Postagem em destaque

FIQUEM LIGADOS! TODOS OS SÁBADOS NA RÁDIO AGRESTE FM - NOVA CRUZ-RN - 107.5 - DAS 19 HORAS ÁS 19 E 30: PROGRAMA 30 MINUTOS COM CULTURA" - PROMOÇÃO CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC-RN

Fiquem ligados nas ondas da Rádio Agreste FM - 107.5 - NOVA CRUZ, RIO GRANDE DO NORTE, todos os sábados: Programa "30 MINUTOS COM CULTU...

segunda-feira, 28 de maio de 2018

O oceano sutil da homofobia

Como adolescente gay (e no armário) dos anos 90, aprendi a camuflar minha diferença nas situações mais comuns e inusitadas da minha vida. Um exemplo disso é que atrás da porta do meu quarto tinha um calendário de uma marca de pneu digno de oficinas mecânicas, mas nos finais de semana, eu me reunia com minhas amigas e fazia os testes das revistas femininas adolescentes, cuidando para que, ao ler os resultados, os artigos e pronomes fossem alterados para masculino. Fazia tudo isso achando que minha orientação estava a salvo e escondida de tudo e todos.
Enquanto eu crescia, a minha diferença era uma desvantagem. Como se eu fosse o único que não sabia jogar truco num churrasco da família; ou como se eu fosse o único a não entender a diferença entre escanteio e impedimento; ou como se eu fosse o último a ser escolhido para o time durante a educação física na escola. Continuo sendo isso tudo, mas felizmente já entendi que sou tudo isso, mas não sou únicoFoi aí que essa minha diferença abandonou o barco da desvantagem e virou capitã do barco da minha identidade.
Acontece que essa segurança de quem eu sou não me protege das oscilações que qualquer viagem em mar aberto enfrenta. Numa viagem com amigos para um paraíso no meio do Brasil, o que me torna diferente esqueceu seu papel prioritário e resolveu virar peso no saco de pedras que todo mundo carrega. Ao entrar na embarcação (dessa vez literal) do nosso passeio, dois casais heterossexuais queriam sentar próximos uns dos outros. Na fileira de bancos entre eles, estávamos eu e meu noivo já fazia uns 10 minutos. Um dos homens, ao perceber o impasse, prontamente perguntou pra gente se havia um casal sentado na fileira ao lado deles. Meu noivo respondeu que sim. Uma incredulidade imperceptível (para a maioria, mas pra mim não)passou pelo rosto desse homem que retrucou: “Um casal!?”. Dessa vez, eu respondi que sim, talvez com mais impaciência do que firmeza. Ao perceber o potencial do novo impasse, a companheira dele disse que “estava tudo bem”e se despediu do outro casal que foi sentar no fundo da lancha.
Parece um impasse logístico simples, né? Talvez ao primeiro olhar até seja. Mas em todos os níveis não é. E definitivamente não estava tudo bem, como a companheira dele tentou frisar. A atitude do companheiro dela não é diferente nas outras pessoas e em diversas situações. O que é diferente é que muitas vezes atitudes como desse cara não são verbalizadas, mas estão lá. Num olhar quando você beija seu namorado no supermercado, numa virada de pescoço quando você o chama de amor no aeroporto, na surpresa daquele seu colega de trabalho que ainda não sabia que você era gay. E por aí vai.
Entre todos os mais diversos, variados e abrangentes problemas envolvidos numa situação como essa, o mais forte talvez seja o efeito que isso causa em quem percebe a frequência desse comportamento e se esforça muito de forma a não se afetar por isso. Lembra do saco de pedras que falei agora há pouco? Então, esse saco é aquele onde você guarda sua insegurança, sua incerteza, sua preocupação, sua ansiedade. Todo mundo tem um desses e o exercício é não deixar o peso dele te atrasar ou te afundar, no oceano cotidiano da vida.
Para casais gays, lésbicos e de outras configurações que desafiem a heteronormatividade, a luta e o exercício é constante. E começa antes mesmo do adversário apresentar suas armas. Quem nunca viu uma promoção para casais em restaurantes e já desconsiderou ir por ser gay? Quem nunca programou uma viagem e ficou preocupado se o hotel entenderia que no quarto deveria haver uma cama de casal, apesar dos hóspedes serem do mesmo sexo? Quem nunca hesitou em demonstrar afeto ao despedir do namorado (a) por considerar o ambiente silenciosamente hostil?

Nesse dia, quando duvidaram que eu e meu noivo éramos um casal, meu barco pode ter atrasado um pouco, mas não afundou. Talvez tenha atracado onde não devia por um tempo, mas eventualmente encontrou seu caminho de volta. Não existe um ditado que fala que mar calmo nunca fez um bom marinheiro?
Então, continuemos a navegar.
Fonte: Thanks to Redação TRENDR.

Cultura popular: sua diversidade e importância

Por Jorge Lyno
Nada é mais incisivo como marcador da identidade de um povo do que a cultura em que este povo mesmo se define. Sem ela, tal identidade simplesmente desaparece, dissolve-se, deixando ali, como consequência, uma amorfa massa humana. Daí ser imperativo o reconhecimento, incentivo e preservação da cultura popular de forma que as gerações futuras sintam-se não só herdeiras, mas também valedoras de gigantesco e precioso tesouro.
São elementos constitutivos da cultura popular os ritos, mitos, símbolos, folclore, todas as crenças, em suma, tudo aquilo que foi criado e conservado por aqueles que existiram antes nós. É o que forma nossa autoconsciência e o que permite que nos reconheçamos no lugar e pertença de nosso povo. Ademais, é sempre bom lembrar que é no ventre dos guetos, nas camadas pobres e interioranas que brotam as mais duradouras e valorosas manifestações dessa cultura.

Não obstante o advento da globalização, que visa “derrubar” fronteiras e mundializar os espaços geográficos, algumas regiões brasileiras procuram preservar costumes e tradições. Sendo um país de dimensão continental e tendo como base principal da formação de seu povo o europeu, o negro e o índio, e com a chegada mais tarde dos japoneses, italianos, alemães e árabes, é natural haver no Brasil enorme variedade de culturas. Assim sendo, a pletora de culinárias, danças, religiões e festas, que caracterizam cada região do país, desenha, no conjunto, um complexo painel cultural.
As celebrações e festas populares como o Círio de Nazaré e o festival de Parintins no Norte; O bumba meu boi, o maracatu, o caboclinho e o frevo no Nordeste; as cavalhadas, a procissão do fogaréu, o caruru e os deliciosos pratos com os peixes do Pantanal destacam-se no Centro-Oeste; a Festa do divino, festejos da Páscoa e dos santos padroeiros, a peregrinação a Aparecida e o carnaval são marcas do Sudeste; com forte influência dos italianos, espanhóis, portugueses e alemães, o Sul nos dá a festa da uva (cultura italiana), a oktoberfest (cultura alemã), o fandango (influência portuguesa e espanhola), o pau de fita e congada; da culinária sulista, o churrasco e o famoso chimarrão, pirão de peixe, marreco assado e o bom vinho encerram essa síntese cultural brasileira.
Como se vê, nossa riqueza material e imaterial é de dimensão oceânica, o que impõe um incansável exercício de sua defesa e preservação. Todos, exatamente todos devemos cuidar de tal riqueza, pois é nela que estão resguardados os valores tão caros a nosso povo. Por outro lado, não bastam políticas públicas para este fim, é importante entender que a exacerbada valorização da cultura de massa, pautada no efêmero e no modismo de ocasião promove a nefasta confusão demoníaca, capaz de sepultar o que é sólido, perene e possuidor de real valor.
Fonte: https://trendr.com.br/cultura-popular-sua-diversidade-e-import%C3%A2ncia-96446407feec

Proselitismo “rádios comunitárias”


Ao julgar uma ação impetrada há 17 anos por um partido político que já não existe mais, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional, por 7 votos contra 2, o dispositivo legal que proíbe as rádios comunitárias – que não se confundem com as rádios piratas – de veicular programas doutrinários de caráter religioso, filosófico, partidário ou ideológico. A proibição constava de um parágrafo da Lei n.° 9.612, que instituiu há duas décadas o Serviço de Radiodifusão Comunitária.
*Imagem – Cláudio Ribeiro – Jornalista, radialista e Compositor
Com uma cobertura restrita a um raio de apenas 1 km a partir da antena transmissora, as rádios comunitárias são emissoras mantidas por associações e fundações legalmente constituídas, sem fins lucrativos, com sede na localidade da prestação de seus serviços. Pela Lei n.° 9.612, elas devem ter uma programação pluralista, sem qualquer tipo de censura, e que contemple informação, lazer, manifestações culturais, artísticas e folclóricas, sem discriminação de raça, religião, sexo e condições sociais.
Além de obrigá-las a prestar serviços de utilidade pública, a Lei n.° 9.612 determina que essas rádios sejam abertas às opiniões, reivindicações e reclamações de todos os habitantes da região atendida. E permite que recebam patrocínio comercial, desde que os anunciantes sejam estabelecimentos situados na área da comunidade atendida. A função de uma rádio comunitária é difundir a cultura, tradições e hábitos sociais da comunidade. Uma das poucas restrições que o texto legal impõe é a atividade que classifica como “proselitismo”.
Foi justamente essa restrição que teve a inconstitucionalidade arguida pelo antigo Partido Liberal (PL), precursor do Partido da República (PR). A agremiação alegou que, em seu sentido léxico, proselitismo não é doutrinação, mas apenas uma atividade voltada à conversão de pessoas, inclusive no plano religioso. Relator da ação, o ministro Alexandre de Moraes votou contra o recurso, alegando que as rádios comunitárias deveriam ser neutras, por serem uma concessão do Estado. Também afirmou que, ao concentrar sua atuação na defesa de uma ideia única, essas emissoras estariam agindo de modo sectário, afrontando o princípio do pluralismo consagrado pela Lei n.° 9.612.
O argumento do relator foi endossado pelo ministro Luiz Fux, mas acabou sendo rejeitado pelos demais ministros que votaram (Dias Toffoli não participou da sessão e Gilmar Mendes se declarou impedido). Segundo eles, como proselitismo é um termo muito vago, ao proibi-lo a Lei n.° 9.612 colidiu com a liberdade de pensamento, criação, expressão e informação prevista pela Constituição, desde que não seja exercida incitando ódio e discriminação social e racial.
“O direito à liberdade de expressão abrange, necessariamente, uma dimensão social que engloba o direito de receber informações e ideias. Da mesma forma, a liberdade de pensamento inclui o discurso persuasivo e o uso de argumentos críticos”, disse o ministro Luís Edson Fachin, acompanhado pelos ministros Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Cármen Lúcia. “No mundo das redes sociais, em que cada um pode se encontrar em seu nicho ideológico, o risco de proselitismo é pequeno. Até porque eu confio na possibilidade de se desligar o rádio ou mudar de estação, caso ela não atenda à demanda que cada um tem em relação aos meios de comunicação”, afirmou o ministro Luís Roberto Barroso. “Proibir rádios de realizar discursos de convencimento é impedir a livre difusão de ideias, ainda que se cuide de ideia que possamos abominar, pois a liberdade de expressão não existe apenas para amparar as ideias com as quais concordamos, mas também para viabilizar e possibilitar o livre exercício de pensamento, inclusive de opiniões que contrariem as ideias majoritárias que se estabelecem numa dada formação social”, concluiu o decano da corte, Celso de Mello.
Custa crer que, apesar de sua importância, essa ação tenha tramitado por mais de uma década e meia na mais alta corte do País.
Fonte: BRASIL CULTURA

Inscrições para o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2018 estão abertas


Celeiro de escritores fundamentais para a formação da literatura brasileira, Minas Gerais viu nascer em seu território nomes como os de Carlos Drummond de Andrade, Murilo Rubião, Affonso Ávila, Adélia Prado, Fernando Sabino, Guimarães Rosa e Conceição Evaristo. Para impulsionar ainda mais a literatura mineira e nacional, a Secretaria de Estado de Cultura, por meio da Superintendência de Bibliotecas Públicas e Suplemento Literário, lança mais uma edição do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, uma das mais importantes premiações do segmento no país. As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas até o dia 1º de julho.
Edital destina o total de R$ 212 mil para os vencedores; projetos podem ser inscritos até o dia 1 de julho
O edital e os formulários encontram-se disponíveis aqui ou no site cultura.mg.gov.br
Fonte: BRASIL CULTURA

Museu Paranaense realiza oficina sobre Programa Memória do Mundo (MoW)


Hoje, dia 28/05, das 14h às 18h, o Museu Paranaense, em parceria com o Comitê MoW Brasil, realiza a oficina sobre o Programa Memória do Mundo (MoW), que integra a programação do II Seminário Nacional de Patrimônios, Arquivos, Museus e Bibliotecas. A participação é gratuita, as vagas são limitadas. Serão enviados certificados eletrônicos aos que participarem da atividade.
O evento terá a participação do diretor do MP, Renato Carneiro, que apresentará o acervo de Vladimir Kozák – primeiro acervo paranaense a ser nominado pelo Comitê. A oficina será ministrada por Dina Marques Pereira Araújo e Solange Straube Stecz, membros do Comitê MoWBrasil. Podem participar instituições de gestão de patrimônio documental como arquivos, centros de documentação e memória, museus, universidades, secretarias de cultura e fundações.
O objetivo das oficinas é apresentar o Programa e realizar treinamento para aperfeiçoar as propostas de candidaturas, de forma que estados e regiões ainda não representados no Registro Nacional possam apresentá-las com mais qualificação.
Sobre o MoW
O Programa Memória do Mundo foi criado pela Unesco para assegurar a preservação, por meio das técnicas mais apropriadas, do patrimônio documental com significação mundial, auxiliar o acesso universal ao patrimônio documental e aumentar a disseminação do conhecimento da existência e significação do patrimônio documental.
Serviço:
Oficina Regional sobre o Programa Memória do Mundo da Unesco (MoW)
Oficineiros: Renato Carneiro (diretor do Museu Paranaense), Dina Marques Pereira Araújo e Solange Straube Stecz (membros do Comitê MoWBrasil)
Data: 28 de maio de 2018 das 14h às 18h
Museu Paranaense | Auditório Loureiro Fernandes
Rua Kellers, 289. São Francisco. Curitiba/PR. (41) 3304-3300
Vagas limitadas. Inscrições gratuitas pelo e-mail: memoriadomundo@an.gov.br
Informações: https://goo.gl/A2KBNq
Fonte: SEEC -PR

domingo, 27 de maio de 2018

2º ENUEESP sintetiza urgências e lutas da população negra

2º ENUEESP sintetiza urgências e lutas da população negra

Um grande encontro de jovens estudantes, negros e negras, dispondo de muita energia e força para lutar contra o racismo na sociedade e na universidade. Foi assim o 2º ENUEESP, que levou centenas de pessoas para Araras, no interior de SP., nesse último final de semana, entre os dias 18 e 20 de maio. Somado a isso, o local escolhido para sediá-lo traduz a resistência a que se propôs o evento.O Sítio Quilombo Anastácia foi constituído como um assentamento rural na cidade desde os anos 70. No local também co- existe o terreiro Ilê Axé Yansã.

O debate que abriu oficialmente o Encontro, trouxe à tona o tema "O Negro e Negra no Projeto Nacional", com a participação na mesa de Rafael Pinto,  ogan Pejigan do local , coordenador Estadual do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira-Cenarab/Conen e Danilo Morais, sociólogo e professor da UniAraras.

Consenso no debate, ser um negro e universitário é revolucionário e a universidade como centro do projeto nacional deve valorizar a história, autores e intelectuais negros. 

"O projeto nacional deve levar em conta a maioria da população e os negros são a maioria. Não é o que acontece, nem nunca aconteceu. A questão racial é central no país e tem relação direta com a luta de classes. Para pôr fim a esse processo desigual no país, é preciso se organizar coletivamente. Ascensão individual não funciona para transformar. E encontros como esse são como universidades na produção de conhecimento",  disse Rafael.

Para Danilo a saída para colocar o negro em destaque nas políticas sociais e econômicas requerem teoria. "Não há prática revolucionária, sem teoria revolucionária. Mas não vai surgir um teórico e apontar as saídas! Essas ideais vêm da base e responder à questão de como construir uma movimento de resistência e emancipação dos negros", avaliou o sociólogo.

GRUPOS DEBATES E DE TRABALHO

Pela tarde, diversas painéis simultâneos de debates rolaram no local.  Cultura, desafios e permanência e racismo religioso organizaram uma linha de ação  dentro dos temas, e os debates sobre segurança pública, mulheres negras,lgbts, saúde e trabalho trouxeram grandes contribuições para a atual conjuntura.

O painel sobre racismo religioso trouxe o fotógrafo Roger Cipó, que falou sobre a  intolerância às religiões de matrizes africanas. " Não se trata de um preconceito contra uma ideia, um conceito religioso, é uma aversão, uma violência a tudo que vem de uma gênese negra.  O candomblé é marginalizado e invisibilizado, porque nasce do protagonismo de negros e negras. É necessário fomentar esse debate em locais de produção de conhecimento, como a universidade, para também recriar as narrativas, avaliou Roger.

No debate sobre mulheres, que lotou o espaço, Priscila Santos, especialista em políticas públicas em gênero e raça, falou sobre a luta das negras é muito anterior ao nome " feminismo"."Nas organizações de resistência, os quilombos, as mulheres já rompiam  desigualdades de gênero e o patriarcado".

Para Maria das Neves, coordenadora da UBM, é preciso assegurar que o projeto antipopular do atual governo não continue no poder. " Nós somos resistência. Mulheres, não tenham medo de serem negras e devemos derrotar essas estruturas  que colocam a mulher em um segundo plano."

 Marcos Paulo Silva, diretor de combate ao Racismo da UEE-SP, avaliou que o encontro da entidade trouxe as experiências de cada um na universidade e diálogo com as experiências históricas de resistências. "Conseguimos ressignificar muitos dos nossos símbolos históricos, e entendemos quais os nossos desafios para o próximo período e, assim, organizar uma rede de estudantes, coletivos e iniciativas negras para fortalecer nossa intervenção política  e nos manter forte para acabar com o racismo e a exclusão da população negra".

No final do segundo dia foi lido um documento que sintetiza os diversos debates e apontamentos realizados durante o encontro foi lido. Esse documento traz diversas reivindicações e ações que devem nortear a luta dos estudantes no próximo período.

A deputada estadual Leci Brandão  acompanhou a leitura do documento. "Esse é o momento da juventude negra colocar em prática o que foi discutido no evento.Que seja feito algo para acabar com esse racismo na sociedade, que mata e exclui os negros. Estou cansada do que foi feito lá atrás", avaliou a deputada.

A UEE-SP divulgará o documento na íntegra aprovado nos próximos dias nas redes e no site, e detalhes  sobre as rodas simultâneas.

Programação Cultural

Durante os dias o Encontro contou com apresentações culturais. No sábado, dia 19.05, o Samba do Pé Vermêio botou todo mundo para dançar em uma apresentação contagiante.
Fechando o  evento a cantora Bia Ferreira, trouxe toda sua resistência em voz e violão e a slammer Kimani fez sua poesia emocionar e levantar a galera.

Para acrescentar, Leci cantou em uma roda de samba no improviso, que surpreendeu a todos.

No sábado também aconteceu o lançamento do livro "Frantz Fanon - um revolucionário particularmente negro", do escrito Deivison Faustino.
O autor, que é professor de UNIFESP e doutor em sociologia, fez uma verdadeira aula sobre o psiquiatra e filósofo, com uma didática diferente, que prendeu a atenção de todos os participantes.

Em entrevista à UEE-SP, Deivison, ele explica que a obra traz a biografia do autor e comenta seus textos, livros e reflexões. " Até hoje não existe no Brasil um livro sobre suas contribuições. Os processos revolucionários precisam de um entendimento de que mundo estamos, para pensar em rupturas possíveis. O que acontece que muitas teorias ignoram o racismo e a contribuição de intelectuais e pensadores negros e impactam a leitura da realidade. Fanon faz essa provocação de que não há como entender o capitalismo, sem olhar para o racismo". 

Fonte: UNE

A QUE NOS REFERIMOS QUANDO FALAMOS DE “RAÍZES CULTURAIS” EM GERAL?

MeuArtigo Brasil Escola
Dois aspectos relevantes para a preservação das raízes culturais: identidade cultural e memória cultural.
Resumo
O propósito desse artigo é tentar definir o termo “raízes culturais”, com o objetivo de mostrar dois aspectos que são relevantes para a preservação das raízes culturais dos povos que são: a identidade cultural e a memória cultural.
Palavras chaves: Cultura; raízes culturais; identidade cultural; memória cultural.
Segundo o dicionário Larousse raízes tem a“(...) função de fixação, de absorção; base....principio, origem,...algo que prende, vinculo, elo. E cultura (...) é o conjunto de conhecimentos adquiridos, instrução, saber”, em relação a cultura encontramos no mesmo dicionário que é um: “conjunto de valores, símbolos e rituais praticados por uma organização. (...) conjunto de conhecimentos adquiridos, instrução, saber”. Portanto, com base nessas citações pode-se afirmar que raízes culturais é o alicerce, a base, dos conhecimentos construídos e adquiridos e praticados por um povo, ou seja, o principio, a origem, algo que produz um vínculo inicial, representando o nascimento de um elemento da cultura de um povo.
Quando nos referimos ao termo raízes culturais estamos nos referindo à história da construção dos elementos culturais ou das manifestações culturais de uma região. Podemos considerar que as raízes culturais são à base de tudo, o alicerce de uma cultura. São os tijolos da construção histórica cultural de um povo.
É fundamental que as pessoas conheçam o marco inicial dos elementos de sua cultura, pois os elementos culturais se apresentam inicialmente de uma forma bem definida, com o tempo e devido ao desenvolvimento e evolução da cultura, esses elementos sofrem modificações.
Partindo do principio que tudo tem um começo, um inicio e, para que esse começo não seja esquecido, é necessário que esse conhecimento seja resgatado e preservado na memória do povo, para que os mesmos, possam a partir dessa base assimilar as mudanças do presente e as que ocorrerão no futuro. Acredita-se que, para entendermos o presente devemos conhecer o passado.
Supõe-se que não é possível compreendermos as transformações, o desenvolvimento, as mutações da cultura se não conhecemos o ponto de partida. Podemos citar como exemplo o carimbó, que é uma dança típica paraense, que inicialmente se apresentava com uma forma bem definida, com o tempo passou por muitas alterações. O carimbó hoje é bem diferente do que ela no passado sofreu modificações com o tempo, evoluindo para um carimbo mais moderno, com novas roupas, com mais passos de dança e, à música original foram acrescentados novas batidas e instrumentos musicais. Hoje, há no Pará dois tipos distintos de carimbó, um que defende uma prática do carimbo tradicional, enquanto outro, a prática de um carimbo moderno, como afirma Amaral (2005, p.81)
:“A continuidade do carimbo como movimento musical que identifica o Pará depende de uma articulação entre tradição e a modernidade, traduzida na idéia do seu reprocessamento, ou seja, enquanto a primeira lhe confere, em qualquer tempo, a autoridade de pertencer ao povo, a última o re-adapta às condições da atualidade”.
As transformações ocorridas no carimbó de raiz são salutares e benéficas, porque demonstra que a cultura do Pará não está inerte, pelo contrário, tem evoluído e se desenvolvido, paralelamente ao desenvolvimento social e histórico do Estado. Todavia, se o conhecimento sobre a formação original do carimbó não for transmitido às futuras gerações, para que possam assimilar todo o processo de evolução do carimbo até os dias atuais, esse conhecimento poderá ser perdido com o tempo. É um conhecimento que faz parte da História cultura do Pará, é relevante que esteja na memória do povo.
Em se tratando de raízes culturais, dois fatores são muito importantes focalizar para a compreensão da necessidade de se manter viva as raízes culturais dos povos: a identidade cultural e a memória cultural.
Identidade segundo o dicionário Larousse é “(...) característica, caráter permanente e fundamental que distingui um individuo ou grupo de outros” Portanto, identidade são os atributos de uma pessoa, ou seja, suas atitudes, estilo, costumes que o distingui, definindo-o entre os demais indivíduos. São essas características que identificam um individuo dentro de uma sociedade. Para Arias 2002, p. 103) “La identidad, por tanto, es una construcción discursiva…” 
Com base nesses conceitos podemos dizer que identidade é como nos somos, é a definição de onde pertencemos, o que nos diferencia de outros, como nos situamos, como nos identificamos, ou seja, quem somos. Nesse sentido, estamos nos referido ao que somos como pessoa, o que define nossas atitudes, comportamentos, nosso falar, o que gostamos de comer, de vestir e outros. O homem em sua vivência diária, desde o seu nascimento até a fase adulta, vai incorporando, aprendendo, assimilando a cultura de sua comunidade, de seu povo, acaba assumindo características culturais próprias, e essas peculiaridades que vão defini-lo em relação à outra comunidade, a outro povo. Esse conhecimento e definição vêm de nossa cultura, de nossas raízes, pois são elas que determinam o que somos.
Toda identidade tem um ponto inicial, ela vai sendo construida gradativamente, a partir de indagações sobre “quem sou eu”, para Arias (2002, p. 103) “Todo proceso de construcción de la identidad se inicia con la necesidad de autorreflexión sobre sí mismo, la mismidad que hace referencia a la imagen o representación de un “sí mismo”, que nos permite decir “yo soy” esto o “nosotros somos”. Essa reflexão sobre a representação de si mesmo é que permite ao homem situar-se e definir-se como pertencente a esta ou aquela região.
Sabe-se que a identidade não é algo fixo, Arias (2002, p. 103) afirma que:La identidad solo podrá ser construida en las representaciones e interacciones que se teje con los otros; de ahí que la identidad no sea algo fijo, sino algo que se construye y reconstruye en el proceso de las interacciones sociales”. Segundo o autor não há uma identidade imutável, as pessoas tem sua identidade cultural própria da identificação com suas raízes, porém, essa identidade pode ser construída e reconstruída, pois a partir da comunicação entre as pessoas e da interação que há entre elas, é possível assumir ou incorporar elementos culturais do outro, passando a identifica-se com eles.
Quando o autor Teixeira Coelho diz Nenhuma identidade é fixa, estável e perene. Toda identidade, como toda cultura, está em constante mutação, dissolvendo-se e liquefazendo-se para se recompor e refazer em seguida sob aparência pouco ou muito diferente.”ele está se referindo a questão das interações culturais, que faz com que a cultura de uma comunidade acabe sendo inserida ou participando da cultura de outra comunidade e vice-versa, com isso, o individuo acaba adquirindo ou incorporando outra identidade. Porém, nesse sentido, o individuo precisa entender as mudanças pelas quais vai passando e esse entendimento a de vir do conhecimento das suas raízes culturais. Para compreender precisa saber como era no inicio e como foi se transformando, e quais foram às etapas dessa evolução ou transformação. Desvendar a vida faz parte do desenvolvimento humano Todo o individuo tem a necessidade de se conhecer, para saber quem é, e qual o seu papel na vida e na sociedade.
Outro fator importante para se preservar as raízes culturais é a memória. Segundo o dicionário Larousse, “memória é a atividade biológica e psíquica que permite reter as experiências anteriormente vividas. Lembrança, recordação”. Portanto, memória é o ato de guardar permanentemente na mente fatos, situações, vivências e etc, que ocorreram no decorrer de nossa existência.
Essa definição se aplica também a memória cultural, pois o individuo em contato com sua família, com a comunidade em que vive (vizinhos, colegas de bate papo e outros), com seus grupos de relacionamento (colegas de trabalho, igreja, centro comunitário e outros), passa a interagir com eles, e nessa relação ele passa a aprender, a experimentar e vivenciar as particularidades desse processo de inter-relação. É esse processo de inter-relação que vai lhe proporcionar toda a sua bagagem cultural, a qual ficará retida em sua memória.
Acredita-se que, na preservação das raízes culturais a memória é imprescindível, as pessoas precisam ter viva na mente toda à cultura inicial de seu povo. É importante não somente conhecer a cultura de sua região, mas também, conhecer como essa cultura começou, que povos contribuíram na formação dessa cultura, como ela se apresentava inicialmente, quais eram as características peculiares iniciais dessa cultura. São pontos relevantes e necessários ao conhecimento do ser humano na formação de sua identidade cultural.
Segundo (Haigert apud Rouston 2005, p. 102), a memória é importante, pois representa:“O suporte fundamental da identidade é a memória, mecanismo de retenção de informação, conhecimento, experiências, quer em nível individual, quer social, e por isso mesmo, eixo de atribuições, que articula, categoriza os aspectos multiformes de realidade, (...), A ‘construção’ da memória, por sua vez, está diretamente relacionada ao sentimento de identidade..”.
Rouston afirma que a memória é o que sustenta a identidade de um individuo, pois é ela que guarda todas as informações pessoais, sociais e coletivas relacionados à suas raízes. Ainda segundo o autor, “Sem memória, não há identidade, desaparece a cultura e destrói-se a consciência coletiva. É esta memória e esta identidade que constituem o patrimônio de uma coletividade”Portanto, identidade e memória estão essencialmente ligadas, um depende do outro para a continuação e evolução da cultura. É a identidade cultural e a memória que asseguram nosso patrimônio cultural, que representa tudo o que fomos, o que somos, o que temos e o que teremos amanhã.
Percebe-se a relevância desses dois termos identidade cultural e memória cultural na preservação das raízes culturais dos povos. Preservar no sentido de manter viva na memória a história cultural de um povo. Preservar no sentido da importância de transmissão desse conhecimento as gerações futuras. Preservar no sentido de não esquecer quem somos, de onde viemos, de nossas raízes.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS.
ARIAS, P. G. (2002). La cultura. Estrategias Conceptuales para comprender a identidad, la diversidad, la alteridad y la diferencia. Escuela de Antropologia Aplicada UPS-Quito. Ediciones Abya-yala.
COELHO. T. (1997). Dicionário crítico de política cultural: cultura e imaginário. São Paulo Iluminuras.
VIEIRA, L. B (organizadora). Costa, C. (colaborador)- 2005. Pesquisa em música e suas interfaces. Belém: EDUEPA.
Susie Barreto da Silva. Licenciatura Plena em Educação Artística - Habilitação em música (UEPa) - Especialização em Educação Musical (CBM), Mestrado em Educação (UCA). Doutorado em ciências da educação (UAA) (em andamento). Professora efetiva da Secretaria de Educação do Estado do Pará (SEDUC).
susiebarreto@hotmail.com  susalisboa@yahoo.com
Rosicléia Lopes Rodrigues Mendes. Licenciatura Plena em Educação Artística – Habilitação em Música (UEPa)- Especialização em Informática na Educação (PUC-MG). Mestrado em Educação (UCA). Doutorado em ciências da educação (UAA) (em andamento). Professora efetiva da Secretaria de Educação do Estado do Pará (SEDUC).
rcleiamendes@yahoo.com.br
Publicado por: SUSIE BARRETO DA SILVA
O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
Fonte: https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br

ACERVO SONORO DA RÁDIO BRASIL CULTURA 01


Documentos são registros das informações em diversos formatos e suportes, registros estes que representam parte do patrimônio e da memória do RÁDIO PARANAENSE através dos programas produzidos e apresentados pelo comunicador Cláudio Ribeiro em diversas emissoras, transformados aqui em patrimônio documental sonoro do Portal da Cultura Brasileira e apresentado pela Rádio Brasil Cultura. Esse “programete documento” contribui de forma direta garantindo a preservação e acesso, promovendo a difusão do acervo sonoro e da memória do rádio paranaense e seus profissionais.

Rádio Clube Paranaense PRB2 foi uma emissora de rádio brasileira sediada em Curitiba. Operava no dial AM, na frequência 1430 kHz, e para todo território nacional em ondas curtas de 6040 kHz (49m) 9725 kHz (31m) e 11935 kHz (25m).
É considerada a terceira rádio mais antiga do Brasil e a primeira emissora de rádio do estado do Paraná, sempre marcada por suas transmissões esportivas, jornalísticas e culturais como esse importante programa BALANÇO BRASILEIRO de sucesso nas noites do Brasil apresentado por Cláudio Ribeiro.
No programa/documento conta com a participações e citações ENTRE OUTROSZé Pequeno, Ubiratan Lustosa, Gilberto Fontoura e Osni Bermides.

Cláudio Ribeiro – Jornalista. Radialista. Escritor e Compositor. Com formação em Direito. Arte, política e vida se entrelaçam quando a pessoa faz de sua história um caminho empenhado na escritura e no fazimento da cultura de seu lugar. Com certeza é o caso deste múltiplo Cláudio Ribeiro, principal letrista paranaense em oficio, e que além de esbanjar sua criatividade em letras e canções de própria autoria e importantes parcerias, ainda se desdobra no exímio oficio de pesquisar, escrever, poetar e comunicar. Como “agitador” político e cultural e, de uma forma precisa e profundamente poética vem traçando rumos, participando ativamente das mudanças políticas e sociais brasileiras.

Zé Pequeno -, músico, compositor, trabalhou nas rádios Guairacá ZYM 5,  PRB2 – Rádio Clube Paranaense, TV Iguaçu Canal 4 e em diversas boites de Curitiba, em especial na “Zona do oleo” – no Parolim – como sempre ressaltava, pois dalí, tirava o sustento do dia a dia. Participava sempre dos programas de Cláudio Ribeiro compondo diversas PARÓDIAS – sobre futebol, clubes e jogadores, políticas e sobre do cotidiano.

Osni Bermudes – “Pioneiro da Comunicação no Paraná” – Foi um GRANDE E IMPORTANTE PROFISSIONAL/INVENTOR do rádio e da televisão do Paraná.

Ubiratan Lustosa – Reconhecido radialista, poeta, trovador, escritor, letrista, contista e historiador é um dos nomes mais destacados da história do rádio curitibano, paranaense e brasileiro.

Gilberto Fontoura – é radialista e jornalista profissional. Atuou nas principais emissoras de rádio de Curitiba. Foi cronista, repórter e narrador esportivo da Tv-Paranaense (GRPCOM). Apresentou o “Globo Esporte”, edição local, durante mais de 20 anos.
Registro que sigo aqui a indicação do meu amigo Wasyl Stuparik,
 ator, produtor e diretor, trabalhou no rádio com o pseudônimo de BASÍLIO JUNIOR, que sugeriu que publicasse no Portal Brasil Cultura os registros sonoros de programas radiofônicos que fiz ao longo de minha carreira.
Cláudio Ribeiro
Wasyl Stuparik

Ouça aqui um pequeno pedaço do patrimônio documental sonoro do Portal da Cultura Brasileira
Fonte: BRASIL CULTURA 

Os negros como protagonistas na literatura num país de maioria negra


Em meados de 2013, Vagner Amaro emperrou na tarefa de montar um acervo de literatura contemporânea de autoria negra na biblioteca em que trabalhava: encontrava-se pouca coisa e com dificuldade no circuito comercial de livrarias e editoras. Passados alguns anos, em 2015, descobriu que a autora recém premiada com o prestigiado Jabuti pelo livro de contos Olhos D’Água, Conceição Evaristo, tinha grande parte da sua produção fora das prateleiras e catálogos, quando não esgotada e sem reedições. Os dois eventos, Amaro já sabia, não eram mero acaso, mas o reflexo de um mercado consolidado que torna invisível a produção literária de autores e autoras negros. Assim, pouco tempo depois, ele fundou a Malê, uma pequena editora carioca voltada para publicação de literatura de autoria negra.
Com pouco mais de dois anos e cerca de 30 títulos, a Malê – nome inspirado na revolta dos malês, levante de escravos na cidade de Salvador, que aconteceu em 1835 – alcançou um prestígio que é prova de que o editor estava certo não apenas sobre a invisibilidade de autores negros no mercado, mas também sobre a oportunidade oferecida por essa lacuna. No último dia 1º de maio, o autor moçambicano Dany Wambire participou da Feira Nacional de Livros de Poços de Caldas, e, no final de julho, o congolês Alain Mabanckou participará da Flip 2018 – Festa Literária Internacional de Paraty – ambos editados pela Malê. “Eu parti de um problema que afetava a literatura brasileira, mas hoje ampliamos este foco para autores afrodescendentes e africanos, principalmente os que ainda não foram editados aqui, como é o caso dos dois”, diz Amaro.
“Qualquer ação que vise democratizar a ampliação de leitores, terá que passar pela questão da diversidade e da representatividade na literatura”, comenta Amaro. E a falta de representatividade não é apenas uma sensação, mas uma realidade aferida, inclusive, numericamente. Uma pesquisa coordenada pela professora Regina Dalcastagnè, da Universidade de Brasília (UNB), por exemplo, mostra dados indiscutíveis sobre a publicação de romances nas principais editoras do país. Entre 2004 e 2014, apenas 2,5% dos autores publicados não eram brancos. No mesmo recorte temporal, só 6,9% dos personagens retratados nos romances eram negros, sendo que só 4,5% eram protagonistas da história. E, entre 1990 e 2004, o top cinco de ocupações dos personagens negros era: bandido, empregado doméstico, escravo, profissional do sexo e dona de casa.
A pesquisa coordenada por Dalcastagnè compila dados desde 1965 e o que se enxerga é a continuidade, quando não a piora, do cenário de homogeneidade que se estende também para outros setores da sociedade (veja tabelas abaixo). Ao contrário do cenário feminino, em que o número de mulheres autoras cresceu nos últimos 20 anos – apesar de ainda ser muito mais baixo que o de autores –, o número de escritores negros se manteve praticamente o mesmo. Segundo Dalcastagnè, historicamente há uma série de questões envolvidas nessa disparidade, mas a permanência do cenário mostra uma especificidade do mercado. “Talvez eles não sejam editados porque são sempre encarados como uma literatura de nicho. Por que a literatura de um homem branco, de classe média, é considerada universal e a de uma mulher negra não seria?”, comenta a pesquisadora.
“Ouvi de muitos leitores da Malê que eles apenas passaram a gostar de ler quando entraram em contato com textos da literatura negra. Em um país com índices de leitura tão baixos, fico pensando quantos leitores potenciais não estão sendo perdidos”, diz Amaro. Para ele, embora os elementos de identificação com os textos literários sejam complexos, e grande parte da importância da literatura seja exatamente a possibilidade de se identificar com histórias bem diferentes das nossas, não é difícil entender que para uma pessoa negra ler apenas a ficcionalização da vida de pessoas brancas é algo ruim. “Não é apenas uma questão política, mas estética. A manipulação da forma literária por diferentes grupos sociais pode gerar resultados diferentes. Por isso, também, é tão importante inserir novas vozes em nosso campo literário”, concorda a pesquisadora Dalcastagnè.

“Isso não é um chamado para que os escritores brancos passem a escrever personagens negros, pois é importante que se preserve a liberdade criativa. O que é preciso é que se amplie as possibilidades de acesso para livros de autores negros”, argumenta Amaro. E o acesso, segundo ele, passa por diferentes situações: desde dar espaço editorial para uma autora premiada, como Conceição Evaristo, até a presença em livrarias, escolas ou na mídia tradicional e especializada. A homogeneidade atual do mundo literário chama ainda mais atenção quando colocada em perspectiva. Basta dizer, como lembra Amaro, que o grande autor nacional, cânone da literatura brasileira, é Machado de Assis – que até hoje, vira e mexe, tem a cor da sua pele branqueada em representações. Ao seu lado, na passagem do século XIX para o XX, estão outras figuras, menos ou mais lembradas, como Maria Firmina dos Reis, Cruz e Sousa e Lima Barreto.
“Com raras exceções, o século XX foi de negação da literatura de autoria negra, uma realidade que apenas começou a se modificar com o movimento negro do final dos anos 1970 e a publicação dos Cadernos Negros [publicação anual, lançada em 1978, que reúne contos e poesias de autores afro-brasileiros], que serviram de base para a Malê”, diz Amaro. Agora, o lançamento da editora combina com um momento em que a representatividade está em pauta no meio literário. Dalcastagnè lembra que apesar de sua pesquisa mostrar um cenário sem muitas mudanças, microeditoras como a Malê estão furando o bloqueio das grandes. Outro exemplo disso foi a programação da edição de 2017 da Flip que, pela primeira vez, teve mais escritoras do que escritores, além de uma forte presença de autores negros – algo que reverberou em outros eventos literários do país.
O crescimento e sustentabilidade, contudo, é uma questão permanente para a Malê e outras editoras pequenas – como a paulista Hoo, voltada para literatura com temática LGBT, a mineira Nandyala, de autoras negras, ou ainda, fora de um nicho específico, a carioca Mórula, que tem publicado ficção e não ficção. Segundo Amaro, há uma dificuldade em comum: ser pequeno, mas estar em um mercado voltado para as grandes. “O que venho defendendo é que distribuidores, livrarias e os programas de aquisição de obras do governo considerem as especificidades das pequenas editoras, para que elas possam competir e se manterem no mercado”, diz. Fundamental para o trabalho, ele ressalta, tem sido a divulgação via redes sociais, o contato com projetos de formação de leitores, além de, no caso específico da Malê, uma geração de formado e universitários negros que têm se interessado cada vez mais pelas obras da editora.
“Em um momento de crise e ataque à cultura, o que editoras como a Malê têm feito é um verdadeiro trabalho de resistência”, diz Dalcastagnè. Para Amaro, a editora tem uma função social definida: democratizar a literatura a partir do investimento em autores negros que ainda não têm o alcance de leitores que merecem. “Divulgar uma literatura que apresenta subjetividades de personagens negros e negras é também fazer com que se reflita sobre a subjetividade desses indivíduos que compõem a maioria da população brasileira [53,6% da população, segundo pesquisa do IBGE”, comenta o editor. E existe uma literatura negra? “Considero que a literatura negra estudada já há décadas afirma o que vem sendo negado pelo sistema literário, que é a presença da autoria negra e a humanidade na representação dos personagens negros, mas é claro que nem todo autor negro fará uma literatura associada a estas ideias”.
Fonte: El País