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quinta-feira, 1 de julho de 2021

#CaminhosdeNatal: Rua Passo da Pátria, do porto e da feira

 

A primeira referência feita à atual Rua Passo da Pátria, data de 23 de setembro de 1772, quando o Senado da Câmara do Natal concedeu terras naquele logradouro público, a Jerônimo Gomes de Freitas e a Sebastião da Natividade.

Em 1780, já existia um porto no Potengi, cujo acesso era representado pelo atual Passo da Pátria. Segundo consta do registro de uma data concedida a Maria das Neves, naquele ano já existia a “estrada que sobe do porto, buscando a Igreja de Santo Antônio”.

O Porto do Oitizeiro, como era ele então conhecido, foi construído à margem direita do Potengi, sendo um local de atracação de barcos, nas marés cheias. À sua direita, ficava um grande galpão de alvenaria e à esquerda, algumas bodegas. Atrás, a linha da estrada de ferro. Formava, assim um quadrado, ocupado no centro por uma grande feira.

O porto vivia em função da feira, que funcionava diariamente, comercializando madeira, lenha, tijolos, telhas, etc. Os materiais eram descarregados no Porto do Passo da Pátria, vindos de Macaíba, São Gonçalo e do outro lado. As bodegas situadas no entorno do porto, vendiam pão e bolacha, farinha, peixe seco, rapadura e cachaça, querosene, chumbo, pólvora e espoleta.

A ladeira, hoje representada pelo Passo da Pátria e que conduzia ao porto, era estreita, fechada de matos, apresentando um forte declive. Era calçada de pedras soltas. Em 1856, Manuel Bofe, um vendedor de paneladas, morador nas cercanias, começou a abrir o caminho. Com a ajuda financeira de Antônio Bernardo de Passos, presidente da província, Manuel Bofe desbastou o matagal, alargou e atenuou mais a declividade da ladeira.

Em 1865, o Presidente Olinto Meira contratou por 3:399$000 (três contos, trezentos e noventa e nove mil réis), o calçamento da subida do Porto. Em 28 de setembro de 1866, o Diretor das Obras Públicas da Província, engenheiro Ernesto Augusto Amorim do Vale, em seu relatório ao então Presidente Luís Barbosa da Silva, sucessor de Olinto Meira, informava: “A falta de uma ladeira que se prestasse ao fácil trânsito entre a Cidade e o Porto do Rio Salgado era reclamado instantemente pelos habitantes desta Cidade. Foi em virtude disto que o antecessor de V. Exa. ordenou-me que organizasse um orçamento para proceder-se ao calçamento da ladeira que passa pelo oitão do Hospital da Caridade, a qual recebeu o nome de Passo da Pátria’’.

Observa-se que, em 1866, a ladeira já possuía a atual denominação. O topônimo foi sugerido pelo Presidente Olinto Meira, relembrando a vitória do General Osório, em 16 de abril de 1866, na Batalha do Passo da Pátria, travada entre brasileiros e paraguaios. Passo da Pátria denominava a cidade paraguaia, onde ocorreu a batalha.

Em 1877, a descida do Passo da Pátria sofreu melhoramentos, tendo sido inclusive construído um telheiro à margem do rio, para abrigo dos passageiros que pretendiam atravessar o Potengi. Em 1878, foram construídas sarjetas, e reforçados os degraus da escada de acesso ao rio.

A feira do Passo da Pátria

A partir do 3° quartel do século XX, iniciou-se o funcionamento de uma feira semanal no Passo da Pátria, cujos tabuleiros eram instalados aos sábados. A feira funcionava à noite, e o local era iluminado por lamparinas, pois não havia iluminação pública em Natal.

A feira, muito frequentada, recebia gente de toda a Cidade. Seus artigos eram variados: objetos de barro, esteiras, balaios, cestas, bonecas de pano – as conhecidas bruxas do Passo – frutas, carne-de-sol, peças de corda, além de grande variedade de guloseimas, como: pé-de-moleque, doce seco, alfenim, grude, sequilho, cocada, tapioca, milho assado, garapa de cana, castanhas e farinha de milho.

As compras eram efetuadas até às 8:00 horas da noite. A partir desse horário, o Passo da Pátria tornava–se ao mesmo tempo, perigoso e sedutor, sendo frequentado basicamente por prostitutas, semi-ébrios, marinheiros e embarcadiços.

A feira sobreviveu até a década de 30, animando e movimentando a rua Passo da Pátria. Atualmente, a rua é um logradouro tranquilo, muito distante da época da feira e dos animados bailes baratos, que constituíam o sonho inatingível dos meninos de outrora.


ILUSTRAÇÃO: Mônica Rosário Alves

Fonte:https://papocultura.com.br

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