Postagem em destaque

FIQUEM LIGADOS! TODOS OS SÁBADOS NA RÁDIO AGRESTE FM - NOVA CRUZ-RN - 107.5 - DAS 19 HORAS ÁS 19 E 30: PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA" - PROMOÇÃO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN

Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

sábado, 10 de junho de 2017

SEMADEC Publicado edital para escolha de logotipo da III Semadec

Publicado edital para escolha de logotipo da III Semadec
 Inscrições podem ser feitas de 12 de junho a 7 de julho.
O Diretor-geral em exercício do Campus Nova Cruz torna público o Edital nº 27/2017-DG/NC/IFRN para seleção de logotipo da III Semana de Arte, Desporto e Cultura (SEMADEC).
As inscrições podem ser realizadas de 12 de junho a 7 de julho a partir do envio da arte e formulário de inscrição para o e-mail cocosev.nc@ifrn.edu.br.
Haverá premiação de certificado, kit de livros e menção honrosa durante o evento.
Confira o edital aqui.
Fonte: IFRN NOVA CRUZ/RN

sexta-feira, 9 de junho de 2017

RETROSPECTIVA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL HÁ EXATAMENTE 40 ANOS!!! CONFIRAM!!!

Há exatos 40 anos, estudantes tentavam reconstruir a UNE em Belo Horizonte

por Felipe Canêdo, especial para o site da UNE / Edição: Rafael Minoro e Artênius Daniel.
Dando sequência ao especial sobre a relação do movimento estudantil com a cidade de Belo Horizonte, o site da UNE apresenta hoje a reportagem sobre o III Encontro Nacional dos Estudantes, que sofreu repressão e foi impedido de acontecer na capital mineira; o encontro tinha o objetivo de iniciar um movimento pela reconstrução da entidade, o que só foi acontecer dois anos depois, em 1979, durante Congresso realizado em Salvador, na Bahia

A madrugada do dia quatro de junho de 1977, sábado, foi agitada no interior do Diretório Acadêmico Alfredo Balena, no Campus de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, na Região Central de Belo Horizonte. Cerca de 400 jovens – mineiros em sua maioria, mas havia também paulistas, cariocas, baianos e gaúchos – se reuniram ali desde o início da tarde de sexta-feira para garantir a realização do III Encontro Nacional de Estudantes no dia seguinte.

Faculdade de Medicina/UFMG, durante tentativa de realização do III ENE. Local: Belo Horizonte. Data: junho de 1977. Acervo Projeto República/UFMG.

A vigília foi enchendo à medida que se ouviam notícias de pessoas presas em toda a cidade e de ônibus impedidos de chegar à capital mineira. “Prenderam grupos de vôlei, de basquete, jovens que desciam do ônibus ali perto da Medicina. Fizeram um trabalho muito grande nas estradas. Mandaram voltar ônibus que vinham do Sul, da Bahia, de São Paulo, do Rio. Transformaram a cidade de BH em uma praça de guerra”, afirma Samira Zaidan, então estudante de matemática e liderança estudantil.
“À época nós avaliávamos que tínhamos força para fazer um encontro com 800, 900 delegados de todo o país, para enfrentar a repressão e recriar a União Nacional dos Estudantes”, recorda Zaidan.
O Ministério da Educação e Cultura proibiu o evento dias antes de sua realização. Na véspera, o governador Aureliano Chaves determinou o bloqueio de todas as universidades de BH.
Durante toda a noite de sexta, com a escalada de tensão, os estudantes se revezavam em um microfone aberto em frente ao DA, que amplificava discursos inflamados, poemas e canções. Em dado momento, a Polícia Militar e o Exército cercaram o campus com arame de galinheiro, homens e viaturas.
“Nós viramos a noite, acabou tudo que tinha de comida, ficamos com fome, à míngua. Não tínhamos planejado ficar lá direto”, lembra Américo Antunes, então estudante de jornalismo, autor do romance “Nós, que amamos a revolução”, sobre o Movimento Estudantil da década de 1970.
“Policiais com cães, com metralhadoras, todo tipo de arma. Ficamos com elas apontadas para nós. O barulho lá fora era de muita bomba estourando, isso nos deixava tensos, e como era ditadura, ninguém sabia se de fato eles iam atirar ou não”, rememora o deputado estadual de Minas Gerais Rogério Correia (PT), à época um estudante recém-ingressado na universidade.
Sobre essas horas de tensão, Thomaz da Mata Machado, então estudante de medicina e liderança estudantil afirma: “O que eu me lembro mais foi da assembleia, quando a polícia cercou, para decidir se a gente topava ser preso ou se íamos enfrentar a polícia. Eu e Jânio Bragança (então presidente do Diretório Central dos Estudantes) defendemos que devíamos ser presos, porque senão seria um massacre.”
A rendição, no entanto, não era ponto pacífico, e militantes de algumas correntes do movimento estudantil suscitavam o enfrentamento. “Por decisão da maioria, optamos por sair de lá de mãos na cabeça”, lembra Correia.

PAIS E FILHOS

Faixa empunhada por estudantes no pátio da Faculdade de Medicina/UFMG durante a tentativa de realização do III ENE. Local: Belo Horizonte.  Data: junho de 1977. Coleção Eduardo Osório Cisalpino/Acervo Projeto República/UFMG.

Do lado de fora do Campus, Samira Zaidan coordenou uma comissão emergencial que negociou com o reitor Eduardo Osório Cisalpino e acionou por telefone uma rede pais e amigos que providenciou cobertores e comida para quem estava lá dentro. Cisalpino não permitiu que os militares adentrassem o campus e violassem a autonomia universitária.
“O DA tinha um telefone, foi a nossa única comunicação com o lado de fora”, conta Américo Antunes.
“No meio da assembleia, de madrugada, alguém propôs pra ligar para as famílias pedindo comida, água e apoio. Fizemos uma fila, o reitor ameaçou cortar o telefone mas não o fez. O pessoal foi se aglomerando na rua, do lado de fora, e isso foi criando um clima”, narra Mata Machado.
Zaidan afirma que a presença dos pais foi muito importante. “Teve mãe que se recusou a ir, disse que o filho não deveria estar ali, mas 99 por cento dos pais entenderam que era uma questão fundamental sua presença lá”. Do lado de fora, cerca de 80 pessoas se aglomeraram durante a noite. “O reitor foi pra lá. Queriam registrar o nome das pessoas, na verdade eles queriam entrar, prender, matar. A PM queria entrar atirando”.

OLHOS NO OLHOS

Estudantes deixam o Campus da Saúde, após a tentativa de realização do III ENE, acompanhados do Reitor da UFMG, Eduardo Osório Cisalpino, do Secretário de Educação, José Fernandes Filho, e do Diretor do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, Marcello de Vasconcellos Coelho. Local: Belo Horizonte. Data: junho de 1977. Acervo Projeto República/UFMG.

Por volta das 5h da manhã, a polícia resolveu invadir o local, descumprindo a deliberação de Cizalpino.
“A PM entrou e entrou correndo, um monte de gente armada, e pararam na escada do DA. Aí nós fomos lá e aceitamos ser presos. O pessoal começou a sair abraçado, de 4 em 4, por entre um corredor polonês de policiais”, narra Mata Machado.
“Tinham parado mais ou menos uns 10 ônibus na Avenida Alfredo Balena, e foram saindo com os grupos e os colocando lá dentro”, afirma Zaidan.
Os cerca de 400 jovens foram levados para o Parque de Exposições da Gameleira, e divididos entre as baias que eram usadas para o confinamento de bovinos e equinos. Começaram a cantar canções brasileiras de protesto, uma delas era Olhos nos Olhos, de Chico Buarque.
“Nos colocaram sentados no chão. De vez em quando um levantava, fazia um discurso, a polícia vinha e pegava, levava lá pra dentro. Tinha um pessoal que mandava ficar sentado, ´não discursa, não discursa´, mas aí vinha um e não aguentava”, relembra Mata Machado.
Olhos nos olhos, quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais
(Olhos nos Olhos – Chico Buarque)
“Houve tensão lá também. Cada um ia sendo fichado individualmente, cercado por três policiais do Exército, nos levavam em caminhos escuros, e só depois disso é que nos soltaram”, recorda o deputado Rogério Correia. “Criaram um critério de soltar quem não era dirigente de entidade”, explica Mata Machado.
Depois disso, 56 estudantes ainda permaneceram presos, seriam soltos ainda naquele dia, mas foram indiciados pela Lei de Segurança Nacional.

A PANELA DE PRESSÃO

Apesar das prisões e da violência, o movimento estudantil saiu motivado do episódio, e em setembro foi realizado um encontro nacional em São Paulo que criou comissões pró-UNE nas seguintes universidades: UFMG, UFBA, USP, UFRS, UFRJ. Em 1979, o processo resultaria na refundação da União Nacional dos Estudantes, em Salvador.
“Destampou-se a panela de pressão. A analogia é boa”, compara Américo, citando o documentário “O Apito da Panela de Pressão”, produzido pelos DCEs Livres da USP e da PUC-SP em 1977, em filme 16mm. A obra aborda o ascenso do movimento estudantil naquele momento. Para ele, a agitação dos estudantes a partir dali impulsionou movimentos sociais contrários à ditadura e a favor das liberdades democráticas.
Assista ao documentário “O Apito da Panela de Pressão“:
“O III ENE foi um evento fundamental, porque foi um encontro nacional que teve repercussão extraordinária. O movimento estudantil de então estava localizado nas cidades, fazia-se encontros específicos de cursos, mas não se articulava nacionalmente como na UNE. E com a repressão violentíssima, houve um apoio generalizado da sociedade, isso colou no coração das pessoas, causou comoção”, afirma Mata Machado.

Ato de repressão policial nas imediações da Faculdade de Medicina/UFMG durante o cerco ao III ENE. Local: Belo Horizonte.  Data: junho de 1977. Coleção Eduardo Osório Cisalpino/Acervo Projeto República/UFMG.

“A repressão foi descomunal, foi desnecessária, foi absurda. Foi um evento totalmente fora do padrão. E nós percebemos que a refundação da UNE era inaceitável para os militares”, avalia Zaidan.
“Até 1977 o medo geral era porque a polícia prendia, matava. Todo mundo tinha medo, então o III ENE foi um marco”, sustenta Américo. “Depois dele tem uma greve geral dos estudantes na UNB que dura mais de dois meses. Em seguida a criação do Movimento Feminino pela Aninstia, o Comitê Brasileiro pela Aninstia, e isso tudo vai culminar nas greves de 1978 contra o arrocho salarial no ABC Paulista”, afirma.

A RECONSTRUÇÃO DA UNE

Depois do Congresso de Ibiúna (SP), em 1968, onde cerca de mil estudantes foram presos, a União Nacional dos Estudantes passa por anos difíceis. Com o Ato Institucional número 5, em dezembro de 1968, o regime militar se torna mais agressivo e em 1969, o estudante carioca Jean Marc Von der Weid é eleito presidente da entidade através de seu conselho, derrotando o paulista José Dirceu por seis votos. Em 1971, o goiano Honestino Guimarães é eleito em um congresso clandestino realizado na Baixada Fluminense. Em 1973 ele é preso pelo Centro de Informações da Marinha (CENIMAR) e nunca mais é visto. A UNE só volta a ter um presidente em 1979, o baiano Ruy Cezar Costa Silva.
Em 1977, Belo Horizonte era um dos centros do movimento estudantil nacional, juntamente com São Paulo. Daí o motivo do III ENE ter sido planejado na capital mineira. “Nós éramos muito organizados na UFMG, na PUC também. Na UFMG era muito porque a reitoria não fechou o DCE e os DAs quando teve o AI5. Então nós tínhamos entidades estudantis, recursos financeiros, e um movimento de denuncias, era o movimento mais forte do Brasil, junto com a USP”, recorda Zaidan.
Após a reconstrução da UNE, em 1979, a entidade voltou a realizar seus congressos em clima de institucionalidade, escolher livremente os seus dirigentes e interferir de forma mais ativa na vida nacional. O movimento estudantil foi fundamental, durante o início da década de 1980, para o enfraquecimento do regime militar e a retomada da democracia.

ATUAL DIRETORIA VAI HOMENGEAR OS 40 ANOS DO III ENE

Os ex-estudantes que participaram do III ENE serão homenageados no 55º Congresso da UNE, em Belo Horizonte, com uma mesa de debates sobre a história da reconstrução da entidade, no dia 15 de junho, no campus Pampulha da UFMG. Além disso, será montada exposição no Congresso com fotos e documentos históricos que registraram a agitação política na capital mineira durante aquele período.
Fonte: UNE

“Da universidade nóiz não sai, da universidade ninguém nos tira”

Diretora de Mulheres da UNE, Bruna Rocha e Mariana Jorge, diretora de Comunicação do DCE da UFBA falam sobre cotas e resistência dentro da universidade
Desde que, a partir de políticas públicas criadas nos governos Lula e Dilma, nós, mulheres, LGBTs e juventude negra passamos a ocupar alguns espaços, percebemos que nossa presença incomoda. A universidade está no centro dessa reflexão. Qualquer cotista saberá falar do vazio, do sentimento de deslocamento total, da completa sensação de não-pertencimento que o primeiro dia de aula na universidade nos traz. Nossa experiência não foi diferente. Adentrar num ambiente elitista como a Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia parecia um programa de auditório onde todas as provas são colocadas para nos eliminar. Desde a falta de informação e acolhimento que nos deixam perdidas entre os murais com as milhares de disciplinas, cujos nomes nos fogem ao repertório de nossas vidas, até às rodas de amigos advindos das grandes escolas particulares, cujo construtivismo de mil reais mensais nunca caberiam no bolso de nossos pais.
De incomodadas a incomodantes, noiz segue resistindo na Universidade. Temos muita clareza sobre qual projeto de educação está colocado pelo governo golpista e qual carne será cortada junto ao orçamento. Assistência estudantil é a bola da vez, pois sem política pública não conseguimos continuar estudando. O pacote de maldades de Temer, seus aliados e dos seus adversários que pretendem o derrubar através de eleições indiretas que emposse um capataz mais competente para aprovar as reformas reacionárias que tramitam no congresso, ataca diretamente a vida dos e das estudantes pobres, negros e negras, que mais necessitam das políticas de permanência. E o debate de permanência precisa ser qualificado, como tão bem debatemos no IV Encontro de Negros e Negras da UNE e aprofundamos no quinto encontro.
Passamos os últimos dois anos sendo tragadas e tragados pelas ofensivas aos direitos conquistados. Lutamos contra a redução da maioridade penal, contra o fim da pílula do dia seguinte, abraçamos a Dilma, organizamos grandes marchas em Brasília para resistir o golpe e denunciamos o seu caráter misógino, construímos a maior greve geral dos últimos anos para dizer que a aposentadoria fica e Temer sai, estamos vigilantes para barrar a reforma trabalhista. Mas, para além da resistência, também somos potência. Somos ação, proposição e temos um projeto de país para disputar com a sociedade brasileira. Temos um projeto de educação e afirmamos, através da UNE e de toda a rede de entidades do movimento estudantil e de estudantes auto-organizados em diversas expressões sociais, que temos política para apresentar.
Foi assim que conquistamos a destinação de 10% do PIB e 100% dos royalites do Pré-Sal para a educação. Foi assim que conquistamos a Lei de Cotas, o ProUni, o Reuni e tensionamos o estado brasileiro a abrir as portas do ensino superior para o povo, para o nosso povo. Metemos o pé na porta. O ingresso de trabalhadores e trabalhadoras na universidade é um acontecimento que ainda não pode ter seus impactos dimensionados com precisão no desenvolvimento do país, mas temos certeza que esta foi a política de reparação social mais consistente dos governos petistas. É importante avaliar os indicadores para compreender o impacto dessa política na vida da população brasileira. Com a Lei de Cotas, o número de estudantes oriundos das escolas públicas, subiu de 27% para 43% em cursos valorizados como Medicina, Arquitetura e Urbanismo, Direito, Comunicação, Odontologia e as Engenharias. Este é um dado de 2005, trabalhado no artigo Os Impactos das Cotas no Brasil, de Glaucia Pereira, o qual vale a pena folhear e está disponível para download na internet. Outra publicação fundamental para observar a experiência das cotas em diversos estados é o livro “O impacto das cotas nas universidades brasileiras”, organizado pelo professor Jocélio Teles dos Santos e publicado em 2013 Centro de Estudos Afro-Orientais – CEAO da UFBA.
Nossa presença não representa apenas uma mudança na composição social da universidade, mas também uma mudança qualitativa nos rumos da produção do conhecimento. É crescente o número de trabalhos de conclusão de curso, artigos científicos,  pesquisas e trabalhos de extensão na área dos direitos humanos e das pautas de maiorias subalternizadas, como a questão racial, de género, sexualidade. A interiorização do ensino superior é outro fator fundamental na alteração da concepção de desenvolvimento regional em diversos estados brasileiros, sobretudo do nordeste. A criação da UNILAB e da UNILA colocaram o Brasil em outro patamar de relações internacionais e deram aos e às estudantes uma oportunidade ímpar de reconfigurar sua identidade afro-latina, um sentimento de pertencimento e protagonismo na construção de um novo mundo academico.

Eles temem esse novo mundo. Eles temem tudo que escrevemos, eles temem tudo que pesquisamos, eles temem tudo que denunciamos das velhas estruturas que conservam poder na academia. Eles temem a nossa investigação de outros paradigmas epistemológicos e nossa vontade de ocupar os espaços de poder na universidade, por um modelo de gestão democrática e participativa.

Por isso querem congelar os investimentos em educação por 20 anos. Por isso querem exterminar essa geração contaminada de esperança, ousadia e coragem para lutar por direitos e não retroceder. A juventude brasileira tem uma grande tarefa pela frente: derrubar Michel Temer, barrar as reformas da previdência e das leis trabalhistas, e construir uma agenda de avanços sociais que protejam a dignidade e cidadania do povo brasileiro.

O 55º Congresso da UNE será um grandioso momento para que as experiências de resistência nas universidades de todo o país produzam uma plataforma contundente em defesa da educação e da democracia. Não há saída para o Brasil que não as Diretas Já, para que o povo possa eleger um ou uma representante que retome o programa de distribuição de renda, participação social e inclusão produtiva das camadas populares de nossa população.

Aos golpistas, deixamos um recado: noiz vai montar comitês de resistência em cada universidade desse país! Cada Centro Acadêmico, cada DCE, cada coletivo será um núcleo de enfrentamento, de pressão pelas eleições diretas e defesa irrestrita da democracia! Onde houver estudante, haverá luta! E da universidade nós não sai, da universidade ninguém nos tira.
*Bruna Rocha é diretora de Mulheres da UNE e Mariana Jorge é diretora de Comunicação do DCE da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Livro conta a história de assassino (frustrado) de Fidel

Fidel.jpg
Fidel mostra a capa de um jornal sobre (mais uma) tentativa de assassinato, durante uma visita a Nova York em 1960 (Reprodução) - Do portal Opera Mundi:

"Minha história é uma história de fracassos”, diz ex-agente da CIA

Em livro, ex-agente cubano da CIA conta 'história de fracasso' de tentativas de assassinar Fidel


Antonio Veciana, um cidadão cubano e ex-espião da CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos), diz que a sua é “uma história de fracasso”, pois dedicou a vida a tentar matar Fidel Castro e desestabilizar o governo instituído após a Revolução Cubana – sem sucesso.
Aos 88 anos, Veciana, que vive em Miami, nos EUA, falou à agência de notícias AFP sobre sua história, a propósito do lançamento de seu livro “Trained to kill” (“Treinado para matar”, em tradução livre).
“O trabalho que eu fazia era aquele que os terroristas fazem. Só não tinha esse nome”, disse o ex-agente. “Eu era um terrorista improvável: era magro, asmático e cheio de inseguranças.”
Ele conta que foi recrutado em 1959 pelo agente norte-americano David Atlee Phillips, codinome “Bispo”, que o treinou em Havana para matar Fidel – que, após sobreviver a mais de 600 tentativas frustradas de assassinato, morreu em novembro do ano passado de causas naturais.
(...) Ele fugiu para os EUA em 1961 após uma tentativa frustrada de assassinar Fidel Castro. Em Miami, ele fundou um grupo paramilitar chamado Alpha 66, que nos anos 1960 e 70 promoveu ações – cuja magnitude era “sempre exagerada”, segundo ele – contra o governo cubano.
Veciana disse ter se sentido “traído” pelo então presidente dos EUA, John F. Kennedy, que retirou o apoio norte-americano a grupos paramilitares de cubanos anticastristas na tentativa frustrada de invasão da Baía dos Porcos, em 1961.

À AFP, ele disse ter visto o ex-agente Bispo se encontrar com o ex-fuzileiro naval Lee Harvey Oswald meses antes do assassinato de Kennedy, em 1963. Oswald foi depois identificado como o atirador que matou o então presidente dos EUA em Dallas, no Texas.
Veciana tentou mais uma vez matar Fidel durante uma visita do líder cubano a Santiago do Chile – e mais uma vez falhou. Seus esforços para difamar Ernesto “Che” Guevara depois da morte do revolucionário argentino na Bolívia, em 1967, também falharam, já que Che acabou se tornando um ícone mundial da esquerda.

Ele se aposentou em 1979, após 20 anos de tentativas frustradas de derrubar Fidel e a Revolução Cubana. “Eu tento não pensar muito nisso, porque a minha história é uma história de fracassos”, disse o ex-agente à AFP.
Antonio Veciana: 'O trabalho que eu fazia era aquele que os terroristas fazem. Só não tinha esse nome', diz ex-agente da CIA que tentou repetidas vezes matar Fidel Castro (Reprodução: Opera Mundi)
Fonte: Conversa Afiada

Diretas Já: Frente Ampla mobiliza Estados e divulga calendário de atos

diretas

Movimentos sociais, organizações sociais, partidos políticos e entidades sindicais, entre outros representantes da sociedade civil formaram na última segunda-feira (5) uma Frente Ampla em defesa das eleições diretas para presidente. 55 entidades divulgaram uma agenda de mobilização para os estados brasileiros com as bandeiras Fora Temer, Diretas Já e contra as reformas trabalhista e previdenciária.
A orientação da Frente Ampla é que cada Estado monte o próprio calendário de manifestações incorporando o manifesto dos artistas a favor das Diretas. A formação de comitês populares pelas diretas e a coleta de assinaturas são algumas das ações definidas pela Frente para avançar a mobilização.
Com a definição da data indicativa de greve geral dos trabalhadores para o dia 30 de junho, a Frente convoca os estados a colaborarem com a mobilização do movimento sindical, que também traz a reivindicação das diretas já, assim como participar da Frente Partidária e Parlamentar pelas Diretas Já, que será constituída no Congresso Nacional.
Confira o calendário da Frente Ampla dos Movimentos
8 de Junho – Lançamento da Frente Parlamentar Suprapartidária pelas Diretas – na câmara dos deputados
11 de Junho – Ato Político Cultural por Diretas Já – Farol da Barra em Salvador -BA
11 de Junho – Ato Show #PoaDiretasJa – Parque da redenção em Porto Alegre -RS
16 de Junho – Ato politico pelas Diretas durante o Congresso Nacional da UNE. em Belo Horizonte.MG
19 de Junho – Ato pela Democracia e contra a violência no Campo- Belém-PA
30 de Junho – Greve Geral convocada por todas as centrais sindicais do país.

Fonte: UJS

REPETECO: 30 de maio: Aprovada as Cotas para o acesso à Unicamp

30 de maio: Aprovada as Cotas para o acesso à Unicamp
Fotos por Yuri Salvador
Por: Sara Puerta, de Campinas 

A Unicamp (Universidade de Campinas)viveu dois dias históricos nessa segunda e terça-feira, 29 e 30 de maio. No final da tarde de ontem, foi aprovada a implementação de cotas no acesso à universidades, após quase 6 horas de debate e votação no Conselho Universitário, o Consu, órgão deliberativo da universidade.

Com isso, a partir do vestibular de 2019, conforme o texto aprovado na reunião, 50% dos estudantes devem ser oriundos da rede pública , sendo que a meta deve ser que 37,5% devem ser de autodeclarados pretos, pardos e indígenas. O texto foi aprovado em unanimidade pelos 59 integrantes.

Foi definido também que um Grupo de Trabalho ficará responsável pela  criação do sistema de cotas que será apresentado em novembro desse ano. O GT contará com dozes integrantes, entre eles, representantes dos coletivos da Frente Pró-Cotas e Núcleo da Consciência Negra, e irá realizar debates, e incluir a discussão por  reservar algumas vagas nos cursos de graduação com seleção via Sisu (Sistema de Seleção Unificada), e que usa a nota do Enem como critério.

Para Flavia Oliveira, presidenta da UEE-SP, também nascida em Campinas, a aprovação na universidade, uma das maiores do país, é emblemática.  “ São Paulo é um dos poucos estados que ainda não implementou cotas nas universidades estaduais, com a aprovação na Unicamp, abre-se imediatamente um diálogo maior para que a USP também implemente um sistema que propicie instituições públicas mais democráticas.”

Thaíse Pavanni, estudante do 4º ano do curso de História, acompanhou o dia inteiro o debate e a votação na área externa da reitoria, com mais centenas de pessoas, estava emocionada com a transformação  que será possível ver na universidade.  “As cotas na Unicamp são fruto de uma luta de décadas, intensificada no último ano, desde a ocupação da reitoria. Paralelamente, quanto mais discutida a questão racial e do acesso, mais vimos as faces do racismo institucional, uma vez que após a greve e as mobilizações em 2016, houve perseguições pontuais aos estudantes negros que compunham as manifestações, com suspensões e ameaça de expulsões, contou  à UEE-SP.

“Essa aprovação honra nossos ancestrais, que foram impedidos de frequentar escolas e universidades na origem do nosso país, inclusive na época da abolição da escravidão e mais uma série de vezes, houve resistência e mobilização para os negros estudarem. Os pretos e pretas da Unicamp , hoje, honram  essa nossa história, com a grande luta que travaram e que eu acompanho desde jovem!”, disse Douglas Belchior, professor de história e autor do blog Negro Belchior, presente no ato, que antecedeu a votação.

Fernanda Dias, diretora da pasta de Cotas da UEE-SP e estudante de medicina do terceiro semestre da universidade,  conta que entre 120 alunos do seu curso , apenas são quatro são negros  - 3,3% - ,  acredita em uma transformação social virá. “Vejo o  quanto é importante a luta por cotas quando  volto para minha casa, em Guarulhos, e observo minha vizinhança na periferia, e percebo que sou a única jovem em uma universidade pública. Temos novas perspectivas!”


Festival por cotas

Nessa segunda-feira, (29), dia que antecedeu  a votação, uma série de atividades foi realizada pela universidade para propagar ainda mais a importância das cotas e ampliar a mobilização. Entre elas  debates sobre os desafios que vão além das cotas , para combater o racismo institucional, apresentação e roda de conversa do Coletivo Urucungos, que contou a história de Raquel Trindade, filha do escritor Solano Trindade, e seu grupo de dança africana na Unicamp.

Segundo os participantes do coletivo, é dessa época, nos anos 70, que  inicia o debate por cotas na universidade. O coletivo apresentou no final sua música e colocou todos os presentes no teatro  arena para dançar.

A rapper Preta Rara e a MC Linn da Quebrada fecharam a noite com apresentações lotadas.

Bruno Ribeiro, estudante, membro do Consu  e militante da Frente Pró Cotas,  avaliou a luta pelas Cotas, juntamente com o Festival, como algo nunca visto na Unicamp.

“Nossa mobilização só cresceu nesse último ano. Chegando a ter alcance internacional com o apoio do ator Danny Glover nas Redes sociais. Além disso, artistas, movimentos sociais, coletivos e sindicatos demonstraram  estar conosco. A vitória é na universidade e em Campinas, que tem em sua maioria poulação negra e foi a última cidade a abolir a escravidão no Brasil."

Fonte: UEE/SP

Crônica da demolição - ou da destruição

Divulgação
Filme descortina vasta negociata da época, e vai além da demolição do Palácio Monroe, batizado em homenagem a um presidente dos Estados Unidos!
Léa Maria Aarão Reis
O excelente documentário do carioca Eduardo Ades, Crônica da demolição, em cartaz, é mais uma ação levantando uma ponta do véu que encobre as vergonhas da aliança capital e política no Brasil. Através de um episódio emblemático, do passado – a demolição do Palácio Monroe, o ex-Senado Federal - em 1976, é desvelado um pouco do que se passava e se passa ainda hoje, de realidade, na governança do país. E a arrogância, a empáfia e o cinismo da plutocracia brasileira.

No caso do filme, o primeiro longa-metragem do diretor, o tema trata das manobras fraudulentas das elites (no caso, as do Rio de Janeiro), patrocinadoras dos operadores dos seus crimes: os militares golpistas, os ditadores de ocasião, levas da política e do judiciário, especialistas de diversas extrações, economicistas e alguns jornalistas, os estetas bem postos, todos eles estafetas da turba que desfila nos depoimentos dessa crônica cinematográfica, os quais, na mídia corporativa, se garantem com o silêncio sobre seus embustes e com as campanhas que encobrem as fraudes desses poderosos senhores dos negócios.

É um filme que descortina uma vasta negociata da época, e vai além da demolição do prédio, um símbolo republicano, o Palácio Monroe, de estilo arquitetônico eclético – e assim batizado em homenagem a um presidente dos Estados Unidos! -, na cabeceira da Praça da Cinelândia, no Centro do Rio.

Um ‘’trambolho’’, como diziam os modernistas na época, incluído aí o arquiteto Lúcio Costa, para os quais o estilo eclético não tinha valor. Embora, como diz um arquiteto entrevistado no filme, seja um estilo ‘’mestiço’’. Como praticamente todos nós.
A desapropriação do terreno e a demolição autoritária se deram por resolução de Ernesto Geisel. É apenas uma peça, mas significativa, no quadro geral da destruição sistemática do nosso patrimônio, através dos tempos, dos nossos registros históricos, da nossa memória e da cultura. Manter deste modo, num eterno presente medíocre, submisso e precário, um povo infantilizado, passivo e devidamente domesticado é o objetivo das oligarquias.

“Preservar é um ato afetivo,” diz um arquiteto, nessa crônica da destruição.

Filho de arquitetos, Eduardo Ades ainda era garoto quando passou, um dia, pela Cinelândia e ouviu da sua mãe a história do Monroe, sede do Senado Federal até a transferência do governo para Brasília, e situado na praça hoje adornada por um chafariz – seco, sem água. No subsolo do terreno arrasado, se estende um gigantesco estacionamento para automóveis. Excelente negócio.

A pesquisa iconográfica de Remier Lion é primorosa, os filmetes da época, recuperados, são preciosos. A devassa relembra os argumentos do governo da ditadura civil-militar e asseclas, ao justificarem a derrubada do prédio cujos alicerces prejudicariam, segundo os generais e associados, a construção da primeira linha de metrô na cidade, então projetada – uma mentira deslavada.

O som da música de Phillip Glass e de Villa Lobos enfatiza imagens recorrentes do cemitério de prédios de vidro, com as ‘’cristaleiras’’ à moda americana em que se tornou o Centro da cidade. Assim, o filme contesta os motivos que levaram à demolição do edifício, ao invés do tombá-lo.

Mostra as alianças bastardas do governo com empreiteiros – tão atual! Não muda! -, a campanha triunfal pró-demolição do prédio desferida pelo jornal Globo (sempre ele), e os interesses de especuladores imobiliários incluindo aí o próprio grupo Marinho, que logo viria a ampliar o conglomerado da construção civil na cidade, com a sua empresa São Marcos. O projeto, dizia-se na época, à boca pequena, seria levantar duas torres de edifícios ‘’modernos’’ – com a associação a grupos japoneses - no terreno de valor quase inestimável no mercado imobiliário: o mais belo cartão de visitas do Rio de Janeiro, com o Pão de Açúcar ao fundo em perspectiva privilegiada.

Os depoimentos de urbanistas, arquitetos e políticos, no doc, são entremeados com os tais filmes que mostram um Rio de Janeiro em vias de modernização. E o caso do Monroe é o gancho utilizado pelo cineasta para falar sobre algumas das dezenas de intervenções urbanísticas pelas quais passou o Rio de Janeiro, no começo do século passado e nas décadas de 1960/70, muitas delas irresponsáveis, outras criminosas mesmo.

Fonte: Carta Maior

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Médico da Unicamp exala preconceito após aprovação de cotas: “Trocar cérebro por nádegas


A Reitoria da Unicamp e a Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp repudiaram, por meio de notas, nesta sexta-feira, 2, as declarações do professor da área médica da Unicamp, Paulo Palma, que fez declarações consideradas “desrespeitosas” e que exalam preconceitos.
Depois de publicar uma mensagem acintosa em rede social citando o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, o médico um pouco desinformado sobre estudos de rendimento de alunos cotistas, diz que o “nível da produtividade” (SIC) da universidade tende a cair com as cotas.
Sob o falso manto do discurso ‘meritocrático’ e com pensamento positivista-mecanicista, Paulo Palma fez declarações assombrosas para alguém com o mínimo de formação acadêmica. “O vagabundo do Lula pega a divisão de classe(SIC), pega a juventude perdida (SIC) para buscar atalhos para vida real e acha que isso vai resolver problema do ensino no País. Estão dizendo Paulo Palma é assediador. Estou cantando e dançando para esses indivíduos que não têm currículo, tem discurso do blá, blá, blá, são laborfóbicos. Quando chegam às 9h à universidade estou lá desde 7h. A universidade é para a elite cultural do Brasil, não para vagabundo”, afirmou ao jornal Correio PopularOutra declaração do professor é de que cotas significam troca de “cérebro por nádegas”.  
Apesar da verborragia, o currículo lattes do professor é recheado de artigos técnicos, bem ao estilo do produtivismo brasileiro. Nada realmente de grande valor como um Nobel de Medicina. Entre os prêmios e títulos ele destaca o de membro honorário da “Sociedad Paraguaya de Urologia”.
Em nota, a direção da Faculdade de Ciências Médicas disse repudiar, com veemência, comentários desrespeitosos realizados por um membro do corpo docente.
Veja nota da Direção da Faculdade de Ciências Médicas
A Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp repudia, com veemência,
comentários desrespeitosos realizados por um membro do corpo docente, recentemente, em
rede social e matérias jornalísticas. Tais comentários ferem os valores universitários e os
objetivos de pluralidade e inclusão social, amplamente preconizados e difundidos pela
FCM, ao longo de sua história.
A FCM da Unicamp, em conjunto com a Reitoria, acompanha os desdobramentos dos
últimos acontecimentos, bem como a tomada das providências administrativas cabíveis.

Veja nota da Reitoria
A propósito das declarações de um docente da Unicamp ao jornal Correio Popular, em sua edição de 02 de Junho, sobre a aprovação do princípio de cotas étnico-raciais pelo Conselho Universitário, a reitoria esclarece o seguinte:
1- A reitoria repudia a linguagem e o tom adotados pelo referido docente, incompatíveis com o debate qualificado das ideias no ambiente acadêmico e com o respeito que a sociedade merece.
2 – A reitoria reafirma o seu compromisso com o avanço da inclusão social e étnico-racial, com garantia da excelência acadêmica, o que vem sendo discutido em um ambiente de ampla participação da comunidade e órgãos institucionais, mediante o respeito à diversidade de ideias.
3 – A Unicamp pratica, respeita e defende a liberdade de expressão como valor inalienável de uma sociedade democrática, mas não tolera manifestações que firam os princípios de respeito à dignidade da pessoa e aos seus direitos fundamentais, não aceitando tratamento desigual por motivo de preconceito, conforme explicitado em sua missão institucional.
4- Diante disso, a reitoria tomou as providências cabíveis de acordo com as normas e regulamentos estabelecidos no regimento da Universidade.
Foto: Reprodução/Facebook
Reitoria repudiou declarações do médico mal informado, que não levou em consideração, em sua fala, que o rendimento de alunos cotistas é muito maior que o restante dos estudantes

Resistência: para o contra fluxo do discurso hegemônico

O documentário Resistência, de Eliza Capai, traz à tona um apanhado de episódios recentes da história do Brasil. Seu marco inicial se dá na Ocupação Alesp, realizada pela movimentação política dos secundaristas de escola pública que reivindicavam a investigação do desvio de verba da merenda das escolas públicas de São Paulo.
Por Tatiane Mattos
O documentário Resistência, de Eliza Capai, traz à tona um apanhado de episódios recentes da história do Brasil. Seu marco inicial se dá na Ocupação Alesp, realizada pela movimentação política dos secundaristas de escola pública que reivindicavam a investigação do desvio de verba da merenda das escolas públicas de São Paulo, no mesmo ano em que o Governo do Estado de SP, encabeçado por Geraldo Alckmin (PSDB), ameaçava também fechar algumas escolas, efetuando um remanejamento entre alunos que desconsiderava o diálogo. E a narrativa perpassa outras ocupações (OcupaMinc e Ocupação Funarte) que se deram entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro após o Impeachment da presidenta Dilma Rousseff, considerado por muitas e muitos, e aqui me incluo, como um golpe. Nesse recorte temporal, que se dá também a partir do horror com que acompanhamos a votação do Impeachment da Câmera dos Deputados, que a diretora-narradora nomeia de caricatural – e eu acrescentaria, como o filme evidencia, de uma caricatura grotesca -, foram tantos os episódios que, talvez, cause estranheza e/ou dificuldade de entendimento em que não acompanhou diariamente o processo (ou seria em todos nós?).
No entanto, na sequência de episódios apresentados através do espectro de fluxo de consciência (para utilizar os termos da literatura que me são mais íntimos), com a voz em off de uma narradora que não hesita em revelar o ponto de vista da diretora, para além das imagens, há um chamado à memória com um convite para a reflexão a quem, ainda que vivenciando tais acontecimentos, acabou atropelado pelo bombardeio de informação a que fomos sujeitos enquanto tentávamos, em cada uma dessas ocupações, resistir. E o documentário ganha muita força quando entra, por essa razão, na disputa de narrativa com aquilo que foi construído pela grande mídia brasileira, baseando-se, para tanto, em três eixos principais: estudantes secundaristas, mulheres e artistas.
Sabemos que o que se desenhou nessa grande imprensa de toda a movimentação política que se deu nos momentos imediatamente anteriores e posteriores a saída de Dilma Rousseff foi um intenso esforço de desqualificação dos movimentos. Tais desdobramentos fazem parte do jogo de desarticulação da memória, que implica, entre outras coisas, no processo de não reconhecimento de eventos históricos experienciados, tanto é assim que hoje ainda falamos – pouco – em ditadura militar quando tivemos na história recente no nosso país uma ditadura civil-militar. Nesse sentido, é possível que tomemos um susto (e isso foi o que aconteceu na sala em que assisti, com estudantes de jornalismo de uma universidade portuguesa, mas também é o que aconteceu com grande parte das pessoas que acompanharam em tempo real o que ocorria) quando vemos que há movimentação política entre estudantes secundaristas, que mulheres, ainda que tenhamos pouca representação nas instituições políticas, encabecem movimentos sociais com participação crucial nas instâncias deliberativas e que artistas, de todas as áreas, tenham força o suficiente para fazer com que um ministério, ainda que aos trancos e barrancos, volte à sua formação sob a guarda de um governo reacionário que não infere importância alguma à cultura. Boa parte desse cenário, apesar de parecer nova, já esteve presente nas lutas políticas que se travaram no Brasil.
É evidente que essa sobrepujança do discurso hegemônico não opera apenas na construção da memória, mas também nas entrelinhas daquilo que se escolhe ou não politizar e combater. Para exemplificar, temos que os estudantes que ocuparam a Alesp conseguiram os números de assinatura para abertura da CPI, tamanha a potência da ocupação na época, no entanto, com o descaso da mídia que se abateu logo após a desocupação, a CPI resultou apenas em alguns servidores investigados e todos os políticos envolvidos isentos de suas responsabilidades. Ainda assim, a construção da memória é potente em termos de acionar mecanismos de mobilização às lutas e é nessa seara que Resistência se encontra.
Pulsando na construção de memória, o documentário ganha em força mais uma vez quando opta, claramente, e com uma narradora mulher, por aportar-se principalmente na energia dos secundaristas e das mulheres nessas movimentações. É a partir dessas vozes que se contesta a repressão policial – num jogo de imagens que revela, denunciando, como a violência praticada é inversamente proporcional aos anseios políticos ali presente. Nesse embate, ganha espaço a mulher negra, advogada, que interpela a tropa de choque colocada a serviço da reintegração de posse dos espaços ocupados – todos eles públicos e, portanto, pertencentes aqueles que ali estavam. Nesse mesmo embate, acompanhamos estudantes obrigados pelo braço armado do Estado a deixarem as ocupações. As duas forças se reúnem assim, nesse momento narrativo, contra a força repressiva de um Estado evidentemente violento e que não atende às reinvindicações daqueles que, nessa nova formação governamental imposta a fórceps, serão significativamente ainda mais violentados. Nesse sentido, o filme firma-se no seu intento de disputa de narrativa com o discurso hegemônico construído pelo oligopólio da mídia no Brasil: na contramão do discurso machista também responsável pela retirada da presidenta eleita, agora prospectado através da imagem da bela, recatada e do lar, a mulher na frente das movimentações políticas que contestam o governo de Temer;  na contramão do discurso da política retrógrada, jovens que correlacionam forças para exigir novas ordenadas políticas.
Esses episódios ocorridos no último ano e meio são concentrados em 55 minutos de filme, que trazem à tona a memória escamoteada que pode impulsionar novas movimentações. Se tem nos sido difícil escolher o que defender, diante de uma prática política que tenta nos pregar uma rasteira por dia, parece-me mais fácil quando temos acesso a essa memória. O documentário foi capaz de ativar a memória da movimentação – daquilo que é possível através da luta, ainda que sejamos derrotados em algumas batalhas – e, para mim particularmente, encerra-se aí o seu maior êxito, porque nos aciona também os mecanismos de ação diante do que assistimos. Durante a escrita desse texto, soube dos áudios vazados do Temer com representantes do grupo JBS. É necessário movimentar-se sempre contra o que nos vai sendo imposto: ocupar e resistir. Fora Temer. Diretas Já!
Leia aqui entrevista da diretora do documentário Eliza Capai à Fórum.
Fonte: Revista fórum

Infância Roubada:Brasil tem 2,6 milhões de crianças em situação de trabalho infantil...



Brasil tem 2,6 milhões de crianças e adolescentes (entre 5 e 17 anos) em situação de trabalho infantil,segundo levantamento feito pela Fundação Abrinq. O panorama nacional da infância e adolescência é lançado nesta terça-feira (21) pela organização sem fins lucrativos que promove a defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

A pesquisa ainda aponta um aumento de 8,5 mil crianças de 5 a 9 anos em situação de trabalho infantil, e redução de 659 mil crianças e adolescentes na faixa de 10 a 17 anos na comparação entre os anos de 2014 e 2015 – segundo dados da Pnad 2015. A maior parte delas encontra-se nas regiões Nordeste e Sudeste, sendo que, proporcionalmente, a Região Sul lidera a concentração desse público nessa condição.

A compilação reúne os dados mais recentes no tema, disponibilizados em órgãos como IBGE, Ministério da Saúde, Ministério da Educação, Disque Denúncia, entre outros.

Pobreza - O “Cenário da Infância e Adolescência – 2017” também revela que 17,3 milhões de crianças de 0 a 14 anos, equivalente a 40,2% da população brasileira nessa faixa etária, vivem em domicílios de baixa renda, segundo dados do IBGE (2015).

"Entre as regiões que apresentam a maior concentração de pobreza (pessoas que vivem com renda domiciliar per capita mensal igual ou inferior a meio salário mínimo), o Nordeste e o Norte do País continuam apresentando os piores cenários, com 60% e 54% das crianças, respectivamente, vivendo nessa condição".

O guia também traz números sobre o que é considerado como “extrema pobreza”, isto é, crianças cuja família tem renda per capita é inferior a ¼ de salário mínimo: 5,8 milhões de habitantes (13,5% da população) de 0 a 14 anos de idade.

A publicação chama a atenção sobre o fato de as regiões que mais concentram crianças e adolescentes no
Brasil apresentarem, justamente, os piores indicadores sociais. No Norte do país, 25,5% dos bebês dos nascidos são de mães com menos de 19 anos.

Violência - De acordo com o estudo, quase 18,4% dos homicídios no país são praticados contra crianças e adolescentes. Pouco mais de 80% deles com armas de fogo.

A região Nordeste concentra a maior proporção de homicídios de crianças e jovens por armas de fogo e supera a proporção nacional em 5,4 pontos percentuais.

Um afro abraço.

Claudia Vitalino

Fonte:www.ibge.gov.br/busca.saraiva.com.br