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domingo, 6 de dezembro de 2020

O Aprofundamento do Racismo na nova Lei do Saneamento - Por PEDRO CELESTINO DANTAS JUNIOR

Foto memorável! Pedro Celestino (esquerda), sendo homenageado pelo SINDERN!

O Aprofundamento do Racismo na nova Lei do Saneamento

Por ser um negro, penso como um negro. Minha raça, minha pesquisa e meu dia a dia como um sanitarista negro determina minha compreensão de como aprestação dos serviços de saneamento opera numa sociedade marcada por uma profunda desigualdade de racial e de classe.

Numa sociedade racista a segregação espaçoracial é algo visível. Os bairros e branco privilegiados possuem rede de esgoto, sistemas de drenagem eficiente, serviço de coleta de lixo regular e água com qualidade e quantidade adequada.

Por outro lado, as áreas conhecidamente ocupadas pela grande maioria do povo preto a coleta de lixo é deficitária, a irregularidade do fornecimento de água é constante e a qualidade é duvidosa e a presença de ruas sem sistemas de drenagem e esgoto nas vias é algo comum.

Na condição de negro, senti e sinto na pele o racismo entranhado nas estruturas da gestão do saneamento. Presenciei e presencio o descaso da gestão pública para com as áreas tipicamente habitada por negros e grupos marginalizados.

Um rápido olhar para periferias de Natal irá presenciar esgoto a céu aberto, lixões espalhados por todos os cantos, irregularidade no abastecimento de água, ruas sem calçamento e drenagem. Enquanto isso bairros tipicamente ocupados por brancos de classe média alta ostentam uma situação favorável de salubridade.

Um sanitarista engajado na superação das desigualdades social, em

particular, na promoção do saneamento, procura identificar aquelas práticas que causam danos ao status social daqueles grupos marginalizados e a partir delas reformula ações que garantam um serviço de qualidade aqueles e aquelas que mais necessitam. Dessa forma, superar as desigualdades sociais e raciais pelo saneamento deve ser o foco do sanitarista que pensa como um negro.

Pretendo neste breve ensaio criticar uma perspectiva interpretativa que entende que grupos socialmente marginalizados e historicamente subalternizados sejam tratados de forma equivalente aos historicamente dominantes. Que as áreas menos assistidas com serviços de saneamento deve ser tratada de forma igual, ou ainda que a análise técnica de situações/problemas deva manter uma neutralidade.

Este ensaio teórico procura ainda oferecer uma interpretação alternativa às narrativas presentes no discurso neoliberais de privatização do saneamento.

O estranhamento ou a recusa da relação existente entre raça e condições precárias de saneamento demonstra o quanto fomos ensinados para ignorar esta relação, reforçando assim o racismo. Aqueles que acreditam que não há racismo no

Brasil, respaldados por pensadores brancos brasileiros, do início do Século XX, os quais propagaram a famigerada Democracia Racial, vão sempre se perguntar por que se deve analisar e considerar nas pesquisas e estudos de saneamento aquestões raciais?

Ao negar o caráter racial na análise do déficit de saneamento do Brasil o pesquisador impede uma investigação mais aprofundada da origem do problema.

Expurgar raça da equação causal só contribui para a manutenção da negação dos serviços de saneamento para estas populações. É dever de qualquer cientista, que dedica seus estudos e pesquisa do saneamento no Brasil, considerar a temática raça como um componente importante na análise. Sem esse recorte racial não seremos capazes de compreender a realidade de exclusão no Brasil, seja desaneamento ou de qualquer outra forma de negação de políticas públicas.

Por outro lado, focar a análise dos baixos índices de atendimento somente pela ótica da renda, como vem sendo feito na academia e muito bem utilizado pelos propagadores do liberalismo, mascara o caráter racista que está por trás da negação dessas políticas públicas ao povo preto.

É preciso que se diga. As periferias brasileiras e seus altos índices de insalubridade ambiental, violência e desemprego é um produto do descaso de um Estado estruturalmente racista, o qual destina pouquíssimos (ou nenhum) recursos do orçamento, naquelas áreas habitadas por uma maioria negra. Ao contingenciar recursos e políticas públicas nestas áreas o Estado produz um espaço de exclusão social generalizado. Então não esperem um paraíso social.

O impacto da negação dos serviços de saneamento vai mais além do que a questão da salubridade ambiental. O abandono do Estado, em não promover políticas públicas de saneamento, gera reflexos negativos para a economia local, que por sua vez, pode gerar situações de criminalidade, por exemplo. Um bairro repleto de lixo nas ruas, esgoto escoando pelas valas e sarjetas, área que alagam com a menor chuva e que a irregularidade no abastecimento é algo rotineiro, impedequalquer projeto de economia local. Quem iria investir num bairro insalubre? Um bairro ou uma comunidade sem atividades comerciais, sem emprego e sem renda, está propenso a criminalidade. Ao negar saneamento a estas populações só reforça o grau de exclusão que estes grupos já são submetidos.

Com a aprovação da nova Lei do Saneamento (14.026/2020), que prevê a substituição de empresas públicas por empresas privadas, é dado início a uma nova era da prestação dos serviços de saneamento básico no Brasil. Entusiastas da causa enxergam nesse novo modelo de prestação privada de serviço de água e esgoto a solução para os baixos índices de atendimento destes serviços.

Essa nova etapa da história do Brasil, iniciada com a derrocada das forças progressistas e a vitória do atual Presidente da República, está sendo marcada pela negativa declarada do Estado, de  investimento em áreas estratégicas, para a superação das desigualdades sociais e raciais, em particular do saneamento. A nova onda (talvez um tsunami) liberal, surgida com a crise econômica mundial de2008, veio para desmontar tudo àquilo que estava sendo construído com muita luta e resistências pelas populações marginalizadas do Brasil.

Presenciamos nos últimos quatro anos ataques de políticas neoliberais em direitos trabalhistas, bem como nos orçamentos da saúde e da educação, com a lei do teto de gastos, e ainda na reforma trabalhista, a qual dificulta a aposentadoria de várias categorias de trabalhadores. O empobrecimento da população, que já registra altos índices, se agravará com a nova lei da privatização do saneamento, na medida em que será inevitável o aumento do valor das tarifas e o desinteresse de investimentos em áreas da cidade que não trarão retorno financeiro, como as comunidades carentes.

Definitivamente, a eliminação do racismo nas estruturas da sociedade brasileira não será por vias liberais. Fragilizar o Estado é fragilizar o combate ao racismo. Fragilizar políticas estatais e instrumentos de combate à pobreza, de combate ao racismo, de combate a desigualdade racial, de gênero e social é a marca do liberalismo, onde se faz presente no mundo.

Não custa nada lembrar aos adeptos do liberalismo que estes direitos estão garantidos na nossa Constituição, em particular o Art. 3o da nossa Constituição, nosincisos III e IV.

Art. 3º

...

III - Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV - Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça,

sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Sendo assim, toda e qualquer ação de política de saneamento deve levar em consideração a promoção da igualdade de status social. Todo é qualquer recurso destinado ao saneamento básico deve levar em consideração a superação das condições precárias de salubridade ambiental. Portanto o foco do saneamento deve ser as áreas mais carentes, aquelas onde os índices de saneamento são os mais baixos e não áreas as áreas mais ricas, predominantemente ocupadas por brancos.

A luta pela igualdade de direitos, pela igualdade racial deve partir de um princípio que tem como propósito a eliminação de processos de marginalização social do povo preto. Quando se destina grandes volumes de recursos em áreas da cidade com infraestrutura já consolidada e ignora áreas periféricas, áreas conhecidamente deficitárias, reforça o grau de marginalização dessas áreas da cidade, bem como reflete o grau de racismo estrutural presente nessa tomada de decisão.

Cabe ao Estado e não a iniciativa privada promover as transformações sociais. É a partir de políticas públicas que grupos sociais racializados são incluídos em ações de promoção à superação de suas condições de vida humilhantes. Não é pela iniciativa privada que virá o milagre da igualdade racial. Pelo contrário. No atual estágio do capitalismo, a interferência do neoliberalismo nas políticas publica tem aumentado significativamente, gerando retrocesso civilizacional e aprofundando as desigualdades.

Apoiar esse novo marco do saneamento é contribuir com políticas racistas, é contribuir com o a exclusão social do povo preto, é contribuir para agravar ainda mais a triste realidade do saneamento no Brasil.

A classe média se engana ao achar que privatizar os serviços de saneamento irá melhorar a qualidade dos serviços. Ora vejamos. Como não será possível atender a todos, o número de usuários diminuirá, fazendo com que a tarifa, agora, seja rateada entre poucos. Além do que agravará a saúde da população carente elevando os gastos com saúde.

Não se pode negar que há uma dívida histórica do Estado para com a população negra. O Brasil escravizou os negros por 350 anos. Gerou riqueza para sua elite, para a nobreza e contribuiu para a acumulação primitiva do capital, o qual foi fundamental para a Revolução Industrial da Inglaterra. Com o fim da escravidão os ex-escravos foram abandonados a própria sorte. Esse descaso se reflete até hoje com as péssimas condições de salubridade vividas pelas periferias de todo o Brasil.

Ignorar essa história é pensar como branco. Homem branco meritocrata, que não consegue se livrar de um racismo estrutural que corrói sua alma. Quando falo branco não me refiro a todos os brancos, falo daqueles embevecidos de branquitude, de universalidade, de superioridade, que acredita numa supremacia racial e exercita todo ódio aos não brancos.

Não dá para ser antirracista e ser a favor da privatização do saneamento. Não basta dizer que não é racista e ser a favor do enfraquecimento do Estado. Combater o racismo institucional, o racismo estrutural é incompatível com o discurso liberal.

Fala que é um ativista antirracista, mas apóia e defende a intervenção privada em áreas estratégicas para a superação das desigualdades, como o saneamento básico, não dá né?

Portanto, nossa bandeira de luta mais urgente é banir e eliminar qualquer iniciativa liberal em áreas estratégicas de superação das desigualdades sociais e raciais. Negar qualquer proposta governamental que leve em consideração políticas liberais ou neoliberais (não vejo diferença) de empobrecimento dos trabalhadores e das populações negras que vivem em condições precárias de saneamento.

Não à privatização do Saneamento Básico!!!

Natal, 02 de setembro de 2020


Por PEDRO CELESTINO DANTAS JÚNIOR

NATAL – RN

Geógrafo e Mestre em Engenharia Sanitária

Analista de Regulação em Saneamento

DIREITOS: 90,6% da população diz que há racismo no Brasil, mas 97,5% não se considera racista - Por REVISTA FÓRUM

“Essa situação tem uma relação estreita com a construção histórica em torno do mito da igualdade racial. A ideia de que o Brasil não possui pessoas racistas, onde todos têm um amigo ou se dão bem com algum negro, é um processo cultural e político construído ao longo de todo o último século e que busca naturalizar e principalmente desresponsabilizar as pessoas em relação à opressão a que estão submetidos negros e negras no Brasil”, disse à Fórum o historiador Vinícius Wu.

“É bastante paradoxal que, mesmo em uma pesquisa realizada no calor dos acontecimentos, logo após os episódios que ocorreram em Porto Alegre, no Carrefour, que resultaram na morte do João Alberto, ainda assim haja essa percepção da ausência do racista, da figura do racista na sociedade brasileira. Ainda que a maioria considere e identifique que de fato a sociedade brasileira é racista”, completou Wu, que também é Mestre em Comunicação Social pela PUC-Rio.

Assassinato no Carrefour

A pesquisa Atlas Político foi realizada através de entrevistas com pessoas de todas as regiões do país entre os dias 20 e 22 de novembro, ou seja, logo nos dias seguintes ao assassinato de João Alberto no Carrefour. O crime aconteceu no dia 19 daquele mês. O estudo, naturalmente, abordou o tema com os entrevistados.

Para a maioria da população (52,7%), o assassinado de João Alberto teve motivações racistas. 25,9,% dos entrevistados disseram que o racismo não foi um componente do crime em Porto Alegre e outros 21,4% não souberam responder ou não ouviram falar do caso.

Discriminação

Apesar da maior parte da população brasileira se declarar negra (56,10%), segundo dados de 2019 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o levantamento do Atlas Político mostra que a maior parte dos brasileiros afirma nunca ter se sentindo discriminada por conta de sua cor ou raça (69,9%). Apenas 30,1% dos entrevistados disseram já terem sido discriminados por este motivo. A população que mais se diz discriminada por conta de sua cor ou raça é a indígena (86%), seguida da população amarela (58%) e da população preta (54%).

Cotas raciais

Outro dado da pesquisa que chama a atenção é que os entrevistados, em sua maioria, apoiam o sistema de cotas raciais em universidades públicas. 46,2% se dizem favoráveis a essas políticas afirmativas, enquanto 39,7% se dizem contra e outros 14,1% não sabem.

“Esse dado se dá fundamentalmente pelo êxito, pelo sucesso das políticas afirmativas desenvolvidas no Brasil nos últimos anos. São visíveis os ganhos para a sociedade e para as populações marginalizadas, populações negras, os ganhos relativos a aplicação de políticas de cotas em universidades brasileiras, e até mesmo perpassando programas como o programa ProUni”, avaliou Vinícius Wu.

“Na medida em que os resultados vão aparecendo e muitos dos mitos que eram criados ou preconceitos em torno das cotas que eram veiculados vão sendo desfeitos, como o de que, por exemplo, a presença de estudantes cotistas seria rebaixar a qualidade da educação superior, na medida em que esses mitos vão sendo superados, é bastante provável, como pudemos verificar na pesquisa, que uma parte maior da população vá se convencendo da pertinência e da validade da aplicação de políticas afirmativas no Brasil”, acrescentou o estudioso.

Racismo estrutural

Entre outros dados, o Atlas Político mostra também que 58,9% das pessoas acham que o racismo no Brasil é frequente e estrutural, enquanto uma minoria (14%) diz que o problema é infrequente e outros 3,5% afirmam ser inexistente.

“Os dados indicam que há um aumento da percepção relativa à dinâmica estrutural de reprodução do racismo no Brasil Há um aumento da percepção de que o racismo no Brasil não se trata de atos isolados, individuais ou pontuais, mas de uma lógica que se reproduz ao longo do tempo, de maneira recorrente e reiterada, e isso, é sem dúvida, um elemento muito importante para se pensar as estratégias de superação do racismo no Brasil”, considerou Wu.

Em seu Twitter, o historiador fez uma sequência de postagens destacando outros recortes da pesquisa Atlas Político. A íntegra do estudo pode ser conferida aqui.

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Ivan Longo

Jornalista e repórter especial da Revista Fórum

Quem foi Madame Satã e por que Sérgio Camargo, da Fundação Palmares, é obcecado por ele

 POR DCM

Madame Satã em retrato fotográfico – Wikimedia Commons

Uma das pessoas retiradas da lista de personalidades negras da Fundação Palmares é o transformista Madame Satã. Nos anos 30, o artista se tornou um símbolo LGBT na noite do Rio de Janeiro.

Em homenagem a esta grande figura que foi desprezada pelo governo Bolsonaro, o DCM reproduz o artigo abaixo, publicado no Universo Retrô em junho de 2016.

A vida de Madame Satã: o “bicha” mais macho do Brasil

O transformista que encantava o Carnaval carioca com suas fantasias. O bandido violento que matava com um único soco. O homossexual assumido que “caçava veados” na Lapa, segundo suas próprias palavras. O pai de família que cuidou de seis filhos. O malandro que enganava incautos e roubava todo seu dinheiro. O herói que não admitia violência contra os mais fracos e enfrentava desarmado a polícia. Ele era “Madame”? Ou era “Satã”? Ou ambos?

A ambiguidade era uma característica sua e ele sabia disso. Quando surgiu o apelido “Madame Satã”, no Carnaval de 1938, a dualidade instantânea cativou o público e desde então ele sabia que este seria seu título definitivo. Quando ainda não se falava abertamente em “transformista” e os termos drag queen ou crossdresser nem haviam sido criados, um malandro violento, bom de briga e ao mesmo tempo delicado, homossexual e com notável talento artístico se tornaria uma das figuras mais mitológicas da cultura carioca.

“Eu vim ao mundo junto com o século XX” era a forma como Satã, de nome João Francisco dos Santos, informava que havia nascido no ano de 1900, no interior de Pernambuco. Seus pais, descendentes de escravos, tinham dificuldades em sustentar uma família de 17 filhos. Quando seu pai morreu, em 1907, a mãe em desespero o negociou com um comerciante de cavalos em troca de uma égua. A promessa do homem era que o pequeno João Francisco trabalharia para ele e em troca receberia educação. Apenas a primeira parte do acordo foi cumprida e o menino seria analfabeto pelo resto da vida.

Cansado do trabalho escravo, o garoto fugiu em 1908 com uma mulher que lhe ofereceu emprego como ajudante de uma pensão no Rio de Janeiro. Logo João perceberia que não havia mudado muito sua situação. Ficava o dia inteiro limpando, lavando roupas e cozinhando, sem receber pagamento, educação ou algo semelhante a acolhimento familiar.

Aos treze anos, mais uma vez resolveu fugir e começou a perambular pelo bairro notívago da Lapa, dormindo nos degraus das casas de aluguel. Já nessa idade começou a ser inserido nos bacanais e teve sua iniciação sexual. Como ele mesmo dizia, “eu fui homem algumas vezes e fui bicha algumas vezes. Eu gostei mais de ser bicha”. Aos dezoito anos, homossexual assumido, foi contratado como garçom em um bordel.

Gradualmente o rapaz se encanta com a vida artística da Lapa, as cantoras de cabaré, o samba, a teatralidade e o glamour. Como uma típica drag queen dos tempos atuais, João gostava de imitar as grandes estrelas femininas da época. Sonhava em ser uma delas. Em 1928, uma jovem atriz com quem fez amizade conseguiu para ele um trabalho num show na Praça Tiradentes, centro do teatro de revista, onde fez sucesso com suas apresentações.

Desafortunadamente, a popularidade recém adquirida acabou por atrair atenção indesejada. Certa noite do mesmo ano, um guarda-civil resolveu provocar, chamando-o repetidas vezes de “veado”, com agressividade crescente até chegar a empurrões. João procurou manter a calma, seguindo o código social da época de “em guarda não se bate” e “bicha não reage”, mas em casa se enfureceu, pegou o revólver e voltou para encontrar o policial, matando-o na hora com um tiro.

A “Legítima Defesa da Honra” foi o atenuante que lhe permitiu ficar apenas dois anos preso, mas o assassinato teve um impacto duradouro em sua vida. A súbita fama de “valente” fez com que surgissem oportunidades para o rapaz atuar como segurança em bares locais. O consequente envolvimento com jogo, cafetinagem, prostituição e pequenos roubos fez com que caísse na vida de malandro, adotando inclusive a indumentária própria: camisa de seda, sapato de salto, chapéu panamá e a inseparável navalha.

Seu desempenho como segurança era elogiado pela forma como defendia as prostitutas, valendo-se em determinados momentos de golpes certeiros de capoeira com clientes violentos. A valentia também lhe trouxe vários incidentes com a polícia, que nunca lhe perdoou o incidente de 1928. Para complicar, não suportava a violência policial e intervinha quando via alguém apanhando. Surgia ali o mito do herói que defendia os oprimidos e encarava o opressor.

Em certo momento, exasperado com um delegado que frequentemente o perseguia, foi marchando sozinho até a delegacia, arrancou o homem de sua mesa e o nocauteou com uma sequência de golpes fortíssimos. Foi cercado pelos policiais e por pouco não morreu ali mesmo, sendo preso em seguida.

Em outro caso famoso, enquanto estava em um bar, um sargento apareceu subitamente e desferiu seis tiros nele, errando todos. Vendo que estava ileso, saiu em perseguição do militar e lhe deu uma sequência de navalhadas, uma delas no traseiro. E logo se espalhou a história de que havia dado uma navalhada na bunda de um sargento.

Ele mesmo alimentava seu próprio mito, ora inventado histórias sobre si, ora se calando sobre o que inventavam a respeito dele. Seu jeito ora viril, ora delicado, impressionava as pessoas e o tornava popular. E além disso, inventava hábitos peculiares. Por exemplo, gostava de se referir a si próprio como “a minha pessoa”. Dizia “a minha pessoa gostou muito disso”, “minha pessoa fez sucesso”…

Entre idas e vindas da prisão, sua consagração artística veio em 1938. Uma vistosa fantasia de sua criação, inspirada num morcego do nordeste do Brasil e lindamente decorada com lantejoulas, foi a campeã do baile de Carnaval do Teatro República. Dias depois, quando – mais uma vez – foi preso junto com outras bichas “para averiguações”, um policial que havia assistido ao filme “Madam Satan”, de Cecil B. de Mille, o reconheceu na hora:

“Não foi você que se fantasiou de Madame Satã e ganhou o desfile das bichas no República esse ano?”

João não fazia a menor ideia do que era aquilo e detestou o apelido. Mas apesar disso (ou por causa disso), logo todos o chamavam assim e a dualidade própria do termo acabou lhe agradando. “Madame Satã” é como passaria a ser conhecido. Em 1942 repetiria o sucesso com outra fantasia.

Lázaro Ramos como Madame Satã no Carnaval de 1942 (Foto: Divulgação)

Já antes disso Satã começou a sossegar. Acabou casando com uma mulher aos 34 anos, embora nunca deixasse de se afirmar homossexual. Até o fim de sua vida, aos 76 anos, manteve o matrimônio. Com ela criou seis filhos, todos adotivos, e se orgulhava de ser um bom pai. Em uma entrevista, como exemplo, citou que uma filha havia se tornado musicista (professora de acordeão), um filho havia se tornado soldado e outro… delegado de polícia!

Seu mito se tornou tão forte que na década de 80 seu apelido batizou uma famosa casa noturna de São Paulo, em funcionamento até hoje. E sua vida foi tema de um filme estrelado por Lázaro Ramos, de grande sucesso. Pode-se dizer que por fim conseguiu criar um personagem artístico, embora não exatamente da forma como tinha sonhado.

Fonte: Diário do Centro do Mundo - DCM

ENEM 2020: UBES solicita reunião urgente com o MEC

Causa espanto e dúvida, para secundaristas que sonham com a universidade, a incompatibilidade entre datas do Enem e o calendário divulgado para Fies e Prouni

Neste sábado, 5 de dezembro, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) enviou ao Ministério da Educação um pedido de reunião com urgência, devido à divulgação pela pasta do calendário dos programas federais de acesso ao ensino superior, Prouni e Fies. O grande espanto, para secundaristas que sonham com a universidade, é a incompatibilidade entre as datas do Enem e dos outros programas.

As datas divulgadas pelo MEC de Bolsonaro para inscrições do Prouni são de 12 a 15 de janeiro e, do Fies, de 26 a 29 de janeiro. A nota do Enem é um dos requisitos para as inscrições, porém a edição 2020 do exame divulgará os resultados apenas em março.

A presidenta da UBES, Rozana Barroso, é uma das estudantes que sonha em ser a primeira da família na universidade pública, apesar das dificuldades causadas pela pandemia e entraves oferecidos pelo atual governo. Ela questiona a falta de diálogo e irresponsabilidade do MEC:

“Já enfrentamos uma situação de evasão escolar, de total falta de apoio, de exclusão digital e agora isso. Não estamos entendendo nada. Poderemos entrar numa faculdade? Ou irão nos tirar isso também? O MEC precisa ser claro e responsável com nosso futuro, que é também o futuro do Brasil”.

Leia o ofício enviado pela UBES ao MEC:

Fonte: UBES

Reitores não empossados por Bolsonaro divulgam carta ao STF pedindo democracia

por Cristiane Tada.

Regentes eleitos da UFC, UFRGS, UNIVASF, UFTM, Unirio, IFRN são alguns dos signatários

Quatorze dos reitores eleitos e não empossados nas universidades brasileiras divulgaram uma carta nesta semana endereçado ao Supremo Tribunal Federal e a nação. No texto eles destacam a importância de valores como a democracia e a autonomia universitária na prática e como direitos constitucionais.

“A intervenção nas Instituições Federais de Ensino e a indicação de reitores biônicos remontam aos tempos da Ditadura Militar no Brasil e não são aceitáveis no Estado Democrático de Direito, conquistado a partir de duras lutas políticas e sociais e que tem na Constituição de 1988 seu grande marco”, diz trecho. A carta é um pedido a sociedade se juntar na luta para garantia desses direitos.

O texto também destaca o clima de medo, a ameaça, punições e o adoecimento físico e mental de suas Comunidades acadêmicas como respostas individuais e coletivas “ao sufocamento lento, invisível e inaudível imposto pela atitude governamental antidemocrática”.

No próximo dia 08 de dezembro os reitores farão uma Plenária Nacional em Defesa da Autonomia e Democracia nas Instituições Federais de Ensino às 18h30. Já na quarta, dia 09, terão uma audiência no STF e no dia 10 farão um protesto no Palácio do Buriti.

Leia na íntegra:

A DEMOCRACIA PRECISA PREVALECER: CARTA ABERTA DAS REITORAS E DOS REITORES/DIRETORES ELEITOS E NÃO EMPOSSADOS

A democracia é um valor que, para ser materializado, precisa ser praticado, e não apenas enunciado e debatido abstratamente. Não basta proclamar-se democrático. É preciso demonstrar, com ações, o respeito à vontade da Comunidade. E é justamente a falta desse respeito que vem sendo evidenciada, cada vez mais, pelas ações tanto do Ministério da Educação (MEC) quanto pelos colegas servidores que têm aceitado, contrariamente ao resultado das urnas, atuar como interventores ou como membros das equipes de intervenção nas Instituições Federais de Ensino que, desde 2019, tiveram negada a posse de suas reitoras e dos seus reitores/diretores eleitos.

Essa é a situação em que se encontram, nesta data, várias Instituições Federais de Ensino. Mesmo que seus futuros dirigentes tenham sido escolhidos em um ambiente verdadeiramente legítimo e democrático, essas Instituições sofrem as consequências amargas de procedimentos danosos de intervenção, enquanto buscam saídas por vias administrativas, políticas e até mesmo judiciais. Do ponto de vista jurídico, os artigos 206 e 207 da Constituição Federal dispõem: Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: (…) II – Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; (…) VI – Gestão democrática do ensino público, na forma da lei; Art. 207.

As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Nesse sentido, as garantias constitucionais definem a autonomia universitária como um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Ao afrontá-la, as recentes nomeações e indicações feitas pela Presidência da República, por iniciativa antidemocrática do MEC, criam uma imagem institucional bastante negativa, corroborando para que a sociedade civil veja com descrédito as Instituições e seus processos decisórios, que devem ser sempre democráticos.

Desde a eleição, quando foi o mais votado democraticamente, Arnóbio e toda a comunidade acadêmica do IFRN, lutam para que o “autoritarismo” não vença a democracia.

Alunos, servidores e professores, juntos pela posse do diretor eleito.

Até que ponto uma intervenção pode sufocar e até mesmo levar à morte esses espaços educacionais que eram reconhecidos, anteriormente, apenas pela qualidade da formação dos Estudantes, pela inovação de suas práticas e pela capacidade e formação de excelência de seus Corpos Docentes e Técnico-Administrativos? A pergunta é pertinente, pois o clima de medo, a ameaça de punições arbitrárias e o adoecimento físico e mental de suas Comunidades são apenas algumas das formas já percebidas de respostas individuais e coletivas ao sufocamento lento, invisível e inaudível imposto pela atitude governamental antidemocrática. Realmente, para que serve um processo eleitoral de grandes proporções, envolvendo milhares de servidores e estudantes em dezenas de cidades, se o seu resultado não for integralmente respeitado?

A prática da democracia seria apenas uma mera formalidade na visão de nossos representantes políticos? A intervenção nas Instituições Federais de Ensino e a indicação de reitores biônicos remontam aos tempos da Ditadura Militar no Brasil e não são aceitáveis no Estado Democrático de Direito, conquistado a partir de duras lutas políticas e sociais e que tem na Constituição de 1988 seu grande marco.

Nessas Instituições, são realizadas, há mais de 30 anos, eleições para a escolha do Dirigente Máximo. Nesse tempo, a Rede Federal de Educação nunca sofreu ataques tão duros a sua democracia como ocorre agora por parte do atual Governo. Diante desse quadro, os signatários têm consciência de que, tal como em outros momentos difíceis da nossa história, é só pela luta e organização coletiva que ele poderá ser revertido. Atualmente, temos nos mobilizado nesse sentido em muitas instâncias, com grande apoio do Movimento Estudantil, do Movimento Sindical e de organizações da sociedade civil que valorizam a democracia.

Portanto, é para ampliar e fortalecer esta luta pelo respeito às universidades e institutos federais que conclamamos a sociedade a se juntar a nós e exigir dos poderes constituídos que respeitem a democracia e a autonomia das instituições de ensino no país, obedecendo, portanto, as escolhas realizadas nelas, que devem ser acatadas na forma da lei e dos seus estatutos.

Assim, consideramos relevante e histórico o entendimento do Excelentíssimo Senhor Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Edson Fachin, que, em manifestação oficial, declarou que as escolhas dos dirigentes máximos das universidades e institutos federais devem seguir os seguintes requisitos: “(I) se ater aos nomes que figurem na respectiva lista tríplice; (II) respeitar integralmente o procedimento e a forma da organização da lista pela instituição universitária; e (III) recaia sobre o docente indicado em primeiro lugar na lista.” Ocorre que acima de tudo e de todos está a Constituição de 1988.

Ainda, conforme declara o Ministro Fachin em seu voto sobre a ADI 6565, “a nomeação de Reitores e Vice-Reitores não pode ser interpretada como dispositivo para o desenvolvimento de agendas políticas, ou como mecanismo de fiscalização” (…) “A nomeação não é instrumento de gestão porque não deve ser veículo de ingerência”. Nessa esteira, as eleições realizadas pelas Comunidades Acadêmicas vão ao encontro e são coerentes com o princípio democrático e com a autonomia universitária consagrados na Constituição de 1988. Por isso, nos juntamos a muitas vozes do passado e do presente para reafirmar: reitoras e reitores/diretores eleitos devem ser reitoras e reitores/diretores empossados!

Temos força para continuar e pedimos que cada vez mais pessoas e entidades juntem-se a nós, nessa batalha contra o autoritarismo, dentro e fora de nossas Instituições. Afinal, a democracia precisa prevalecer! Brasil, dezembro de 2020.”

Assinam a carta as Reitoras e reitores/diretores eleitos:

Anderson André Genro Alves Ribeiro e Lísia Regina Ferreira – Reitor eleito e vice Reitora Eleita da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS);
André Macêdo Santana e Carlos Sait Pereira de Andrade – Reitor Eleito e Vice Reitor Eleito Universidade Federal do Piauí (UFPI);
Etienne Biasotto e Cláudia Gonçalves de Lima – Reitor Eleito Vice Reitora Eleita Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD);
Ethel Leonor Noia Maciel Reitora Eleita – Universidade Federal do Espirito Santo (UFES);
Fabio César da Fonseca e Patrícia Maria Vieira – Reitor Eleito Vice Reitora Eleita Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM);
Georgina Gonçalves dos Santos e José Pereira Mascarenhas Bisneto – Reitora Eleita e Vice Reitor Eleito Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB);
Gilciano Saraiva Nogueira e Carlos Henrique Alexandrino – Reitor Eleito e Vice Reitor Eleito Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Muriqui (UFVJM);
José Arnóbio de Araújo Filho Reitor Eleito – Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN);
Leonardo Villela de Castro e Maria do Carmo Ferreira – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO); Maurício Gariba Júnior Reitor Eleito – Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) ;
Maurício Saldanha Motta – Diretor Geral Eleito Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ);
Maurilio de Abreu Monteiro – Reitor Eleito – Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA);
Rodrigo Nogueira de Codes e Francisco Edcarlos Alves Leite – Reitor Eleito e Vice Reitor Eleito Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA);
Rui Vicente Oppermann e Jane Fraga Tutikian – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS);
Telio Nobre Leite e Lúcia Marisy Souza Ribeiro de Oliveira – Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF); Terezinha Domiciano Dantas Martins e Monica Nóbrega – Reitora Eleita e Vice Reitora Eleita Universidade Federal da Paraíba (UFPB);
Custódio Almeida – Reitor Eleito da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Fonte: UNE

4 de dezembro homenageamos a orixá rainha dos raios e tempestades – Iansã!

No dia 4 de dezembro homenageamos a orixá rainha dos raios e tempestades, senhora que controla os espíritos dos mortos e guerreira destemida Iansã. Epahei Oyá!

No âmbito sincrético, a mitologia de Iansã é usualmente associada à Santa Bárbara, divindade católica que foi morta pelo pai ao se converter ao cristianismo. Após a execução de Bárbara, um raio atingiu a cabeça de seu progenitor. Pela razão do óbito, muitos equiparam a santidade católica ao poder que Oyá tem de controlar os ventos e raios. Além disso, o fato de Santa Bárbara ser representada com uma espada nas mãos reforça ainda mais a aproximação junto à divindade afro.

Dia: Quarta-feira
Cores: Marrom, Vermelho e Rosa

Símbolos: Espada e Eruexin
Elementos: Ar em movimento,qualquer tipo de vento, Fogo

Domínios: Tempestades, Ventanias, Raios, Morte

Saudação: Epahei!

O maior e mais importante rio da Nigéria chama-se Níger, é imponente e atravessa todo o país. Rasgado, espalha-se pelas principais cidades através de seus afluentes por esse motivo tornou-se conhecido com o nome Odò Oya, já que ya, em iorubá, significa rasgar, espalhar. Esse rio é a morada da mulher mais poderosa da África negra, a mãe dos nove orum, dos nove filhos, do rio de nove braços, a mãe do nove, Ìyá Mésàn, Iansã (Yánsàn).
Embora seja saudada como a deusa do rio Níger, está relacionada com o elemento fogo. Na realidade, indica a união de elementos contraditórios, pois nasce da água e do fogo, da tempestade, de um raio que corta o céu no meio de uma chuva, é a filha do fogo-Omo Iná.

A tempestade é o poder manifesto de Iansã, rainha dos raios, das ventanias, do tempo que se fecha sem chover.

Iansã é uma guerreira por vocação, sabe ir à luta e defender o que é seu, a batalha do dia-a-dia é a sua felicidade. Ela sabe conquistar, seja no fervor das guerras,
seja na arte do amor. Mostra o seu amor e a sua alegria contagiantes na mesma proporção que exterioriza a sua raiva, o seu ódio. Dessa forma, passou a
identificar-se muito mais com todas as actividades relacionadas com o homem, que são desenvolvidas fora do lar; portanto não aprecia os afazeres domésticos,
rejeitando o papel feminino tradicional. Iansã é a mulher que acorda de manhã, beija os filhos e sai em busca do sustento.

O fato de estar relacionada com funções tipicamente masculinas não afasta Iansã das características próprias de uma mulher sensual, fogosa, ardente; ela é
extremamente feminina e o seu número de paixões mostra a forte atracção que sente pelo sexo oposto. Iansã (Oyá) teve muitos homens e verdadeiramente amou
todos. Graças aos seus amores, conquistou grandes poderes e tornou-se orixá.

Assim, Iansã tornou-se mulher de quase todos os orixás. Ela é arrebatadora, sensual e provocante, mas quando ama um homem só se interessa por ele, portanto é
extremamente fiel e possessiva. Todavia, a fidelidade de Iansã não está necessariamente relacionada a um homem, mas às suas convicções e aos seus sentimentos.

Algumas passagens da história de Iansã relacionam-na com antigos cultos agrários africanos ligados à fecundidade, e é por isso que a menção aos chifres de novilho ou búfalo, símbolos de virilidade, surgem sempre nas suas histórias. Iansã é a única que pode segurar os chifres de um búfalo, pois essa mulher cheia de
encantos foi capaz de transforma-se em búfalo e tornar-se mulher da guerra e da caça.

Oyá é a mulher que sai em busca do sustento; ela quer um homem para amá-la e não para sustentá-la. Desperta pronta para a guerra, para a sua lida do dia-a-dia, não tem medo do batente: luta e vence.

Características dos filhos de Iansã / Oyá

Para os filhos de Oyá, viver é uma grande aventura. Enfrentar os riscos e desafios da vida são os prazeres dessas pessoas, tudo para elas é festa. Escolhem os seus caminhos mais por paixão do que por reflexão. Em vez de ficar em casa, vão à luta e conquistam o que desejam.

São pessoas atiradas, extrovertidas e directas, que jamais escondem os seus sentimentos, seja de felicidade, seja de tristeza. Entregam-se a súbitas paixões e de
repente esquecem, partem para outra, e o antigo parceiro é como se nunca tivesse existido. Isso não é prova de promiscuidade, pelo contrário, são extremamente fiéis à pessoa que amam, mas só enquanto amam.

Estas pessoas tendem a ser autoritárias e possessivas; o seu génio muda repentinamente sem que ninguém esteja preparado para essas guinadas. Os relacionamentos longos só acontecem quando controlam os seus impulsos, aí, são capazes de viver para o resto da vida ao lado da mesma pessoa, que deve permitir que se tornem os senhores da situação.

Os filhos de Oyá, na condição de amigos, revelam-se pessoas confiáveis, mas cuidado, os mais prudentes, no entanto, não ousariam confiar-lhe um segredo, pois, se mais tarde acontecer uma desavença, um filho de Oyá não pensará antes de usar tudo que lhe foi contado como arma.

O seu comportamento pode ser explosivo, como uma tempestade, ou calmo, como uma brisa de fim de tarde. Só uma coisa o tira do sério: mexer com um filho seu é o mesmo que comprar uma briga de morte: batem em qualquer um, crescem no corpo e na raiva, matam se for preciso.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

sábado, 5 de dezembro de 2020

Malunguinho entrega manifesto a secretário por pagamento imediato de projetos culturais

 


*Por Humberto Meratti, ativista e gestor cultural exclusivo aos Jornalistas Livres

Diversos coletivos, entidades, fóruns, grupos e movimentos atuantes no setor cultural pelo Estado de São Paulo além da capital, assinam o manifesto “Que se pague todos os habilitados no PROAC LAB” junto ao Fórum de Emergência Cultural Capital SP. O documento foi entregue essa semana nas mãos de Sá Leitão (Secretário de Cultura e Economia Criativa do Estado de SP) pela Deputada Estadual Erica Malunguinho (PSOL).

Abaixo segue manifesto encaminhado com todas as justificativas defendidas pelo setor.

São Paulo, 03/12/2020

Que se pague todos os habilitados no PROAC LAB!!!!!

Após imensa mobilização dos trabalhadores da cultura do Estado de SP, que fizeram um abaixo assinado (http://chng.it/rcsQDfMgRD), atualmente com mais de 7800 assinaturas (01/12/2020 20:10),solicitando ao Governo para que a reversão dos valores da Aldir Blanc não utilizados no Inciso I, os valores extras repassados pelo Ministério do Turismo aos Estados, e a análise do Estado sobre os inscritos no Auxílio Emergencial, que indica que apenas metade dos inscritos terão direito à renda emergencial, a sociedade recebeu a informação do Governos do Estado – Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SECEC-SP) – de que pode ser disponibilizado um montante de R$ 256.000.000,00 (Duzentos E Cinquenta e Seis Milhões de Reais) para um atendimento de aproximadamente 5.000 projetos inscritos nos Editais do Proac Expresso Aldir Blanc:

–https://istoe.com.br/sp-secretaria-de-cultura-deve-apoiar-ate-5-mil-projetos-inscritos-em-programa-de-incentivo/;

–http://www.informamais.com.br/Site/Paginas/Secretaria-de-Cultura-e-Economia-Criativa-do-Estado-deve-apoiar-5-mil-projetos-culturais/5562;

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2020/11/metade-dos-inscritos-para-receber-renda-basica-da-lei-aldir-blanc-nao-atendem-a-requisitos-diz-secretaria.shtml?utm_source=mail&utm_medium=social&utm_campaign=compmail.

Description: WhatsApp Image 2020-11-23 at 11.36.34.jpeg

Os movimentos culturais do Estado, em todos os seus fóruns e organizações, têm acompanhado cotidianamente a publicação dos resultados, agora que já foram apresentadas as primeiras listas de selecionados conforme projeto original e a lista de todos os suplentes habilitados, que são os potenciais beneficiários dessa destinação de recursos dos editais. O que esses números nos mostram de maneira geral. (E serão apresentados detalhadamente, linha por linha de financiamento, ao final deste documento):

As informações a seguir são todas extraídas das publicações do Diário Oficial Do Estado dos últimos dias e tem-se ciência que os eventuais recursos ou saneamento de falhas podem alterar minimamente estes números, mas qualquer mudança não será significativa no pensamento estruturante deste manifesto:

Quantidade de Projetos Selecionados: 1.364

Quantidade de Suplentes Habilitados: 3.065

Total de projetos potencialmente beneficiários: 4.429

Quantidade de Recursos Destinados aos Selecionados: R$ 57.070.000,00

Quantidade de Recursos Necessários para os Habilitados:  R$ 229.365.000,00

Total de recursos necessários para contemplar todos os PROJETOS HABILITADOS: R$ 286.435.000,00

Total de recursos disponíveis informados pelo Estado (SECEC):  R$ 256.000.000,00

Diferença/Déficit para atendimento pleno de 100% dos projetos habilitados: R$ 30.435.000,00

Montante que representa 0,013% do orçamento do Estado de SP para 2020       

(https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/12/19/deputados-aprovam-orcamento-de-r-239-bilhoes-para-o-estado-de-sp-em-2020.ghtml)

Além de ser um valor irrisório para um estado do tamanho e capacidade financeira como São Paulo, este déficit para pleno atendimento ainda pode ser reduzido se houver atenção a algumas questões apontadas por diversos profissionais da cultura ao observarem os resultados de suas áreas. Fatos que podem ter passado ao largo da percepção das comissões pelo prazo extremamente exíguo que tiveram para analisar os quase 5000 projetos inscritos em todo o Estado de SP.

Pontos que devem ser observado para apurar a seleção e conseguir contemplar todos os proponentes com projetos habilitados, sejam selecionados ou suplentes, de modo a não compactuar com nenhum tipo de procedimento que fuja da ética, nos 25 Editais (Que compõem 35 linhas diferentes de investimento e inscrições):

  1. _ auditoria/fiscalização em inscrições duplicadas: ainda se observam duas vezes a inscrição do mesmo projeto na mesma linha de financiamento;
  • _ auditoria/fiscalização em proponentes da capital que se inscreveram pelo interior: se observa alguma incidência de proponentes notadamente com trabalho, carreira e produção realizada na capital que se usam de um comprovante de fora da capital (parentes ou moradia extemporânea) para usarem a cota do interior, o que é absolutamente antiético com toda a categoria;
  • _ auditoria/fiscalização de proponentes que moram FORA do país e se inscreveram: talvez a pior das percepções, com proponentes CONTEMPLADOS e que residem no exterior, podendo ser verificado por uma simples navegação em suas redes sociais;o que fere o Art. 2º. Parágrafo 2º. Da regulamentação federal a saber: “§ 2º Os beneficiários dos recursos contemplados na Lei nº 14.017, de 2020, e neste Decreto deverão residir e estar domiciliados no território nacional.”
  • _ ainda aparecem proponente que receberam dois projetos numa mesma linha: ao se olhar CADA uma das 35 linhas possíveis de contemplação, ainda se observa o MESMO proponente constando como suplente mais de uma vez, ou selecionado uma vez e suplente em outra, o que fere as regras dos editais estaduais
  • _ garantir a contemplação de TODOS os PROPONENTES, pelo menos UMA VEZ nos Editais para, só depois então, permitir, como previsto no edital, que um mesmo proponente receba recursos em LINHAS diferentes, mas que não possa ser contemplado duplamente numa mesma linha; evitando assim conflitar com o parágrafo 1º., capítulo IV da regulamentação federal  a saber: “§ 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão desempenhar, em conjunto, esforçospara evitar que os recursos aplicados se concentrem nos mesmos beneficiários, na mesma região geográfica ou em um número restrito de trabalhadores da cultura ou de instituições culturais.”
  • _ evitar concentração de renda de valores muito altos em relações de parentesco direto entre contemplados: percebe-se linhas de alto valor em que marido, esposa, filho foram contemplados na MESMA LINHA, e em editais do PROAC Normal, chegando a 4 contemplações num período de 15 dias, o que é muito diferente de um família ter recebido dois prêmios na linha 41 ou 42, por exemplo. Fazemos aqui o apontamento da necessidade de cuidar dos editais de grandes valores;
  • _ levar em consideração as ações afirmativas que envolvem gênero, raça, etnia, território, ancestralidade, hip-hop, patrimônio imaterial, culturas populares e tradicional e forró, prioritariamente às outras manifestações, como ação de reconhecimento às demandas apresentadas na nossa manifesta:

https://docs.google.com/document/d/1gz3vZF0q3OXynkUyyt3hufg0NGSbqkfULZfwLMeO75o/edit

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSddno9Tq6Ji_uAUAAq_42NPpoz7Q0YNMiEs-6FvX_vwSRX1hQ/viewform

  • _ complemento de verba do governo do estado: fazendo estas filtragens, conseguimos prever que o aporte necessário para atender PLENAMENTE a todos os projetos HABILITADOS (selecionados ou suplentes), seja de um valor ainda menor do que o município de SP acaba de aportar no dia 25/11 para contemplar parte de seus suplentes. Se no município isso foi possível, não se pode imaginar que num estado com o tamanho e capacidade como São Paulo isso não seja.
  1. _Utilização total da verba da Aldir Blanc em Editais da Aldir Blanc, sem transferência de competência de gestão do recurso do Estado para nenhuma entidade parceira, fato vetado pela lei no Art. 11, § 3º Os recursos transferidos na forma prevista neste artigo serão geridos, exclusivamente, na conta específica de que trata o caput
  • _ Observa-se ainda a necessidade de abertura de um novo edital, para contemplação daqueles que não conseguiram se inscrever por não terem recebido a informação, por terem informações conflitantes sobre inscrições entre estado e municípios diversos, de se podia ou não, pela dificuldade de inscrições encontradas nos editais do estado, pois não se tratavam de projetos simples de serem apresentados, com necessidade de realização de um Mutirão de BUSCA ATIVA da Sociedade Civil em parceria com o Governo, através das Fábricas de Cultura, Equipamentos Públicos, Escolas e Bibliotecas espalhadas por todo Estado e que tenha, como premissa inicial a contemplação daqueles QUE NÂO GANHARAM NADA da Lei Aldir Blanc, em seguida daqueles que ganharam apenas no seu município, sem a participação daqueles que ganharam nas duas instâncias. Realizar inscrições facilitadas em preenchimento, contratação sem certidões e indicadores de ações afirmativas (conforme item “g”) como critérios de seleção, atendendo ao princípio da desburocratização assegurado pela lei federal.

Com esse conjunto a informações, entendemos que não há outra reivindicação a ser feita que não seja pelo PLENO ATENDIMENTO A 100% DOS INSCRITOS HABILITADOS PELO PROAC EXPRESSO LEI ALDIR BLANC NO ESTADO DE SÃO PAULO, de maneira universal, o que efetivamente pode surtir algum efeito na retomada do setor e na mitigação do mal causado pela pandemia da Covid-19, além de ser a demonstração da efetividade da Política Pública proposta pela Lei, conquista da sociedade, e garantir a publicação de uma nova linha para atendimento àqueles que ainda ficaram totalmente excluídos da Lei Aldir Blanc, que ainda são em grande número por todo o Estado.

Certos de sua compreensão e encaminhamento,

Assinam:

  1. ABA – Associação de Bandas e Fanfarras da Capital e Grande São Paulo
  2. ABD-SP (Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas do estado de São Paulo)
  3. Ação Educativa/Espaço Cultural Periferia no Centro
  4. API – Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro
  5. Associação de Cultura e Arte de Ribeirão Preto – Ponto de Cultura Casa das Artes
  6. Associação Espaço Cultural Fabrica das Artes de Americana
  7. Associação Paulista de Cineastas- Apaci
  8. Associação Paulista de Empreededores Culturais APEC – Ponto de Cultura APECultura
  9. Associação Paulista de Fanfarras e Bandas- OCIFABAN
  10. Associação Raso da Catarina
  11. Associação Rede Cidadã multicultural
  12. Bloco Jah É
  13. Canto de Cabocla Casa Cultural em Mogi das Cruzes
  14. Casa de cultura Santa Tereza EMBU DAS ARTES
  15. Centro cineclubista de São Paulo
  16. Centro de Cultura Raiz Popular – Santo André
  17. CNBF – Confederação Nacional de Bandas e Fanfarras
  18. Coletivo Cultural Vianinha
  19. Coletivo MANIA. Movimento dos Ativistas Negros e Índigenas de Araçatuba
  20. Cooperativa Paulista de Teatro
  21. Cooperativa Paulista de Trabalho dos Profissionais de Dança
  22. Etnocidade de Campinas
  23. FFABESP – Federação de Fanfarras e Bandas do Estado de São Paulo
  24. Fórm de Cultura do Litoral Norte
  25. Fórum de Cultura da Região Metropolitana de Sorocaba
  26. Fórum de Cultura de Porto Feliz
  27. Fórum de Cultura Região Franca
  28. Fórum de Emergência Cultural da Capital
  29. Fórum do Forró de Raiz SP
  30. Fórum dos Pontos de Cultura do Estado de São Paulo
  31. Fórum Juquery, Serras e Águas
  32. Fórum Paulista Aldir Blanc
  33. Fórum Permanente de Cultura de Bauru
  34. Fórum Permanente de Cultura de Jales
  35. Fórum Permanente de Cultura do Município de Campinas
  36. Forum permanente de culturas de Sorocaba
  37. Fórum Permanente de Poá
  38. Fórum Pró Cultura da Região Metropolitana de Ribeirão Preto
  39. Fórum Regional de Campinas
  40. Fórum Regional de Cultura de Bauru
  41. Fórum regional vale do Paraíba e Serra da Mantiqueira
  42. Frente Ampla pela Cultura da Baixada Santista.
  43. Frente de Cultura de Ribeirão Preto
  44. Frente Popular pela Cultura do Alto Tietê
  45. GAAA Grupo de Ações Afirmativas Afrodescendentes
  46. ICINE- Fórum de Cinema do Interior Paulista
  47. Iddeia Cultura e Pesquisa
  48. Instituto Alinhavando de Desenvolvimento Humano
  49. Instituto de Arte e Cultura Gatatuja (Atibaia SP)
  50. Instituto Gira SOL COTIA/SP
  51. Instituto Omindaré
  52. MCD – Movimento Circo Diverso
  53. Mov. Teatro de Cubatão
  54. Movimento A Dança Se Move
  55. Movimento Amplo Cultural de São Vicente
  56. Movimento Artigo Quinto
  57. Movimento Cultural da Praia Grande
  58. Movimento de Teatro de Rua/SP
  59. Movimento Teatral da Baixada Santista
  60. Núcleo de Valorização Humana-Nova Vida – Limeira-SP
  61. Observatório Regional de Cultura
  62. Associação Ocupa Carnaval de Rua SP
  63. ONG UMONT – Ponto de Cultura – Tupã/SP
  64. Opção Brasil de São Caetano do Sul
  65. Opção Brasil e Etnocidade
  66. PdC ArteBrasil Ile Axé – Barretos
  67. PdC centro cultural de matriz africana yle ase oya guere oba baayonnin Itanhaém
  68. PdC e Inclusão Digital – Lado Leste Cultural (ZL/SP)
  69. Pontão de Cultura CENTRAL DE MÍDIA PRODUÇÃO E DISTRIBUIÇÃO CULTURAL – TAUBATÉ SP
  70. Ponto Crescer Para o Futuro Ilha Comprida
  71. Ponto Cultura HipHop Mulher
  72. Ponto de Cultura Arca.dos Ventos – Porto Feliz
  73. Ponto de Cultura Ascabama_Assis…
  74. Ponto de cultura AsSimétrica de Embu das artes
  75. Ponto de Cultura Associação Amigos da Fanfarra de Caieiras
  76. Ponto de Cultura Associação Educacional e Beneficente de Ferraz de Vasconcelos
  77. Ponto de Cultura Associação Felino – São Sebastião
  78. Ponto de cultura associação Folclórica Reisado Sergipano Guarujá
  79. Ponto de Cultura Bloco do Beco
  80. Ponto de Cultura Bola de Meia – São José dos Campos/SP
  81. Ponto de Cultura Brasil Vivo
  82. Ponto de Cultura Casa do Hip Hop Santa Cruz/ São José dos Campos
  83. Ponto de Cultura Casa Miani – Sao Paulo
  84. Ponto de Cultura Centro Cultural Afro-brasileiro e Biblioteca Zumbi dos Palmares- Taubaté
  85. Ponto de Cultura Cequisabi
  86. Ponto de Cultura Confraria do Conto – Santa Bárbara d’Oeste
  87. Ponto de Cultura CONPOEMA – Francisco Morato/SP
  88. Ponto de Cultura Coral Libercanto Associação Cultural
  89. Ponto de Cultura da Sociedade Amigos da Cultura
  90. Ponto de Cultura e Memória IBAÔ (Campinas-SP)
  91. Ponto de Cultura Escola Livre de Teatro de Jales
  92. Ponto de Cultura Facmol
  93. Ponto de cultura Fundação Jazzbrasil Montr Azul Paulista
  94. Ponto de Cultura Galpão Cultural- Assis
  95. Ponto de Cultura Galpão da Lua – PRES. PRUDENTE SP
  96. Ponto de Cultura Garapa de Piracicaba
  97. Ponto de Cultura Iddeia Cultura e Pesquisa
  98. Ponto de cultura Instituto Acqua de Santo André
  99. Ponto de Cultura Marulho – Peruíbe
  100. Ponto de Cultura Modelando Tradições Figureiros de Taubate
  101. Ponto de Cultura Mudança de Cena
  102. Ponto de Cultura Műsica Inclusive – Cia de Arte KNU
  103. Ponto de Cultura Nanquin Cultura e Arte
  104. Ponto de Cultura NINA – Campinas
  105. Ponto de cultura Olhares de Dentro
  106. Ponto de Cultura Opereta (Poá)
  107. Ponto de Cultura Periferia no Centro/ Ação Educativa ( Sao Paulo)
  108. Ponto de Cultura Radio Aguapé de São José dos Campos
  109. Ponto de Cultura Rádio Legal Capão Bonito
  110. Ponto de cultura Reisado Sergipano Guarujá
  111. Ponto de Cultura Ritmos do Coração
  112. Ponto de cultura Sarau na Quebrada Santo André
  113. Ponto de Cultura Solidariedança
  114. Ponto de Cultura Velhus Novatus
  115. Ponto Trilhas de Cultura de Serra Negra
  116. Ponto Vozes de Senzala- Instituto Caê
  117. Produtores&Artistão UNIÃO
  118. Rede Nacional de Apoio às Famílias e Amigos de Vítimas da Covid-19 no Brasil (REDE APOIO COVID)
  119. REDE Teatro da Região Metropolitana de Sorocaba
  120. Regional vale do Paraíba
  121. SATED SP – Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos e Diversões do Estado de São Paulo
  122. SOS Técnica SP

A seguir apresentamos um comparativo de Todos os INSCRITOS / SELECIONADOS / SUPLENTES HABILITADOS, para termos uma noção da demanda de recursos de projetos após a avaliação dos editais pelas comissões de seleção:


Fonte: Jornalistas Livres