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sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Brasil é elevado à categoria de Reino!

 

No dia 16 de Dezembro de 1815, o Príncipe D. João elevou o Brasil à categoria de Reino.

A Corte Portuguesa permaneceu no Brasil de 1808 a 1821.

A entrada das tropas napoleónicas em Portugal, a 27 de Novembro de 1807 levavam à saída do regente, D. João VI, sua mãe, a rainha D. Maria I, os seus familiares e cortesãos para o Brasil.

Eram cerca de 15 000 pessoas as que se acomodaram em 34 embarcações de diversos calados e mais uma para os mantimentos. Com o apoio da esquadra inglesa, os navios com a Corte portuguesa chegaram à Baía a 7 de Março de 1808.

Dois meses mais tarde, o governo instala-se na cidade do Rio de Janeiro, que, no começo do século XIX, tinha uma população de cerca de 60 000 habitantes, dos quais 40 000 eram negros.

Segundo testemunhos da época, a cidade impressionava pela sua beleza natural, mas a falta de infraestruturas urbanísticas básicas, como fossas sépticas, tornavam a vida no mínimo difícil.

O regente, a rainha e os seus familiares ficaram instalados na residência do Governador, na Quinta da Boa-Vista, que tinha sido erguida a meio do século XVIII pelo Conde de Bobadela.

No Convento do Carmo e na Cadeia Velha foram instalados os criados. Os demais cortesãos ficaram instalados nas melhores casas da cidade, requisitadas para o efeito.

Hostilidades entre os residentes e os recém-chegados

As hostilidades mais ou menos veladas estalaram de imediato entre os recém-chegados, entre os quais se contava a fina-flor da aristocracia portuguesa, e os residentes.

Os primeiros tinham deixado tudo para trás, excepto a roupa que vestiam na altura da fuga, mas cheios de pergaminhos desprezavam os portugueses residentes, como os senhores de engenho, os mercadores e profissionais liberais.

Os portugueses residentes no Brasil possuíam grandes fortunas feitas às custas da colónia, mas faltava-lhes os títulos e as distinções para adquirirem o prestígio social que tanto almejavam. Com a chegada do rei ao Brasil estavam decididos a comprar as mercês, comendas e títulos que as suas fortunas permitiam.

D. João VI não se fazia rogado a estas pretensões, pois a concessão de benesses a troco de dinheiro representava a principal fonte de rendimento para custear as avultadas despesas da família real e respectiva corte.

A vida social era pouco animada: os jantares, bailes ou reuniões eram raros em casa dos particulares, e o primeiro teatro do Rio de Janeiro só foi inaugurado em 1813, com o nome de Teatro São João.

O período mais faustoso decorreu entre os anos de 1817 a 1818, primeiro com a chegada da noiva do príncipe herdeiro D. Pedro, a princesa Leopoldina, filha do imperador austro-húngaro, e em maio de 1818, por ocasião do aniversário e coroação de D. João VI.

As melhorias no Brasil

A estadia da Corte no Brasil permitiu melhoramentos que iriam lançar as fundações do futuro país. Entre estes conta-se a criação da Imprensa Nacional, a Fábrica da Pólvora e o Banco do Brasil para financiar novas iniciativas.

Do ponto de vista político, as acções de maiores repercussões para o Brasil, são a anexação da Guiana Francesa, devolvida à França em 1817, e o território da margem oriental do Rio Uruguai, que passou a ser a província Cisplatina.

O fim deste conflito só foi alcançado a 27 de Agosto de 1828, pelo Tratado do Rio de Janeiro assinado entre o Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata. Deste acordo resultou o nascimento da República Oriental do Uruguai.

A elevação do Brasil à categoria de reino foi outra das consequências da permanência da corte em terras brasileiras. Para que Portugal tivesse uma representação nas negociações do Congresso de Viena, realizado na sequência do fim do domínio napoleónico na Europa, o Brasil foi elevado à condição de reino com a designação de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, a 16 de Dezembro de 1815.

Reorganização político-jurídico do Brasil

A estadia de D. João VI no Rio de Janeiro permitiu a reorganização político-jurídica do país mas contribuiu também para uma convivência mais positiva entre a nobreza migrada e as elites da terra. Estes dois grupos viriam a alicerçar a sociedade do Brasil imperial.

A 16 de Abril de 1821, D. João VI embarca para Portugal na sequência dos desenvolvimentos das lutas liberais. O seu filho, D. Pedro de Alcântara, fica como príncipe-regente. Estava aberto o caminho para a separação do Brasil de Portugal.

Em Janeiro de 1822, D. Pedro declara ficar no Brasil e não regressar a Portugal

Fonte: Corte Portuguesa no Brasil. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. (texto editado)

Imagem de destaque: Aclamação do Rei D. João VI do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, no Rio de Janeiro – Jean Baptiste Debret

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

Tesouro perdido seduziu até Machado de Assis

O Morro do Castelo foi um acidente geográfico que existiu na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. O morro foi um dos pontos de fundação da cidade no século XVI e abrigou marcos históricos de grande importância, como fortalezas coloniais e os edifícios dos jesuítas. 

Brasil ficou pequeno demais para o marquês de Pombal e a Companhia de Jesus no século 18. O novo ministro português não admitia o poder e a riqueza que os padres jesuítas possuíam na colônia. Ordenou então que os religiosos fossem enclausurados no alto do Morro do Castelo, onde ficava a sede da Companhia de Jesus no Rio de Janeiro, e tratou de mandá-los de volta à Europa. Era o ponto de partida de uma incessante caça ao
tesouro.

Ao expulsar os padres, em 14 de março de 1760, o vice-rei conde de Bobadela apreendeu toda a sua fortuna. Não satisfeito, revirou todo o complexo jesuítico. Justificou ao rei dom José 1°: “É certo que, sabendo os padres que em mais ou menos tempo havia de chegar a tormenta, puseram o seu tesouro em salvamento”. Bobadela encontrou muito ouro escondido em vãos de parede, atrás de altares, entre janelas, debaixo do chão. Mesmo assim, ficou a crença de que havia mais, muito mais, em algum lugar do morro.

Desde então, governantes, populares, homens das letras, engenheiros e gente de toda a sorte passaram a revirar antigos mapas e manuscritos em busca de pistas sobre o tesouro perdido. Lenda ou não, a crença de que havia baús enterrados perdurou por séculos. Machado de Assis escreveu: “As grandes riquezas deixadas no Castelo pelos jesuítas foram uma das minhas crenças da meninice e da mocidade… Perdi saúde, ilusões, amigos e até dinheiro; mas a crença nos tesouros do Castelo não a perdi”. O morro foi derrubado em 1920. Galerias subterrâneas foram descobertas, mas nunca se achou baú algum.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Wellington Duarte, diretor do ADURN-Sindicato recebe nesta sexta-feira (16), a Comenda Mery Medeiros


 Foto: Ascom - Adurn

O diretor do ADURN-Sindicato, Wellington Duarte, receberá na próxima sexta-feira, dia 16 de dezembro, a Comenda Mery Medeiros para Defensores e Defensoras de Direitos Humanos, concedida pela Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (SEMJIDH). A solenidade de entrega da comenda será realizada durante o Seminário em alusão aos 25 anos do Conselho Estadual dos Direitos Humanos e Cidadania (Coedhuci), que acontece a partir das 9h30, no auditório do SINE RN.

Além de integrar a diretoria do ADURN-Sindicato, Duarte é professor do Departamento de Economia do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), especialista em Economia Regional e Desenvolvimento Econômico, mestre e doutor em Ciências Sociais, pela mesma universidade. Filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), nos últimos anos tem desenvolvido importantes trabalhos na área de comunicação política, por isso, recebe a homenagem na categoria Comunicação em Direitos Humanos.

Comenda Mery Medeiros

Criada em 2021, a Comenda Mery Medeiros homenageia personalidades e instituições com destaque na defesa dos direitos humanos, em áreas como a do direito à memória e à verdade, educação, garantia dos direitos da população LGBTI+, da criança e do adolescente, da pessoa idosa ou com deficiência, da autonomia das mulheres e pessoas em situação de rua, prevenção e combate à tortura, segurança pública, garantia dos direitos à saúde, no campo e sociais.

A homenagem carrega o nome do escritor, militante comunista, ex-dirigente sindical e defensor da Democracia e dos Direitos Humanos: Mery Medeiros da Silva. O ativista faleceu aos 77 anos, em julho de 2020.

Veja abaixo a programação do evento:

9h30 – Mesa de Abertura

10h – Fala do Vice-Governador (representando a Governadora Profa.Fátima Bezerra), fala da Secretária da SEMJIDH, e fala do Presidente do COEDHUCI RN

10h30 – Palestra " A importância dos Órgãos Colegiados para a Promoção e Defesa dos Direitos Humanos" – Prof.Dr. Daniel Pessoa ( ex-presidente do COEDHUCI)

Fonte: Ascom - ADURN

CARTA ABERTA À MARGARETH MENEZES E AO FUTURO DA CULTURA BRASILEIRA

Neste momento histórico, queremos saudar e celebrar o anúncio do nome de Margareth Menezes para esta missão, de enorme responsabilidade, que é a reconstrução do Ministério da Cultura do Brasil.

Pedimos a benção aos mais velhos e aos mais novos. Saudamos a sua ancestralidade, seus cantos e encantos, batuques e axés. Que os Odus que escrevem seu destino conduzam ao melhor propósito, guiando os caminhos da futura Ministra nessa jornada pela Cultura de nosso país e de nosso povo.

Que as muitas vozes do Brasil falem pelo seu tom grave e potente. Que ao lado de Lula, uma Ministra da Cultura, mulher, negra, artista, nordestina, seja a expressão de um governo que coloque a cultura na centralidade de um projeto de país.

A criação do Ministério da Cultura, em 1985,  foi  fruto do processo de abertura democrática. Cultura e Democracia são indissociáveis. A retomada do MinC se dará no contexto de uma nova redemocratização do país, após anos de ataques deliberados e desmonte das instituições culturais.

Nos últimos anos, em meio à pandemia e ao pandemônio, o setor cultural brasileiro foi capaz de empreender uma grande mobilização nacional que permitiu a aprovação das Leis Aldir Blanc, Paulo Gustavo e Aldir Blanc 2.

Vitórias públicas em um contexto improvável, que revelam força, resiliência e capacidade de articulação. O Congresso Nacional teve um papel fundamental para garantir tais  conquistas.

A nova Ministra poderá se apoiar nestas forças, e ao fazer isso contará com uma massa de fazedores e fazedoras de cultura de todo o país, neste mutirão de reconstrução.

Executar e implementar as Leis Aldir Blanc 2 e Paulo Gustavo significará uma revolução do fomento à cultura no Brasil. Pela primeira vez, o Sistema Nacional de Cultura contará com orçamento necessário para garantia dos direitos culturais previstos na Constituição Federal.

Caberá revisitar o “Do-in antropológico”, metáfora genial do ex-Ministro Gilberto Gil,  “massageando pontos vitais, mas momentaneamente desprezados ou adormecidos, do corpo cultural do país” – mais Pontos de Cultura em todo o Brasil, com os recursos das novas Leis da Cultura.

Será necessário ir além, pensando em políticas culturais para o Brasil do Futuro, para recuperar o tecido social brasileiro e promover o reencontro do Brasil consigo mesmo.

Conte com a força da cultura brasileira nesta caminhada. Boa sorte, Ministra Margareth Menezes!

Você sabia que Pixinguinha foi barrado em hotel e lamentou em choro?

Um choro de Pixinguinha guardou certo fato que retrata bem a época em que o músico pioneiro viveu. 

Está certo que a letra colocada em Lamento por Vinicius de Moraes, bem mais tarde, caracterizou a canção como um tema de amor. Mas, segundo o flautista Altamiro Carrilho, amigo de Pixinguinha, a melodia tem sentido mais profundo sobre a sociedade.

 “Racismo, naquela época, não era proibido por lei”, ressalta o jornalista Sergio Cabral a respeito dos anos 1920, na biografia sobre Pixinguinha. 

Quando o grupo Os Oito Batutas, do chorão, Donga e outros músicos (metade deles negros), excursionou em Paris com seus maxixes e modinhas, um cronista do Diário de Pernambuco, por exemplo, afirmava não entender como se permitia que fosse mostrado na Europa “um Brasil pernóstico, negroide e ridículo”. 

 Na volta da excursão, no entanto, o País já reconhecia o grupo ovacionado em Paris. Com prestígio, os Batutas foram convidados pelo jornalista Assis Chateubriand a se apresentar num hotel carioca. Só que, chegando lá, parte do grupo não pôde passar do tapete de entrada. 

O porteiro orientava que negros entrassem pelos fundos. Pixinguinha fitava o funcionário: “Lamento, mas sei que está cumprindo ordens”. Donga não admitia a situação, sem parar de reclamar. O companheiro só repetia: “Lamento, mas está tudo bem, não podemos fazer nada”. Até que Donga teve a ideia: “Pixinguinha, você fala tanto essa palavra que devia fazer uma música com esse título”. Daí o clima tristonho do choro Lamento, de 1928. Altamiro afirmava, quando o interpretava na flauta: “Toco com arranjo bem para baixo, de propósito” 
 

Oito Batutas foi um conjunto musical brasileiro criado em 1919 no Rio de Janeiro e formado por Pixinguinha na flauta, Donga e Raul Palmieri no violão, Nelson Alves no cavaquinho, China no canto, violão e piano, José Alves no bandolim e ganzá e Luis de Oliveira na bandola e reco-reco. WhatsAppFacebookLinkedInTwitterEmailCompartilhar 
 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

[Quinta-feira 20h] Super Especial de Final de Ano “Vida e Resgate da Esperança” - Leonardo Boff, Pe. Júlio Lancellotti e Edu Moreira

 

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Nesta quinta-feira (15/dez) às 20h (horário de Brasília), Leonardo Boff, Padre Júlio Lancellotti, Eduardo Moreira e outras figuras notáveis estarão reunidas para um evento histórico:

“Vida e Resgate da Esperança”

Será um Super Especial de Final de Ano onde compartilharemos mensagens e ensinamentos sobre a esperança para começarmos 2023 com força e entusiasmo.

Para participar, basta clicar no link abaixo e sua inscrição estará automaticamente garantida!

 CLIQUE AQUI

Na página de confirmação da sua inscrição, você poderá participar do nosso Programa de Indicações, para que você possa nos ajudar a alcançar um maior número de pessoas que poderão participar deste encontro essencial.

Esteja presente e compartilhe seu link exclusivo de divulgação com seus amigos e familiares, não haverá replay!

Um abraço.
Equipe Instituto Conhecimento Liberta

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Inscrições para o concurso público da Receita Federal começam hoje

 Foto: Reprodução/internet

A Receita Federal abre nesta segunda-feira (12) as inscrições do concurso público para o total de 669 vagas de nível superior.

São 230 vagas para auditor-fiscal e 469 para analista-tributário. O salário para analista é de R$ 11.684,39. Para auditor, é de R$ 21.029,09.

Os dois cargos exigem diploma de conclusão de curso superior, em nível de graduação, em qualquer área.

Do total de vagas, 5% são destinadas a pessoas com deficiência (36) e 20% para negros (140).

De acordo com o edital, as vagas serão distribuídas nas unidades do órgão, conforme disponibilidade em quadro de lotações a ser expedido pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil.

Inscrições

As inscrições devem ser feitas das 16h de 12 de dezembro até as 16h de 19 de janeiro de 2023 pelo site https://conhecimento.fgv.br/concursos/rfb22. O valor da taxa de inscrição é de R$ 210 para o cargo de Auditor-Fiscal e R$ 115 para o cargo de Analista-Tributário. O pagamento da taxa de inscrição deve ser feito até 20 de janeiro de 2023.

Haverá isenção da taxa de inscrição para os candidatos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico) e aos amparados pela Lei nº 13.656/2018, que garante isenção ao doador de medula. As isenções poderão ser solicitadas no período de 12 a 19 de dezembro.

Provas

O concurso será realizado em duas etapas. A 1ª etapa terá prova objetiva (múltipla escolha), prova discursiva e pesquisa de vida pregressa. A 2ª etapa terá Curso de Formação Profissional.

A 1ª etapa será realizada em todas as capitais do país, com exceção da pesquisa de vida pregressa, que será realizada online.

O Curso de Formação será realizado na modalidade online, com provas realizadas presencialmente em até 5 polos: Brasília, Manaus, Recife, São Paulo e Curitiba. Haverá uma semana de integração presencial dos candidatos.

A prova objetiva e a prova discursiva serão realizadas em todas as capitais do país, em 19 de março de 2023.

As provas serão aplicadas em dois turnos - no turno da manhã será a prova objetiva de conhecimentos básicos, e no turno da tarde será a prova objetiva de conhecimentos específicos e a prova discursiva.

O turno da manhã será das 8h às 12h30, e o turno da tarde será das 15h às 19h30 (horário de Brasília). Os locais para realização das provas serão divulgados no endereço eletrônico https://conhecimento.fgv.br/concursos/rfb22, a partir do dia 13 de março de 2023.

Os candidatos deverão escolher um dos cargos para concorrer porque as provas serão no mesmo dia e horário para ambas as funções.

Na prova discursiva, para auditor, serão duas questões, valendo 30 pontos cada, baseadas no conteúdo programático de conhecimentos específicos questões discursivas. Para analista, será uma questão discursiva, também valendo 30 pontos, baseada no conteúdo programático de conhecimentos específicos.

Somente serão corrigidas as provas discursivas dos candidatos que forem aprovados e classificados na prova objetiva no quantitativo de 3 vezes o número de vagas para cada cargo (690 para auditor e 1.407 para analista).

Serão convocados para a realização da Pesquisa de Vida Pregressa os candidatos aprovados na Prova Discursiva. Essa etapa eliminatória tem o objetivo de examinar o perfil social do candidato sobre a vida pregressa e atual, no âmbito social, funcional, civil e criminal e a eventual existência de incompatibilidade para o exercício das funções.

O candidato aprovado em todas essas fases fará então o curso de formação.

O prazo de validade do concurso é de 2 anos, contados da data da publicação da homologação do resultado final do concurso no Diário Oficial da União, podendo ser prorrogado, uma única vez, por igual período. Assim, nesse período da validade, a Receita poderá chamar os aprovados do concurso.

Fonte: g1

Com Potiguar Notícias

Margareth Menezes no ministério representa aceno a grupos que elegeram Lula

 

A escolha da baiana Margareth Menezes, 60, para o Ministério da Cultura, se confirmada, será um dos grandes acertos do novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vai começar em 1º de janeiro de 2023 seu terceiro mandato na presidência do Brasil. Do ponto de vista simbólico, é um primeiro aceno de que essa nova gestão garantirá espaço no primeiro escalão para mulheres e pessoas negras, uma exigência feita ao longo da campanha por diversos movimentos sociais. Até agora só foram anunciados cinco ministros, todos homens e quase todos brancos.


Fonte: Portal BRASIL CULTURA

José de Alencar - O Dia de Hoje na História – 12 de Dezembro

O Dia de Hoje na História – 12 de Dezembro

No dia 12 de dezembro de 1877 morria, no Rio de Janeiro, o jornalista, político, advogado, cronista, romancista e dramaturgo José Martiniano de Alencar. Nascido em Fortaleza, no dia 1º. de maio de 1829, ele se formou em Direito e deu os seus primeiros passos na literatura nos jornais Correio Mercantil e Diário do Rio de Janeiro. José de Alencar consolidou o romance brasileiro, ao escrever movido por sentimento de missão patriótica. O regionalismo presente em suas obras, abriu caminho para outros sertanistas, preocupados em mostrar o Brasil rural. Ele foi um dos maiores representantes da corrente literária indianista. Destacou-se na carreira literária com a publicação do romance “O Guarani”, em forma de folhetim, no Diário do Rio de Janeiro, onde alcançou enorme sucesso. Seu romance “O Guarani” serviu de inspiração ao músico Carlos Gomes, que compôs a ópera O Guarani. Foi escolhido por Machado de Assis, para patrono da Cadeira nº 23, da Academia Brasileira de Letras.

Obras de José de Alencar

Cinco Minutos, romance, 1856;
Cartas Sobre a Confederação dos Tamoios, crítica, 1856;
O Guarani, romance, 1857;
Verso e Reverso, teatro, 1857;
A Viuvinha, romance, 1860;
Lucíola, romance, 1862;
As Minas de Prata, romance, 1862-1864-1865;
Diva, romance, 1864;
Iracema, romance, 1865;
Cartas de Erasmo, crítica, 1865;
O Juízo de Deus, crítica, 1867;
O Gaúcho, romance, 1870;
A Pata da Gazela, romance, 1870;
O Tronco do Ipê, romance, 1871;
Sonhos d’Ouro, romance, 1872;
Til, romance, 1872;
Alfarrábios, romance, 1873;
A Guerra dos Mascate, romance, 1873-1874;
Ao Correr da Pena, crônica, 1874;
Senhora, romance, 1875;

O Sertanejo, romance, 1875. 

Touché, Aramis! – artigo de Cláudio Ribeiro

 
A tarde de sábado se deitava nos meus olhos quando recebo o telefonema da minha amiga Selma. Ela, de alguma maneira, sacode minha preguiça espantando o friozinho (bem típico curitibano) destas brisas de novembro que escorre lentamente com a fuga da hora entregando a noite primaveril.

Como borboletas que fazem cócegas em meu nariz, Selma Lança um desafio: castiga a brisa do tempo trazendo o embriagador perfume de jasmim fazendo por um instante eu ter saudade de mim.

– Preciso de um texto seu sobre Aramis Millarch!

A palavra exata é aquela que se cerca de todo sentimento: saudade.

Aramis não viveu uma vida única, mas diversas vidas. Porque,  aqui e ali, foi acumulando e ampliando sua experiência  pessoal, acrescida da experiência de cada um de seus semelhantes, principalmente dos amigos e pessoas que admirou e amou..

Ele poderia ser considerado um desses jornalistas estranhos do mundo da cultura. Referencial para a nascente fase do jornalismo cultural, sua obra é moderna e fora dos padrões de sua época, sendo fonte inesgotável do jornalismo cultural brasileiro.

Cultura é um conceito extremamente amplo e complexo. Porém, se aplicado a dimensões particulares dos fazeres, dos hábitos e do comportamento humano, pode tornar-se relativamente simples, muito embora essa simplicidade possa não vir a ser compreendida com facilidade.

Aramis lia e escrevia sobre tudo principalmente suas grandes paixões: música e cinema. Movido por verdadeira obsessão pela informação dos fazeres artísticos daqui e do mundo, ele ia colocando aqui e ali seu farto material. Livros, discos, revistas, cartas, recortes de jornais e fitas. Muitas fitas de gravador.

Em 1975, garoto ainda, tinha eu 22 anos, atendendo ao seu convite fui procura-lo no DNER. Escondido por trás de sua velha Remington de ferro e uma pilha formidável de papéis encontrei o passarinho sonhador. Por alguns instantes parou de batucar com seus dedos redondos e curtos cuja agilidade causou-me espanto e, mais perplexo ainda fiquei quando ao estender a mão para o devido cumprimento, recebo, em troca, uma naco do pão com mortadela que comia.

Ficamos amigos.

E eu, admirador de uma figura fabulosa, extremamente amorosa, que sabia como ninguém costurar os fatos e conhecer os desdobramentos, tecendo um mosaico em seu espaço diário no jornal, utilizando sua linguagem tanto na intenção objetiva de informação, como na intenção poética. Em curto espaço, tal como poeta, Aramis conseguia esculpir um resumo de sua visão da arte e do mundo e transmiti-las aos leitores da cidade que amava. Como anfitrião mor de Curitiba, não havia um único nome da cultura brasileira, de qualquer manifestação, seja cinema, música, teatro ou literatura que Aramis não se transformasse em cicerone.

O dia era muito curto para ele. Levando a vida de boêmio, acordava lá pelas 10 horas, fazia algumas ligações e ia para o estúdio que fora construído a toque de caixa pela absoluta falta de espaço em sua casa (que o  digam Marilene e Francisco) para acomodar o imenso  material: discos, fitas, filmes, depoimentos, recortes de jornais, fotografias, cartazes, revistas. Possuidor de uma capacidade formidável  de produção, Aramis ficava trabalhando até por volta das duas ou três horas da manhã. E lá, na Rua 24 de Maio, em 1980, nasceu o Estúdio Vinícius de Moraes.

Constantemente convidado para fazer parte como jurado em festivais de música por todo o Brasil, consolidava seu prestígio por todos os cantos. Vez ou outra, quando havia algum impedimento para sua presença em alguns desses eventos, Aramis gentilmente fazia-me o convite para representa-lo, o que na certa era uma honraria danada.

Entre 76 e 86 andávamos juntos, quase que diariamente. Não era raro, ao terminar o programa Cidade de Olhos Abertos que eu produzia e apresentava na Rádio Cidade, já de madrugada, lá estava o Aramis pronto para arrastar-me ao Bar Palácio, ponto de papo, estórias e porres com este verdadeiro dono das ruas e das noites de Curitiba. Vamos muitas noite, em companhia de muitos de seus amigos que aqui vinham: meus parceiros – Cartola e Claudionor Cruz; J.C. Botezelli (Pelão), Carlos Lira, Sebastião Tapajós, Vinicius de Moraes, Toquinho, Elizete Cardoso, Carmem Costa, Elis Regina, Ricardo Cravo Albin. Aramis feito passarinho batia suas asas  bar em bar em Curitiba, cidade que já viveu noites sem fim.

O polaco Paulo Leminski dizia que o Rio era o Mar e Curitiba, o bar.

Muita música já rolou nas noites e nos bares de Curitiba. Desde o início do século passado se tem notícias de sons que flutuam no ar, invadindo as madrugadas frias de nossa capital. Pedacinhos dessa história, Aramis registrou em sua coluna diária.

À maneira de Aramis posso perguntar: você já imaginou que já passou por aqui Noel de Medeiros Rosa, o grande poeta da Vila Isabel? É possível, por que não, que ele tenha até se apaixonado por uma das meninas da difícil vida fácil da Curitiba dos tempos do bonde, muito antes da “Eddy” e da “Maria Guilhermina”, do Quatro Bicos, Curitiba lá pela década de trinta, a caminho ou no  regresso de Porto Alegre.

Francisco Alves, o grande Rei da Voz, Orlando Silva, o Canto das Multidões, as irmãs Batista, Carlos Galhardo, Ataulfo Alves e tantos outros.

Como sempre acontece, depois das apresentações, músicos se misturam, se cruzam, se unem para reverenciar a divina e amada música numa mesa de bar!

Passou por aqui, em 1921, abril daquele ano, um desconhecido “Zé Vicente”, pseudônimo de sabor sertanejo do grande e insuperável Alfredo da Rocha Vianna Filho, São Pixinguinha. Desde os tempos do Grupo Caxangá havia o hábito de mudar os nomes dos músicos. O famoso conjunto Oito Batutas, com estes apelidos se exibiu no Teatro Variedade e no Cinema Mignon, aliás como indica a nota publicada no Diário da Tarde, edição de abril de 1921.

Alguns juram que, depois das apresentações, músicas que acabariam entrando na história musical brasileira como Pixinguinha (flauta), Otávio Viana, irmão de Pixinguinha (violão e voz), João Pernambuco, o grande compositor (violão e voz), Donga, o do Pelo Telefone (violão), Nelson Alves (cavaquinho), Jacob Palmieri (pandeiro), João Thomas (reco-reco) e José Medeiros (ganzá), componentes do Grupo Oito Batutas, saíam pelas noites de Curitiba.

Visitas lá pelo Burro Bravo no Bacacheri e depois as esticadas musicais etilicamente aquecidas. Era o Bar da Curitiba sem Mar!

Eu confesso! Tenho saudade do Aramis e com ele dos tempos do Cirandeiro, da Velha Adega do amigo Tatára, Bebedouro, no Largo da Ordem, Si Bemol. Ainda frequentamos  o Hermes para ouvir a canja de artistas  talentosos, o Nilo Samba Choro e aquela pá de cobras criadas, Kapelli de quem sou cavaleiro, da minha amiga Mara, o saudoso Bar do Cardoso, poetinha maior.

Falando em passarinho, estou na janela de minha casa contemplando a tarde de sol tímido, depois de dias de chuva. Chuva sem parar. Penso que São Pedro abriu todas as torneiras lá do céu e dê-lhe chuva. Como tenho a sorte de morar em uma chácara, sou rodeado de árvores das mais variadas espécies e cores. Ipês, Marmelos, Canelas, Jabuticabeiras, Pinheiros, Ameixeiras. Umas tantas que em verdade não sei que nome terão e,  como a paisagem é bela, tratei de nominar as árvores com nomes da Música Popular Brasileira, assim como fez Aramis em seu Estúdio. Galeria Hermínio Bello de Carvalho (meu amigo e um dos maiores letristas do Brasil e que de início não aceitou o convite de Aramis para participar da recém-criada Associação Brasileira de Críticos e Pesquisadores da Música Brasileira) , Portal Dina Sfat, Rua Elton Medeiro, e outros tantos logradouros.

O espadachim Aramis Millarch que não era gordo, e sim a soma de Dartagnan, Athos e Prothos, ffez isto: nos trouxe, em forma de mosaico a paisagem da cultura brasileira. Mais do que percorrer estas paisagens como passarinho entre árvores, teve a capacidade de se misturar a elas, de absorver seu cheiro e suas cores, ele mesmo com o tempo tornou-se um mosaico, reunindo, em sua obra de jornalista cultural, o traço histórico da sensibilidade e criatividade brasileira.

E, ao atender o pedido da professora e amiga Selma, escrevo pensando nos novos sonhadores colegas jornalistas ligado a ao mundo da cultura, tal como o mosqueteiro Aramis, que com carinho e cuidado, foi ajuntando e divulgando o talento de artistas tantos, que eles somem seu brilho ao brilho de tantos agentes culturais; que eles sejam capazes de fazer da arte e da cultura uma linguagem de beleza, de magia, e de encantamento para todos nós, como fazia Aramis Millarch.

Touché!

Cláudio Ribeiro

Jornalista – Compositor – Editor-chefe do Portal Brasil Cultura, Rádio Sol Maior e do Programa Almoço à Brasileira da Rádio Cidade de Curitiba.

TEIXEIRA, Selma Suely (org. Jornalismo Cultural: um resgate. v.1. Curitiba: Gramopfone, 2007.

Fonte: Portal BRASIL CULTURA