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FIQUEM LIGADOS! TODOS OS SÁBADOS NA RÁDIO AGRESTE FM - NOVA CRUZ-RN - 107.5 - DAS 19 HORAS ÁS 19 E 30: PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA" - PROMOÇÃO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN

Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

EDUARDO VASCONCELOS PRESIDENTE DO CPC-RN ESTARÁ EM AUDIÊNCIA COM SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA, ENTRE OUTROS

Cartaz de DANDARA, simbolo de LUTA!

O presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN, Eduardo Vasconcelos estará amanhã (3) em audiência com o Secretário de Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer - SEECEL-RN, tratando assuntos ligados ao CPC-RN, bem como projetos, ações a serem desenvolvidas pelo CENTRO, além da luta pela SEDE PRÓPRIA, bem como solicitações via ofícios que serão entregues em mãos ao nobre secretário.

Este momento será de muita importância, pois estamos atravessando momentos muito difícil, bem como o fortalecimento da CAMPANHA PELA SEDE PRÓPRIA!

Após a audiência com o secretário, Eduardo Vasconcelos irá a FJA - Fundação José Augusto tratar também de assuntos ligados a cultura, bem como pedido de viabilidade de apoio da referida fundação na gravação de um CD com artistas (cantores) e impressão de livretos de poesias inscritos por poetas que nunca tiveram oportunidade de mostrarem seus talentos.

Por fim, Eduardo Vasconcelos seguirá para a Secretaria Estadual de Saúde para buscar parceria para inovar as Campanhas contra a AIDS e o CONVID! Concluiu. Eduardo Vasconcelos - CPC-RN.

Caravaggio era barroco?

Nascido há 450 anos, em 29 de setembro de 1571, Caravaggio viveu durante a Contra-Reforma, e trabalhou em Roma. A forma de arte daquela época, com uma função política específica, era o barroco. Caravaggio é mais freqüentemente considerado um artista barroco. Quão verdadeiro é isto?

A Reforma

O desenvolvimento da nova classe média de comerciantes, comerciantes, artesãos – a burguesia – trouxe consigo a aurora da era moderna, capitalista. A expressão artística desta nova era de confiança da classe média, foi a Renascença. A Reforma, que começou na Alemanha em 1517, foi sua expressão religiosa. Esta nova classe precisava legitimar sua reivindicação ao poder político em todos os níveis. O protestantismo substituiu a antiga Igreja feudal, fortemente hierárquica, por uma que acabou com as estruturas dos homens médios. Isto refletia o novo pensamento que desafiava a hierarquia política estabelecida e aspirava, pelo menos teoricamente, ao poder político para todos.

A Reforma tinha forçado o catolicismo a recuar em muitas partes da Europa. Entretanto, fora da Grã-Bretanha, nenhuma revolução burguesa bem sucedida consolidou o crescente poder econômico da classe média que teria eliminado o feudalismo. Em vez disso, emergiu o absolutismo feudal. A nobreza continuou sendo a classe dominante, embora cada vez mais formas capitalistas tenham começado a moldar a vida econômica.

A Contra-Reforma

A Contra-Reforma são as ações principalmente políticas e militares do catolicismo, entre 1555 e 1648, com o objetivo de reverter as condições criadas pela Reforma na Europa central. Sua força motriz foram os jesuítas. A Contra-Reforma levou ao ressurgimento do catolicismo, a mudanças significativas no poder político na Europa e à recuperação da Áustria, Boêmia e Polônia para o catolicismo. A Contra-Reforma e o Barroco andaram de mãos dadas. Se o Renascimento tinha sido um período violento, a Contra-Reforma era ainda mais.

O Barroco

As artes refletiam o caráter díspar desta época. O objetivo do barroco era glorificar o poder e o esplendor externo do estado absoluto. A classe dominante se iludiu em uma plenitude de poder que há muito tempo havia deixado de possuir. Com isto veio uma diferenciação de classe sem precedentes na arte. Além da cultura dominante da nobreza, as formas de cultura burguesas-democráticas e de classe média alta evoluíram. Enquanto os interesses da classe média alta, associados à nobreza, se refletem no barroco, as tendências democráticas foram expressas em obras de arte realistas.

Igreja de São Nicolau Praga, estátuas do clero que apunhalam camponeses rebeldes.

Caravaggio

Em 1591, um jovem pintor do norte da Itália veio a Roma. Seu nome era Michelangelo Merisi, que tomou o nome de Caravaggio depois de sua terra natal. Ele revolucionou a arte na Europa. O senso de realidade de Caravaggio, sua sensualidade mundana, restabeleceu e desenvolveu ainda mais o realismo do início da Renascença.

“Pequeno Baco Doente” (1593), um auto-retrato precoce de Caravaggio, então com 22 anos de idade, já se afasta com confiança da convenção

É um quadro desconcertante. Baco, deus pagão da folia, intoxicação, promiscuidade sexual, é retratado como alguém que pode ser vítima de tudo isso. Ele parece cansado, até mesmo explorado. As folhas e as uvas da videira, prometendo intoxicação e gratificação, são oferecidas como se fossem para um cliente. O himation branco assemelha-se a uma folha. O sorriso parece falso. Há uma sugestão de um infeliz trabalhador do sexo masculino. Isto retrata uma divindade pagã muito humana, fiel à vida.

Rapaz Mordido por um Lagarto“ (1593-1594)

Pintado na mesma época, Boy Bitten by a Lizard retrata outra pessoa comum, sem sinais de posição ou status, reagindo a um choque repentino.

Mais uma vez, há um indício de um jovem rapaz explorado sexualmente. Os sinais são o estado de despir-se parcialmente e a rosa atrás de sua orelha. Enquanto a rosa indica amor romântico, o jasmim, também incluído, era um símbolo tradicional do desejo. Enquanto o jovem busca cerejas, ele é mordido por um lagarto (os lagartos reais não têm dentes). Ambas as imagens devem ser vistas no contexto do público-alvo de Caravaggio – o clero romano.

O retrato do gênero

Caravaggio foi o primeiro a desenvolver a pintura de gênero, mostrando a vida das pessoas comuns. Dois primeiros exemplos disso são “A Adivinha”, (1594), e “Os Trapaceiros”

(1594). Eles se concentram nas ordens sociais mais baixas, o que se tornou um modelo importante para ele e aumentou o realismo de todo este trabalho.

Ambas as fotos foram surpreendentemente originais no final do século 16 na Europa, forçando em primeiro plano sobre a tela a classe que nunca havia sido considerada um tema estético digno – os trapaceiros.

Em “A Adivinha”, a jovem mulher é vista removendo o anel do nobre ingênuo enquanto ele olha nos olhos dela. Já a insistência de Caravaggio no realismo tanto no assunto quanto na representação é clara: a jovem mulher tem as unhas bastante sujas! Tal atenção aos detalhes realistas chocou seu público.

“Os Trapaceiros” também ri de como um jovem cavalheiro é enganado. O jovem cavalheiro opulentamente vestido chegou ao conhecimento de enganadores de cartas em um covil de jogos de azar. Seus trajes amarelos e pretos dão a entender que as vestimentas das vespas se aproximam dele. O tabuleiro de gamão na beira da mesa sugere que ele já perdeu dinheiro para eles. A narrativa do quadro implica que o cavalheiro foi persuadido com sucesso a tentar recuperar suas perdas. No entanto, é inútil. O telespectador vê mais do que ele faz: cartas de reposição nas costas de seu adversário, com um cúmplice sinalizando em código como garantir uma mão vencedora. Mais uma vez, há poucas dúvidas quanto a quem é o tolo, e quem é o tolo.

Judite e Holofernes“ (c. 1598-1599 ou 1602)

Outro exemplo famoso do realismo de Caravaggio, de sua ligação com o povo comum, é Judith Beheading Holofernes.  Judith decapitou Holofernes porque seu exército havia sitiado a cidade de Betúlia, quase a tomando. Holofernes havia tentado forçar os judeus a adorarem o rei assírio Nabucodonosor, em vez de Jeová. A ação de Judith em defesa de seu povo e de seu único e verdadeiro Deus era de grande atualidade. A luta contra a “heresia” por qualquer meio foi central para o pensamento católico durante a Contra-Reforma, com a autoridade do Papa fortalecida, a igreja em Roma centralizada, e os jesuítas, como defensores da fé, se propuseram a converter hereges, ou matá-los. O exemplo mais chocante de tal perseguição aos hereges foi o massacre de Bartolomeu de milhares de huguenotes nos dias 23 e 27 de agosto de 1572. Em 1600, Giordano Bruno foi queimado até a morte na fogueira.

Em sua representação de Judith, Caravaggio usou Fillide Melandroni, uma conhecida cortesã, como modelo. Ela foi imediatamente reconhecida pelo povo de Roma.

A matança por motivos religiosos toma o centro das atenções neste quadro. Os artistas renascentistas tinham se concentrado na beleza da forma humana e da natureza, não tanto no sofrimento humano. Durante a Contra-Reforma, o tormento e a violência tiveram um impacto considerável na arte, como tiveram na vida cotidiana. Caravaggio pintou o momento em que Holofernes é decapitado, sua cabeça apenas meia-série de seu corpo. Seus olhos se abriram com horror, sua boca gritando. As cabeças cortadas pregadas na Ponte S. Angelo sobre o Tibre, eram uma visão comum em Roma.

Judith é pintada com as melhores roupas de uma mulher do povo. Caravaggio também se afasta da tradição bíblica ao mostrar a empregada ao lado de sua amante. Esta é uma representação intensamente realista da mulher trabalhadora. Ele pintou diretamente da vida, mostrando as rugas no rosto e nas mãos trabalhadoras desta mulher. De fato, ela se mostra disposta a segurar seu avental com prontidão para receber e dispor a cabeça. Os contemporâneos de Caravaggio consideram tal retrato “natural demais”. A empregada realmente se destaca no quadro contrastando fortemente com a beleza mais idealizada de Judith, e até mesmo de Holofernes. Ela é escolhida e pintada como um terceiro ponto focal, a não perder.

Nesta pintura, Carravagio usa pela primeira vez o contraste luz/escuro, que se tornaria característica de sua obra: figuras, acentuadas pela luz artificial, destacando-se contra um fundo escuro. Nesta técnica, Caravaggio prefigura Rembrandt.

“São Mateus e o Anjo” (1602)

A pintura de Caravaggio 1602 foi originalmente destinada ao altar principal da Cappella Contarelli em San Luigi dei Francesi, em Roma. Trata-se de um quadro que existe em duas versões.

Neste primeiro quadro, São Mateus se senta em uma cadeira de tesoura, vestido com roupas curtas de artesão, deixando os braços e as pernas nuas. Suas pernas são cruzadas e seu pé esquerdo quase quebra o quadro, no ponto em que um padre segurava o anfitrião na missa. Para piorar a situação, Matthew está com os pés chatos e sujos sob as unhas dos pés. Ele parece ter dificuldade para escrever, suas mãos não estão habituadas a segurar a pena, enquanto ele espreita as páginas; até mesmo sua escrita parece muito grande. O anjo o ajuda a escrever o Evangelho.

O espectador olha para a cena de cima. Parece que Caravaggio deu a Mateus a semelhança de Sócrates, muitas vezes retratado como um homem humilde, que disse que a única verdadeira sabedoria está em saber que você não sabe nada. O clero rejeitou a interpretação de Caravaggio do santo como um camponês analfabeto e se opôs à relação íntima entre o apóstolo e o anjo que segurava sua mão. Ele teve que pintar um segundo quadro.

A segunda pintura de Caravaggio é menos realista. Mateus não está mais vestindo roupas de trabalho. Ao invés disso, ele está biblicamente vestido e torres acima do espectador. O anjo paira sobre ele, não há contato físico, e Mateus escreve por si mesmo.

“Morte da Virgem” (1604-1606)

Caravaggio se recusou, sempre que possível, a se curvar ao diktat da Contra-Reforma. Muitas de suas obras foram rejeitadas por causa de seu intenso realismo, sua representação de pessoas comuns e trabalhadoras em suas pinturas. Ele usou modelos da vida real para suas figuras religiosas, famosamente prostitutas romanas, como modelos para suas Madonas.  Uma das conhecidas cortesãs, Anna Bianchini, afogou-se, possivelmente assassinada, no Tibre, em 1604. Caravaggio tinha sido encarregado de pintar a Morte da Virgem e, segundo a lenda, ele usou o corpo inchado de Anna como modelo para a Maria morta.

A pintura causou um protesto, porque a identidade de Maria era tão clara. Seus pés descalços, seu vestido vermelho e o realismo da morte, tudo isso faz com que ela tenha uma aparência profana, imprópria para um quadro devocional da mãe de Cristo. Um biógrafo primitivo sugere que Caravaggio pintou o assassino no quadro: o jovem escuro e barbudo, olhando para longe da cena.

O senso de realismo de Caravaggio impediu a pintura de formas idealizadas. Como vimos, mesmo em suas pinturas religiosas, ele usou modelos da vida real entre as pessoas comuns. Para Caravaggio, estas eram as pessoas que importavam, que a vida era toda, no que diz respeito a Caravaggio.

Caravaggio trabalhava principalmente para o clero romano. Conseqüentemente, a maioria de suas obras tem temas religiosos, mas são profundamente humanistas. Este pintor rejeitou a maneira barroca altamente ornamental, vazia e muitas vezes triunfalista. Ele pintou a realidade cotidiana, as pessoas comuns que ele encontrou nas ruas de Roma, incluindo os mais necessitados – mendigos, prostitutas, criminosos. Mesmo suas pinturas religiosas estão sempre ligadas à violência e à privação que Caravaggio viu ao seu redor. Ele não estava disposto a olhar para o outro lado. Esta é a vida que encontramos nas telas de Caravaggio, este é o seu tempo do qual ele não podia escapar. A vida ao seu redor era uma dor total, e a insistência de Caravaggio no realismo destaca isto. E por esta razão ele não pode ser considerado como um pintor barroco. Os realistas dos séculos seguintes poderiam justificadamente se referir a ele.

Quando Caravaggio matou um homem em uma briga em 28 de maio de 1606, ele foi forçado a fugir de Roma e passou o resto de sua vida em fuga, passando o tempo em Nápoles, Malta, Messina, Palermo – deixando para trás obras-primas que influenciaram duradouramente a arte européia do século XVII. Ele morreu no exílio, logo após chegar em Porto Ercole, em 18 ou 19 de julho de 1610, com apenas 38 anos, e foi enterrado em uma sepultura sem marcas.

O Marco Temporal e o STF: 'A coragem de um tribunal constitucional se mede em tempos como hoje'

Do Professor de direito constitucional da USP, Conrado Hubner Mendes, na Folha:
O que a Constituição queria do STF era coragem

A democracia brasileira precisa de um marco temporal. Não a tese jurídica que estabeleceu dia certo para atribuir direito territorial de povos originários, tese estranha à Constituição de 1988 e aos debates constituintes.

Falta à democracia brasileira um marco temporal para o STF tomar decisões. Não só um prazo razoável, mas a certeza de que, anunciada a pauta, não promoverá adiamentos contados em números de meses ou anos, como de costume. O STF não pode dizer que aprecia segurança jurídica se não oferece nem isso e se acomoda ao "devo, não nego, julgo quando quiser".

Nesta quarta-feira (1º) a corte começou a julgar mais um de seus casos históricos. Terá a chance de orientar a promessa constitucional de demarcação de terras indígenas, que acumula 28 anos de atraso (Constituição pedia que se encerrasse em cinco anos).

O caso chegou ao STF em 2016 e questiona aplicação, a outras demarcações territoriais, de critério construído no caso Raposa Serra do Sol, de 2009. Pautado para 2020, foi adiado sem maiores explicações.

Agora, corre risco de novo adiamento em função das ameaças de um presidente que comete crimes comuns e de responsabilidade. Basta um pedido de vista, e o tribunal jogará o tema para um futuro incerto enquanto a violência aumenta no campo.

A Constituição pede ao STF muitas virtudes institucionais. Duas para começar: primeiro, a coragem de decidir; segundo, a coragem de decidir certo.

Precisa saber que sua demora tem custos altos. Em torno de 1 milhão de pessoas estão hoje enredadas em conflitos por terra, invasões de territórios e assassinatos (relatório “Conflitos no Campo Brasil – 2020”, da Comissão Pastoral da Terra). A incerteza jurídica e um Congresso que busca legislar a toque de caixa contra direitos indígenas e socioambientais gera expectativa de leniência à delinquência e incentivos para desmatamentos e invasões.

Adiar e "deixar para o Congresso", como se ouviu, trairia a missão de uma corte constitucional, cuja razão de existir é impedir que o legislador viole a Constituição. Essa divisão de funções está presente em quase todas as democracias do mundo. Não significa usurpar, esvaziar ou se sobrepor ao Congresso, apenas lhe fazer contrapeso e proteger a ordem constitucional.

Em outros tempos, quando não havia presidente apontando canhão para o tribunal e ameaçando fechá-lo, o STF repetia essa ideia com muito orgulho e altivez retórica. Tempos sem riscos. A coragem de um tribunal constitucional se mede em tempos como hoje.

O STF também precisa saber que a decisão errada, sucumbindo às pressões do agronegócio (que investiu alto na desinformação e na compra de pareceres jurídicos), perpetuará efeitos dramáticos, tanto nos outros processos sobre o tema que hoje tramitam na corte, quanto nos processos administrativos hoje parados no Executivo.

E a generalização da tese do marco temporal é errada por muitas razões.

Ignora a literalidade do artigo 231 da Constituição (e o critério de "terras tradicionalmente ocupadas"). Ignora também a própria jurisprudência do STF sobre direitos dos povos indígenas. Em sucessivos casos, o tribunal estabeleceu que a "tradicionalidade" está relacionada ao modo de ocupação da terra, não ao tempo. A data marcada para reconhecimento de terra indígena é exigência desprovida, ironicamente, de "tradicionalidade jurisprudencial". Arbitrária, portanto.

Afirmar que a decisão do caso Raposa Serra do Sol firmou um precedente que deveria ser seguido esconde muita coisa: primeiro, a jurisprudência anterior; segundo, que esse caso isolado deixava explícito que sua tese não se aplicava a quaisquer outros; terceiro, que mesmo precedentes sólidos, mesmo em tradições jurídicas que se apegam a precedentes, devem ser revogados quando o erro para a situação presente se tornar evidente.

Pedimos ao STF, além de coragem, a dignidade do bom argumento e inteligência jurídica. Que seja um agente do rigor analítico, não da desinformação e do teatro retórico. Que não invoque números ou previsões sem citar fonte respeitável. Que não use analogias baratas ("Copacabana terá que voltar aos índios") ou dados espúrios, porque o assunto é sério demais.

Fonte:  https://www.blogdomello.org

A morte e a morte de Dermi Azevedo, cujo filho foi torturado na ditadura com 1 ano e 8 meses, no país de Bolsonaro

 

Dermi Azevedo com a mulher, Darcy Andozia, e o filho Carlos
Publicado por 
Kiko Nogueira

O Brasil só terá paz quando acertar as contas com a ditadura e estabelecer um limite histórico para a barbárie. Sem isso, estaremos sujeitos a um Bolsonaro a cada quatro anos. 

O jurista Pedro Serrano trouxe uma história triste numa live de ontem no DCM sobre o marco temporal e os indígenas. Algo que não pode ser esquecido.

O jornalista e cientista político Dermi Azevedo, de 72 anos, morreu na manhã de quarta-feira (1) em São Paulo, vítima de infarto. 

Foi poupado, de certa maneira, do desmonte do Mal de Parkinson. Mas Dermi já havia morrido antes.

Ele foi preso pela primeira vez em 1968 com líderes estudantis do XXX Congresso da UNE. Exilou-se no Chile em 1970 e 1971, voltou ao Brasil e foi novamente detido em 1974.

Agentes do DOPS encontraram em sua casa o livro “Educação Moral e Cívica e Escalada Fascista no Brasil”, coordenado pela educadora Maria Nilde Mascellani.

Aí vem a excepcionalidade de seu caso em meio à coletânea de monstruosidades dessa era. 

Seu primogênito Carlos Alexandre Azevedo — o Cacá —apanhou. O bebê de apenas 1 ano e 8 meses havia ficado em casa com a babá quando os pais foram sequestrados pelos homens do psicopata Sérgio Paranhos Fleury. 

Recebeu um soco na boca por chorar de fome. Com os lábios sangrando, também foi ‘conduzido’ ao DOPS, onde tomou choques elétricos, segundo testemunhas.

Após quinze horas de sevícias, Cacá foi jogado ao chão ao ser entregue aos avós. “Tudo isso o marcou profundamente”, contava Dermi. 

O filho desenvolveu fobia social e suicidou-se em 2013, aos 40 anos, com uma overdose de medicamentos.

Dermi escreveu-lhe uma carta em 2014, que reproduzo abaixo. Não há dor que dê conta disso. Um país que aceita é um país condenado.

Longa vida a Demir e seu filho Cacá. Que seus algozes não descansem nunca.

CARTA AO MEU FILHO

Caro Carlos Alexandre Azevedo (Cacá)

Meu querido filho,

Bom dia!

Faz hoje exatamente um ano que você partiu para outra vida. Como aconteceu com muitas outras crianças, você foi uma das vítimas da cruel e sanguinária ditadura civil-militar de 1964. Com apenas um e ano oito meses, você foi submetido a torturas pela “equipe” do delegado Josecyr Cuoco, subordinado ao delegado Sérgio Paranhos Fleury, um dos mais violentos esbirros da história contemporânea.

Já no sofá da pequena casa em que morávamos no bairro de Campo Belo, na zona sul paulistana, os investigadores da repressão quebraram os seus dentinhos; mais tarde, você foi submetido a novos vexames na sede do DEOPS. Em seguida, na madrugada de 14 de janeiro de 1974, você foi levado a São Bernardo do Campo, onde moravam seus avós Carlos e Joana. Eles foram acordados com o barulho dos agentes que jogaram você no piso da sala…

Toda a sua vida foi marcada por esses acontecimentos. Quando você, anos mais tarde, tomou conhecimento do que viveu, você leu muito e estudou a história da repressão fascista. Em entrevista à repórter Solange Azevedo, da ISTO É, você sussurrou: “Minha família nunca conseguiu se recuperar totalmente dos abusos sofridos durante a ditadura… Muita gente ainda acha que não houve ditadura nem tortura no Brasil…”.

É isto mesmo, meu filho. Ainda há muita gente que não acredita que milhares de brasileiros e de brasileiras, de estrangeiros e de estrangeiras que viviam no Brasil, dedicados aos mais oprimidos e excluídos, tenham sido perseguidos e esmagados pela ditadura…”

Ainda há cidadãos, fardados ou não, no Brasil e na América Latina, que praticam e legitimam a tortura…

Definitivamente marcado pela dor…por sua dor e pelo sofrimento (inenarrável ) de sua mãe e de seus irmãos, você decidiu partir..

Cabe a mim, seu pai, a tarefa quase apenas de compartilhar a narração do seu calvário, de denunciar – como jornalista – os crimes da ditadura e de lutar para que dores e agonias, como as que você viveu, nunca mais aconteçam…

Do seu pai

Dermi Azevedo

Fonte: Diário do Centro do Mundo - DCM

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

PRESIDENTE DO CPC-RN, EDUARDO VASCONCELOS ESTARÁ EM NATAL COM AGENDAS PARA A SEEC-RN - IFRN - FJA

 

Imagem de Dandara - Simbolo de LUTA!

Próxima sexta - feira (3) o presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN, Eduardo Vasconcelos, estará em Natal com agenda cheia!

Primeiro irá a SEEC-RN, audiência com o Secretário Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer do Rio Grande do Norte, professor, GETÚLIO FERREIRA. cuja pauta será a entrega de documentos inerentes a demandas do Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN, em seguida irá a FJA - Fundação José Augusto de ambos os órgãos será a cultura e a solicitações do CPC-RN e por último a Secretaria Estadual de Saúde, cujo objetivo será uma parceria com a mesma para desencadear uma Campanha Educativa, cujo tema será "DE OLHO NO CONVID e o CUIDADO COM A AIDS!" - Uma iniciativa do Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN.

O CPC-RN se prepara para em dezembro, mês de seu aniversário de 12 ANOS! E a NOITE DAS HOMENAGENS!

Fortaleça a CULTURA, assim você estará fortalecendo as ações do CPC-RN!

Se ligue na GENTE! Programa "30 minutos com cultura!" - Todos os sábados a partir das 19 horas na Agreste FM - 107.5 - Nova Cruz-RN.

PRESIDENTE DO CPC-RN, EDUARDO VASCONCELOS ESTARÁ EM NATAL COM AGENDAS PARA A SEEC-RN - IFRN - FJA


Imagem de Dandara - Simbolo de LUTA!

Próxima sexta - feira (3) o presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN, Eduardo Vasconcelos, estará em Natal com agenda cheia!

Primeiro irá a SEEC-RN, audiência com o Secretário Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer do Rio Grande do Norte, professor, GETÚLIO FERREIRA. cuja pauta será a entrega de documentos inerentes a demandas do Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN, em seguida irá a FJA - Fundação José Augusto de ambos os órgãos será a cultura e a solicitações do CPC-RN e por último a Secretaria Estadual de Saúde, cujo objetivo será uma parceria com a mesma para desencadear uma Campanha Educativa, cujo tema será "DE OLHO NO CONVID e o CUIDADO COM A AIDS!" - Uma iniciativa do Centro Potiguar de Cultura - CPC-RN.

O CPC-RN se prepara para em dezembro, mês de seu aniversário de 12 ANOS! E a NOITE DAS HOMENAGENS!

Fortaleça a CULTURA, assim você estará fortalecendo as ações do CPC-RN!

Se ligue na GENTE! Programa "30 minutos com cultura!" - Todos os sábados a partir das 19 horas na Agreste FM - 107.5 - Nova Cruz-RN.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Folclore - Cultura Popular

 cultura popular brasileira

A cultura popular representa um conjunto de saberes determinados pela interação dos indivíduos. Ela reúne elementos e tradições culturais que estão associados à linguagem popular e oral.

Assim, a cultura popular inclui o folclore, o artesanato, as músicas, as danças, as festas, dentre outros.

O folclore, utilizado como sinônimo da cultura popular, é composto por um conjunto de lendas e mitos transmitidos entre gerações e representam a herança cultural e social de um povo.

Vale observar que o termo cultura é muito amplo e reúne comportamentos, símbolos e práticas sociais. Trata-se, portanto, de um conjunto de fatores que compõem uma sociedade, como por exemplo, saberes, crenças, costumes e tradições de determinado povo.

Destacam-se literatura, música, teatro, dança, culinária, religião, etc.

Cultura popular brasileira

cultura popular brasileira 
Festival Folclórico em Parintins, Amazonas, Brasil

A cultura popular brasileira reúne um conjunto de lendas, mitos e tradições do país, que estão calcados na história e na miscigenação de culturas, das quais se destacam: a portuguesa, a africana e a indígena.

Conheça exemplos de cultura popular que se destacam em cada área.

Literatura popular brasileira
Literatura de cordel Manifestação cultural literária tradicional, especialmente no interior nordestino. É caracterizada por pequenos livros com capas de xilogravura, pendurados em barbantes ou cordas.
Adivinhas

Perguntas que começam com "O que é, o que é ...?" e que, geralmente têm respostas engraçadas.

Provérbios e Ditados Frases curtas cujo principal objetivo social é aconselhar e advertir.
Parlendas Rimas infantis que divertem e trabalham a memorização e a fixação de alguns conceitos.
Lendas do folclore brasileiro Conjunto de histórias e contos narrados pelo povo e transmitidos de geração em geração.
Lendas do Sudeste Principais lendas da Região Sudeste do Brasil, como, por exemplo, a lenda do Curupira e a lenda da Mula sem cabeça.
Lendas da Região Norte Principais lendas da Região Norte, como, por exemplo, a lenda do Boto e a lenda da Vitória-régia.
Lendas da Região Sul Principais lendas da Região Sul, como, por exemplo, a lenda do Negrinho do Pastoreio e a lenda do Saci-pererê.
Lendas da Região Nordeste Principais lendas da Região Nordeste, como, por exemplo, a lenda do Barba ruiva e a lenda do Papa-figo.
Lendas da Região Centro-Oeste Principais lendas da Região Centro-Oeste, como, por exemplo, a lenda da Mãe-do-ouro e a lenda do Nego d'água.
Literatura de cordel
Livros de literatura de cordel
Música popular brasileira
Músicas folclóricas

Canções populares e tradicionais que fazem parte da sabedoria popular.

Cantigas de roda Músicas folclóricas cantadas em uma roda.
Canções de ninar Canções entoadas para fazer crianças e bebês dormirem.
Samba Dança e gênero musical, considerado um dos elementos mais representativos da cultura popular brasileira.
Música sertaneja Um dos estilos musicais mais populares do Brasil, onde originalmente predominava o som da viola.
Moda de viola Um dos principais tipos de música caipira brasileira, composto por solos de viola e discursos narrativos.
Bossa Nova Tipo de música popular brasileira que apresenta forte influência do samba carioca e do jazz norte-americano.
MPB - música popular brasileira Gênero musical brasileiro que que possui forte influência do folclore do Brasil, especialmente no que diz respeito às culturas indígena, africana e europeia.
cantiga de roda
As cantigas de roda também são conhecidas como cirandas
Danças populares brasileiras

Danças folclóricas

Danças tradicionais características de cada estado brasileiro, por vezes derivadas de rituais religiosos.
Frevo Dança folclórica tradicional no nordeste do Brasil, especialmente no Recife e em Olinda.
Quadrilha Dança caipira tradicional das festas juninas.
Maracatu Dança tradicional do estado de Pernambuco, que mistura as culturas africana, portuguesa e indígena.
Carimbó Dança tradicional do estado do Pará, que é marcada por movimentos giratórios.
frevo
Apresentação de grupo de frevo
Festas populares brasileiras
Carnaval Festa que acontece três dias antes da Quarta-feira de Cinzas, onde, em alguns estados, são habituais os bailes de máscaras, os desfiles de fantasias e/ou os trios elétricos.
Festas juninas Festas populares que ocorrem no mês de junho, onde são comuns as danças de quadrilhas e as comidas típicas como, por exemplo, canjica, arroz doce e bolo de milho.
Folia de reis Festa cultural de caráter religioso, cujo objetivo é comemorar a visita dos três Reis Magos.
Círio de Nazaré Festa religiosa celebrada no mês de outubro, em Belém do Pará, em devoção à Nossa Senhora de Nazaré.
Festa do Divino Festa religiosa celebrada no mês de maio em diversas partes do Brasil, para adorar o Espírito Santo.
Bumba meu boi Também chamado de Boi-bumbá, consiste em uma dança típica do Norte e do Nordeste, onde ocorre uma apresentação teatral na qual o boi é o personagem principal.
carnaval Rio
Desfile de carnaval no Rio de Janeiro

Cultura popular e cultura erudita

O termo “popular” faz oposição ao termo “erudito”. Na cultura popular, as tradições são realizadas pelo povo, que participa de forma orgânica e ativa, sendo, portanto, formadas de maneira espontânea.

Já a cultura erudita, considerada “superior”, é eleita como a mais “culta”. Ou seja, ela é produzida e apreciada por indivíduos que possuem maior poder aquisitivo (elite) e por isso, é mais restrita.

A cultura erudita, diferentemente da cultura popular (que se forma pela convivência das pessoas), é elitizada e demanda estudos.

Ela é associada aos museus, bibliotecas, teatros, centros culturais, apresentações de música erudita e de música clássica, como, por exemplo, as óperas.

Devemos lembrar que nenhuma cultura é superior à outra. Cada uma carrega suas heranças culturais e sociais, que se desenvolvem segundo diversos fatores que envolvem a diversidade cultural.

Cultura popular e cultura de massa

A cultura de massa, também chamada de “cultura pop” corresponde àquela realizada pela indústria cultural e veiculada nos meios de comunicação de massa.

Ambas estão associadas à sociedade contemporânea industrializada, ou seja, à produção industrial capitalista.

Nesse sentido, a arte e a cultura são produzidas de modo “artificial” para atrair as massas, e com o intuito principal de gerar lucro.

Assim, na cultura de massa os produtos culturais e artísticos são mercantilizados, diferentemente do que acontece na cultura popular, que surge da interação do povo e não é imposta pela indústria cultural.

Quiz do folclore

Não pare por aqui! O Toda Matéria selecionou uma série de textos caprichados para ajudar você a ampliar os seus conhecimentos.

Atualizado em
Daniela Diana
Escrito por Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.