos de filme, sendo 44 mil títulos de curta, média e longa-metragens, além de programas de TV e registros de jogos de futebol. O custo de manutenção é de R$ 1,2 milhão por mês.

Há quatro meses, os 150 funcionários não recebem salários e entraram em greve, incluindo a brigada de incêndio, fazendo pairar sobre o local o fantasma da tragédia do Museu Nacional, que pegou fogo em 2 de setembro de 2018. Os rolos de películas em nitrato de celulose, que correspondem aos filmes produzidos até os anos 1950, são altamente inflamáveis, já que essa substância tem a propriedade de entrar em combustão espontânea, ou seja, a capacidade de incendiar-se apenas com calor. Por isso, algumas paredes da instituição têm até 2 metros de espessura e algumas salas contam com sistema de refrigeração específico.

Apesar dos cuidados, a Cinemateca já enfrentou quatro incêndios. O mais recente, em fevereiro de 2016, destruiu definitivamente 270 títulos e outras 461 obras que tinham cópia de segurança. Em fevereiro deste ano, uma enchente no depósito da instituição danificou 113 mil cópias de DVDs. “Não existe uma consciência política ou social do que podemos perder, da importância cultural da documentação de uma época. As épocas não são documentadas através do PIB, através da política econômica, mas sim com a arte e a cultura”, afirma o ator Carlos Vereza, que denunciou a situação da Cinemateca nas redes sociais.

Vereza, um dos poucos apoiadores de Jair Bolsonaro na classe artística nas eleições 2018, acusa o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub de ter começado o “desmonte” da instituição. Em dezembro, Weintraub encerrou o contrato da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) para a realização da TV Escola, cujo orçamento de R$ 400 milhões ao longo de cinco anos subsidia a Cinemateca.

Apresentador do programa Plano Sequência no canal público, Vereza foi chamado para uma reunião. “Ele deixou claro que ele queria levar meu programa para a EBC [a estatal Empresa Brasil de Comunicação] e esquecer a TV Escola. Eu disse que de jeito nenhum. Mas ele acabou com a TV Escola e, em consequência, está acabando com a Cinemateca também”, lamenta o ator.

Com o fim do canal público educativo, a situação virou um imbróglio jurídico, já que o acordo original com a Cinemateca vai até março de 2021 e a Roquette Pinto continuou a manter a instituição com recursos próprios. À dívida da União, de R$ 14 milhões, somam-se ainda pendências anteriores. Em 2019, o governo só pagou pouco mais de metade dos R$ 13 milhões previstos. “É uma prova de que não existe política cultural neste Governo. Pelo contrário, existe um projeto frio e consciente de acabar com o pensamento, a cultura e a arte no país”, afirma Vereza.

Além da Fundação Roquette Pinto, a Cinemateca conta com ajuda financeira da Prefeitura de São Paulo, que, por meio do SPCine (entidade municipal de cinema e audiovisual) e da Câmara de Vereadores, têm pagado uma equipe de segurança no local, além de algumas contas atrasadas.

Marcelo Álvaro Antônio, ministro do Turismo, e Mário Frias, secretário da pasta cultural, visitaram a Cinemateca no dia 23 de junho e publicaram, em um vídeo no Instagram, o compromisso de “resolver o impasse”. Frias substituiu a atriz Regina Duarte na Secretaria de Cultura, para quem Bolsonaro prometeu uma posição de chefia na Cinemateca. A vaga, que não existe, virou mais uma das dúvidas em torno da instituição.

Em outro vídeo, em 15 de julho, Frias e o ministro do Turismo afirmam que técnicos do Governo foram impedidos por funcionários da Cinemateca de entrar no local e negam a responsabilidade de assumir a “dívida de um contrato que não está vigente há mais de seis meses”.

O Ministério do Turismo afirma ainda que, desde a rescisão contratual do Ministério da Educação com a Roquette Pinto, o governo não tem acesso aos dados que permitam tomar as decisões relativas à manutenção do patrimônio público, como custos de água, energia, brigadistas e segurança, entre outros. E, por isso, não fez repasses de verba à instituição neste período.

A Fundação Roquette Pinto garante, no entanto, que já enviou 1,5 terabyte de informação ao Executivo. Marcelo Álvaro Antônio e Mário Frias chegaram a especular a mudança da Cinemateca para Brasília e que a União passasse a administrá-la, algo que seria ilegal. O termo de doação em 1984 do acervo cedido à União, lavrado em escritura pública, pela sociedade Amigos da Cinemateca determina que a instituição deve localizar-se em São Paulo e impede o governo de empregar funcionários públicos ou assessores de confiança. O documento, assinado pela União durante o regime militar, visa a proteção do acervo e a memória audiovisual do país de ideologias políticas.

“Na Cinemateca não está só a história do cinema, mas uma parte importante da história do Brasil. Lá está a Marcha da Família, de 1964, a revelação do cineasta Marechal Rondon, que filmava e revelava na selva, fez o primeiro nu cinematográfico de um indígena brasileiro”, argumenta Carlos Vereza. “É um tesouro que não dá para simplesmente transferir para outro lugar. Não é qualquer funcionário que vai saber manusear o material.”

O futuro da instituição parece estar, de fato, nas mãos do MPF. A ação do Ministério Público pede, em caráter de urgência, a renovação de contrato com a Roquette Pinto até o fim de 2020 e dá 60 dias para a reestruturação, manutenção e empoderamento do Conselho Consultivo da Cinemateca – incluindo a ordem de que não sejam demitidos ou dispensados funcionários.

Com informações do El País

Fonte: Portal BRASIL CULTURA