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quinta-feira, 29 de março de 2018

Marielle: As Operações de Mídia

O necropoder ataca a potência, por isso os mesmo heróis celebrados pela mídia são os elementos matáveis para o Estado

A comoção gigantesca por Marielle, um fenômeno nas redes e nas ruas, para além dos que partilhavam de suas lutas, viralizou e se globalizou levando junto valores que hoje vão na contramão do retrocesso político que vivemos.
A reação das mídias corporativas foi imediata: Fantástico, o RJ TV, o Jornal Nacional novelizaram a execução de Marielle Franco, e fizeram um perfil humano e digno de sua vida, nos apresentando sua família, sua filha, sua mulher embalados para aquele consumo anestesiante, como fizeram com vários outros personagens políticos, inclusive com uma parte da indignação de 2013 que foi canalizada para o golpe de 2016. Mas as coisas são mais complexas que isso e é possível mesmo celebrar a posição da Globo à esquerda da direita!
O Fantástico e a cobertura massiva de um assassinato político faz o que é possível para colar o carisma de Marielle, sua cara iluminada, seu sorriso lindo, de jovem negra vitoriosa vinda da favela contra o poder de morte do Estado, aos arquétipos de sua teledramaturgia.
O capitalismo trabalha com a potência, se apropria da potência. Sempre tivemos uma bipolaridade no tratamento que a Globo dá as questões de comportamento e do imaginário e as questões do embate econômico-político.
São liberais no comportamento (homoafetividade, comportamentos disruptivos da juventude, afropunk, cultura trans, a potência ligada aos desejos) , e traduzem isso como a “periferia legal”, o “novo”, o hype, etc.
A esquizofrenia e perversão é que os mesmo sujeitos do discurso e da potência, transformados em personagens de um multiculturalismo não problemático, são os “elementos suspeitos” e matáveis para o Estado, a polícia e o exército, e recebem respaldo da mídia.
A negra linda e descolada, as marielles politizadas, as minas pretas com seus cabelos coloridos, o jovem hype da periferia, eles são os mesmos que são matáveis! Essa “dissociação” é perversa! Dissociação cognitiva, política, uma operação de mídia e de linguagem.
Temos sim que celebrar a posição da Globo contra a difamação, as fakenews, o discurso de ódio e a apresentação pedagógica da cartilha dos direitos humanos para um contingente que faz apologia da barbárie.

Ou seja, não adianta achar que o PSOL não deveria colaborar com a Globo, e nem que suas lideranças não deveriam aparecer no Fantástico! Seria desinteligente! Ainda mais com a audiência gigantesca que tiveram. Pois sabem vocalizar a potência dos corpos e do imaginário.
Vamos aprender com a Globo, com a publicidade, com Hollywood, a tal da disputa das narrativas.
Nossas lutas e corpos são a matéria dos sonhos, sã a matéria do imaginário, é isso que os novos movimentos políticos e pops podem buscar. Esse é o novo ativismo que passa pela comoção e pelos afetos potentes, pela renovação da linguagem. É isso que vejo na Mídia Ninja, nos coletivos de arte e urbanismo, que podemos ver em uma campanha como a de Boulos/Guajajara, na cara dos cotistas dentro das universidades, no funk, no hip hop, no jongo, nas culturas explosivas e disruptivas etc. Potência dos corpos que sofrem o poder e transformam as forças mais hostis em potência.
Na mídia, a distorção vem depois. Dissociada, mais uma vez: Ao final da edição, do Fantástico, do Bom Dia Brasil, do RJ TV, do Jornal Nacional desta segunda, finalizam com matérias redentoras dos bilhões do governo Temer para a Intervenção no Rio, que “serão tirados de outras áreas”, de que áreas, com as universidades, a saúde, congelada por decreto de 20 anos? Projeto de eleição, de poder, de sujeição.
Acende-se uma vela ao imaginário contemporâneo das lutas e ao necropoder, o poder de morte do Estado brasileiro, conectando Marielle a uma operação que combatia: a intervenção militar no Rio de Janeiro.
Ou seja, a denúncia de Marielle de possíveis crimes cometidos por policiais, sua posição crítica diante da Intervenção militar no Rio, se conectam com uma solução mágica: mais recursos para a própria intervenção! Mais recursos para o necropoder!
A morte de Marielle está em disputa por muitas lutas! Os conservadores, liberais a extrema-direita, a Globo, etc, todos querem surfar nesse acontecimento que desequilibra, pela sua brutalidade as narrativas pré-eleições.
Mas também, o que prova sua morte? Que chegou um ponto sem retorno para avançar nos movimentos pela consolidação dos direitos humanos no Brasil, os movimentos contra o racismo, machismo, o genocídio dos jovens negros das periferias, contra esse mesmo necropoder que a matou. #mariellepresente

Fonte: Mídia Ninja

Programação do 8ºEME reflete desafios das mulheres nas ruas e universidades

por Cristiane Tada
Serão três dias com mesas de discussão, convidadas especiais, nove arenas feministas de debate, e uma plenária final
Raça, classe, violência, trabalho, saúde, gênero, política e educação são alguns dos assuntos que mais de 3 mil estudantes esperadas para o 8º Encontro de Mulheres Estudantes da UNE vão abraçar durante os três dias de encontro.
Sob um território livre de machismo que vai ocupar a Universidade Federal de Juiz de Fora de 30 de Março a 1 de Abril as mulheres estudantes terão espaço de voz e reflexão sobre seus desafios cotidianos e formas de organização de resistência. 
O tema desta edição Mulheres em Movimento: A Resistência feminista nas universidades e nas ruasvai se desdobrar em três mesas de discussão, nove arenas feministas de debate, e uma plenária final no último dia que deve aprovar uma Carta que vai marcar os 15 anos de Diretoria de Mulheres da UNE.
O time de convidadas está especial. Já estão confirmadas as presenças da representante da Coordenação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos (MND) Eliane Moura, a rapper  Preta Rara, a representante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) Nalu Faria, a deputada estadual pelo Rio Grande do Sul e candidata à presidência, Manuela d’Avila, a jornalista e youtuber Tia Má e a representante da Central única dos Trabalhadores (CUT), Juliane Furno.
Se liga na programação:

PROGRAMAÇÃO DO 8º EME DA UNE

PROGRAMAÇÃO DO 8º EME DA UNE
SEXTA – 30/03
19h – Abertura do 8º EME da UNE e Homenagem à Marielle Franco
22h30 – Show das Guerreiras de Clara
SÁBADO– 31/03
Oficinas Autogestionadas/Mostra
8h30 Científica/Montagem Exposições
10h Mesa Mulheres em movimento: A resistência feminista nas universidades e nas ruas
14h Roda Viva: Resistência Feminista frente ao golpe e ao avanço neoliberal conservador.
16h Arenas Feministas
Arena 1 – Raça, classe e gênero: os desafios na construção de um feminismo antirracista e anticapitalista;
Arena 2 – Universidade e Mundo do Trabalho: divisão sexual do trabalho, desigualdade salarial e economia feminista;
Arena 3 – Em defesa do SUS: saúde para todas!
Arena 4 –Soberania nacional: do campo à cidade;
Arena 5 – Violência contra as mulheres e segurança pública;
Arena 6 – Os desafios para a permanência das mulheres nas universidades: assistência estudantil, creche universitária e segurança no campus;
Arena 7 – A cultura feminista transformando as ruas e a universidade;
Arena 8 – Mulheres por uma educação emancipadora!;
Arena 9 – Mudar a política para mudar a vida das mulheres!
20h – Mesa de debate Mulheres LBTs em Movimento
21h – Mesa de debate Mulheres Negras em Movimento
22h – Cultural Feminista com Preta Rara, Rebu Bloco, Marias Bonita, Laura Conceição, Tata Dellon, Thaina Kriya e Amanda Messias
DOMINGO – 1/04
9h – EME da UNE: A contribuição da UNE para o fortalecimento da luta feminista no Brasil.
10h30 Plenária Final e Lançamento da Campanha da UNE Feminista

Fonte: UNE

CULTURA: Dilma sobre Padilha: mentiroso, golpista, farsante, ilusionista e pusilânime

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Farsa começou no livro do filho da Míriam Leitão sobre o Moro (Reprodução: DCM)
​É o cineasta-publicitário do fascismo latente no Brasil
Conversa Afiada reproduz serena análise da Presidenta Dilma Rousseff sobre o filme que ganhou as primeiras páginas do PiG nesse domingo:

O mecanismo de José Padilha para assassinar reputações


Cineasta propaga “fake news" na série de TV lançada pela Netflix. Dilma desmascara as mentiras
Nota de esclarecimento

O país continua vivo, apesar dos ilusionistas, dos vendedores de ódio e dos golpistas de plantão. Agora, a narrativa pró-Golpe de 2016 ganha novas cores, numa visão distorcida da história, com tons típicos do fascismo latente no país. 
A propósito de contar a história da Lava-Jato, numa série “baseada em fatos reais”, o cineasta José Padilha incorre na distorção da realidade e na propagação de mentiras de toda sorte para atacar a mim e ao presidente Lula.
A série “O Mecanismo”, na Netflix, é mentirosa e dissimulada. O diretor inventa fatos. Não reproduz “fake news”. Ele próprio tornou-se um criador de notícias falsas. 
O cineasta trata o escândalo do Banestado, cujo doleiro-delator era Alberto Yousseff, numa linha de tempo alternativa. Ora, se a série é “baseada em fatos reais”, no mínimo é preciso se ater ao tempo em que os fatos ocorreram. O caso Banestado não começou em 2003, como está na série, mas em 1996, em pleno governo FHC.
Sobre mim, o diretor de cinema usa as mesmas tintas de parte da imprensa brasileira para praticar assassinato de reputações, vertendo mentiras na série de TV, algumas que nem mesmo parte da grande mídia nacional teve coragem de insinuar.
Youssef jamais teve participação na minha campanha de reeleição, nem esteve na sede do comitê, como destaca a série, logo em seu primeiro capítulo. A verdade é que o doleiro nunca teve contato com qualquer integrante da minha campanha.
A má fé do cineasta é gritante, ao ponto de cometer outra fantasia: a de que eu seria próxima de Paulo Roberto da Costa. Isso não é verdade. Eu nunca tive qualquer tipo de amizade com Paulo Roberto, exonerado da Petrobras no meu governo.
Na série de TV, o cineasta ainda tem o desplante de usar as célebres palavras do senador Romero Jucá (PMDB-RR) sobre “estancar a sangria”, na época do impeachment fraudulento, num esforço para evitar que as investigações chegassem até aos golpistas. Juca confessava ali o desejo de “um grande acordo nacional”. O estarrecedor é que o cineasta atribui tais declarações ao personagem que encarna o presidente Lula.
Reparem. Na vida real, Lula jamais deu tais declarações. O senador Romero Jucá, líder do golpe, afirmou isso numa conversa com o delator Sérgio Machado, que o gravou e a quem esclarecia sobre o caráter estratégico do meu impeachment. 
Na ocasião, Jucá e Machado debatiam como paralisar as investigações da Lava Jato contra membros do PMDB e do governo Temer, o que seria obtido pela chegada dos golpistas ao poder, a partir do meu afastamento da Presidência da República, em 2016.
Outra mentira é a declaração do personagem baseado em Youssef de que, em 2003, o então ministro da Justiça era seu advogado. Uma farsa. A pasta era ocupada naquela época por Márcio Thomas Bastos. Padilha faz o ataque à honra do criminalista à sorrelfa. O advogado sequer está vivo hoje para se defender.
O cineasta não usa a liberdade artística para recriar um episódio da história nacional. Ele mente, distorce e falseia. Isso é mais do que desonestidade intelectual. É próprio de um pusilânime a serviço de uma versão que teme a verdade.
É como se recriassem no cinema os últimos momentos da tragédia de John Kennedy, colocando o assassino, Lee Harvey Oswald, acusando a vítima. Ou Winston Churchill acertando com Adolf Hitler uma aliança para atacar os Estados Unidos. Ou Getúlio Vargas muito amigo de Carlos Lacerda, apoiando o golpe em 1954.
O cineasta faz ficção ao tratar da história do país, mas sem avisar a opinião pública. Declara basear-se em fatos reais e com isso tenta dissimula o que está fazendo, ao inventar passagens e distorcer os fatos reais da história para emoldurar a realidade à sua maneira e ao seu bel prazer. 
Reitero meu respeito à liberdade de expressão e à manifestação artística. Há quem queira fazer ficção e tem todo o direito de fazê-lo. Mas é forçoso reconhecer que se trata de ficção. Caso contrário, o que se está fazendo não está baseado em fatos reais, mas em distorções reais, em “fake news” inventadas.

Dilma Rousseff
Fonte: Conversa Afiada - Paulo Henrique amorim

Audiência pública do Condephaat apresenta proposta de tombamento do Bairro de Santa Ifigênia


No dia 16 de abril, segunda-feira, a partir das 9h00, o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) promove audiência pública para apresentar a proposta de tombamento do Bairro de Santa Ifigênia e sua regulamentação.
Esta audiência pública objetiva promover um adequado tratamento dos diversos interesses envolvidos na área de proteção do Bairro de Santa Ifigênia, de modo a ouvir vários segmentos da sociedade e interessados em geral e, assim, aprimorar e dar transparência aos atos do Condephaat.
A proposta de tombamento do bairro recai sobre o perímetro formado pela intersecção dos eixos das vias Avenida Duque de Caxias, Rua Mauá, Largo General Osório, Rua Mauá, Rua Brigadeiro Tobias, Viaduto Santa Ifigênia, Rua Brigadeiro Tobias, Rua Capitão Salomão, Largo Paissandu, Avenida Rio Branco e Avenida Duque de Caxias. Dentro deste perímetro estão listados 88 imóveis.
Para acessar o Regulamento da audiência, clique aqui
AUDIÊNCIA PÚBLICA
DATA: 16 de abril de 2018
HORÁRIO: 9h30 às 13h00
LOCAL: Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, 1º. andar, auditório (Rua Mauá, nº 51, Luz – São Paulo SP)

MIS/SP tem nova programação de cinema!


MIS inicou uma nova programação, o Cinema Paulista Já!Idealizado por Isa Castro, Diretora Cultural do Museu, o programa busca mostrar como o cinema paulista se renovou a partir de uma geração de cineastas independentes que fizeram seus primeiros longas-metragens de ficção nos anos 1980.
O programa traz, a cada edição, um personagem desta geração e uma retrospectiva de seus filmes. O primeiro convidado é Alain Fresnot, diretor de filmes como Lua cheiaEd MortDesmundo e Família vende tudo. Para que esses filmes possam ser exibidos, a pesquisa não se resume ao acervo do Museu da Imagem e do Som, mas se estende a acervos universitários e de espaços como a Cinemateca Brasileira. A segunda edição do Cinema Paulista Já! Será em junho e tem como convidado André Klotzel.
Entre os filmes dessa geração que se destacam estão Asa Branca – um sonho brasileiro (1981), de Djalma Limongi Batista; A marvada carne (1985), de André Klotzel; Anjos da noite (1987), de Wilson Barros; A dama do Cine Shanghai (1987), de Guilherme de Almeida Prado; Cidade oculta (1986), de Chico Botelho; Jogo Duro (1986), de Ugo Giorgetti; Romance (1988), de Sérgio Bianchi e Feliz ano velho (1988), de Roberto Gervitz.
“O que nos diferencia de outras gerações era o espírito colaborativo: todos se conheciam, assim trocávamos experiências, emprestávamos equipamentos e atuávamos em diversas funções e em projetos de todos os amigos.”

Por Brasil Cultura

quarta-feira, 28 de março de 2018

10 coisas que você precisa saber sobre a morte de Edson Luis

O episódio histórico completa 50 anos com protestos nesta quarta (28/03)


Dizem que o ano de 1968 ainda não terminou. Cinquenta anos depois, muitas questões colocadas naquela época não foram resolvidas. É por isso que os estudantes brasileiros continuam se lembrando e homenageando o garoto de 17 anos morto naquele 28 de março. Aproveite a Jornada de Lutas Edson Luís para conhecer melhor esta história.

 1. Naquele ano, manifestações e organizações estudantis eram proibidas


A primeira coisa que os militares fizeram, no dia seguinte ao Golpe Militar de 1964, foi fechar as entidades estudantis e demolir a sede da UBES e da UNE.
Desde então, foram reprimidos todos os protestos por uma educação pública de qualidade ou que questionassem o regime.
Mesmo assim, estudantes insistiam na liberdade de expressão. Marcavam protestos relâmpagos, tentavam driblar policiais e agentes infiltrados nos movimentos, apanhavam e resistiam.
Circulava um “manual do protesto” distribuído pelo Comando Intelectual, com recomendações como “ir em jejum” e usar “leite de magnésia em torno dos olhos, para anular o gás”.

2. Mataram um estudante comum

Sabe quando tentam dizer que “na ditadura só morria quem fazia coisa errada”? Pois é. Edson Luís de Souto Lima, 17 anos, saiu de Belém (PA) e só queria cursar a escola técnica no Rio de Janeiro. Era a maior perspectiva de estudos para os pobres, que nem sonhavam com universidade.
Filho de lavadeira, ele fazia bicos de faxina para se manter e comia no restaurante universitário Calabouço, para jovens de renda baix

3. Morreu por querer assistência estudantil

Estudantes tentam protestar na frente do Restaurante Calabouço (Acervo O Globo)
Edson fazia parte da FUEC – Frente Unida dos Estudantes do Calabouço. No dia em que morreu com um tiro, policiais tentavam reprimir um protesto pelo preço da comida do Calabouço.
Uma mentira que insistem em repetir sobre a ditadura é que “as escolas eram melhores”. Veja só: em 1969, a Emenda Constitucional número 1 desobrigou o Estado de reverter 12% do PIB para Educação. O percentual caiu de 7,6%, em 1970, para 4,31%, em 1975. Ficou em 5% em 1978. Quem podia começou a ir para escola particular. E ai de quem reclamasse.

4. Edson não foi o único morto naquele dia


Benedito Dutra também levou um tiro da polícia militar. Também foi em seguida levado até a Assembleia Legislativa pelos colegas, que temiam que os policiais sumissem com os corpos. Lá, um deputado médico viu que Benedito tinha vida. Ele chegou a ser internado em um hospital, por isso não foi velado com Edson, mas acabou falecendo no dia seguinte.

5. O Rio de Janeiro parou por um estudante

Multidão abre caminho para caixão de Edson Luís na Cinelândia, em 29 de março de 1968
No velório de Edson Luís, pela primeira vez em quatro anos, desde o Golpe de 1964, a população em peso foi às ruas indignada.
“Mataram um estudante. Podia ser seu filho”. A manchete chocou até a classe média, que compareceu na Cinelândia naquele 29 de março.

6. Na missa de sétimo dia, policiais cercaram a igreja

Cenas de horror: na missa de sétimo dia de Edson Luís, a cavalaria da polícia cercava a Candelária

Incomodado com o levante popular, o Exército baixou medida: “As autoridades não permitirão atos públicos após as missas”. No sétimo dia de Edson Luís, a Igreja da Candelária foi cercada pela cavalaria e os presentes só puderam sair cercados pelos padres.

7. Depois de Edson Luís, Cem Mil foram às ruas

Passeata dos Cem Mil, em junho de 1968. Artistas, intelectuais e clero com estudantes
O acirramento entre estudantes e Exército só aumentou, com mais protestos relâmpagos e mais violência explícita. A Passeata dos Cem Mil, na Cinelândia, Rio de Janeiro, foi a demonstração de que a sociedade não concordava com isso.

8. O episódio Edson Luís levou à fase mais tensa da ditadura


Em vez de permitir a liberdade de expressão e a democracia, sob pressão o regime autoritário se tornou ainda mais cruel. O ano de 1968 terminou com o Ato Institucional número 5 (AI-5): não existiam mais deputados nem Congresso Nacional. E as pessoas estavam proibidas de se reunir, em clubes, sindicatos, até nos próprios lares.
O regime iria durar nesses termos por mais 17 anos. A UBES não conseguiu atuar nem na ilegalidade por 10 anos, de 1971 a 1981.

9. O mesmo ano foi decisivo para estudantes de outros lugares do mundo

Greve na Universidade de Columbia, EUA (Don Hogan Charles – The New York Times)
É um fenômeno de 1968 a existência de estudantes que contestavam a realidade, acreditavam num mundo diferente e acabaram presos, feridos ou mortos pelo Estado em vários lugares do mundo.
Nos Estados Unidos, a juventude criticava a Guerra do Vietnã, o racismo e a exploração econômica da sociedade americana, por meio de manifestações, barricadas, ocupações.
Na França, maio de 1968 entrou para a história pelos protestos estudantis que pediam reforma da educação. No México, estudantes pediam direitos civis e fim da repressão policial. Centenas foram mortos no “Massacre de Tlatelolco”, às vésperas da Olimpíada.

10. Depois de Edson, mais de 200 jovens foram assassinados durante a ditadura

Apenas entre as vítimas oficiais do Estado brasileiro, pelo menos 220 dos 434 mortos, “sumidos” e violentados até a morte tinham menos de 30 anos.

30% das vítimas da ditadura não tinham ou tinham muito pouco envolvimento político, como Edson Luís.
Fonte: UBES

A máquina de matar e encarcerar negros de chama Racismo!



"Desafios mais profundos"- Metade do país acusa a polícia de racismo, a outra metade defende as forças de segurança. 

Hoje no mundo uma alternativa e até uma “utopia de civilização”, que poderia ser oferecida ao mundo em um momento de obscuridade e ameaças de novas barbáries que degradam a Humanidade.É uma forma de institucionalizar o racismo. A máquina de encarcerar e matar negros é a chamada “guerra às drogas”. Uma das principais lideranças norte-americanas na luta pela reforma das políticas de drogas e no enfrentamento ao racismo é a ativista e advogada Deborah Peterson Small, 60 anos, graduada em Direito e Políticas Públicas pela Universidade de Harvard. 


Revolta e frustração:Quase todos os casos têm um elemento comum, e a única excepção será ainda mais trágica do que os restantes como as relatada a baixo:

Stephon Clark foi morto com 20 tiros no jardim da casa de sua vó

A policia havia recebido uma denúncia de que um homem estava quebrando janelas de veículos e se escondera no quintal de uma casa.

Stephon Clark, de 22 anos, parecia o principal suspeito para as autoridades. Quando o viram com o celular na mão, disseram "Arma! Arma!" e atiraram 20 vezes no homem, no jardim da casa de sua avó.

O incidente aconteceu no último dia 18 de março, em Sacramento, na Califórnia. Após o assassinato do jovem, diversos protestos foram organizados para pedir justiça e trazendo novamente à tona o debate sobre violência policial contra negros nos EUA.

Bloqueando vias e gritando "Acabem com isso", em referência às mortes de pessoas negras desarmadas por policiais, diversas pessoas se reuniram na porta da arena do Sacramento Kings.

O próprio time e o Boston Celtics, que disputam a NBA, se manifestaram a respeito, utilizando uma camiseta em homenagem à vítima e dando declarações a respeito do assassinato ao final de uma partida.

Além disso, celebridades se pronunciaram sobre a morte do jovem, cobrando a resolução do caso, inclusive a atriz Amy Schumer.

Em uma coletiva de imprensa, a avó da vítima, Sequita Thompson, questionou a crueldade do ato. "Por que vocês não atiraram nele no braço? Nas pernas? Por quê? Por quê? Justiça! Eu quero justiça para meu bebê. Eu só quero justiça para Stephon Clark. Por favor, nos deem justiça!", pediu.

Um amigo da família também criticou a ação da polícia. "Quem policia a polícia? Precisamos de voz", disse Darron Powe.

Lembrando outros casos:

Anthony Hill- Aos 27 anos, Anthony Hill foi assassinado por um policial branco, em março, na Geórgia. Hill, que sofria de problemas psiquiátricos, estava desarmado e teria atacado um dos agentes, enquanto corria nu em um complexo residencial da região metropolitana de Atlanta

Tamir Rice- O menino de 12 anos de Cleveland, em Ohio, foi morto com dois tiros em 21 de novembro de 2014 ao usar uma arma de brinquedo em um parque. A denúncia feita à polícia dizia que uma pessoa apontava uma arma para pedestres, mas ressaltava que poderia ser de brinquedo. O funcionário que atendeu a ligação perguntou duas vezes se o jovem era negro ou não

Michael Brown -Um caso que também gerou protestos nos Estados Unidos foi o de Michael Brown, de 18 anos. Brown estava desarmado ao ser abordado pela polícia em Ferguson, Missouri, em 9 de agosto do ano passado. Ele era suspeito de roubar um maço de cigarros de uma loja. Segundo a autópsia, o jovem levou seis tiros

Eric Garner -A decisão de um júri popular em não indiciar o policial envolvido na morte de Eric Garner gerou manifestações em cidades americanas, em dezembro de 2014. Pai de seis filhos, Garner, de 43 anos, morreu asfixiado durante uma detenção em Nova York, em 17 de julho daquele ano. Era suspeito de vender cigarros ilegalmente na rua. Garner disse ao agente

Kajieme Powell- Dias depois da morte de Brown, outro jovem negro foi morto em St. Louis, vizinha de Ferguson. Segundo policiais, Kajieme Powell, de 23 anos, tinha uma faca e ameaçava as pessoas. Testemunhas dizem que o jovem não oferecia perigo. Ele teria problemas mentais.


Se liga:Um negro, um indígena ou um mestiço podem ser alvo de preconceito por motivos diferentes. Um negro pode ser essa vítima simplesmente por ser negro. Trataria-se, na verdade de reconhecer que ele pertence a uma "raça inferior". É o racismo que não tem saída. Quando nos Estados Unidos no passado o os negros não podiam andar de ônibus ao lado dos brancos nem usar o mesmo banheiro, a discriminação era de raça. Era como se estivessem deixando os porcos entrarem em casa.

No Brasil:Quando no Brasil a polícia, na rua, flagra um assalto e um negro e um branco saem correndo, o mais certo é que tente deter o negro, que para o policial é o mais provável que seja um bandido. Nesse caso, o racismo não é necessariamente racial. A noção geral é de que os negros estudam menos, sabem menos, são mais pobres e, portanto, são mais inclinados ao crime. É um racismo social sendo assim é urgente que se coloquem todas as forças a serviço de uma melhor escolaridade para os brasileiros negros, algo que castiga os mais pobres, discriminando-os e relegando-os aos trabalhos mais “inferiores”. É urgente que se aprofunde, desde a escola, o conceito de que não existem raças, mas sim etnias, todas elas igualmente humanas, igualmente ricas e dignas de respeito.


Mais enquanto isso vamos importar dos EUA as:Dez regras para sobreviver se for parado pela polícia

1. Seja educado e respeitoso se parado pela polícia. Mantenha a boca fechada.

2. Lembre que sua meta é chegar em casa em segurança. Se sentir que seus direitos foram violados, você e seus parentes têm o direito de fazer uma queixa em sua jurisdição policial.

3. Em nenhuma circunstância discuta com a polícia.

4. Sempre lembre que tudo que disser ou fizer pode ser usado contra você na Justiça.

5. Mantenha suas mãos à vista e se certifique de que a polícia pode vê-las o tempo todo.

6. Evite o contato físico com a polícia. Não faça nenhum movimento súbito e mantenha as mãos longe dos bolsos.

7. Não corra, mesmo que tenha medo da polícia.

8. Mesmo se acreditar que é inocente, não resista à prisão.

9. Não se pronuncie sobre o incidente até se encontrar com um advogado ou defensor público.

10. Fique calmo e mantenha o controle. Cuidado com as palavras, linguagem corporal e emoções.

“O Brasil nunca será um País de primeira classe enquanto considerar natural tratar os negros como cidadãos


de segunda classe”










Um afro abraço.
Claudia Vitalino.
Fonte: Cartilha da Igreja Batista Shiloh, em Washington