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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

“Chamei o caçula: filho, a partir de hoje acabou esse papo de acreditar que temos direitos”

Tropas do Exército fazem patrulha pelas ruas da Rocinha (FOTO José Lucena/Futura Press)
 
Publicado no Facebook de Rosiane Rodrigues, pesquisadora no Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos
Chamei o caçula, expliquei a situação e fiz todas as recomendações:
“Filho, a partir de hoje acabou esse papo de acreditar que temos direitos. Estamos sob intervenção militar. Isso significa que se um cara do exército cismar com a tua cara, eu não tenho a quem recorrer. Não tem ministério público, não tem nada, não tem justiça, entendeu??
O Rio está sendo governado por um general que não dá satisfação nem para o governador, nem para ninguém. É ele quem decide o que fazer, com quem fazer e aonde fazer. É uma ditadura.
Você não sabe o que é, mas vai entender…. então, você tem 13, mas parece que tem 16 e tem cara de pobre porque você é negro. A gente mora na CDD… Entendeu? Não pode sair sem documento. Está proibido de usar boné, short de tactel e casaco de capuz.
Está proibido de fazer algazarra com seus colegas na volta da escola. Proibido blusa do Flamengo ou de qualquer outro time…. Se você for parado, chame o soldado de senhor, mesmo que ele aparente ter a sua idade. E não faça nenhum movimento brusco. Eu preciso de você vivo, meu filho”.
Não dá para relativizar com a vida dos nossos.
Fonte: Diário do Centro do Mundo - DCM

Seminário em Maceió discute pesquisa histórica sobre o fortim Ilha do Guedes

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O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN/AL promove o Seminário Discutindo o Forte Bass: história, arqueologia e restauração, que acontece no dia 21 de fevereiro, no auditório da Casa do Patrimônio de Maceió. O encontro tem como objetivo apresentar para comunidade a trajetória da pesquisa histórica, escavação arqueológica e restauração do fortim da Ilha do Guedes, em Porto Calvo. Serão disponibilizadas 40 vagas para o público, que pode solicitar pelo e-mail: iphan-al@iphan.gov.br. Todos os participantes receberão certificado com carga horária de 8h.
O evento conta com a participação dos pesquisadores Marcos Albuquerque, coordenador do laboratório de Arqueologia da UFPE; Levy Pereira, pesquisador especialista em cartografia; Benjamin Teensma, historiador da Universidade de Leiden; Flávio Calippo, diretor do Centro Nacional de Arqueologia do IPHAN; e Adler Fonseca, historiador do IPHAN/RJ.
No contexto desse seminário, também será debatido o tema da ocupação holandesa durante o século 17, no norte de Alagoas. Além disso, o historiador Teensma irá apresentar novos documentos históricos sobre o cerco e a conquista de Porto Calvo, recentemente descobertos nos arquivos da Holanda.
O pequeno forte foi identificado durante a execução do projeto de pesquisa sobre a ocupação holandesa na bacia do rio Manguaba. A pesquisa arqueológica revelou que o fortim encontrado é o mais íntegro do período holandês no Brasil.
Casa do Patrimônio de Maceió | – AL

21/02/2018 – 09h00 às 17h00
Endereço: Rua Sá e Albuquerque 157
Telefone: (82) 3221-6073
Inscrição: Entrada Franca
Na ocasião, o historiador Benjamin Teensma apresentará registros inéditos sobre a conquista de Porto Calvo em 1937, recentemente descobertos nos arquivos da Holanda
Serviço:
Seminário Discutindo o Forte Bass: história, arqueologia e restauração
Data: 21 de fevereiro de 2017
Horário: 9h
Local: Casa do Patrimônio de Maceió

Mais informações para a imprensa
Assessoria de Comunicação IphanAL
Raphael von Sohsten – raphael.lima@iphan.gov.br
(82) 3221-6073- 3221-3383
(82) 99954-4394

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Heraldo se desmente vergonhosamente

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Ele próprio disse que não sou racista
Ministros ajudam... (Divulgação)

O suposto âncora do novo Jornal das Dez da GloboNews se desmente vergonhosamente na
 Fel-lha.

Na rádio corredor da Globo ele é conhecido como “erraldo” Pereira.

Primeiro: num acordo na Justiça ele reconheceu que não sou racista.

Segundo: o STF ainda não decidiu se o suposto crime já prescreveu ou não.

TODAS as instâncias anteriores concordaram com a Constituição: crime de injúria prescreve.

Mas o ansioso blogueiro generosamente entende: o suposto âncora precisa ancorar-se em ministros do Supremo para vestir-se de suposta credibilidade.

PHA, que não é racista, segundo a Justiça e um suposto âncora

Em tempo: interessante que para alguns respeitáveis juízes do STF ele se apresente como “advogado”. Sem comentários...
Fonte: https://www.conversaafiada.com.br/pig/heraldo-se-desmente-vergonhosamente

Moacyr Luz: Sintonia com sentimento popular explica sucesso da Tuiuti

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A Tuiuti ganhou notoriedade e o apoio popular ao trazer para a avenida a temática da escravidão pós abolição, como persiste esse grande problema na história brasileira. Entre os destaques, duras críticas ao governo de Michel Temer (MDB), e a suas propostas de ataques a direitos, especialmente a reforma trabalhista que, entre outros retrocessos, dificulta o acesso à Justiça da parcela mais frágil da sociedade.
“Sou um amador na questão política, meu sentimento é extremamente popular. Tenho uma pessoa que passa roupa na minha casa. Não consigo cobrar nada dela porque é injusto demais. Mora a quilômetros de distância e o transporte é péssimo. Como posso cobrar dela se o país não dá condições mínimas”, afirmou Moacyr, em entrevista à Rádio Brasil Atual nesta sexta-feira (16).
A Tuiuti veio de um sério problema no ano anterior. Antes do desfile, um incêndio nas alegorias dos componentes deixou uma pessoa morta. O músico ressalta a volta por cima da escola. “A responsabilidade era muito grande porque a escola veio de um problema no carro alegórico no ano passado. As chances eram muito poucas. Sentei com Claudio Russo (outro interprete do tema), pensamos na história e bate com o que temos observado das pessoas do Brasil”, disse.
O samba-enredo foi o grande destaque da Tuiuti, aliado à bela execução. Com o tema “Meu Deus, Meu Deus, está extinta a escravidão”, a apresentação chocou o público ao escancarar a realidade. Comissão de frente representada por escravos torturados, fantasias de “manifestoches”, em referência àqueles que saíram às ruas em defesa do impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT), o que iniciou o governo neoliberal de Temer, patos de borracha com cifrões nos olhos, representando o apoio da Fiesp ao impeachment e o presidente vestido de vampiro com uma fantasia intitulada “Vampiro Neoliberalista”.
A repercussão junto ao público foi imensa. Internautas clamaram que a escola “lavou a alma” dos brasileiros. A hashtag #TuiutiCampeãDoPovo ficou dias entre as mais comentadas do país.
Fonte: Rede Brasil Atual

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP)

Acervo Iphan
 
Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP) tem atuação nacional e sua missão consiste na pesquisa, documentação, difusão e execução de políticas públicas de preservação e valorização dos mais diversos processos e expressões da cultura popular. Sua estrutura abriga: o Museu de Folclore Edison Carneiro, a Biblioteca Amadeu Amaral e os setores de Pesquisa e de Difusão Cultural, além da área administrativa. 
Criado em 1958 e vinculado ao Iphan desde 2003, o Centro atua em diferentes perspectivas com o objetivo de atender as demandas sociais que se colocam no campo da cultura popular. Entre suas principais ações destacam-se os projetos de fomento da cultura popular, desenvolvidos pelo Programa de Promoção do Artesanato de Tradição Cultural (Promoart) e Sala do Artista Popular (SAP); programas de estímulo à pesquisa, como o Concurso Sílvio Romero de monografias, o Etnodoc (edital de filmes etnográficos), o Dedo de Prosa (fórum de debates) e o Projeto Memórias dos Estudos de Folclore.
Na área de difusão e formação de público, destacam-se o programa de exposições, o programa educativo, o Curso Livre de Folclore e Cultura Popular e os programas de edições e intercâmbio. E na área de documentação, o tratamento, atualização e disponibilização dos acervos museológico (14 mil objetos – MFEC), bibliográfico e sonoro-visual (300 mil documentos – BAA), parte deles disponibilizada em suas coleções digitais.
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Diversidade Etnocídio No Festival de Berlim, indígenas lançam manifesto contra intolerância

Ex-Pajé
Dirigido por Luiz Bolognesi, "Ex-Pajé" foi produzido por Laís Bodanzky e os irmãos Caio e Fabiano Gullane
O documento foi lido após a exibição do documentário “Ex-Pajé”, de Luiz Bolognesi, sobre a evangelização de povos indígenas.

A magia da floresta veio para o frio de Berlim, e junto com a magia vieram também o drama da violência do etnocídio, do proselitismo religioso e da destruição da Amazônia. Foi exibido no sábado 17 de fevereiro, na sessão Panorama do Festival de Cinema de Berlim, o filme Ex-Pajé, de Luiz Bolognesi, produzido por Laís Bodanzky e os irmãos Caio e Fabiano Gullane (time que volta a Berlinale depois do sucesso de Como Nossos Pais, de Laís, ano passado), um belíssimo documentário que mostra a violência do etnocídio dos povos indígenas no Brasil.

O filme acompanha Perpera, um antigo xamã do povo Paiter-Suruí que foi convertido ao evangelismo, tendo que abandonar não só os poderes espirituais, como toda a transmissão de conhecimento ligada as práticas xamãnicas. Estavam junto na sessão em Berlim os indígenas Ubiratã e Kabena Suruí, mãe e filho — Perpera permaneceu no Brasil por não viajar de avião. Após a sessão, o diretor Bolognesi leu um manifesto contra o etnocídio escrito por lideranças indígenas, que reproduzo na íntegra abaixo.
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Através do cotidiano dos Paiter-Suruí, da juventude, como o jovem líder Bira, e uma fotografia belíssima da Amazônia que se esconde atrás do desmatamento e uma linguagem poética, o documentário ganhou uma critica elogiosa da revista Variety e merece provocar um debate sobre o etnocídio e o proselitismo.
Eu disse ao Perpera que queria filmar o seu dia-a-dia, porque o pajé é uma figura central na vida do povo Paiter-Suruí, e ele tinha essa importância. A igreja evangélica está lá e foi filmada com respeito; não quisemos fazer nenhum julgamento de valor”, disse Bolognesi.
Os Paiter-Suruí foram contatados pelo sertanista Chico Meireles e seu filho, Apoena, em setembro de 1969. Nos anos seguintes ao contato, suas terras passaram a ser loteadas ilegalmente pelo Incra, que incentivava a invasão, e também objeto de grilagem, exploração de madeira e garimpo. Junto desse saque pirata e violento, veio junto epidemias mortais que levaram centenas, talvez milhares, de indígenas.
Evangelizado
Perpera, antigo xamã do povo Paiter-Suruí, foi convertido ao evangelismo (Divulgação)
Enfraquecidos pelas epidemias, com os territórios invadidos, também suas almas foram objeto de cobiça, com a invasão de missões evangélicas. A conversão forçada, o proselitismo colonial, o uso de ferramentas e remédios para a conquista de almas e outras barbáries infernais produzidas por missionários contra o povo indígena.
Tiveram também importantes aliados entre os brancos, como a antropóloga Betty Mindlin, o linguista Denny Moore, o sertanista Apoena Meireles, que foi até o fim de sua vida, assassinado em 2004, um fiel defensor dos Suruí.
Perpera nasceu antes desse furacão do contato com o mundo dos brancos e a invasão do espírito do capitalismo. Tinha aproximadamente 20 anos no encontro com Apoena e Chico Meireles. E, portanto, uma formação de vida de seu povo, conhecimento do universo Paiter-Suruí e o convívio e o contato com os espíritos da floresta. Ainda criança, depois de quase morrer por uma doença, Perpera teve sonhos que não deixaram dúvidas de que ele era um uãuã — pajé, na língua tupi Paiter-Suruí. A conversão faz esvaziar de sentido todo esse conhecimento, essa outra relação com o planeta e a forma de viver e habitar o mundo.
O caso de Perpera não é um caso isolado, e após ver o filme, Cristine Tekuá e Carlos Papá Mirim Poty lideraram um manifesto, a reunir as principais organizações e líderes indígenas do país, incluindo o celebre xamã yanomami Davi Kopenawa, autor do extraordinário livro A Queda do Céu (Cia. das Letras, 2015). No manifesto, denunciam a intolerância religiosa, que é crescente e ataca não apenas os povos indígenas, mas os povos de santo, de terreiro, candomblé, umbanda, macumba, comunidades quilombolas, sertanejas. A intolerância agride a possibilidade do convívio, como dizem os indígenas no manifesto abaixo: “Precisamos superar a impossibilidade de conviver em igualdade nas nossas diferenças, e passar a partilhar o mundo”. Ao invés de ex-pajés, como Perpera, que possa o mundo ter no futuro“mais pajés”.
Berlim
Equipe do filme 'Ex-Pajé' no Festival de Berlim (Divulgação)
Manifesto dos Povos e Lideranças Indígenas do Brasil
Mais pajés, menos intolerância
Mais pajés, mais Céu, mais espíritos, mais floresta, mais vida. Menos ódio. Menos intolerância. Menos racismo. Precisamos superar a impossibilidade de conviver em igualdade nas nossas diferenças, e passar a partilhar o mundo com outros seres vivos, outros viventes, viver e se olhar e se reconhecer no olhar do outro, com reciprocidade, com respeito aos humanos e respeito também aos não-humanos, uns ao lado dos outros, vivendo juntos em nossas diferenças. Existe apenas um planeta, e todos podemos viver nele, livres do peso do racismo e do sexismo. Existem muitos mundos que convivem nas diferentes formas de habitar este planeta.
Durante muitos séculos, os pajés equilibram a vida na Terra. Com seus cantos, rezas, curas e sabedoria, massageiam o Planeta proferindo lindas palavras, as mais belas palavras sagradas. São médicas e médicos, rezadoras e rezadores, curandeiras e curandeiros, sabedores do mundo, com suas próprias ciências e sua filosofia.
Em nome de um deus, homens missionários agrediram nos últimos séculos muitas outras formas de vida. Se nos anos 1970 a própria Igreja admitiu sua violência catequista, esse processo não arrefeceu. Assistimos hoje ao crescimento de novas cruzadas de intolerância, sobretudo de missões protestantes. Se aliam com os inimigos dos povos indígenas para deles extraírem suas almas. O etnocídio que visa esvaziar todos os corpos de suas espiritualidades. O genocídio matou os povos em seus corpos físicos e o etnocídio em seu espírito, sua essência, sua forma de viver, que é a sua cultura.
Alguns leem na Bíblia a mensagem para invadir o mundo inteiro para forçadamente pregar o evangelho para todas as criaturas, entendendo que quem não se converter irá arder no inferno que essa própria religião inventou. Essa corrida colonial provoca ainda hoje, talvez como nunca antes, uma disputa por almas que esconde poder, dinheiro, controle de territórios, mercados de almas.
Hoje atravessamos muitas crises, ecológica, econômica, política, a nossa frágil democracia foi atacada e os territórios indígenas estão sendo invadidos e saqueados. Junto com o ferro e o fogo, vem a conversão racista. Trocam as rezas pela bíblia e as medicinas por aspirinas. Epidemias de depressão provocam os maiores índices de suicídio do mundo manchando de sangue as lindas florestas do Brasil.
Os espíritos da floresta estão bravos, pedindo socorro, pois cada árvore derrubada, cada rio contaminado, faz com que desapareçam. Assim disse um sábio pajé, a floresta é um portal cristalino, e todos nós humanos precisamos dela. Se acabar a floresta, também acabará nosso espírito. Os pajés precisam existir, e para existir, precisam ser respeitados. Antes que seja tarde demais, que o mundo esteja esvaziado de espiritualidade e o Céu caia sobre nossas cabeças!
Basta de etnocídio! Mais pajés! Menos intolerâncias! 
Assinam essa carta manifesto as seguintes organizações e lideranças:
Organizações:
Associação dos Povos Indígenas do Brasil - APIB
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira -COIAB
Associação Aty Guassu Guarani Kayowá
Comissão Yvy Rupa
Conselho dos Povos Indígenas de São Paulo -CEPISP
Federação do Povo Huni Kuî do Acre - FEPHAC
Instituto Maracá
Fórum dos professores indígenas do Estado de São Paulo, FAPISP
Organização Nhandepa Guarani e Huni Kuî
Rádio Yande
Rede de Memória e Museologia Indígena
ARPIN Sul
ARPIN Sudeste
APOINME
FEPIPA 
Lideranças:
Aílton Krenak
Álvaro Tukano
Alberto Terena
Chicão Terena
Davi Yanomami Kopenawa
Daiara Tukano
Denilson Baniwa
Dinaman Tuxá
Ninawa Huni Kuî
Nara Baré
Carlos Papá Mirim Poty
Cristiane Tekuá
Genito Gomes Kayowá
Marcos Tupã
Antonio Carvalho
Júlio Garcia Karai Xiju
Nelson Ribeiro
Marcos Moreira
Mauricio da Silva Gonçalves
Sama Hani Kuî
Sônia Guajajara
Banima Hani Kuí
Davi Popygua
Joana Munduruku
Benício Pitaguary
Paulo Karai
Rosa Pitaguary
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/diversidade/no-festival-de-berlim-indigenas-lancam-manifesto-contra-intolerancia

“Livro que trata do voluntariado na África lançado em dezembro/2017 é um sucesso! “

Etiópia
Por
 Maristela Rosa

“Enquanto eu estava no píer, tomando uma cerveja e jantando, diante de um visual impressionante, as pessoas no Brasil me mandavam mensagens perguntando se eu estava seguro, se tinha o que comer e se não tinha sido atacado por um leão”, conta  Gustavo Leutwiler Fernandez, embaixador da African Impact no Brasil, voluntário na África do Sul, em 2013, trabalhando em um hospital infantil; no Zimbábue, em 2014, atuando na Comunicação e Marketing de uma ONG voltada à preservação ambiental; e em 2016, vivendo junto à tribo Hamar, no sul da Etiópia.
Com o objetivo de compilar suas experiências neste  trabalho voluntário, Gustavo lançaçou o livro “Africanamente: o que vivi e aprendi como voluntário na África” (Autografia Editora). Para o autor, ser voluntário da oportunidade de entrar em contato com outros povos e culturas, mudar estereótipos que enclausuram – estes mesmo estereótipos que fizeram seus amigos se preocuparem tanto – e obter o autoconhecimento para encontrar propósitos de vida.
Zimbabue
No livro ele narra, por exemplo, a emoção que sentiu ao se despedir dos garotos que estavam internados no hospital onde trabalhou. “Desabei em lágrimas, desesperado porque estava indo embora. Enquanto isso, as crianças me olhavam com um misto de curiosidade e indiferença. Percebi que aquele período em que fui voluntário mudou minha vida, mas, para eles, foram dias comuns, como todos os outros. Assim como eu, centenas de outros voluntários chegam e vão embora a toda hora.”
O lançamento do livro “Africanamente: o que vivi e aprendi como voluntário na África” , com sessão de autógrafos, aconteceu no dia 7 de dezembro/2017,  no Pastucada Livraria Bar & Café – Rua Luís Murat, 40 , Pinheiros, São Paulo (SP).
Fonte: mundonegro.inf.br
Adaptado pelo CPC/RN em, 18/02/2018

Cultura negra influencia cada vez mais jovens afrodescendentes


A expressão “orgulho de ser negro” foi abolida do vocabulário de muitas pessoas por medo do preconceito. Com o passar do tempo, porém, o resgate cultural fez com que os negros assumissem a “negritude” na maneira de ser. Cada vez mais difundida entre os jovens brasileiros, a cultura afro está presente no visual, nas preferência musicais, nos estudos e na religião.
Por influência da mãe, o motoboy Calleb Augusto do Nascimento, de 22 anos, começou a se engajar no movimento negro há quatro anos. O conhecimento do mundo afro fez com que o rapaz mudasse seu estilo e assumisse suas preferências musicais, no caso, o reggae. “Fiz o rasta [penteado característico dos apreciadores do reggae] para me diferenciar, quis mostrar meu estilo black. Se você for ver, 80% dos homens negros têm cabelo rapado. Eu sou o único entre os meus amigos [que tem esse visual]”. Para ele, o negro está conseguindo conquistar o seu espaço, pois está mais “desinibido para isso”.
Cada vez mais, os jovens estão se identificando com a cultura negra. Prova disso são os dados do Censo 2010, divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrando que os jovens brasileiros entre 15 e 24 anos se declaram pretos e pardos mais do que os adultos. De 34 milhões de jovens nessa faixa de idade, 18,5 milhões se autodeclararam pretos e pardos. Dentre os adultos, 54 milhões dos 107 milhões dessa faixa etária (25 a 59 anos) se disseram pretos ou pardos.
De acordo com o sociólogo e professor do Decanato de Extensão Universitária da Universidade de Brasília (UnB) Ivair Augusto Alves dos Santos, o movimento de resgate cultural negro começou na década de 1950. “Em 1970, a mudança foi física, ou seja, na aparência, com o movimento Black Power. Na década de 2000, a mudança é política e envolve o debate de ações afirmativas.”
Santos atribui esse movimento impulsionado pela juventude às transformações tecnológicas, uma vez que os jovens negros de hoje têm mais possibilidades. “Se compararmos as possibilidades, vemos que são maiores. Você tem grupos de música que conseguem atingir grandes massas, tem mais informações também.”
A cabeleireira Rosemeire de Oliveira, de 32 anos, aponta uma mudança de mentalidade no país, lembrando que, antigamente, ninguém falava sobre “o que é ser negro”. Ela trabalha em um salão afro de Brasília há 12 anos. A maioria dos clientes, segundo ela, são os jovens. “Teve uma época que ser negro era moda. Agora, os negros realmente estão se assumindo e aprendendo a se gostar mais.”
A trança de raiz

A trança de raiz é o penteado mais popular no salão de Rosemeire. embora também haja procura por alisamento. “Tem gente que alisa o cabelo porque gosta, mas tem outras que o fazem porque o trabalho impõe ou para se sentirem mais iguais às outras pessoas. Essas ainda não se assumiram”, disse a cabeleireira.
Cliente de Rosemeire desde criança, a estudante Brenda Araújo Soares Alexandrino de Souza, de 14 anos,  usa tranças no cabelo desde os 3 anos. “Tinha cabelo volumoso e minha mãe fazia as tranças. Minhas amigas gostam, admiram e estão pensando em fazer.”
A adolescente, que faz aniversário hoje (20), Dia da Consciência Negra, acredita que as pessoas estão se identificando mais com a cultura. “Antigamente, não tinham coragem de se mostrar por causa do preconceito. Eu não tenho medo disso.”
Percussão
O percussionista baiano Ubiratã Jesus do Nascimento, de 40 anos, conhecido como Biradjham, cresceu envolvido com a cultura negra. Há 25 anos trabalha com música e já tocou com bandas famosas da Bahia.

Adepto do candomblé, Biradjham diz que os negros têm mais liberdade atualmente. “O movimento está mais forte. A mudança cultural vem de muito tempo, mas hoje tem mais força”.

Fonte: AB - com:  mundonegro.inf.br

“Pantera Negra” vai muito além de um herói negro

Já sabe, né? Se for curtir o filme, não esquece de levar a carteirinha da UBES com você.
O lançamento do “Pantera Negra” nas telonas tem sido muito comentado nas redes sociais e veículos de comunicação do mundo todo. E com o final de semana chegando, curtir um bom filme com a meia entrada estudantil é uma ótima opção.
Pantera Negra é um filme totalmente baseado em personagens negros. A produção tem sido aclamada pelo público devido a essa abordagem diferenciada em comparação a outros filmes que abordam a temática racial.
À UBES, Pedro Borges, jornalista e co-fundador da Alma Preta, agência de jornalismo especializada na temática racial do Brasil, comenta que a mídia sempre representou o negro de uma maneira bastante estereotipada: “Ao longo da história, o negro é representado com uma imagem sexualizada ou animalizada, fortalecendo o imaginário da criminalidade”.
Para Borges, essa comunicação sempre teve o papel de naturalizar esse que é colocado como o papel do negro na sociedade e serve como uma forma de manutenção do racismo e da população negra na base da sociedade e nos espaços mais vulneráveis, além de favorecer a sustentação de uma política de estado que reforça as desigualdades.
Composto por cinco nigerianas e com um elenco majoritariamente negro, o filme retrata uma cultura negra fortalecida, apresenta personagens femininas negras com atuação forte e aborda o “afrofuturismo” com o reino fictício de Wakanda que, na trama, é uma potência em tecnologia.
A trilha sonora do filme é composta por grandes artistas da música negra e aqui, no Brasil, o rapper Emicida foi o escolhido para se encarregar da música tema de Pantera Negra.
“As propostas de comunicação que representem o negro de uma maneira positiva e, sobretudo, para além destes estereótipos, é extremamente rica e importante para a construção de uma sociedade mais democrática”, enfatiza Pedro.
Que tal aproveitar o final de semana com ela, sua carteirinha da UBES, prestigiando a cultura e o cinema?
Se você ainda não tem, acesse o site do Documento do Estudante e solicite já o seu: www.documentodoestudante.com.br

Por Aline Campos

Baby do Brasil é a convidada do Notas Contemporâneas do MIS em fevereiro

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Para abrir a agenda 2018 do programa Notas Contemporâneas, o MIS, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, convidou a cantora e compositora Baby do Brasil. A artista participa de um bate-papo sobre sua carreira, mediado pelo jornalista Cadão Volpato, enquanto a Banda MIS interpreta seus grandes sucessos no palco. O público presente também poderá interagir e enviar perguntas a Baby durante o encontro.
Com curadoria de Cleber Papa, o Notas Contemporâneas será no dia 21 de fevereiro, quarta-feira, às 20h00, no Auditório MIS (172 lugares). O ingresso, gratuito, deve ser retirado com uma de antecedência na bilheteria do Museu.
Sobre a artista


Baby do Brasil ganhou notoriedade nacional e internacional na década de 70 com o grupo Novos Baianos – fundado por ela, Moraes Moreira, Galvão, Paulinho Boca de Cantor e Pepeu Gomes, uma das maiores influências da MPB. Hoje, Baby continua muito bem acompanhada no palco. Sua nova banda traz nomes de peso com o renomado Frank Solari na guitarra, o lendário baterista Jorginho Gomes, os talentosíssimos André Gomes no baixo, Dudu Trentin nos teclados, e o guitarrista e violonista Daniel Santiago.
Sobre o Programa Notas Contemporâneas
O projeto mensal, com curadoria de Cleber Papa, registra depoimentos de compositores e intérpretes icônicos da música popular brasileira. O programa se divide em duas etapas: a primeira é composta de um longo depoimento realizado em estúdio com a pesquisadora Rosana Caramaschi, que passa a integrar o acervo do MIS; a segunda é ao vivo no palco do auditório do museu com mediação do jornalista Cadão Volpato, acompanhado da Banda MIS que faz releituras inéditas e exclusivas dos maiores sucessos do homenageado. A entrada é livre e os fãs dos artistas muito bem-vindos, o público pode participar fazendo perguntas que serão selecionadas pelo museu e, assim, integram o roteiro da noite.

Serviço

NOTAS CONTEMPORÂNEAS | Baby do Brasil
DATA 21.02, quarta-feira
HORÁRIO 20h00
LOCAL  Auditório MIS (172 lugares)
INGRESSO Gratuito (sujeito à lotação da sala – retirada de ingressos com uma hora de antecedência na Recepção MIS)
Foto: Baby do Brasil – Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Chama sem pavio: uma história de quem não se cansa da rebeldia – Por Lorena Alves

lorenatexto

Lembro das aulas do meu ensino fundamental. Sinto saudade daqueles intervalos, ou recreios – como alguns chamam – em que cantava Titãs com as minhas amigas. Hoje, na faculdade, ainda canto a música “Televisão”, na voz da mesma banda que fez muito sucesso na cena do rock nacional. No fusca do meu pai também cantávamos aqueles versos: “Que tudo que a antena captar meu coração captura”, essa lembrança fará mais sentido daqui algumas linhas. No caminho para escola esboçava algumas ideias para o futuro e sempre com uma música na cabeça.
Parece que eu tinha tempo para pensar um pouco mais nos pequenos prazeres da vida. Na volta do colégio eu só me preocupava com o almoço e em ler um SMS amoroso… Mais tempo ou um tempo aproveitado de maneira diferente do que tenho hoje. A música “Comida”, da banda ícone dos anos 80 e dos meus 12, 13, 14, 15, opa, 18 anos, fazem cada vez mais sentido. Sigo querendo a vida como ela é. Não quero só dinheiro, mas agora de fato preciso de dinheiro. “A gente quer inteiro e não pela metade” eu cantava esse verso, analisava, entendia, mas não sentia como hoje sinto: como membro da família Vital, que luta para ter mais que o mínimo – desejo, necessidade, vontade. Nada com comodismo, nada com tempo de sobra. O capitalismo nos tirou quase tudo. A força não há quem tire.
Meus pais, eu e minhas irmãs, não passamos um dia sem bater de cara com as dificuldades de sermos pobres e desempregados. Um dos sonhos que martela em nossas cabeças é de passarmos do passo da necessidade para pensar na vontade e desejo. A situação financeira causa uma preocupação em outras proporções comparada com as de entregar um trabalho acadêmico, por exemplo. O medo dos meus pais é de faltar comida e dinheiro para manter as filhas estudando. Pensar nas necessidades é sobre chegar em casa e ouvir que seu pai está com os braços doendo do peso que carregou o dia todo para pagar um boleto no fim do dia. É saber que todo o trabalho braçal parece sem fim. É ouvir da mãe que o dinheiro tem um valor maior do que eu realmente imaginava que tinha enquanto voltava para casa nos brilhos dos meus 12 anos.
Às vezes minha bolha, nas redes sociais, fala que temos que aproveitar para viajar, tirar um tempo para descansar e não fazer necessariamente uma faculdade ou trabalhar. Aqui, na casa da família Vital, é preciso trabalhar o mais cedo que puder e correr para juntar um dinheirinho para comprar, por exemplo, uma máquina de lavar que não faça sua mãe sofrer tanto com as dores nas mãos e nos ombros.
Trabalhar, muitas vezes, significa ter o mínimo para minimizar as dores. Cresci tendo como inspiração quem rala duro. Mas não tendo a meritocracia como princípio, e sim a rebeldia. Ser rebelde é lutar pelo justo, é por vezes andar com a cara de cansaço e de repente dar um sorriso para fugir da cara da fome. Quando paramos para analisar em que pé estamos, veremos algumas cenas de felicidade: uma filha formada, um pão a mais na mesa, um elogio pela limpeza da máquina do companheiro de trabalho. Não enxergo a minha família como um elemento único, mas membro de uma série em cadeia de muitas famílias com os mesmos problemas que a nossa. O pobre não é único e não se pode dar ao luxo de pensar em ser. O rico quer um tempo para ele, enquanto o capitalismo afeta o tempo de quem não tem tempo para pensar no que se perde, mas reproduz um sistema que não quer saber da massa e sim do que a massa produz.
“Os sonhos não envelhecem”, como disse Milton Nascimento. Concordo que eles não envelhecem, porém eles se transfiguram, são adiados, reinventados, até chegar a cada pequena vitória. O sorriso do meu pai, admirado pela dedicação das filhas aos estudos é um sonho não envelhecido, tão pouco finalizado. O sonho é a continuação da persistência de um mundo mais justo e igualitário.
Nossa mãe, minha, de Catarina e Rafaela, sorri ao ver a caçula chegar da escola com a camiseta da UBES, e falar que conseguiu montar o grêmio no colégio. Eu sorri ao ver minha irmã, secundarista, tendo a consciência da responsabilidade de ser uma delegada representando a escola da periferia de Osasco. Rafaela, nossa irmã mais velha, entregou o TCC essa semana, com os olhos cheios de lágrimas deu a notícia hoje para o nosso velho: ela foi aprovada na faculdade. Rafa será a professora de História, marxista da quebrada, ainda mais querida pelos alunos, não só do cursinho popular que leciona atualmente.
Bem, eu, sigo acreditando no movimento estudantil e em suas reconfigurações. Tem gente que não vê significado em um centro acadêmico, diretório, DCE… Há quem ache que nada muda. Há quem acredite que ninguém faz nada para mudar. Eu acredito que a força de um estudante ultrapassa qualquer descrença e ausência de apoio. A batalha é mais árdua, mas não é impossível. Ser combativo é um desafio necessário.
Nem toda essa história deslumbrada pelos movimentos sociais e estudantis pode fazer sentido para quem está lendo. Essas linhas contam uma versão de uma identificação com a luta pela unidade popular.
Atualmente quando eu volto do serviço, no trem lotado, percebo que estou sempre ligada as minhas memórias e bandeiras. Ir a um ato para quem é da periferia, com as nossas pautas, tem um significado muito maior do que para o rico de esquerda que não teve dificuldade alguma para se locomover para o centro, onde a manifestação costuma ser realizada. Aqui, a gente costuma comemorar quando o ato é na viela de cima, quando a reunião feminista é na casa da colega da favela e torcemos para que os companheiros do centro da cidade consigam nos visitar, aliás, são forças que se somam. Às vezes parece que a esquerda dos ricos nem sempre se preocupa em ajudar quem não consegue se deslocar, mas tem sua presença confirmada em todas as manifestações no centro da cidade. Às vezes é apenas uma disputa de ego entre as turmas para ver quem grita mais. Nossa bandeira é hasteada cada dia em todos os momentos que exigem sermos quem somos. A vida nos exige mais do que disputa por imagem. Somos a própria disputa por narrativa.
Necessidade é a palavra. Lembro da minha aula de História no oitavo ano, uma sala de 44 estudantes, em que analisamos a música “Comida”, da banda Titãs. O que me reafirmo cada dia mais é que, assim como na letra da canção, sigo querendo o inteiro e não a metade. Nossa família quer o direito de ter vontade. O direito a falar que quer tirar um ano para descansar das condições desumanas de trabalho. Queremos ter a “ousadia” de poder falar que trabalhamos em situações precárias e exigir o mínimo de como tem que ser.
Você tem sede de quê? Você tem fome de quê? Você tem medo de quê?
O meu único medo é de morrer calada e sem memória. Comecei a estudar jornalismo há um ano e uma das primeiras coisas que me falaram é que jornalista não transforma o mundo. Talvez a gente não consiga mesmo transformá-lo, porém podemos encorajar quem lê, escuta, assiste… A provar um pouco de novos (velhos) mundos.
Ser comunicador é sentir e pensar mais no outro do que em você. Ocupar espaços e resistir na comunicação é contato, por o pé na rua e olhar na cara de quem está entrevistando. Há quem extrapole nisso e há quem se esqueça do outro por simples escolha. Colocar o rico na favela com algumas linhas é difícil, porque nada substitui o pé no baile funk, a sensação de dormir numa ocupação ou soltar pipa na laje. Não escrevemos para gaveta, escrever é um dos atos de pensar que o próximo pode querer vivenciar aquilo e lutar por transformação.
A gente não quer só o pão na mesa, a gente quer a vida de escolhas que os outros dizem por aí. A gente quer o passe livre para ter o acesso à cultura que os outros dizem por aí. Queremos frequentar o centro da inspiração, da criatividade, do teatro, que mostram as fotos por aí. A gente quer viver o que vê. Queremos ser o que dizemos que queremos ser.
O capitalismo minimiza o ser humano. Reduz suas habilidades e pressiona o que há de melhor em você. A resistência é diária e precisa da força de cada militante. Há dias que você se cansa e quer fugir. Há dias que você quer gritar e responder a altura dos absurdos que são direcionados a você. Há dias que o cansaço te puxa e quase convence que as coisas que você faz não valem à pena. A luta é diária e presente. Ela nunca pensa em sumir e sair de quem tem um coração rebelde pelo justo e popular.
Temos que ter mais tempo não só para os descansos dos ricos, mas para intervir na briga “de marido e mulher”, no corredor que separa a minha casa e da família Baptista. Batalhamos para dormir razoavelmente melhor, para sorrir mais e bufar menos no dia seguinte. Luto para arranjar um tempo, com menos caos, para escrever essas linhas. Ser estudante pobre é resistir dentro e fora da universidade. A antena capta informações, o jornalista captura histórias, mas meu coração e toda família Vital capturaram muito antes qualquer tipo de sensação que finge incorporar nos programas de sensibilização barata. Não precisamos de pessoas como Luciano Hulk, precisamos de gente com desejo de mudança e vontade de verdade. A antena captou muitas imagens nesses últimos anos. Nosso coração foi e é capturado pelas mídias em muitos momentos de nossas vidas, mas ainda preferimos a rebeldia presencial por nossos direitos. Os sonhos estão latentes como há anos atrás.
Músicas: “Televisão” dos Titãs, disco: “Televisão” (1985)
“Comida” – dos Titãs, disco: “Jesus não Tem Dentes no País dos Banguelas” (1987)
Foto de destaque: Karla Boughoff